Assisti a série
I May Destroy You (2020) de
Michaela Coel na
HBO Go.
Micaela foi a primeira negra a ganhar
Emmy de Melhor Roteiro e no discurso de premiação pediu por mais séries desconfortáveis. E é isso, essa série é desconfortável. E urgente, já que fala sobre traumas diferente dos estereótipos, de modo realista.
A protagonista é uma escritora de sucesso. Ela acaba de voltar da Itália onde estava com o namorado (Marouane Zotti) e vai comemorar com os amigos em um bar. Ela acorda no dia seguinte sem lembrar o que aconteceu. Em flashes, vai lembrando que foi dopada e estuprada. Ela tem pouca lembrança. Então começa o tratamento com polociais especializados em estupro e mulheres, psicólogos, grupos de ajuda. O roteiro é inspirado na própria Micaela que sofreu abuso.

Importante mostrar várias formas dos traumas agirem nas pessoas. Bella passa por vários momentos. Logo, e muito compreensível, passa a ter bloqueio criativo e claro que seus empresários e editores não entendem e a pressionam. Em um determinado momento ela acha que precisa expor o que passou, e de modo agressivo e compulsivo, passa a postar e falar com pessoas que passaram traumas semelhantes. Imagino o quando os editores devem tê-la julgado, já que ela vivia em bares, festas, mas nós, os amigos e a psicóloga, percebemos que ela não está bem que ela continua mal. Que esse comportamento é do trauma, que ela não está se divertindo e feliz, que ela continua sofrendo.

Ela julga e maltrata inclusive o seu amigo (Paapa Essiedu) que também sofre violência sexual. Ela duvida da dor dele. Ele também não tem um comportamento que a sociedade espera de um sofredor, ele compulsivamente passa a sair com vários homens que mal conversa por aplicativos ou lugares que passa. Outras amigas são interpretadas por Weruche Opia e Harriet Webb.
O fim é muito inteligente. Começamos a achar que tudo se esclareceu, mas aí percebemos que a roteirista deu várias possibilidades e que talvez nenhuma possa ter acontecido. Pode ser que Bella nunca descobriu quem a dopou. Lindo quando ela se despede do seu trauma, me emocionei. Ela consegue publicar o livro que fala da sua experiência, mas no modo independente, porque quem ganhou muito dinheiro com o primeiro livro dela, virou às costas quando ela precisou de ajuda e acolhimento. Que série profunda!
Tem merecido todos os elogios e os inúmeros prêmios que vem recebendo.
Beijos,
Pedrita