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sábado, 20 de agosto de 2022

Além da Ilusão

Assisti Além da Ilusão (2022) de Alessandra Poggi na TV Globo. Que novela! Fiquei muito feliz que o cineasta Jeferson De integrava a equipe de direção. Eu participo de um grupo de novela no Whatsapp e eram só elogios, bom, nem tanto, porque um dos prazeres do noveleiro é dar palpite e principalmente dizer como queria que tivesse sido, tanto que o bom de uma novela é ser uma obra aberta. Aguardo ansiosamente a nova novela dessa autora. 

Começa com a história de Elisa, será o début dela. A mãe precisa ir embora porque o pai (Lima Duarte) está doente. Elisa se apaixona pelo mágico de sua festa, seu pai, um juiz, fica possesso e passa a fazer um inferno da vida da filha. Até ir armado pagar o mágico pra largar a filha dele, encontrar ela lá, atirar e matá-la por engano porque ia acertar o mágico. Ele coloca então a culpa no mágico, manobra tudo pra sumir com as provas que inocentam o rapaz que vai preso. Todos estão ótimos Larissa Manoela, Rafael Vitti, Antonio Calloni e Sofia Budke.

É linda demais a cena de avô e filha na vida real, Paloma e Lima Duarte. Eles são pai e filha na trama. Ele revela que sabe onde está a filha dela, mas morre antes de conseguir contar. Que cena difícil e imagino que mais difícil ainda ela esbravejar sob o próprio avô. Ela teve a menina que ninguém queria, uma bebê arrancada de seus braços e nunca mais soube de seu paradeiro. Ela também não conta quem é o pai. Tramas e tanto pra engatar a novela.
Dez anos se passam e aumenta o destaque da vila operária. Os protagonistas criam a tecelagem, alguns que trabalhavam na fazenda migram pra fábrica. Eu amei que cada personagem tinha o seu momento de história. Uma mais bem construída que a outra. Onofre (Guilherme Silva) era um homem rude, amava a esposa e as filhas, mas apronta um bocado na trama. Felicidade (Carla Cristina Cardoso) sofre um bocado. Que personagens! Até a pequena Madalena (Vivi Sabino) ganha o seu destaque. por saber escrever muito bem, ela passa a ganhar trocados escrevendo cartas de amor pra Arminda e consegue comprar sua bicicleta.
Eu amo os atores Olívia Araújo e Luciano Quirino, que emoção que eu fiquei quando a novela juntou os dois. Ela trabalhava na casa grande, era braço direito do Davi. Augusta era a amiga que todo mundo queria ter. O casamento dos dois foi lindo, mas eu amava um vestido marrom dela com bordados na manga. Os figurinos eram maravilhosos, alguns eram de Paula Carneiro, a direção de arte impecável. Abílio era viúvo, pai do Bento (Matheus Dias), personagem que eu e as minhas amigas odiamos, não queríamos de jeito nenhum que ele ficasse com a Letícia (Larissa Nunes). Achei que ela também iria concorrer a rainha do rádio já que a atriz canta maravilhosamente, mas focaram nela ser professora e tentar vaga em um colégio que foi muito bonita a trama, com bons questionamentos.

Gaby Amarantos que foi a rainha do rádio. Emilía, a personagem, teve uma trama bem tortuosa. Ela era empregada do casarão, mas sonhava em no futuro ter uma casa daquela. Infelizmente ela se une a um patife (Marcos Veras) e passa a fazer golpes no casino. Na época casinos ainda eram permitidos. Achei muito bonito mostrar que ela pagou pelos seus erros, foi presa e depois foi cantar na rua. Por uma sorte do destino, principalmente de novela, ela volta a ser rainha do rádio e aí sim tem seu sonho realizado. Muito lindo!
O marido de Emília (Cláudio Gabriel) não se conformava com o sonho de riqueza da esposa. Ele acaba se apaixonando pela viúva Giovanna, dona da venda na vila. Adoro a Roberta Gualda em um lindo personagem. Mãe do Lorenzo (Guilherme Prates).

Eu amava o casal Heloísa e Leôncio (Eriberto Leão). E com ele e com o Mathias, falou-se muito da luta antimanicomial que eu sou devota e que acabou coincidindo com as discussões em voltar com os manicômios hediondos do passado. E o assunto foi discutido sem ser didático. Até Nise da Silveira aparece na trama. Chamaram a Glória Pires que viveu a personagem no cinema, foi emocionante. A autora foi muito corajosa em abordar temas tão complexos na novela. Achamos muito coerente o desfecho do Mathias. Quantas pessoas que perdem a sanidade e vão viver com seus objetos nas ruas

Foram tantas tramas que vou acabar sendo injusta com alguns personagens. Amava a família do Xuxu, quer dizer, do Constantino (Paulo Betti). Ele dono de casino, casada com uma viciada em jogos (Alexandra Richter), uma combinação que não dá certo. O amor deles era contagiante. Como gosto da Caroline Dallarosa e que personagem encantador, outra que queria como amiga. Arlette Salles era a matriarca da família e aparecia de vez em quando. Viúva, ela vivia intensamente e nunca desistia do amor. Juntam-se a esse núcleo a divertida e alucinada Mariana (Carol Romano) e o crupier Geraldo (Marcello Escorel).
Malu Galli tinha uma linda e forte personagem. Leal ao marido que enlouqueceu, ela sofre muito por se apaixonar por seu sócio Eugênio (Marcello Novaes). A novela fala muito da época onde mulheres só podiam trabalhar com permissão do marido, relações trabalhistas da época, mulheres não poderem votar.
Gostei muito que a autora investiu em cultura na novela. Começou e terminou com shows de ilusionismo. Teve show de vedetes com as ótimas Marisa Orth e Duda Brack. Inclusive no final encenaram Vestido de Noiva, mas só vimos os aplausos. Teve uma outra peça, Amor por Anexins de Artur de Azevedo. Sempre nas festas da vila tinha grupo de músicos, alguns entre os próprios do elenco como o Claudio Jaborandy, e canto. Criaram um cinema na vila operária que estreou com o Mágico de Oz. Teve a rádio, a Novela de Rádio. Momento tão fundamental em falarmos de cultura.
"Comigo não tem lorota". Que personagem maravilhoso da Mariah da Penha. Amei que a Manuela virou celebridade. Cozinheira de mão cheia passa a ter programa na rádio e ter uma legião de fãs. Li que a autora estudou as expressões da época, tem até matéria no Gshow sobre isso, usaram quiprocó, sabão, gabiru, pombas, gastar os tubos, papagaio e muitas outras.


Como eu torci pela Olívia e pelo Tenório. Débora Ozório e Jayme Matarazzo estavam ótimos. Ele padre e ela se apaixona, foi muito linda a história deles. Ele inclusive funda um jornal na vila e passa a falar de política, mesmo com a censura e opressão de Getúlio.

Foi lindo o amor de Leopoldo (Michel Bois) e Plínio (Nikolas Antunes). Um filho de um rico empresário conservador (Shimon Namias) e o outro o galã de novelas de rádio. O público ficou indignado com o corte do beijo gay que acabou acontecendo no final da novela. Os atores emocionaram! Foi muito bom ver uma diversidade de atores no elenco, nem sempre tão conhecidos do público, abrindo espaço para outros talentos, alguns outros são Patricia Pinho, Ricky Tavares, Luciana de Rezende, Jorge Lucas, Alex Brasil, Thayla Luz, Patrick Sampaio, Fabrício Belsoff, Nicolas Parente, Andrea Dantas, Maria Luiza Galhano, Pia Manfroni, Pablo Moraes, Clara Duarte e Maria Manoela.
Bárbara Paz e Danilo Mesquita estavam excelentes como os vilões. Achei cansativas as idas e vindas das armações, que encolheram outras tramas como a competição da rainha do rádio, a peça Vestido de Noiva, mas eles estavam ótimos e a complexidade dos seus personagens eram muito interessante.

Luciano Quirino escreveu um lindo texto no instagram dele que foi reproduzir aqui e finalizar essa postagem:
"Álbum de Família - Família aumentou
Hoje vai ao ar o ultimo capítulo de Além da Ilusão , uma História que alegrou e emocionou Milhões de Brasileiros. Fomos lindamente representados por personagens que fazem parte da história e da cultura desse país. Foi uma responsabilidade e um presente . Término esse trabalho feliz com a sensação de missão dada é missão cumprida. Muito grato a toda equipe produção, elenco , direção e técnicos, levo um pouquinho de cada um de vocês comigo. Foi SENSACIONAL estar com vocês nessa jornada . Até a próxima ❤️😉🙌🏾🍀🌻💥💔
E em nome da Família Nogueira
MUITO OBRIGADO ☺️😉"









Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Era Uma Vez

Assisti a novela Era Uma Vez (1998)  de Walther Negrão no Canal Viva. Eu tinha visto um pouco dessa novela em alguma reprise, quis ver. Sempre amei a família do sítio. Quatro crianças (Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Alessandra Aguiar e Pedro Agum), um pai (Herson Capri) e um avô (Elias Gleiser). Na época que passou eu mal ficava em casa, trabalhava direto, sem folga.

Madalena (Drica Moraes) vai se esconder em uma cidadezinha "no meio do nada" pra fugir de um marido violento (Tuca Andrada). Se emprega de governanta dos pestinhas. Ela e o pai das crianças se apaixonam. Sim, é uma novela antiga, quando ainda achavam que não precisavam ser muito realistas, e sim, muito texto é machista, mas Elizabeth Jinh é uma colaboradora e já é possível ver excelentes diálogos atuais sobre a condição de mulheres e relacionamentos. Ainda era a época que as novelas não precisavam ter negros em suas tramas, então a novela ignora que a maior parte da população brasileira é de negros.
Acho que os casalzinhos mais esquisitos eram os mais jovens da trama. O playboy filé (Cláudio Henrich) vivia com uma turma em esportes radicais, depois que o pai (Jorge Dória) arruína financeiramente a vida da família, ele toma juízo. Mas é tudo muito fake, é bem história de rico que fica pobre, mas não é bem assim. Hipotecada a fazenda, conseguem de volta com uma chantagem frouxa e continuam ricos. Os duas pretendentes tem 18 anos mas ainda estão no colégio. Emília (Débora Secco) é muito estudiosa, mas deve ter repetido de ano várias vezes pra ainda não estar na faculdade. Até dá pra entender a pressa de Filé pra casar com Babi (Nívea Stelmann) que queria intimidade só casando, mas casar aos 18 anos, os dois sem trabalho, é bem surreal. Ele acaba se decidindo por Emília, em vez de só namorar e os dois estudarem, casam rapidinho também. E o celeiro? Ok, ele com raiva do pai vai morar no celeiro. "Não quero nada do meu pai". Bom, mas o celeiro estava nas terras do pai e o celeiro era do pai. Filé não entende porque Babi não quer morar com ele no celeiro, mas como é uma novela da ilha da fantasia, não tem banheiro. Oi? Viver de modo simples é uma coisa, mas sem banheiro?
Gostei que a Heloísa (Suzy Rêgo) ficou com o Xistos (Cláudio Marzo). Ela é detetive e aparece na trama praticamente como uma vilã. A novela resolve ser boazinha com os maus da trama. Heloísa se redime do mal que fez, ela passa a novela com comportamentos anti éticos, mas se redime ajudando Álvaro a encontrar Madalena. Os vilões também são chamados de loucos e internados em um hospício de luxo. Em novela hospício sempre é um bom lugar pra loucos, inclusive os pra ricos. Letícia (Sura Bertichevsky) não tem a mesma redenção. Depois de cometer um crime gravíssimo, abandona o filho em um orfanato, a pobre sofre o pão que o diabo amassou na novela, não arrumam um companheiro pra ela, nem uma carreira melhor. Até o filho (André Gonçalves) esquece dela depois que ela vai embora e some da trama. Até Waldir foi perdoado melhor que a pobre da Letícia. Waldir, depois de todas as maldades que fez a família do Xistos, volta ao seu emprego.
A família que eu mais amava era a do Catulo (Emiliano Queiroz) e da Quitéria (Stella Freitas). Ele era o sábio da novela, ponderado, aconselhava todos. O Xistos o tinha como confidente. Quitéria era a adivinha da trama, ela percebia tudo, como amo esses atores. Eles adotaram um filho, a história do filho deles também é bonita.

Ele se apaixona por uma mulher mais velha (Myrian Rios) com um filho adolescente (Eduardo Caldas). Lindo como os pais defendem o namoro do filho. Mas é novela antiga como eu disse, o pobre do adolescente só trabalha, estuda também, mas após os estudos tem que trabalhar, exaustivamente. Relações trabalhistas em novelas antigas são sempre esquisitas pra dizer o mínimo. O Pepe tinha o melhor arroz da região. Mas na hora da colheita explorava a cidade inteira na colheita em troca de uma macarronada. Ganhava a vida às custas de trabalho escravo. Não tinha um funcionário no "sítio". 
Mas achei importante abordar o abuso do ricaço sobre o seu funcionário. Rudy comprava cavalos, ok, sabia escolher bons cavalos, mas também ganhava as corridas porque tinha um bom jóquei. Apesar dele ganhar muito dinheiro com as apostas e enriquecer, era incapaz de remunerar melhor o seu funcionário, ou partilhar os lucros com ele. Tinham muitos personagens que eu gostava. 

A doce Cema (Maria Carol Rebello), uma irmã que todo mundo queria ter. Frei Chicão (Diogo Vilela) e Dona Santa (Nair Belo) tinham momentos lindos. Belíssimo o diálogo do frei falando pra irmã que ela fazia vista grossa as irresponsabilidades do filho (Marcos Frota). E ainda Luciano Vianna, Rejane Goulart e Tereza Rachel.

Em 1998 já tinha a mania de na última semana ter um sequestro, achando que o público gosta. Ainda era a época que as novelas não tomavam certos cuidados com produtos para crianças. Pela família do sítio, muita criança amava e acompanhava a novela, mas a trama fica pesadíssima no final. Teve tentativa de estupro, mostrou assassinatos, tentaram matar o Maneco, ele só sobreviveu porque a bala não o matou, mas foi espancado na televisão e atiraram nele, sequestros, mais de um. Eu insisti porque queria ver o final, mas a novela fica muito ruim e chata nessa fase. Teve uma crítica muito grande com o surgimento da classificação indicativa, sim, pode ter alguns moralismos, exageros, mas é muito bom que as novelas para crianças sejam mais cuidadosos com violências.

Beijos,
Pedrita

domingo, 10 de junho de 2018

Polícia Federal: A Lei é Para Todos

Assisti Polícia Federal: A Lei é Para Todos (2017) de Marcelo Antunez no TelecinePlay. Eu estava meio reticente em ver esse filme, até que minha amiga comentou que a Operação Lava Jato começou na verdade com a prisão de um caminhoneiro que traficava drogas dentro de palmitos, que estava envolvido em um posto de gasolina e consequentemente envolvido com doleiros.

Prendendo o doleiro chegaram na Petrobras e só aí é que chegaram na política. Tinham deputados envolvidos com a Petrobras. Tentaram tirar o caso da Polícia Federal e levar a investigação para Brasília, pelo foro privilegiado, como tinha traficante no meio, conseguiram que não fosse e não aconteceu o mesmo que ocorreu com as inúmeras investigações anteriores, Mensalão e tantas outras mencionadas no início do filme. Indo para Brasília, nada aconteceria como sempre acontece, ninguém seria preso e sempre diriam que faltavam provas, como aconteceu com a investigação do Collor na época que foi Presidente. E isso que faz a Operação Lava Jato ser diferente das outras, ela teve continuidade.
E Lula só foi preso porque não tinha foro privilegiado porque não estava em nenhum cargo político. Lula não tinha nada no nome dele, nenhum telefone, carro, imóveis, nada, isso é no mínimo estranho. A pessoa tinha que ligar para um motorista para ele passar ao Lula. O Brasil precisa acabar definitivamente com o foro privilegiado. Vários países só mantém foro privilegiado para Presidente e algum outro cargo, mas todos os outros respondem igualmente como a população pelos seus crimes. No Brasil há um ranço de achar que políticos são seres superiores. Sim, políticos muito votados, médicos muito competentes, pesquisadores que descobrem vacina, professores dedicados são especiais e merecem respeito, mas nenhum deles está acima das leis. Os políticos só são nossos representantes, são iguais a todos nós. Não estão acima da lei até mesmo os policiais, investigadores e juízes. Todos precisam ser acompanhados e questionados.
 O elenco todo é muito bom: Antonio Calloni, Flávia Alessandra, João Baldasserini, Bruce Gomlevsky, Rainer Cadete, Marcelo Serrado, Roberto Birindelli, Roney Fachini, Leonardo Franco, Juliana Schalch, Leonardo Medeiros, Ary Fontoura, Sandra Corveloni, Genézio de Barros e Tadeu Aguiar

Beijos,
Pedrita

sábado, 24 de setembro de 2016

Justiça

Assisti a série Justiça (2016) de Manuela Dias na TV Globo. Direção geral e artística José Luiz Villamarin.  Apesar de algumas incoerências, foi incrível. Começa com quatro prisões, depois a cada dia da semana uma história é contada. Muito interessante como as tramas se cruzam ou se confundem. Em uma entrevista a autora disse que precisamos debater o tema. E Justiça mostra vários lados, várias soluções, para debate. Eu reparava que cada um percebia uma questão, ou perdoava e entendia outra, e era categórico em outrs, mas surgia alguém com uma visão diferente. Ambientada em Recife, a série tinha um tratamento mais realista. Lugares mais escuros, não tão belos, sujos, mas não sujeira inventada, mais natural. Adorei que cada dia tinha uma abertura nova, um prédio pardieiro, um pescador com uma rede, uma criança em um parquinho, corredor em um hospital. Tudo esteticamente realista.

A segunda é de Vicente. Um playboy ciumento que namora a filha de Elisa, interpretada pela linda Mariana Ruy Barbosa, ele por Jesuíta Barbosa e Elisa por Deborah Bloch. Logo no início já vemos o perfil dele que chega em um iate de jekski quase provocando um acidente. Elisa fala ao pai do moço a irresponsabilidade do rapaz e o pai diz que a juventude é assim. Como se ser jovem é cometer crimes. O pai é interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos. E Vicente comete um crime, pega a namorada na casa da mãe com um ex no chuveiro e a mata. Em uma licença poética, todos os 4 saem da prisão no mesmo dia. Vicente será morto a tiros por Elisa. Mas na hora que ela vai atirar, ela vê a filha dele pequena e recua.Nesse núcleo ainda estão Camila Márdila, Pedro Nercessian, Cássio Gabus Mendes, Pedro Lamin, Priscila Steinman e Giovana Echeverria.
Na terça era a história de Fátima. Ela é a diarista da Elisa. Na segunda já vimos a Elisa negando a Fátima de ir buscar os filhos por um motivo fútil. Tinha um pintor no apartamento, mas tanto a Elisa, bem como a filha dela podiam cuidar já que estavam em casa. Elisa esquece de Fátima depois também quando desmonta o quarto da filha e manda para doação os objetos. Elisa inclusive ficou devendo a Fátima, mas nunca se deu ao trabalho de encontrá-la para pagar. Fátima sempre viveu em um ambiente violento, o marido era estourado, foi o marido que intensificou a velocidade e a raiva do Antenor para atropelar a dançarina. Ele foi esfaqueado em uma briga em um bar, era briguento, queria brigar com o vizinho. O cachorro do vizinho faz vários estragos, mas quando machuca o filho pequeno de Fátima, ela mata o cachorro. A autora se inspirou em uma história que leu no jornal de um homem que mata o cachorro do vizinho. O vizinho era policial, arma um flagrante para a polícia achar droga no quintal de Fátima e ela é presa. Fátima é uma linda personagem, há um texto dela que resume bem seu perfil. Que cada um escolhe o destino que quer. A filha desejou ser prostituta para vingar a vizinha. Mas Fátima resolve reconstruir sua vida com honestidade. Ela tem muita raiva do vizinho, mas aos poucos vai passando e eles se tornam amigos. Adriana Esteves está majestosa. E incríveis todos desse núcleo: Enrique Diaz, Leandra Leal, Tobias Carriere, Julia Dalavia irreconhecível e Júlio Andrade. O marido de Fátima é interpretado pelo Angelo Antonio. Há algumas incoerências nessa trama, a maior é o fato de Fátima não saber o que aconteceu com os filhos quando sai da prisão 7 anos depois. Hoje consegue-se saber o que quer na prisão. Mas de qualquer forma, os filhos não iriam visitá-la, porque sendo menores, iriam para algum orfanato. Inclusive demais os atores que fazem os filhos da Fátima crianças: Letícia Braga e  Bernardo Berruezo.

A trama que menos nos identificamos foi a de quinta, interpretada brilhantemente por Luisa Arraes. A amiga Rose por Jéssica Ellen que é presa. No dia que faria 18 anos, a mui amiga Débora marca um luau na praia. As duas compras várias balinhas de droga com Celso. Só a negra é revistada e presa por 7 anos. Rose não sabia fugir do perigo, sai e volta a se relacionar com Celso. Quando as duas se encontram, Débora tinha sido estuprada e é essa trama que ganha força, não a da amiga que sai da prisão. Débora é casada com  um egoísta, interpretado por Igor Angelkorte. Ele não quer perder o conforto da relação, quer colocar o estupro da esposa embaixo do tapete. A mãe da Débora é jornalista e deseja o mesmo. A mãe é uma covarde, fica aliciando os amigos de Débora, para que eles convençam a filha do contrário, mas nunca senta e conversa claramente o que pensa com a filha. É a amiga Rose que entende que essa história tem que ter justiça. Mas Débora confunde o tempo todo justiça e vingança. O público achou estranho Débora colocar um desconhecido para dormir em sua casa, mesmo sabendo que no mínimo ele era ladrão. Mas eu achei coerente. Pessoas sem proteção cometem muitos desatinos. E sim, corre riscos. E pelo jeito era familiar, porque a mãe que tanto condenou a filha não pensou duas vezes em levar a esposa de um político corrupto para dar entrevista no apartamento da filha. A mãe foi interpretada por Fernanda Vianna. Vladimir Brichta está incrível como Celso. Ele aparece em todas as tramas, na maioria das vezes fazendo mal as pessoas, até mesmo quando quer ajudar. Diferente das minhas amigas, achei coerente Débora ir pedir carona, se expondo ao risco mais uma vez, e pegando carona com o personagem do Cauã Reymond, um mal caráter e explorador de mulheres.

A última trama foi do Cauã Reymond. O Maurício era um contador casado com uma dançarina, interpretado pela Marjorie Estiano. Ela é atropelada, vai ficar tetraplégica e pede que ele faça eutanásia nela. Ele faz e fica 7 anos preso. Entendo que ela poderia viver como tetraplégica, mas a trama, proposital ou não, mostrou a fragilidade da saúde brasileira. O médico dá o diagnóstico para o marido, mas nenhum psicólogo vai ajudá-los a lidar com o trauma. Quem a atropela é o personagem do Antônio Calloni, o Antenor, casado com a Vânia, personagem da Drica Moraes, uma alcoólatra. Na prisão, com a ajuda do Celso, Maurício é contador de bandidos e fica rico. Abre uma sauna administrada por Kellen e Celso. Maurício passou a ser um explorador de mulheres. Não se incomoda de aumentar o seu patrimônio explorando mulheres e meninas na prostituição. E não tem escrúpulos em usar a mulher do Antenor para atingi-lo. Maurício é o responsável da morte da Vânia. Ele mesmo diz a Vânia que ela precisa procurar proteção, mas não se preocupa em ajudá-la. Não é a toa que a Débora pega carona com um homem que explorava mulheres. A trilha sonora era incrível. Gostei muito de várias tramas aparecerem no final no cemitério. Inclusive várias tramas ficaram em aberto, podendo ter uma continuação ou mesmo uma aparição de fundo em uma segunda temporada.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Vida Como Ela É...

Assisti em DVD A Vida Como Ela É (1996) baseado nos contos de Nelson Rodrigues, dirigida por Daniel Filho. São 40 episódios com os contos que eram escritos diariamente para um jornal em 1950. Nos extras entrevistas sobre a confecção da série onde o Daniel Filho disse que escolheu fazer com um grupo pequeno de atores, como uma companhia de teatro. Eles fariam vários personagens e teriam atores convidados. A narração é do José Wilker.

Os atores são excelentes: Malu Mader, Claudia Abreu, Isabela Garcia, Giulia Gam, Maitê Proença e Débora Bloch, Cássio Gabus Mendes, Leon Góes, Antonio Calloni, Marcos Palmeira, José Mayer, Tony Ramos e Guilherme Fontes. Os atores convidados são: Tarcísio Meira, Georgina Góes, Nívea Maria, Laura Cardoso, Mauro Mendonça, Gabriela Duarte, Jece Valadão, Nelson Xavier, Caio Junqueira, Maria Mariana, Yoná Magalhães, Tonico Pereira, Mônica Torres e Eduardo Moscovis.

Eu adoro os textos do Nelson Rodrigues. Acho incrível que alguém que é na vida pessoal tão preconceituoso, conseguisse ver com um olhar tão clínico a classe média, suas neuroses e taras. Eu tinha visto alguns episódios na época e amado, e foi incrível rever e me surpreender novamente com o desfecho. São tramas curtas, mas tão bem elaboradas. Daniel Filho disse que escolheram pela primeira vez utilizar a película de cinema e a direção de fotografia queria remeter a série na iluminação dos filmes noir. Então as cenas eram gravadas por ambientes. Se iam usar uma praça, faziam tudo o que era pra ser na praça, então os atores precisavam fazer vários personagens de vários contos naquele período. A máquina de escrever que aparece no início dando o nome ao conto era a do próprio Nelson Rodrigues. No final do segundo DVD há uma entrevista com o Nelson Rodrigues.
Tudo é impecável, figurinos, cabelos, cenários. É inspirado na década de 50, mas não é rígido. Estão lá as invejosas, que fazem de tudo para envenenar quem está feliz, as traidoras, os vingativos. Os suicídios são outras pérolas. A pessoa quer causar, vingar e se mata, como se ela pudesse desfrutar depois as consequências dos seus atos. São as relações nos limites.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 11 de junho de 2013

Faroeste Caboclo

Assisti no cinema Faroete Caboclo (2013) de René Sampaio. Eu queria muito ver esse filme, acompanhei as matérias desde o começo. No início era o Canal Brasil que falava da confecção do filme, depois foram matérias na GloboNews e por último na TV Globo. Eu adoro o casal protagonista, Fabrício Boliveira e Isis Valverde.

Faroeste Caboclo é um filme incrível. Foi excelente a adaptação que fizeram da letra da música de Renato Russo. Li que a mãe do Renato Russo queria um caboclo no papel, e pelo nome da música é compreensível, mas ela depois ficou encantada com o trabalho do Fabrício Boliveira, esse ator é incrível realmente e como é bonito. Isis Valverde também está incrível. As cenas são ágeis, edição inteligente, figurinos e constituição de época, ambientada na década de 79,  incrível.

Um elenco excelente vai aparecendo. Antonio Calloni arrasa em um personagem indigesto, um policial que mais trabalha para quem o paga do que para a polícia. Marcos Paulo faz um senador, pai da protagonista. Gosto muito do ator que faz o pai do protagonista, Flávio Bauraqui. Felipe Abib está excelente como o jovem ricaço e traficante da cidade. César Trancoso faz o primo do protagonista. Está também excelente Rodrigo Pandolfo como o usuário de drogas. A amiga da protagonista é interpretada pela ótima Juliana Lohmann. A namorada do primo por Cinara Leal.

Eu não sei como Faroeste Caboclo repercute no exterior, mas no Brasil o tema é muito atual. Poder, drogas, polícia corrupta, senador inatingível. A letra da música já era impactante, o filme continua impactando e atual. Gostei muito!

Beijos,
Pedrita