Assisti
Spotlight (2015) de
Tom McCarthy no
HBO On Demand. Eu queria muito ver esse filme quando esteve nos cinemas. Une dois temas do meu interesse, jornalismo investigativo e religião. Mas infelizmente não consegui ver. Fiquei impactada demais, me chocou muito mais. Mesmo eu sabendo da hipocrisia da igreja católica, não sabia a profundidade do tema.
Spotlight é baseado em uma história real.
Spotlight é uma equipe investigativa de um jornal de Boston. Muda o chefe do jornal, ele pergunta pela Spotlight e é informado que essa equipe fica livremente fazendo pesquisa de temas que podem chegar às vezes há um ano de investigação. O chefe quer então que a equipe investigue uma coluna e uma matéria recentes sobre os crimes de pedofilia de padres.
Eles começam a investigar e descobrem que o problema é muito maior do que imaginavam. Um psiquiatra que estuda o tema diz a eles que o problema todo está no celibato. Que 43% dos padres transam e 6% são pedófilos. Eles fazem as contas, 6% daria 90 padres pedófilos em Boston, só em Boston. Eles vão checar essa informação e descobrem nos próprios livros de registros de padres, 87 pedófilos, já que os padres escrevem licença médica e outros códigos. É muito abuso. Já é um horror imaginar que em Boston 87 crianças foram abusadas, mas entender que 87 padres abusaram de várias crianças, é assustador demais.

Antes de saberem desses números assustadores, eles descobrem que os padres só eram transferidos quando os crimes ocorrem. Que os crimes nunca chegaram a justiça. A igreja procura a família, às vezes até na polícia, oferece um acordo, silencia os abusados e afasta o padre. Muitas vezes só muda o padre de cidade, que vai cometar abusos em outra cidade. Em alguns casos dão tratamento em clínicas próprias por um pequeno período e novamente o padre segue para outra paróquia e consequentemente para novos abusos. Nunca esses casos iam a justiça.

Eu já sabia que os padres escolhem crianças de famílias pobres que são ajudadas pela igreja. Como as famílias dependem do auxiliam, aceitam se silenciar. É muito perverso. Enquanto investigam, o chefe do jornal diz que não podem fazer uma matéria acusando os padres, mas sim a instituição. Que precisam demorar mais, porque a matéria só terá efeito se atacar a conivência da igreja. Que não são só umas laranjas podres como a igreja alega. A igreja sempre alegou que é um ou outro caso isolado. Mas a matéria mostra que é uma estrutura toda de abuso e conivência. Eles demoram um pouco mais nas investigações e foi muito acertada essa decisão, porque ela saiu de Boston e invadiu o mundo. 87 pedófilos só em Boston não é um caso isolado.

O filme também mostra o silêncio da imprensa. O jornal de Boston já tinha sido procurado por um grupo que protege as vítimas e por advogados, mas não achou a pauta relevante. O filme mostra o quanto cada um de nós é responsável pelo silêncio e conivência com esses horrores. Essa matéria fez com que as vítimas tivessem coragem de falar. Os telefones do jornal não param de tocar. A repercussão ganha o mundo e no final aparecem os países e cidades que tiveram denúncias de pedofilia. O Brasil aparece algumas vezes. Acho que deve ser um número muito maior.

O elenco todo é muito grande: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slaterry, Brian D´Arcy James, Stanley Tucci, Elena Wohl, Gene Amoroso, Doug Murray, Jamey Sheridan, Robert B. Kennedy e Billy Cudrup. A extensa matéria ganhou o mundo, mas o filme vem consolidar as denúncias. A visibilidade do filme ajuda na coibição da perpetuação das violências e do silêncio. Spotlight ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor no Festival de Veneza e inúmeros outros prêmios.
Beijos,
Pedrita