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sábado, 26 de março de 2022

Um Lugar ao Sol

Assisti a novela Um Lugar ao Sol (2021-2022) de Lícia Manzo na . Eu amava essa novela que sofreu bastante com a pandemia. O começo foi gravado antes da pandemia, aí parou, depois tiveram que fazer ajustes pra poder finalizar.

A trama dos gêmeos era ótima, Cauã Reymond brilhou nos três personagens, três porque Christian como Renato também era outra pessoa. Abordava muitas questões. Um Lugar ao Sol falou muito sobre adoção em inúmeros personagens. Os dois eram do interior de Goiás. Como se fazia muito antigamente e ainda um pouco infelizmente, mesmo sendo ilegal, uma família vai buscar uma criança ainda não registrada de uma família pobre. Eram dois irmãos, um estava doente. A família só quer o que está melhor. Um cresce em uma família rica, a mãe o mima demasiadamente e o sufoca. Pra se libertar de toda a pressão, torna-se alcoólatra e usa drogas. Sem moral alguma vai comprando tudo e a todos. Christian é criado em orfanato, estudioso, sonha uma vida melhor e para o seu irmão de orfanato Ravi (Juan Paiva), bem mais novo que ele. Muito interessante que Christian toma o lugar do Renato e vai se parecendo cada vez mais com o irmão, mas não tanto, tem características diferentes. O final da novela desandou, Infelizmente a grande espera virou uma espera demais para a revelação de que Renato era Christian. No último capítulo, em um corre corre ruim, o que mais se esperou foi engolido em tão pouco tempo. 
Eu adorava o casal Rebecca e Felipe (Gabriel Leone). Andréa Beltrão estava majestosa. Ele, namorado da melhor amiga da filha (Fernanda Marques), ela modelo, com dificuldade de conseguir trabalho na área aos 50 anos. Pena que a autora não bancou a relação. E não foi por influência do público porque a novela começou já terminada. Todo o discurso que amor não tem idade foi por terra separando o casal. Até fez uma volta relâmpago em um momento mas mais fake impossível. A novela infelizmente teve muitos problemas de continuidade quando precisou ser esticada e muitos furos. Bom, ninguém usava whatsapp, tudo mundo aparecia na porta da casa, novela nunca tem porteiro, sem avisar. Felipe vai atrás de Rebecca, mas ela está voltando de um encontro. Teria que ser noite, ela foi dançar, como o rapaz vai sem avisar de madrugada? E o Alzheimer de Elenice que desapareceu. Ela já vinha com confusões mentais, esquecendo muita coisa., mas conseguiu fugir da clínica, achar a casa da Bárbara, lembrar em detalhes tudo o que ia dizer e um tempo depois no tribunal também lembrava de tudo. Essa autora ama doenças, fato que me manteve distante na exibição de outra novela sua. Em Um Lugar ao Sol a autora extrapolou nesse quesito. Até Felipe teve um câncer muito raro em jovens no intestino, nem se deu ao trabalho de escolher algo mais condizente com a idade dele. Os doentes em geral tinham maus raríssimos, precoces, que pouco se via, pra ser bem dramático. Doentes que ficaram ou já estavam eram a mãe da Rebecca (Débora Duarte), Felipe, Bárbara (Alline Moraes) e a mãe que já tinha morrido, só aparecia nos diálogos, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), Santiago (José de Abreu), Túlio (Daniel Dantas), Gesiel (Antonio Pitanga), a gravidez da Ilana (Mariana Lima), sempre com maus raríssimos, onde teve uma escolha de Sofia, qual bebê ia querer salvar. José Renato (Genézio de Barros) que fica doente e morre. A parente da Elenice. O pai do Breno (Luiz Serra) sempre foi tratado como doente, mas nunca pareceu que necessitava de cuidados exagerados que impedissem sua filha (Claudia Missura) de ter uma vida própria. E após acidentes como com Ravi  e Aníbal (Reginaldo Faria). Elenice e Teodoro (Fernando Eiras) morreram de Covid, mas só comentaram, não mostraram. Dois adictos Júlia e (Denise Fraga e Eduardo Moskovis), não bastava um. E com várias cenas, demasiadas, no AA. Enquanto algumas cenas que desejávamos mal apareciam, outras ganhavam tempos absurdos. No começo queríamos ver mais em detalhes a transformação de Christian em Renato, depois a revelação. Mesmo a trama da Thaiane foi atropelada, resolvida a parte jurídica em conversas em voz baixa em um show.
Foi lindo demais o amor entre Ilana e Gabriela (Natália Lage). Ilana teve muita dificuldade de admitir que estava apaixonada por sua amiga de adolescência. Ilana teve um casamento muito difícil com Breno (Marco Ricca), que era imaturo. Ela que bancava as contas, trabalhava demasiadamente, mas ele cobrava um filho depois de muito tempo de casados. Ela aceita, engravida, e novamente parece que teria que gerir tudo sozinha. Gabriela veio pra somar, pra amar e dividir tudo, obstetra bem sucedida, poderia não só ajudar na criação da filha, mas como dividir as despesas e funções da vida adulta. Já Breno se encontrou e se uniu com outra imatura, a cansativa Julia.
As mulheres em geral eram fortes e batalhadoras. A avó Noca (Marieta Severo) ensinou a neta (Andréia Horta) a lutar por seus anseios. As profissionais (Stella Freitas, Ju Colombo e Georgina Castro) competentes do cantinho da Noca. A personagem Janine (Indira Nascimento) fez uma participação. Ela era uma talentosa escritora que se vê envolvida em uma trama sórdida de liberar direitos autorais. A professora (Betty Gofman) que interfere ajudando a aluna a ter coragem de lutar pelos seus textos e direitos. Ilana uma produtora de sucesso, com uma empresa no ramo da moda. A psicóloga (Regina Braga) que sabia mais ajudar os outros do que se ajudar e ter empatia. Até mesmo a amoral Ruth (Patthy de Jesus), que por meios errados era uma bem sucedida executiva. Cecília (Fernanda de Freitas) que era personal trainer e criava muito dignamente seu filho. Até mesmo a competente governanta (Ângela Figueiredo) que se perde quando vem uma nova chefe na casa.
Eu gostava da trama da Nicole (Ana Baiard) com o Paco (Otávio Muller). As cenas nas dublagens eram ótimas. Gostava dos dois serem do meio artístico, dois atores que complementam sua renda na dublagem. A filha o Paco foi interpretada por Samanta Quadrado e a mãe dela por Claudia Mauro. Tinham alguns ótimos personagens que apareceram na trama atuados por Renata Gaspar, Danilo Grangheia, Danton Mello, Isio Ghelman e Lara Tremouroux.
Fiquei bastante triste e frustrada com os atropelamentos na trama no final, as excessivas doenças, mas no geral eu gostei demais de Um Lugar ao Sol
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Espelho da Vida

Assisti a novela Espelho da Vida (2018-2019) de Elizabeth Jhin na TV Globo. A direção foi de Pedro Vasconcelos. Amei! Entre as minhas novelas preferidas. Essa autora é sempre atacada por espíritas que dizem que ela erra a forma como acontecem as reencarnações. No Brasil acontece essa insistência religiosa de achar que a única religião que abraça a reencarnação é o espiritismo. e que o espiritismo sabe exatamente como é a reencarnação. São dois equívocos. Várias religiões orientais acreditam em reencarnação, com teorias completamente diferentes.

A própria autora diz que a novela dela é espiritualista. Eu que não sei se os fenômenos existem ou não e por achar que a autora arruma tudo muito bonitinho demais, vejo a novela como de fantasminhas. Mas acho que 007 resumiu bem, é uma novela fantasia. É isso. Os fenômenos existem para que se contem duas boas histórias no passado e no presente, uma trama profunda, como a autora já tinha feito com maestria em Além do Tempo.

Muito se reclamou do ritmo lento da novela, mas eu amei cada segundo e achei que se tivesse mais uma semana ou quinze dias as tramas se acomodariam melhor. Quase todos os personagens interpretam mais de um, seja na vida atual ou na vida passada. Victoria Strada estava majestosa como Cris/Júlia. O namorado dela, interpretado por João Vicente, é um cineasta e ela uma atriz de teatro. Ele precisa voltar a cidade de Rosa Branca porque seu avô está morrendo. Na cidade Cris fica surpresa e diz que já esteve lá. Ela acha então uma casa abandonada e passa a viver experiências no passado. Por um espelho, como em Outlander, ela vai ao passado e se vê como Júlia.
No passado, Júlia teria sido assassinada pelo seu amado Danilo, interpretado por Rafael Cardoso, que aparece na trama no passado e demora muito para aparecer no presente, podia ter aparecido um pouquinho antes. Cris passa a sofrer pressão por pessoas em Rosa Branca que querem que ela limpe o nome de Danilo e descubra quem realmente matou Júlia. Cris passa a ir e vir ao presente e ao passado e a novela passou a ser muito criticada por isso. Resolveram mudar algumas questões e eu fiquei apavorada de a trama se estragar, mas foram muito inteligentes. Depois de idas e vindas, Cris fica presa ao passado para ficar até Júlia ser morta. Então a trama nos dias de hoje passam a não contar com a protagonista. Para ajudar no entendimento, alguns personagens do presente dizem que o tempo do passado é outro. Então isso acomodou as licenças poéticas. 

Outra crítica seria sobre a turma do cinema, mas eu amava a produção de cinema, quem seria o ator que faria o personagem da novela do passado. As gravações, o elenco,m os figurantes, cada detalhe.

Bola era o braço direito de Alan no cinema, o assistente de direção que substituía o diretor quando necessário, Eu adoro esse ator, Robson Antunes. Ele tem um romance quente com Sheila, que atriz linda e talentosa, Dandara Albuquerque. A personagem não valia nada, no começo da trama está na cidade grande tentando uma vida melhor. Sua filha fica com o avô (Cosme dos Santos), que fofa essa menina, Maria Luiza Galhano. Eu queria mesmo que Bola ficasse com Sheila. Desde o começo a novela insinuava que ele ficaria com a competente produtora Daniela (Renata Tobelem), mas nunca deu química. E eu me incomodava com a ideia que gordinha só consegue gordinho pra namorar. Seria muito melhor ela ficar com algum galã de filme, bem mais jovem que ela e deslumbrante. Gordinhas também amam e muito. E Bola tinha muito mais química com Sheila. E Espelho da Vida falava muito em perdão. Seria bem mais bonito ele perdoar Sheila e ajudar a moça a ser alguém melhor.

Eu amava as crianças das novelas, lindas e talentosas. Priscila (Clara Galinari) e Jadson (Otávio Martins). Os dois tinham vidas difíceis nos dois tempos da novela. Como seus personagens sofriam e como estavam bem. A preparadora do elenco infantil é a Pequetita de Cabocla, a Mareliz Rodrigues que se especializou em ajudar jovens atores em novelas. E as crianças pareciam adorar porque volte e meia punham fotos com ela nas redes sociais.
As adolescentes também eram demais. Amei as atrizes Débora Ozório e Catarina de Carvalho. Mas se juntavam a elas outros atores muito bacanas Cadu Libonati, Guilherme Hamacek e Anna Rita Cerqueira.

Eu amei que Vera Fischer e Luciana Vendramini estavam no elenco. Elas vão pra Rosa Branca porque são grandes atrizes pra atuar no filme. Lindas as homenagens que fizeram a carreira da Vera Fischer. O elenco todo se reuniu para ver um trabalho da personagem e exibiram trechos de Riacho Doce e depois de um filme do Walter Hugo Khouri, que não vi e está entre meus diretores preferidos. Ela tem um grande amor nas duas tramas interpretado por Marcelo Escorel.
Espelho da Vida falou muito de perdão, mesmo quando é muito difícil perdoar. Grace (Patrícia Travassos) abandona a filha grávida quando ela mais precisa da mãe. O suposto pai do filho dela morreu, o ex-namorado foi embora depois da traição. A filha fica sozinha e grávida tendo que assumir tudo. Isabel era uma das grandes vilãs da trama em grandes personagens pra Alinne Moraes, que arrasou. Mas ela não é espancada no final após as maldades, muito pelo contrário, é salva pelo pai da filha dela. Vai presa em uma prisão psiquiátrica, mas recebe a visita da mãe e da filha com muito choro, carinhos e abraços. Muito inovador e necessário nos dias de hoje perdoar até mesmo quem tanto nos magoou.
São muitos personagens e atores maravilhosos. Irene Ravache está majestosa nos dois personagens. A doce Margot tem cenas dilacerantes sobre seu filho que foi sequestrado aos 5 anos. Mas a dura Hildegard do passado também está majestosa. Interessante que achei que Reginaldo Farias ia fazer só uma participação especial no início da novela. Ele morre logo no começo. Mas ele passa a aparecer, mesmo que Margot não veja, para ajudá-la. E depois seu personagem no passado está vivo. Com Patrick Sampaio acontece o mesmo. Parecia uma participação minúscula na trama, mas ele passa a vir como fantasminha e depois tendo um personagem completo no passado. Como seus personagens sofreram, que dó.
Fantasminhas foram muitos, eu amo trama de fantasminhas. Que personagens incríveis para Suzana Faini e para Emiliano Queiroz. Interessante que praticamente até o final nós não sabíamos se alguns personagens estavam vivos ou mortos. 

Tinha tanto personagem que eu gostava que eu fico tentando não esquecer nenhum. Amei a atriz que faz a Bendita e a Débora, Luciana Malcher. Ela foi uma verdadeira guardião da Júlia e da Piedade. E nos dias atuais uma grande atriz.

Júlia Lemmertz também ganhou grandes personagens. A sofrida Piedade, submissa ao marido e nos dias de hoje, uma mulher realizada e com um casamento feliz.

Felipe Camargo e Ângelo Antônio. tiveram dois grandes personagens em cada tempo da novela. Felipe surge como Américo, um pai relapso, alcoólatra, trambiqueiro e fazedor de filhos largados pelo mundo. No passado um coronel monstruoso e igualmente fazedor de filhos. Ângelo um padre no passado e um homem íntegro e dedicado a filha do primeiro casamento da esposa.

E que personagem para Ana Lucia Torre. Depois de despertar pra vida por um amor não correspondido, ela faz um texto maravilhoso achando que Américo está dormindo, agradecendo a ele por ter feito ela voltar a ter sentimentos, a se sentir bonita e a despertar para a vida. Ela acaba encontrando um par no final com o personagem de Roberto Perillo.
A pensão era uma delícia, as irmãs Zezé (Maria Mônica Passos) e Abigail (Andréa Dantas) proporcionaram deliciosos momentos. Zezé se apaixonava por qualquer um que chegasse na pensão, não importava se tivesse 25 anos, ela achava que qualquer um estava apaixonado por ela. Mas eram grandes os personagens também de Lenita (Luciana Paes), Marcelo (Nikolas Antunes), Martim (Wal Schneider), Letícia (Letícia Persiles) e Dalva (Andrea Bacellar), esses todos tiveram outros personagens no passado. Eu delirava cada vez que surgia no passado um personagem do presente. Kéfera Buchmann estava ótima. Disseram que ela estreava, sim, em novelas, mas ela já havia atuado em alguns filmes. Ficaram só no presente ainda outros personagens que gostava muito Mauro César (Rômulo Arantes Neto), Tavares (Marcelo Laham), Neusa (Flavia Garrafa), Sergio (Márcio Machado), Josi (Thati Lopes), Claudio (Pedroca Monteiro), Jorge (Miguel Coelho), Padre Léo (José Santa Cruz), Emiliano (Evandro Mesquita) e Valdete (Rosana Dias).

No final inclusive, após o assassinato de Julia, o elenco todo estava entre os curiosos. Imagino o trabalhão que foi preparar cada ator em figurino de época para a cena. Tudo era primoroso. Foram feitos dois casarões no cenário. Um com cara velha e caindo aos pedaços e outro novinho para as gravações duas épocas. A trilha sonora também é incrível.

Sérgio Santos do De Olho nos Detalhes também amou a novela e escreveu vários textos sobre a trama.

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Rock Story

Assisti Rock Story de Marília Helena Nascimento na TV Globo. A direção era de Dennis Carvalho. Que novela incrível, inesquecível! Em geral não assisto novela das 19h. Só acompanho mesmo às das 18h porque o horário é mais favorável. Mas agora posso gravar, então o que eu perdia eu via no dia seguinte. Em geral sempre vejo o início de todas as novelas, às vezes só o primeiro capítulo. Mas essa me pegou logo e ansiava a hora de começar mais um capítulo diariamente. Que saudades!

Foi muito bem feita a parte musical. Com vários clipes, shows, muito bem realizados. Gordo (Herson Capri) é sócio da Som Discos com sua filha Diana (Alinne Moraes) que é casada com um famoso roqueiro, o Gui Santiago (Vladimir Brichta) que está em decadência. Estourado, ele faz cada vez menos shows. 

A vida de Gui vira do avesso. Um cantor pop, Léo Régis (Rafael Vitti) rouba sua música. Ele descobre que sua esposa está de caso com o rapaz e um filho adolescente que ele não tinha contato é preso e fica sob sua guarda. Muito bem feita a parte empresarial da novela. Lázaro (João Vicente de Castro) era seu empresário.

Surge então Lorena (Nathália Dill), na verdade Júlia, acusado de tráfico e começa a mudar a sua vida. Gui lança então a 4.4. Muito bem feita a construção da banda, o início dos ensaios, a profissionalização dos garotos interpretados muito bem por Nicolas Prattes, João Vitor Silva, Danilo Mesquita e Maicon Rodrigues. Depois um outro integrante apareceu na trama interpretado pelo Enzo Romani. Só a parte erudita é sempre um equívoco. Inacreditável que pesquisam tudo, todo o universo da música, mas acham que sabem como funciona o mercado erudito e cometem uma sucessão de erros. Deviam procurar consultoria exatamente como nas outras áreas.

Linda demais a relação da Gilda (Suzy Rêgo) com o Haroldo, o Coelhão (Paulo Betti). Casados há muitos anos, eles adoravam apimentar a relação e viver personagens. Muito fofo! O filho esconde deles que tem câncer. Inclusive muito bem feitas as cenas, sem exageros de músicas melodramáticas. Com bastante realismo. Mostrou a dureza do tratamento, mas sem sensacionalismo e melodrama. Haroldo era dono da Boi Inimigo, afinal, não há um único boi que seja amigo de uma churrascaria. Lá se apresentava a Rebola Embola, grupo musical que tocava em geral samba com apresentação específica para turistas. Gostei de Rock Story mostrar várias formas de se viver de música.

E vários outros clichês foram quebrados. Gui passa a viver sozinho com o filho. Volte e meia ele prepara lanches para a filha, interpretada pela fofa Lara Cariello, conversa com eles na cozinha lavando louça. Júlia mesmo fica sentada na mesa enquanto Gui prepara o lanche, lava louça. Quando todos vão morar juntos no ap, todos tem funções. Há vezes que o filho está lavando louça. E inclusive em uma cena Gui colocava roupa na máquina e Júlia lavava a louça.

Vários negros integraram o elenco e fora de esteriótipos. Nanda (Kizi Vaz) era o braço direito de Gordo na gravadora e muito talentosa. Ela se apaixona por ele e precisa de tratamento. O advogado (Rocco Pitanga) e o médico (Rodrigo dos Santos), pena que esses dois personagens não tinham histórias completas, atuavam sozinhos, não mostravam família. Mas Luizão (Thiago Justino) era o tio do JF. E sustentava o garoto para que ele pudesse estudar piano. Luizão era o maître da churrascaria.

Amei que Dona Néia ficou com o Ramon. Eu e vários internautas queriam #ForaAlmir. Almir (Evandro Mesquita) era o ex da Néia. Ele era casado, mas mesmo quando ficou viúvo não quis saber dos filhos. Só quando viu que eles viviam a larga em uma casa enorme. Um interesseiro. Ramon já gostava de verdade da Néia. Ajudava a Nèia em tudo o que ela precisava. Muito engraçado os dois fazendo faxina. Ela era muito brava, um dos grandes trabalhos da Ana Beatriz Nogueira. Gabriel Louchard que fez o Ramon também estava muito bem. Ele era explorado pelo Lázaro que o chantageava. Muito bacana mostrar várias famílias com formatos diferentes. Léo Régis que era o dono da mansão e levou a mãe e a irmã pra viverem com ele. A mãe era machista e conservadora.

Gostava muito também da família da Edith, em um grande personagem para Viviane Araújo. Ela era casada com Nelson (Thelmo Fernandes). Ele era o vocalista do Rebola Embola, ela tinha sido a primeira morena do grupo, mas escolheu ser dona de casa e cuidar da família e dos filhos. Ela que percebe que sua filha Vanessa (Lorena Comparato) tem uma paixão fora do normal por Diana, e com cuidado consegue ajudar a filha a ver que essa relação só faz mal a menina, que acaba se apaixonando por Bianca (Mariana Vaz). Para ajudar no faturamento, Edith fazia doces para a churrascaria e para outras pessoas.

Amava os patetas Romildo (Paulo Verlings) e William (Leandro Daniel). Fiquei feliz que eles foram para o interior cuidar de um bebê.  Sim, eram bandidos, mas nunca gostei tanto das trapalhadas desses dois. Eles bem que tentaram arrumar trabalho, serem honestos, mas não conseguiam. E a tia do William? Outros grandes momentos!! E gostei que não transformaram Mariza (Júlia Rabello) em uma mãe zelosa quebrando o clichê do instinto materno. Ela não estava nem aí para o filho, só engravidou para tirar dinheiro do Haroldo, já tinha tentado isso de outros. E foi embora do país largando o filho sem sofrimento. 

Os shows eram demais. Em entrevistas, o elenco contava que tinha todo um trabalho de preparação vocal, ensaios. Adorava a dupla Miro (Guilherme Logullo) e Nina (Fabi Bang). Atores conhecidos de musicais. A história deles também era muito boa. Eles começaram a cantar quando crianças e durante a trama descobrimos que eles não eram irmãos, mas namorados. E que mentiam para o público há anos. Bonito que o público os perdoa depois de um tempo e eles voltam a ativa. Ótimas as apresentações de Laila (Laila Garin), adoro essa atriz. Pena que a personagem não valia nada.

Adorava a Yasmin (Marina Moschen). Irmã de Léo Régis, tinha sido muito pobre e estava deslumbrada com o que o dinheiro poderia comprar. Lindo o romance dela com o Zac. Várias personagens eu adorava: Luana (Joana Borges), Zuleica (Cristina Müllins), Stefany (Giovana Cordeiro) e Astrid (Júlia Marini). Bacana também o personagem do Paçoca (Max Lima). Ele começa ajudando a banda e depois é contratado como técnico na Som Discos. Gostei que mostraram que nem todos se tornam artistas, mas nem por isso as profissões são desinteressantes. Não gostei no final que Lázaro mandou entregar convites gratuitos para lotar o show e colocar a culpa no Gui. Mesmo que ficou provado depois, dificilmente um artista se livra dessa mancha. Muitos vão achar que o Gui comprou alguém pra levar a culpa. E ainda teve uma morte. Foi pesado demais. 

Mas gostei de inovarem no casamento final. Gui e Júlia já tinham casado, inclusive todos os casamentos da novela foram lindos e caprichados. Até mesmo o não casamento da Diana. O casamento final foi do Gordo com a Eva (Alexandra Richter).  Eva era uma psicóloga talentosa.  Adorava os clipes, a trilha, a música de abertura com a Pitty. Foi lindo demais o final primeiro com Vladimir Brichta e Milton Nascimento cantando. Depois os que interpretaram músicos na novela e por último todo o elenco. Foi lindo demais! Inesquecível! Sou fã do Milton Nascimento, mas quem não é?

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 5 de abril de 2016

O Vendedor de Passados

Assisti O Vendedor de Passados (2015) de Lula Buarque de Holanda no TelecinePlay. Impressionante! Maravilhoso! Amei! O filme é livremente inspirado no livro do angolano José Eduardo Agualusa que agora quero muito ler. Devem ter muitas características diferentes, quero ver as vertentes do escritor. Sensacional! Eu queria muito ter visto nos cinemas, cheguei até ver onde passava e sessões, mas não consegui. O personagem do Lázaro Ramos vende passados. Ele vive confortavelmente do seu trabalho.

Vou falar detalhes do filme, é bom descobrir assistindo: Ele tem muito trabalho e muitas solicitações. Logo no começo entendemos o trabalho porque o protagonista mostra a uma interessada um CD fake e parece muito interessante. Uma mulher pede um passado, uma infância como menina. Ela nasceu menino, mas quer lembranças de menina. Outro cliente era obeso, fez cirurgia de redução estômago, várias cirurgias, quer um passado como magro. Ele é interpretado por Anderson Müller. Esse já começa a mostrar as distorções do trabalho do protagonista e os exageros, as invenções do passado para enganar as pessoas. Surge então a personagem da Alinne Moraes. Ela não fala quem é, pede um passado. O protagonista insiste que para fazer um passado precisa de informações concretas, não dá pra criar do nada. Ela volta várias vezes, insiste e diz que ela terá que ter no passado cometido um assassinato. Ele diz que isso é muito incomum, as pessoas querem um passado sem crimes, apagar um crime, não o contrário. Instigado por essa mulher começa a preparar o passado dela. São muitas reviravoltas, é incrível.

Quem circunda esse protagonista também não é muito ético. O médico vive indicando pacientes, o obeso foi ele inclusive, e ainda faz confissões para o protagonista de segredos de consultório. Ele é interpretado pelo Odilon Wagner. Ele vai casar com a personagem da linda Mayana Veiga.

Adorei a construção dos passados. O personagem vai em lojas de antiguidades, compra objetos para que sejam do passado de alguém. Fascinante a senhora que coleciona álbuns de fotografias antigos e foi interpretado pela maravilhosa Ruth de Souza, não achei nenhuma foto no filme para mostrar. O protagonista compra em uma loja de antiguidades cartas de amor entre um casal. Essa parte da garimpagem de objetos me fascinou demais.  O protagonista passou a imaginar passados começando pelo seu. Ele foi adotado por um casal. O pai era repórter de TV, interpretado por Marcello Escorel, e fazia matérias sensacionalistas, o filho tem as fitas de VHS do tempo que o pai era vivo. Volte e meia o filho atribuía a essas matérias a sua história. O filho aborrece a mãe para contar a verdade e ela pega uma outra fita e diz que aquela é a história dele, mas ficamos na dúvida se não é mais uma mentira. A mãe é interpretada pela Débora Olivieri. Gostei muito também do filme nos confundir o tempo todo.

Beijos,
Pedrita