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segunda-feira, janeiro 20, 2025

Pessoas que dizem coisas

 

Há pessoas que dizem coisas. Como conseguem pôr um ar compenetrado e como conseguem manter uma certa consistência nesse 'ar', há quem os leve a sério e se convença de que eles têm coisas a dizer. E, de facto, têm. Têm sempre coisas a dizer.

As frases geralmente são bem construídas, não têm pontas soltas, e sobretudo são sempre elaboradas e expostas com o ar de quem sabe o que diz, de quem reflectiu maduramente no assunto e de quem, obviamente, fala com propriedade e conhecimento de causa.

Efectivamente, as suas frases não têm pontas soltas. De facto, começam e acabam no mesmo sítio, são frequentemente redondas. E têm a característica de que, bem vistas as coisas, espremem-se e não deitam sumo. Melhor dizendo: não deitam nada. Melhor dizendo: não se aproveita nada.

Quando acabam de falar, se quisermos resumir o que disseram, dificilmente encontraremos algo digno de realce a não ser que disseram coisas, coisas bem explanadas. Mas coisas inúteis. Se quisermos ser sinceros diremos até que falaram apenas para não ficarem calados. Ou, se quisermos ser inteiramente justos, diremos que falaram porque gostam de dizer coisas e gostam delirantemente de se ouvir.

Em todo o lado há gente assim. Não se lhes conhece obra, pensamento disruptivo ou, pelo menos, criativo. Nada. Apenas falam. Geralmente falam bem. Sabem até colocar bem a voz. Estão treinados.

Não vou falar de ex-colegas pois não são para aqui chamados. Vou apenas falar dos que estão na vida pública pois põem-se a jeito para a gente poder falar deles.

E vou ser sectária: vou falar apenas dos que são ligados ao PS pois deles se falou ou fala para putativo candidato presidencial ou sobre o assunto têm opinado.

Assim de repente, lembro-me de alguns. António José Seguro, Francisco Assis.

E António Vitorino. E, lamento dizê-lo, António Guterres (que não faz parte da lista dos presidenciáveis mas que fica bem aqui nesta grupeta).

Tenho dito.

Até amanhã.

PS1: Espero bem que o Pedro Nuno Santos, que tem revelado uma certa falta de jeito a escolher pessoas e, lamento, uma certa falta de tino, fique um bocado mais calado, reflicta melhor no que o País quer em vez de andar às voltas dentro do seu círculo, e não ponha o PS a apoiar nenhum destes

PS 2: Agradeço todos os comentários e o meu marido também. Agradecemos e gostamos muito de aqui ter os vossos contributos e testemunhos. Vou tentar que, a partir desta semana, volte à saudável prática de agradecer individualmente.

sexta-feira, outubro 07, 2016

Guterres, o nosso homem na ONU.

Ah e outra coisa: afinal sempre é verdade...!
As árvores sentem, têm relações de amizade e protegem-se entre si.
[Será que as árvores in heaven também gostam de mim?
Reconhecem-me quando ando junto delas? Ah.... tomara que sim.]



Há temas que são recorrentes por estas bandas, reconheço. Árvores é um deles. Mas sou uma pessoa limitada em tudo e até no tempo de que disponho para me inspirar. Sento-me aqui e, frequentemete, estando a milhas do andamento do mundo, dou um giro pelo espaço a ver se pesco alguma estrela em ascensão ou algum cometa descarrilado. Como é sabido, já que tantas vezes me queixo, frequentemente regresso ao meu sofá de balde vazio. Só cães a correrem atrás do rabo, rabos que já ganharam vida própria e que já correm mesmo sem cão, meninas a fazerem selfies, matarruanos a falarem do jogo da bola da véspera, papagaios de todas as cores e feitios, bernardos, rangélicos, galinhas, camelos -- e eu, já com sono, e sem ter um catalisador que me desate os dedos.

Claro que, em dias assim, o que me apetece é pôr-me a escrever sem motivo ou objectivo. Como quando pego em tintas e desato a pintar. Uma coisa apenas na boa.


Mas há outros dias em que, vindo já à espera de só encontrar provas e testemunhos de milagres atribuíveis a S. Guterres e de antever já uma corte de beatos a mover-se no sentido da canonização do Tony de Donas, dou com uma notícia surpreendente.

Note-se que isto não é cinismo meu pois a sério que acho que Guterres pode vir a fazer qualquer coisa de jeito na ONU, ao contrário do nhonhinas sorridente que lá está que, a bem dizer, a gente mal deu por ele (quando seria expectável que tivessse andado num virote com tanta guerra, tanto êxodo, perseguição, crise humanitária). 
Mas entre achar que é agradável para Portugal ter um seu -- e não um qualquer mas um ser sério, inteligente e humanista -- num lugar de prestígio e ficar contente por ele se ter aguentado perante tanto teste e, ainda por cima, por ter dado uma abada àquela marmanja insuflada pela Comissão Europeia e pela Alemanha 
alinhar nesta procissão de crentes, beatos, devotos que por aí andam entoando loas em sessões contínuas 
vai uma grande distância. 
Eu às vezes não percebo se os portugueses são maioritariamente totós, caniches que se atiram em voo picado sobre qualquer osso com que são desafiados, ou se são os nossos órgãos de comunicação social que são do tipo influenciável e que, à mínima, se alinham em rebanho para cenas de curtição colectiva, todos ao moche, bora lá malta.

Por qualquer coisa que aconteça, seja o que for, é uma bebedeira de comentário a copo: os balcões cheios de gente excitada a comentar, em repetex, o acontecimento. Resmas deles, em todos os canais. Agora é o Guterres. Todos gostam do Guterres, todos adoram o Guterres, todos beijam o chão que Guterres pisa, todos conhecem as virtudes de Guterres, o mais amado, o melhor de nós todos. E todos sabem tudo da vida de Guterres. Agora vi um biógrafo saído do século passado, de joelhos perante o mais novo santo do altar. Ou seja: uma overdose de Guterres.

Mas, dizia eu que, sem vir nada à espera, dei com uma notícia que me deixou enlevada, sorriso nos lábios, vontade de sair por aí a voar para me ir abraçar a elas, para conversar com as bichinhas.

Transcrevo:



Trees Can Make Friends And Look After Each Other Like An Old Couple


Trees provide mankind with an infinite source of useful stuff. They produce oxygen, they give us wood (stop it), they provide us with shade, and they give us something nice to look at when gazing out of the window. But trees aren’t just there to please us humans. No. According to a new documentary, trees, like us, have feelings. 
The documentary, called ‘Intelligent Trees’, is the work of German forester, author, and tree whisperer Peter Wohlleben, and Suzanne Simard, an ecologist from the University of British Columbia. According to their research, trees can feel emotions, communicate and make friends with other trees, and even cuddle one another.


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As fotografias são das minhas meninas in heaven, sempre juntas, felizes, verdes e frondosas, que não param de crescer, cheirosas, lindas.

E eu gostava de ser uma tree whisperer, uma encantadora de árvores.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia feliz.

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