Assisti
Açúcar (2017) de
Sérgio Oliveira e
Renata Pinheiro na
Brasiliana TV. Descobri esse canal no Now, em Canais. É novo! E achei esse filme, eu adoro a
Maeve Jinkings.
Que filme desconcertante, cheio de símbolos metáforas! Muitas cenas são surreais e fantásticas! E que locação! Foi realizado em um engenho pernambucano. A protagonista chega de barco que anda pela terra. Incrível como foram gravadas as cenas, parece mesmo que o barco está na água. Como chegaram os colonizadores. E sim, é uma decadente fazenda de cana-de-açúcar.

Ela fica na casa grande caindo aos pedaços. Linda a casa, tudo antigo e detonado. Aos poucos entendemos um pouco. Ela não pagou a energia, não tem dinheiro, está falida. Um morador fala que os donos da casa grande estão com inúmeros processos trabalhistas na justiça. E ela comenta com a tia que os antigos funcionários tiveram a posse de um pedaço de terra, provavelmente pra pagar as dívidas deles. E pelo jeito não foi suficiente porque tem muitos processos trabalhistas ainda. O ódio que elas, a dona da casa grande a a tia, dos que ganharam por direito a terra é assustador. Os novos donos do pedaço de terra criaram um centro cultural e recebem dinheiro da Europa pra cultivar "plantas exóticas". Eles então conseguem com esses trabalhos ter renda, manter a terra produtiva. Os da casa grande só conseguem ter dívidas. A dona da casa grande contrata uma funcionária pra limpar a casa. É abominável como ela trata a moça. Reclama do preço, acha que a moça ter que fazer mais do que lhe é designado sem pagar adicional. Em uma briga ela diz que eles, os funcionários, deviam ser gratos, porque a família sempre deu teto e comida. Isso mesmo, acham que podem explorar a mão-de-obra só porque a pessoa vive na terra do outro, e isso tem nome né? A ótima
Dandara de Morais é a funcionária. O outro vizinho é
Zé Maria.
É tudo sutil e com poucos diálogos. A tia comenta do empréstimo pra plantar chuchu. Isso mesmo, a proprietária achou que poderia ter lucro com chuchu. Eles não sabem o que fazer com a terra. Ela não tem horta, nada pra a subsistência, não tem dinheiro, mas acha que algo milagroso vai acontecer. Que não pode abrir mão do pedaço de terra que sobrou, mesmo não sabendo o que fazer com ele. A tia é a maravilhosa Magali Biff, ela canta em alguns momentos, não tinha ideia que cantasse tão bem. A trilha sonora é incrível. Tem inclusive algumas músicas de Mário de Andrade. É um filme desconcertante!
Eu descobri o
Brasiliana TV por um acaso. Não tão acaso assim já que tem um tempo que não assisto mais a programação na hora que passa. Faço como na Netflix, vou ao streaaming e escolho. O
Brasiliana TV é um produto do
Canal Curta! Será gratuito por três meses e tem uma acervo nesse momento de 87 filmes brasileiros. E séries. Em séries estão programas de entrevistas e vários sobre o segmento. Boa parte dos filmes eu já vi, tem Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Quatrilho, Marvada Carne, Inocência, entre outros. Há vários documentários, esses não vi vários, mas vejo pouco documentário. Ao todo serão 340 produtos. Não sei se todos já estão lá, se contaram todos os segmentos. Pra assistir tem que ir no Now, em Canais, que o
Brasiliana TV está lá, sem custo adicional, com os outros canais.
Beijos,
Pedrita