Assisti
Os Cavaleiros Brancos (2015) de
Joachin Lafosse no
TelecinePlay. Nunca tinha ouvido falar nesse filme. O nome eu tinha estranhado, achei preconceituoso. Aos poucos o filme vai se revelando e sim, o nome é pejorativo, para criticar aqueles brancos que se achavam verdadeiros cavaleiros em cavalos brancos, salvadores de negros em locais de risco. O filme é baseado no livro de
François-Xavier Pinte e
Geoffroy d´Ursel.
Além do nome o estranhamento continua. Uma ONG chega em uma região de conflito no continente africano. Diz que vai contratar alguns profissionais porque vão montar naquela região um local onde crianças órfãs até 5 anos vão ficar até os 18 anos, sendo cuidadas, tratadas, vacinadas, alimentadas e vão estudar. Eu pensei que seria até possível, mas achei estranho um local fixo com profissionais de ONG por tantos anos. Mas imaginei que os profissionais da ONG poderiam ficar por períodos, que iriam embora e viriam outros. Que até poderia ser viável.

Aos poucos vamos descobrindo os reais motivos desse grupo. Eles querem levar 300 crianças órfãs para adoção na Europa. Eles pagam aos líderes de tribos, dizem que é uma ajuda a tribo e não pelas crianças, mas o discurso é um e as ações são outras. Para muitos africanos, mentir que a criança é órfã é bom, afinal a ONG diz que vai montar na própria região uma espécie de orfanato, com alimentação, escola e cuidados médicos. Os pais poderão escondidos ver os filhos que vão estar fora da linha de fogo. Então a ONG logo descobre que algumas crianças que foram entregues como órfãs, não são órfãs. Mas eu imagino que muitas mães jamais entregariam seus filhos para sair do país para adoção. Ir para um orfanato perto, onde podem visitar, mesmo que não contando a verdade é bem diferente do que ter os filhos levados embora. O grupo tenta forçar ao líder que prove que as crianças são mesmo órfãs, com fotos. Um absurdo! Querem provas, interferem tanto na vida daqueles povos que já passam tanta violência, guerra, fome. Muita prepotência acharem que as crianças ficarão melhor com famílias estabelecidas na Europa. Certo, é fato que talvez a criança tenha um destino complexo nesse lugarejo se os conflitos continuarem. Podem ser mortas, podem morrer de fome, podem virar soldados e morrer a bala. Mas não é porque o destino dessas crianças possam ser ruins, que cavaleiros brancos podem de modo escuso decidir pelo destino delas, sequestrá-las. O filme é baseado em um fato real, uma falsa ONG foi presa em um aeroporto no continente africano tentando embarcar com 300 crianças. O filme também mostra o absurdo. Como é uma negociação, muito provavelmente os pais europeus pagaram pelas crianças, eles não querem saber de crianças mais velhas, com mais de 5 anos. É um negócio. Monstruoso. Como foi inspirado em fatos reais, eu fico pensando se essas 300 famílias que queriam filhos menores de 5 anos do continente africano, se hoje permitem que os imigrantes que vivem em acampamentos em condições sub humanas possam viver nas cidades.

O filme é muito bem construído. Uma é contratada para filmar tudo, quando ela começa a perceber o que realmente o grupo ia fazer e alguns vão embora, ela diz que não está envolvida, que ela não é parte do grupo, só está fazendo o que foi contratada, como se não fosse cúmplice ou responsável pelos sequestros. O líder do grupo é interpretado por Vincent Lindon. A intérprete por Bintou Rimtobaye. Alguns outros do elenco são: Louise Borgoin, Reda Kateb, Stéphane Bissou e Valérie Donzeli.
Beijos,
Pedrita