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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Dostoiévski-Trip

Assisti a peça Dostoiévski-Trip de Vladímir Sorókin no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. A direção é de Cibele Forjaz. O espetáculo reúne duas companhias: Livre e Mundana. No início já fiquei muito instigada. Pessoas vão chegando isoladamente, percebemos que marcaram um encontro, são viciadas e amei, viciadas em livros. São inúmeras citações de grandes autores e seus efeitos colaterais.

O traficante traz um livro que revelará uma grande experiência, altamente perigoso, é O Idiota de Dostoiévski. O grupo passa a desfrutar da leitura e a peça segue com trechos de O Idiota que li e comentei aqui. No final há uma catarse com os efeitos colaterais da leitura. O elenco todo é ótimo: Aury Porto, Edgar Castro, Guilherme Calzavara, Luah Guimarãez, Lúcia Romano, Marcos Damigo, Sergio Siviero e Vanderlei Bernardino.
Gostei muito dos figurinos que são bonitos, funcionais e vão se transformando durante o espetáculo sem percebermos. Dostoiévski-Trip fica em cartaz no CCBB São Paulo até 18 de dezembro. Os ingressos custam somente 20 reais e meia entrada, menos que um ingresso de cinema. Depois a peça viaja no ano que vem para os CCBBs de Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Dessa diretora eu vi o maravilhoso Galileu Galilei que comentei aqui.

As fotos são de Cacá Bernardes

Beijos,
Pedrita

domingo, 10 de julho de 2016

O Duplo

Assisti O Duplo (2013) de Richard Ayoade no Max. Volte e meia aparecem chamadas no facebook de matérias com filmes relacionados. O Duplo estava lá. Eu uma matéria sobre filmes estranhos. Na relação estava o incrível O Homem Duplicado que comentei aqui. Então resolvi ver esse. Agora entendi, é baseado no livro do Fiódor Dostoiévski de mesmo nome que não li. É incrível! Adorei! Surreal, maluco e inteligente.

Jesse Eisenberg está incrível como O Duplo. Inicialmente ele é um rapaz invisível. Daqueles que ninguém lembra. Trabalha há 7 anos em uma repartição, perdeu o crachá, mas diariamente tem que explicar ao mesmo guarda que trabalha ali há 7 anos e preencher uma ficha. O guarda é interpretado por Kobna Holdbrook-Smith. Até que surge um igual a ele, mas de temperamento oposto. O tímido é honesto, carinhoso, dedicado, exímio funcionário. O igual a ele é mau caráter, não trabalha, desonesto, mulherengo, mas todo mundo ama e ninguém esquece. Muito rapidamente é amado no trabalho, está sempre rodeado de todo mundo.

O tímido é apaixonado e encantado por uma linda jovem que trabalha no departamento do xérox. Ela mora no apartamento em frente ao dele e ele a espia. Obviamente O Duplo a seduz muito rapidamente e o tímido fica sofrendo. Adoro essa atriz interpretada pela australiana Mia Wasikowska. Alguns outros do elenco são: James Fox, Yasmin Paige, Wallace Shawn, Cathy Moriarty, Phyllis Somerville e Noah Taylor. A trilha sonora é incrível e aparece de forma imprevisível. 

Beijos,
Pedrita

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Idiota

Terminei de ler O Idiota (1868) de Fiódor Dostoiévski da Editora 34. Exatamente essa edição da capa, peguei emprestado de uma amiga. As ilustrações são de Oswaldo Goeldi e a tradução de Paulo Bezerra. Belíssima edição! Gostei demais, mas ainda são meus preferidos Os Irmãos Karamazóv e Memórias do Subsolo.

Obra Retrato de Olga e Varvara Arapova de Ivan Makarov

Começa com nosso protagonista indo a uma cidade procurar um de seus parentes distantes. Ele chega com uma pequena trouxa e roupas simples, se apresenta como príncipe. Demora um pouco para o aceitarem. É uma família com várias filhas, que pedem que ele conte histórias. Ele relata então como é a guilhotina na França, como são os últimos momentos do condenado, são várias páginas de relatos detalhados. Depois ele fala um pouco de sua vida, é chamado de idiota, é epilético e por ser simplório acredita que nunca casará porque é um homem simples. Sua sinceridade costuma assustar. Dostoiévski cria então um homem aparentemente muito mais sábio e humano que os que encontra.

Obra de Karl Pavlovich Briullov

Duas mulheres interferem na vida de nosso protagonista. A mimada filha de seus parentes distantes e uma outra mulher com reputação abalada mas muito mais nobre que muitos outros personagens. Inicialmente nosso protagonista é muito pobre, ganha uma pequena herança que esbanja ajudando muitas pessoas e pobres. Fica com um pouco de dinheiro, mas não mais com tanto. São retratados vários momentos desse personagem. Todos os personagens tem uma riqueza surpreendente de sentimentos, muitas vezes contraditórios. O texto é simplesmente maravilhoso.

Tanto os pintores bem como o compositor são russos.

Beijos,
Pedrita

domingo, 5 de agosto de 2007

Alguns livros da minha vida

A Andrea me convocou a participar dessa deliciosa incumbência. Indicar cinco livros. Não é uma tarefa fácil, eu indicaria muitos outros, mas vou escolher alguns especiais para cumprir esse ótimo pedido. Estou curiosa porque sei que algumas amigas devem fazer a lista também em breve. Algumas que já fizeram, eu já anotei algumas indicações que me interessaram.



A Misteriosa Chama da Rainha Loana de Umberto Eco

Eu simplesmente amei esse livro. Já adorava esse autor, mas foi muito surpreendente as descobertas da obra. Fala muito da memória, do saber ou não sobre o nosso passado, é ambigüo, complexo e simplesmente magnífico.

Trecho: "Era como se acordasse de um longo sono, e no entanto estava ainda suspenso em um cinza leitoso. Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu ainda não via nada, exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se dissolvia."




Rumo ao Farol de Virgínia Woolf.

Li há muitos anos. Peguei emprestado de uma biblioteca, nem tinha saído o dessa coleção da Folha. Nem lembro de que biblioteca era, já que era sócia gratuitamente de várias e pegava em várias. Nessa época eu não tinha dinheiro para comprar livros, nem em sebos, e as bibliotecas foram minhas companheiras. Não cobravam nada e tinham ótimos acervos.

Amo essa escritora e dela essa obra foi a que mais me marcou. Uma viagem de uma família. Maravilhoso! Não sei em que agenda anotei trechos, vou pegar alguns na matéria sobre o livro no site da Folha.

Trecho: "Essas palavras trouxeram uma extraordinária alegria a seu filho, como se a excursão já estivesse definitivamente marcada. Após a escuridão de uma noite e a travessia de um dia, o desejo - por tantos anos aspirado - era agora tangível. "

Baú de Ossos de Pedro Nava

Foi minha irmã que me apresentou esse autor e me emprestou esse livro. Ela tem a continuação, mas ainda não li. Pedro Nava relata as origens de sua família. Começa com a chegada de seus familiares no Maranhão. Até que as gerações chegam ao seu nascimento em Minas Gerais. Toda a vivência rural e hábitos alimentares lembraram muito minha infância, apesar de minha origem não ser de Minas Gerais.

Trecho: "Cada açúcar no seu lugar, cada açúcar na sua hora. É por isto erro rudimentar querer classificar os açúcares em superiores, inferiores, de primeira, de Segunda. Esse é o critério de quem os vende e não de quem os degusta. Só se pode fazer melado, com rapadura. Só com ela se tempera café forte e autêntico. Só se pulveriza doce seco com o cristalizado. Só com o mulatinho se obtém o bom café-com-leite-de-açúcar-queimado. Para doce de coco, baba-de-moça e quindim - o refinado. Para o de mamão verde, idem. Idem, ainda, para a cocada branca seca ao sol e para a cocada em fita. Para as cocadas raladas de tabuleiro e de rua -açúcar preto. E assim por diante..."

A Montanha Mágica de Thomas Mann

Esse livro ficou muitos anos como um mistério para mim. Minha mãe comprou-o daquela coleção do Círculo do Livro, tinha que comprar um livro por mês ao menos e comporu pelo que ela leu na revista. Ela não tinha o hábito e ler e conhecer grandes clássicos. Eu comecei a tentar lê-lo aos 17 anos. Parei várias vezes, recomeçava e sempre parava pela página 30. Alguns anos depois é que descobri a maravilha que essa obra que é. Os debates entre o jesuíta, o ateu e o indeciso são umas das grandes preciosidades que já li na vida. Cada um defendia muito bem as suas crenças ou descrenças, que eu ficava confusa das convicções que tinha a cada momento. Maravilhoso!
Trecho: "Que era, então, a vida? Era calor, o calor produzido pela instabilidade preservadora da forma; era uma febre da matéria, que acompanhava o processo incessante decomposição e reconstituição de moléculas de albumina, insubsistentes pela complicação e pela engenhosidade."

Os Irmãos Karamazov de Fyodor Dostoyevsky

Foi uma decisão difícil porque gosto imensamente de outra obra desse autor, mas amei esse livro e não poderia deixar de mencioná-lo. Eu comprei de uma coleção que saía nas bancas há muitos anos, em dois volumes e foi uma descoberta fascinante. Não tenho trechos anotados, talvez em alguma agenda, como anotava no passado, mas não lembro o ano. Vou colocar um trecho que achei na internet.
Trecho: "É preciso notar, no entanto, que, se Deus existe, se criou verdadeiramente a terra, fê-la, como se sabe, segundo a geometria de Euclides, e não deu ao espírito humano senão a noção das três dimensões do espaço."

Bom, agora tenho que escolher cinco blogueiros para participar também e indicar bons livros. Espero que todos participem porque tenho uma curiosidade enorme de ver suas indicações e de conhecer novas obras. São eles:



Poemas, Poesias e Elegias



Beijos,
Pedrita