Assisti
O Outro Cordeiro (2009) de
Malgorzata Szumowska no
TelecinePlay. Que filme indigesto! A diretora é polonesa e a autora do roteiro
Catherine Smyth-McMullen é australiana. O filme é uma co-produção entre
Irlanda, Bélgica e
Estados Unidos. No Brasil está como
O Rebanho.
Um homem que se diz pastor vive com um grupo de mulheres na floresta. No jantar, ele escolhe qual vai dormir com ele. As mais velhas ele vai deixando pra trás. E espera chegar a menstruação das mais novas para escolhê-las.
O grupo já está na fase que muitas mulheres já nasceram lá, portanto, ele sendo o único homem, ele é o pai delas. E ele aguarda para poder ter a primeira vez com elas. Tudo é ritualístico, com muitas frases de uma religião própria que ele criou. As que nasceram no grupo só conhecem essa realidade. O filme é nos dias de hoje, mas elas só conhecem aquela realidade.

Raffey Cassidy interpreta brilhantemente a adolescente que nasceu no grupo. Ela em breve vai ficar menstruada e o pastor aguarda ansiosamente. Como toda adolescente, ela começa a questionar as regras e se incomodar com as mulheres que aparecem machucadas. As mulheres falam que mereceram, que foi punição. Ela vê à noite, no escuro, o momento de intimidade entre o pastor e a escolhida, e se incomoda com a forma como elas são tratadas. Uma "corrompida", que é a que passa a questionar as regras, vai aos poucos mostrando outras realidades para a adolescente que vai percebendo a teia de mentiras do pastor. Sim, só nasceram meninas, nunca meninos? O elenco é excelente: Michiel Huisman, Denise Gough, Ailbhe Cowley, Jane Herbert, Mallory Adams, Eve e Isabelle Connoly.

O filme fala muito sobre machismo, violência contra a mulher, religião, rituais, posse e liberdade. O pastor que dita as regras, todas precisam ser obedientes, as escolhe conforme o seu prazer, mas tenta dizer que é sagrado. É uma seita a enésima potência, mas quantas religiões pregam a obediência da mulher ao marido, a resiliência, a tolerância, o silêncio: "só fale se for perguntada", "não incomode o seu marido com as questões domésticas", "tenha respeito", como se eles fossem uma entidade ou alguém superior. Filme mais que urgente nesse retrocesso avassalador que a sociedade vem caminhando.
Beijos,
Pedrita