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terça-feira, 31 de março de 2026

O.T.H.E.R.

Assisto O.T.H.E.R. (2025) de David Moreau no TelecinePlay. Eu consegui! Foi o primeiro que comecei a ver quando abriu o sinal dessa vez, mas como os outros eu queria muito ver, deixei esse por último. Ontem foi o último dia do sinal aberto. Nossa! Que filme inacreditável!!! Assistam! Pode ser fantasminha? Pode! Pode ser algo sobrenatural? Pode! Um ET? Pode! Enfim, pode ser qualquer coisa. Então, assistam! 

Acompanhamos a protagonista. Olga Kurylenko está maravilhosa! Ela recebe uma ligação, vai para uma belíssima mansão, a que vimos no começo do filme, onde uma mulher teve o rosto desfigurado. E descobrimos que é a mãe da jovem. O companheiro dela diz que nem sabia que ela tinha mãe viva. Ela conta que nunca mais se falaram. A mansão é belíssima por fora, mas é um pavor por dentro. Sofás recobertos de plástico grosso, uma manequim com uma roupa e faixa de miss na sala. Ela coloca as roupas pra lavar na máquina, mas quando vai estender estão rasgadas. Tem que se virar com as roupas de adolescente. Ficamos sabendo que ela foi embora muito jovem e nunca mais falou com a mãe.
A casa é um verdadeiro museu. Inúmeras fitas de VHS com a mãe filmando a filha e massacrando-a pra ficar magra, bonita. Tudo é catalogado, as comidas, tudo é controlado. E mais assustador é que a casa tem inúmeras câmeras e sistemas de segurança. E tudo dela começa a sumir, a roupa que aparece rasgada, o celular que desaparece, as chaves do carro. Portas que a trancam ou fora ou dentro. É uma pessoa de máscara e bicicleta que a ajuda um pouco, mais atrapalha que ajuda, mas é com essa pessoa que ela começa a entender o que acontece. Fiquei completamente em choque! Assistam!

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Madame Durocher

Assisti Madame Durocher (2024) de Dida Andrade e Andradina Azevedo no TelecinePlay. Eu procurava o que ver nesse streaming e me deparei com esse pôster. Gosto demais da Isabel Filardis e da Sandra Corveloni. E que grata surpresa! É mais um filme histórico brasileiro!

Esse conta a história de Marie Josephine Mathilde Durocher, a primeira parteira brasileira, formada pela Academia Imperial de Medicina.

Durocher veio ao Brasil com sua mãe (Marie-Josée Croze) quando tinha 7 anos. A mãe tinha uma loja na rua do Ouvidor. O filme diz que a história é real, mas alguns personagens e diálogos são ficcionais. Imagino a dificuldade para levantar as informações. A mãe de Maria morre cedo, ela se casa e tem um filho, na biografia falam em dois filhos. O marido (Armando Babaioff) é assassinado por um matador por engano. É quando Maria vê que a Academia Imperial de Medicina abriu vagas para mulheres para o curso de parteiras, ela é a única mulher a se inscrever. Nesse período, Durocher é interpretada brilhantemente por Jeannie Boudier. No filme ela e a mãe tinha duas escravas que são alforriadas e a personagem da Filardis continua com a família. Maria promete pagar salário assim que puder.
André Ramiro interpreta Dr. Joaquim, Joaquim Cândido Soares de Meireles, filho de cirurgião e médico. Ele é grande aliado de Durocher. Ainda aparecem no elenco: Nelson Baskerville como Dom Pedro II, Mateus Solano faz o médico que dá aulas de parto. E ainda Thierry Thémouroux, Fernando Alves Pinto, Adriano Toloza e Clara Moneke.

Sandra Corveloni interpreta Durocher mais velha, até o final de sua vida. A parteira mudou logo suas roupas para saia longa e com visual mais masculino, ela dizia que era mais confortável para a função de parteira. Há várias especulações do motivo da mudança da roupa, certeza só mesmo pela maior facilidade no trabalho. Seu filho morre na Guerra do Paraguai. Durocher fez o parto da Imperatriz Tereza Cristina. Contrariando as estatísticas de expectativa de vida, Durocher morreu com 84 anos.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Consagração

Assisti Consagração (2023) de Christopher Smith no TelecinePlay. Visto os dois filmes que queria ver do Telecine, fui pesquisar o que tinha disponível de terror que amo e sábado é dia de fantasminhas. E como tem fantasminha nesse filme. Eu não sou muito fã dos filmes de terror com temática católica, fico sempre com a sensação que existe só pra igreja angariar fiéis, como propaganda, só a religião católica salva das possessões. Mas me enganei redondamente e descobri um filme incrível, com roteiro excelente, belíssima execução e absurdamente surpreendente. Fiquei muito impactada!
 

Uma jovem recebe um telefonema sobre a morte de seu irmão. Logo ela já começa a ter assombrações. Jena Malone está muito bem. Ela viaja para um convento e descobrimos que seu irmão era padre. Ela acha estranho que ele tenha se suicidado, não era o perfil dele. Ela não é religiosa. Ela começa a pesquisar para entender o que aconteceu e fatos estranhos começam a ocorrer. Ela descobre que o irmão tinha abraçado uma seita fanática e por isso arrancado um de seus olhos. Ela vê que uma freira também não tem mais um dos olhos.

As locações são lindas. O convento faz de tudo para ela não descobrir os segredos, inclusive o padre de Danny Huston. O filme é muito bem construído, não economiza nos sustos, mas é elegante, inteligente e absurdamente assustador. Consagração é muito bem construído e surpreendente. Incrível!

Beijos,
Pedrita

domingo, 9 de novembro de 2025

Megalópolis

 

Assisti Megalópolis (2024) de Francis Ford Coppola no TelecinePlay. Esse era outro filme que queria ver nesse streaming. Controverso, complexo, recebeu muitas críticas ruins. É estranho, irregular, mas foi uma experiência muito interessante!

Adam Driver é César, um arquiteto visionário que quer construir a Megalópolis. Não curti a cidade ser inspirada em Roma em um futuro distópico. Nunca gostei de histórias ambientadas em Roma e suas violências. O arquiteto usa drogas, bebe muito, tem muitas mulheres, sofre pela perda da esposa. A filha do prefeito, da maravilhosa Nathalie Emmanuel, se apaixona por ele, na verdade eles se apaixonam. Adoro essa atriz, linda e talentosa, ela está deslumbrante no filme.
O pai Cícero de Giancalo Esposito não gosta nada do romance.

Megalópolis é repleto de estrelas. John Voight é Crassus, Audrey Plaza, Platinum. Bailey Coppola, da família do diretor, também está no elenco. E ainda Jason Schwartzman, Shia LaBeouf, Laurence Fishbourne, Kathyrn Hunter, Dustin Hoffman e Grace VanderWaal.
Megalópolis tem uma estética muito interessante, é o melhor do filme.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Manas

Assisti Manas (2025) de Maria Brennand Fortes no TelecinePlay. Assim que vi que o canal abriu para os assinantes fui procurar esse filme que queria tanto ver. O Telecine e a Universal festão abertos para assinantes ClaroTV até o dia 10 de novembro. No Telecine são só alguns filmes que estão disponibilizados, já estou vendo outro que queria muito ver. Por enquanto só um que quero muito ver não está disponibilizado.

Manas é um filme maravilhoso. Ganhou mais de 20 prêmios pelo mundo. Conta a história da vulnerabilidade de meninas na Ilha do Marajó, o que não acontece só lá. O filme conta a história de Marcielle, de 13 anos, que vive com uma família isolada, à beira do rio. É uma família numerosa, a mãe está grávida e vários irmãos. Uma irmã foi embora e a mãe conta que um homem bom a levou, um homem que a encheu de presentes. Infelizmente muitas famílias acham que um homem que dá presentes é bom e que pode levar um filho embora, mas muitas vezes eles são só aliciadores de menores para prostituição ou tráfico de mulheres. Nós só temos essa informação, que a adolescente foi embora com esse homem.
Jamilli Correa está maravilhosa! Que atriz! Ela tem somente 13 anos como a personagem. Vi uma entrevista com a diretora que disse ter sido procurada por uma mulher que contou a história das meninas da Ilha do Marajó. A diretora especialista em documentários foi ao local e começou a entrevistar as meninas, mas percebeu que isso iria vulnerabiliza-las demais, mais ainda, se colocasse elas pra contar a história no documentário. Apesar de não ter experiência com direção de atores, ela escolheu fazer um filme de ficção inspirada nessas histórias. O filme é muito delicado em contar o abuso que a jovem passa com o pai, tudo é subentendido, as meninas não tiveram acesso ao roteiro. Tudo é muito cuidadoso, mas está tudo ali pra nós. A rede que ela dormia estraga, falam pra ela dormir na cama com o pai que aparece de conchinha com a filha de manhã. Depois ele leva ela pra caçar e fica respirando atrás dela e ela toma banho depois. Tudo é sutil! Ela tenta consertar a rede, ele diz que está errado e a impede. Ele é Rômulo Braga.
Com poucas palavras, ela pede ajuda a mãe, para que volte a dormir na rede, mas a mãe diz que tem coisas que são assim. Ela tem uma amiga que já tem filho e vai a balsa vender alimentos e se prostituir. 

Marcielle comenta com a dona da venda o que acontece com ela e a vendedora diz que é assim mesmo, que não é só com ela, quase todas as meninas passam por isso. E ela pergunta sobre a irmã e a vendedora confirma. 

De tempos em tempos um posto de atendimento é montado. As meninas podem fazer identidade, seus documentos, tem o posto de saúde. E é a policial de Dira Paes que tenta ajudar a jovem, mas tudo é muito precário. Marcielle vai para um lar temporário, daquela amiga que vai na balsa, a mãe da menina que fica responsável, mas o pai vai buscá-la e a família não tem como impedir pela violência dele. O filme é cuidadoso, silencioso, sem música de fundo, só com os sons ambientes, poucas falas, há pouco diálogo nessas famílias e com uma temática dilacerante. Vai ser difícil Manas sair da minha pele.

Pesquisas mostram que as meninas são estupradas cada vez mais cedo, em geral por seus pais, padrastos ou tios. Agora a maioria é estuprada aos 9 anos. Quando engravidam os pais expulsam de casa, para dar a entender que a menina que se deitou com "qualquer um",que não presta, para esconder o abuso. E a maioria vai se acolher na prostituição para sobreviver. E não é só na Ilha de Marajó. Muitos pais acham que porque é filha deles, por direito, eles tem que ser o primeiro na vida sexual delas.


Pedrita

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Mussum, o filmis

Assisti Mussum, o filmis (2023) de Silvio Guindane no TelecinePlay. O ótimo roteiro é de Paulo Cursino. Eu demorei pra ver esse filme elogiadíssimo porque queria um tempo distante de quando vi o documentário que gostei muito. Interessante como os dois produtos se completam. O filme é incrível, direção excelente com um elenco inacreditável!

Mussum, na verdade Antonio Carlos, era muito ligado a mãe. São as cenas mais emocionantes do filme, tanto na infância como no final da vida dela. Antonio Carlos na infância é interpretado pelo ótimo Thawan Lucas. A mãe é a maravilhosa Cacá Protásio. Ela queria que o filho estudasse. Empregada doméstica, não podia levar seu filho ao trabalho, então ela consegue interná-lo em um colégio militar. Ela fazia questão que ele fosse um oficial e pegava no pé dele para que estudasse e fosse militar. Ele gostava de samba e ela dizia que não dava futuro. A cena emocionante é ele ensinando a mãe a escrever. Antonio Carlos era muito, mas muito estudioso.
A outra cena de ir às lágrimas é Mussum cuidando da mãe que estava doente. Amo demais Neusa Borges e que talento. Airton Graça faz Mussum adulto, que ator. Ele canta pra ela, mas ela pede pra ele cantar uma mais alegre e pede a que minha mãe amava e vivia cantando A Dona do Primeiro Andar. Me emocionei mais ainda. O filme termina após a morte da mãe. Nos créditos que contam que Mussum morreu aos 53 anos em uma cirurgia de transplante de coração.
O ótimo Yuri Marçal faz o Antonio Carlos intermediário. Nessa foto ele está com Elza Soares da incrível Larissa Luz, Garrincha é Wilson Simoninha. O filme é muito, mas muito musical. Não tinha ideia que Mussum levou por muito tempo em paralelo como integrante dos Originais do Samba e comediante. Até mesmo quando ele foi ser humorista em São Paulo, o grupo seguiu com ele e faziam shows na cidade. Como Mussum trabalhava. 

Chega uma hora que ele ficava exausto, na época dos Trapalhões. Ele gravava praticamente todo dia e ia para os shows depois ou aos fins de semana. Só depois de muito jogo de cintura para manter os dois trabalhos é que finalmente ele larga o grupo de samba. Interpretaram os Trapalhões: Gero Camilo, Felipe Rocha e Gustavo Nader. Como humorista ele ganhava muito mais. Foi quando começou a ter uma vida mais confortável. 
Mussum teve dois casamentos. Leny é interpretada por Jennifer Dias e Késia Estácio. Com Leny Mussum ficou 4 anos e teve um filho. Neila é Cinara Leal com quem ficou até o fim da vida, foram casados 22 anos e tiveram um filho. Ao todo Mussum teve 6 filhos. Mussunzinho faz uma participação no filme como Nilton da Mangueira.

A vida de Mussum foi muito rica, não faltaram personalidades no seu caminho. Cartola (Flávio Bauraqui), Jorge Ben Jor (Ícaro Silva), Boni (Augusto Madeira), Grande Otelo (Nando Cunha), Chico Anysio (Vanderlei Bernardino). Outros do elenco são Stepan Nercessian, Alan Rocha, Edimilson Barros, Sergio Loroza e Mary Sheila.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 13 de março de 2025

O Clube das Mulheres de Negócios

Assisti O Clube das Mulheres de Negócios (2024) de Anna Muylaert no TelecinePlay. Eu ouvi vagamente sobre esse filme, como fujo de spoilers só me atentei que era o novo filme dessa diretora que gosto tanto.

E o elenco é inacreditável! Cristina Pereira é a dona do clube. O filme todo tenta mostrar como são esses lugares restritos a homens, só que agora só com mulheres, há uma inversão de papéis. Toda vez que eu pensava que era exagerado, eu invertia e imaginava sendo homens na cena, e pasmem, eu não achava tão estranho. Sim, continuava achando horrível, mas não era algo que eu achasse impossível. Eu tenho pavor desses grupos restritos a homens, até mesmo religiões. Acho que quando muitos homens se unem é um mal sinal e nada de bom vai sair de lá. E é essa máxima do filme. A dona do clube chama suas sócias para uma reunião. Louise Cardoso trabalha no clube, é a governanta. Tem outros convidados, enfim, que elenco: Irene Ravache, Ítala Nandi, Shirley Cruz, Grace Gianoukas, Verônica Debom, Katiusca Canoro, Priscilla Marinho, Maria Bopp e Helena Albergaria.
Como tudo é invertido, os homens são os sensíveis da relação. Rafael Vitti e Luis Miranda são os jornalistas que vão fazer uma matéria. André Abujamra é o marido que descobre a traição da esposa, mas ela diz que ele tem que se conformar. Ele entra em depressão. André Abujamra também assina a trilha sonora.

O clube tem muita arma, muita idolatria às armas. É desconfortável. Como todo homem tóxico, as mulheres criam animais selvagens, quando umas onças fogem do espaço reservado, podem imaginar o caos. 


Beijos,
Pedrita