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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Espiritualidade da Arte

Assisti a palestra A Espiritualidade da Arte com Jorge Coli no Café Filosófico da CPFL Cultura. Jorge Coli falou de arte, de manifestações artísticas, de Pop Art. Gostei muito do interesse dele em colocar exatamente a palavra, sempre preocupado em achar a palavra que expressasse exatamente o seu significado. Ele não concorda com o termo irracional, já que vem da racionalidade. Ele utiliza o não racional. Inicialmente foi lido um texto de Thomas Mann onde falava de música. E Jorge Coli falou do processo criativo, da subjetividade da crítica. Ele disse que é possível fazermos críticas daquilos que temos empatia, senão tudo fica muito complexo. Que quem tem experiência para avaliar uma arte consegue fazer paralelos, localizar que um determinado pintor bebeu na fonte de outro, seguiu pela escola de outro. Paralelos que a habilidade e o conhecimento permitem.

Obra O Vaso Azul de Paul Cézanne

Jorge Coli mencionou artistas como Paul Cézanne. Mencionou a importância da religião que tanto financiou artistas como Michelangelo e como esse financiamento gerou reflexões. Do Pop Art mencionou Roy Lichtenstein que fez obras de arte com pedaços de histórias em quadrinhos.



Beijos,

Pedrita

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Drummond, música e poesia

Fui no recital Drummond, música e poesia da série Música de Câmara no Rio Hoje da CPFL Cultura no Teatro Cultura Artística Itaim. Esse teatro mudou de nome, é o antigo Espaço Promon. Eu mantive nas tags o Espaço Promon que já existia. A curadoria é do Clóvis Marques. Gostei demais! Adorei o repertório com obras de Guerra Peixe e Cirlei de Holanda. Gosto muito de música contemporânea, de composições inspiradas em poemas, vocês devem ver que regularmente falo de recitais assim aqui no blog. Os músicos eram ótimos: A soprano Doriana Mendes, o barítono Homero Velho, na clarineta Paulo Sérgio Santos e ao piano Fiulio Draghi.

O repertório era muito bonito. De Guerra Peixe (foto) interpre-taram: a divertida Rapadura, A Inúbia do cabocolinho, a belíssima Drummondiana e Prelúdios Tropicais No. 5 - Pequeno Bailado. De Cirlei de Hollanda: Congresso Internacional do Medo, Passatempo, Tema com variações, a emocionante As Sem Razões do Amor e O que se diz que é praticamente uma aula de português divertidíssima!
As sem-razões do amor
de Carlos Drummond de Andrade (foto
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.




e

Beijos,

Pedrita

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Voz em Bernstein

Fui no recital A Voz em Bernstein na CPFL de Campinas. A apresentação era com a soprano Adélia Issa e o pianista Ricardo Ballestero, com curadoria de Lauro Machado Coelho. Foi um belíssimo recital com canções inusitadas, divertidas e musicalmente incríveis. Havia um Data Show com as letras das músicas traduzidas e me diverti bastante. Gostei muito das canções La Bonne Cuisine - Four recipes (Émile Dumont). Lebre corredoras, doce de ameixas, rabo de boi bom para caldos, tudo irônico, inteligente e divertido.

Me diverti muito também com Trouble in Tahiti do musical What a Movie! Na letra falavam de um filme que idealizava a marinha americana enquanto as hawaianas cantavam seus hulas. A letra me remeteu imediatamente ao filme O Aventureiro do Pacífico. A letra dizia tudo aquilo que eu tinha sentido quando vi o filme e comentei por aqui.
Outras músicas do repertório eram: I Hate Music! - A cycle of five kid songs, Silhouette, Thirteen Anniversaries, e I Go On, “Mass” (Stephen Schwartz e L. Bernstein).
Na abertura, João Luiz Sampaio falou com muita desenvoltura sobre essa série dedicada ao Bernstein programada pela CPFL. Consegui conhecer um pouco mais sobre esse compositor.
Foi um excelente recital!

Música do post: Diverse - Soundtrack - West side story (Leonard Bernstein) - 08 - Gee officer krupke!
Youtube: Trouble In Tahiti


Beijos, Pedrita

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Fausto de Goethe

Fui ao recital com composições do Fausto de Goethe na CPFL em Campinas. Essa apresentação está inserida na série O Mito do Fausto no Tempo e começou com a exibição de um trecho de uma série alemã baseada no livro Dr. Fausto de Thomas Mann que é maravilhoso. Passaram o trecho que o Fausto conta que vendeu a alma ao diabo para realizar o seu sonho de compositor.

Foi um recital maravilhoso, fiquei várias vezes emocionada, arrepiada. Não só pelos belíssimos poemas de Goethe (foto), como pela música e principalmente pela interpretação magnífica dos músicos que eram: Adélia Issa, soprano, Marcos Tadeu, tenor, Carlos Eduardo Marcos, baixo e Ricardo Ballestero (foto: crédito - João Pires), pianista. Magistral!
Adélia Issa (foto) interpretou sempre Margarida ou Gretchen, Marcos Tadeu, Fausto e Carlos Eduardo Marcos, Mefistófeles.

Fiquei muito surpresa de ver quantos compositores fizeram música para o Fausto de Goethe. No repertório do recital estavam os compositores: Beethoven, Schubert, Berlioz, Wagner, Wolf, Boito, Stravinsky e Gounod. Composições, estilos e idiomas diferentes. No palco projetavam os poemas de Goethe que eram interpretados. Achei ótimo porque podíamos acompanhar a dramaticidade de cada momento. Me surpreendi muito com a frieza do público, era um espetáculo de tirar o fôlego, maravilhoso, com interpretações incríveis, mas eles somente aplaudiam.

Não consegui localizar especificamente os poemas que foram interpretados, mas escolhi alguns para ilustrar o post.
Trechos do Fausto de Goethe em que Margarida está sozinha:
Sinto o coração pesado.
Dias de paz, onde estais?
Ai, descanso abençoado,
nunca, nunca, nunca mais!
Inda não quitei a vida,
e já ’stou na sepultura.
Quem nasceu tão sem ventura,
melhor não fora nascida.

Trago esvaído o juízo,
o coração como louco.
Sempre durastes bem pouco,
horas do meu paraíso.

Mefistófoles:

Agora toca a ver se desfazemoso encalhe da soleira.
Quem nos deradente de rato aqui!...
Pedi-lo e tê-lo, tudo foi um; já lhe oiço a roedura;
não tarda uma unha negra. Esconjuremo-lo!

«O Senhor dos ratos, murganhos e moscas,
«das rãs, percevejos e mais sevandijas,
«ordena que roas as figuras toscas,
«que ele unta de azeite nestas pedras rijas.

Beijos,

Pedrita