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domingo, maio 12, 2024

Pode uma octogenária seduzir um jovem?
E essa coisa do beijo técnico... existe mesmo ou é cascata?

 

Dias tranquilos, bons. Podei árvores, reguei, dispus umas suculentas num canteiros onde nada medra, apanhei nêsperas, arrumei coisas, cozinhei (inclusivamente entrecosto guisado com favas e temperado com coentros), andei a caminhar de biquini para apanhar sol, li, escrevi.

Podia abrir um parêntesis para dizer como faço o entrecosto com favas, de que gostamos bastante, mas vou antes dizer que estou a livro a que resisti mas de que estou a gozar muito. Muito. Por muitos motivos e até pelos emotivos. Mas também porque já aprendi várias palavras que desconhecia. E fico na dúvida: terá sido o Gabo, quando a mente já começava a dar sinais de que estava a ir para um caminho sem retorno, a rebuscar palavras pouco usuais ou terá sido o tradutor que resolveu caprichar? Por acaso gostava mesmo de saber. Gosto de livros assim. Vemo-nos em Agosto. Um livro belo, povoado por garças azuis.

E agora ao ir espreitar o youtube dei com o fantástico Bial a entrevistar a fantástica Susana Vieira. Só a forma como se cumprimentam já é uma graça. Mas tudo o que ela diz é uma graça. Olho para ela e não consigo acreditar que já tem 81 anos. De facto, os tempos já não são o que eram. Pensava-se numa mulher com mais de oitenta anos e imaginava-se uma velhinha. Pois, no caso dela e de cada vez mais mulheres acima dos oitenta, velhinha uma ova. 

Susana Vieira fala sobre sua parceria com José Wilker e mais | Conversa com Bial | GNT


terça-feira, agosto 29, 2023

Rubiales: os seus genitais e o beijo a Hermoso (consentido ou sem sentido)
- Assédio ou não assédio, eis a questão -
.


Continuo entregue a tarefas comezinhas tais como fazer máquinas de roupa, estendê-la ao sol e ao vento, apanhar brinquedo aqui, coisa acolá. E também a tentar organizar minimamente os meus escritos e isto é, para mim, o pior. Gosto de criar e detesto 'manter' (catalogar, etc).

Dentro do possível, o dia foi, pois, tranquilo. Tenho sempre muito que fazer e quando é criar a partir do nada é um empolgamento; quando é inventariar e arrumar é uma missão que executo com algum sacrifício. De qualquer forma, sou geneticamente esforçada e, por isso, se meto na cabeça fazer uma coisa, eu faço, goste ou não goste. E, além disso, ocupa-me enquanto a minha mente não se ilumina para me guiar no caminho certo.

Com estas ocupações, não sei como, o meu dia esteve sempre preenchido. 

Felizmente dormi como uma santa. Dormia mais. Acordei porque fui acordada e também já não eram horas para voltar a cair no sono. A seguir ao almoço e depois de mais uma leva de roupa estendida, deu-me uma pancada de sono mas se caí no limbo da sonolência por uns dez minutos foi muito.

Ainda aqui não disse nada sobre o beijo do Rubiales na jogadora Jeni Hermoso e não disse pois tenho alguns mixed feelings

Ao ver o beijo, não me senti chocada. Pareceu-me não apenas haver euforia da parte dele como uma grande cumplicidade entre ambos. Que pessoas que se dão muito bem (como ela, depois, disse que davam), num explosivo momento de alegria exuberante e de consagração daquilo que muito desejavam, se beijem momentaneamente na boca não me choca. O vídeo completo mostra um apertado abraço, ele com os pés no ar, ela também exuberante, naturalmente bastante feliz da vida.

Coisa diferente seria se eu tivesse percebido surpresa ou desagrado da parte dela ou se, a seguir, em vez de tê-la ouvido desculpá-lo, tivesse ouvido que não tinha percebido, aceitado ou desculpado aquele beijo. Mas não. Não apenas me pareceu, num momento de grande euforia, o corolário de uma amizade e cumplicidade anterior como, no momento, não a vi minimamente incomodada ou surpreendida com o que se tinha passado.

Já me chocou, confesso, uma imagem que mostraram em que ele, no palco, está na maior explosão de alegria, aos saltos, aos gritos, de braços no ar e, às tantas,  tanta a adrenalina, agarra os próprios genitais. Parece coisa de excesso de testosterona, de pico orgástico -- mas, convenhamos, bastante despropositado em público. Aí diria que me parece inaceitável que uma pessoa com a responsabilidade dele tenha uma tão inusitada falta de maneiras. Mas este é um segundo tema e, que eu saiba, não é o que tem estado em causa.

Isto do assédio e do consentimento tem que se lhe diga e tem que ser avaliado por quem tenha os pés no chão, os neurónios a funcionar e um módico de bom senso.

Claro que se houver casos em que comprovadamente ele molestou, moral ou sexualmente, jogadoras ou outras mulheres, ou se fez depender o trabalho delas de cederem aos seus apetites ou caprichos, se foi inconveniente e desagradável causando-lhes incómodo ou pressão, aí as coisas, em minha opinião, mudam de figura.

Agora se foi só aquilo do beijo penso que antes de o crucificarem, queimarem vivo e apedrejarem, deveriam voltar a ouvir a jogadora. Se ela mantiver que são amigos, cúmplices de sonho e ambição, se têm grande confiança e à vontade e que não há nada a dizer sobre o beijo, então, o beijo não me parece caso para o que está a acontecer. 

Num caso destes não se põe a questão do consentimento pois não se proporciona parar e pedir: 'Posso dar um beijo?'. É um pico de euforia e ou bem que ambos têm cumplicidade para que isso aconteça ou não. 

Quanto à forma como publicamente agarrou os fogosos genitais parece-me, essa sim, muito incomodativa. Não sei se é caso para o sacrificarem publicamente ou se é caso de lesa-majestade mas acho que é, isso sim, caso para severa admoestação.

Quanto a ele, independentemente de tudo, ao ver o sururu que estava a ser criado, e ao ver-se a agarrar os genitais, o que penso que teria sido inteligente teria sido demitir-se. Simplesmente. Pedir desculpa se, com a sua exuberância emocional, tinha incomodado alguém e demitir-se. Tinha evitado muito exagero, muito moralismo, muita falta de bom senso. Tinha evitado ser esmagado, devorado, desonrosamente derretido  na praça pública.

PS - Volto a dizer: digo isto apenas pelo que vi pois não o conheço nem faço ideia de como se comporta social, profissional ou sexualmente.

sexta-feira, setembro 25, 2020

Com quem foi o melhor beijo?

 

Se a mim me fizessem esta pergunta em público teria que dar a resposta óbvia. Qualquer outra, para além de poder ser não verdadeira, poder-me-ia trazer sarilhos. 

E se eu gosto de beijos. Não há amor de verdade se não houver o prazer de beijar -- isto se for amor entre um casal, bem entendido. Mas, mesmo nos outros tipos de amor, penso que um beijo, um beijinho ou uma beijoca são laços indispensáveis na explicitação do afecto.

Mas, no caso da Sharon Stone, não houve esse tipo de pruridos: a pergunta referia-se a beijos em contexto profissional. Provavelmente não terá sido beijo técnico mas, sim, um pouco melhor que isso mas, de qualquer maneira, um beijo no contexto do trabalho que estavam a levar a cabo. Portanto, quiçá nada a ver com afecto mas com profissionalismo. Felizmente não sou actriz, senão não sei se conseguiria ser tão profissional quanto isso. O distanciamento suficiente para estar aos beijos e ficar como se não tivesse sido nada comigo parece-me coisa inantigível. Um beijo na boca é um momento de tal aproximação, de tal cumplicidade e comunhão que não sei como é possível ficar-lhe indiferente. E a verdade é que Sharon Stone parece também não conseguir ficar alheada e, passado tanto tempo, ainda recorda o bom que foi beijar Robert de Niro. E não me admiro. 

Robert de Niro é um homem da cabeça aos pés, daqueles homens que respiram masculinidade por todos os poros. E para um homem beijar bem uma mulher, bem, mesmo bem, tem que ser muito homem. Acredito que uma mulher também consiga beijar bem outra mulher. Mas lá está, para que o beijo seja bom tem que ser muito mulher. Ambas. Tal como um beijo homem-mulher só é uma porta aberta para o paraíso, para o covil dos amores, para o início e o fim dos tempos, se o homem for muito homem e a mulher muito mulher. Só assim haverá ternura, entrega, comprometimento, atração fatal.

O filme onde Sharon Stone degustou os belos beijos de Robert Niro, os melhores beijos da sua vida profissional (e se ela tem beijado...), foi o Casino. Por acaso, foi filme que não me encheu as medidas. Filmes entrecruzados por um narrador que, em voz off, vai tingindo a fita com explicações e embaciamentos, perdem fluidez e filmes sem fluidez (tal como livros ou conversas sem fluidez) são uma seca.

Não encontrei nenhum vídeo dedicado às cenas com beijos (mas, certamente, não tarda vai aparecer) mas encontrei este aqui abaixo onde dá para perceber a qualidade e envolvimento que existiu entre ambos.


E para provar a minha teoria, se Robert de Niro é um homem muito homem, Sharon Stone, por diversas vezes, também já deu provas mais do que suficientes de que é uma mulher muito mulher: quando representa e ousa como gente grande, quando tem um avc e recupera e se lança para uma nova vida, quando se apresenta de cara lavada mostrando as rugas, a pele macilenta e a perda de viço que as pessoas não esperariam ver numa femme fatale e, mais recentemente, quando se mostra, enervada, revoltada e, de certo modo, poderosa, falando do caso da sua família devastada e ameaçada pela covid, apelando a um voto que não num assassino.

sexta-feira, fevereiro 07, 2020

Beijo, a mais universal das línguas
[No pun intended]


Em dia de:
  • aprovação de Orçamento de Estado, com o PSD a andar às arrecuas e o deputado do six-pack a anunciar uma coisa e depois a fazer o oposto e, ainda por cima, de camisa vestida tapando a única coisa que poderia ter piada na bancada laranja, 
  • de notícia de prisão de traficantes de droga
  • e de que há mais casos no futebol com inquéritos a decorrer sobre fuga ao fisco, 
  • e isto já para não falar do mediaticamente omnipresente coronavírus 
  • e do Trump a limpar-se do impeachment e a gabar-se de uma forma vil e boçal, 
resolvo que, a esta hora e depois de um dia em que ocorreu um evento especial e sobre cujos efeitos colaterais tenho que tomar uma decisão nada fácil, não vou falar sobre nada disso. A esta hora tenho que dar férias à minha cabeça. Portanto, com vossa licença, permitam que os meus neurónios embarquem numa daquelas viagens de comboio que tanto me fascinam por esse mundo afora. (Comboio virtual, claro. Viagem virtual, claro. Mundo afora também virtualmente falando, claro.)

Mas explico por onde a virtual-viagem me levou: estando eu a querer ir para bem longe, deu-me para ir ver algumas Vogue. Há sempre lá coisas de bom gosto, nomeadamente boa fotografia. Estive a ver a Vogue russa, a Vogue japonesa e depois lembrei-me de ir ver a Vogue alemã. E foi aí que dei com um vídeo bem bonito. Já tem uma meia dúzia de meses mas faz pendant com o mood certo para me afastar de decisões difíceis. E, vendo o vídeo, está a apetecer-me dizer algumas breves. Permitam-me.

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Nunca fui muito de me achar mas, ainda assim, até há algum tempo eu supunha saber algumas coisas. Por exemplo, há uns anos eu atirar-me-ia sem medo para um texto sobre as diferenças entre os homens e as mulheres no que respeita ao desejo. Nem hesitaria. Diria que as mulheres precisam de um clima, precisam de tempo, precisam de afinidade, precisam de romance, precisam de beijos. Diria, também, que os homens não precisam de nada disso, precisam apenas de oportunidade. Talvez algum tempo depois, quando estava a aproximar-me da sabedoria -- que, em mim, é sinónimo de consciência da própria ignorância -- acrescentasse que, para além da oportunidade, os homens precisam da prévia certeza que qualquer avanço seu será bem aceite. Mais tarde ainda, acrescentaria que aquilo de que precisam mesmo é que a mulher dê o primeiro passo. 

Agora não. Agora sei que apenas tenho uma vaga ideia de algumas coisas e que é tudo falível porque, sendo tudo aquilo que acima disse a mais pura verdade, não é menos verdade que depende das mulheres, depende dos homens, depende da sua maturidade ou das circunstâncias.

Sei que uma mulher, em certos casos, pode passar por cima de tudo e, guiada por um inexplicável misto de certeza e de urgência, sentir-se a ponto de, às cegas, cair nos braços de um homem. 


Identicamente, sei que um homem, apesar de quase ter a certeza de que a mulher também está afim e que oportunidades não faltariam, pode preferir a dança pré-nupcial, prefere cortejar, exibir os seus dotes, prefere o prazer maior da sedução.

Ou seja, 'há casos e casos'. E saber isto, ou seja, nada, é tudo o que o meu percurso de vida me ensinou até hoje sobre esta matéria. Aliás, pensando bem, sobre qualquer matéria. 


E esta noção da fragilidade da minha compreensão destas coisas é ampliada pelo facto de que há mais binómios a ter em atenção: há o amor entre mulheres e o amor entre homens. E desses amores eu não sei falar. Por exemplo, 
  • as mulheres quando gostam de outras mulheres são todas encantamento e romance antes de passarem à fase do desejo sexual? Ou há casos em que a pulsão sexual não se compadece com compassos de espera e bora lá mas é ao que interessa? -- Não faço ideia mas admito que, da mesma maneira, haja 'casos e casos'. 
  • E entre homens? É tiro e queda e depois logo se vê se há alguma afinidade? Ou há casos em que, antes de mais, a coisa até parece estar mais na base da amizade ou da partilha de interesses, de ir beber um copo, ir ao café ver a bola, coisa assim a tactear a ver se dá ou se não dá? -- Também não faço a mínima mas, lá está, haverá 'casos e casos'
Seja como for, uma coisa tenho como certa: homens ou mulheres que não tenham alguma vez experimentado a emoção, o frémito, a doçura, a fusão, a vontade de deixar que os corpos se conheçam, fechando os olhos, beijando o outro com total entrega e esquecimento de tudo, não se aproximaram nunca do jardim das delícias, não ouviram a tentadora melodia do cântico dos cânticos. Em suma, não sabem o que é bom.
[Mas, claro, estão a tempo de tentar descobrir]. 

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E o vídeo é este. Para ouvir sem música de fundo.

Se puderem, fechem os olhos. Os beijos querem-se de olhos fechados.


Zwei Lippen, die sich sanft berühren. Langsames Ein- und Ausatmen und unendlich lange Blicke, bei denen man sich ganz im anderen verliert. Das vollkommene Auflösen im anderen und schwerelose Entfliehen der Realität. Gefühle, die man nicht in Worte fassen kann und will, im Moment sein und nicht mehr wollen, als das Hier und Jetzt – kaum etwas lässt uns die Realität für einen Moment vergessen, wie das Küssen.
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As mulheres foram fotografadas por Francis Giacobetti e o homem por Herb Ritts
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Volto aqui para dizer uma coisa. Estou com vontade de contar uma história (verídica) e tive esperança de que ainda conseguisse. Mas ponho-me a responder aos comentários, distraio-me, deixo o tempo passar. Agora já não consigo começar outro post. Talvez fique para amanhã. Portanto, passo já para as despedidas.

Uma happy friday

quinta-feira, junho 06, 2019

O beijo conjugal
[Conselho contido no Manual de Etiqueta do Vilhena]


Embora de menor interesse e menos praticado do que o beijo entre o patrão e a criada, o ósculo entre a esposa e o marido tem ainda os seus cultivadores. Se é certo que esse hábito está fora de moda, a etiqueta ainda o prevê em certos casos, como nas gares de caminho de ferro e aeroportos, quando o esposo deixa a mulher, temporariamente, para ir fazer uma dessas viagens de negócios com que periodicamente interrompe a mesmice e a chatice conjugal. Nessas alturas o marido beijará a esposa com uma certa afectividade, direi mesmo algum entusiasmo, principalmente se estão pessoas ao pé, pois esse gesto cai muito bem nos circunstantes.

Já alguém escreveu em qualquer parte (creio que fui eu próprio) que o beijo conjugal é como um chewing.gum: quanto mais se mastiga menos sabor tem. Por isso convém fazer certa economia nessa matéria. Após dez anos de matrimónio, os maridos bem educados beijarão as suas mulheres (refiro-me às legítimas, claro) no Natal e na Noite de Ano Bom. Nessa noite, e possivelmente por efeito do álcool, alguns vão mesmo mais longe. Mas isso já é uma delicadeza extra.

sexta-feira, setembro 01, 2017

Notícias do paraíso


Afinal a mamã gata branca não tem apenas o bebé gatinho branco. Já antes tinha visto dois gatinhos cinzentos mas deixei de ver, pensei que não tivessem resistido. Só via o branquinho que anda perto de nós, mia baixinho a chamar-nos. 




Nunca tive um gato. Não sei interagir. Não sei se é suposto chegar-me mesmo ao pé, pegar-lhe ao colo, enchê-lo de beijinhos como fazia com a minha cãzinha. Com o bebé gatinho falo, vou perto, fotografo, mas não sinto intimidade para lhe chegar a mão. Apesar de bebé, tenho medo que se assanhe ou que apareça a mamã gata e me salte para cima. Quando o meu filho namorava, volta e meia estava sentado na sala com a namorada e saltava-lhe o gato dela em cima, um gato endemoninhado que parecia querer dar cabo dele. Só de imaginar isso, ficava aterrada, nem queria que ele me contasse.

Agora sempre que sobra peixe ou batatas ou coisa assim vou pôr lá numa curva do caminho. Os meus filhos acham isso uma coisa infra-urbana, a bem dizer, uma porcaria. Não quero saber. O meu filho diz que tenha eu cuidado não vá tornar-me como uma velha lá da rua dele que anda a dar de comer aos gatos. E eu lembro-me daquela castiça que anda pelo Ginjal a atafulhá-los de esparguete e comida enlatada, quase se zangando com os pobres bichos quando não acorrem à chamada dela. Não quero esse futuro para mim mas a verdade é que fico a pensar no que terão aqueles pobres bichinhos para comer nestes dias de calor e secura. Se comessem figos secos estavam garantidos, que, por baixo das figueiras, está tudo cheio de figos secos. Mas duvido que os gatos comam figos. E não faço ideia de onde arranjam água. No outro dia, quando cá estiveram todos, comprei duas embalagens de ovos de codorniz para servir cozidos, temperados, e agora uso as embalagens para pôr água mas com o vento aquilo nunca se aguenta direito. Não quero pôr um recipiente mais alto não vá o gatinho desequilibrar-se e ainda dar um mergulho. Tenho que ver se arranjo outra coisa. A ver se descubro para aí o prato de um vaso.


Mas, então, dizia eu que afinal há outro bebé. É branco com manchas pretas, parece uma vaquinha. Só o vi uma vez e pareceu-me mais forte que o branquinho. Não tinha a máquina, não pude fotografá-lo. Não sei onde se mete para nunca o ver. Nem a ele nem à mãe gata. O meu marido diz que hoje, muito cedo, viu a gata com o gatinho branco. 

Mas o que se passa aqui na quinta é um mistério. E digo isto porque o vizinho lá da ponta da rua, aquele que tem cavalos, agora tem também um burro adulto e um burro bebé. E lá para baixo tem o que ele chama a fazenda, onde tem vacas e um rebanho. E ele contou ao meu marido que a burra (afinal é uma burra, não um burro) lhe é muito útil a ajudar a guardar as ovelhas pois afasta os outros bichos, que, por exemplo, não deixa as raposas chegar perto. E eu pasmei. Raposas? Mas há raposas por aqui? Nunca tal me passaria pela cabeça.

Só surpresas. Na volta, um dia vou a fazer a minha caminhada e salta-me um javali ao caminho. 

A verdade é que a maior parte do tempo não vejo nem a gata nem os gatinhos; dir-se-ia que, por aqui, não há gatos. Portanto, se há gatos e coelhos e eu quase não os vejo, porque não raposas, javalis, homens-aranhas, fadas do bosque...?

Mais prosaicamente. Tenho sempre a ideia de ter aqui cabrinhas. Gosto das cabrinhas selvagens. Se calhar davam-nos conta do mato. Mas o meu marido diz que se calhar comiam o mato e tudo o resto. E tenho medo que adoeçam ou que fiquem idosas. Que faríamos nós com cabrinhas débeis ou infelizes? Mas de cabrinhas eu gostava. Mas também não sei se deixariam que eu lhes fizesse festinhas. Mas, claro, mesmo que não pudesse fazer-lhes festinhas talvez pudesse falar com elas. Acho as cabras bichos inteligentes, com verdadeira filosofia de vida.


Outra coisa. Não sei se já contei que há aqui uma gruta pequena e que acho que é aí que vivem os gatos. Há uma outra que acho que é a casa principal dos coelhos. Mas há também uma gruta grande. Mesmo grande. Não sei quão grande. Nunca a explorámos. Nunca deixei que os meus filhos lá se enfiassem. E felizmente cresceu-lhe vegetação à frente pelo que os pimentinhas nem dão por ela. E já lhes meti medo, digo que aquilo ali é uma coisa escura e cheia de bichos. Que nunca lhes passe sequer pela cabeça espreitar. tenho medo de derrocadas. Ou de monstros. Sei lá. Não faço ideia onde irá dar. Em tempos um senhor da terra disse que era comprida, que passava por baixo da estrada. Uma vez contei a um colega que tinha uma gruta. Ele disse-me que me deixasse ficar mas é calada não fosse ainda alguém descobrir para lá algumas gravuras rupestres ou tesouros e ficarmos tramados, expropriarem-nos isto, uma coisa na base da expulsão do paraíso. Portanto, estou caladinha com a gruta. Não sei se aquilo está vazio, se cheio de bicharada, se vai dar ao lado de lá do mundo, se quê. Na volta ainda por lá vivem dinossauros. Ou imagine-se que, toda afoita, me aventuro e, no meio da escuridão, aponto a lanterna e dou com um coelho com cara de pedro passos. Horror...

Tirando isso, o que tenho a reportar é que o algoritmo do youtube continua a surpreender-me. Hoje trazia-me vários vídeos de coming out. Raparigas, rapazes, gémeos. De tudo. Alguns são verdadeiros tutoriais. Na volta o Youtube acha que está na hora de eu sair do armário. Já viram isto? Ou, então, quer que eu divulgue esses vídeos pois podem ser úteis a alguém. Mas não vou divulgar. Não é por nada mas é que acho que são chatos. Quem quiser que pesquise. Basta escrever 'coming out'.

Depois uns quantos da série primeiro beijo. A estes acho sempre graça. Parece uma coisa despropositada esta de uma pessoa se pôr em frente a um desconhecido com a incumbência de o beijar. Mas a verdade é que, do que se vê, parece que corre sempre bem. Mas eu sou niquenta. Se me aparecesse uma mulher não dava. Só se fosse mesmo na base do selinho. Beijo de língua nem pensar. Mas se me aparecesse um sujeito com ar de vampiro...? Ui. Medo. Ou um mal cheiroso. Ou um sujeito com ar de picuinhas, esquisitinho, apertadinho. Ná... Mas isto não é só coisa de um, para beijar, tal como no tango, tem que haver dois. Eu também não dava grande coisa por este aqui abaixo e afinal parece que até leva um certo jeito. São napolitanos, é certo, e isso é relevante. Mas a verdade, por isto ou por aquilo, é que não se armaram em esquisitos e dar uma hipótese, muitas vezes, é meio caminho andado.. 


Também me aparecem vídeos que não acaba de Arvo Pärt. Entrevistas, músicas, ele a tocar. Maravilhoso. Mas não vou pôr agora aqui. Este post está muito ruidoso e Arvo Pärt requer silêncio.

E Tom Waits mas, para isso, não é preciso grande inteligência. Gosto confessamente dele. Gosto sempre. Está lá em cima a acompanhar-me com a sua voz de bad boy.

E bailado. Muitos vídeos de ópera ou bailado. Hoje trazia-me várias Carmens. Um vídeo tinha um best of para poder comparar diversas interpretações.

Mas, no meio, apareceu-me um que me pareceu uma bizarria. Céline Dion. Pensei. Pleeease... completamente ao lado... daahhhh.... Mas, por via das dúvidas, espreitei para perceber qual era a do algoritmo para, no meio daqueles vídeos operáticos ou de bailado, me pespegar ali a Céline Dion. Pensei: no melhor pano cai a nódoa. Uma gaffe. Paciência. Mas deixa cá ver. 

E, depois de ver, percebi: é inesperado. Esta não é a Céline Dion que eu tinha em mente. Tem graça, sim senhor. Por isso, aqui está.


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E ao anoitecer tirei umas fotografias malucas à lua (que já está para além de meia-lua). Mas agora estou com preguiça de as ir buscar e, por isso, despeço-me com a lua de há dois dias.


Um dia muito bom a si que aí está a aturar a minha pancada.

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quarta-feira, agosto 17, 2016

Posso pedir-te, oh meu animal, que me dês um beijo....?
Um. Um só.
Para que eu construa um sonho a partir dele.
Dá-me um beijo. Vá lá.


Hoje estou para o romance. Carinhos, cafunés, beijinhos, abracinhos, chameguinhos bons. 

Bichano, bichaninho. 

Chega-te aqui amorzinho, fofinho meu. Não fujas, não te desvies. 

Um. Um beijinho. Só um. 

Vá. Eu depois alimento, com a minha imaginação, um romance para o resto da vida.

Vá, dá-me um beijo. Um. Um beijinho. 

Fecha os olhinhos. Não faças nada. Vais ver como gostas.












And when I'm alone with my fancies, I'll be with you
Weaving romances, making believe they're true

Oh, give me your lips for just a moment
And my imagination will make that moment live
Give me what you alone can give
A kiss to build a dream on
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Todas as fotografias, excepto a última, foram feitas por um macedónio, Goran Anastasovski, que se deixou cativar pelo amor no reino animal, tendo passado dez anos a fotografá-lo.

A última fotografia mostra Kahn e Sheila, um casal apaixonado. Sheila estava muito doente, moribunda, e Kahn estava deprimido, a morrer de tédio. Quando se viram, apaixonaram-se e o seu amor curou-os. A ternurenta (e inspiradora...) história pode ser vista no Bored Panda.

A kiss to build a dream on -  que já por várias vezes por aqui andou - é, desta vez, interpretada por Louis Armstrong.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira muito feliz.

(E com beijinhos, se puderem)


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quinta-feira, abril 14, 2016

Transporto o teu coração dentro de mim


Comecei o meu dia aqui, ou seja, a minha noite, fazendo uma certa limpeza blogosférica. Apaguei alguns blogues aqui da galeria lateral. E tinha vontade de apagar ainda mais. Tudo o que me soa a palha, a embuste, a gozo, a parvoíce encartada anda a cansar-me demais. Um dia destes apago ainda mais, tudo excepto uma meia dúzia. Só não o fiz já porque depois esqueço-me de vez deles e a alguns ainda quero dar uma hipótese  -- fixar nomes ou endereços do que não me interessa por aí além é coisa em que não sou forte pelo que ficarão por mais uns dias ou semanas.

Adiante.



Li por aí que esta quarta-feira foi o Dia do Beijo. Não faço ideia de se isso é verdade. Mas seja ou não seja não me faz diferença. Hoje dei e levei vários, desde beijinhos em ambiente profissional a beijocas familiares, até porque calhou ir buscar um dos meninos à escola e encontrar-me em casa com o resto desse lado da família, o que se saldou em beijoquinhas extras e muito carinho. 

Sou beijoqueira. Gosto de me abraçar aos meninos, dar-lhes abracinhos bons, beijocá-los, beijocas fofas, o meu amor por eles requer manifestação física. Tal como gosto de ver os meus filhos, ouvir a voz deles, perceber se estão bem dispostos, dar-lhes um beijinho, fazer-lhes uma festa, mostrar que serão sempre, para todo o sempre, os meus meninos.

Quando eram pequenos e ia levar ou buscar os meus filhos à escola, ele todo se envergonhava, dizia que mais nenhuma mãe dava beijinhos como eu, pedia-me que não o abraçasse e beijocasse assim, receava que os amigos ouvissem as minhas manifestações exuberantes, as minhas beijocas ruidosas. A minha filha nunca se importou e, por isso, eu vingava-me nela. Era isso e fazer-lhe tranças, penteá-la, adorava que lhe mexesse no cabelo, mas isso em casa, claro. Ainda gosta.


Tirando isso gosto de beijos de amor. Gosto de beijar. Um beijo de amor é um momento em que se estabelece uma intimidade que pede por mais. E gosto especialmente do instante que precede o beijo, quando já existe a presença do amor que vai ser ainda maior, quando os olhos se cruzam já unidos, já cúmplices. Ou maliciosos. Ou impacientes. Gosto, gosto mesmo.

Se é verdade que foi dia do beijo não me importo de não ter dado por ele. Todos os dias o são. Sempre me senti amada, talvez todos os dias da minha vida, por vezes talvez mais do que merecia, por vezes mais do que podia retribuir. Por isso, nunca os dias dos namorados ou do amor ou do beijo fizeram sentido para mim. A única coisa que tenho a dizer a propósito disto do amor, da sedução, do desejo e do prazer do amor partilhado é que é importante sopesar as prioridades, não atribuindo importância excessiva ao que pode fazer perigar o amor, o prazer de amar e de ser amado.

Tantas vezes vejo pessoas que investem tudo na carreira, inúteis mba's que lhes retiram tempo para estar com a família, visitas e mais visitas em serviço, reuniões até às quinhentas da noite, ler livros de mil ou mais páginas, estudar muito uma matéria para saber tudo o que há a saber sobre isso - e trocam isso por um passeio de mão dada, por estar numa esplanada ao sol, por um cafuné gostoso, por uma caminhada na serra, entre bosques e rente a rios e cascatas, com alguém a quem queiram bem.


Todo o prestígio do mundo não vale uma noite de amor, ouvi-o uma vez a Eugénio de Andrade que citava alguém de cujo nome não me lembro. E acho que nem todo o prestígio nem muito mais coisas.

Quando vejo jovens colaboradores meus que dão tudo pela progressão profissional digo-lhes sempre: para além disso, há a vida. Por vezes ficam desconcertados, como se eu estivesse a introduzir uma variável que não faz parte da equação. E muitas vezes tenho vontade de lembrar isso também a algumas pessoas da blogosfera. A vida. O estar bem com os outros, o não fazer mal àqueles de quem se gosta, o relevar o que pouco importa quando comparado com os sentimentos de estima que é bom que se mantenham vivos -- isso, sim, é o mais importante na vida. A estima entre as pessoas vale mais, muito mais, do que pequenas vitórias argumentativas ou vãs demonstrações de superioridade.

Mas, enfim, se calhar sou eu que sou uma pinga-amor.

Olhem, já agora, deixem que partilhe convosco um poema de que gosto muito.

I carry your heart de E E Cummings (lido por Tom O'Bedlam)


[here is the deepest secret nobody knows]



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As fotografias foram feitas este fim de semana, debaixo de chuva, vento e frio.
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Lá em cima uma chaconne. Yiruma
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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sábado, março 12, 2016

Uma moda nova. Cumprimento de beijo na boca: cada vez mais longo e apaixonado. Desta vez foi Sally Field. Stephen Colbert diz: 'Este trabalho está cada vez melhor'


No post abaixo falei de maluquices, de demências, de dependências e de uma psiquiatra meio maluca mas, porque falei a sério, referindo-me a casos concretos, alguns de pessoas que me são muito próximas, fiquei a achar que, se calhar, soou um bocado triste demais. Ora, vir para aqui desfiar tristezas é a última coisa que quero, já basta o que basta na vida de cada um, era o que mais faltava que ainda viesse eu para aqui numa de má onda. Não vim, não era a minha ideia mas, não sei porquê, depois de ter escrito fiquei a pensar que eu sou de pôr para trás das costas mas, para quem não é como eu, textos daquele género podem não ser grande ajuda.

Por isso, embora, para tentar compensar, tenha logo lá deixado um vídeo maluco dos Monty Phyton, fiquei com vontade de voltar cá com uma coisa qualquer mais animada.

E cá está: guardado estava o bocado para quem o havia de comer. Estava eu aqui a pensar no que havia de ser, quando dou de caras com mais esta. Lembram-se de no outro dia vos ter contado que Helen Mirren chegou a um programa de televisão e não foi de modas: beijou na boca o apresentador? Toda ela maliciosa? Deixando o entrevistador encabulado como um adolescente que hesita entre o registo malandreco mas a quem toda a gente vê, saindo de todos os poros, uma indisfarçável timidez? 

Pois bem, não é que dei com outra? Não é que Sally Field, 69 anos, no mesmo programa, acaba de beijar o Stephen Colbert? Mas de que maneira...! Desta vez, não foi um selinho, um chochinho. Não senhor: desta vez foi mesmo um senhor beijão. O pobre do homem até foi para debaixo da secretária e, quando regressou, vinha corado.

E eu pergunto o que toda a gente se anda a perguntar: mas o que é que se está a passar? 

Lembro-me de ter lido uma entrevista à Daniela Mercury em que ela dizia que, por altura do carnaval brasileiro, a confusão e os excessos eram de tal ordem que as pessoas andavam geralmente com duas línguas na boca, a própria e a de alguém que muitas vezes não conheciam. Não é que isto agora seja a mesma coisa mas é, no mínimo, invulgar. A moda ainda não chegou cá e nem estou a ver quem é que por cá poderia despertar este interesse nas mulheres entrevistadas. Mas, enfim, teria graça. A ver é se a moda não pega também em ambientes de trabalho. Estou a lançar a ideia e ainda me arrisco a que, um dia destes, quando receber um grupo de consultores, um atrevido me faça uma gracinha destas. Difícil imaginar a reacção. Até, se apanhada de surpresa, podia sair uma bofetada, sei lá.

Mas vejam por vocês. E depois venham cá, com ar depreciativo, chamar velhinhas e sexagenárias a mulheres assim...

Sally Field is the latest woman to lay a kiss on America's unexpected heartthrob, Stephen Colbert. The 69-year old gave the Late Show host a long, passionate kiss as the studio audience went wild. The blushing Colbert retreated under his desk in embarrassment. "Helen [Mirren] did it, why can't I?" Field said to Colbert after the kiss. "I think it goes without saying, I had a crush on you when I was a child" Colbert said. 


O beijo apaixonado de Sally Field a Stephen Colbert




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E, caso estejam para aí virados, desçam até às acima referidas maluquices.

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quinta-feira, março 10, 2016

Isto de cumprimentar com beijo na boca parece moda que está a vir para ficar.
Cá por mim não digo que não (desde que seja eu a escolher a quem dou, claro).
Veja-se o caso de Dame Helen Mirren, 70 anos, que deixou Stephen Colbert, o entrevistador do The Late Show sem palavras, atarantado:
de repente, viu-se agraciado com um caloroso beijo na boca. Ora toma!



Dame Commander of the Order of the British Empire Helen Lydia Mirren é uma mulher com muita pinta: bonita, elegante, sensual, talentosa, excelente actriz, premiada, reconhecida, acarinhada etc e tal. Além disso, aos 70 anos, é rosto da L'Oreal pois tem sabido envelhecer com orgulho, sem plásticas, sem se deformar. Tem rugas e não se envergonha delas, tem um belo colo, umas belas poitrines -- e é com graça e despudor que exibe as suas delicatessen.

E tem, sobretudo, a par de uma feminilidade e de uma sedução inteligentes, uma desconcertante desenvoltura, toda ela cheia de charme.

Li que ontem, ao entrar no palco em que ia decorrer uma entrevista no The Late Show, antes que Stephen Colbert, o entrevistador (de 51 anos), tivesse oportunidade de perceber o que lhe ia acontecer, ao cumprimentá-lo, Dame Helen o abraçou calorosamente e, com galanteria, lhe deu um beijo na boca. 

E não se ficou por aí pois confessou que não foi sem querer, que há anos que tinha vontade de fazê-lo pelo que não podia perder a oportunidade. Nem mais.
"If I didn't do it, then I'd never get to do it," explicou ela "I have been dreaming of doing that for about fifteen years. I just grabbed my chance. I'm sorry."
Depois de se refazer da surpresa e, até, com algum embaraço, Colbert brincou "That is one of the nicest greetings any guest has ever given me." E mais tarde acrescentou, "You know what you're doing."

Por seu lado, mais à frente na conversa, Helen, gloriosamente descarada nos seus belos 70 anos, continuou a flirtar com o tímido entrevistador: "Your  lips are very soft!" e até lamentou não se ter alargado ainda mais  ("Oh, why didn't I do more?").

E eu penso: mas porque não? Se uma pessoa acha um homem interessante, porque não chegar ao pé dele -- esteja-se onde se estiver -- e dar-lhe um gostoso beijo na boca?

Penso no Juncker: chega ao pé de qualquer um e vá de duas beijocas. Qual o mal? E, até, que se diga que não são nada de mais porque são na cara. 

Bem, o Marcelo por pouco não levou na boca. Dá ideia que foi mesmo na comissura labial ou, se não foi, andou lá muiiiiito pero. Até fecharam os olhinhos - olha para eles...


Já com o Pablo Iglesias me parece um certo abuso. Vá que uma pessoa, na Assembleia, diz qualquer coisa que, a ele, carnal Pablo, lhe cai no goto. Sujeita-se a que, mal dê por ela, já esteja com a língua do Pablito na boca.

Bem, língua ainda não deve haver - embora quem já passou pela experiência diga que o malandro, quando beija, beija para valer. E quando é do mesmo sexo e a mulher vê tudo na televisão...? Ui.
Diz o deputado Xavier Domènech que a mulher lhe perguntou depois: 'E olha lá, não tens nada para me dizer...?' 
Ele bem tentou fazer-se de despercebido 'Não, nada. Porque perguntas isso...?' 
Mas, coitado, de nada lhe valeu: a mulher e o mundo inteiro tinham visto aquele belo momento de amor.
O beijo

Portanto, isso assim, um beijo roubado, não me agradaria -- poderia calhar-me um estupor horroroso, credo, nem pensar. Agora ser uma pessoa a escolhê-los, e bem escolhidos, e aplicar uma beijoca a preceito já não me parece muito mal.

Estava aqui a pensar a quem é que eu gostaria de ser apresentada para fazer a experiência e, assim de repente, não estou bem a ver. Na volta, acho que sou muito desinibida mas, ora bolas, sou é uma conservadora tipo beata, opus dei encartada. 

Bem. Não é para falar das minhas picuinhices que aqui vim (mas, que chatice isto, vejam bem que agora não há um único que me apeteça beijar de beijo na boca, assim numa de social...) 
(Também não ia aqui dizer, não é?, que eu não parva mas não sou burra)
Adiante, pois. Vejam, por favor, o vídeo que é uma graça. E a ver vamos se a moda não vai mesmo pegar. A acompanhar com atenção a TVI 24 esta quinta à noite: a ver vamos se a Manuela Ferreira Leite não vai pregar um valente chocho no Paulo Magalhães...

Ó para ela com ar de danadinha...!
Vai uma aposta em como o Paulo Magalhães também vai ficar sem palavras?


No The Late Show with Stephen Colbert Helen Mirren deixa o pobre Stephen sem palavras


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Tinha aqui uma ideia para umas 'cenas' à maneira, até estive a tirar fotografias e tudo, umas receitas de amor para mulheres tristes, e inclusivamente já tinha a banda sonora na cabeça e, no fim, distraí-me com esta brincadeira e agora já não dá, já é tarde. A ver se fica para amanhã pois é coisa do mais instrutivo que há (p'ra menina e p'ro menino). Vão por mim, que vos vai ser muito útil.

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Mas, antes de se irem embora, desçam ainda até ao post abaixo onde falo do discurso de Marcelo, dos sorrisos, da festa da tomada de posse do nosso novo Presidente da República, e mostro fotografias do concerto e ele, todo feliz, de boné e mantinha nas pernas, uma graça. 


quinta-feira, março 03, 2016

Pablo Iglesias e Xavier Domènech: bésame, cariño: e saíu um arrebatado beijo na boca em pleno Parlamento. E, dado que é assim que o Iglesias cumprimenta os amigos, mais que certo que o Louçã* já levou um chochinho. E eu daqui sugiro idêntico gesto, na nossa AR, aos seguintes casais: Passos Coelho e Paulo Portas, António Costa e Jerónimo de Sousa, Carlos Amorim Gomes e Telmo Correia. Por exemplo.


E agora que penso nisto, até me ocorre que teria graça que, como na missa, passasse a ser moda na Assembleia da República, a dado momento, darem todos um beijo ao parceiro do lado, mas, segundo a nova moda, um beijo na boca. A língua seria facultativa -- digo eu.

E sugeri beijos no masculino mas claro que a moda seria extensiva às senhoras. Por exemplo, a fogosa Teresa Leal ao Coelho poderia oscular aquela que tem cara de má do CDS, a Cecília Meireles, ou a pinókia Marilú poderia dar um amoroso beijo à Teresa Caeiro. 

(Eu, se fosse deputada, pelo sim, pelo não, punha-me ao lado daqueles rapagões jeitosos do PCP).

Acho que escuso de contextualizar mas, aos distraídos, informo que o líder do Podemos, Pablo Iglesias, e Xavier Domènech, da coligação En Comú Podem, surpreenderam toda a gente com a manifestação de afecto que abaixo se mostra. 


Depois de Domènech ter discursado no parlamento, Iglesias fez questão de sair do seu lugar e dirigir-se ao meio da sala para felicitar o deputado com um beijo na boca. ( ... )



O curioso é que isto não foi fruto de um arrebatamento descontrolado já que parece que é assim que o Pablo Iglesias (ou todos os do Podemos? Ou todos os de esquerda?) se cumprimentam.


Este jueves se ha podido ver  a Pablo Iglesias besar en la boca al diputado de Podemos Raimundo Viejo durante la Comisión de Asuntos Exteriores del Congreso, tal y como ha captado el fotógrafo Javier Cuesta y que recoge Mediterráneo Digital.



* Lá em cima, no título, exemplifiquei com o Louçã mas não sei quem é que, por cá, manteve ou mantém conversações com o moço e, por via disso, já se acasalou com ele. O Rui Tavares? O Daniel Oliveira? Ai que vontade de rir que isto me dá. Os nossos garanhões a levarem uma beijo de boca do original Iglesias... E, agora que escrevo, ocorre-me outra coisa: será que isto não é novidade nenhuma por cá? Será que é assim que a malta tipo Bloco de Esquerda se cumprimenta habitualmente? O Pedro Filipe Soares e o Pureza às beijocas na boca...? Será?

Bem, alguém que me informe se faz favor.

De qualquer forma, é óbvio que os cartoons humorísticos já começaram a surgir.



E, vendo isto, outra coisa me ocorre: porque é que os nosso deputados (do sexo masculino), todos, antes de se despedirem do Cavaco, não anestesiam a boca e, depois, em vez de lhe darem um aperto de mão, não o cumprimentam beijando-o na boca? Não era lindo? Alguém imagina como é que ficaria o Cavaco? Ai que bom. Bora fazer o abaixo-assinado para convencer a homenzada do Parlamento a pregar essa partida ao Cavaco? Não era uma saída em beleza? Please, alguém que me dê ouvidos...!

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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sexta-feira, fevereiro 26, 2016

N' O Instante antes do beijo diz o meu nome





Não quero o primeiro beijo:

basta-me 
O instante antes do beijo.

Quero-me 
corpo ante o abismo, 
terra no rasgão do sismo. 

O lábio ardendo
entre tremor e temor, 
o escurecer da luz 
no desaguar dos corpos: 
o amor 
não tem depois. 

Quero o vulcão
que na terra não toca: 
o beijo antes de ser boca. 


[O Instante Antes do Beijo de Mia Couto, in 'Tradutor de Chuvas']


Diz o meu nome 
pronuncia-o 
como se as sílabas te queimassem 
                                  [os lábios 
sopra-o com a suavidade 
de uma confidência 
para que o escuro apeteça 
para que se desatem os teus cabelos 
para que aconteça 

Porque eu cresço para ti 
sou eu dentro de ti 
que bebe a última gota 
e te conduzo a um lugar 
sem tempo nem contorno 
(...)


(...)
No húmido centro da noite 
diz o meu nome 
como se eu te fosse estranho 
como se fosse intruso 
para que eu mesmo me desconheça 
e me sobressalte 
quando suavemente 
pronunciares o meu nome 


[Excerto de Diz o meu nome de Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho']

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A escultura lá em cima é Psyché ranimée par le baiser de l’Amour de Antonio Canova (1757 - 1822)

A primeira fotografia é de Doisneau: Le baiser de l’Hôtel de Ville, 1950

A terceira mostra Alain Delon e Romy Schneider durante a rodagem do filme 'A Piscina', 1968

A dança é Paris Is Kissing pelos bailarinos do Dot Move sobre «Dans Tes Yeux» originalmente interpretada por Anis, cantada por Tiwayo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira

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quarta-feira, agosto 12, 2015

Beijar ou não beijar? Nada como um french kiss (que é como quem diz um beijo de língua)? É bom para todo o mundo ou alguns acham que é só troca de bactérias? E quais as preferências sexuais das mulheres? E as dos homens? --- É entrar, é entrar, que o Um Jeito Manso tem resposta para tudo (... e vai tentar de tudo para não voltar a falar de cartazes)


No post abaixo mostrei a evolução dos fatos de banho masculinos nos últimos 100 anos. Um pedaço de mau caminho faz o favor de vestir e despir vários modelitos para que possamos, com propriedade, apreciar os avanços da moda. E deve ter sido uma mulher a filmar, uma mulher com um certo eye for details, se é que me entendem. E mais não digo porque, caso queiram conferir, é descerem, por favor, até ao post seguinte.

Aqui, agora, rumo a um assunto sério, um assunto académico. Sou moça dada a temas científicos, gosto de ver o resultado de uma investigação a preceito -- e esta parece-me uma delas.






Um estudo publicado no  American Anthropologist revela que a maioria da população do mundo não tem por hábito beijar na boca. Confesso que fiquei admirada pois pensava não ser possível o romance e o amor sem uma bela beijoca na boca. Afinal de contas, cerca de 54% da população passa bem sem isso.

O estudo a que me refiro é:

Is the Romantic–Sexual Kiss a Near Human Universal?

Autores:William R. Jankowiak, Shelly L. Volsche,Justin R. Garcia
[University of Nevada and Indiana University]

ABSTRACT
Scholars from a wide range of human social and behavioral sciences have become interested in the romantic–sexual kiss. This research, and its public dissemination, often includes statements about the ubiquity of kissing, particularly romantic–sexual kissing, across cultures. Yet, to date there is no evidence to support or reject this claim. Employing standard cross-cultural methods, this research report is the first attempt to use a large sample set (eHRAF World Cultures, SCCS, and a selective ethnographer survey) to document the presence or absence of the romantic–sexual kiss (n = 168 cultures). We defined romantic–sexual kissing as lip-to-lip contact that may or may not be prolonged. Despite frequent depictions of kissing in a wide range of material culture, we found no evidence that the romantic–sexual kiss is a human universal or even a near universal. 

         The romantic–sexual kiss was present in a minority of cultures sampled (46%). 

Moreover, there is a strong correlation between the frequency of the romantic–sexual kiss and a society's relative social complexity: the more socially complex the culture, the higher frequency of romantic–sexual kissing.




Se para quem cresceu a ver filmes rematados com um belo beijo antes do The End ou a ler inflamados romances amorosos que não dispensavam o beijo apaixonado, as conclusões do estudo parecem estranhas, a verdade é que o estudo demonstra que há quem não inclua o beijo romântico como uma manifestação natural de afecto.

Mas, no mundo ocidental, o beijo é um must. Num estudo realizado junto do site de encontros extraconjugais, o Ashley Madinson, cerca de 115.000 membros do site foram questionados sobre as suas preferências sexuais.

Pois bem: 51% das mulheres preferem os beijos. Seguem-se as massagens sensuais (50%) e os abraços e carícias (49%). Ou seja, no sexo, para as mulheres, doçura e voluptuosidade rimam com beijos e carinhos. Apenas 28% referem os brinquedos sexuais.

Não sei se estão interessados em conhecer as respostas masculinas. Não as digo aqui porque são surpreendentes e sempre quero ver se as adivinham. Os interessados podem vê-las lá mais abaixo.
Por outro lado, outros estudos científicos têm provado que os beijos na boca fazem bem à saúde. A boca alberga cerca de 700 tipos de bactérias. Um beijo de 10 segundos favorece a troca de cerca de 80 milhões de bactérias. Mas isso não é forçosamente mau já que as bactérias preservam-nos de certas doenças. A diversidade de bactérias é, pois, uma coisa boa.

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Burt Lancaster e Deborah Kerr no filme "From Here To Eternity"



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Desvendemos então as preferências sexuais dos homens (segundo o inquérito acima referido).


Surpreendentemente os homens gostam mais de dar do que de receber. Cerca de 63% dos homens prefere fazer sexo oral enquanto 59% prefere que lhe façam. Também é um bocado surpreendente que 53% digam estar abertos a novas experiências. Já frescuras como banho de espuma a meias com o seu/sua companhia é coisa que não os entusiasma muito: apenas uns 31% dizem ser isso coisa importante. 
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E, assim sendo, se o beijo na boca não faz o pleno junto dos humanos, então que saia uma poesia que se desvie da boca e que pouse num joelho.




Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.


('Joelho' de Maria Teresa Horta)

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Relembro que a seguir há um garçon vestindo e despindo maillots de banho ao longo de 100 anos
(e sem se fazer velho).

NB: Qualquer coisa é melhor do que falar de cartazes. 

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Esperando que não estejam para aí a protestar comigo (mas este post não devia ter uma bola vermelha no canto superior esquerdo?), desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira, cheia de alegria, esperança e saúde.
E, se possível, com uns belos beijos pelo meio. 
E, se as coisas, a qualquer nível, não estão agora muito famosas, saibam, meus Caros, que melhores dias virão. 
Virão mesmo.
Boa sorte a todos.

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terça-feira, agosto 04, 2015

Mas afinal para que serve o amor?


Não sei se há quem se faça essa pergunta, não sei se há quem genuinamente ache que vive melhor na mais desolada solidão do que com o coração a palpitar. Não sei, admito que sim, as circunstâncias ou a maneira de ser explicam muitas opções. Mas a minha experiência de vida não é essa e eu falo do que sei.

Desde que me lembro que tenho o coração ocupado. Algumas paixões foram mudando, outras ficando.
Que ninguém entre nisto do amor querendo que seja para sempre: os amores são eternos enquanto duram. Podem duram cinquenta anos ou cinquenta mil mas também podem durar apenas cinco - ou cinco dias. Portanto, regra básica: nada de planeamentos e, muito menos, de dramas. 
Mas, mais do que as oportunidade que foram surgindo, acho que, em mim, é uma questão genética. Sinto necessidade de me sentir apaixonada. Apaixono-me por um autor, por uma paisagem, por um poema, por uma voz, por um olhar, por um filme, por fotografar, por pintar, por escrever, pelo sorriso brejeiro e irresistível do meu amor. 

Se alguém me perguntasse para que serve o amor - que, para mim, é a paixão em estado estabilizado -- diria que a mim me serve para me sentir viva.

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Andando sem vontade de molestar as minhas pequenas mãos com assuntos pafientos, pus-me para aqui a visitar sites onde abundam as coisas ligeiras. E eis que vim parar a um lugar mesmo bom. 

Transcrevo tal e qual porque o amor e o romance soam mais agridoces, quando não apimentados, quando soletrados em francês:

Cinquante-trois ans après qu’Edith Piaf et Theo Sarapo (son second et dernier mari) aient chanté « à quoi ça sert l’amour ? », Victor Habchy y a tenté de répondre à cette question en vidéo. Ce jeune photographe parisien a en effet publié le 25 juillet dernier sa version romantique de l’amour avec un grand A.  
Pour un micro budget de 40 euros, le jeune artiste a su retranscrire avec brio les sentiments passionnés, les déchirures, les retrouvailles qui font une histoire d’amour. « Pour le réaliser, il s’est inspiré du magnifique film d’animation de Louis Clichy qui avait aussi pour bande-son la chanson de Piaf. Les plans se ressemblent beaucoup mais ici, c’est du live action », décrypte Konbini.fr.   
Reste que ce clip étonnant nous entraîne dans un univers romantique et délicat qui nous donne envie de croire que l’amour ça dure toujours.

Amour toujours


 

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