Mostrando postagens com marcador Companhia das Letras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Companhia das Letras. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21

Os meus Melhores livros brasileiros de não ficção do século 21. A Folha reuniu 100 pessoas para eleger os melhores livros de não ficção do século 21. Sim, quem sou eu? Mas resolvi fazer a lista dos meus, que são poucos, já que mergulho pouco em não ficção. Eu leio muito mais ficção. Atualmente compro muito pouco não ficção porque fica encalhado aqui a ler. Vou começar minha lista com Maria Bonita de Adriana Negreiros da Objetiva que é incrível.
 

Tem tanto tempo que li que achei que A Ditadura Envergonhada de Elio Gaspari nem era desse século. Essa obra está também na relação da Folha em 9º lugar.
Lilia Moritz Schwarcz está na lista, mas não com essa obra que amo, A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis da Companhia das Letras, que li tem tanto tempo que nem está nesse blog. Nem tampouco entrou na lista o incrível Barbas do Imperador.
Eu fiquei na dúvida qual da Daniela Arbex eleger. Resolvi escolher Holocausto Brasileiro da Intrínseca que também está na lista da Folha empatado com o da Ditadura em 9º lugar. Os livros da jornalista são sempre muito contundentes.
Em Nome dos Pais de Matheus Leitão da Intrínseca só está na minha lista. Fatos tenebrosos sobre um período da história que não podemos esquecer.
E termino com Shnittke de Marco Aurélio Scarpinella Bueno da Algol.
Como viram é uma lista singela, bem resumida, mas eu amo participar de listas.

Beijos,
Pedrita

domingo, 1 de março de 2026

A Cabeça do Santo de Socorro Acioli

Terminei de ler A Cabeça do Santo (2014) de Socorro Acioli da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro. Uma amiga resolveu enfrentar a fila de duas horas da Companhia das Letras na Festa do Livro da USP, então incluí dois que queria na lista dela. Esse livro figura entre os melhores livros de tudo quanto é leitor. Desde o leitor que ama livros de fácil assimilação, quanto intelectuais e críticos renomados. E estou absurdamente impactada! O livro marcou minha pele, meus pensamentos! Que obra. Acioli começou a escrever esse livro em um curso com Gabriel García Màrquez e é a ele que ela dedica o livro. E sim, é realismo fantástico que amo! A leitura é breve, mas é tão genial que fiquei economizando, degustando cada breve capítulo. Foram dias inesquecíveis! Daqueles livros que queremos que todos leiam. E já vou atrás do outro livro dela.

O marcador de livro um amigo que me deu.

É uma belíssima edição com duas capas. Eu amo essa capa amarela de Elisa von Randow, depois há uma capa brilhante com foto do sertão de Márcio Vasconcelos.

A mãe de Samuel vai morrer e pede pra ele acender três velas para três santos e vá até Candeia procurar o pai. Começa uma trama mágica, cheia de mistérios, tradições, lendas e muita, mas muita fantasia.
Obra Deus não vende a terra que ele criou de Descartes Gadelha

Candeia está quase uma cidade fantasma. Samuel conhece a sua avó que manda ele ir de abrigar na cabeça do santo. Uma enorme cabeça de santo tombada no chão, com o corpo em cima. Dentro da cabeça Samuel começa a ouvir as rezas das mulheres da cidade. É um livro todo mágico, nada previsível, com várias vidas e histórias entrelaçadas. O melhor mesmo é ir desvendando lendo. 
Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Dia Nacional do Livro

A Liliane do Paulamar me enviou uma TAG para o Dia Nacional do Livro

1 Qual gênero você se mantém longe?

Eu leio menos comédias, não chego a ficar longe, só leio menos.

2 Qual livro tem vergonha de não ter lido?

Tem muitos, mas destaco Casa Grande & Senzala do Gilberto Freyre

3 Qual pior hábito enquanto leitor?

Meu pior hábito é não conseguir largar um livro. Mesmo que não esteja gostando eu vou até o final. Raramente larguei.

4 Qual livro foi mais desafiador?

Foi A Montanha Mágica de Thomas Mann que comecei a ler aos 17 anos e na época não tinha maturidade para a leitura, larguei e voltei várias vezes até entender, ler, amar e estar entre meus livros preferidos.

5 Qual autor tem a leitura mais envolvente?

São muitos, mas vou destacar Umberto Eco que amo e li vários de seus livros.

6 O que diferencia um bom livro de um livro inesquecível?

Acho que é muito pessoal, em geral os que falam com profundidade aos meus sentimentos e a minha história como Um Lugar Bem Longe Daqui da Delia Owens.

7 O que mais incomoda numa leitura?

Quando o livro toca em temas sensíveis como Ensaio sobre a Cegueira do Saramago que tive que parar várias vezes pra respirar e só depois retornar.

8 Você lê a sinopse antes de ler o livro?

Não leio quase nada, uma vez li a orelha do livro que contou o final, então evito detalhes.

9 Qual o livro mais caro de sua biblioteca?

Devo ter alguns livros muito raros por estar esgotado, mas não faço ideia de quais sejam.

10 Você compra livros usados?  

Eu comprava mais, mas o sebo aqui perto fechou e não passo mais em um sebo no centro. Como a Festa da USP uma vez por ano dá 50% nos livros, e tem Black Friday na Amazon, eu passei a comprar livros novos nos últimos anos. Compro nessas duas datas uma vez por ano o que vou ler no ano todo. De vez em quando ganho também livros usados de amigas que circulam livros.

Eu adoraria que amigos blogueiros participassem. Entendo se declinarem o convite. Sugiro Pandora e Geocrusoé.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Pequena Coreografia do Adeus de Aline Bei

Terminei de ler Pequena Coreografia do Adeus (2021) de Aline Bei da Companhia das Letras. Sempre quis ler um livro dessa autora elogiada. Era o que tinha disponível na Black Friday da Amazon. Bela edição, bela capa. Gostei muito!

O marcador de livros é uma pintura de Fátima Pombo. 

Obra Saboneteira Rosa (2020) de Ana Elisa Egreja

A protagonista é Júlia, que tem uma infância dilacerante. Sofre violência sistemática da mãe e abandono do pai. O estilo é muito interessante, as palavras parecem ter sentidos, expressar, dor, medo. Tem horas que parecem poemas. O texto só tem parágrafo quando Júlia escreve em seu diário e quer ser escritora. Só ao final a personagem parece ter algum sonho. Até então ela só arrasta a vida.
Obra Desbundo-me (2019) de Monica Piloni

A leitura me causou estranhamento. Em vários momentos eu me perguntava como ela sabia. Por que ela escrevia a minha história. Claro, não tudo, mas a violência, o pai que nada quer ver, o balé, a pensão, foi tudo muito esquisito. Mas Júlia tinha algo muito diferente, ela não tinha perspectivas, profissão, trabalhava em um bar, vivia na pensão, só existia. Isso só muda um pouco depois. Bela obra!

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Melhores livros brasileiros de literatura do século 21

A Folha convidou profissionais para escolher os Melhores livros brasileiros de literatura do século 21. Fizeram a seleção 100 especialistas entre editores, jornalistas, críticos, escritores. A matéria é fechada para assinantes e saiu no jornal impresso. Cada um tinha que escolher 10 livros brasileiros do século 21. Humildemente resolvi fazer minha lista e começo com o maravilhoso Um Amor Anarquista de Miguel Sanches Neto da Record que criou uma ficção baseada na comunidade anarquista que existiu no interior do Paraná. Cada livro terá o link correspondente ao texto que fiz no blog.
 

Em segundo o maravilhoso Becos da Memória de Conceição Evaristo da Pallas. Uma comunidade vai ser despejada, os moradores vão partindo aos poucos, com isso vamos conhecendo seus personagens. Que texto! A autora está na lista da Folha, mas com outra obra que não li.

Em terceiro o intenso Dois Irmãos de Milton Hatoum da Companhia das Letras. Com destinos diferentes, os irmãos se rivalizam. A seleção da Folha tem outro livro dele na relação que eu ainda não li.

Em quarto o delicado, nem sempre, Água de Barrela de Eliana Alves Cruz da Malê. Água de Barrela é o combinado que as profissionais fazem para lavar e clarear as roupas brancas. A história passa por várias gerações de mulheres.

Em quinto, Torto Arado de Itamar Vieira Junior da Todavia. Esse livro está na relação da Folha. Conta a história fictícia de Bibiana e Belonísia.

Em sexto, Deixei Ele Lá e Vim de Elvira Vigna da Companhia das Letras. Essa autora está na lista da Folha, mas com outra obra. São várias mulheres em um hotel.
O sétimo é O Sol se Põe em São Paulo de Bernardo Carvalho da Companhia das Letras. O autor está na lista da Folha, mas de novo com outra obra. Esse é uma história bem mágica em São Paulo, alguns momentos no bairro da Liberdade e seu universo japonês.
O oitavo é Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense. Esse eu acabei de ler, em realismo fantástico conta a história de uma cidade fictícia, Sanga Menor, e seus personagens, nem sempre mágicos.

O nono é Na Escuridão, Amanhã de Rogério Pereira da Cosac Naify. É sobre uma família disfuncional que vai desaparecendo.
Finalizando em décimo, Fantasma de José Castello pela Editora Record. O protagonista mora em Curitiba e é contratado para escrever uma obra ambientada na cidade.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 6 de março de 2024

Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie

Terminei de ler Americanah (2013) de Chimamanda Ngozi Adichie da Companhia das Letras. Eu queria muito ler esse livro depois de um comentário de um conhecido, só que lendo descobri que ele falava de outro livro, acho que ele confundiu o autor. Mas amei a obra! Eu comprei esse na pandemia, na Festa do Livro da USP virtual, com 50% de desconto. Demorei pra ler porque a obra é muito extensa, 513 páginas em letras pequenas. Eu já tinha lido dela Hibisco Roxo, que comentei aqui e tinha gostado muito! Americanah foi vencedor do National Book Critics Circle Award. E eleito entre os melhores livros do ano pela NYTimes Book Review.
 

O marcador de livros é da exposição Tim Burton no MIS

Obra Chinaza (2022) de Ganiyat Abdulazeez

 A obra é uma saga com a vida da nigeriana Ifemelu. Ela é de classe média, se apaixona na escola por Obinze. Na universidade, há conflitos políticos no país e por isso muitas greves de professores. Como a tia de Ifemelu estava nos Estados Unidos, ela consegue o visto e vai estudar lá. Obinze fica de encontrá-la depois. Ele nunca consegue o visto. O livro começa com Ifemelu nos Estados Unidos se organizando pra voltar a Nigéria. Está estabelecida, trabalhando, estudando, com namorado, mas ela quer voltar.

Obra Shantavia Beale de Kehinde Wiley

É nos Estados Unidos que Ifemelu conhece o racismo. É lá também que passa a escrever em um blog e acompanhamos alguns textos. Ela relata fatos que presenciou, questões curiosas que viu. Ela não nomeia as pessoas que menciona, mas os separa em categorias. Negro americano, negro não americano, e vai mostrando as diferenças. O blog dela fica muito conhecido e ela passar a dar palestras. Ela comenta que o negro americano sempre acha que seus descendentes foram reis e rainhas, porque desconhecem os seus antepassados, já que foram escravizados. Ela já conhece seus descendentes que em geral são pessoas comuns, como seus pais. O texto do livro é muito inteligente. Em alguns momentos até eu me incomodava com uns comportamentos meus que ela relata no blog, falando de uma dona de casa de uma casa em que ela trabalhou. Na Nigéria Ifemelu não trabalhava, só estudava. Nos Estados Unidos ela precisa trabalhar para se sustentar no país, enquanto estudava, trabalha como babá e alguns outras funções. O racismo nos Estados Unidos é parecido com o do Brasil. Embora aqui sempre teve casamentos e envolvimentos interraciais, desde a escravidão, muitas questões vividas por Ifemelu acontecem aqui. Obinze consegue ir para a Inglaterra, mas depois de um tempo é deportado algemado por ser imigrante ilegal.
Obra Pão Nosso de Cada Dia de Grace Ighavbota

No final do livro ela retornou a Nigéria, muito tempo depois. Nos Estados Unidos ela teve relacionamentos. Na Nigéria Obinze está casado. Fiquei só curiosa como Ifemelu vai lidar com o trabalho de Obinze. Ele enriqueceu porque entrou em esquemas fraudulentos no setor imobiliário. Ifemelu tem dificuldade de se readaptar, tanto que entra em um grupo de nigerianos que voltaram ao país. A sensação de não-pertencimento, seja nos Estados Unidos e na Nigéria são bem aflitivos. O texto é incrível, vários olhares, pontos de vista. Um livro e tanto.
Beijos,
Pedrita

sábado, 9 de dezembro de 2023

Úrsula de Maria Firmina dos Reis

Terminei de ler Úrsula (1859) de Maria Firmina dos Reis da Penguin & Companhia das Letras. Queria muito ler um livro dessa autora. Maranhense e professora, é considerada a primeira escritora negra do Brasil. Estou até hoje impactada! Que obra!
Comprei esse livro faz tempo em uma Feira do Livro virtual.
O quadro é de Peggy-Lou. 
O marcador de livros da Lemos.
 

Obra Romãs (1891) de Estevão Silva

A obra conta a história de Úrsula, bela jovem que vive com sua mãe paraplégica. Um negro salva um homem que caiu do cavalo e leva a casa da mãe de Úrsula porque está delirando. Lá o cavaleiro e a jovem se apaixonam. Os dois tem histórias trágicas. Fica claro que as vidas difíceis já vinham de muito longe. Grato pelo negro Túlio que o salvou, Tancredo o liberta. O vocabulário é riquíssimo! Que texto belíssimo!

Obra Paisagem de Horacio Hora

Úrsula e a mãe vivem sozinhas. A mãe conta o infortúnio das duas. Odiadas pelo irmão dela vão viver sozinhas nessa casa. Luiza conta sobre seu grande amor que morreu. Um homem bom e que foram muito amados. Interessante como a trama é contada. Susana, mãe de criação de Túlio, conta que o marido de Luiza era cruel com os escravizados que eram torturados, maltratados, que era um homem muito violento. Susana tem um capítulo só pra ela contar a sua história e de seu filho adotivo.

Obra Natureza-morta de Pedro Alexandrino

Em delírio Tancredo clama por Adelaide e Úrsula quer saber. Vem então outra história de traições. É um livro muito triste!

Beijos,
Pedrita

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

She Said

Assisti She Said (2022) de Maria Schrader no TelecinePlay. Eu sabia que teria que ter coragem de ver esse filme. É sobre jornalismo investigativo realizado por duas jornalistas do New York Times, Jodi Kantor e Megan Twohey sobre os abusos cometidos por Harvey Weinstein, que atualmente está preso com pena de 23 anos.

O tempo de investigação foi muito longo. Começa com uma das jornalistas que tem duas filhas pequenas, a outra está grávida e cuidando de outras pautas. Até que elas são unidas pela direção do jornal. Quando elas passam a trabalhar juntas, a outra já teve o bebê. Harvey Weinstein era um grande produtor de filme americanoA grande dificuldade foi conseguir provas, elas localizam várias mulheres, algumas não queriam falar e elas descobrem que elas fizeram acordos antes mesmo da denúncia ir à polícia. Elas ganhavam dinheiro e assinavam um documento onde se comprometiam a nunca mais falar do assunto com quem quer que seja. Pra piorar, elas não ficavam com cópia do acordo. Era muito difícil provar já que parte dos crimes eram cometidos entre quatro paredes, a palavra de um famoso e poderoso, contra as atrizes e profissionais do segmento.
O filme foca na investigação, nas cenas no jornal, nas conversas com as entrevistadas. O filme só mostra objetos que simbolizam os locais dos abusos. Gostei da condução do roteiro. Em geral o produtor assediava mais jovens atrizes, que tinham mais o que perder se denunciassem. Mas ele era tão perverso que se alguma conseguia se livrar do assédio, ele entrava em contato com outras produtoras e ela não conseguia mais trabalho. Sempre comento que há pessoas perversas, mas que há uma teia enorme de quem se silencia ou acata absurdos. Ele era poderoso, mas outra produtora aceitar não contratar uma atriz porque ele interferiu, é assustador. É uma teia de violência, desproteção, abandono e vulnerabilidade à mulheres. Os diretores do jornal são Patricia Clarkson e Andre Braugher.
Carey Mulligan e Zoe Kazan estão ótimas. Gostei que o filme mostra a vida pessoal das jornalistas. Elas tinham maridos incríveis que seguravam a onda no período de investigações. São telefonemas de madrugada, muitas entrevistas, solicitações. Viviam fora. A que tem filhas maiores precisa viajar, seria impossível pra outra, mas não é fácil porque ela também tem filhas pequenas. Mostra o quanto é difícil conciliar trabalho e maternidade.
As jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey. A matéria que elas publicaram. Depois elas lançaram um livro She Said que quero ler e no Brasil foi lançado pela Companhia das Letras.

Beijos,
Pedrita