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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Okul Tirasi

Assisti Okul Tirasi (2021) de Ferith Karahan na Prime Video. Quem indicou esse filme foi o Miguel Barbieri no instagram dele. Que filme! Estou absurdamente impactada! 

Um incidente vai escancarando a total inabilidade de uma escola, seus líderes e professores de lidarem com os seus conflitos. É um frio dilacerante, o aquecimento central não está funcionando, mas um infeliz tem a ideia absurda de obrigar três meninos a tomar banho frio por uma pequena divergência. E esse é o tom do filme. Não deve ser fácil um internato de meninos, de manter a disciplina, mas seus líderes não são rígidos em disciplinas, são homens violentos que praticam inúmeras violências. Então todos vivem com medo, com segredos. Sim, adolescentes também gostam de segredos, mas a falta de confiança, as punições como torturas, criam um clima hostil. E claro, que tudo vai sair do eixo.
O menino fica profundamente doente e seu amigo tem dificuldade de ser ouvido pelos professores e líderes. O ambulatório é uma farsa, aspirina, quem cuida é outro adolescente. Não há médico, não há carro que pode sair na neve, até tinha, mas foi buscar queijo. É um despreparo assustador. Depois de quase um dia em coma é que o diretor é chamado e só aí uma ambulância é chamada. Como tudo é rígido demais, até os funcionários escondem os fatos pelas excessivas punições. Quando um garoto erra, é humilhado em público e punido, igual as fogueiras que queimavam as bruxas. Sim, há uma revelação surpreendente ao final, mas o que fica claro é o despreparo dos adultos em cuidar de crianças e adolescentes. Em criar um clima de confiança para conseguir prevenir e ajudar. Tudo que é muito violento, fica secreto e profundamente perigoso. Que filme difícil.
Salmet Yildiz está impressionante. Os líderes não se incomodam de fazer o garoto um eterno leva e trás de pessoas, objetos, ele vira empregado dos líderes que não conseguem ajudar o garoto doente. 

Eu ando olhando no 250 da Claro TV se vai ter promoção da Disney porque entrou a segunda temporada de Paradise que amei. Não sei porque olhei na PrimeVideo e vinha essa chamada. Por só R$ 10,00 a mais eu teria ainda Prime Video e a Disney no meu pacote que é muito mais barato do que eu tinha há uns 2 anos. R$ 100,00 a menos do que eu pagava. Fiquei muito feliz! Sim, tem comerciais, mas não tem me incomodado. Não são invasivos como os do YouTube.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Aftersun

Assisti Aftersun (2022) de Charlltte Wells na Netflix. Novamente Miguel Barbieri indicou um filme no seu instagram. Esse estava na lista de filmes para se emocionar. É muito bonito e delicado!

Um pai e uma filha viajam para a Turquia no verão. Ele lembrava do  hotel, mas está decadente agora. Em obras, eles tem que conviver com os barulhos. Eles levam uma filmadora e o filme começa ela filmando o pai no quarto. Ela tem 11 anos. O filme é muito delicado e é filmado no hotel, então eles chegam branquinhos e começam a ficar avermelhados. Não demais porque eles passam protetor, limpam a pele à noite, mas é engraçadinho como a cor dos dois vai mudando com o tempo. Tem a praia perto, eles vão de vez em quando, mas a maior parte do tempo ficam na piscina. Os hóspedes do hotel também.
A relação dos dois é muito bonita. Uma graça Frankie Corio e Paul Mascal. Acompanhamos esses dias, as conversas, os momentos de alegria e tédio. O cuidado dele com ela cativa. Ele quer que ela interaja com pré-adolescentes como ela, mas ela acaba interagindo mais com adolescentes mais velhos.

Ele inscreve os dois para alguns passeios de barco, no entorno. Aos poucos percebemos que a situação financeira do pai é precária. Ele fica meio irritado quando ela grava e pergunta como pensava que estaria quando adulto. Ele pede pra ela desligar a câmera. Em poucos momentos, vemos que ele não tem a vida definida e fica sempre deprimido assim que é confrontado pela filha, mesmo que por uma única frase. O filme termina com ela no aeroporto e ele filmando a despedida. Sim, fica subentendido que ele morreu, e sim que foi suicídio, mas não dá pra afirmar, é tudo sutil demais.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Última Chamada para Istambul

Assisti Última Chamada para Istambul (2023) de Gonenc Uyanic na Netflix. É um bonito filme de amor. O roteiro é de Nuran Evren Sit.

Um casal se conhece no aeroporto de Nova York. A mala dela extravia, ela liga para quem levou a dela igual por engano e ele se propõe a acompanhá-la na busca. Os dois são muito lindos Beren Saat e Kivanç Tatlitug.

Eles vão parar em um hotel muito charmoso com um belo bar na cobertura. Os dois são casados, ela sempre quis viver uma experiência profissional na cidade, ele foi a negócios. Eles passeiam pela cidade, nem sempre tudo dá muito certo, quando voltam ao hotel se envolvem. No dia seguinte ela volta para o quarto dela, foi marcada a audiência do divórcio, vemos a foto do casal e é muito parecido com o que ela conheceu no aeroporto. Aos poucos vamos entendendo o passado. É realmente comum psicólogos sugerirem do casal relembrar as conquistas, como se conheceram, para ver se conseguem se reconectar, se ainda se amam e se é possível uma conciliação. 


Beijos,
Pedrita

domingo, 2 de março de 2025

Triângulo da Tristeza

Assisti Triângulo da Tristeza (2022) de Ruben Östlund no Max. Achei que esse filme era sobre cruzeiros, tem uma viagem em um grande iate, mas é sobre luta social. Ácido, com um humor desconcertante, o filme causa muito desconforto. O incômodo e as reflexões beiram a genialidade. O filme ganhou Palma de Ouro e é o mesmo diretor de outro filme desconcertante, The Square.

Começa com um casal muito, mas muito chato. Eles são modelos e ela ainda é influencer. Ela leva ele em um restaurante caríssimo e se faz de distraída quando a conta chega. São 20 minutos chatos dos dois discutindo sobre pagar a conta, quem ganha mais. Infantis para todo o sempre. Os dois são lindos Charlbi Dean e Harris Dickinson. Foi o último filme dessa atriz que morreu logo depois aos 32 anos. Ela não chegou a ver o lançamento do filme.

O filme segue para o cruzeiro. É um iate, grande, pra milionários. O casal conta que foi convidado, que é permuta porque ela é influencer. Em geral, lugares convidam gente jovem e bonita para colorir. Boa parte dos milionários são mais velhos, então é bom ter jovens no local. Os ricos são insuportáveis, os textos são desconfortáveis. O comandante (Woody Harrelson) não sai do quarto. Uma hóspede quer que todos os trabalhadores usem a piscina e caiam no tobogã. É uma fila de funcionários caindo no tobogã. É tudo muito irônico. Alguns outros do elenco são Vicki Berlin, Zlatko Burik, Jean-Christophe Folly, Sunnyi Mellis, Carolina Gynning e Iris Berben.
O iate é atacado e eles vão parar em uma ilha. É quando as relações se invertem. A funcionária invisível (Dolly de Leon) é a única que sabe pescar, fazer fogueira, então ela se determina comandante. O filme é muito inteligente. Mas não é um filme fácil de assistir. O final fica em aberto. Muito inteligente o final!

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O Homem que Vendeu a sua Pele

Assisti O Homem que Vendeu a sua Pele (2020) de Kaouther Ben Hania no TelecinePlay. Mais um filme que ouvi falar no instagram de indicações de filmes. O filme fala de um sírio e vi exatamente na data da queda de seu ditador. Apesar de falar de um sírio, a diretora e o filme é da Tunísia. Pela censura, esse filme jamais poderia ter sido realizado na Síria.

Um homem apaixonado faz uma brincadeira em um trem e vai preso. Yahya Mahayni está incrível, como é linda Dea Liane. Não era nada demais, ele falou em liberdade já que a namorada tem um pretendente escolhido pela família, mas como não havia, espero que agora passe a ter liberdade de expressão, ele é preso. No interrrogatório, uma pessoa sugere ele a fugir e é o que ele faz e a irmã consegue levar ele escondido até o Líbano. Lá ele vive sem passaporte, ilegal e com subempregos pavorosos. Um é em uma indústria de aves. Quem já conversou com quem trabalha em frigoríficos sabe como é terrível o trabalho. Exaustivo, desumano e mal remunerado.
Nas folgas, ele e um amigo se infiltram em vernissages para comer melhor e levar comida pra casa. Uma recepcionista, despois descobrimos que ela trabalha com arte e é a Monica Bellucci, descobre que ele é imigrante e passa a humilhá-lo. As pessoas se acham sempre superiores as outras só pela posição que ocupam, ou pelo país de origem. Ele é expulso da galeria, mas o artista plástico o procura. Ele é Koen De Bouw. O artista é daqueles que empalha animais, faz aquelas exposições polêmicas para incomodar, gerar questionamentos. E é ele que faz a proposta inusitada para o sírio. Permitir que o artista pinte uma obra em suas costas. O sírio terá passaporte na hora, só terá que viajar para onde ele for expor e ser exposto como obra. Há um texto contundente do artista explicando na coletiva o motivo. Um imigrante não pode viajar para lugar algum e ainda é maltratado, mas uma obra de arte, uma mercadoria, pode. O filme passa a incomodar com inúmeros questionamentos sobre o valor das pessoas dependendo do país de origem. E inúmeros outros desconfortos. Que filme!
Eu mesma fiquei pensando. Todos ficam indignados que um homem é uma obra e fica exposto como obra, mas quando ele trabalhava na indústria de frangos ilegalmente, ninguém queria saber dele e se ele estava bem. Os ativistas da Síria também ficam indignados, mas enquanto ele era refugiado, nem queriam saber se ele existia e estava bem. Sim, era horrível ver ele exposto como mercadoria, mas ele vivia em hotéis 5 estrelas, podia comer o que quisesse, viajava e conhecia vários países. O filme foi inspirado no artista contemporâneo belga Wim Delvoye. O desfecho é muito inusitado, mas exatamente por ter acontecido agora, me chamou a atenção. O protagonista queria voltar para a Síria, mesmo que tenha sido bombardeada e não ser um país seguro. Era lá que amava, onde estava a sua família. Muito parecido com o que está acontecendo agora.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Ervas Secas

Assisti Ervas Secas (2023) de Nuri Bilge Ceylan no TelecinePlay. O filme já começou arrastado e tinha mais de três horas de duração. Fiquei na dúvida se insistiria, mas vi que é muito elogiado. Continuo me perguntando qual o motivo. 


Um professor dá aulas em um lugar ermo, exageradamente frio e retrógado. Eu tenho uma certa dificuldade em lidar com culturas muito diversas. Sim, o Brasil é machista, mas a estrutura turca sempre me incomoda demasiadamente. Tanto que há poucas mulheres no filme. O filme é masculino. Até tenta mostrar que não é atrasado, mas não convence. Esse professor é denunciado por assédio por alunas. Eu confesso que no começo já me incomodei. Ele abraça e anda abraçado com uma linda jovem, sua aluna adolescente. E a presenteia com um espelho. Achei um espelho um presente íntimo demais, imagine naquela cultura. E o presente foca na beleza da jovem. Ele como professor de uma comunidade tão atrasada, precisava estimular o conhecimento nelas, não as características femininas. Tinha que estimular a liberdade delas. Os professores não podem escolher onde lecionam e só pode pedir transferência depois de um tempo. É um país sem liberdade.

Ele conhece uma jovem que perdeu parte da perna por uma bomba. Ele e o amigo começam a disputá-la. Ele fica sozinho com ela e eles tem uma conversa muito esquisita. Ela acusa ele não fazer nada pra mudar o país, mas ele é professor. Quer algo mais revolucionário que lecionar? Mas o roteirista não acha isso. E o roteirista é capacitista também. Ela diz que a condição dela impede dela lutar, de ser ativista. Mas os dois podem escrever, livros, artigos. Nada impede dela com a palavra ser ativista. Um deles se envolve com ela e é horrível depois. Os dois amigos são horríveis com ela. Fora ela e as crianças, não há mulheres no filme. São invisíveis. Os diálogos são só entre homens, com a perspectiva deles. A única mulher que tem um pensamento mais aberto é equivocada, com texto escrito pro homens, não tinha como ser diferente. Não entendi porque aplaudiram o filme. As críticas elogiosas são de homens.
 
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Nuovo Olimpo

Assisti Nuovo Olimpo (2023) de Ferzan Õzepetek na Netflix. É uma bela história de amor com todos os clichês do gênero, depois da grande paixão eles se desencontram por décadas mesmo se procurando. O diretor é turco, naturalizado italiano.
 

Eles se conhecem em um cinema que tem encontros entre apaixonados. Um é estagiário de cinema, cursa cinema e o outro estuda medicina em outra cidade. 
A casa onde eles se amam é belíssima, os cenários em Roma são deslumbrantes. A trilha sonora é ótima. Como são lindos Damiano Gavino e Andrea di Luigi. Eles se amam nessa casa que era de uma conhecida de um deles, voltam ao cinema, marcam um jantar que nunca acontece. Uma manifestação acontece na cidade, um machuca o braço, clichê do clichê um acidente os separa e nunca mais se veem.

Depois de décadas, os dois bem sucedidos em suas profissões, é que eles se comunicam. Não gostei do desfecho depois do reencontro, mas adorei o take final. Eram os atores? O jantar de fato aconteceu? Só no filme que separaram os dois? Foi legal.

Beijos,
Pedrita

domingo, 10 de julho de 2022

Tereddüt

Assisti Tereddüt (2016) de Yesim Ustaoglu na Netflix. Tereddüt em turco quer dizer Dúvida, mas eu gosto também do nome que está na Netflix, Clair Obscuro. É um filme dificílimo, contundente, sobre masculinidade tóxica. É muito perceptível que a diretora e autora do roteiro é uma mulher.

São duas mulheres com vidas bem diferentes. Elmas vive na tradição ortodoxa onde a mulher vive para servir a família do homem. O marido é bem mais velho e ela ainda cuida da sogra. Inicialmente eu até achei que a sogra fosse inválida, mas não, tem até uma certa autonomia, que ignora completamente só pra escravizar a nora e humilhá-la. Fala mal da moça pro filho o tempo todo. A jovem reza chorando desesperada toda noite pedindo a deus que o marido não a procure aquela noite. Ela sempre fica muito machucada, o marido manda ela se lavar e ela chora sempre de dor no banheiro. Até que um dia a vizinha vê a jovem catatônica na varanda, a polícia acha os dois corpos no apartamento.
A outra mulher é uma psiquiatra. Ela atende as famílias onde sempre o homem fala por todos a sua versão. Ela tem uma casamento intenso sexualmente, é talentosa e livre, mas não é livre de uma relação tóxica. Seu marido é viciado em pornografia e ela é só mais um objeto do prazer dele. Ela até tenta se incluir na vida sexual dele, mas o que sente ou deseja é sumariamente ignorado. A psiquiatra tenta ajudar a jovem que está em estado de choque, para tentar entender o que aconteceu naquela noite. As duas atrizes estão impressionantes Ecem Uzun e Funda Eryigt.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Quo Vadis, Aida?

Assisti Quo Vadis, Aida? (2020) de Jasmila Zbanic no TelecinePlay. Esse filme entrou na grade de programação porque passou em um festival, acabou ficando. O filme é baseado no livro do sobrevivente bósnio Hasan Nuhanovic que quero ler. Eu sabia que seria dificílimo de ver e adiei, mas com receio de ser retirado da grade, assisti. Não foi nada fácil até porque estamos em momentos insanos de guerra, uma guerra sempre é insana, então é horrível ver algo que igualmente fere os direitos humanos e mortes injustificáveis, principalmente de civis. O ser humano é torpe. Parei de ver várias vezes e só voltei porque sei da necessidade de fatos históricos abomináveis jamais serem esquecidos.

É sobre a guerra da Bósnia. Os militares sérvios chegam em Srebenica em 1995. Milhares de civis seguem então para para as bases na ONU na região para buscar abrigo. Alguns dentro da sede e inúmeros fora. Começa então uma negociação absurda que não quer conciliação. Os sérvios começam então a dizer que vão retirar os civis e levá-los a um lugar seguro. Separam os homens das mulheres e executam sumariamente 8373 homens rendidos e desarmados, a maioria bósnia muçulmana. A abominável chacina ficou conhecida como o Massacre de Srebrenica. Em 2004 o Tribunal Penal Internacional declarou genocídio.
O filme impressiona. Pra acompanharmos esses horrores, seguimos Aida, uma tradutora, seu marido é um conciliador, então os dois vão as negociações e começam a perceber que tudo é uma farsa, mesmo que tudo que seja dito dê a entender que todos civis serão protegidos, eles vão percebendo e obtendo informações que isso não está acontecendo. 

A tradutora tenta desesperadamente incluir o marido e os dois filhos nas listas que ela se encontra para serem salvos com ela, desconfiando que se eles forem com os civis terão um destino trágico igual. Ela pede até ao médico que inclua os três na lista do hospital e o médico diz a ela que os doentes não estão chegando ao hospital. Imaginem! Nem os doentes, mesmo as guerras sendo absurdas, há um mínimo de regras.

Jasna Duricic impressiona, que atriz. É desesperador a luta dela para proteger sua família e questionar as ordens, que interpretação. O filme vem ganhando muitos prêmios.

Beijos,
Pedrita