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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21

Os meus Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. A Folha reuniu 100 pessoas para eleger os melhores livros de não ficção do século 21. Sim, quem sou eu? Mas resolvi fazer a lista dos meus, que são poucos, já que mergulho pouco em não ficção. Eu leio muito mais ficção. Atualmente compro muito pouco não ficção porque fica encalhado aqui a ler. Vou começar minha lista com Maria Bonita de Adriana Negreiros da Objetiva que é incrível.
 

Tem tanto tempo que li que achei que A Ditadura Envergonhada de Elio Gaspari nem era desse século. Essa obra está também na relação da Folha em 9º lugar.
Lilia Moritz Schwarcz está na lista, mas não com essa obra que amo, A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis da Companhia das Letras, que li tem tanto tempo que nem está nesse blog. Nem tampouco entrou na lista o incrível Barbas do Imperador.
Eu fiquei na dúvida qual da Daniela Arbex eleger. Resolvi escolher Holocausto Brasileiro da Intrínseca que também está na lista da Folha empatado com o da Ditadura em 9º lugar. Os livros da jornalista são sempre muito contundentes.
Em Nome dos Pais de Matheus Leitão da Intrínseca só está na minha lista. Fatos tenebrosos sobre um período da história que não podemos esquecer.
E termino com Shnittke de Marco Aurélio Scarpinella Bueno da Algol.
Como viram é uma lista singela, bem resumida, mas eu amo participar de listas.

Beijos,
Pedrita

sábado, 25 de abril de 2026

O Acontecimento de Annie Ernaux

Terminei de ler O Acontecimento (2000) de Annie Ernaux da Fósforo. Eu queria muito ler essa autora desde que ganhou Nobel de Literatura. Acabei vendo o filme antes. Eu comprei esse livro na última Festa do Livro da USP. Em geral o Brasil só publicava livros de autoras depois do Nobel, que bom que mudou um pouco. Os livros de Annie Ernaux só chegaram ao Brasil após o Nobel.

Amei que o livro veio com um marcador da obra. Só descobri depois que tirei o celofane.

O livro é autobiográfico. Em 1963 Annie Ernaux era estudante de literatura. Tem um breve envolvimento com um jovem de outra cidade, usa tabelinha, mas engravida. Na França da época o aborto era proibido como ainda é no Brasil. Na França passou a ser permitido em 1975. Ela procura médicos homens que desconversam e começa a fazer uma infinidade de manobras pra conseguir o seu intento. É sufocante ela tentando resolver e não conseguindo indicações, com quem conversar. Desde cedo ela já escrevia e tinha esboços. Esse sofrimento dessa época ela vai anotando no diário que se torna parte desse contundente livro publicado bem depois. Não é uma leitura fácil. Como ela tem muita dificuldade de localizar as fazedoras de anjos, ela se põe em risco várias vezes com procedimentos caseiros, é enganada por médicos, um show de horrores. Ela localiza uma mulher que fazia o procedimento de modo muito rudimentar e como sempre caríssimo. Tudo que é ilegal fica com preço abusivo. A mulher não avisa que a gravidez está em estágio avançado, que é perigoso demais. A jovem faz duas tentativas e as duas é terminar o procedimento sozinha onde vive, que é em um alojamento. Gosto de autoras que tocam em temas difíceis. Que bom que na França, desde 1975, são as mulheres que decidem o que fazer com seus corpos. Qualquer decisão já é dificílima imagine sendo fora da lei. Obra urgente!
Foto da Annie Ernaux jovem.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Força da Idade de Simone Beauvoir

Terminei de ler A Força da Idade (1960) de Simone de Beauvoir da Nova Fronteira. Esse é o segundo livro autobiográfico da autora. O primeiro, Memórias Uma Moça Bem Comportada eu comentei aqui. O primeiro vai até os 19 anos da autora, quando ela já conhecia Sartre. É uma tradição todo início do ano eu pegar um livro grande a ler, esse tem 574 páginas em letras pequenas, é uma bela edição mas comete o erro de ter anotações minúsculas ilegíveis. Em geral tenho pouco trabalho em janeiro, o que por sorte não aconteceu, então a leitura demorou um pouco mais que o habitual.

Por coincidência acabei escolhendo o mesmo marcador de livros. Tenho vários de Paris que uma amiga me trouxe, mas acabei escolhendo o mesmo.

Desde os 19 anos, Beauvoir já escrevia mas não publicava. Sartre publicava muito desde 1936. Beauvoir tinha vários livros que pensava, escrevia pedaços, só com o tempo é que A Convidada foi se definindo. Ela e Sartre eram professores. Beauvoir se instala em Paris, cidade que se apaixona. Os dois eram contratados pra escrever em publicações. Eu li tem muitos anos A Convidada, foi o primeiro livro que li da autora e gostei muito. Foi interessante relembrá-lo pelas escolhas que a autora faz e fala do livro nessa biografia. Acho que li de um clube do livro que fui sócia por pouco tempo, não era um sistema vantajoso pra mim. Na época o ideal eram as bibliotecas que foram companheiras por muitos anos. Interessante que é Sartre que sugere que Beauvoir escreva autobiografias. Sartre gostava muito dos textos de Beauvoir, eles liam muito os textos um do outro, comentavam. E Beauvoir falava muito dos personagens, conosco também, e falava das escolhas até que Sartre sugere que ela escreva sobre ela porque é um personagem muito mais interessante que os que ela cria. É graças a Sartre que temos essas preciosidades de obras.
Foi no livro que descobri que a irmã de Beauvoir era uma renomada artista plástica, Hélène de Beauvoir. Volte e meia a escritora se encontra com a irmã, fala da irmã. Simone gostava muito de caminhar. Ela levava pouca coisa, um pequeno farnel, e passava dias caminhando, dormindo ao relento. Foi um pouco antes da guerra, imagino que ela deveria ter visto algo que deixou de existir depois. Ela, Sartre e os amigos achavam que o comunismo e o livre pensamento ia suplantar o fascismo que começava a surgir na Alemanha. Muito triste imaginar que eles estava completamente enganados. 

Na obra Beauvoir fala muito de seus amigos e de Sartre. Como a intempestiva Olga, depois Lise apresenta o escultor Alberto Giacometti. Beauvoir também tem proximidade com Picasso. Eu amei que Beauvoir lê muito e fala muito dos livros que lê na obra. Adorei que o preferido do Faulkner é exatamente o meu preferido, Luz em Agosto. Ela já leu Virgínia Woolf.  Gosta muito de Proust que eu adoro. Ela fala muito dos livros de Sartre. Eu só li um único livro do autor que gostei muito, O Muro e li há muitos anos de uma biblioteca.

Obra A Mulher Chora (1937) de Picasso

A guerra começa a chegar. Inicialmente a Alemanha ataca a Polônia e eles acham que logo vai acabar. Sartre é preso e Beauvoir fica em Paris tentando notícias até que ele foge. Os dois ouvem falar de O Estrangeiro de Camus, leem, gostam. Nessa época sem poder publicar seus livros, Sartre e muitos escritores ingressam no teatro. É quando Sartre conhece Camus que envereda pelo mesmo caminho. A peça As Moscas de Sartre é um retumbante sucesso. Após a publicação de A Convidada, Beauvoir recebe várias críticas elogiosas, como ela mesma diz, nem todas, mas fica muito satisfeita com a repercussão.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025

Em 2025 li mais que a média, um dos motivos é que vários eram pequenos. Li 20 livros no ano e esses são 10 os que mais amei. Foi difícil fazer a triagem porque foram livros incríveis. A ordem está pela leitura, começa com o último, em modo decrescente.

O Céu Entre Mundos de Sandra Menezes

A mais recôndita memória dos homens de Mohamed Mbougar Sarr da Fósforo

Arrastados de Daniela Arbex da Intrínseca.

Objetos Cortantes de Gillian Flynn da Intrínseca

Moçambique com Z de Zarolho de Manuel Mutimucuio da Dublinense

Abraço Apertado de Émile Ajar da Todavia

Eileen de Ottessa Moshfegh da Todavia

Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense

 Após o Anoitecer de Haruki Murakami da Alfaguara

O Enigma do Quarto 622 de Jöel Dicker da Intrínseca

Foi um ano que fui mais ao cinema, ainda vou pouco, principalmente pelo alto preço dos ingressos, acabo preferindo ir ao teatro, mas não só fui como estão entre os melhores filmes que vi no ano.

O Último Azul

Ainda Estou Aqui

A Melhor Mãe do Mundo

Em música, os melhores foram

Uma Viagem Utópica com o SIGMA Project na Estação Motiva Cultural

Ronaldo Miranda - Piano Concerto pela Naxos

JJ Jun Li Bui no Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

Concerto Realidades Imaginárias da OCAM - Orquestra de Câmara da USP no Auditório Camargo Guarnieri na USP
Solista Edelton Gloeden

Kate Liu no encerramento do Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

João Pedro Sigoli, pianista e o Duo Cerri-Botelho no Centro de Música Brasileira

Foi um ano de novelas incríveis




E eu ainda revi uma novela da minha vida, Além do Tempo 1 e 2 na 
Globoplay Novelas
Em teatro as melhores foram duas do Encontro Paulista de Teatro de Grupo

Cícera do Contadores de Mentiras

A Menina Passarinho da CTI - Teatro Baile

E ainda

Traição do Núcleo de Teatro de Imersão

Foi o ano que vi muitas séries. Por uma confusão da ClaroTV e inúmeras trocas de decoders, a última mudou o plano para Claro Box, passei a economizar R$ 100,00 e ainda vieram muitos streamings com comerciais Netflix. AppleTV, HBOMax. E depois a Disney abriu o sinal que termina agora dia 31.



Silo 1 e 2 na AppleTV

Ripley na Netflix
 
Paradise na Disney+

Depto Q na Netflix


Gostei demais do Libertárias no Canal Curta!

Nossa, como vi filmes, difícil escolher os melhores



Perfect Days na Netflix

Manas no TelecinePlay

Aftersun na Netflix

Mothering Sunday na Netflix

Close na Netflix

Camponeses na HBOMax

La Cocina na HBOMax

Napoleão na AppleTV

The HouseMaid na PrimeVideo
Em exposições destaco

Na Galeria Leme

De Mim para Nós de Jaume Plensa

Fulgor Atlântico de Tiago Sant´ana

Virgília de Jorge Enciso

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Arrastados de Daniela Arbex

Terminei de ler Arrastados (2022) de Daniela Arbex da Intrínseca. Sabia que não seria uma leitura fácil, mas acho fundamental não esquecermos dessas tragédias para pressionar por responsabilidades. Há ainda inúmeras barreiras de rejeitos em risco, que esse horror nunca se repita. 

O marcador de livros é em feltro e lã.

Eu gosto muito como a jornalista escreve e seu apuro investigativo. Ela começa a obra no dia do rompimento da barragem, 25 de janeiro de 2019 com os funcionários se dirigindo ao trabalho, pegando o ônibus, encontrando os colegas, encomendando pastéis com o colega do ponto adiante, falando dos seus trabalhos do dia. E vai mostrando outros funcionários, o que iam fazer. Os trabalhadores falam o tempo todo dos inúmeros protocolos que dão a falsa sensação de segurança.
Até que a barragem se rompe e em minutos vai arrasando tudo. Os bombeiros começaram a ir de onde estavam ao local, depois outros bombeiros de outros estados também seguiram pra lá. Os bombeiros de Minas Gerais estavam com os salários atrasados, mas mesmo assim foram incansáveis. Com salários baixos, muito menos do que a função perigosa merece, nem o pouco que recebem é honrado. Enquanto os que distribuem as verbas só enriquecem. Eu acompanhei pela televisão esse resgate de helicóptero, é uma mulher que está sendo resgatada. Procurei inclusive o vídeo. Foi a TV Record que filmou enquanto eles tentavam tirar a mulher repleta de rejeitos, que escorregava. Chorei de novo. Os rejeitos faziam os acidentados pesarem muito mais, além de escorregarem. Foi muita agonia. Eu sofri demais com a leitura. Em um determinado momento eu resolvi ir até o fim de uma vez, terminar logo, para acabar logo aquele sofrimento. Passei então finalizando o livro no fim de semana.
Eu acompanhei muito na época as investigações, e o livro se aprofunda ainda mais. Em junho de 2018, a empresa que fez a avaliação para dar o laudo disse que estava longe do aceitável. A barragem tinha que ser interditada imediatamente para ações de contenção. A Vale se recusou, usou o laudo anterior que está aceitável e continuou os trabalhos. Descobriu-se depois que duas empresas antes se recusaram a dar o laudo que estava aceitável e foram trocadas. Na avaliação, avisaram que os rejeitos cobririam as regiões rapidamente, que o administrativo e o refeitório seriam soterrados, No dia 25 ao desastre, era hora do almoço, e o refeitório estava lotado, todos morreram. Em 2018, a Vale ignorou, colocou o laudo como aceitável e continuou trabalhando, não podiam parar os trabalhos e as extrações. A jornalista conta também a enxurrada de indenizações que geraram um número enorme de moradores de Brumadinho que surgiram se dizendo ser do local. E vidas não se indenizam. Até hoje a flora e a fauna contém alto índice de rejeitos de minérios, tudo foi destruído. 270 pessoas morreram, algumas levaram anos pra ser encontradas, ainda há desaparecidos. O livro fala do trabalho do IML, da dificuldade em descobrir quem eram as pessoas. Com o tempo ficou pior, porque só se achavam pedaços. Agora mesmo há uma investigação internacional de uma das empresas que trabalham com a Vale. Vi uma entrevista de um acusado dizendo que já tinha sido realizada no Brasil, não tinha sentido ser feito fora do país. Ah, nenhuma investigação será suficiente. E a impunidade no Brasil é notória. Sabiam e mataram 270 pessoas, só pagaram indenizações, os responsáveis não foram presos. A lei no Brasil não é igual para todos.
No último capítulo, Daniela Arbex conta como chegou até escrever o livro. Ela é de Minas Gerais, vivia em Juiz de Fora e no dia do rompimento da barragem seguia para o Rio Grande do Sul porque escrevia o livro da Boate Kiss. No caminho começou a receber uma enxurrada de notícias de Brumadinho. Voltou para Juiz de Fora, falou com o jornal impresso que trabalhava, mas já era época do fim dos jornais e não tinham recursos para enviá-la a Brumadinho. Familiares de vítimas da Boate Kiss ajudaram nos custos e ela seguiu para Brumadinho. Fez a primeira matéria com foco nos familiares que aguardavam informações de seus entes queridos. Os familiares nunca aceitaram a palavra desaparecidos, porque todos sabiam onde eles estavam, embaixo da lama de rejeitos. Pelo livro da Boate Kiss, Daniela falou com a Intrínseca, disse que estava em Brumadinho e eles disseram que só ela poderia relatar o ocorrido e fazer um livro. Um ano depois veio a pandemia, ainda tinham corpos sem localização. Ela tomou todos os cuidados, mas continuou o trabalho. Até saber que seu irmão, sobrinhos, estavam com Covid. Uns dias depois todos estavam bem, exceto seu irmão, saudável e jovem, foi hospitalizado, intubado e morreu 8 dias depois. Lidando com o luto, ela passou a sentir mais ainda a indignação dos familiares e focou muito o livro no relato dos irmãos pela trágica sinergia que passou a sentir. Daniela e o irmão eram muito unidos, se apoiavam profissionalmente. Ele chegou inclusive a fazer o documentário do livro Holocausto Brasileiro que comentei sobre o livro aqui.
Ao final, o livro traz a lista dos 270 mortos e suas profissões.
Desde o desastre de Mariana e suas impunidades eu acompanho matérias sobre o tema. Só recentemente, dez anos depois, é que os desabrigados de Mariana receberam suas casas. Iguais aqueles condomínios pavorosos que vimos em Central do Brasil. Mariana era uma área rural e a cidade fantasma é urbana, sem nada em volta, só casas.
Sobre o desastre de Mariana tem aqui o texto do documentário Vozes de Paracatu e Bento da GloboNews.
Sobre a mineração, suas impunidades e destruição do meio ambiente tem o documentário Lavra.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Coleção de Livros - Estadão

Assisti ao programa Coleção de Livros do Estadão no Youtube. Descobri esse programa por um acaso e já vi vários. A equipe vai na casa de alguém para mostrar a biblioteca dela, que fascinante. Eu sou louca por bibliotecas. Até agora me identifiquei mais com a biblioteca do Itamar Vieira Jr. Não com as estantes e a belíssima sala, mas com os livros. Temos livros semelhantes nas estantes. Do autor só li até agora Torto Arado que amei e tenho o seguinte na estante a ler. 
Amei que ele mostrou edições dos seus livros em outros idiomas. Os livros de Itamar rodam o mundo. Ele começou falando do Paciente Inglês que amo, ele comprou com 17 anos, eu um pouco depois de ver o filme que é igualmente maravilhoso. Os livros do autor estão com os Jabutis na frente que ele ganhou. Itamar comentou que essa organização na estante foi do companheiro que faz mais marketing que ele. E com esses vídeos, minhas listas de livros a ler só aumentaram.

Eu amei também o do Ignácio de Loyola Brandão, são os preferidos até agora. É uma biblioteca enorme, cheia de corredores e salas com estantes de livros, inúmeros históricos, que ele ganhou de amigos autores, foi fascinante. Ele também adorou a biografia da Viola Davis. Ignácio gosta muito das biografias do Lira Neto que preciso ler. Ele é fascinado por Cartas de Théo do Van Gogh que não li.

Depois vi o vídeo da biblioteca da Marina Person. Adorei a frase inicial, ela diz que perguntam o que precisa para a profissão de cineasta, ela diz que para qualquer profissão é preciso ler e muito, e penso o mesmo. A biblioteca da Marina é dividida por gêneros. Há uma prateleira de livros de ficção que são os que amo. Ela comentou como os livros vão chegando e no começo parecia fácil distribuí-los ali naquela prateleira até que não cabem mais. Aqui isso acontece muito. Ela disse que o marido (Gustavo de Rosa de Moura) indica livros e ela falou de um que fiquei com vontade de ler também de Alejandro Zambra. Engraçado que às vezes ela diz que ela e o marido leram juntos, mas ele leu e eles comentaram. Eu fazia isso com minha mãe, eu lia e falávamos sobre o livro, eu contava trechos, ela pedia pra eu continuar a contar a história. É muito bom compartilhar leituras. Marina falou de livros que faltam na estante, que ela emprestou e não devolveram, que ela gosta de emprestar, acha bom os livros circularem, mas como eu parece que não gosta se eles não voltam. Marina não comentou, mas eu vi Equador de Miguel Sousa Tavares na estante, a mesma edição que tenho e amo.
O último vídeo que vi foi do Nelson Motta, vou querer ver outros. Na foto ele segura Noites Tropicais que li, não lembro se emprestado ou de uma biblioteca. Tinha estranhado a pequena estante e poucos livros, mas ele contou que a filha disse que ele não ia ler mais, pra que ficar com os livros que eram mais de 800. Eu matava que dissesse isso pra mim, meus livros são meu tesouro, o que tenho de mais caro em casa. Mas minto, já me falaram muitas vezes. A que mais fala isso vive me ligando pra pedir livro emprestado ou porque precisa ou porque deu o que tinha. Ela está inclusive com dois livros meus. Nelson falou de biografias de músicos, várias do Tom Jobim e qual mais gosta. Dos amigos. Do Glauber Rocha que foi amigo e escreveu uma biografia. Ele contou sobre o livro Canto de Sereia que virou série, elogiou Ísis Valverde como cantora e falou que a série ficou muito melhor que o livro.
Fiquei pensando quantas bibliotecas quero conhecer, espero que façam vídeos com esses autores Bernardo Carvalho, Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Milton Hatoum, Cristovão Tezza, Miguel Sanches Neto, Manuel da Costa Pinto, Jefferson Tenório, Ana Maria Machado, Adriana Negreiros, Daniela Arbex, Miriam Leitão, Matheus Leitão, Lilia Moritz Schwarcz e tantos outros.

Beijos,
Pedrita