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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025

Em 2025 li mais que a média, um dos motivos é que vários eram pequenos. Li 20 livros no ano e esses são 10 os que mais amei. Foi difícil fazer a triagem porque foram livros incríveis. A ordem está pela leitura, começa com o último, em modo decrescente.

O Céu Entre Mundos de Sandra Menezes

A mais recôndita memória dos homens de Mohamed Mbougar Sarr da Fósforo

Arrastados de Daniela Arbex da Intrínseca.

Objetos Cortantes de Gillian Flynn da Intrínseca

Moçambique com Z de Zarolho de Manuel Mutimucuio da Dublinense

Abraço Apertado de Émile Ajar da Todavia

Eileen de Ottessa Moshfegh da Todavia

Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense

 Após o Anoitecer de Haruki Murakami da Alfaguara

O Enigma do Quarto 622 de Jöel Dicker da Intrínseca

Foi um ano que fui mais ao cinema, ainda vou pouco, principalmente pelo alto preço dos ingressos, acabo preferindo ir ao teatro, mas não só fui como estão entre os melhores filmes que vi no ano.

O Último Azul

Ainda Estou Aqui

A Melhor Mãe do Mundo

Em música, os melhores foram

Uma Viagem Utópica com o SIGMA Project na Estação Motiva Cultural

Ronaldo Miranda - Piano Concerto pela Naxos

JJ Jun Li Bui no Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

Concerto Realidades Imaginárias da OCAM - Orquestra de Câmara da USP no Auditório Camargo Guarnieri na USP
Solista Edelton Gloeden

Kate Liu no encerramento do Festival Chopin na Estação Motiva Cultural

João Pedro Sigoli, pianista e o Duo Cerri-Botelho no Centro de Música Brasileira

Foi um ano de novelas incríveis




E eu ainda revi uma novela da minha vida, Além do Tempo 1 e 2 na 
Globoplay Novelas
Em teatro as melhores foram duas do Encontro Paulista de Teatro de Grupo

Cícera do Contadores de Mentiras

A Menina Passarinho da CTI - Teatro Baile

E ainda

Traição do Núcleo de Teatro de Imersão

Foi o ano que vi muitas séries. Por uma confusão da ClaroTV e inúmeras trocas de decoders, a última mudou o plano para Claro Box, passei a economizar R$ 100,00 e ainda vieram muitos streamings com comerciais Netflix. AppleTV, HBOMax. E depois a Disney abriu o sinal que termina agora dia 31.



Silo 1 e 2 na AppleTV

Ripley na Netflix
 
Paradise na Disney+

Depto Q na Netflix


Gostei demais do Libertárias no Canal Curta!

Nossa, como vi filmes, difícil escolher os melhores



Perfect Days na Netflix

Manas no TelecinePlay

Aftersun na Netflix

Mothering Sunday na Netflix

Close na Netflix

Camponeses na HBOMax

La Cocina na HBOMax

Napoleão na AppleTV

The HouseMaid na PrimeVideo
Em exposições destaco

Na Galeria Leme

De Mim para Nós de Jaume Plensa

Fulgor Atlântico de Tiago Sant´ana

Virgília de Jorge Enciso

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Coleção de Livros - Estadão

Assisti ao programa Coleção de Livros do Estadão no Youtube. Descobri esse programa por um acaso e já vi vários. A equipe vai na casa de alguém para mostrar a biblioteca dela, que fascinante. Eu sou louca por bibliotecas. Até agora me identifiquei mais com a biblioteca do Itamar Vieira Jr. Não com as estantes e a belíssima sala, mas com os livros. Temos livros semelhantes nas estantes. Do autor só li até agora Torto Arado que amei e tenho o seguinte na estante a ler. 
Amei que ele mostrou edições dos seus livros em outros idiomas. Os livros de Itamar rodam o mundo. Ele começou falando do Paciente Inglês que amo, ele comprou com 17 anos, eu um pouco depois de ver o filme que é igualmente maravilhoso. Os livros do autor estão com os Jabutis na frente que ele ganhou. Itamar comentou que essa organização na estante foi do companheiro que faz mais marketing que ele. E com esses vídeos, minhas listas de livros a ler só aumentaram.

Eu amei também o do Ignácio de Loyola Brandão, são os preferidos até agora. É uma biblioteca enorme, cheia de corredores e salas com estantes de livros, inúmeros históricos, que ele ganhou de amigos autores, foi fascinante. Ele também adorou a biografia da Viola Davis. Ignácio gosta muito das biografias do Lira Neto que preciso ler. Ele é fascinado por Cartas de Théo do Van Gogh que não li.

Depois vi o vídeo da biblioteca da Marina Person. Adorei a frase inicial, ela diz que perguntam o que precisa para a profissão de cineasta, ela diz que para qualquer profissão é preciso ler e muito, e penso o mesmo. A biblioteca da Marina é dividida por gêneros. Há uma prateleira de livros de ficção que são os que amo. Ela comentou como os livros vão chegando e no começo parecia fácil distribuí-los ali naquela prateleira até que não cabem mais. Aqui isso acontece muito. Ela disse que o marido (Gustavo de Rosa de Moura) indica livros e ela falou de um que fiquei com vontade de ler também de Alejandro Zambra. Engraçado que às vezes ela diz que ela e o marido leram juntos, mas ele leu e eles comentaram. Eu fazia isso com minha mãe, eu lia e falávamos sobre o livro, eu contava trechos, ela pedia pra eu continuar a contar a história. É muito bom compartilhar leituras. Marina falou de livros que faltam na estante, que ela emprestou e não devolveram, que ela gosta de emprestar, acha bom os livros circularem, mas como eu parece que não gosta se eles não voltam. Marina não comentou, mas eu vi Equador de Miguel Sousa Tavares na estante, a mesma edição que tenho e amo.
O último vídeo que vi foi do Nelson Motta, vou querer ver outros. Na foto ele segura Noites Tropicais que li, não lembro se emprestado ou de uma biblioteca. Tinha estranhado a pequena estante e poucos livros, mas ele contou que a filha disse que ele não ia ler mais, pra que ficar com os livros que eram mais de 800. Eu matava que dissesse isso pra mim, meus livros são meu tesouro, o que tenho de mais caro em casa. Mas minto, já me falaram muitas vezes. A que mais fala isso vive me ligando pra pedir livro emprestado ou porque precisa ou porque deu o que tinha. Ela está inclusive com dois livros meus. Nelson falou de biografias de músicos, várias do Tom Jobim e qual mais gosta. Dos amigos. Do Glauber Rocha que foi amigo e escreveu uma biografia. Ele contou sobre o livro Canto de Sereia que virou série, elogiou Ísis Valverde como cantora e falou que a série ficou muito melhor que o livro.
Fiquei pensando quantas bibliotecas quero conhecer, espero que façam vídeos com esses autores Bernardo Carvalho, Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Milton Hatoum, Cristovão Tezza, Miguel Sanches Neto, Manuel da Costa Pinto, Jefferson Tenório, Ana Maria Machado, Adriana Negreiros, Daniela Arbex, Miriam Leitão, Matheus Leitão, Lilia Moritz Schwarcz e tantos outros.

Beijos,
Pedrita

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Abraço Apertado de Émile Ajar

Terminei de ler Abraço Apertado (1974) de Émile Ajar da Todavia. Esse livro apareceu na minha lista e comprei na última Festa do Livro da USP. O autor quis escrever com pseudônimo depois de ficar famoso e elogiado como Romain Gary. Não gostei como veio na capa. colocando entre parênteses o nome de quem escreveu o livro Émile Ajar. Falam que nem os editores sabiam que era ele, o que pode nem ser verdade, mas o autor quis escrever como Émile, então colocar na capa o inverso, é mudar o nome do autor, mesmo que sejam a mesma pessoa. Li que o autor usou muitos pseudônimos. Eu amei essa capa de Laurindo Feliciano. É uma bela edição.

O marcador de livros ganhei de uma amiga.

Obra Composição (1905) de Mikalojus Konstantinas Čiurlionis

A capa tem tudo a ver com o livro, é praticamente uma fotografia do que ocorre. O protagonista tem uma Píton em seu apartamento, uma espécie de serpente que não tem veneno. Ela captura as suas vítimas com um abraço apertado. O livro é todo cheio de metáforas, ironias, trocadilhos e é genial. Muito carente, nosso protagonista se sente amado pela Píton que o abraça enquanto dormem, um abraço bem apertado.
Obra Torre de Menshikov (1929) de Alexander Drevin

O livro começa com o protagonista procurando um padre. Ele comprou uma preá para dar de comer ao Píton, mas ficou com pena, comprou um ratinho, também não conseguiu e passou a criar o ratinho também. A conversa dele com o padre é muito engraçada. O padre tenta fazer Cousin entender que é da natureza do animal, que um Píton como animais vivos.

Obra Bananal (1927) de Lasar Segall

Cousin é uma pessoa horrível. Ele acha que ele é magnânimo, que ele salvou o Píton da solidão. Ele também diz ter um relacionamento com a Srta. Dreyfus. Eles trabalham no mesmo escritório e ele a espera todo o dia para subir no mesmo elevador, raramente eles tem algum contato verbal no elevador, é só quando se encontram, mas ele jura que eles vão casar, como se ela soubesse do relacionamento. Ela é negra e ele é muito racista. Como a Píton, ele acha que ela precisa dele. É pavoroso a forma como ele se refere aos negros. Que homem horrível. O livro é todo inquietante.

Obra Homem em um Café (1950) de Vytautas Kasiulis

O final é todo desconcertante. Bom, o livro é, mas o final enlouquece completamente. No início a edição conta que o autor escreveu um final, que foi modificado para a primeira edição, então essa edição iria trazer os dois finais. O primeiro com o que realmente foi publicado e depois o que o autor escreveu primeiro. São bem parecidos. O que não foi publicado é mais extenso, mas as loucuras estão lá nos dois com desfechos diferentes. Que livro incômodo.
Beijos,
Pedrita

terça-feira, 24 de junho de 2025

Eileen de Ottessa Moshfegh

Terminei de ler Eileen (2015) de Ottessa Moshfegh da Todavia. Eu fiquei interessada em ler esse livro depois que vi o filme homônimo. Fiquei muito curiosa em conhecer na escrita os detalhes da personagem tão complexa. No Brasil resolveram complementar o nome da obra, totalmente desnecessário! Que texto! Que capacidade de descrição dos acontecimentos! Gostei demais!

O marcador de livros ganhei de um amigo, vieram vários semelhantes em uma caixinha.

O livro é ambientado na década de 60. Eileen é uma jovem que não se encaixa na sociedade. Perdeu a mãe de câncer, mas não tinha uma relação muito boa com os pais. Ele é alcóolatra. Eileen acredita que precisa cuidar deles. Ela acaba indo trabalhar temporariamente em um presídio de menores infratores e acaba ficando. A autora sabe construir brilhantemente os sentimentos dos personagens. A vida disfuncional de muitas pessoas. Fala muito de submundo, de vidas que não queremos olhar, dos invisíveis. Rebecca é loira no filme e quando a vi aparecer achei perfeita, meio Marylin Monroe. No livro ela é ruiva de cabelos longos e logo que apareceu achei perfeita, não podia ser diferente. Como a arte pode nos convencer na construção de seus personagens. Fui completamente volátil em aceitar a caracterização em cada expressão artística.
Acho incrível como Ottessa constrói Eileen. Carente de tudo, revoltada, ela se ilude com muita facilidade. Todos desprezam Eileen, não tem empatia com ela e a culpam por tudo, como se ela que fosse a responsável pelo pai, pela casa e ainda ter que trabalhar. Todos os conflitos que o pai cria bêbado, os policiais alertam Eileen, como se ela que tivesse que controlar o pai. Nunca falam diretamente com ele. Gosto demais como a autora vai criando a tensão e as surpresas e mais ainda como ela finaliza a trama.

Ottessa Moshfegh é americana, filha de mãe croata e pai iraniano, talvez por isso compreenda tanto essa sensação de não pertencimento na sociedade.

Beijos,
Pedrita

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Melhores livros brasileiros de literatura do século 21

A Folha convidou profissionais para escolher os Melhores livros brasileiros de literatura do século 21. Fizeram a seleção 100 especialistas entre editores, jornalistas, críticos, escritores. A matéria é fechada para assinantes e saiu no jornal impresso. Cada um tinha que escolher 10 livros brasileiros do século 21. Humildemente resolvi fazer minha lista e começo com o maravilhoso Um Amor Anarquista de Miguel Sanches Neto da Record que criou uma ficção baseada na comunidade anarquista que existiu no interior do Paraná. Cada livro terá o link correspondente ao texto que fiz no blog.
 

Em segundo o maravilhoso Becos da Memória de Conceição Evaristo da Pallas. Uma comunidade vai ser despejada, os moradores vão partindo aos poucos, com isso vamos conhecendo seus personagens. Que texto! A autora está na lista da Folha, mas com outra obra que não li.

Em terceiro o intenso Dois Irmãos de Milton Hatoum da Companhia das Letras. Com destinos diferentes, os irmãos se rivalizam. A seleção da Folha tem outro livro dele na relação que eu ainda não li.

Em quarto o delicado, nem sempre, Água de Barrela de Eliana Alves Cruz da Malê. Água de Barrela é o combinado que as profissionais fazem para lavar e clarear as roupas brancas. A história passa por várias gerações de mulheres.

Em quinto, Torto Arado de Itamar Vieira Junior da Todavia. Esse livro está na relação da Folha. Conta a história fictícia de Bibiana e Belonísia.

Em sexto, Deixei Ele Lá e Vim de Elvira Vigna da Companhia das Letras. Essa autora está na lista da Folha, mas com outra obra. São várias mulheres em um hotel.
O sétimo é O Sol se Põe em São Paulo de Bernardo Carvalho da Companhia das Letras. O autor está na lista da Folha, mas de novo com outra obra. Esse é uma história bem mágica em São Paulo, alguns momentos no bairro da Liberdade e seu universo japonês.
O oitavo é Sanga Menor de Cintia Lacroix da Dublinense. Esse eu acabei de ler, em realismo fantástico conta a história de uma cidade fictícia, Sanga Menor, e seus personagens, nem sempre mágicos.

O nono é Na Escuridão, Amanhã de Rogério Pereira da Cosac Naify. É sobre uma família disfuncional que vai desaparecendo.
Finalizando em décimo, Fantasma de José Castello pela Editora Record. O protagonista mora em Curitiba e é contratado para escrever uma obra ambientada na cidade.

Beijos,
Pedrita

domingo, 18 de setembro de 2022

Torto Arado de Itamar Vieira Junior

Terminei de ler Torto Arado (2019) de Itamar Vieira Junior da Todavia. Eu queria muito ler esse livro premiado e uma amiga me presenteou. Torto Arado ganhou os prêmios Oceanos e Jabuti e começa a ser editado em outros países como Alemanha, Bulgária, México, Inglaterra, entre outros. Vida longa e eterna a esse livro maravilhoso! Essa capa incrível é de Elisa v. Randow com ilustração de Aline Bispo, inspirada na fotografia de Giovanni Marrozzini da série Nouvelle Semence.

O marcador de livros é da Livraria Cultura com obra de Lucia Buccini.

Quadro de Peggy-Lou 

Foto de Giovanni Marrozzini

Torto Arado conta a história fictícia de Bibiana e Belonísia. Elas vivem em uma fazenda fictícia no interior de Minas. Elas acham nos escondidos da avó um facão, fascinadas pela lâmina levam à boca. São levadas correndo a cidade, uma perde boa parte da língua, dificilmente voltará a falar e a outra perde menos a fala. O médico diz que terão que fazer fisioterapia, o que naquelas condições de vida é inviável, como ir a cidade regularmente. Bibiana passa então a ser a porta-voz da irmã e elas ficam mais unidas ainda. Muito linda a união delas e elas serem tão diferentes entre si.

Obra de Aline Bispo

O livro conta a história da família das duas irmãs e seu entorno. Eles são explorados pelo dono da terra. Podem viver em um pedaço de chão, mas tem que trabalhar para o dono da fazenda, se sobrar tempo podem ter horta, com várias restrições. A casa também só pode ser de barro. Não recebem salário. A avó era a parteira, o pai era quem cuidava das pessoas com ervas e poções. Como fazer partos era desconfortável pelo contato físico com as mulheres, vai transferindo a função para Beloísa, que vai aprendendo com o pai sobre as ervas. Bibiana resolve ir na adolescência embora com quem se apaixona. Ela se forma professora. O marido torna-se ativista em defesa por melhores condições aos seus. É um belo livro, como diz uma amiga, com uma história muito bem contada, daquelas apaixonantes, que não queremos parar de conhecer. Muito lindo!
Beijos,
Pedrita