Assisti
Elis (2015) de
Hugo Prata no
TelecinePlay. Tinha um certo pé atrás de ver esse filme. É muito difícil ver obras de pessoas que somos muito fãs e tinha lido umas críticas que diziam que o filme era suave com
Elis, mas não concordo. O filme é incrível, mostrou o temperamento difícil, sim, o uso de cocaína foi bem sutil, mas mostrou ela tomando pílulas, usando drogas e bebendo muito, mas muito whisky, combinação explosiva que a levou a morte.
Andreia Horta está impressionante como
Elis, mereceu todos os prêmios:
Festival de Gramado, Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Festival de Cinema Luso-Brasileiro e
Troféu APCA. Gostei da solução do filme de dublar a atriz nas músicas. Causa um certo desconforto, mas a voz de
Elis era única, difícil representá-la vocalmente.

O filme Elis é muito bonito, muito bem editado, lindos figurinos. É muito difícil fazer uma filme de uma pessoa com uma vida tão intensa, tantas viagens, tantas turnês. Souberam pontuar bem. Eu conhecia muito pouco da vida de Elis, principalmente do começo. O filme começa com Elis chegando com o pai no Rio de Janeiro. Ela vinha fazendo muito sucesso no Rio Grande do Sul, seu estado natal, e tinham oferecido gravar um disco dela. Mas eles demoram a vir, uns meses, entra o golpe de 64 e a gravadora pede que eles esperem. A situação da família dela é precária, então Elis resolve aproveitar alguns poucos dias para conseguir trabalho. Vai em uma audição para uma peça de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, mas é escorraçada. Ela então descobre um bar onde só cantam feras liderado por Miele e Ronaldo Bôscoli. Ela consegue um teste, depois cantar lá e é o início de tudo. O estilo de se apresentar dela veio de Lenni Dale, dançarino e coreógrafo que é orientado a ajudar Elis no palco que era muito contida. Sempre achei estranho aqueles braços, não tinha ideia que vinham de um coreógrafo. É impressionante como esse bar tenta explorá-la, só queriam pagar cachê depois, não diziam quanto iam pagar. O machismo no filme é bem evidente. O filme Elis mostrou bem a exploração que as mulheres sofriam. Eram musas, mas tentavam ao máximo podar as asas delas. Ter o controle sobre elas.

Elis recebe uma proposta de um empresário, começa a se apresentar em São Paulo até que ganha o programa de TV com Jair Rodrigues. Ela se reaproxima de Miele e Ronaldo Bôscoli. É nesse momento que Bôscoli fala dos cabelos curtinhos, ela corta e muda seu estilo de roupa. Os dois se casam. Logo vem a turnê internacional. Gostei que editaram bem, mostrando os lugares famosos que Elis cantou, com quem dividia o mesmo palco. Não sabia que na Europa Elis tinha criticado duramente o regime militar e chamado os militares de gorilas. Ela foi chamada a depor no Brasil, ameaçada e coagida a cantar para os militares. Henfil fez uma charge de Elis cantando no túmulo para Hitler, passou a ser hostilizada e vaiada em suas apresentações. Tempos escuros. Difícil julgar.
O relacionamento com Bôscoli é bem conturbado, mulherengo, ele não queria ter uma vida em família. Elis mãe, com criança pequena, ele fazia o que podia para se esquivar de ficar em casa. Eles se separam.

Elis começa então a se apresentar com César Camargo Mariano, até que se casam, vão viver em uma casa no campo e tem mais dois filhos. Toda a carreira da Elis é incrível, mas é essa fase musical que mais gosto. O relacionamento só começa a ficar instável porque Elis começa a ficar mais intempestiva, muito provavelmente pela influência da cocaína. Seu temperamento já era forte, acentuou e com as substâncias deve ter beirado o insuportável e eles se separam. Ronaldo Bôscoli é interpretado por Gustavo Machado, César Camargo Mariano por Caco Ciocler, o empresário por César
Troncoso, Miele por Lúcio Mauro Filho, Lenni Dale por um irreconhecível Júlio Andrade, Nelson Motta por Rodrigo Pandolfo, o pai por ZéCarlos Machado, Henfil por Bruce Gomlevsky, Jair Rodrigues por Ícaro Silva e Nara Leão por Isabel Wilker.
Foto de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli na década de 70.
Elis Regina morreu de overdose com 36 anos.
Beijos,
Pedrita