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quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Padre a a Moça

Assisti O Padre a a Moça (1965) de Joaquim Pedro de Andrade no Canal Brasil. Há anos queria ver esse filme, mas nesse canal os filmes antigos só passam de manhã. Por sorte agora posso gravar e ver quando dá. O filme é inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade. O padre chega em uma cidade fantasma de Minas Gerais, a maioria dos moradores partiu. Dessas cidades que prosperaram na extração de ouro, mas com a escassez dos minérios quase desapareceu. A maioria da população é idosa, os jovens partiram.

O padre chega para a extrema-unção do vigário. O padre veio pelas montanhas, não há estradas que unem a cidade ao estado. A moça é filha do dono da cidade. O dono é interpretado pelo Mário Lago, o padre pelo Paulo José e a moça por Helena Ignez. Fauzi Arap e Rosa Sandrini também estão no elenco. Além dos atores, moradores da locação em Minas Gerais também participam do filme.  O Padre e a Moça foram gravados em São Gonçalo do Rio das Pedras, Serra do Espinhaço e na Gruta de Maquiné. Direção Musical de Guerra-Peixe, com interpretação do Quinteto Villa-Lobos.

No poema a moça é virgem, no filme ela é de todo mundo. A estrada aparece milagrosamente no final. O padre e a moça fogem, apesar dele buscá-la em casa e dela se arrumar para segui-lo, ela não pega nenhuma trouxa, nenhuma bolsa. Os dois andam muito, mas quando retornam rapidamente a cidade é avistada novamente. Eu pude ver esse filme graças a duas restaurações, uma em 1999 e uma segunda pela Cinemateca Brasileira que utilizou parte da restauração de 1999 e outra de um material original.

Beijos,
Pedrita

domingo, 15 de julho de 2012

Tocaia no Asfalto

Assisti Tocaia no Asfalto (1962) de Roberto Pires no Canal Brasil. Olhava que filme passaria bem cedo e vi que esse ia começar. Logo no início veio um aviso da Petrobras que esse filme foi restaurado com o patrocínio dessa empresa atráves da Cinemateca Brasileira. Que bom, porque esse filme é uma obra de arte. Sim, vocês leram Agildo Ribeiro como protagonista, novinho de tudo. Ele é um matador de aluguel. É contratado por um coronel do Nordeste para ir até a Bahia para matar outro coronel. Esses dois coronéis são políticos.

O que mais me surpreendeu é a atualidade desse filme. Esse matador não tem remorso de matar esse coronel, primeiro porque não sabe fazer outra coisa, depois porque não é ele que quer matar, mas terceiro porque esse coronel fez um açude para ajudar o povo da seca, foi eleito e o açude sumiu porque foi feito de areia só pra ganhar a campanha. A indústria da seca já a pleno vapor. Nada mudou. A fotografia de Hélio Silva é belíssima. Dos atores que conhecemos hoje participam do filme Othon Bastos e Antônio Pitanga. Os outros protagonistas são: Arassary de Oliveira, Adriano Lisboa, Angela Bonatti, Geraldo d´El-rey e David Singer. Glauber Rocha está na produção do filme. Tocaia no Asfalto ganhou prêmio de Melhor Diretor, Ator Secundário (Milton Gaúcho) e Fotografia no Festival de Cinema da Bahia e Melhor Argumento (Rex Schlinder) no Prêmio Saci.

Beijos,
Pedrita


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Saci

Assisti no cinema ao filme O Saci (1951) de Rodolfo Nanni na Cinemateca Brasileira. Esse filme participou das comemorações dos 60 anos de existência. Foi uma exibição especial onde estava o diretor e os atores que fizeram o Pedrinho e a Narizinho, Lívio Nanni e Olga Maria Amâncio. Lívio é hoje médico e Olga é nutricionista, que tinha na época só 5 anos. Tinham algumas poucas crianças na exibição. Contaram que nos outros dias crianças e pessoas da terceira idade assistiram ao filme e que eles se surpreenderam com a alegria e manifestação das crianças. Na sessão que eu fui as crianças também se manifestaram. Interessante que um filme realizado há 60 anos, sem os efeitos especiais de hoje, em preto e branco, ainda cativa e empolga o público.

Eu adorei O Saci, acho que me empolguei tanto quanto as crianças. O filme foi realizado na cidade de Ribeirão Bonito. Depois da exibição, Rodolfo Nanni contou um pouco sobre as dificuldades de realização do filme. Rodolfo Nanni tinha acabado de chegar de Paris onde estudou cinema. Como não tinham os recursos de hoje eles improvisavam as fantasias. O assistente de direção foi Nelson Pereira dos Santos. A trilha sonora é de Claudio Santoro. A Tia Anastácia foi intepretada pela cozinheira de Monteiro Lobato.  Eu amei a Sacizada só com crianças de Ribeirão Bonito, hilário o Saciólogo, lindo o menino. Outros do elenco são: Paulo Matozinho, Lívio Nanni, Otávio Araújo, Olga Maria, Maria Rosa Ribeiro e Aristéia Paula de Souza. E adorei conhecer essa versão do Sítio do Picapau Amarelo. O evento foi gratuito e ainda presentearam quem assistia com o DVD.

Beijos,
Pedrita


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Arraial do Cabo

Assisti ao documentário Arraial do Cabo (1959) de Mário Carneiro e Paulo César Saraceni no festival É Tudo Verdade na Cinemateca Brasileira. Essa sessão finalizou com um debate com Paulo César Saraceni, Amir Labaki e Ricardo Miranda. Esse documentário, que faz 50 anos, ganhou inúmeros prêmios e mostra um pouco do trabalho dos pescadores dessa região e da chegada de uma indústria. A fotografia é maravilhosa. Paulo César Saraceni contou como surgiu a ideia e como apareceu o patrocínio. Adorei o olhar dos cineastas para esse povo, a forma como pescam, as mulheres passando roupas com aqueles ferros antigos de carvão. Obra de Arte! Paulo César Saraceni comentou o quanto esse filme está atual, agora que falamos tanto de meio ambiente e das intervenções do homem na natureza. Arraial do Cabo ganhou os prêmios: Miqueldi de bronze no Festival de Bilbao, 1960 - ES, Festival del Popolo, Florença, Itália, Festival de Santha Margueritha, Itália, Prêmio Giuventu Catolica di Roma, Itália, Festival de Bergamo, Itália, Festival del Campeone, Itália, Henri Langlois da Cinemateca Francesa, França, Prêmio da Crítica no Festival da Bahia e Prêmio Lulu de Barros do Governo da Guanabara.




Beijos,

Pedrita

sábado, 5 de setembro de 2009

Ecos

Assisti ao documentário Ecos (2009) de Pedro Henrique França e Guilherme Manechini no festival É Tudo Verdade na Cinemateca Brasileira. Eu queria ver esse documentário, apesar de triste, porque tinha admiração pelo Toninho do PT. Não conhecia muitos detalhes da carreira dele, mas sabia do seu carisma e do quanto era respeitado em Campinas. Tinha ficado muito triste quando soube do seu assassinato e desconfiada que poderia ter sido um crime político. Um dia apareceu por email um texto da viúva sobre um abaixo assinado, contando as confusões das investigações e pedindo que assinássemos para que as investigações continuassem. Quando soube que tinha um documentário sobre esse triste episódio do nosso país quis apoiar e assistir. Gostei que o documentário não foi pelo caminho fácil do melodrama e sensacionalismo, foi pelo caminho da informação e do jornalismo. Então conheci bastante do Toninho e da sua carreira.

Gostei de conhecer um pouco da carreira do Toninho. Não sabia que ele tinha se formado arquiteto pela FAU na USP. E que tinha escolhido o Urbanismo como profissão. Foi isso que fez o arquiteto criar projetos de urbanização em favelas na década de 70. Com o projeto, ele se comprometeu a todos os fins de semana ir ajudar os moradores nos mutirões dos projetos de urbanização. Passou 15 anos indo todos os fins de semanas ajudar nos projetos de urbanização. Isso provavelmente foi o que mais lhe trouxe popularidade. Na sua trajetória, Toninho ganhou muitos amigos e alguns inimigos. Fiquei triste com esse Brasil confuso e tão pouco transparente. É absolutamente confusa a investigação. Me incomoda esse contracenso nesse país. Enquanto o Collor foi inocentado por falta de provas, e o que não faltavam eram provas. Os argumentos frágeis da morte do Toninho foram dados como conclusivos, mesmo as argumentações terem sido baseadas em suposições e não em provas. Eu sabia que as investigações tinham sido obscuras, só não tinha ideia do tamanho da dimensão das confusões e infelizmente o documentário conseguiu mostrar a teia de incongruências. Inclusive a morte de três bandidos em outra cidade, por policiais de Campinas, que alegaram terem sido em um confronto. Tudo estranho, irregular e muito triste. Apesar de achar que mesmo que esse caso seja melhor apurado, é possível que o que realmente aconteceu nunca apareça. Mais triste ainda. A viúva estava presente na sessão e disse que esse documentário vai passar em Campinas no dia 11 no Museu da Imagem e do Som. E depois em mais 6 bairros de Campinas onde as pessoas deram os depoimentos. Também há um site.

Youtube: Documentário ECOS discute o assassinato de Toninho do PT



Bejios,

Pedrita

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Humano, Demasiadamente Humano

Assisti ao documentário Humano, Demasiadamente Humano (1973) de Louis Malle no festival É Tudo Verdade na Cinemateca Brasileira. Esse e o curta passaram na mesma sessão. Mostra a produção de automóveis, os movimentos mecânicos, a quantidade de funcionários. Hoje vemos em alguns comerciais a automação, tudo é mais automatizado. Em 1973 já era, mas obviamente com outra tecnologia. Me impressionou a quantidade de mulheres na fábrica. Elas cuidavam dos estofamentos, dos fios e várias de grandes máquinas. Os cabelos e roupas dessa época também são ótimos. Quantas vezes me perguntei o que era humano e o que era máquina. E quantas vezes me perguntei se o funcionário era mais máquina ou mais humano. Os movimentos são tão repetitivos que eu já estava cansada de ver. E fiquei pensando como seriam aquelas pessoas dia após dia naquela aparente monotonia de movimentos.

O documen-tário mostra alguns processos de montagem até o carro ficar pronto. Depois uma feira lotadíssima onde todos dão palpites. E como criticam cada detalhe, e como dão palpites. Aí volta para a fábrica do final da produção retornando para o começo, com toda a genialidade do olhar de Louis Malle.



Beijos,


Pedrita

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vive Le Tour

Assisti Vive Le Tour (1962) de Louis Malle no festival É Tudo Verdade na Cinemateca Brasileira. Esse foi mais um documentário que vi nesse festival. Eu fiquei empolgada quando li na imprensa que o festival iria fazer uma mostra especial com documentários do Louis Malle, um dos meus diretores preferidos. Esse é um curta sobre a competição na França de ciclistas. Gostei muito e é bem divertido! Os ciclistas que ficam pra trás e tem dificuldade de subir as montanhas são empurrados pelos que assistem. A França parece parar pra ver a competição.

Youtube: Vive Le Tour (1962 Tour de France) Part 1



Beijos,

Pedrita

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um Povo nas Sombras


Assisti ao documentário iraniano Um Povo nas Sombras (2008) de Bani Khoshnoudi no festival É Tudo Verdade na Cinemateca Brasileira. Esse documentário mostra Teerã, seu crescimento rápido, o excesso de população, o crescimento desordenado e irregular. Lembra São Paulo pelo excesso de trânsito, muitos prédios. O que diferencia é que Teerã é uma cidade recente, que foi muito recentemente destruída pela guerra. Então tudo é novo, mas os conflitos estão lá. Bairros com muita pobreza. Shoppings idênticos. Outro diferencial é o fanatismo religioso. Gostei de mostrarem vários canais de televisão com programas do país e o que passavam naquele momento. Há entrevistas com fanáticos ressaltando a importância do sangue dos mártis para a revolução. Que uma revolução só tem valor com o sangue dos mártires. As músicas inclusive ressaltam a importância de dar a vida pela seu povo. A população é normal com poucas mulheres vestidas totalmente de negro e de forma austera. A maioria há executivos vestidos de ternos, mulheres vestidas sociais, muitos de jeans, com iPods e celulares potentes. O que diferencia é que as mulheres usam sempre lenços e vários são muito bonitos. O festival É Tudo Verdade acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro até meados de setembro. As apresentações são gratuitas.


Bejios,

Pedrita

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Moura Encantada

Assisti a apresentação musical A Moura Encantada: os mouros e a presença da cultura árabe na música tradicional do Brasil na Cinemateca Brasileira, dentro do evento De Rasgos Árabes. Se apresentaram músicos da tradição árabe, a mezzo-soprano Anna Maria Kieffer e cantadores, repentistas nordestinos. Um espetáculo eclético com fusão de gêneros diferentes. Gostei muito!

Inicialmente os músicos de tradição árabe Sami Bordokan, voz e alaúde árabe, Cláudio Kairouz, qanoun, William Bordokan, percussão, interpretaram canções tradicionais árabes como Allahu Akbar (canto de muezim), Moaxaja (tradicional árabe-andaluz) e Jezel (tradicional árabe).

Depois apresentaram com Anna Maria Kieffer, a belíssima Cantiga de Santa Maria n° 322 – Afonso X, o sábio (1221-1284), A morte de d. Beltrão (romance velho tradicional recolhido por Almeida Garrett em Portugal [1851], com inserções de improvisações em árabe, trechos recolhidos por Enriques de Valderrabano, na Espanha [1547], Celso de Magalhães e Antonio Lopes, no Maranhão [1873 e 1916] , La mañana de San Juán (romance fronterizo tradicional recolhido na Espanha por Diego Pisador [1552], com inserções a lo divino recolhidas por Anne Caufriez em Algôa, Portugal [1978]), Abenámar (romance fronterizo atribuído a autor árabe do século XIV publicado no Cancionero general recompilado por Hemando del Castillo, [1511], Inserções de texto recolhido por Virgílio Maya no Ceará) , A fonte do salgueirinho (tradicional recolhido por Anne Cauffriez em Caçarelhos, Portugal [1978]), Romance da moura encantada (tradicional recolhido por Estácio da Veiga no Romanceiro do Algarve [1870], com inserções de falas da moura encantada em Cortes de Júpiter, de Gil Vicente [1521] e de trovas do Cancioneiro Guasca, coletado por Simões Lopes Neto no Rio Grande do Sul [1910]).
Depois os cantores Sebastião Marinho e Andorinha fizeram um Duelo de cantadores (peleja). Outras músicas interpretadas foram: A donzela Teodora (trecho de texto enunciado em árabe [Livro das mil e uma noites, Cairo, 1835], amavelmente cedido por Mamede Mustafa Jarouche) e A história da donzela Teodora (criação a partir do folheto de Leandro Gomes de Barros [Pombal, PB, 1865 – Recife, PE, 1918]). A essa apresentação foi gratuita.


Música do post: Arabic Songs - MÚSICA ÁRABE_MUSIC ARABIC_Fairuz - medley of pop songs
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Youtube: ahiska.alahu akbar






Beijos, Pedrita