Terminei de ler
O Alegre Canto da Perdiz (2008) de Paulina Chiziane da Dublinense. Eu queria muito ler esse livro pelas críticas que vinha recebendo. A autora moçambicana ganhou Prêmio Camões. Que escritora! Daqueles livros que queremos que todos leiam! Foi o primeiro que peguei pra ler da última compra na Feira do Livro da USP. O marcador de livros é um detalhe da obra Le Matin Clair Aux Saules de Monet.
O quadrinho de ponto cruz foi bordado por uma amiga.
Obra A Imperatriz III (2018) de Maimuna Adam
O livro é ambientado em Moçambique, no período colonial, quando há homens escravizados. Começa falando de Maria das Dores, mas conta a história das mulheres da família dela, alternando no tempo. Eu fiquei tão impactada, não parava de anotar trechos. Chiziane tem um texto poético e narrativas secas, da vida dura, de quem não teve a chance de escolha e para poder escolher, acaba destroçando tragicamente quem amam.
Obra Lembrança Fugaz de Carmen Maria Muianga
A mãe de Maria das Dores, Delfina, era de uma beleza estonteante, então sua mãe prepara a filha para ser prostituta. Com isso todos podem ter uma vida melhor, mais dinheiro e dar conforto aos pais. Mas ela se apaixona por um negro. É uma vida toda conturbada, de amor, dor. Sobre a tragédia que colônias promovem em seus viventes, tirando a paz e a vida digna. Confundindo a lógica, levando negros a atitudes insanas pra melhorar de vida, porque como Delfina diz, dignidade só aos brancos que tudo tem.
O livro é tão forte, me revirou tanto por dentro que eu não parava de anotar trechos. Vou trazer alguns poucos aqui, o bom mesmo é ler a obra toda.
Trechos de O Alegre Canto da Perdiz de Paulina Chiziane:
“As pessoas gostam muito de
identidades. Chegam a exigir uma certidão de nascimento para uma pessoa
presente. Haverá melhor testemunha do que a presença para confirmar que nasceu”?
“Lembra-se de tudo, da terra
e do mundo. Onde a cultura dita normas entre homens e mulheres. Onde o dinheiro
vale mais que a vida. Onde o mulato vale mais que o negro e o branco vale mais
que todos eles. Onde a cor e o sexo determinam o estatuto de um ser humano.
Onde o amor é uma abstração poética e a vida se tece com malhas de ódio”.

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Beijos,
Pedrita