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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A Borra do Café de Mario Benedetti

Terminei de ler A Borra de Café (1992) de Mario Benedetti da Alfaguara. Eu olhava os livros que estavam disponíveis na Feira de Livros da USP e amei esse título. Comprei! Sem ler detalhes! O autor é uruguaio, muito conhecido por suas poesias e sim, seu texto é muito poético, que livro lindo! Que texto bem escrito!

O marcador de livros é da Pinacoteca.
 

Obra Composição Construtiva (1930) de Joaquim Torres Garcia

O livro mistura ficção a infância do autor na década de 30 até ele estar prestes a se casar. A família se mudava bastante. Aos 12 ele perde a mãe. Mágica a trama da Rita. Interessante conhecer um pouco do Uruguai e ver como tinha características diferentes do Brasil. Quando estava para comprar um apartamento e casar caem as bombas atômicas, são capítulos muito contundentes, com um olhar muito angustiado do autor que passa a ficar confuso com suas responsabilidades coletivas, como eu me sinto muitas vezes.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 12 de julho de 2021

O Quarto Branco de Gabriela Aguerre

Terminei de ler O Quarto Branco (2019) de Gabriela Aguerre da Todavia. Eu comprei esse livro na última Feira da USP que foi virtual. Como a dinâmica era diferente, escolhi livros a 50% da Todavia. Gostei muito da edição e dessa capa de Regina Parra.

Obra da foto: Annabel Lee de James McNeill Whistler
Marcador de página: Pedaço da obra Mulher Enxugando o Braço Esquerdo de Edgar Degas

Obra (1994) de Maria Freire

A protagonista está com o pai doente e acaba de descobrir que não pode ter filhos. Diferente de suas amigas, ter filhos foi sempre uma certeza, a notícia que não poderia ter filhos faz ela viajar para o Uruguai. Ela vive no Brasil, mas nasceu no Uruguai, como a autora, e segue para a garçonnière da família. A mãe sempre insistiu que o apartamento do pecado fosse vendido, o local era herança de família, mas o pai nunca vendeu. 
Obra Estância com Lua de Jorge Damiani

A protagonista resolve ir atrás de uma história que achou em um diário, que teve uma irmã gêmea que morreu pouco depois de nascer. Com a ajuda de um tio que mora no Uruguai, ela vai resgatando o passado e tentando entender o presente. O Quarto Branco fala muito sobre luto, a protagonista vive várias formas de luto de uma hora pra outra. Que livro profundo, lindo! Que estilo de escrita bonito, pincelado! Amei!
 

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O Filho Uruguaio

Assisti O Filho Uruguaio (2017) de Olivier Peyron no Festival Varilux de Cinema no Looke. Que filme delicado e bonito! Uma mulher e um homem vão ao Uruguai buscar uma criança.

Bem aos poucos e muito aos poucos  mesmo, vamos entendendo o que aconteceu. O pai do menino morreu e a mãe vai buscar o filho. A mãe desesperada é interpretada por Isabelle Carré.

O filme é muito importante para essas famílias que tem problemas com filhos de ex-relacionamentos. O quanto um deles pode cometer desatinos e criar uma vida de mentira para uma criança. O quanto uma pessoa pode interferir emocionalmente na vida da outra não falando a verdade. Descobrimos que contaram ao menino que tanto o pai, bem como a mãe, morreram. Ele vivia com uma tia que não sabe que a mãe não morreu, então acolhe o menino como filho. Eles vivem muito, mas muito bem. O menino é muito feliz. Como desfazer essa farsa? Um assistente social vai ajudar no processo e é interpretado por Ramzy Bedia. A tia por Maria Dupláa. A avó do menino por Virginia Mendez.
O menino por Dylan Cortes. A trilha sonora é linda. Tudo é muito poético no filme.

Beijos,
Pedrita

sábado, 12 de outubro de 2019

As Herdeiras

Assisti As Herdeiras (2018) de Marcelo Martinessi no Canal Brasil. Eu já tinha ouvido falar nesse filme que vem ganhando prêmios pelo mundo e queria muito ver. Coloquei pra gravar. Recentemente passou no Telecine Cult. Duas mulheres que já foram abastadas, estão com sérios problemas financeiros. Elas vendem os objetos de casa.

Até que uma delas é presa pelo não pagamento das dívidas. A que é presa é a que decidia tudo, mandava em tudo e todos. A outra fica sozinha com a empregada na casa enorme e cheia de regras.

As vizinhas começam a pedir a que fica que as levem em lugares. Por ela ser muito paciente e silenciosa, muitas outras pessoas começam a pedir. E ela começa a ganhar dinheiro com isso, mas principalmente, começa a se redescobrir, a descobrir a liberdade. Que roteiro original e delicado. A empregada, silenciosa também, apoia essa mulher que parece ter sido oprimida e coordenada pelos outros por anos. Ana Brun está impressionante, porque a personagem quase não fala. A bela Ana Ivanova é uma das que pede os trabalhos da motorista. A companheira autoritária é interpretada por Margarita Irùn. E a empregada por Nilda Gonzales.

As Herdeiras ganhou vários prêmios como no Festival de Berlim, em Cartagena, no Festival de Gramado, Festival de Sidney, entre tantos outros prêmios.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Millennium: A Garota da Teia de Aranha

Assisti Millennium: A Garota da Teia de Aranha (2018) de Fede Alvarez no HBOGo. O original não tem Millennium no nome, nem teria prestado atenção, mas só por ter Millennium me fez querer ver. Eu só tinha visto um filme da série de David Lagercrantz, o americano. Há três episódios da série sueca que nunca consegui ver. Está disponível no Now, mas precisa comprar individualmente cada um.

O 007 comentou que achava que eu não conseguiria entender porque não vi a série sueca, não é verdade. O filme explica muito bem os problemas familiares da protagonista logo no começo. Não deixa dúvida alguma. E complementa essas informações depois. Foi bem estranho ver esse filme com outros atores fazendo os personagens, foi o que achei mais difícil de ver. A protagonista é muito miúda, a do outro filme é bem alta, a outra mais andrógena, mas as duas são ótimas. Nesse a protagonista é interpretada por Claire Foy. O jornalista agora é interpretado por Sverrir Gudnason.

A protagonista salva mulheres de homens abusivos. Ela é especialista em computadores, é hacker, então é procurada por um cientista para roubar a pesquisa dele da instituição para que não seja feito mal uso. Só que quando ela rouba, ela é roubada. O cientista acha que ela que deu o golpe, uma trama muito intrincada. O cientista é interpretado por Stephen Merchand. O americano que vai resgatar o objeto roubado por Lakeith Stanfield.
Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 22 de julho de 2019

CD Puertas

Ouvi o CD Puertas (2017) de Adelia Issa e Edelton Gloeden do Selo SESC. Adoro esses músicos e gosto demais de composições que me instiguem, que não sejam conhecidas e esse CD é um desses. Me deparei com vários compositores e poetas que não conhecia, enquanto ouvia fui pesquisando, ouvindo outros trabalhos dos compositores, dos poetas, vendo seus históricos, foi uma viagem musical fascinante.

O CD começa com uma obra de Stephen Goss, do País de Gales. A obra traz textos de Shakespeare. A segunda obra é do britânico Denis Aplvor que compôs com poemas do maravilhoso Federico García Lorca, gostei demais desse compositor, muito fascinante a obra. A próxima faixa é de Heimo Erbse, e os poemas  de Joseph von Eichendorff, não conhecia nenhum dos dois que são alemães.O compositor seguinte eu já conhecia e gosto muito, Castelnuovo-Tedesco, a obra foi de Guido Cavalcanti.

Foto de Gal Oppido

Adorei conhecer o compositor Eduardo Fernandéz, uruguaio, e mais impactada ainda com os poemas de Gabriela Mistral que também não conhecia. Ela é chilena e li alguns de seus poemas, além do CD e é maravilhosa! O poema dela é que dá nome ao CD. Portas são sempre enigmáticas. Seus textos falam muito de falta de liberdade, submissão, são muito fortes, a música é igualmente densa. São três compositores brasileiros no CD, Jorge Antunes com uma obra do Bocage, Paulo Costa Lima com texto de Pierre Verger e Antonio Ribeiro que compôs com obras de uma das minhas poetas favoritas, Hilda Hilst, que textos maravilhosos.O CD é uma verdadeira preciosidade. Está a venda na loja do SESC, mas disponível também nas plataformas. Foi colocado só os áudios no youtube, vou colocar o CD aqui.


Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Hipnotizador - 2ª Temporada

Assisti a 2ª Temporada da série O Hipnotizador (2017) na HBO. Eu amei a primeira temporada que comentei aqui e esperava ansiosamente a segunda. Amei e foi interessante que é bem diferente da primeira, mas mantém todo o clima. A série é livremente inspirada nos quadrinhos dos argentinos Pablo De Santis e Juan Sáenz Valiente que quero muito conhecer. A direção é de Marco Dutra. A série é bilíngüe e é incrível como eu nem senti estranhamento desde a primeira temporada. É uma co-produção entre Argentina, Uruguai e Brasil

Começa com Arenas em um navio.  Arenas é interpretado pelo argentino Leonardo Sbaraglia, ator que adoro, além de lindo. Ele faz serviços gerais, mas os marinheiros estranham o grau de instrução dele, mesmo ele querendo parecer invisível. O barco segue para Puente Blanco, uma ilha onde pessoas com problemas mentais são levadas. Um marido leva a esposa. Alguns incidentes antes da chegada fazem o grupo descobrir que Arenas é O Hipnotizador.

Apesar de Puente Blanco ser um local para pessoas com problemas mentais, não há hospital, todos convivem em uma cidade. Não parece haver loucos. E vamos percebendo que os segredos são muitos. Alguns vamos adivinhando, mas é muito interessante como a trama é concluída. Chegamos a ter uma ideia, mas o roteiro surpreende sempre. O elenco muda praticamente todo. Gosto muito da Mayana Neiva, ela faz a dona de um bar.

Linda também a Carla Quevedo que interpreta a Abril. O médico, filho do criador de Puente Blanco, é interpretado por Daniel Hendler. O artista plástico por Luís Machin. O líder por Eduardo Miglionico. A juíza por Mirella Pascual.

Fernando Alves Pinto faz o pianista. Gosto muito dos mistérios dessa série, com toque de surrealidade, de irrealidade. Adoro a fotografia escura, ambientes escuros. É muito bem realizada na sensação de mistério, tensão e suspense. A ótima trilha sonora é dos irmãos Granato, Guilherme e Gustavo.

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Don´t Breathe

Assisti Don´t Breathe (2016) de Fede Alvarez na HBO On Demand. Foi a Andréa do Quitutes da Andréa que falou que tinha amado esse filme. Tenho vários amigos blogueiros que como eu amam esse gênero. Mas eu prefiro os de fantasminhas. O nome no Brasil é péssimo, O Homem das Trevas e o pôster que está no Now não atrai. Esse é mais interessante. O diretor é uruguaio e o roteiro é dele com Rodo Sayagues.

No começo eu fiquei pensando no que a Andréa tinha gostado tanto. Três garotos estão assaltando uma casa, há vários filmes sobre isso. Eles resolvem então assaltar a casa de um ex-militar do Iraque, que vivia solitário em uma casa isolada. Confesso que não entendo porque eles tiveram uma ideia tão ruim dessa. Um não quer participar, mas é ele que tem os códigos dos equipamentos de anti-roubo que seu pai trabalha. Como ele sabe que a moça que ele gosta precisa do dinheiro para ir embora da cidade, porque vive em uma situação complicada com uma irmã pequena, acaba aceitando.

As reviravoltas são impressionantes. Tudo é muito complexo e inteligente. Acabamos torcendo para os ladrões. E concordo com a Andréa, amei!!! Muito obrigada pela indicação. O trio é interpretado por Jane Levy, Dylann Minette e Daniel Zovatto. O ex-militar por Stephen Lang. Ah, estão fazendo uma continuação.



Beijos,
Pedrita

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Anico Herskovits - Percurso Gráfico

Fui a exposição Anico Herskovits- Percurso Gráfico na Caixa Cultural São Paulo. A curadoria é de Angélica de Moraes. São 50 gravuras feitas em xilogravura que remete à tradição da gravura japonesa. A artista plástica é uruguaia e vive no Rio Grande do Sul. Suas obras mostram muitos profissionais da construção em atividade.

Algumas obras tem textos quase poemas: "Como um pássaro sem asas, ele subia com as casas, 1981, de Anico Herskovits. São obras que mostram vidas simples com ofícios difíceis. Os textos que dão nome as obras foram tirados dos poemas de Vinícius de Moraes e Thiago de Mello e da música Construção do Chico Buarque.

Gostei demais das que são transformadas em livrinhos tridimensionais. Os textos são de Jorge Rein, um escritor brasileiro/uruguaio. O livro ganhou Prêmio Jabuti de Projeto Gráfico. Não sei se esse da foto estava na exposição, mas tinham alguns que vinham dos quadros, resolvi colocar um para ilustrar. A exposição vai até 28 de fevereiro e é de graça.

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Comédia Latino-Americana

Assisti a peça A Comédia Latino-Americana de Felipe Hirsch no SESC Vila Mariana. Esse espetáculo é a continuação de A Tragédia Latino-Americana que infelizmente não vi. Um grupo pesquisa textos e escolhem alguns para a encenação. O elenco é incrível: Caco Ciocler, Caio Blat, Camila Mardila, Georgette Fadel, Javier Drolas, Júlia Lemmertz, Magali Biff, Manuela Martelli e Rodrigo Bolzan.

Incrível o espetáculo, excelentes os textos. Há um inédito de  Reinaldo Moraes sobre Hans Staden. Interpretações de Catatau de Paulo Leminski. Poemas do chileno Nicanor Parra e o texto do argentino Martin Caparrós sobre militante anarquista Soledad Rosas. Em um momento todos os atores se unem para contar a história de Rosa Egipcíaca, uma negra escrava, que chegou bebê em um navio negreiro, com uma história enorme. Quando foi para Minas Gerais foi entregue a negros que utilizavam o seu corpo. Foi o Padre Xota que a abrigou. Ele e ela foram acusados pela Inquisição. Foi a primeira negra a ler e escrever no Brasil. Há vários relatos, livros, um ficcional.
As fotos são de Patrícia Cividanes

Incrível a execução do texto Dupla e Única Mulher do equatoriano Pablo Palacio. Duas mulheres juntas, parecem grudadas, falam um texto sincopado, coordenado. Os isopores fazem um efeito incrível mudando completamente o cenário que tem a direção de arte de Daniela Thomas e Felipe Tassara. A iluminação de Beto Bruel é crucial para dar todo o tom da peça. Amei os figurinos de Veronica Julian. Gostei que os atores usam microfones, fica bem mais confortável para nós e eles. E no fato de ter legendas, já que são textos complexos, a legenda tornou-se fundamental. Há música ao vivo criada por Arthur de Faria que fica ao piano, acordeom e sintetizadores, ainda Adolfo Almeida Jr. no Fagote e Efeitos, Mariá Portugal na bateria, percussão e tímpanos. Gustavo Breier no Processamento Eletrônico, Georgette Fadel no trompete e Pedro Sodré nas guitarras e overdrives. A Comédia Latino-Americana muda a cada espetáculo. Os textos mudam ou a ordem porque o grupo está sempre experimentando. Eu vi um peça de 2h30 de duração. Antes era mais de 3 horas com um intervalo, eu vi sem intervalo. A Comédia Latino-Americana fica em cartaz até 13 de novembro.
Vou colocar uma entrevista da primeira montagem, não dessa que vi que foi a continuação dessa.


Beijos,
Pedrita