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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

O Poder de Diane

 Assisti O Poder de Diane (2017) de Fabien Gorgeart no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu achei que não iria mais ver algum filme dessa seleção, antes de sair do ar, tinha amado alguns, largados pela metade outros e não estava interessada nos que sobraram. Mas o 007 me lembrou que os filmes franceses de comédias nem sempre são cômicos e resolvi arriscar mais um. E é o que acontece com esse, é bem mais drama. Uma mulher que está grávida vai viver em uma casa no campo. Lá se apaixona pelo eletricista. Ela é interpretada por Clotilde Hesme e ele por Fabrizio Rongione.

Ele se afasta quando descobre que ela está grávida. Em outro encontro ela diz que o filho não é dela, é de um casal de amigos que não podem ter filhos. Eles são interpretados por Thomas Suire e Grégory Montel. Ele se reaproxima, mas está claramente desconfortável com a situação. Conservador, ele não entende porque ela fez aquilo. Ela diz claramente que nunca quis ter filhos. Eles voltam a ficar juntos, ele vai morar com ela, mas é fato que ele a julga o tempo todo. O que ele faz com ela na hora do parto é tão abominável, que não entendo como ela o procurou depois e o perdoou. Eu não sei se conseguiria. Ele é muito monstruoso. Ele entrou na história dela depois, estavam pouco tempo juntos, ele não tem o direito machista de querer decidir sobre a gravidez dos amigos dela. Eu entendo que ele não conseguisse administrar a decisão dela e dos amigos, mas se ele aceitou continuar a relação enquanto ela estava grávida, ele não poderia jamais tentar interferir naquele que foi decidido antes deles se conhecerem.
Ele é tão pavoroso, que quando ela é visitada pelos pais da criança ele faz todas aquelas perguntas machistas abomináveis, com qual dos dois ela transou, aí ela diz que com nenhum dos dois. Inacreditável que mesmo as respostas bastante verdadeiras, ele continua implicando com os amigos dela. Ele fica muito bravo que ela vai ficar um período morando com os pais da criança após o bebê nascer. Mas onde ele achou que seria diferente? Volto a dizer, se ele quis continuar com ela mesmo grávida, ele tinha que elaborar a situação e respeitar as escolhas dela. Depois do parto aí sim eles poderiam decidir juntos. Mas ele não tinha nada a ver com aquela gravidez. Outra questão que me chocou mais ainda foram as várias críticas feitas por homens que li, uma teve o disparate de dizer que o filme era sobre uma mulher insensível, outro que ela não estava nem aí para os sentimentos dos outros, tão monstruosos como o namorado dela.
Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O Filho Uruguaio

Assisti O Filho Uruguaio (2017) de Olivier Peyron no Festival Varilux de Cinema no Looke. Que filme delicado e bonito! Uma mulher e um homem vão ao Uruguai buscar uma criança.

Bem aos poucos e muito aos poucos  mesmo, vamos entendendo o que aconteceu. O pai do menino morreu e a mãe vai buscar o filho. A mãe desesperada é interpretada por Isabelle Carré.

O filme é muito importante para essas famílias que tem problemas com filhos de ex-relacionamentos. O quanto um deles pode cometer desatinos e criar uma vida de mentira para uma criança. O quanto uma pessoa pode interferir emocionalmente na vida da outra não falando a verdade. Descobrimos que contaram ao menino que tanto o pai, bem como a mãe, morreram. Ele vivia com uma tia que não sabe que a mãe não morreu, então acolhe o menino como filho. Eles vivem muito, mas muito bem. O menino é muito feliz. Como desfazer essa farsa? Um assistente social vai ajudar no processo e é interpretado por Ramzy Bedia. A tia por Maria Dupláa. A avó do menino por Virginia Mendez.
O menino por Dylan Cortes. A trilha sonora é linda. Tudo é muito poético no filme.

Beijos,
Pedrita

domingo, 19 de julho de 2020

Marvin

Assisti Marvin (2017) de Anne Fontaine no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu queria muito ver esse filme porque tinha gostado muito de As Inocentes dessa diretora sensível. E que filme esse também. Essa diretora entrou para a lista dos meus diretores preferidos. Comentei no blog 4 filmes dirigidos por ela.


Com narrativa entrecortada, o filme mostra dois momentos da vida de Marvin, criança e jovem.  Excelentes os atores que interpretam Marvin: Jules Porier e Finnegan Oldfield. De uma família disfuncional, Marvin sofre com as brigas constantes, agressões verbais e intolerância familiar. Sensível e introspectivo, Marvin sofre na escola também com muita violência, assédio sexual e buylling. É uma professora (Catherine Mouchet) que leva o Marvin para o teatro, e vê nele uma possibilidade. Ela logo percebe os problemas familiares do garoto. É a professora que muda o destino desse rapaz. A família não incentivava os estudos, não tinham uma boa renda, a cidade era pequena e conservadora. A professora faz Marvin participar de um concurso para um internato onde teria teatro, assim ele sai daquele núcleo familiar nocivo, da escola opressora, e consegue vislumbrar um outro futuro.
Através de um relacionamento, Marvin conhece Isabelle Hubbert que atua como ela mesma. A atriz faz uma peça com o roteiro do rapaz que é autobiográfico. Sua família fica revoltada com o olhar do rapaz sobre a sua infância. Ironicamente é o pai que mais compreende e acolhe o filho. Ele tinha se separado e parece que com a nova família ganhou um olhar mais tolerante. Os pais de Marvin são interpretados por Grégory Gadebois e Catherine Saleé. O companheiro de Marvin por Charles Berling. O casal amigo do rapaz por Vincent Macaigne e Sharif Andoura).

Beijos,
Pedrita

domingo, 12 de julho de 2020

Em Guerra

Assisti Em Guerra (2018) de Stéphane Brizé  no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu queria ver esse filme porque é o mesmo diretor de Uma Vida que comentei aqui. Eu tinha gostado muito do estilo do diretor e ficado inquieta com o modo de filmagem.

Em Guerra é mais inquietante ainda. Um grupo faz greve porque querem fechar uma indústria em uma cidade na França. Os funcionários estão revoltados porque há dois anos fizeram um acordo com a fábrica, que trabalhariam mais 5 horas para ajudar a empresa a se reequilibrar. A indústria dá lucro, leva bilhões, os funcionários só ficam com os ônus, mas os acionistas acham melhor fechar. Todos os debates vão para o livre mercado, o direito de uma indústria de ser fechada, redução de concorrência, práticas predatórias empresariais, sobre ética, desrespeito a acordos. Os mais fracos são os únicos prejudicados.
Não é um filme fácil de assistir porque praticamente o tempo todo eles estão em reuniões, manifestações e tentando que alguém faça uma reunião com eles. Essa é a parte mais irritante desses empresários e dirigentes, eles se recusam a sentar para conversar. Exploraram o quanto puderam enquanto foi conveniente em ter de cada funcionário mais 5 horas de produtividade, mas não deram o direito nem de ouvir os funcionários falarem suas reivindicações.
O filme é feito como se fosse um documentário, filmado como dá em meio a manifestações e reuniões. No estilo bem realista que já tinha encontrado no outro filme. Vincent Lindon está impressionante! No meio do elenco estão trabalhadores. É um filme muito trágico.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Respire

Assisti Respire (2014) de Mélane Laurent no Festival Varilux de Cinema no Looke. Que filme triste! É baseado no livro de Anne-Sophie Brasme, que escreveu quando tinha 16 anos e virou logo um best-seller. Ainda não há tradução no Brasil.

Uma jovem acompanha o relacionamento conturbado dos pais. O pai engana a mãe, mas sempre que vai visitar a filha, eles ficam de novo e a mãe se magoa de novo. Essas idas e vindas dão o tom do relacionamento igualmente conturbado da filha. É um filme muito, mas muito psicológico.

Uma nova aluna chega na escola. Ela se aproxima da jovem e começam uma relação muito intensa de amizade, como costuma acontecer nessa época. Essa nova aluna gosta de brincar com os sentimentos dos outros, de testar os limites do afeto do outro e faz um estrago nos sentimentos da outra adolescente que não respira, guarda tudo pra si. A nova aluna também tem sérios problemas familiares e um emocional bem perturbado. Elas tem um desentendimento, e a nova aluna começa a praticar um ataque feroz a outra jovem que fica em silêncio. Alguns amigos ficam com pena, mas essa jovem se fecha, se isola, e sofre tudo sozinha. Os ataques são escritos em paredes da escola, mas a instituição também parece alienada em interferir na violência. É um filme triste demais!
As duas estão incríveis. Joséphine Japy impressiona na interpretação excessivamente introspectiva e silenciosa. Lou de Lâage também está muito bem.

Beijos,
Pedrita

domingo, 28 de junho de 2020

O Professor Substituto

Assisti O Professor Substituto (2018) de Sébastien Marnier no Festival Varilux de Cinema no Looke. Começou interessantíssimo! Um professor, durante a aula, se joga da janela. Os alunos ficam chocados, um professor substituto é contrato. Ele é interpretado por Laurent Lafitte. O roteiro é baseado no texto de Christophe Dufossé.

Ele não entende porque é escolhido, ele é especializado em crianças com dificuldade de aprendizado e segue para uma turma de "superdotados". A escola criou essa classe experimental com alunos excelentes, separou 13 alunos para um projeto. Eu achei que o filme ia debater essa questão de isolar em uma bolha alunos, tratando-os de modo diferenciado. Eu não gosto nada dessa ideia de que algumas pessoas são melhores que outras. Os alunos são arrogantes como adolescentes, mas definitivamente, passam do ponto. A escola passa o pano o tempo todo e finge não ver os desajustes graves do grupo que só anda entre eles.
O professor descobre que os alunos promovem rituais de violência, de testagem de limites, com perfis suicidas. Então o filme passa a falar da destruição que os adultos fazem ao planeta e a atitude dos alunos é criticar esse modelo. O debate é esvaziado, panfletário, simplista, fraco mesmo. Os jovens são interpretados por Luàna Bajrami, Victor Bonnel, Thomas Guy, Adèle Castillon, Matteo Perez e Léopoldo Bushsbaum.
Vira praticamente um filme de ficção científica. Os professores são uns débeis mentais. Fingem não ver nada. Eles são interpretados por Emmanuelle Bercot, Gregóri Montel, Verónique Ruggia, Pascal Greggory e Gringe. O professor conta a um amigo que procurou os educadores e psicólogos da escola que nada querem fazer. Em vez de procurar em sigilo educadores e psicólogos fora da escola para ver como lida ou como procura ajuda, o professor passa a perseguir os alunos. Irado com as violências dos alunos, passa a praticar violências também. Muito ruim. Não há pais, amigos, enfim, o filme parece ignorar que esses jovens tem família.
O melhor mesmo é o final, que apesar de catastrófico, dá algum sentido aquele movimento.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 24 de junho de 2020

A Revolução em Paris

Assisti A Revolução em Paris (2018) de Pierre Schoeller no Festival Varilux de Cinema no Looke. Esse filme fala da Revolução Francesa de 1782. Começa antes com a união popular contra a fome.

Não tinha ideia que as mulheres tinham sido tão determinantes nesse período. Elas se unem na luta pra pedir pão, vão ao plenário, passam a frequentar e opinar nas seções, mesmo que nos lugares para o povo, mas berravam, se posicionavam, iam nos levantes, nas passeatas.

O filme focou nos camponeses, os protagonistas eram os camponeses. Belíssima reconstituição de época, muito realistas as cenas, figurinos, cenários. Há vários momentos que os camponeses entoam canções populares e alguns específicas dos momentos históricos desse período, como a saída do rei de Versailles, uma canção maliciosa, picante e cheia de duplo sentido. Os protagonistas da Revolução Francesa aparecem no plenário, em Versailles, mas na maioria das vezes pelo olhar dos camponeses. Os protagonistas do filme são interpretados por Adèle Haenel e Gaspar Ulliel

O casal que luta com eles por Olivier Gourmet e Noémie Lvosky. Alguns ainda do elenco: Céline Sallete, Izia Higelin e Andrzej Chyra. Várias crianças participam. Os filhos do rei, os camponeses. O elenco é enorme, nos créditos finais há uma lista infindável de figurantes.

Os personagens históricos são interpretados por: Denis Lavant (Marat), Louis Garrel (Robespierre), Laurent Laffite (Louis XVI e Maella Gentil (Maria Antonieta).

Beijos,
Pedrita

sábado, 20 de junho de 2020

O Homem Fiel

Assisti O Homem Fiel (2018) de Louis Garrel no Festival Varilux de Cinema no Looke. Eu gosto demais desse ator e ele tem enveredado para a direção, esse é o segundo filme que dirige. Em geral histórias de costumes.

 O Homem Fiel é um filme bem curtinho. Começa com o protagonista levando um fora da companheira de modo muito, mas muito inadequado. Na narração, ele nos conta que eles vivem na mesma casa há 3 anos. Ela diz que está grávida, ele fica esfuziante, aí ela diz que não é dele e que vai casar dali há 10 dias com o outro. Oito anos passam-se, o marido da moça morre, e ele se reaproxima da mulher. Ela é interpretada por Laetitia Casta.

Surge então a irmã do homem que morreu. Ela é interpretada por Lilly-Rose Deep

Outro personagem que surge com o tempo é o filho, acho que o melhor personagem do filme, interpretado pelo ótimo Joseph Engel.
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 17 de junho de 2020

O Mistério de Henri Pick

Assisti O Mistério de Henri Pick (2019) de Rémi Bezançon no Festival Varilux de Cinema no Looke. Um amigo falou desse filme no Facebook e fui assistir. Absolutamente genial!


No primeiro minuto já enlouqueci. Em uma cidade interiorana, um bibliotecário cria uma sala de manuscritos de livros rejeitados por editoras. Uma jovem que trabalha em uma editora fica curiosíssima, vai lá ver os manuscritos, fica curiosa por um. Lê e percebe que tem uma grande obra nas mãos. Convence todos, publicam e o livro faz um sucesso estrondoso. Ela é interpretada por Alice Isaaz, o namorado por Bastien Bouillon.


O escritor era um pizzaiolo da cidade da biblioteca que morreu há uns dois anos. Um crítico se desentende com os familiares, começa a duvidar que tenha sido mesmo o dono da pizzaria que escreveu, e começa a investigar.  A filha do dono da pizzaria fica curiosa e começa a acompanhar o crítico. Ele é interpretado por um ator que adoro, Fabrice Luchini, ele é arrogante e pretensioso. A filha do dona da pizzaria é interpretada pela linda Camille Cottin. Amo filmes que falam de livros, editoras e bibliotecas. E o roteiro de David Foenkinos é genial.

Beijos,
Pedrita