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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Polite Society

Assisti Polite Society (2023) de Nida Manzoor no TelecinePlay. Que graça de filme! Estou na fase de experimentar filmes que nem sempre escolheria por falta de opção. Esse foi uma grata surpresa. O filme é britânico, alegre, colorido, ágil, cheio de danças e efeitos com característcos de Bollywood. A direção de arte é incrível! Belíssimos figurinos e cenários! A trilha sonora é ótima!

Duas irmãs paquistanesas da pá virada (velho isso hahahaha) tem ideias profissionais bem diferentes das sonhadas pelos seus pais. Uma fazia faculdade de artes plásticas e a outra quer ser dublê. Lindas demais Priya Kansara e Ritu Arya.

Divertidíssimas as amigas da escola, Seraphina Bah e Ella Bruccoleri. Como uma quer ser dublê elas vivem em lutas corporais. Tem muito efeito de arte marcial e muita arte marcial.
Elas vão em uma festa da alta sociedade, a irmã estranha porque a família dela não é. Há um noivo, lindas jovens também riquíssimas, mas ele escolhe a sua irmã. Ela desconfia e começa a investigar. A irmã começa a se transformar, joga as telas fora, começa a se vestir como famílias ricas e tradicionais se vestem. Ferrenha, a outra irmã não desiste de salvar a outra da cilada. As amigas dela ajudam. É uma graça! Que as mulheres nunca desistam dos seus sonhos, inclusive profissionais, por um casamento. 

Beijos,
Pedrita

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Manto

Assisti Manto (2018) de Nandita Das na Netflix. É a história do escritor indiano Saadat Hasan Manto (1912-1955). Gosto muito que a Netflix traz muitas biografias de pessoas que desconhecia de várias partes do mundo.
 

Manto foi acusado três vezes por acharem seus livros obscenos. Revolucionário na época, Manto mostrava com crueza as relações afetivas. Não há um único livro publicado no Brasil. Na Índia ele vivia entre a intelectualidade local, artistas, escritores, universitários, professores. Uma escritora do seu círculo tinha publicado sobre o amor entre duas mulheres.

Inicialmente Manto viveu na Índia, quando ainda era possessão inglesa. Muçulmano, quando a Índia fica independente, passam a perseguir esses religiosos. Então ele segue com a esposa para o Paquistão. Manto ficava inconformado com as perseguições, situações do país, passa a ter muita dificuldade em publicar seus textos e aumenta exponencialmente a ingestão de bebida alcoólica. Acaba tendo tuberculose, sendo internado e morrendo aos 42 anos. Os atores são ótimos: Nawazuddin Siddiqui, Razika Dugal, Tahir Bhasin, Vijay Varma e Rajshri Deshpande.
Beijos,
Pedrita

sábado, 10 de janeiro de 2015

Eu sou Malala

Terminei de ler Eu sou Malala (2013) de Malala Yousafzai da Companhia das Letras. O livro foi escrito com apoio de Christina Lamb e tem um subtítulo que o resume bem: "A história da garota que defendeu o direito a educação e foi baleada". Ela defendeu mais especificamente o direito a educação das meninas, já que no Paquistão as meninas não podem estudar e também nas religiões fanáticas muçulmanas. Muito antes da Malala ganhar o Prêmio Nobel da Paz eu já queria ler esse livro e intensificou a minha vontade após o post de novembro do ano passado da Marion. Conversando com um amigo ele disse que é difícil compreender a cultura desses países que temos pouco contato. Eu disse que é por esse motivo que prefiro ler livros escritos por pessoas que vivem nesses países. Malala conta como era o seu país, as tradições do seu país, de forma simples, ela conta como eram os costumes.

No livro fica compreensível porque Malala sempre achou importante estudar, filha de uma geração de professores, seu pai fundou escolas e sempre mostrou a importância do conhecimento. Apesar de no Brasil ter liberdade para o estudo, esse livro mostra o quanto estudar pode ser reformador e o quanto esse livro é necessário no Brasil para mostrar a importância de estudar e tentar mudar o mundo. Poucas profissões são almejadas por mulheres no Paquistão. A maioria das amigas de Malala queria ser médicas, mas Malala queria ser política.

Seu pai era gago na infância, então resolveu ser orador e se tornou um grande orador, fazendo vários discursos contra o Talibã que explodia escolas, matava crianças. Que foi o fanatismo do Talibã que exigiu as barbas longas, a burca, que perseguia e matava pessoas, inclusive crianças por pensarem diferente. Malala tinha o pai como ídolo e desde pequena discursava. Também no Paquistão, as meninas quando ficam mais adolescentes não podem mais se apresentar em público. Então aos 12 anos, quando ainda podia falar, foi estimulada a discursar a favor da educação. Passou assim a ser alvo dos fanáticos que um dia atiraram nela. Sempre fico pensando que religião é essa que estimula pessoas a atirarem em outras, matarem crianças, tudo em nome de um Deus. A própria Malala que é muçulmana, sempre pregou a sua fé, fala o tempo todo no livro da existência de um Deus, diz que no Corão não há nada que fala de matar o outro pela fé.



Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Shalimar, o equilibrista

Terminei de ler Shalimar, o equilibrista (2005) de Salman Rushdie, da Companhia das Letras. Eu adoro esse autor e queria muito ler esse livro. Há uns anos teve uma oferta no Submarino e não resisti. Ficou lá aguardando o dia de lê-lo. É simplesmente maravilhoso!


Todas as telas são de Dina Nath Walli, pintor indiano de Caxemira.
No início um embaixador é assassinado. Logo depois começamos em uma cidade, Caxemira, que fica entre a Índia e o Paquistão. Uma pacata cidade onde nasce Shalimar.

Vou falar detelhes do livro: Aos poucos vamos unindo as pontas e conhecendo também o início da história do Embaixador. Ele é de Estrasburgo, também uma região que teve interferência na guerra e mudou de domínio. Max queria fugir com seus pais, mas eles pediram para esperar. Depois dele conseguir sair do país, ele entra no mundo clandestino e igualmente como Shalimar, passa ,em nome de seu grupo, a resistência, a matar.

Shalimar, o equilibrista é um livro irônico, sobre conflitos do mundo todo. Também traz outra ironia. Apesar de Shalimar se tornar um terrorista, seu crime é passional. Ele matou o embaixador porque este lhe roubou a mulher. É um livro ambígüo. Como Salman Rushdie foi jurado de morte e viveu fugido, alguns de seus personagens passam o livro todo jurados de morte. O calculismo frio de Shalimar é intensificado porque ele se torna um terrorista só para passar o tempo, já que precisa esperar seus sogros falecerem para poder cumprir seu juramento de matar sua mulher e o embaixador. Ele jurara aos sogros que não os mataria, mas fizera outro juramento que os mataria. Para poder cumprir os dois juramentos, decidiu que cumpriria o primeiro enquanto os sogros fossem vivos e depois cumpria o segundo.


Também é muito triste a destruição de Caxemira e as regras impostas pelos muçulmanos. Caxemira era uma cidade pacata e alegre. Shalimar, o equilibrista vivia com uma trupe, sua mulher era a dançarina. Eles faziam apresentações. Com as novas regras, as mulheres eram obrigadas a usar a burca e a seguir os ditames muçulmanos. Algumas cidades como Caxemira resistiram e foram exterminadas.

Shalimar, o equilibrista mostra muito os conflitos que trouxeram muita intolerância a aqueles povos. Mas o mais estranho é o paralelo que Salman Rushdie faz como Ocidente que não é menos violento e opressor. Claro que fica difícil compreender na sua profundidade os conflitos nessa região de Caxemira, mas adorei por Shalimar, o equilibrista elucidar um pouco o momento em que a intolerância e as burcas, entre outras insanas regras, chegaram na região.
Shalimar, o equilibrista é um livro maravilhoso! Gosto muito do estilo narrativo de Salman Rushdie, seus parágrafos longos e ambígüos, a profundidade de seus racioncínios. Sou fascinada por esse autor.


Anotei alguns belíssimos trechos de Shalimar, o equilibrista, alguns são dos capítulos finais do livro, mas falam principalmente de momentos históricos na região de Caxemira:
“Haviam enterrado os maridos com quem passaram quarenta ou mesmo cinqüenta anos de vida desconsiderada. Curvadas, fracas, sem expressão, as velhas lamentavam os destinos misteriosos que haviam feito dar ali, afastadas, do outro lado do mundo, de seus pontos de origem. Falavam línguas estranhas que podiam ser georgiano, croata, uzbeque. Os maridos lhes falharam ao morrer. Eram pilares que desmoronaram, haviam pedido que confiassem neles e trazido as esposas para longe de tudo que lhes era conhecido, para essa terra-lótus sem sombra, cheia de gente obscenamente jovem, essa Califórnia cujo corpo era o templo e cuja ignorância era a felicidade, e depois tinham se mostrado indignos de confiança, soçobrando num campo de golfe ou caindo de cara numa tigela de sopa de macarrão, revelando assim a suas viúvas nesse último estágio de suas vidas, o quanto eram pouco confiáveis a vida geral e os maridos em particular.”

“Os fanáticos matam nosso cavalheiros e o Exército envergonha nossas damas.” Fuzilamentos, enforcamentos, esfaqueamentos, decapitações e bombas. “Este é o islã deles. Querem que a gente esqueça, mas nós lembramos.” Enquanto isso, o Exército usava o ataque sexual para desmoralizar a população. Em Kunan Poshpora, vinte e três mulheres tinham sido estupradas por soldados sob a mira de armas. A violação sistemática de meninas por unidades inteiras do Exército indiano estava se transformando em lugar-comum, as meninas levadas a acampamentos do Exército nuas, amarradas a árvores, os seios cortados com facas.

“De joelhos, Bombur Yambarzal foi condenado à morte em sua própria casa e disseram a sua mulher que, se os aldeões não parassem com esse comportamento pouco religioso e adotassem os modos sagrados, dentro de uma semana os militantes voltariam para executar a sentença. Naquele momento, Bombur Yambarzal, com um revólver na testa e uma faca na garganta, perdeu para sempre a visão, literalmente cego de terror. Depois disso, as mulheres não tiveram escolha senão usar burcas.”

Beijos,


Pedrita