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domingo, 31 de agosto de 2025

In on It

Assisti a peça In on It no Tucarena. Queria muito ver esse espetáculo pelos prêmios e elogios que recebe. Gostei bastante!

O grupo diz "entender não é fundamental e sim a experiência".

O texto é do canadense Daniel Maclvor. A direção é de Enrique Diaz. No palco dessa vez Fernando Eiras e Emilio de Mello. Os três se alternam nas produções. In on It estreou em 2009 e desde então vem se apresentando e viajando. Eu adoro os três atores. Eiras começa um drama sobre a imprevisibilidade da vida. Mello está na plateia vendo. Ele para o texto de Eiras e pergunta se é assim que ele quer começar o espetáculo, de modo tão trágico. Dá-se então o tom da peça. O tempo todo eles alternam entre personagens e conversas sobre escolhas dramáticas, muito bom.
Entre as discussões sobre escolhas dramáticas, surgem personagens, como o homem que descobre que vai morrer. Dramas familiares, traições, despedidas. A linguagem corporal é incrível. No formato de arena eles sobem e descem na plateia, discutem na coxia, ficam sozinhos ou em duplas, fiquei cansada só de ver os dois ágeis em ação. Sem falar nas dancinhas que amei, ainda mais ao som de Sunshine, Lollipops and Rainbows de Lesley Gore, que amo. Adorei as conversas sobre música. Eiras começa ao som de Maria Callas, Mello fala se o fato dele gostar de erudito ou dizer que gosta de ópera é verdade, ou só pra mostrar erudição. Eles fazem o público dar palpites, é bem divertido.

In on It está nas últimas apresentações, até 28 de setembro.






Beijos,
Pedrita

terça-feira, 29 de abril de 2025

Volta por Cima

Assisti a novela Volta por Cima (2024) de Claudia Souto na TV Globo e Globoplay. Gostei muito! E revolucionária! Sem ser didática, falou profundamente de machismo estrutural, masculinidade tóxica e responsabilidade afetiva, principalmente masculina.


 

O casal de protagonistas eram incríveis, belos trabalhos de Jessica Ellen e Fabrício Boliveira. Jão falou com vários personagens sobre responsabilidade afetiva, cobrou inclusive do seu pai o abandono de sua mãe, o famoso ghosting, após ter tido um relacionamento com ela. Jéssica Ellen em uma entrevista disse que só aceitaria ser a mocinha se ela fosse uma mulher de personalidade, independente. Ela se torna uma empreendedora de sucesso. O casamento da igreja da Penha foi um desbunde. E que mega produção, tem uma foto da equipe imensa de produção.

A empresa da novela era de ônibus. Começa e termina em um ônibus. Lindomar do maravilhoso MV Bill é motorista de ônibus, passa mal e o ônibus sofre um acidente. No final é um sequestro que movimenta a trama. Lindomar agradou tanto que apareceu mais do que o esperado em lembranças emocionantes. Pai de uma família linda. Tereza Seiblitz arrasou. Ela é costureira e fica na fila de transplante de coração. Muito bonito ela encontrar um novo amor com Chao Chen, um funcionário bem sucedido na empresa de ônibus, e ligado a família também, sempre dedicado ao seu pai que só ouvimos falar. A família de Madalena tem princípios muito rígidos de respeito, retidão e enlouquecem com a fragilidade emocional da sua integrante mais nova, a Tati da ótima Bia Santana.
Ela adorava K-drama e junto com vários personagens assistia Pérolas de Amor. Até que ela acha que é o seu ídolo no ônibus e ninguém acredita. Ela tem uma triângulo amoroso consistente com os personagens de Allan Jeon e João Gabriel D´Aleluia. As cenas dos dois dançando as coreografias do K-drama eram demais, os números musicais do Jin também. Amei os personagens.
Osmar era o tio que estava sempre no erro como dizia Madá. Passou a vida no sofá da família e se envolve com uma contraventora. Milhem Cortaz e Isabel Teixeira arrasaram. Concordo com uma amiga que o final do casal foi coerente. Eles viviam entre tapas e beijos, golpes e desgolpes, traições e reconciliações, mas eram um casal intenso. Os figurinos de Violeta eram um arraso.

Gostava muito de Jayme e Tereza dos ótimos Juliano Cazarré e Cláudia Missura. Eles erram e muito, mas se arrependem, corrigem seus erros, pedem perdão. O amor deles era lindo. Ele se arrepende antes dela, mas ela vem logo depois. 

Ele ajuda Sidney a reconquistar Cida. Adoro a Juliana Alves, linda e talentosa, gostei muito de Adanilo. Ela era motorista de ônibus, viúva e mãe do encantador Caique Ivo. Sidney vacila, olha pra muitas mulheres e é Jayme que fala das escolhas, se quer viver um grande amor é preciso abandonar a azaração. As conversas são ótimas.

A gigante Betty Faria é a matriarca dos Góis de Macedo. Antes poderosos e ricos, estão pobres e falidos em uma mansão. A curva dos personagens é linda. Ela passa a ser influencer. Drica Moraes é sua irmã que vai trabalhar em eventos com Madalena e Rodrigo Fagundes é o irmão/filho que vai ser atendente de balcão no subúrbio e sim, todos vão andar de ônibus. Fábio Lago está incrível como Sebastian. Mordomo da casa, ele passa a ser um faz tudo que não recebe e depois circula por vários núcleos.
Linda a história de Neuza que criou seu filho sozinha com todos os princípios e dignidade. Valdineia Roriano está incrível.


Roxelle da incrível Isadora Cruz é uma grande personagem da trama. Ela começa com Chico de Amaury Lourenzo, enquanto ele namora Madalena. Livre, de personalidade forte, ela trabalhava como garçonete na principal lanchonete do ponto final dos ônibus. 

A alegria da personagem se apaga quando ela se apaixona por Gerson Barros, mais um grande personagem de Enrique Diaz. Ele já tinha feito um estrago na vida de Yuki em um belo personagem de Jacqueline Sato. São muitos contraventores, eles entram direto em conflito na trama.

Muito emblemática a última cena de Rute e Marco. Ele contraventor com uma história trágica acaba sintetizando muito a novela já que ao final ele faz algo abominável. A dor da sua mãe que entende o que ele fez, mas o acolhe assim mesmo, dói na nossa alma. Lucinha Lins apareceu no final da novela, como a mãe que não sabiam onde estava. Marco era o ótimo Guilherme Weber e sofre até na trama. Criado como sobrinho, mas era filho, tem uma curva dramática muito emocionante, mas ele herda com maestria as maldades e crimes da contravenção.
Outra personagem marcante foi Cacá da ótima Pri Helena. Ela era a segurança dos Castilho e amava o trabalho, adorava confrontos. Ela engravida e põe na conta do Jão. Eu desconfiei que poderia não ser, mas jamais imaginei que fosse do Baixinho, Rodrigo Garcia. Achei que poderia ser do parceirão Joilson, Vitor Sampaio, outro ótimo ator. Baixinho inclusive faz uma bela aparição ao final como espírito em uma ótima cena. Foi muito bonita a curva da personagem. Ela acaba se apaixonando pelo Chico e eles partem com os pais para outra cidade. Os pais se apaixonaram também na novela, que linda personagem de Iara Jamra, como sofreu em descobrir a real profissão da filha. E Tonico Pereira era dono de uma banca. Já estou com saudades dos personagens.








Beijos,

Pedrita

sábado, 10 de abril de 2021

Amor de Mãe

Assisti a novela Amor de Mãe (2019-2020-2021) de Manuela Dias na TV Globo. A direção foi de José Luiz Villamarim. Que belíssimo trabalho, que roteiro! Essa novela foi atropelada pela pandemia, pararam as gravações. Fizeram um esforço de guerra pra retomar e fechar a história da forma que fosse possível e infelizmente algumas tramas ficaram sufocadas, mas nada tirou a maravilha que foi essa novela. Inesquecível! A trama entrelaça a história de três mulheres, incrível no final que entendemos a relação delas desde que foram mães. Vitória (Taís Araújo), uma famosa advogada, tinha sido uma jovem estudante grávida que dá o seu filho. Lurdes (Regina Casé) que tem seu filho vendido pelo marido para a mesma mulher que recebe o filho da Vitória. E Thelma (Adriana Esteves) que compra o filho dessa mesma mulher. Todas maravilhosas, que atrizes. Gostei de falar de co-responsabilidade. O quanto nossos atos podem interferir ou promover crimes, o quanto cada um de nós é responsável pelo todo.

Eu fiquei muito brava com um programa de fofoca de televisão que antes da novela começar já contou quem seria o filho de Lurdes (Chay Suede) e de sopetão, não deu nem ao trabalho de avisar que ia dar spoiler, quem não quisesse ouvir que zapeasse, bom, TVs não fazem isso, pedir pra pessoa sair do canal, então não dê spoilers. Sim, minhas amigas disseram que a novela deu várias pistas, mas antes da novela começar? Achei um desrespeito com o trabalho de todos os envolvidos. Um gosto por furo muito grosseiro. A cena da revelação foi emocionante! Pra novela poder ser realizada, todos tinham protocolos de segurança muito severos e eram testados periodicamente. Infelizmente todos os núcleos não poderiam voltar. Quanto menos elenco, cenas, equipes, mais seguro, mas valeu o esforço, foi lindo! Pena que alguns envolvidos não entendiam nada de protocolos. Acho que viviam em uma bolha porque em agosto já se sabia que não se sabia se a pessoa que tinha ficado contaminada não se contaminaria de novo. Achavam que poderia durar uns 5 meses, mas nada era certeza mesmo em agosto quando já se sabia também que dentro de casa não podem todos tirar as máscaras se vierem das ruas. A Lurdes poderia ter ficado na casa do Magno, e ter pouco contado com os jovens da casa e quando tivesse só por máscaras. Tirar as máscaras pra falar era muito assustador. Quando Sandro (Humberto Carrão) tira a máscara no hospital, local de contaminados, nem higienizando as mãos seria seguro, imagine sem higienizar como ele fez. Vitória também, depois de ficar com uma pessoa sem máscaras no carro, não ficou isolada em casa e nem fez teste pra se reaproximar da família. Já se sabia em agosto desses protocolos. E pior, foi na pior época de disseminação do vírus no Brasil. Colocaram em texto no final, mas eu acho que teria sido melhor em intervalos diferentes, uma pessoa, podia ser a ex-BBB Thelma, que é médica, explicar esses detalhes, já que há negacionista demais no Brasil. 
Lindo o amor de Penha (Clarissa Ribeiro) e Leila (Arieta Correa). A vida das duas foi se transformando na trama. Penha era a doméstica maltratada pela ricaça Lídia (Malu Galli). E Leila começou a novela em coma. Várias reviravoltas fazem as duas se unirem, se tornarem grandes bandidas e conseguiram fugir como no filme Thelma e Louíse, mas com final feliz. Por incrível que pareça eu torcia por elas.

Outro grande valor de Amor de Mãe foi ter chamado grandes atores não tão conhecidos da televisão. Como a talentosa Magali Biff como Nicette. Sua personagem acaba se misturando em quase todos os núcleos e tendo papel fundamental. Primeiro ela é mãe do homem (Paulo Gomes) que o Magno acha que matou. Magno namora sua filha Betina (Isís Valverde) que não sabe da história. Depois Nicette mora em Guapori, a região contaminada pela indústria de Álvaro, que depois descobrimos que Betina é irmã de Álvaro porque o pai dele abusou de sua mãe. Mas a teia continua, ela é avó do filho da mulher do Álvaro, que engravidou do filho dela. E Álvaro, um dos grandes vilões da trama, aceita o filho de outro homem da esposa, surpreendente. Outros personagens marcantes com atores pouco conhecidos da televisão foram interpretados por Démick Lopes, Dida Camero, Rodolfo Vaz, MC Cabelinho, WJ, Nando Brandão, Rodrigo Garcia, Isabel Teixeira, Giulio Lopes,  Aldene Abreu, Antonio Negrini, Stella Rabello e Mariana Nunes
A trilha sonora também era maravilhosa: Gal Costa, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Cartola, Olodum, Chico Buarque, Clara Nunes, Elza Soares, Caetano Veloso, Elis Regina, Nina Simone, Jorge Benjor e Madredeus. Tem no spotify.
Amor de Mãe falou muito sobre questões sociais. Educação inclusive na personagem da Camila, da incrível Jessica Ellen. Professora de uma escola pública em lugar de vulnerabilidade, ela procura ajudar seus alunos a procurar um futuro diferente para as suas vidas. Inclusive vários de seus alunos tornam-se personagens importantes na trama como Cacá Ottoni, Dan Ferreira, Jennifer Dias, Dora Friend e Aisha Moura.
Foi uma novela de muitas perdas, estranhamente não por covid. E atores jovens como o belíssimo português Filipe Duarte e Léo Rosa que fez uma pequena participação como um jornalista.

E Durval, ai o Durval, que personagem carismático do Enrique Diaz e todo errado, todo não, mas sim, foi um pai ausente. Eu me incomodei da filha (Duda Batsow) exigir muito dinheiro na pandemia pondo o pai em risco. Ele vai trabalhar de entregador de aplicativo, correndo o risco de morrer de covid. Se a filha e e a mãe (Clarissa Kiste) estivessem passando necessidade, é certo, mas não era o caso, ela poderia esperar a pandemia passar pra exigir a responsabilidade financeira do pai. E principalmente quando o reencontrou. Acho que na pandemia nós precisamos muito mais lidar com a empatia e com a compaixão. E quem trabalha com artes ficou totalmente sem emprego, devia ter exigido antes quando ele tinha como correr atrás. Foi bem mais inteligente quando ofereceram moradia pra ele que não tinha dinheiro nem pra alugar uma vaga em pensão. Atrapalhado como sempre foi, teria grande chance de ir morar nas ruas como muitos nesse período escuro. E apesar de todos os defeitos, Durval era um bom dono de casa, bem bagunceiro, mas cozinhava, cuidava da filha, seria uma forma de ajudar no orçamento tendo funções domésticas. Mas a autora reserva um respiro pra ele, e a trama promove momentos deliciosos com a Dona Unicórnia.

Gostei demais da atriz e cantora que interpretou a Verena, a Maria. Linda e talentosa. Fez par romântico com o personagem do gigante Irandhir Santos. Pena que foi bem pequena a parte da mãe biológica (Olívia Araújo) do Tiago. Muitas tramas pareciam já ter sido pensadas desde o começo, mas a pandemia encurtou as abordagens, mesmo assim foi uma linda cena. Uma pena também que não puderam definir o destino amoroso de Lurdes disputada pelos personagens dos grandes Luiz Carlos Vasconcelos e Nanego Lira. As crianças eram demais, já bem grandinhos um ano depois quando voltaram a gravar. E foram mais poupados, pouco apareciam. A bebê da Vitória então nem apareceu, mais seguro assim. Eram interpretadas por Clara Galinari e Pedro Guilherme. A lista de grandes atores é imensa: Vladimir Britcha, Murilo Benício, Erika Januzza, Tuca Andrada, Débora Lamm, Milhem Cortaz, Letícia Lima, Douglas Silva, Vera Holtz, Ana Flávia Cavalcanti, Camilla Márdila, Lucy Alves, Júlio Andrade, Alejandro Claveaux, Dan Ferreira, Eliane Giardini  e Fabrício Boliveira.

E a família da Dona Lurdes? Que personagens ricos, complexos, só grandes atores, que saudade já! Juliano Cazarré, Nanda Costa e Thiago Martins. Foi esperançoso no final todos sem máscaras falando que a vacina chegou pra todos, pena que não é realidade. Triste!




Beijos,
Pedrita

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Los Silêncios

Assisti Los Silencios (2018) de Beatriz Seigner no Canal Brasil. Eu vinha lendo matérias e muitos elogios sobre esse filme. Assim que vi que ia passar no canal, coloquei pra gravar. O filme vai passar na retrospectiva do ano no Cine Sesc. É uma co-produção entre Brasil, Colômbia e França. Que filme triste!

No escuro da noite, uma mãe (Marleyda Soto) e dois filhos chegam em um barquinho em um lugar. Uma parente espera com uma lanterna. Essa mãe conta que seu marido (Enrique Diaz) e sua filha  (Maria Paula Tabares Peña) estão desaparecidos. Ela começa a luta para conseguir sobreviver nesse lugarejo. Leva o filho (Adolfo Savinvino), documentos e histórico escolar para conseguir uma vaga na escola. O lugarejo tem recebido muitos refugiados, então não há merenda pra todos. São 600 merendas para 2500 crianças. O uniforme é muito caro e obrigatório, ela pega um modelo e faz as roupas. Uma hora vemos o marido nessa casa e como falam muito de fantasmas, que os desaparecidos tornam-se fantasmas, eu desconfiei que ele era um fantasma.

Ao final, o que eu não imaginei, é que a menininha era também uma fantasma. Que tristeza! No final a mãe recebe a carta com a confirmação das mortes do marido e da filha, que foram mortos abraçados. E o filme termina com a cerimônia de adeus aos mortos. Eu achava lindo que tudo o que a menina tem é fluorescente, achava que ela gostava. Só ao final vi que é o símbolo dos mortos.

Que dor ver que na verdade, é porque ela estava morta. Los Silencios ganhou Melhor Filme e Melhor Diretor no Festival de Brasília, Melhor Direção no Festival de Estocolmo e vários outros prêmios.



Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Treze Dias Longe do Sol

Assisti Treze Dias Longe do Sol (2017) de Luciano Moura na TV Globo. Estava ansiosa por essa série. A Patry assistiu antes no GloboPlay e tinha gostado muito. Sim, as chamadas me lembraram muito Supermax e a série também. Um grupo fica preso em um lugar todo cinza, com muitas dificuldades, tendo que cada um lidar com as alterações de humores dos outros em situações extremas. E depois que comecei a ver me lembrou Os 33, onde mineiros ficam presos após o desabamento, essa a semelhança foi com a cobertura internacional do acidente.

Apesar das semelhanças também amei a série e o roteiro é muito bom e ligado a nossa realidade brasileira , infelizmente. Logo no início o prédio desaba como aconteceu com o Palace 2 por motivos muito semelhantes, ganância de construtoras. Há tantos anos tivemos o incidente do Palace 2 e as construtoras continuam fazendo o que querem com o Brasil em parceria vergonhosa com políticos. Sim, os motivos do engenheiro chefe e da diretora financeira eram nobres. O dono da construtora tinha morrido e eles queriam levantar dinheiro para comprá-la. Muito provavelmente não conseguiriam honestamente pelo volume de dinheiro e eles tem a infeliz ideia de fazer um prédio com redução de 20% do material. Já é horrível essa decisão, mas a ganância vai mais longe e o engenheiro chefe vai reduzindo mais ainda a compra de material como ferros que foram reduzidos em 40%. Bastou uma chuva forte para o prédio desabar, antes mesmo de ser inaugurado. Déborah Bloch está incrível, outra personagem cheia de camadas. Ela fica possessa com os exageros do engenheiro, mas aceitou antes a redução de 20% do material. Muito triste a cena do pai dela na estrada, interpretado pelo incrível Emiliano Queiroz. Nada justifica o que ela fez, mas a solidão dessa personagem corta o coração.
Como em Supermax, os que ficam no subsolo precisam lidar uns com os outros em situações limites. Incrível a construção dos personagens, muito ricos em características e ótimos atores. Além dos atores que adoro e mais conhecidos como Selton Mello, Carolina Dieckman, Lima Duarte, Maria Manoella, Enrique Diaz e Teca Pereira. Incríveis os outros, principalmente os operários. Bem complexos os operários, inclusive os que eram um casal interpretados brilhantemente por Démick Lopes e Pedro Wagner. Se amavam muito, mas eram agressivos com o mundo externo duas pessoas de difícil socialização. Os atores estão incríveis. Gostei que os personagens tinham vários lados. Como o chefe de obra, Antônio Fábio, que era respeitado por todos, inclusive pelo engenheiro chefe, mas abandonou anos a filha, Camila Márdila, sem ligar para ela.

Fabrício Boliveira merece um bloco só sobre ele. Entre os melhores atores de sua geração, entre meus atores preferidos, brilhou como o chefe dos bombeiros. Ele teve um incidente anterior de fracasso, está de licença, mas o enviam para liderar o grupo. Está nas buscas por sobreviventes, mas outro superior chega, Eucir de Souza, e diz que estão encerradas as buscas. É emocionante quando ele descobre que há pessoas no subsolo, ou mesmo quando fazem contato por um equipamento eletrônico. Fabrício arrasa em todos os momentos.
Gostei do desfecho. O Brasil é um país que faz uma construtora ainda ter alto valor de venda no mercado mesmo depois de um fracasso e de tanta corrupção. O herdeiro, Paulo Vilhena, consegue vender a construtora por um bom valor para um ávido interessado, Luciano Chirolli, até porque logo esquecem o absurdo do desabamento, farão um marketing que agora a empresa será séria pra tudo continuar mais do mesmo e com alto apoio político e alta corrupção política. Construtoras estão no topo com todo tipo de regalia. Qualquer empresa por muito menos teria falido, mas no Brasil construtoras são objeto de luxo.

Beijos,
Pedrita

sábado, 24 de setembro de 2016

Justiça

Assisti a série Justiça (2016) de Manuela Dias na TV Globo. Direção geral e artística José Luiz Villamarin.  Apesar de algumas incoerências, foi incrível. Começa com quatro prisões, depois a cada dia da semana uma história é contada. Muito interessante como as tramas se cruzam ou se confundem. Em uma entrevista a autora disse que precisamos debater o tema. E Justiça mostra vários lados, várias soluções, para debate. Eu reparava que cada um percebia uma questão, ou perdoava e entendia outra, e era categórico em outrs, mas surgia alguém com uma visão diferente. Ambientada em Recife, a série tinha um tratamento mais realista. Lugares mais escuros, não tão belos, sujos, mas não sujeira inventada, mais natural. Adorei que cada dia tinha uma abertura nova, um prédio pardieiro, um pescador com uma rede, uma criança em um parquinho, corredor em um hospital. Tudo esteticamente realista.

A segunda é de Vicente. Um playboy ciumento que namora a filha de Elisa, interpretada pela linda Mariana Ruy Barbosa, ele por Jesuíta Barbosa e Elisa por Deborah Bloch. Logo no início já vemos o perfil dele que chega em um iate de jekski quase provocando um acidente. Elisa fala ao pai do moço a irresponsabilidade do rapaz e o pai diz que a juventude é assim. Como se ser jovem é cometer crimes. O pai é interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos. E Vicente comete um crime, pega a namorada na casa da mãe com um ex no chuveiro e a mata. Em uma licença poética, todos os 4 saem da prisão no mesmo dia. Vicente será morto a tiros por Elisa. Mas na hora que ela vai atirar, ela vê a filha dele pequena e recua.Nesse núcleo ainda estão Camila Márdila, Pedro Nercessian, Cássio Gabus Mendes, Pedro Lamin, Priscila Steinman e Giovana Echeverria.
Na terça era a história de Fátima. Ela é a diarista da Elisa. Na segunda já vimos a Elisa negando a Fátima de ir buscar os filhos por um motivo fútil. Tinha um pintor no apartamento, mas tanto a Elisa, bem como a filha dela podiam cuidar já que estavam em casa. Elisa esquece de Fátima depois também quando desmonta o quarto da filha e manda para doação os objetos. Elisa inclusive ficou devendo a Fátima, mas nunca se deu ao trabalho de encontrá-la para pagar. Fátima sempre viveu em um ambiente violento, o marido era estourado, foi o marido que intensificou a velocidade e a raiva do Antenor para atropelar a dançarina. Ele foi esfaqueado em uma briga em um bar, era briguento, queria brigar com o vizinho. O cachorro do vizinho faz vários estragos, mas quando machuca o filho pequeno de Fátima, ela mata o cachorro. A autora se inspirou em uma história que leu no jornal de um homem que mata o cachorro do vizinho. O vizinho era policial, arma um flagrante para a polícia achar droga no quintal de Fátima e ela é presa. Fátima é uma linda personagem, há um texto dela que resume bem seu perfil. Que cada um escolhe o destino que quer. A filha desejou ser prostituta para vingar a vizinha. Mas Fátima resolve reconstruir sua vida com honestidade. Ela tem muita raiva do vizinho, mas aos poucos vai passando e eles se tornam amigos. Adriana Esteves está majestosa. E incríveis todos desse núcleo: Enrique Diaz, Leandra Leal, Tobias Carriere, Julia Dalavia irreconhecível e Júlio Andrade. O marido de Fátima é interpretado pelo Angelo Antonio. Há algumas incoerências nessa trama, a maior é o fato de Fátima não saber o que aconteceu com os filhos quando sai da prisão 7 anos depois. Hoje consegue-se saber o que quer na prisão. Mas de qualquer forma, os filhos não iriam visitá-la, porque sendo menores, iriam para algum orfanato. Inclusive demais os atores que fazem os filhos da Fátima crianças: Letícia Braga e  Bernardo Berruezo.

A trama que menos nos identificamos foi a de quinta, interpretada brilhantemente por Luisa Arraes. A amiga Rose por Jéssica Ellen que é presa. No dia que faria 18 anos, a mui amiga Débora marca um luau na praia. As duas compras várias balinhas de droga com Celso. Só a negra é revistada e presa por 7 anos. Rose não sabia fugir do perigo, sai e volta a se relacionar com Celso. Quando as duas se encontram, Débora tinha sido estuprada e é essa trama que ganha força, não a da amiga que sai da prisão. Débora é casada com  um egoísta, interpretado por Igor Angelkorte. Ele não quer perder o conforto da relação, quer colocar o estupro da esposa embaixo do tapete. A mãe da Débora é jornalista e deseja o mesmo. A mãe é uma covarde, fica aliciando os amigos de Débora, para que eles convençam a filha do contrário, mas nunca senta e conversa claramente o que pensa com a filha. É a amiga Rose que entende que essa história tem que ter justiça. Mas Débora confunde o tempo todo justiça e vingança. O público achou estranho Débora colocar um desconhecido para dormir em sua casa, mesmo sabendo que no mínimo ele era ladrão. Mas eu achei coerente. Pessoas sem proteção cometem muitos desatinos. E sim, corre riscos. E pelo jeito era familiar, porque a mãe que tanto condenou a filha não pensou duas vezes em levar a esposa de um político corrupto para dar entrevista no apartamento da filha. A mãe foi interpretada por Fernanda Vianna. Vladimir Brichta está incrível como Celso. Ele aparece em todas as tramas, na maioria das vezes fazendo mal as pessoas, até mesmo quando quer ajudar. Diferente das minhas amigas, achei coerente Débora ir pedir carona, se expondo ao risco mais uma vez, e pegando carona com o personagem do Cauã Reymond, um mal caráter e explorador de mulheres.

A última trama foi do Cauã Reymond. O Maurício era um contador casado com uma dançarina, interpretado pela Marjorie Estiano. Ela é atropelada, vai ficar tetraplégica e pede que ele faça eutanásia nela. Ele faz e fica 7 anos preso. Entendo que ela poderia viver como tetraplégica, mas a trama, proposital ou não, mostrou a fragilidade da saúde brasileira. O médico dá o diagnóstico para o marido, mas nenhum psicólogo vai ajudá-los a lidar com o trauma. Quem a atropela é o personagem do Antônio Calloni, o Antenor, casado com a Vânia, personagem da Drica Moraes, uma alcoólatra. Na prisão, com a ajuda do Celso, Maurício é contador de bandidos e fica rico. Abre uma sauna administrada por Kellen e Celso. Maurício passou a ser um explorador de mulheres. Não se incomoda de aumentar o seu patrimônio explorando mulheres e meninas na prostituição. E não tem escrúpulos em usar a mulher do Antenor para atingi-lo. Maurício é o responsável da morte da Vânia. Ele mesmo diz a Vânia que ela precisa procurar proteção, mas não se preocupa em ajudá-la. Não é a toa que a Débora pega carona com um homem que explorava mulheres. A trilha sonora era incrível. Gostei muito de várias tramas aparecerem no final no cemitério. Inclusive várias tramas ficaram em aberto, podendo ter uma continuação ou mesmo uma aparição de fundo em uma segunda temporada.


Beijos,
Pedrita