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sábado, 29 de março de 2025

Avenida Beira-Mar

Assisti Avenida Beira-Mar (2024) de Maju de Paiva e Bernardo Florin no Telecine Premium. Não sabia da existência desse filme e que grata surpresa, de uma delicadeza tocante. Me emocionei muitas vezes. 

Mãe e filha mudam-se para uma casa perto do mar. Fui ver e é foi filmado na praia de Piratininga em Niterói. Conheço pouco Niterói e nenhuma praia. A mãe é a maravilhosa Andréa Beltrão.

Logo que chegam, a filha faz uma amiga. Como a mãe trabalha muito, a relação fica mais só delas. A amizade é tocante, as duas atuam divinamente e se chamam Milena, Gerassi e Pinheiro. Com o tempo a jovem descobre que sua amiga é um menino para a família dele, que é muito violenta com ele, é de cortar o coração. 

A cena de violência da mãe, Isabel Teixeira, com a filha é assustadora, fiquei muito mal. A jovem acaba fugindo de casa.

Grandes atores fazem pequenas participações. Analu Prestes faz a vizinha preconceituosa. Tanto que quando ela fala de um menino perigoso achei que era um que praticava violência nelas várias vezes, mas não, o preconceito dela era de gênero. Emiliano Queiroz faz uma linda participação. Ele tem uma linda conversa com a menina.

Gostei muito da condução do filme e do final. Fica entreaberto, quando as três se encontram na praia, mãe, filha e amiga. É um filme muito delicado.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Era Uma Vez

Assisti a novela Era Uma Vez (1998)  de Walther Negrão no Canal Viva. Eu tinha visto um pouco dessa novela em alguma reprise, quis ver. Sempre amei a família do sítio. Quatro crianças (Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Alessandra Aguiar e Pedro Agum), um pai (Herson Capri) e um avô (Elias Gleiser). Na época que passou eu mal ficava em casa, trabalhava direto, sem folga.

Madalena (Drica Moraes) vai se esconder em uma cidadezinha "no meio do nada" pra fugir de um marido violento (Tuca Andrada). Se emprega de governanta dos pestinhas. Ela e o pai das crianças se apaixonam. Sim, é uma novela antiga, quando ainda achavam que não precisavam ser muito realistas, e sim, muito texto é machista, mas Elizabeth Jinh é uma colaboradora e já é possível ver excelentes diálogos atuais sobre a condição de mulheres e relacionamentos. Ainda era a época que as novelas não precisavam ter negros em suas tramas, então a novela ignora que a maior parte da população brasileira é de negros.
Acho que os casalzinhos mais esquisitos eram os mais jovens da trama. O playboy filé (Cláudio Henrich) vivia com uma turma em esportes radicais, depois que o pai (Jorge Dória) arruína financeiramente a vida da família, ele toma juízo. Mas é tudo muito fake, é bem história de rico que fica pobre, mas não é bem assim. Hipotecada a fazenda, conseguem de volta com uma chantagem frouxa e continuam ricos. Os duas pretendentes tem 18 anos mas ainda estão no colégio. Emília (Débora Secco) é muito estudiosa, mas deve ter repetido de ano várias vezes pra ainda não estar na faculdade. Até dá pra entender a pressa de Filé pra casar com Babi (Nívea Stelmann) que queria intimidade só casando, mas casar aos 18 anos, os dois sem trabalho, é bem surreal. Ele acaba se decidindo por Emília, em vez de só namorar e os dois estudarem, casam rapidinho também. E o celeiro? Ok, ele com raiva do pai vai morar no celeiro. "Não quero nada do meu pai". Bom, mas o celeiro estava nas terras do pai e o celeiro era do pai. Filé não entende porque Babi não quer morar com ele no celeiro, mas como é uma novela da ilha da fantasia, não tem banheiro. Oi? Viver de modo simples é uma coisa, mas sem banheiro?
Gostei que a Heloísa (Suzy Rêgo) ficou com o Xistos (Cláudio Marzo). Ela é detetive e aparece na trama praticamente como uma vilã. A novela resolve ser boazinha com os maus da trama. Heloísa se redime do mal que fez, ela passa a novela com comportamentos anti éticos, mas se redime ajudando Álvaro a encontrar Madalena. Os vilões também são chamados de loucos e internados em um hospício de luxo. Em novela hospício sempre é um bom lugar pra loucos, inclusive os pra ricos. Letícia (Sura Bertichevsky) não tem a mesma redenção. Depois de cometer um crime gravíssimo, abandona o filho em um orfanato, a pobre sofre o pão que o diabo amassou na novela, não arrumam um companheiro pra ela, nem uma carreira melhor. Até o filho (André Gonçalves) esquece dela depois que ela vai embora e some da trama. Até Waldir foi perdoado melhor que a pobre da Letícia. Waldir, depois de todas as maldades que fez a família do Xistos, volta ao seu emprego.
A família que eu mais amava era a do Catulo (Emiliano Queiroz) e da Quitéria (Stella Freitas). Ele era o sábio da novela, ponderado, aconselhava todos. O Xistos o tinha como confidente. Quitéria era a adivinha da trama, ela percebia tudo, como amo esses atores. Eles adotaram um filho, a história do filho deles também é bonita.

Ele se apaixona por uma mulher mais velha (Myrian Rios) com um filho adolescente (Eduardo Caldas). Lindo como os pais defendem o namoro do filho. Mas é novela antiga como eu disse, o pobre do adolescente só trabalha, estuda também, mas após os estudos tem que trabalhar, exaustivamente. Relações trabalhistas em novelas antigas são sempre esquisitas pra dizer o mínimo. O Pepe tinha o melhor arroz da região. Mas na hora da colheita explorava a cidade inteira na colheita em troca de uma macarronada. Ganhava a vida às custas de trabalho escravo. Não tinha um funcionário no "sítio". 
Mas achei importante abordar o abuso do ricaço sobre o seu funcionário. Rudy comprava cavalos, ok, sabia escolher bons cavalos, mas também ganhava as corridas porque tinha um bom jóquei. Apesar dele ganhar muito dinheiro com as apostas e enriquecer, era incapaz de remunerar melhor o seu funcionário, ou partilhar os lucros com ele. Tinham muitos personagens que eu gostava. 

A doce Cema (Maria Carol Rebello), uma irmã que todo mundo queria ter. Frei Chicão (Diogo Vilela) e Dona Santa (Nair Belo) tinham momentos lindos. Belíssimo o diálogo do frei falando pra irmã que ela fazia vista grossa as irresponsabilidades do filho (Marcos Frota). E ainda Luciano Vianna, Rejane Goulart e Tereza Rachel.

Em 1998 já tinha a mania de na última semana ter um sequestro, achando que o público gosta. Ainda era a época que as novelas não tomavam certos cuidados com produtos para crianças. Pela família do sítio, muita criança amava e acompanhava a novela, mas a trama fica pesadíssima no final. Teve tentativa de estupro, mostrou assassinatos, tentaram matar o Maneco, ele só sobreviveu porque a bala não o matou, mas foi espancado na televisão e atiraram nele, sequestros, mais de um. Eu insisti porque queria ver o final, mas a novela fica muito ruim e chata nessa fase. Teve uma crítica muito grande com o surgimento da classificação indicativa, sim, pode ter alguns moralismos, exageros, mas é muito bom que as novelas para crianças sejam mais cuidadosos com violências.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Espelho da Vida

Assisti a novela Espelho da Vida (2018-2019) de Elizabeth Jhin na TV Globo. A direção foi de Pedro Vasconcelos. Amei! Entre as minhas novelas preferidas. Essa autora é sempre atacada por espíritas que dizem que ela erra a forma como acontecem as reencarnações. No Brasil acontece essa insistência religiosa de achar que a única religião que abraça a reencarnação é o espiritismo. e que o espiritismo sabe exatamente como é a reencarnação. São dois equívocos. Várias religiões orientais acreditam em reencarnação, com teorias completamente diferentes.

A própria autora diz que a novela dela é espiritualista. Eu que não sei se os fenômenos existem ou não e por achar que a autora arruma tudo muito bonitinho demais, vejo a novela como de fantasminhas. Mas acho que 007 resumiu bem, é uma novela fantasia. É isso. Os fenômenos existem para que se contem duas boas histórias no passado e no presente, uma trama profunda, como a autora já tinha feito com maestria em Além do Tempo.

Muito se reclamou do ritmo lento da novela, mas eu amei cada segundo e achei que se tivesse mais uma semana ou quinze dias as tramas se acomodariam melhor. Quase todos os personagens interpretam mais de um, seja na vida atual ou na vida passada. Victoria Strada estava majestosa como Cris/Júlia. O namorado dela, interpretado por João Vicente, é um cineasta e ela uma atriz de teatro. Ele precisa voltar a cidade de Rosa Branca porque seu avô está morrendo. Na cidade Cris fica surpresa e diz que já esteve lá. Ela acha então uma casa abandonada e passa a viver experiências no passado. Por um espelho, como em Outlander, ela vai ao passado e se vê como Júlia.
No passado, Júlia teria sido assassinada pelo seu amado Danilo, interpretado por Rafael Cardoso, que aparece na trama no passado e demora muito para aparecer no presente, podia ter aparecido um pouquinho antes. Cris passa a sofrer pressão por pessoas em Rosa Branca que querem que ela limpe o nome de Danilo e descubra quem realmente matou Júlia. Cris passa a ir e vir ao presente e ao passado e a novela passou a ser muito criticada por isso. Resolveram mudar algumas questões e eu fiquei apavorada de a trama se estragar, mas foram muito inteligentes. Depois de idas e vindas, Cris fica presa ao passado para ficar até Júlia ser morta. Então a trama nos dias de hoje passam a não contar com a protagonista. Para ajudar no entendimento, alguns personagens do presente dizem que o tempo do passado é outro. Então isso acomodou as licenças poéticas. 

Outra crítica seria sobre a turma do cinema, mas eu amava a produção de cinema, quem seria o ator que faria o personagem da novela do passado. As gravações, o elenco,m os figurantes, cada detalhe.

Bola era o braço direito de Alan no cinema, o assistente de direção que substituía o diretor quando necessário, Eu adoro esse ator, Robson Antunes. Ele tem um romance quente com Sheila, que atriz linda e talentosa, Dandara Albuquerque. A personagem não valia nada, no começo da trama está na cidade grande tentando uma vida melhor. Sua filha fica com o avô (Cosme dos Santos), que fofa essa menina, Maria Luiza Galhano. Eu queria mesmo que Bola ficasse com Sheila. Desde o começo a novela insinuava que ele ficaria com a competente produtora Daniela (Renata Tobelem), mas nunca deu química. E eu me incomodava com a ideia que gordinha só consegue gordinho pra namorar. Seria muito melhor ela ficar com algum galã de filme, bem mais jovem que ela e deslumbrante. Gordinhas também amam e muito. E Bola tinha muito mais química com Sheila. E Espelho da Vida falava muito em perdão. Seria bem mais bonito ele perdoar Sheila e ajudar a moça a ser alguém melhor.

Eu amava as crianças das novelas, lindas e talentosas. Priscila (Clara Galinari) e Jadson (Otávio Martins). Os dois tinham vidas difíceis nos dois tempos da novela. Como seus personagens sofriam e como estavam bem. A preparadora do elenco infantil é a Pequetita de Cabocla, a Mareliz Rodrigues que se especializou em ajudar jovens atores em novelas. E as crianças pareciam adorar porque volte e meia punham fotos com ela nas redes sociais.
As adolescentes também eram demais. Amei as atrizes Débora Ozório e Catarina de Carvalho. Mas se juntavam a elas outros atores muito bacanas Cadu Libonati, Guilherme Hamacek e Anna Rita Cerqueira.

Eu amei que Vera Fischer e Luciana Vendramini estavam no elenco. Elas vão pra Rosa Branca porque são grandes atrizes pra atuar no filme. Lindas as homenagens que fizeram a carreira da Vera Fischer. O elenco todo se reuniu para ver um trabalho da personagem e exibiram trechos de Riacho Doce e depois de um filme do Walter Hugo Khouri, que não vi e está entre meus diretores preferidos. Ela tem um grande amor nas duas tramas interpretado por Marcelo Escorel.
Espelho da Vida falou muito de perdão, mesmo quando é muito difícil perdoar. Grace (Patrícia Travassos) abandona a filha grávida quando ela mais precisa da mãe. O suposto pai do filho dela morreu, o ex-namorado foi embora depois da traição. A filha fica sozinha e grávida tendo que assumir tudo. Isabel era uma das grandes vilãs da trama em grandes personagens pra Alinne Moraes, que arrasou. Mas ela não é espancada no final após as maldades, muito pelo contrário, é salva pelo pai da filha dela. Vai presa em uma prisão psiquiátrica, mas recebe a visita da mãe e da filha com muito choro, carinhos e abraços. Muito inovador e necessário nos dias de hoje perdoar até mesmo quem tanto nos magoou.
São muitos personagens e atores maravilhosos. Irene Ravache está majestosa nos dois personagens. A doce Margot tem cenas dilacerantes sobre seu filho que foi sequestrado aos 5 anos. Mas a dura Hildegard do passado também está majestosa. Interessante que achei que Reginaldo Farias ia fazer só uma participação especial no início da novela. Ele morre logo no começo. Mas ele passa a aparecer, mesmo que Margot não veja, para ajudá-la. E depois seu personagem no passado está vivo. Com Patrick Sampaio acontece o mesmo. Parecia uma participação minúscula na trama, mas ele passa a vir como fantasminha e depois tendo um personagem completo no passado. Como seus personagens sofreram, que dó.
Fantasminhas foram muitos, eu amo trama de fantasminhas. Que personagens incríveis para Suzana Faini e para Emiliano Queiroz. Interessante que praticamente até o final nós não sabíamos se alguns personagens estavam vivos ou mortos. 

Tinha tanto personagem que eu gostava que eu fico tentando não esquecer nenhum. Amei a atriz que faz a Bendita e a Débora, Luciana Malcher. Ela foi uma verdadeira guardião da Júlia e da Piedade. E nos dias atuais uma grande atriz.

Júlia Lemmertz também ganhou grandes personagens. A sofrida Piedade, submissa ao marido e nos dias de hoje, uma mulher realizada e com um casamento feliz.

Felipe Camargo e Ângelo Antônio. tiveram dois grandes personagens em cada tempo da novela. Felipe surge como Américo, um pai relapso, alcoólatra, trambiqueiro e fazedor de filhos largados pelo mundo. No passado um coronel monstruoso e igualmente fazedor de filhos. Ângelo um padre no passado e um homem íntegro e dedicado a filha do primeiro casamento da esposa.

E que personagem para Ana Lucia Torre. Depois de despertar pra vida por um amor não correspondido, ela faz um texto maravilhoso achando que Américo está dormindo, agradecendo a ele por ter feito ela voltar a ter sentimentos, a se sentir bonita e a despertar para a vida. Ela acaba encontrando um par no final com o personagem de Roberto Perillo.
A pensão era uma delícia, as irmãs Zezé (Maria Mônica Passos) e Abigail (Andréa Dantas) proporcionaram deliciosos momentos. Zezé se apaixonava por qualquer um que chegasse na pensão, não importava se tivesse 25 anos, ela achava que qualquer um estava apaixonado por ela. Mas eram grandes os personagens também de Lenita (Luciana Paes), Marcelo (Nikolas Antunes), Martim (Wal Schneider), Letícia (Letícia Persiles) e Dalva (Andrea Bacellar), esses todos tiveram outros personagens no passado. Eu delirava cada vez que surgia no passado um personagem do presente. Kéfera Buchmann estava ótima. Disseram que ela estreava, sim, em novelas, mas ela já havia atuado em alguns filmes. Ficaram só no presente ainda outros personagens que gostava muito Mauro César (Rômulo Arantes Neto), Tavares (Marcelo Laham), Neusa (Flavia Garrafa), Sergio (Márcio Machado), Josi (Thati Lopes), Claudio (Pedroca Monteiro), Jorge (Miguel Coelho), Padre Léo (José Santa Cruz), Emiliano (Evandro Mesquita) e Valdete (Rosana Dias).

No final inclusive, após o assassinato de Julia, o elenco todo estava entre os curiosos. Imagino o trabalhão que foi preparar cada ator em figurino de época para a cena. Tudo era primoroso. Foram feitos dois casarões no cenário. Um com cara velha e caindo aos pedaços e outro novinho para as gravações duas épocas. A trilha sonora também é incrível.

Sérgio Santos do De Olho nos Detalhes também amou a novela e escreveu vários textos sobre a trama.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Treze Dias Longe do Sol

Assisti Treze Dias Longe do Sol (2017) de Luciano Moura na TV Globo. Estava ansiosa por essa série. A Patry assistiu antes no GloboPlay e tinha gostado muito. Sim, as chamadas me lembraram muito Supermax e a série também. Um grupo fica preso em um lugar todo cinza, com muitas dificuldades, tendo que cada um lidar com as alterações de humores dos outros em situações extremas. E depois que comecei a ver me lembrou Os 33, onde mineiros ficam presos após o desabamento, essa a semelhança foi com a cobertura internacional do acidente.

Apesar das semelhanças também amei a série e o roteiro é muito bom e ligado a nossa realidade brasileira , infelizmente. Logo no início o prédio desaba como aconteceu com o Palace 2 por motivos muito semelhantes, ganância de construtoras. Há tantos anos tivemos o incidente do Palace 2 e as construtoras continuam fazendo o que querem com o Brasil em parceria vergonhosa com políticos. Sim, os motivos do engenheiro chefe e da diretora financeira eram nobres. O dono da construtora tinha morrido e eles queriam levantar dinheiro para comprá-la. Muito provavelmente não conseguiriam honestamente pelo volume de dinheiro e eles tem a infeliz ideia de fazer um prédio com redução de 20% do material. Já é horrível essa decisão, mas a ganância vai mais longe e o engenheiro chefe vai reduzindo mais ainda a compra de material como ferros que foram reduzidos em 40%. Bastou uma chuva forte para o prédio desabar, antes mesmo de ser inaugurado. Déborah Bloch está incrível, outra personagem cheia de camadas. Ela fica possessa com os exageros do engenheiro, mas aceitou antes a redução de 20% do material. Muito triste a cena do pai dela na estrada, interpretado pelo incrível Emiliano Queiroz. Nada justifica o que ela fez, mas a solidão dessa personagem corta o coração.
Como em Supermax, os que ficam no subsolo precisam lidar uns com os outros em situações limites. Incrível a construção dos personagens, muito ricos em características e ótimos atores. Além dos atores que adoro e mais conhecidos como Selton Mello, Carolina Dieckman, Lima Duarte, Maria Manoella, Enrique Diaz e Teca Pereira. Incríveis os outros, principalmente os operários. Bem complexos os operários, inclusive os que eram um casal interpretados brilhantemente por Démick Lopes e Pedro Wagner. Se amavam muito, mas eram agressivos com o mundo externo duas pessoas de difícil socialização. Os atores estão incríveis. Gostei que os personagens tinham vários lados. Como o chefe de obra, Antônio Fábio, que era respeitado por todos, inclusive pelo engenheiro chefe, mas abandonou anos a filha, Camila Márdila, sem ligar para ela.

Fabrício Boliveira merece um bloco só sobre ele. Entre os melhores atores de sua geração, entre meus atores preferidos, brilhou como o chefe dos bombeiros. Ele teve um incidente anterior de fracasso, está de licença, mas o enviam para liderar o grupo. Está nas buscas por sobreviventes, mas outro superior chega, Eucir de Souza, e diz que estão encerradas as buscas. É emocionante quando ele descobre que há pessoas no subsolo, ou mesmo quando fazem contato por um equipamento eletrônico. Fabrício arrasa em todos os momentos.
Gostei do desfecho. O Brasil é um país que faz uma construtora ainda ter alto valor de venda no mercado mesmo depois de um fracasso e de tanta corrupção. O herdeiro, Paulo Vilhena, consegue vender a construtora por um bom valor para um ávido interessado, Luciano Chirolli, até porque logo esquecem o absurdo do desabamento, farão um marketing que agora a empresa será séria pra tudo continuar mais do mesmo e com alto apoio político e alta corrupção política. Construtoras estão no topo com todo tipo de regalia. Qualquer empresa por muito menos teria falido, mas no Brasil construtoras são objeto de luxo.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Floresta Que Se Move

Assisti A Floresta Que Se Move (2015) de Vinícius Coimbra no TelecinePlay. É inspirada na obra Macbeth de Shakespeare. Gabriel Braga Nunes faz Macbeth e Ana Paula Arósio a Lady.

Os dois estão lindos e maravilhosos! Adaptaram para os dias de hoje, em cenários que poderiam ser em qualquer país. Maravilhosa a casa que é cenário da casa deles. Belíssima! Começa com ele e o amigo encontrando uma bruxa com as profecias. A bruxa é interpretada pela incrível Juliana Carneiro da Cunha. Logo uma profecia se cumpre e ele é eleito para vice-presidente do banco.

Para comemorar fazem um jantar, matam o presidente interpretado pelo Nelson Xavier. Ele é um alto executivo, então os dois são muito elegantes e também são econômicos nos gestos, nas palavras, claro que é o texto belíssimo de Shakespeare, mas eles são influentes.

Ângelo Antônio interpreta o braço direito de Macbeth que desconfia da morte do presidente. Sua esposa é interpretada pela Miriam Freeland. O filho do banqueiro pelo Fernando Alves Pinto. O delegado pelo Rui Ricardo Diaz. A secretária por Regina Remencius. O faxineiro por Emiliano Queiroz
A Floresta Que Se Move é muito bem realizada. Gostei da adaptação para os dias de hoje e da inclusão da tecnologia, muito bem feita. Os celulares sempre presentes, já que são alto executivos. Câmeras no escritório ligado ao computador. Fotografias. E os dois protagonistas simplesmente arrasam. Os momentos de loucuras. A tensão está toda ali, ficamos angustiados com receio que descubram que eles são os assassinos quando deveríamos desejar que eles fossem descobertos.  
Assinam a fotografia Pablo Baião e Alexandre Fructuoso. Direção de Arte de Walter Brunialti. Figurinos lindíssimos de Rosane Gonçalves, Também gostei demais da música principal de Villa-Lobos, a Bachianas Brasileiras nº 4.

Beijos,
Pedrita