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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Zibaldone

Assisti a peça Zibaldone na Oficina Oswald de Andrade. O texto é do poeta italiano Giacomo Leopardi (1789-1837), que vergonhosamente eu não conhecia. A dramaturgia e direção é de Aimar Labaki. Lindos os atores Adriana Londoño e Clovys Torres. Sou fã do trabalho da Londoño, grande atriz, não conhecia o Clovys Torres, mas igualmente impactante. Os dois tem um belo trabalho físico e intenso durante o espetáculo!

No cenário, criado por Murilo Carraro, uma porção de livros transformam-se para as cenas, fantástico! A peça tem muito trabalho corporal, os livros interferem bastante na luta pela locomoção. Os primeiros textos falam de mar, vento, natureza.

As fotos são de Gal Oppido.

Há belas músicas que os atores entoam. Tudo muito lindo! Belos figurinos de Fábio Namatame. Zibaldone fica em cartaz até 12 de setembro e o mais incrível é que é de graça.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O Julgamento Secreto de Joana D'Arc

Assisti a peça O Julgamento Secreto de Joana D´Arc no Teatro Oficina. Fantástico! Que experiência! É um projeto ousado com 17 atores no palco, com estímulos visuais, auditivos, olfativos, terrivelmente contundente!

Fotos de Bob Sousa

Silmara Deon que interpreta Joana D´Arc. Ela convidou Aimar Labaki para fazer o texto que foi focado no julgamento de Joana D´Arc, que é quase lenda e tem muitas versões. A peça fala então de vários temas como intolerância religiosa, prepotência, machismo, violência. E acaba sendo muito atual. Em um momento Joana D´Arc questiona o inquisidor, quem seria ele para achar que sabe a verdade. 

Confesso que eu me incomodo com a ideia que um deus poderia falar a um humano para que ele lutasse e matasse outro alguém só por ser de outro povo. Difícil acreditar que um deus poderia lutar de um único lado e quisesse a morte de outras pessoas. Mas é fato que duvidar de Joana D´Arc só porque ela tem uma fé diferente e desejar a morte dela só porque ela é mulher, camponesa e pobre é de uma prepotência brutal. Rubens Caribé está incrível como o Inquisidor, mas todos no elenco arrasam: Ricardo Arantes, Rafael Costa, Yorran Furtado, Jerônimo Martins, Decio Pinto Medeiros e Mario Luiz. As mulheres integram o coro e interpretam os anjos e as vozes: Bruna Alimonda, Carol Cavesso, Giovana Cirne, Jamile Godoy, Maísa Lacerda e Priscila Esteves. Os músicos são Bruno Monteiro ao piano e Leandro Goulart na guitarra.
Foto de Gabriela Lemos

E ser no Teatro Oficina foi fundamental! Incrível como o diretor Fernando Nitsch utilizou o espaço. Esse belíssimo projeto da Lina Bo Bardi foi determinante para todo o clima da peça. Assistir fragmentos, sentir odores, davam a sensação de estarmos no julgamento. Muito inteligente colocar folhas, mato e ervas nos incensários, parecia que estávamos na mata, no passado. Os atores precisaram ter muito trabalho corporal para utilizar todo o espaço, suas escadas. A cenografia  Marisa Bentivegna também foi decisivo nesse processo. Que figurinos belíssimos de Daniel Infantini.

Eu ficava bastante agoniada pensando como seria a fogueira já que Joana D´Arc é condenada e queimada viva na fogueira. Volte e meia alguns personagens estavam com tochas e eu ficava em pânico. E fiquei muito impactada com a solução encontrada. A fogueira era de água mas eu senti todo o calor e a dor do fogo queimando viva Joana D´Arc, que impressionante. O efeito foi de uma genialidade estupefante com auxílio da incrível iluminação de Wagner Pinto. Espetáculo inesquecível! O Julgamento Secreto de Joana D´Arc fica em cartaz até 20 de setembro.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 3 de março de 2016

O Campeão de Dominó do Alaska

Assisti a peça O Campeão de Dominó do Alaska no Espaço Parlapatões. O texto é de Mário Viana e a direção de Aimar Labaki. Gostei demais! Surpreendente! A atualidade do texto incomoda.

Um irmão viciado em jogos volta para o Brasil. Ele estava morando nos Estados Unidos. O outro irmão cuida da mãe com Azheimer, anulou a sua vida para se dedicar a mãe. Trabalha em casa para ter mais tempo para cuidar dela, mas vive em apertos financeiros já que todo o dinheiro acabou em médicos e tratamentos. O irmão que vivia nos Estados Unidos nunca ajudou nem financeiramente, mesmo quando ganhou muito dinheiro sendo Campeão de Dominó do Alaska. O irmão perdeu a mãe no jogo e quer levá-la aos Estados Unidos.

Com ironia o texto fala das dificuldades de lidar com as adversidades de uma doença tão cruel, inclusive a dificuldade financeira que vem com a falta de assistência. Maria Eugênia de Domênico emociona como a mãe desses rapazes que também estão ótimos e são interpretados por Valdir Rivaben e Eduardo Parisi. Excelente texto e direção. O final é muito triste e surpreendente. O lado surreal do texto da peça auxilia no tema difícil. O Campeão de Dominó do Alaska fica em cartaz terças e quartas até 13 de abril. 
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vestígios

Assisti a peça Vestígios no Teatro Centro da Terra. O impactante texto é de Aimar Labaki. A produção é de um grupo de Recife, do Teatro de Amadores de Pernambuco. É uma peça difícil, no final o público tem dificuldade de aplaudir, ficamos pensando se devemos aplaudir os horrores da ditadura, então acabamos sendo mais econômicos nos aplausos. Mas o espetáculo, os ótimos atores, o excelente texto, os cenários de Doris Rollemberg, merecem.

Vestígios fala de um período que não gostamos de saber, muito menos ver, mas que não podemos esquecer, a tortura na ditadura. É uma peça indigesta, onde dois burocratas tentam arrancar nomes de um Professor de História. Esse professor foi envolvido em uma história que nada sabe, mas precisa saber para ver se sofre menos na mão desses homens. Vestígios nos faz sentir vergonha de sermos humanos, se é que somos humanos, ou o que é ser humano. Fala da tortura, em determinado momento fala de técnicas milenares de torturas usadas em vários momentos deprimentes da nossa história. Sempre fico chocada com a forma como os homens acham formas de subjugar o outro ao seu poder, maltratar, ferir. Técnicas que promovam a demora da morte para aumentar o sofrimento. A maldade do ser humano sempre me horroriza. Não foi fácil assistir esse espetáculo. O elenco está ótimo: Carlos Lira, Marcelino Dias e Roberto Brandão. Essa foto é de Elias Vilar. Vestígios foi contemplado pelo Prêmio Funarte Myriam Muniz 2012 e já viajou para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte. Em São Paulo terá apresentações até o domingo, ingressos bem razoáveis, R$ 20,00. Depois mais duas apresentações em Caruaru.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 10 de abril de 2012

Marlene Dietrich - As Pernas do Século

Assisti a peça Marlene Dietrich - As Pernas do Século no Teatro Nair Belo. Eu queria muito ver esse espetáculo desde que estreou no Rio de Janeiro, fiquei muito feliz que chegou em São Paulo. O 007 foi ver comigo e também adorou, ele gosta muito de peças sobre o cinema. O texto é de Aimar Labaki, a direção cênica de William Pereira e a Marlene Dietrich é interpretada brilhantemente pela Sylvia Bandeira. Gostamos demais! Adoro esse trio! Começa com imagens de filmes com a Marlene Dietrich.

Depois a Sylvia Bandeira interpreta a Marlene Dietrich aos 90 anos. Ela recebe um entregador e começa a contar a ele a sua história. Adorei também que um grupo canta canções com música ao vivo, no palco está um piano, clarinete e violoncelo com os músicos Jefferson Martins (cello) Fernando Oliveira (clarinete) e Roberto Bahal piano e produtor musical . Os outros atores que também cantam além da Sylvia Bandeira são: Silvio Ferrari, Marciah Luna Cabral e José Mauro Brant.  Eu conhecia muito pouco da Marlene Dietrich, sabia que ela era a frente do seu tempo, de personalidade forte e realizadora, mas não tinha ideia o quanto. Fiquei com a sensação que não realizei nada, tal a profundidade das ações e personalidade dessa atriz. Ela  nasceu na Alemanha em 1901, passou por duas guerras, na segunda se naturalizou americana. Foi com os americanos na guerra, cantava para as tropas, para ajudar os americanos a livrar os alemães de Hitler. Dos 50 aos 75 anos fazia shows pelo mundo todo, veio inclusive para o Rio de Janeiro e São Paulo, um dos seus últimos shows. Adorei os cenários e a praticidade das cenas que se transformam que também são do William Pereira. A iluminação é de Paulo Cesar Medeiros. O programa é muito bonito, em preto e branco, papel brilhante, se transforma em um belo cartaz com a foto da Sylvia Bandeira interpretando a atriz. Marlene Dietrich - As Pernas do Século é um belo espetáculo que fica em cartaz em São Paulo até 27 de maio.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Teatro de Aimar Labaki

Terminei de ler O Teatro de Aimar Labaki (2010) da Imprensa Oficial. No livro há 4 peças de teatro de Aimar Labaki. Além dos roteiros, o autor conta detalhes sobre algumas montagens com elencos e fotos de algumas produções. Gosto muito dessa Coleção Aplauso, essa é Teatro Brasil, que registra em livros os roteiros teatrais brasileiros. Resolvem aquela eterna dificuldade de conseguir textos, e isso em todo o Brasil ou mesmo fora do país. Foi muito bom ver fotos de montagens desses textos, ver os atores que os contracenaram como Renato Borghi, Claudia Lira, Guilhermina Guinle e Marcos Winter que estavam na segunda montagem do espetáculo Poda, essa no Rio de Janeiro, a primeira foi na Itália.

Aimar Labaki tem um texto contundente e visceral. O Anjo do Pavilhão 5 é baseado no texto Bárbara de Drauzio Varella. A montagem contou com o ator e diretor Ivam Cabral. Queria muito ter visto a montagem de Cordialmente Teus que teve a maravilhosa Débora Duboc no elenco e figurinos de Cyro Del Nero. Fico me perguntando onde estava que perdi esse espetáculo. Vestígios foi o de mais difícil leitura, foi uma leitura bem difícil.






e




Beijos,








Pedrita

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MSTesão

Assisti a peça MSTesão de Aimar Labaki no Sesc Consolação. Era em uma sala pequena no terceiro andar. Gostei muito! Texto instigante e complexo! Além da direção, Aimar Labaki assina a concepção e escreveu o texto. A peça aborda várias questões: exposição de imagem, culto ao corpo, desejo de ser celebridade, prostituição, opções sexuais, sem terra, miséria, preconceito. Bom, preconceito parece pautar a peça, cada qual com sua visão fechada e cega defende suas posições e levanta questionamentos sobre vários temas. Há também uma projeção de imagens que se mistura aos personagens.

Em um estúdio fotográfico um integrante do movimento dos sem terra vai tirar fotos nu. Ele precisa de dinheiro para o plantio, já que ganharam a terra e essa foi a forma que ele encontrou, já que o governo não enviou os créditos para o plantio como prometeu. A peça então aborda várias questões como o fato de ser mais fácil conseguir verba entrando no mundo das celebridades, mesmo que instantânea, do que através do trabalho e do agribusiness. Gostei demais do rapaz, a direção na interpretação dele também foi muito boa. Ele é um jovem ator interpretado por Murillo Carraro e alterna mostrando claramente a fragilidade de suas convicções juvenis. Inicialmente é um rapaz que tenta se mostrar corajoso e que assinou tirar foto nu, mas é contrário a esse tipo de trabalho. Quando seu pai chega ele se mostra um menino mimado e medroso. Quando uma mulher aparece, ele passa a defender o pai e por último mostra que deseja as fotos e que tem um narcisismo latente, muito bom!

Gosto muito do Augusto Pompeo que fez o fotógrafo. Eu jamais esqueço sua interpretação na peça Comédia dos Erros. Os outros dois do elenco são Mario Cesar Camargo e Luciana Domschke. Só me incomodei com a arma. Eu tenho uma dificuldade de lidar com violência em eventos culturais. Ficava o tempo todo pensando que era uma arma de brinquedo, mas em um espaço pequeno, volte e meia apontada para a platéia, achava que não ia conseguir ficar e ia acabar saindo. Por sorte resisti bravamente.
A peça já saiu de cartaz, mas como aqui volte e meia comentam sobre os altos custos dos ingressos em peças de teatro, essa custava apenas R$ 10,00.

Eu não lembro qual era a música do Chico Buarque que toca no início da peça, vou colocar essa para ilustrar musicalmente o post.


Música do post: Chico Buarque - Até o Fim




Beijos, Pedrita