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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Dia Nacional do Livro

A Liliane do Paulamar me enviou uma TAG para o Dia Nacional do Livro

1 Qual gênero você se mantém longe?

Eu leio menos comédias, não chego a ficar longe, só leio menos.

2 Qual livro tem vergonha de não ter lido?

Tem muitos, mas destaco Casa Grande & Senzala do Gilberto Freyre

3 Qual pior hábito enquanto leitor?

Meu pior hábito é não conseguir largar um livro. Mesmo que não esteja gostando eu vou até o final. Raramente larguei.

4 Qual livro foi mais desafiador?

Foi A Montanha Mágica de Thomas Mann que comecei a ler aos 17 anos e na época não tinha maturidade para a leitura, larguei e voltei várias vezes até entender, ler, amar e estar entre meus livros preferidos.

5 Qual autor tem a leitura mais envolvente?

São muitos, mas vou destacar Umberto Eco que amo e li vários de seus livros.

6 O que diferencia um bom livro de um livro inesquecível?

Acho que é muito pessoal, em geral os que falam com profundidade aos meus sentimentos e a minha história como Um Lugar Bem Longe Daqui da Delia Owens.

7 O que mais incomoda numa leitura?

Quando o livro toca em temas sensíveis como Ensaio sobre a Cegueira do Saramago que tive que parar várias vezes pra respirar e só depois retornar.

8 Você lê a sinopse antes de ler o livro?

Não leio quase nada, uma vez li a orelha do livro que contou o final, então evito detalhes.

9 Qual o livro mais caro de sua biblioteca?

Devo ter alguns livros muito raros por estar esgotado, mas não faço ideia de quais sejam.

10 Você compra livros usados?  

Eu comprava mais, mas o sebo aqui perto fechou e não passo mais em um sebo no centro. Como a Festa da USP uma vez por ano dá 50% nos livros, e tem Black Friday na Amazon, eu passei a comprar livros novos nos últimos anos. Compro nessas duas datas uma vez por ano o que vou ler no ano todo. De vez em quando ganho também livros usados de amigas que circulam livros.

Eu adoraria que amigos blogueiros participassem. Entendo se declinarem o convite. Sugiro Pandora e Geocrusoé.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Espiritualidade da Arte

Assisti a palestra A Espiritualidade da Arte com Jorge Coli no Café Filosófico da CPFL Cultura. Jorge Coli falou de arte, de manifestações artísticas, de Pop Art. Gostei muito do interesse dele em colocar exatamente a palavra, sempre preocupado em achar a palavra que expressasse exatamente o seu significado. Ele não concorda com o termo irracional, já que vem da racionalidade. Ele utiliza o não racional. Inicialmente foi lido um texto de Thomas Mann onde falava de música. E Jorge Coli falou do processo criativo, da subjetividade da crítica. Ele disse que é possível fazermos críticas daquilos que temos empatia, senão tudo fica muito complexo. Que quem tem experiência para avaliar uma arte consegue fazer paralelos, localizar que um determinado pintor bebeu na fonte de outro, seguiu pela escola de outro. Paralelos que a habilidade e o conhecimento permitem.

Obra O Vaso Azul de Paul Cézanne

Jorge Coli mencionou artistas como Paul Cézanne. Mencionou a importância da religião que tanto financiou artistas como Michelangelo e como esse financiamento gerou reflexões. Do Pop Art mencionou Roy Lichtenstein que fez obras de arte com pedaços de histórias em quadrinhos.



Beijos,

Pedrita

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Fausto de Goethe

Fui ao recital com composições do Fausto de Goethe na CPFL em Campinas. Essa apresentação está inserida na série O Mito do Fausto no Tempo e começou com a exibição de um trecho de uma série alemã baseada no livro Dr. Fausto de Thomas Mann que é maravilhoso. Passaram o trecho que o Fausto conta que vendeu a alma ao diabo para realizar o seu sonho de compositor.

Foi um recital maravilhoso, fiquei várias vezes emocionada, arrepiada. Não só pelos belíssimos poemas de Goethe (foto), como pela música e principalmente pela interpretação magnífica dos músicos que eram: Adélia Issa, soprano, Marcos Tadeu, tenor, Carlos Eduardo Marcos, baixo e Ricardo Ballestero (foto: crédito - João Pires), pianista. Magistral!
Adélia Issa (foto) interpretou sempre Margarida ou Gretchen, Marcos Tadeu, Fausto e Carlos Eduardo Marcos, Mefistófeles.

Fiquei muito surpresa de ver quantos compositores fizeram música para o Fausto de Goethe. No repertório do recital estavam os compositores: Beethoven, Schubert, Berlioz, Wagner, Wolf, Boito, Stravinsky e Gounod. Composições, estilos e idiomas diferentes. No palco projetavam os poemas de Goethe que eram interpretados. Achei ótimo porque podíamos acompanhar a dramaticidade de cada momento. Me surpreendi muito com a frieza do público, era um espetáculo de tirar o fôlego, maravilhoso, com interpretações incríveis, mas eles somente aplaudiam.

Não consegui localizar especificamente os poemas que foram interpretados, mas escolhi alguns para ilustrar o post.
Trechos do Fausto de Goethe em que Margarida está sozinha:
Sinto o coração pesado.
Dias de paz, onde estais?
Ai, descanso abençoado,
nunca, nunca, nunca mais!
Inda não quitei a vida,
e já ’stou na sepultura.
Quem nasceu tão sem ventura,
melhor não fora nascida.

Trago esvaído o juízo,
o coração como louco.
Sempre durastes bem pouco,
horas do meu paraíso.

Mefistófoles:

Agora toca a ver se desfazemoso encalhe da soleira.
Quem nos deradente de rato aqui!...
Pedi-lo e tê-lo, tudo foi um; já lhe oiço a roedura;
não tarda uma unha negra. Esconjuremo-lo!

«O Senhor dos ratos, murganhos e moscas,
«das rãs, percevejos e mais sevandijas,
«ordena que roas as figuras toscas,
«que ele unta de azeite nestas pedras rijas.

Beijos,

Pedrita

domingo, 5 de agosto de 2007

Alguns livros da minha vida

A Andrea me convocou a participar dessa deliciosa incumbência. Indicar cinco livros. Não é uma tarefa fácil, eu indicaria muitos outros, mas vou escolher alguns especiais para cumprir esse ótimo pedido. Estou curiosa porque sei que algumas amigas devem fazer a lista também em breve. Algumas que já fizeram, eu já anotei algumas indicações que me interessaram.



A Misteriosa Chama da Rainha Loana de Umberto Eco

Eu simplesmente amei esse livro. Já adorava esse autor, mas foi muito surpreendente as descobertas da obra. Fala muito da memória, do saber ou não sobre o nosso passado, é ambigüo, complexo e simplesmente magnífico.

Trecho: "Era como se acordasse de um longo sono, e no entanto estava ainda suspenso em um cinza leitoso. Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu ainda não via nada, exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se dissolvia."




Rumo ao Farol de Virgínia Woolf.

Li há muitos anos. Peguei emprestado de uma biblioteca, nem tinha saído o dessa coleção da Folha. Nem lembro de que biblioteca era, já que era sócia gratuitamente de várias e pegava em várias. Nessa época eu não tinha dinheiro para comprar livros, nem em sebos, e as bibliotecas foram minhas companheiras. Não cobravam nada e tinham ótimos acervos.

Amo essa escritora e dela essa obra foi a que mais me marcou. Uma viagem de uma família. Maravilhoso! Não sei em que agenda anotei trechos, vou pegar alguns na matéria sobre o livro no site da Folha.

Trecho: "Essas palavras trouxeram uma extraordinária alegria a seu filho, como se a excursão já estivesse definitivamente marcada. Após a escuridão de uma noite e a travessia de um dia, o desejo - por tantos anos aspirado - era agora tangível. "

Baú de Ossos de Pedro Nava

Foi minha irmã que me apresentou esse autor e me emprestou esse livro. Ela tem a continuação, mas ainda não li. Pedro Nava relata as origens de sua família. Começa com a chegada de seus familiares no Maranhão. Até que as gerações chegam ao seu nascimento em Minas Gerais. Toda a vivência rural e hábitos alimentares lembraram muito minha infância, apesar de minha origem não ser de Minas Gerais.

Trecho: "Cada açúcar no seu lugar, cada açúcar na sua hora. É por isto erro rudimentar querer classificar os açúcares em superiores, inferiores, de primeira, de Segunda. Esse é o critério de quem os vende e não de quem os degusta. Só se pode fazer melado, com rapadura. Só com ela se tempera café forte e autêntico. Só se pulveriza doce seco com o cristalizado. Só com o mulatinho se obtém o bom café-com-leite-de-açúcar-queimado. Para doce de coco, baba-de-moça e quindim - o refinado. Para o de mamão verde, idem. Idem, ainda, para a cocada branca seca ao sol e para a cocada em fita. Para as cocadas raladas de tabuleiro e de rua -açúcar preto. E assim por diante..."

A Montanha Mágica de Thomas Mann

Esse livro ficou muitos anos como um mistério para mim. Minha mãe comprou-o daquela coleção do Círculo do Livro, tinha que comprar um livro por mês ao menos e comporu pelo que ela leu na revista. Ela não tinha o hábito e ler e conhecer grandes clássicos. Eu comecei a tentar lê-lo aos 17 anos. Parei várias vezes, recomeçava e sempre parava pela página 30. Alguns anos depois é que descobri a maravilha que essa obra que é. Os debates entre o jesuíta, o ateu e o indeciso são umas das grandes preciosidades que já li na vida. Cada um defendia muito bem as suas crenças ou descrenças, que eu ficava confusa das convicções que tinha a cada momento. Maravilhoso!
Trecho: "Que era, então, a vida? Era calor, o calor produzido pela instabilidade preservadora da forma; era uma febre da matéria, que acompanhava o processo incessante decomposição e reconstituição de moléculas de albumina, insubsistentes pela complicação e pela engenhosidade."

Os Irmãos Karamazov de Fyodor Dostoyevsky

Foi uma decisão difícil porque gosto imensamente de outra obra desse autor, mas amei esse livro e não poderia deixar de mencioná-lo. Eu comprei de uma coleção que saía nas bancas há muitos anos, em dois volumes e foi uma descoberta fascinante. Não tenho trechos anotados, talvez em alguma agenda, como anotava no passado, mas não lembro o ano. Vou colocar um trecho que achei na internet.
Trecho: "É preciso notar, no entanto, que, se Deus existe, se criou verdadeiramente a terra, fê-la, como se sabe, segundo a geometria de Euclides, e não deu ao espírito humano senão a noção das três dimensões do espaço."

Bom, agora tenho que escolher cinco blogueiros para participar também e indicar bons livros. Espero que todos participem porque tenho uma curiosidade enorme de ver suas indicações e de conhecer novas obras. São eles:



Poemas, Poesias e Elegias



Beijos,
Pedrita