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terça-feira, junho 07, 2016

Paulo Portas na Mota-Engil
Mais do que um prémio, uma aposta no futuro?


Cheguei a casa depois das nove da noite, nem meia dúzia de passos tive energia para dar quando me vi em terra firme.

Foi no percurso para casa que ouvi isto de o Paulo Portas ir trabalhar para a Mota-Engil. Mas apanhei a notícia a meio e logo depois tive que fazer uma chamada.


Por isso, só agora que liguei o computador é que fui à procura das notícias. Logo à cabeça o ex-irrevogável de capacete na cabeça e sorriso lustroso. Por cima aquilo que transcrevi no título desta mensagem: Mais do que um prémio, uma aposta no futuro. 

Fiquei espantada com a franqueza (um prémio...?). Só a seguir é que reparei - e estou a falar a sério! - que esta frase pertence a um anúncio da NOS, ou seja, não tem a ver com a contratação do Paulinho.

Portanto, lá fui ler a notícia. Vai para o Conselho Internacional da Construtora Mota-Engil com a prioridade do mercado da América-Latina. 


Ou seja, é um lugarzinho que lhe permite continuar a fazer aquilo de que gosta, isto é, bater perna por aí, frequentando bons hotéis e etc. Para a Mota Engil é, de facto, uma aposta no futuro, já que, nestes mercados, ter sido ex-ministro é um bom cartão de visita. E sendo um ex-ministro de um país europeu, melhor ainda. Não interessa se sabe ou não fazer alguma coisa: interessa que tem contactos, que se mexe bem, que tem desenvoltura para negócios. Se fosse mazinha, coisa que manifestamente não sou, até poderia insinuar que, se calhar, até tem alguma experiência em fazer negócios nos quais algumas das práticas correntes na América Latina são o pão nosso de cada dia. 

Podia dizer coisas assim. 

Mas não vou dizer. Por um lado acho que um ex-ministro não é forçosamente alguém com sarna que tenha que ser mantido em isolamento e a pão e água e, por outro, acho que mais vale que viva dos seus rendimentos do que ande por aí aos caídos, batendo com a cabeça nas portas que já não consegue abrir
-- e, sim, refiro-me ao Pedro (o que abria todas as portas, o tal que, entre outros lapsos, se esqueceu de pagar a Segurança Social, esse songamonga que deu cabo do País enquanto mandava os jovens emigrar ou chamava piegas aos que ia maltratando) e a quem, obviamente, ninguém de bom senso oferece trabalho.

Portanto -- e não estando eu a dizer que acho recomendável esta forma de actuar -- neste mundo dos grandes negócios da construção civil, em especial nos da América Latina (ou África) em que muita manha, algum savoir faire e um sorriso pepsodente, artes de dançarino e outras habilidades que tais são uma mais-valia, não estranho nem acho mal que a Mota-Engil contrate o ex-irrevogável Paulo Portas.


Nem, conhecendo-se os gostos de Paulo Portas e, naturalmente, a sua vontade de ter um emprego e um bom ordenado, me espanta que tenha aceitado o convite da Mota-Engil ou da TVI. Em ambos os casos junta o útil ao agradável: por um lado irá ganhar bem e, por outro, pode passear à borla ou vender refrescos em forma de comentário televisivo.


Ou seja, parece-me que tudo bate certo e que todas as partes ficam ganhadoras. E se é certo de que quando alguém muito ganha, outro alguém muito perde, poderá questionar-se: quem é que, nesta história, perde?
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Poderia alvitrar mas, a sério, não me apetece pois isso levar-me-ia para outros quadrantes temáticos e estou a cair de sono.
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E, para não acabarmos em seco, sai uma musiquinha. Como verão, não tem nada a ver nem com o ex-Irrevogável Portas nem com nada do que acima se falou. Apenas gosto do Lello Perdido e esta é uma oportundade para o ouvir. Desbocado e maluco mas, enfim, com uma irreverência que me agrada. Com vossa licença, silêncio que se vai cantar o fado.

Ser Milionário





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desejo-vos, meus Caros Leitores, uma grande terça-feira.

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segunda-feira, novembro 08, 2010

Também tu Brutus? (Digo, António Mota)


António Mota, presidente da Mota-Engil no olho do furacão. O rosto das grandes obras públicas na era Sócrates arguido por suspeita de crimes vários relacionados com evasão fiscal, barnqueamento, etc.

Sabendo como é a nossa justiça, que gosta de pôr montanhas a parirem ratos, não o julguemos na praça pública. Mas que ele tentou a evasão fiscal, isso é um facto até porque já pagou uns milhões que tinha tentado sonegar.

Era a prática corrente e vendia-se (ou vende-se?) bem vendida, a consultoria em optimização fiscal e isso é uma actividade legal. Onde está a fronteira entre o que é legal e o que não o é, às vezes não é fácil discernir e há quem saiba (e goste) de tirar partido da fluidez dessa linha.

Curioso também é como pessoas assim, envolvidas em esquemas, que tudo fazem para pôr a bom recato dinheiro que não querem declarar, são depois filantropos, cidadãos aparentemente exemplares, peritos naquela boa prática que aconselha a "give back" à sociedade o que a sociedade lhes deu.

Há quem diga que é apenas porque os donativos e o mecenato também contribuem para a optimização fiscal...
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