Assisti ao documentário
O Sal da Terra (2014) de
Wim Wenders e
Juliano Ribeiro Salgado na
GNT. É sobre o trabalho e trajetória do maravilhoso fotógrafo
Sebastião Salgado. Um dos melhores filmes que já vi na vida. Primeiro porque esse fotógrafo é maravilhoso, segundo porque redimensiona nossa vida e nossos problemas e terceiro porque é incrivelmente bem realizado. Espero sinceramente que ganhe o
Oscar. Eu já tinha vontade de ver, mas meus tios reforçaram a vontade. Minha tia tem indicado esse filme pra todo mundo que ela conhece, faço o mesmo. Fundamental para entendermos um pouco do mundo que vivemos e sobre o que fazemos com ele. Eu perdi quando estreou no canal, agora está disponível no Now, por enquanto.
Esses países que ficam enviando imigrantes de volta deviam ver urgentemente esse documentário. Eu já tinha visto imagens de crianças na Etiópia que há décadas vivem no mais absurdo abandono. Os governantes ainda impedem a chegada dos alimentos e ainda há crianças morrendo de inanição.
Eu não tinha ideia que o Sebastião Salgado não pensou em ser fotógrafo inicialmente. Sempre achei que esse gênio nasceu já fotografando o parto. Foi uma surpresa saber que ele foi um péssimo aluno na escola, que fazia economia casou com uma arquiteta, foram para a França e lá ela comprou pra ela uma máquina de fotografar para a faculdade e o Sebastião Salgado que vivia com a câmera. Depois de um tempo a esposa levava as fotos para agências, jornais e com o dinheiro ele comprou um equipamento excelente e passou a viajar fotografando. Essa foto de Serra Pelada que impactou Wim Wenders e colocou o cineasta em contato com a obra desse fotógrafo.
O documentário coloca o filho, Juliano Ribeiro Salgado narrando sobre as longas ausências do pai, mas que via o pai como um aventureiro. E que ficou muito emocionado quando mais velho pode acompanhar o pai. O filho se tornou cineasta e as primeiras imagens do trabalho do pai foi ele que realizou.

Sebastião Salgado foi várias vezes a África. No último que acompanha uma caminhada exaustiva de um povo e são obrigados a voltar, já debilitados, em pele e osso, Sebastião Salgado tem um esvaziamento de vida, claramente entra em depressão. Volta com a mulher, Lélia Wanick Salgado, ao Brasil para ver o pai doente, o pai era fazendeiro em Minas Gerais. A terra não era mais produtiva, só areia. A esposa vendo o estado do marido, tem a incrível ideia de transformar a fazenda em uma mata. Eles começam a trazer mudas de plantas da Mata Atlântica, milhares, hoje são milhões de árvores, já voltaram algumas nascentes, pássaros, onça. Incrível a harmonia e união dessa família, o quanto eles todos juntos constroem tanto, criam tanto pelo mundo e pelo Brasil. É aí que ele resolve fazer o ensaio Gênesis, fotografando animais, lugares, como ele diz, um agradecimento a beleza da natureza e do Planeta.

E é incrível como o documentário dimensiona. Nesse dia eu estava no supermercado e uma mãe agoniada o que ia fazer para os filhos comerem porque eles reclamavam de tudo e na hora eu disse: "mas com tanta fome no mundo?". Logo depois vi o documentário e meu pensamento reforçou. Como permitem que pessoas critiquem comida? O alimento feito com amor? Também eu fiquei pensando o quanto sou abençoada e tenho uma vida boa. Fundamental esse documentário para pensarmos o que podemos fazer pelo planeta, pelo país e por nós mesmos.
Beijos,
Pedrita