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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Nos Tempos do Imperador

Assisti a novela Nos Tempos do Imperador (2021-2022) de Thereza Falcão e Alessandro Marson na TV Globo. Após o sucesso de Novo Mundo, a emissora programou a continuação, agora contando parte da história de Dom Pedro II. A novela começou a ser gravada antes da pandemia. Parada por um bom tempo e depois retomada com várias restrições e protocolos. Selton Mello emocionou como Dom Pedro II, culto, ponderado. Letícia Sabatella arrasou como a imperatriz Teresa Cristina. Conhecia pouco da história dela, muito devota, culta, colecionadora, diplomática, era adorada pelo povo. Há pouco tempo localizaram cartas sobre o romance do monarca com a Condessa de Barral interpretada por Mariana Ximenez.
 

A novela reconstituiu a Pequena África onde viviam negros libertos ou cativos. O casal líder foi interpretado pelos maravilhosos Dani Ornellas e Rogério Britto. Triste demais a história do casal Mari Sheila e Alan Rocha. Eles desaparecem e Mãe Cândida tem uma visão deles mortos. Dom Lú era muito amigo de Dom Pedro II e sua visão pacifista incomodava. Ele perdoava muito os horrores da realeza com os escravizados, mas era implacável com os seus.
Eu adorava alguns casais como Lupita (Roberta Rodrigues) e Batista (Ernanin Moraes). A trama da Lupita não teve final em represálias às denúncias de racismo nas gravações. A trama da Lupita tinha erros graves, ela era cativa porque o seu "dono" não a vendia, mas ela tinha cativas. Sim, mulheres negras libertas costumavam ter cativas, mas Lupita não era liberta, então suas cativas eram na verdade de seu "dono". O mesmo caso do imóvel que Lupita herda, era do seu "dono". Tudo o que os cativos ganhavam eram dos seus "proprietários". Por uma gama de erros na novela, vários mostrando o branco salvador, a trama contratou uma consultoria para regravar cenas e mudar contextos, mas alguns erros passaram.
Foi uma grata surpresa o casal Dolores e Nélio interpretados brilhantemente por Daphne Bozaski e João Pedro Zappa. Linda também a transformação da personagem da Paula Cohen.

Quando achávamos que já tínhamos um casal preferido eis que surge Clemência e Vitória. Uma esposa e mãe do dono do casino e a outra uma arqueóloga. Maria Clara Gueiros e Dani Barros arrasaram, que lindo o amor delas.

O casal protagonista foi interpretado pelos belos Gabriela Medvedovski Michel Gomes. Ela tornou-se a primeira médica do Brasil, na época as faculdades não aceitavam mulheres, então ela estudou nos Estados Unidos. Samuel tornou-se engenheiro. Teve a Guerra do Paraguai e surgiu a figura histórica da Ana Neri (Cyria Coentro), enfermeira. Adorava os atores que interpretaram Solano Lopez, Roberto Birindelli e sua amada Lana Rhodes.


O elenco era bem extenso. As princesas adultas foram interpretadas por Giulia Gayoso e Bruna Griphão. Seus cônjuges por Daniel Torres e Gil Coelho. Eu não me incomodo muito com licenças poéticas em novelas, mas Nos Tempos do Imperador passou um pouco da conta nas liberdades nos personagens históricos, principalmente com excesso de textos de amor romântico não praticado na época. Dom Pedro II não era abolicionista e a Princesa Isabel não era tão inoperante, entre outras alterações. O Barão de Mauá foi interpretado por Charles Fricks e José de Alencar por Alcemar Vieira. Ainda no elenco estavam: Augusto Madeira, Bel Kutner, José Dumont, Heslaine Vieira, Gabriel Fuentes, Alexandre Nero, Maicon Rodrigues, Cinnara Leal, Lu Grimaldi, Raffaeli Casuccio e Jackson Antunes. Apareceram brevemente da novela anterior: Viviane Pasmanter, Guilherme Piva e Ingrid Guimarães.
Há algumas obras que tentam diminuir as lacunas da história do Brasil. Eu li alguns, comprei mais um recentemente e quero ler das cartas entre o imperador e a condessa. Vou colocar as postagens aqui de alguns que li:
No final a novela fez uma linda homenagem ao Museu Nacional que pegou fogo em 2018. Selton Mello, como professor nos dias de hoje, conta que Dom Pedro II nasceu na Quinta da Boa Vista que depois transformou-se no Museu Nacional. Lá uniram seus acervos, já que Teresa Cristina era uma grande colecionadora e igualmente Dom Pedro II. O professor lembrou que no incêndio 85% do acervo se perdeu e que atualmente o museu tenta se reconstruir com a ajuda de alguns empresários, mas que continua precisando de ajuda para poder ser restaurado.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 13 de julho de 2021

Pedro Sob a Cama

Assisti Pedro Sob a Cama (2017) de Paulo Pons no Canal Brasil. Que filme lindo! Que roteiro delicado e profundo! Uma tragédia acontece em uma família, só vamos descobrindo com o tempo o que de fato aconteceu. 

O pai volta a morar na cidade pequena onde está seu filho e seu enteado. O filme foi realizado na cidade de Pedro Osório no interior do Rio Grande do Sul. Os dois garotos vivem com a tia que trabalha à noite em uma casa para idosos e o irmão mais velho faz faculdade. 
Com isso, Pedro toda dia sai de casa e vai a casa do pai antes que ele volte ao trabalho e deita sob a cama. No dia seguinte só sai debaixo da cama depois que o pai foi trabalhar. Uma graça como os dois irmãos são autossuficientes. Um outro dia Pedro leva um saco de dormir, cobertor e um travesseiro pequeno pra dormir embaixo da cama. Ele dobra tudo bonitinho, coloca a roupa suja na máquina, leva o que comer no café da manhã, um saco pra por o lixo pra jogar quando voltar pra casa. O irmão também cuida do Pedro, organiza tudo em casa, é muito bonita a harmonia dos três, tia e irmãos. Fernando Alves Pinto faz o pai, Gabriel Furtado o fofo Pedro, o irmão é interpretado por Konstantinos Sarris com um personagem muito difícil. A tia por Fernanda Thuran. Fazem participações Letícia Sabatella como uma visita do pai de Pedro e Betty Faria como a avó dos meninos.
Beijos,
Pedrita

sábado, 14 de novembro de 2020

Legalidade

Assisti Legalidade (2019) de Zeca Brito no Telecine Cult. Faz tempo que coloquei pra gravar. Estava zapeando, vi esse ator, o grande Leonardo Machado no elenco, e coloquei pra gravar. 

Ele está majestoso como Leonel Brizola. O filme fala desse movimento no Rio Grande do Sul, Legalidade. Jânio tinha renunciado, e Brizola une a população para que o vice Jango, seu cunhado, subisse ao poder, assim que fica sabendo de conspirações para que ele não assuma o cargo. Brizola quer a Legalidade que está na constituição, que na falta do presidente assume o vice. Excelente a parte verídica e política do filme, intercalada com imagens históricas do movimento, da praça lotada de gente. Infelizmente Leonardo Machado não viu o resultado de seu trabalho e faleceu de câncer antes da estreia.
O filme tem um triângulo amoroso mais falso que nota de... Bom, não sei qual era a moeda da época. Cleo, Fernando Alves Pinto e José Henrique Ligabue fazem personagens ficcionais. Cleo é uma jornalista brasileira do Washington Post, os outros dois são irmãos, um jornalista do Última Hora e outro um antropólogo. Letícia Sabatella aparece nos dias de hoje tentando saber histórias da sua mãe desaparecida. O pai do diretor (Sapiran Brito) interpreta Brizola no final. Paulo César Pereio faz um locutor do rádio.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O Jabuti e a Anta

Assisti ao documentário O Jabuti e a Anta (2018) de Eliza Capai no Canal Brasil. Eu queria muito ver os trabalhos dessa direto, esse principalmente pelos elogios que recebeu. Impressiona muito, triste, fala do modelo de usinas hidrelétricas que saem destruindo tudo o que passa pela frente. Fala desse interesse "desenvolvimentista" que acredita que uma mata é algo a ser explorado e não que ea mata já vive na sua totalidade com sua fauna, flora e população local, que não  há nada a ser explorado.

Muito triste a imagem de destruição onde está sendo construída a usina de Belo Monte. O impacto aos pescadores, a natureza, as tartarugas, índios e moradores locais. Uma mulher mostra o quintal de sua casa com um verdadeiro pomar, manga, abiu, frutas e mais frutas, mas ela é desapropriada com um dinheiro mínimo, não porque o lugar será alagado, mas porque um condomínio será construído. Como ela diz, alguém decidiu que outro tinha mais direito a morar ali que ela, desolador.

As pessoas viviam da mata, na mata, mas tudo será destruído. Há grupos indígenas lutando para preservar o espaço que lhes é por direito e lei. A narração diz qual o sentido de tirar as pessoas da mata onde são reis para viver na periferia das cidades na miséria.

O documentário segue para a Amazônia Peruana, onde uma líder conseguiu impedir que uma hidrelétrica fosse construída por lá. Muitas pessoas que vivem na região foram entrevistadas. Moradores que tiveram que sair de suas casas, biólogos, pescadores, índios. São filmadas regiões entre os rios Xingu, Tapajós e Ene. O documentário faz um paralelo com as secas e com outras enormes hidrelétricas de outros estados.

As paisagens e a fotografia são maravilhosas. A diretora divide com Carol Quintanilha, o roteiro, a fotografia. A narração é de Letícia Sabatella.

Beijos,
Pedrita

sábado, 28 de setembro de 2019

Orfãos da Terra

Assisti Órfãos da Terra (2018-2019) de Thelma Guedes e Duca Rachid na TV Globo. Eu adoro essas autoras. Fiquei bem chateada quando tiraram essa novela que iria estrear às 21h. Era, desde que começou, a melhor novela no ar.

A novela começou muito forte e com um tema muito espinhoso, a imigração. Povos que precisam sair do seu país pela violência, pela guerra, pela destruição. A casa da família de Laila é bombardeada na Síria. Eles andaram quilômetros atrás de algum campo de refugiados. Nessa longa e dolorosa caminhada, carregavam no colo o filho doente. Cenas de cinema e de cortar o coração. Impressionantes Julia Dalavia, Ana Cecília Costa e Marco Ricca.

Um sheik se encanta com Laila, promete pagar o tratamento do irmão dela. Todo esse núcleo com interpretações impactantes: Herson Capri (Sheik Aziz), Letícia Sabatella (Soraia), Alice Wegmann, Bruno Cabrerizo (Hussein) e Renato Góes (Jamil). Laila foge com a família para o Brasil. Assustadoras as cenas no bote inflável que atravessaria o oceano.

O núcleo da Síria passa a ser desativado. Com a morte de Aziz, começou a vingança de sua filha Dalila. Muitos críticos e público disseram que a novela ficou cansativa com essa "brincadeira" de gato e rato da Dalila, não sei, essas autoras trabalham como nunca as tramas paralelas. Novelas mais recentes e menos conservadoras são mais amplas de conteúdo. Talvez a pressão do script fizeram elas alongarem essa trama, mas as outras eram tão fascinantes, que novela, quantos temas profundos foram abordados. Primeiro sobre a força das mulheres. Soraia já era uma mulher com uma história trágica, forte e determinada, que foge com o seu amado que era o seu amante e é morta pelo Sheik. A própria Dalila, que mulher forte, e estudada, tinha feito faculdade na Inglaterra. E as vinganças permitiram falar de muitos temas como o tráfico de pessoas e a incapacidade de Dalila de se permitir de ser feliz. Mesmo amando Paul (Carmo Dalla Vecchia), ela não desistia da vingança e ainda o mata.
O centro de refugiados em São Paulo abriga a família da Laila. Nesse espaço então foi possível falar de inclusão, culturas diferentes, povos que fogem da guerra, fome. Além dos personagens volte e meia tinham depoimentos de refugiados que vieram ao Brasil. Tiveram atores falando do Congo, da Venezuela. Do Congo estava a família da Marie (Eli Ferreira). Seu namorado no começo da novela era interpretado pelo congolês Blaise Musipere. Seu personagem não administra a chegada do filho da namorada, Martin (Max Lima). Ele se separa e se apaixona pela cantora Teresa (Leona Cavalli). Ela segue carreira internacional e a novela debate várias questões, realmente ia ser difícil conseguir que espaços europeus fechassem show com um imigrante. Desiludido ele tenta fugir do Brasil, não consegue, o dinheiro acaba e vai viver nas ruas. O cuidado com que trataram do tema, o acolhimento de todos com a dificuldade do rapaz com a bebida e questões sociais.
Lindo o amor de Davi (Vitor Thiré) e Cibele (Guilhermina Libanio), fiquei muito triste que ele morreu, mas permitiu abordar tantos temas. Primeiro o ódio que o avô (Osmar Prado) incutiu no rapaz fazendo ele se alistar no exército judeu para defender o seu povo. Falou muito da projeção de pais, nesse caso do avô, no filho, para que ele realize os seus sonhos. Davi acaba se apaixonando exatamente por uma pacifista, a descendente de árabe, Cibele. Foi delicada a explicação da morte, para não projetar mais ódio por um tema tão espinhoso, ele teria morrido em treinamento, assim nenhum lado foi culpado. Mas mostrou a inutilidade da guerra. Achei que Davi ficou fantasminha por tempo demais e forçado o novo romance da Cibele.
Davi estava em um núcleo apaixonante. Duas famílias vizinhas, uma árabe e outra judia, tiveram que lidar com suas diferenças. Sara (Verônica Debom) e Ali (Mohamed Harfouc) se apaixonam. Seus avôs em pé de guerra. O grupo alternava em cômico e dramático: Mamede (Flávio Migliaccio), Eva (Betty Gofman) e Mona (Lola Fanucchi). Se uniu a esse núcleo depois Abner (Marcelo Médici), Latifa (Luana Martau) e Ester (Nicetti Bruno). Abner era muito mau caráter, mas ficou engraçado quando se apaixonou pela Latifa. Achei engraçado no twitter uma participante dizer que era muito surreal que, em plena crise de desemprego, o Abner conseguisse tanto trabalho. Achei essa repetição de perder emprego demasiada.

Gosto muito como as autoras trabalham com atores que não são conhecidos da televisão. Elas apostam mesmo em seus personagens. Foi assim com o grande Faruq (Edu Mossri). Médico, ele não podia exercer a profissão no Brasil, conservador, de cultura antiquada, tinha muita dificuldade de aceitar o acolhimento da namorada (Paula Burlamaqui). Ela era médica também. As mulheres eram fortes e determinadas. Ótimos diálogos. Lembro de um com a psicóloga (Carol Castro), que também namorou um sírio, da dificuldade delas de lidar com o machismo deles.
Muito bem feitas as amizades masculinas, mesmo as machistas como de Norberto (Guilherme Fontes) e Gabriel (Anderson Mello). Os conselhos pessoais do advogado para o empresário eram absurdas e conservadoras, mas muito realistas. Eram muitas amizades de confidência entre personagens como Elias e Caetano (Glicério Rosário), Zoran (Angelo Coimbra) e Rogério (Luciano Salles). Fiquei triste que Missade não assumiu o amor com o Zoran e seguiu com o marido para a Síria, mas foi coerente. De criação conservadora, mesmo eles sendo cristãos, seria muito difícil para ela ter outro relacionamento. Eram muitas histórias maravilhosas, tramas com grandes atores: Eliane Giardini, Paulo Betti, Rodrigo Simas, Filipe Bragança, Danton Mello, Emmanuelle Araújo, Simone Gutierrez, Gabriela Munhoz e Yasmin Garcez.

Eu e minhas amigas não ligamos quando Kaysar Dadour foi cotado para o elenco. Não era um participante que gostávamos. Mas ficamos impressionadas com o desempenho dele. Chegamos a esquecer que ele era o Kaysar e só lembrávamos do personagem, o Fauze. No começo ele interpretava o capanga do Aziz, quase não abria a boca, a internet delirava a cada frase que ele dizia. Quando o personagem veio para o Brasil integrou o núcleo cômico com a Santinha (Cristiane Amorim) e passamos a torcer pelo casal.
Foi uma grata surpresa o romance da Valéria (Bia Arantes) com a Camila (Anaju Dorigon). Duas trambiqueiras que queriam se dar bem, a amizade delas floresceu. Aos poucos elas foram se regenerando enquanto curtiam a vida e se apaixonavam. A direção da emissora vetou o beijo em uma data que não poderia ser pior, quando o prefeito do Rio de Janeiro enviou agentes de censura a Bienal do Livro para vetar um livro de quadrinhos juvenil que tinha um beijo entre pessoas do mesmo sexo. O público esperneou o que pode nas redes sociais e a emissora resolveu permitir vários beijos entre pessoas do mesmo sexo em várias novelas na semana que terminou a novela. Viva o amor!

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 4 de junho de 2019

Querida Mamãe

Assisti Querida Mamãe (2017) de Jeremias Moreira Filho no Canal Brasil. Apesar das críticas ruins, eu queria ver esse filme por essa dupla: Letícia Sabatella e Selma Egrei. O roteiro é de uma peça de Maria Adelaide Amaral. É um bom filme que fala de uma família disfuncional que vive se agredindo verbalmente e se depreciando.

O texto destoa nos dias de hoje. A mãe é uma mulher independente, viúva, professora, que esconde uma doença da família, até mesmo da profissional que trabalha na casa dela, muito estranho que tenha um discurso tão retrógrado sobre casamento e homossexualidade. A filha é uma médica, todos mandam nela. Tem um casamento péssimo, o marido é muito agressivo com ela. É bem estranho que a filha queira ficar com o pai. O pai era agressivo com todo mundo, inclusive no trabalho, difícil que a filha preferisse ficar com ele e muito destoante também o preconceito da filha. Que ficasse um pouco rebelde, dormisse na casa do pai para afrontar a mãe, mas bem surreal querer morar com o pai. O pai é interpretado por Marat Descartes. A funcionária da casa por Graça Andrade.
A médica é incapaz de lutar pelo que quer. Todo mundo faz dela o que quer. Eu achei que finalmente ela tinha encontrado um amor saudável, mas a parceira é igualmente agressora. Na hora que a médica mais precisa de apoio, a parceira desaparece. Pelo jeito só queria o bem bom da relação. Quando a relação começa a tomar contornos mais sérios ela desaparece da vida da outra. Mui amiga. Ela é interpretada por Cláudia Missura. O médico é interpretado por Genézio de Barros. Uma graça a menina que faz a filha interpretada por Bruna Carvalho.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Liberdade Liberdade

Assisti a novela Liberdade Liberdade (2016) de Mário Teixeira na TV Globo. A direção foi de Vinícius Coimbra. Impressionante! Maravilhosa!

Inicialmente conta um pouco a história de Tiradentes interpretada pelo Thiago Lacerda. Sabe-se que na época do seu enforcamento ele tinha uma filha, mas nada mais se sabe. Liberdade Liberdade foi inspirada no livro Joaquina, Filha de Tiradentes de Maria José de Queiroz. A Joaquina criança foi interpretada brilhantemente por Mel Maia. Na trama, a menina vê o enforcamento do pai, o personagem do Dalton Vigh tapa os seus olhos e a leva para a proteção, já que filhos de degradados também tinham que ser enforcados.

Logo a trama salta no tempo. Joaquina é uma mulher, interpretada maravilhosamente por Andréa Horta e tem dois irmãos. Só um é filho de sangue do protetor de Joaquina, André, interpretado magistralmente por Caio Blat. E uma irmã negra e forra Bertolezza, interpretada por Sheron Menezes.

Eu sempre presto a atenção em negros em novelas, vi documentários: A Negação do Brasil e Em Quadro. Leio matérias, mas achei que Liberdade Liberdade não ia poder mudar muito já que era a época da escravidão. E não é que Liberdade Liberdade me surpreendeu? Foram muitos negros livres, com papéis importantes. Parabéns ao autor. Ando cansada de autores que o negro só entra na trama para interpretar o negro e não para ser um ator do elenco. Logo no início um oficial português vem como espião da corte para tentar descobrir os inconfidentes, foi interpretado pelo belga lindíssimo Bukassa Kabengele. É uma época de barbáries, quase todos são mortos em combate, o oficial ia matar um inconfidente, mas esse o salvou e salva de novo. Ele deserda, volta marquês depois e querendo casar com uma negra fugida que encontrou. Ela, interpretada por uma  atriz que adoro, a linda Dani Ornellas, também tinha um papel importante, era a melhor garimpeira dos Raposo, embora ainda escrava. 

Ela compra uma escrava na cidade, a alforria para que trabalhasse para ela. A veste decentemente. A atriz é ótima e interpretada por Olívia Araújo que estava no núcleo cômico da novela. Logo ela é vendida para a taberna, mas nenhum dos seus patrões gostavam dela porque ela comia demais. É divertido ela roubando as comidas e comendo com gosto.

Logo  no início desconfiei que seria uma novela pesada, com desfechos trágicos e foi pior do que eu imaginei. Impecável como mostraram a crueldade daquele tempo e dos homens. Logo que Joaquina chega em Vila Rica ela se apaixona por Xavier, um inconfidente prometido em casamento por Branca. Xavier é interpretado pelo ótimo Bruno Ferrari. Ele fazia um personagem muito dúbio. Bom, queria a liberdade, mas faz muito mal aos seus pais. Primeiro mente que estuda medicina na Europa e usa o parco dinheiro do pai na revolução. Se o dinheiro não fizesse falta ao pai, mas fazia e muito. Em dívidas, principalmente dos altos impostos na época, vive com a esposa praticamente a míngua. Xavier volta e descobre a miséria dos pais, mas em momento algum tenta minimizá-la. Não pede aos revolucionários um pouco do que roubavam para ao menos os pais terem mais alimento a mesa. Os pais foram interpretados por Rita Clemente e Mário Borges.

E que personagem do Ricardo Pereira. Bravo ao ator. Um das melhores interpretações de sua carreira. Tolentino era um oficial muito, mas muito mal. Puxador de saco do intendente, fazia qualquer, mas qualquer coisa mesmo para agradar. Caio Blat desde o começo interpretava André, um homossexual e vamos vendo ele ter interesse em Tolentino, mas duvidávamos se o oficial entendia ou se interessava. Mas eles se apaixonam.

Tolentino continua mal e bruto, ao menor sinal de ciúmes entrega o companheiro e melhor amigo, que é levado a forca. Uma das cenas mais fortes da trama. Foi muito bem conduzido esse casal que protagonizaram a primeira cena de sexo entre dois homens na TV aberta. E o texto foi muito inteligente em mostrar a perseguição ao André, só ao André. Caio Blat é um ator adorado pelo seu público. Era um personagem que o público se apaixonou, dedicado as irmãs, a família. O enforcamento mostrou a maldade humana que ainda continua pelos inúmeros assassinatos a homossexuais. Só que André tinha rosto, afeto de muitos. A forma também foi muito bem realizada. O Tolentino carregando André e pedindo perdão. Xavier levando André até a irmã. Não foi mais só um homossexual assassinado, foi um homem que todos amavam. Liberdade Liberdade foi revolucionária e transgressora o tempo todo.
Os casamentos foram maravilhosos! Que vestidos! A Branca da Natália Dill estava maravilhosa, que atriz. Ela infernizava a vida do Xavier. Ela por capricho quis casar de branco, que não se usava na época. Má e impiedosa, seus textos politicamente incorretos eram verdadeiras bombas de arrogância, inveja e ciúmes. Sua mãe não tinha controle sobre seus mandos e desmandos e era interpretada por Chris Couto. Seu pai era um frouxo, interpretado por Genézio de Barros.

Joaquina já se casou como era na época, de bege. Belíssimo vestido também. Os figurinos foram assinados por Paula Carneiro. Gostei muito que banho era difícil na época. Na caracterização sujavam os atores, os dentes. como tomavam pouco banho, repetiam por dias o mesmo figurino. Incrível a direção de arte de Mario Monteiro. Cenários maravilhosos! Fotografia de Ricardo Gaglionne belíssima. Mateus Solano estava em um personagem incrível. Cruel e sádico, ele sofria porque se sentia inferior. Filho de uma prostituta teve a sorte de ser adotado pela família do pai e ter um melhor destino. Mas o sentimento de inferioridade o acompanhava. Assim que Rosa chega na cidade ele a quer. É a única mulher com educação europeia da cidade. Culta, linda, filha de um par do reino, seria uma excelente esposa para um intendente ambicioso, mas acho que amou verdadeiramente Rosa. Mateus Solano estava incrível em seu personagem complexo.

As personagens femininas também impressionavam. Mulheres fortes, a frente do seu tempo. Até mesmo as más como Dionísia, interpretada brilhantemente por Maitê Proença. Ela tinha sofrido muitas agressões e torturas de seu ex-marido que nós não sabemos quem é. Raposo o havia enviado para outro país. E ela era violentamente cruel com os seus escravos e se deitava com o personagem do David Junior que tinha um romance com a escrava interpretada por Heloísa Jorge. O marido aparece depois e é interpretado por Jackson Antunes. A bruxa era interpretada brilhantemente por Zezé Polessa. Uma mulher das ciências, estava sempre estudando os avanços da medicina. Ela sabia que uma pessoa que estava morrendo poderia receber transfusão de sangue, mas que podia morrer imediatamente se os sangues não se aceitassem. 

Lília Cabral era outra que tinha uma grande personagem. Dona de um bordel, ela era revolucionária e mãe do intendente. A prostituição foi tratada com muito respeito em Liberdade Liberdade. As meninas tinham personalidades diversas. Tinha a falsa e má interpretada por Hanna Romanazzi, a que era boa de administração e contas, interpretada por Yasmin Gomlevsky. Yanna Lavigne teve uma grande personagem. Apesar de prostituta, ela era ingênua e doce. Ela engravida, vai tirar, mas desiste. O personagem do André promete assumir a paternidade, mas nós achamos que eles nunca se deitaram, mas sempre ficavam horas no quarto para enganar o pai dele. Mimi, como chama seu personagem, passa maus bocados na trama.


Mão de Luva é outro incrível personagem na trama, tanto que vai ter alguns episódios na internet do começo de seu bando. Marco Ricca estava incrível. Outro personagem que chamou a atenção foi Simão interpretado por Nikolas Antunes. Eles eram os bandoleiros. Mão de Luva era um bandoleiro, temente a Deus e a serviço de vossa majestade.

Rômulo Estrela estava irreconhecível como um mercador e sequestrador de escravos. 

Fiquei triste que Caju ficou pra traz. Ele foi adotado pelo Raposo, vivia com os bandoleiros. Os irmãos o acolheram, mas no final ninguém levou-a a Europa. Deve ter ficado com o Mão de Luva e a Dionísia. Ele merecia um destino melhor, ir estudar na Europa. Uma graça o ator Gabriel Palhares. A correria para finalizar a novela antes do início das Olimpíadas prejudicou os últimos capítulos que ficaram um pouco atropelados e com erros de continuidade. Uma pena! Podiam ter colocado um capítulo maior na segunda no lugar do filme.

O elenco todo é incrível, estou tentando falar de todos. Adoro Juliana Carneiro da Cunha. Inicialmente ela parecia uma mulher boa. Depois parecia que estava com os inconfidentes, mas foi quando o personagem do Gabriel Braga Nunes apareceu é que entendemos os seus propósitos. Ela era uma infiltrada nos inconfidentes, para juntos com eles matar Dom Pedro e ajudar Carlota Joaquina a ser a rainha e o Brasil passar a ser governado pela Espanha. E também apesar da personagem ser culta, ela era preconceituosa, manipuladora e antiquada. Faz um inferno na vida da sua família impondo suas regras. Mais uma mulher forte. Lucy Ramos também fez uma participação como escrava dessa família, terrível o desfecho da atriz.


Todos nós ficamos tristes quando o Raposo morreu logo. Não tão logo, Liberdade Liberdade estava na reta final, mas realmente o desfecho mudou muito com essa morte. Esses três filhos foram sempre protegidos pelo pai. Com a morte eles passam a se atrapalhar e a sofrer muitas provações, a começar pela falta de dinheiro, já que foi roubado pela contador e depois pelo intendente. E Joaquina resolve alforriar todos os escravos, sem se programar. Só na casa ficam dois empregados, mas nas minas de extração, de onde vinha o dinheiro que os mantinham, ninguém ficou.

Bertolezza teve coragem de fugir com o seu amor, o irmão do intendente que era cego. O intendente não autorizava o romance com uma negra. Eles seguem para Lisboa onde ela conhecia muita gente e muito provavelmente viveram felizes. Ele queria viajar o mundo e foi muito bem interpretado por Vitor Thiré. O intendente tinha vergonha de ter um irmão cego. O rapaz fica culto como Bertolezza porque o irmão o esconde em um internato. 


Impressionante também a personagem da atriz portuguesa Joana Solnado, Má, traidora, ela sonhava em ser esposa do intendente, mas trabalhava para ele como serviçal. Ele a menosprezava, mas a usava para seu prazer sexual. Ela alimentava a esperança que em algum momento ele visse que ela era a mulher talhada para ele. E ela estava mais certa que ele. Ele precisava de alguém igualmente sádico e perverso. Os personagens eram muito ricos. Gostei muito dos taberneiros interpretador por Jairo Mattos e Letícia Isnard. Letícia Sabatella fez uma pequena participação como a mãe de Joaquina. O padre que não era padre por Marcos Oliveira. O capataz dos raposos, que homem ruim e traiçoeiro, por Bruce Gomlevsky. Mesmo sobrenome de umas atrizes que fez uma prostituta. Mariana Nunes como a escrava e ex-escrava fiel a família que trabalhava.
Liberdade Liberdade falava o tempo todo de liberdade. Cada personagem queria a liberdade para as suas questões. O cego de seu cativeiro. A bruxa para pesquisar a sua ciência. Os negros. Para que a homossexualidade não fosse crime.  Liberdade de escolha para o casamento. A Dionísia para se libertar do marido. E claro, os inconfidentes Xavier, Joaquina, Virgínia.  Enfim, todos de algum modo desejavam alguma a liberdade e o texto final sobre liberdade é lindo! Bravo a todos!

Beijos,
Pedrita