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quinta-feira, novembro 03, 2022

Os objectos de afeição de Kim Kardashian

 


Foi há pouco tempo que soube da existência das Kardashians. De repente parece que toda a gente as conhecia menos eu. Não sabia quem eram, o que faziam, de onde lhes vinha a fama. 


Soube depois que eram conhecidas por serem conhecidas. Na altura, um novo conceito. (Agora, uma coisa já mainstream).

No caso de Kim, começou por ser conhecida por ser conhecida de Paris Hilton. 

Depois tornou-se ainda mais conhecida pela polémica em torno da divulgação de uma gravação sexual amadora, gravada pelo parceiro, na qual aparecia em cenas de sexo explícito em várias modalidades. 

A seguir à Kim Socialite, a Kim Pornostar. Mas uma porno star condimentada, ofendida, ressentida, arrependida. Santa Porno Kim. O tema deu que falar com processos judiciais e acordos milionaríssimos à mistura. Estava famosa. 

Daí até ao reality show em que as câmaras a acompanhavam, a ela bem como à família, durante o dia inteiro, Keeping Up with the Kardashians, foi um ápice. 

E um sucesso. A vida das socialites à vista de toda a gente. A facturação em crescendo.

E não mais parou. Mostrando o rabo, mostrando as mamas, mostrando as mudanças de cor de cabelo, mostrando as indumentárias dos filhos, mostrando o closet. Sempre mostrando alguma coisa.








Quem dê uma vista de olhos por aí, vê-la-á sempre. É ela e uma das irmãs, é ela e outra das irmãs, é ela e os filhos, é ela e a mãe, é ela e o marido, é ela e o agora já ex-marido, é ela e as suas sessões fotográficas, é ela e o seu rabo amestrado, é ela e o vestido de Marilyn Monroe, é ela e todas as outras insólitas e chamativas toilettes, é ela e as participações em eventos, é ela e Trump, é ela e o seu corpo que não parece de verdade, é ela e os seus muitos milhões de seguidores no Instagram, é ela a ser assaltada em Paris e uma cobertura mediática do sucedido como se de uma tragédia galáctica se tratasse, é ela sempre presente e já considerada uma das pessoas mais influentes no mundo, é ela agora uma das mais ricas, com uma fortuna bilionaríssima, obscena.

Claro que, quando se chega a este patamar, vale tudo. E tudo é notícia. 

E não há aqui grandes juízos de valor da minha parte. O mundo encaminhou-se neste sentido. É o que é. Poderia dizer que o mundo entrou por um caminho em que o que é valorizado é a superficialidade, a futilidade absoluta, o diz-que-diz-que, a felicidade tornada ficção. Mas não vale a pena dizer muito mais sobre isto. É assim. Nada a fazer. Já não há retorno.

E não é a Kim. São os e as milhares de Kims e os milhões de putativas Kims. Um mundo que vive de se expor. O mundo dos influencers. As redes sociais tornaram possível e potenciam esta exacerbação da auto-exposição, uma maneira de viver em que se vive para se mostrar como se vive. E, em cima disso, as televisões que mimetizam a estupidez que prolifera nas redes sociais. Convidam-se pessoas para programas apenas porque são parvas e burras e porque, como todas as pessoas parvas e, ao mesmo tempo, burras, dizem o que lhes vem à cabeça sem qualquer hesitação e pudor. E, provavelmente, é isso que dá audiências. Também essas pessoas devem ganhar bem, não os milhões de Kim mas certamente acima do salário mínimo ou, mesmo do salário médio. Aptidões para o que quer que seja no mundo real certamente zero. Mas neste mundo virtual são valorizadas e famosas e parece que é o que importa.

E, porque são famosas, dão entrevistas, são convidadas e expor-se ainda um pouco mais. São pagas para isso.

É o caso do vídeo que abaixo partilho. A Vogue filma a Kim Kardashian a mostrar a sua casa. 

Uma casa enorme quase vazia. Décor a condizer com as cores da roupa que veste e com a maquilhagem que usa -- ou vice-versa. E, como objectos de estimação, meia dúzia de desenhos e pinturas feitos pelos filhos, as cartas que ela escreve aos filhos, uns postais que recebeu e... carros de luxo todos da mesma cor e da cor do décor. Dir-se-ia que uma monotonia proporcional à sua vacuidade. Mas talvez seja apenas excêntrico. Talvez meio mundo vá a correr imitá-la, pelo menos até onde a bolsa lhes permitir.

E, no fim das contas, talvez isto seja eu que não estou a captar a essência da coisa, eu fora de moda, eu fora deste mundo, eu que não percebo bem estas opções, estes estilos de vida. 

Este é um mundo muito estranho. Pelo menos para mim é.

Inside Kim Kardashian's Home Filled With Wonderful Objects | Vogue


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Um dia bom
Saúde. Equilíbrio. Paz.

quarta-feira, maio 04, 2022

Happy birthday, Mr. President
O mesmo vestido -- Marilyn Monroe e Kim Kardashian (com 60 anos de permeio)

 


Quase há 60 anos, em 19 de Maio de 1962, Marilyn Monroe cantou um sensual Parabéns a Você ao Presidente John F. Kennedy, ao que parece seu amante.

O vestido era tão justo que teve que ser acabado com ela lá dentro. Tinha 36 anos, parecia feliz e irradiava aquela luz que as câmaras amavam.

Três meses mais tarde, estaria morta. 

Para a Met Gala deste ano, Kim Kardashian, 41 anos, resolveu aparecer com nada mais, nada menos que esse mesmo vestido. Para conseguir enfiar-se nele fez dieta para perder 7 kg. 

Conseguiu que o museu ao qual o vestido pertence o emprestasse. Contudo, para garantir que não o estragava, foi feita uma réplica que, logo após a entrada, tomou o lugar do vestido de Marilyn sobre o corpo da curvilínea Kim.

Com a arrojada opção, a mais rabuda das Kardashian conseguiu tornar-se um dos centros das atenções. 

E sobre o acontecimento nada mais tenho a dizer a não ser que este é um mundo muito bizarro. 

(Acredito que, se o gelo quase todo derreter e a temperatura em muitas partes do globo tornar o planeta praticamente inabitável (coisa que começa a aproximar-se perigosamente), continuaremos a ter festas de glamour como esta, continuaremos a ter as redes sociais que se ocupam deste género de eventos a bombar e... sei lá que mais... No entanto, que fique claro, nada contra. Faz-me muito, mas mesmo muito, menos impressão isto do que haver gente que acha que a Ucrânia não deveria defender-se e que os ucranianos não deveriam ser ajudados.)

quarta-feira, novembro 27, 2019

Joacine, a putativa diva que se desloca dentro da Assembleia com Assessor e Segurança e que está a dar um nó cego no Livre.
Maria Teresa, a madre-superiora que se apaixonou perdidamente e não foi por Deus.
E Kris que foi encontrar-se com Caitlyn, o seu ex-marido, que agora tem um belo par de mamocas e faz boquinhas por todo o lado.


Depois de um assunto sério, preocupante e triste, apetece-me aligeirar para que o novo dia não comece sob o peso das tragédias.

Por isso, se me permitem, volto-me para as comédias, para os romances, para os fait-divers ou whatever

Há pouco vi na televisão uma cena do mais hilário que existe: Joacine, a neo-diva, sem se dignar dar bola aos jornalistas, avançando pelos corredores da Assembleia com o seu Assessor pela trela e vigiada de perto por um Segurança. Sim: por um Segurança. Sentindo-se a nova Lady Di e não querendo correr risco de se prejudicar por via dos paparazzis que pululam à sua volta, chamou um Segurança. Pimbas. Para a próxima vai com um rottweiler. Sobre o ter-se esquecido do projecto sobre a Lei da Nacionalidade nem uma palavrinha que a menina não está ali para prestar contas. Em contrapartida,  a senhora doutora -- através do seu Gabinete (que gente importante é assim, só comunica através do seu Gabinete ou do seu Assessor) -- atira publicamente todo o seu fel, ressabiamento e deslealdade contra o partido que a acolheu. Um espectáculo digno de novela de quinta categoria. 

Mas, calma, não é só ela a má da fita. É um facto que anda armada em ursa a ver se trama o cordeirinho do Tavares mas, calma, o Tavares não fica menos mal na fotografia. Que inteligência, que perspicácia lhe poderemos, a partir de agora, atribuir se, em todo o tempo que já conviveu com ela, não foi capaz de perceber de que material é feita a menina? Ná. Quando uma pessoa escolhe alguém para a sua equipa e a escolha sai furada, quem meteu água e fez a escolha errada tem que assumir a responsabilidade e resolver a situação.

A Joacine, em uma ou duas semanas, já arrasou quase completamente o Livre. Se o Rui Tavares não quer que o Livre tenha um fim triste, tem que correr rapidamente com a menina. Claro que a neo diva ficará na Assembleia por sua conta e risco, a meter água por tudo o que é canto e esquina, sem saber em que votar, esquecendo-se de trabalhar ou de cumprir compromissos -- e o Livre ficará sem ninguém na Assembleia. E os fiéis e crédulos que acreditaram na madame e votaram no Livre ficarão a chuchar no dedo, sem ninguém que os represente. Mas azarinho, nada mais há a fazer. Que fique como lição aprendida.

Tirando isso, tenho que falar de uma notícia que, apesar de triste para a própria, acho linda. Parece ser a sina das Maria Teresas: são dadas a êxtases mal compreendidos. 

A madre-superiora do belíssimo convento dos Padres Cappuccini, em Sansepolcro, Itália, mulher activíssima e bem disposta, toda empreendedora, apaixonou-se por um homem da terra. Mas não deve ter sabido fazê-la direitinha pois foi mandada borda fora e o convento encerrado. Poderia, como a outra, converter a paixão em delíquio literário e dizer que a espada do anjinho a tinha penetrado até às entranhas uma e outra vez. Toda a gente levava a coisa à conta de delírio e maluqueira e com meia dúzia de avé-marias ficava o assunto encerrado. Não. Enérgica e franca, a Madre-Superiora Maria Teresa deve tê-la feito às claras: e deu nisto. E o convento tão lindo. Devia ser tão bom rezar ali à sombra das belas árvores da Toscânia. Ou rezar no escurinho da cela, um belo toscano a despi-la devagarinho. Mas pronto, foi mais um êxtase que correu mal. Uma tinha feito com que a tomassem por doida e esta agora fez com que a tomassem por libertina. Ainda não foi desta que apareceu uma Maria Teresa santinha a sério.

Para terminar, numa de conclusão, só posso agora falar de um assunto que não tem nada a ver.

Kris Jenner, a madre superiora do quartel das Kardashians, encontrou pela primeira vez Caitlyn Jenner, mulher grandona de voz grossa, o seu ex-marido durante mais de vinte anos que, na altura, dava pelo nome de Bruce, era um calmeirão e um garanhão que fez nada menos que seis filhos. 

Do que se vê, a Kris ainda está que não pode, sem saber como lidar com a situação. Olha-a de soslaio, queixa-se, choraminga. Aliás, choram as duas, muito emotivas e, no fim, para rematar, fazem uma selfie. Uma graça.



E, pronto, ficamos assim.

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E se há outros assuntos que interessem para além destes, escaparam-se-me.

E uma boa quarta-feira para si, para si em especial.

domingo, dezembro 10, 2017

Keeping up with Marcelo
[The Kardashian' show is coming to town...?]
Oh Oh Oh






Em Portugal, digno sucessor das Kardashians, Marcelo Rebelo de Sousa está de grande. Dado o cargo que ocupa, com a comunicação social sempre à disposição e com a imaginação titilante que se lhe conhece, ele tem guião para 24 horas por dia à frente das câmaras.



Ele alerta para ..., ele apela a ..., ele envia recados a ..., ele distribui afecto a ..., ele visita os ..., ele pendura a roupa a ..., ele vai fazer a barba ao ..., ele ensina os ..., ele teme que ..., ele chama a atenção para ..., ele ouve as ..., ele abraça os ..., ele vai engraxar os sapatos a ..., ele dá beijinhos a ..., ele tira selfies com ..., ele explica o ..., ele antevê o ..., ele ri com ..., ele faz festinhas na cabeça de ..., ele serve a comida a ..., ele arruma os caixotes de..., ele está sempre pronto para ..., ele faz adeus a ... ..., ele entra no carro, ele sai do carro ..., ele faz muitos smiles ..., ele está sempre lá, ele está sempre nas nossas casas. Ele é... the only and only Mr. President, o único, o fantástico, o sempre acordado,  o sempre disponível, o ubíquo Marcelo. 


A Presidência transformada num reality show -- 24 hours with the President -- e nós seguindo-lhe os passos vinte e quatro horas por dia. Marcelo na Quinta, Marcelo e a Secret Story, Marcelo e o Desafio Final, Keeping up with Marcelo, Marcelo em Belém.



Não que sejamos mal agradecidos. Eu, pelo menos, não sou. Não mesmo. Fez-nos esquecer o Cavaco, introduziu algum cosmopolitismo na política (que se tinha enfiado num bueiro pafiento), trouxe de volta a Belém os bons modos, limpou o mau olhado da Dona Cavaca, deu um chega para lá no Láparo, afastou-se dos cães com pulgas que antes pululavam na política nacional. E isso é bom. Devemos-lhe isso. Não é coisa pouca. Obrigada, Prof. Marcelo. A sério.



Mas o pior é o resto. O pior é a dose, é a falta de foco, é a sensação que nos fica de que o que quer é 'canal', que tudo fará para manter a atenção das câmaras para que os seus passos, as suas 'bocas', os seus sorrisos e abraços estejam sempre, sempre, sempre a ser filmados, noticiados, comentados. Cria suspense dando a entender que vem aí o bicho mau, insinua temores para poder aparecer como profeta ou como candidato a salvador da pátria, deixa uns alertas para criar caso e alimentar primeiras páginas. E, a toda a hora, nos aparece: ora porque vai ver os sem-abrigos, ora porque vai ajudar no Banco Alimentar ou a feiras de Natal ou a barbeiros no Intendente ou a Lares de terceira idade ou a escolas de meninos, ou porque vai ver apagar fogos, apadrinhar cervejas, vai ver avionetas que caíram, vai ter com advogados, juízes, recebe professores, enfermeiros, médicos, responde a funcionários do infarmed e de onde calhe, vai apanhar a vacina da gripe, vai tomar banho à praia, vai aqui, ali, acolá -- mas tudo isso em contínuo e sempre com a comunicação social a dar notícia, muitas vezes, já nem se percebendo o propósito.


É demais. Acaba por desgastar a sua imagem junto dos portugueses mais exigentes e menos carentes. E dá argumentos ao Láparo que, em tempos de má memória, lhe chamou catavento. 


Dir-se-á que o target de Marcelo são, sobretudo, os desvalidos, os desempregados, os reformados, as domésticas, as dondocas solitárias: ou seja, sobretudo, a malta que está muito tempo em casa a ver televisão e que já está por tudo -- habituados a apresentadoras aos gritos, a ex-polícias armados em investigadores com pedigree, psicólogos de meia tigela, primas que não sabem dos tios, filhos que não se dão com as madrastas, patrões que não pagam a empregados, senhoras que ligaram demais para as linhas de valor acrescentado e que se admiram com a conta de telefone, ou seja, pobres coitados que já papam de tudo o que lhes apareça na televisão. Portanto, aparecer-lhes um presidente sempre sorridente a dar beijinhos, abracinhos e a fazer selfies a torto e a direito já parece coisa mais que normal. É uma companhia. É a Cristina Ferreira e o Goucha e os seus convidados, a Júlia Pinheiro e os seus entrevistados, o João Baião e os seus amigos, a Teresa Guilherme e as caras larocas da quinta e ... o Marcelo e os seus velhinhos desdentados que o babam com beijinhos e as suas senhoras mamalhudas que lhe dão apertados abracinhos.


Contudo, tirando esse público-alvo, depois da operação de limpeza que levou a cabo em Belém e depois do efeito surpresa junto do eleitorado, o que começa a sobrevir aos olhos dos portuguesas é o cansaço por tão omnipresente figura e algum feeling de que estamos a assistir a algo que começa a roçar o ridículo.


Inteligente como é, estou certa que Marcelo há-de perceber que, se quer continuar a merecer a aceitação de grande parte da população, deverá calibrar a sua actuação. A menos que seja mais forte que ele ou a menos que o novo assessor, o datado Zeca Mendonça, não o saiba demover, nem mesmo à canelada, estou certa que Marcelo se esforçará por não nos maçar mais do que a conta.



Daí que daqui lhe deixo um pensamento que deverá ter sempre em background e que os que lhe querem bem deveriam colar-lhe nos vidros do carro, no ecrã do computador, em post-its espalhados everywhere, em bilhetinhos deixados nos bolsos das calças e dos casacos: Less is more.













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Keeping up with the Kardashians




Keeping up with Marcelo -- alguns exemplos


Marcelo na Graciosa



Marcelo na Feira da Agricultura




Marcelo ao banho no 1º dia do ano



Marcelo 112



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Less is more, Mr. President. Do not forget.

Não queira ficar para a história como o membro português do clã Kardashian.

E olhe: quem avisa seu amigo é.

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quarta-feira, julho 20, 2016

Kim Kardashian e José Castelo Branco -- gémeos separados à nascença?
- ou o triunfo do bisturi e do silicone no maravilhoso Reino das Selfies
[Nem a Mona Lisa resistiu a esta moda, caraças]


selfies kardashian

No outro dia, um amigo mostrou-me fotografias de um importante evento em que tinha participado. Cusca eu e não menos cusco ele, ali estivemos no corte e costura, a ver um por um, e ele a mostrar-me a mulher deste, acabada, acabada, a outra, tia, podre de tia, o outro já a cair da tripeça, a tal que é gira todos os dias. Às tantas pergunto-lhe se a mulher de fulano de tal não tinha ido. Que sim, que sim, poderia lá ela faltar a uma coisa daquelas. Mas nunca mais aparecia. E ali estive eu a ver uma que, gorda como está, já não tem corpo para se vestir daquela maneira, o outro que parece uma múmia bem conservada. E entre o espanto e o riso, lá fui vendo as mais de duzentas fotografias.

Até que me diz ele: 'Olhe. A sua amiga.'. Olhei, espantada, sem conhecer ninguém. Ao meio da fotografia uma desconhecida, de pé, sorria. Dos lados, outras. E ele: 'Mau. Então?' E eu: 'Não conheço ninguém...'. E ele 'Olhe bem'. Eu parva, a olhar: 'Não me diga...,' E ele: 'Ai digo, digo'. E eu: 'Não... impossível...' E ele, 'Ai não, não...?'. Era ela, a mulher do outro. Irreconhecível. Esticada por todo o lado. Nem se percebia onde acabava o nariz e começavam as maçãs do rosto que, por sua vez, estavam redondas e volumosas, lustrosas como maças saloias. A boca era outra desgraça. Umas beiçolas inchadas, reviradas, transbordando para o espaço entre o lábio superior e o nariz.  Diz ele: 'Pois, estou a ver que partilha da minha opinião: não correu bem'. E eu: 'Nada bem. Fogo... que tragédia!'

E ali fiquei, perplexa, a olhar para ela, tentando reconhecê-la. Sem rugas, sem feições, sorriso pasmado, Parecia a mãe dela que também se recusa a deixar o tempo pousar sobre o rosto. Gastam fortunas, devem ter dores quando fazem aquelas obras de recauchutagem, e, acredito, acham-se bonitas nesta figura.

É o reino do faz-de-conta, do fútil, dos sorrisos a toda a hora, das selfies feitas para seguirem directamente para o Face ou para o Insta.

O pináculo deste fenómeno foi atingido por essa rabuda que dá pelo nome de Kim Kardashian. 


É conhecida apenas porque se dá a conhecer -- e tão fenomenal é a sua figura e tão vazio o invólucro que milhões de pessoas a seguem como se fosse uma divindade. 


Ela fotografa-se com as mamonas ao léu e é o furor, ela besunta-se de óleo e despeja champanhe na bundona e rebenta com a internet. Não passa disto. Já teve um programa de televisão e sei lá que mais. E, repito, não passa disto!


Se olharmos para ela rapidamente percebemos que a nossa bicha de estimação, o José Castelo Branco é uma Kim Kardashian avant la lettre. Criatura auto-construída, alimentada pelo jet set de trazer por casa, o Conde também dá o cu e cinco tostões por aparecer na televisão ou na capa de uma revista cor-de-rosa (nb: metaforicamente falando, claro).  São quase iguais.

Ambos gostam de mostrar o corpo, ambos o mudam à medida do que lhes passa pela cabeça. Nus, de fato de banho, abraçados aos conjuges, o que calhar: é preciso é aparecer. Alimentam-se disso. Como se vivessem permanentemente ao espelho.

Kim Kardashian e as suas formas pronunciadas

José Castelo Branco, a mana gémea da Kim,
que não tarda também se vai pôr a enxertar toucinho nas nádegas

Mas, enfim, mal também não faz. E ilustram bem o que são estes tempos que atravessamos, tempos de narcisismo e vacuidade. Ainda hoje uma jovem considerada de elevado potencial e uma estrela em ascensão, que conhece vários países e tudo o que é restaurante e bar da moda, me dizia, toda convicta, que não tinha tempo para ler. Nem gostava. Tudo muito chato -- dizia ela. E eu não a contrariei. Para quê? Falamos uma língua diferente, vivemos em mundos diferentes.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

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domingo, fevereiro 08, 2015

A nudez frontal de Kim Kardashian para a revista Love, a dança sexy de Steve Carell, Jon Stewart e Stephen Colbert e a pinta do 'sexy, porra' Yanis Varoufakis: é desta que a internet vai aterrar?


Há uma mulher cujo nome encharca as redes sociais e as capas das revistas um pouco por todo o mundo sem que se lhe conheçam maiores méritos do que a dimensão estratosféricoa das ancas e das nádegas. Chama-se Kimberly "Kim" Kardashian West, mais conhecida apenas como Kim Kardashian, tem 34 anos e 1,60m mal medidos.

Há pouco tempo dizia-se que queria parar a internet com as suas imagens de rabo alçado, o champanhe a jorrar sobre a sua fonte de rendimento. Posava, então, para a Paper e a coisa quase parecia fora de escala. Disso dei devida nota aqui no Um Jeito Manso pois tento não passar ao lado de coisas do além, especialmente quando são o exemplo acabado dos tempos que correm.

Pois eis que, de novo, Kim Kardashian voltou à carga, agora com maior frontalidade. Para a revista Love não esteve com meias medidas: despiu-se toda ou, quando o não fez, espetou o rabo e mostrou o seu inquestionável ponte forte. 


Na foto da direita nem sei qual a intenção da fotografia: fazer de conta que é um cão a urinar na flor? Ou não arranjaram forma mais subtil de exibir tamanha desconformidade? E aquelas meias pelo meio da perna, que lindas que são. Senhores.

Mas o que ainda é mais curioso no que rodeia esta moçoila é que, afinal, parece não ser assim de origem ou seja, de facto está é toda quitada, transformada para uma realidade aumentada. Implantes e remodelações deram nisto já que antes mais parecia uma iraniana ocidentalizada sem nada de peculiar, apenas mais uma daquelas que se vêem por todo o lado carregadas de compras em Paris e noutras capitais ocidentais.

O vídeo abaixo mostra-a antes e depois e uma pessoa pasma com aquilo a que algumas pessoas se sujeitam para, depois, ficarem com um aspecto disparatado. Mas, enfim, se depois a contratam para desfilar a bunda, seja em festas seja em capas de revistas, se calhar tem razão e eu é que não tenho jeito para o negócio.

E isto sem ofensa porque não a conheço de lado nenhum, capaz de ser excelente rapariga. Apenas acho um piadão uma mulher fazer carreia a exibir o rabo. 

E provavelmente é mais feliz assim, de rabo alçado ou toda nua, besuntada de óleo a descer escadas do que muita intelectual que por aí ensimesmada e a arrastar a melancolia pelas estreitas ruas da vida. E, portanto, nada contra. E siga o baile.




Enfim, é o que é.

E, se da outra vez a internet não aterrou, desta vez em que é tudo tão assertivamente atirado à cara de quem nela tropeça já não sei. 




Quem gosta de gozar com ela e com a todas as kimzinhas desta vida é um trio de maraus: Steve Carell, Jon Stewart e Stephen Colbert. Juntaram-se, fizeram-se filmar e dizem que, com o seu topless e a sua dança sexy, são eles que vão fazer aterrar a internet. Talvez. Mas eu acho que a coisa apimentava a sério se em vez do trio do Daily Show tivéssemos um quarteto em que o 4º elemento fosse the wild card Yanis Varoufakis.


Um à parte: por todo lado vejo referências ao aspecto de garanhão caviar-chic com olhar felino do economista da solidariedade radical. A coisa está a tornar-se viral. Se em tempos o Zidane era considerado o homem mais sexy do mundo, quase aposto que, se a eleição fosse hoje, ganhava o tie lessblue collar Yanis.

O Ministro das Finanças Alemão Wolfgang Schaeuble  e o Ministro das Finanças grego Minister Yanis Varoufakis
em Berlim - Fev. 5, 2015


E faço notar que Portugal já tem a sua representante oficial para a dita eleição. É que até no Euronews se dá conta do grito de alma da deputada Isabel Moreira - e passo a transcrever:

Portuguese socialist MP Isabel Moreira voiced her approval of Varoufakis in a Facebook post saying “The Greek Minister is so damn sexy” (O ministro das finanças grego é sexy, porra) although it’s not clear whether she was referring to his left-wing policies or his physical appearance.


Não é claro...? Então não?


Mas, enfim, mesmo sem o sexy Yanis, cá estão eles, o trio de folgazões:



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E, com ou sem o rabo da Kim, o que eu desejo é que a internet se anime que anda muito pasmacenta. A ver se aparece para aí mais algum escândalo, se o Hollandinho arranja mais uma namorada, se algum paparazzi o descobre com a mão na perna da Angela debaixo da mesa de algumas negociações, ou se se descobre que afinal o motorista Perna transportava envelopes era para o Jacinto leite Capelo Rego, ou que o Tony Carreira afinal se separou da sua Fernanda porque tem um caso com a Madonna. Coisas assim com picante que se veja, não insignificâncias como aquela de os especialistas portugueses em transcrever e interpretar escutas afinal serem uns totós que não ouvem bem ou, se ouvem, não percebem nada do que ouvem, frioleiras que parece que só encanitam a Ana Gomes, deixando o resto do país no bocejo. Já não vamos lá com banalidades ou infantilidades de tipo aiceps go go go, blackouts do Bruno de Carvalho, notícias pouco empolgantes como a nova gravidez de Fernanda Serrano ou outros déjà-vu. Ná, tem que ser coisa mais cabeluda. 

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Hoje tenho que me ficar por aqui. Estou aqui a deixar-me dormir entre cada frase. A noite de sexta para sábado não foi extraordinariamente descansativa e o sábado foi bom, bom, bom - mas bom ao ponto de chegar ao fim do dia mais de gatas do que outra coisa. Quatro pimentinhas supersónicos e esfomeados derrubam qualquer um, é o que vos digo. Por isso, se tinha antes outros assuntos em mente para aqui falar já tudo se me varreu. E a ver é se consigo ir daqui até à cama.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo!

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segunda-feira, novembro 17, 2014

O rabo da Kim Kardashian que quase parou a internet é de verdade ou é realidade aumentada? Não tenho provas. Mas acho graça, em especial à paródia dos rapazes a imitarem-na. E se quiserem saber: 'afinal quem é essa Kim Kardashian?', tentarei responder.


No post abaixo já falei o que tinha a falar sobre a demissão de Miguel Macedo. E como não me apeteceu falar muito no novo bocado que caíu ao chão desde governo que se está a despedaçar à vista desarmada, passei para o humor. Digo-vos que é coisa digna de ser vista. A sério. E, ao contrário do caso de que aqui vou falar, aqueles aparatos ali são mesmo reais.

Mas isso é a seguir.

Entretanto, estive para aqui a ver se me redimia da minha ligeireza numa altura em que o País está feito num oito. Percorri os jornais online, espreitei blogues. Esforcei-me.

Li o Pedro Santos Guerreiro, sempre tão objectivo e lúcido, escrevendo a propósito dos vistos gold, da corrupção, do ministro no meio de um grupo de gente de quem se suspeita:

As suspeitas que hoje existem e as informações já recolhidas por jornalistas mostram uma súcia que envolve quadros do Estado e à volta do Estado, com negócios intermediados por agentes e advogados, funcionários a receber dinheiro por debaixo da mesa, comissões e facilitações. Não é coisa pouca. E mesmo que tudo isso se tenha passado sem intervenção de um ministro, passou-se debaixo das barbas que ele não tem. A responsabilidade política existe, sim. Se um governo falha criando negócios vulneráveis à corrupção, ela própria participada por pessoas do Estado e próximas da política, está a prestar serviços de incompetência que aproveitam a alguém em detrimento da sociedade.

Concordo. Gostava de ter disposição para também dizer qualquer coisa mas a verdade é que não ando com pachorra para mergulhar neste charco.

Então, pedindo antecipadamente para não levarem a mal que me entregue a temas tão de cu, passo ao tema que agora aqui me traz.

O rabo de Kim Kardashian aparece-me por todo o lado. Oleado, aparatoso, e dizendo que pretende parar a internet.







Não sabendo quem era a moçoila, fui à procura. Pois bem. Parece que é uma socialite de 34 anos, com 1,59m, conhecida pelas formas generosas. Em linguagem de outros tempos dir-se-ia que tem um corpo tipo viola. Não sei se ainda se diz. De resto, parece que não é assim de origem e, além disso, ainda lhe acentuam os montes e os vales  com doses generosas de photoshop.

Transcrevo da wikipedia:

Kimberly Kardashian West, nascida Kimberly Noel Kardashian, mais conhecida como Kim Kardashian (Los Angeles, 21 de outubro de 1980) é uma cantora, modelo, socialite, atriz, empresária, produtora executiva e reality star norte-americana. Filha do falecido e renomado advogado Robert Kardashian, ficou conhecida após protagonizar um vídeo de conteúdo erótico com seu ex-namorado, o rapper Ray J, irmão da cantora Brandy.
Kim hoje, possui quatro lojas com suas irmãs, Khloé e Kourtney, chamada DASH. Além de fazer aparições em filmes e lançamentos de produtos, é também a protagonista do reality-show Keeping up with the Kardashians que mostra o dia-a-dia de sua família. Estima-se que a aparição de Kim em Keeping Up with the Kardashians custe US$80 mil (por episódio), sendo assim, a mais bem paga estrela de reality show dos Estados Unidos.


Agora Kim Kardashian foi capa e editorial da revista PAPER e o seu rabo fez arregalar os olhos e explodir em riso a malta que viu tal avantajamento.



PAPER - Break the internet - Kim Kardashian


E as comparações e as paródias não se fizeram esperar. Por todo o lado, encontro imitações, ridicularizações. Kim Kardashian deve agradecer: quanto mais publicidade fizerem dela, mais ela factura.










E a seguir vieram os vídeos. Há imensos e a dificuldade está na escolha. (E reparem no estado de alienação a que cheguei para evitar pensar neste malfadado e estapafúrdio desgoverno - imagine-se que até me pus a ver filmes a parodiarem uma criatura de quem até há uns dias atrás nunca tinha ouvido falar).




Her ass broke the internet, ours merely cracked it - dizem os rapazes.

Actores: Keith Habersberger, Eugene Lee Yang e os BuzzFeed's Zach e Ned

Banda sonora: Monsters Under The Bed

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A ver se aparece algum vídeo que mostre as maluqueiras da Marta Gautier enquanto era desfeita pela Manuela Moura Guedes no programa Barca do Inferno. Estive a ver uma paródia no Canal Q e é de ir às lágrimas. Não tinha ideia que a moça fosse tão ocazinha, tão ignorantezinha. Um dó de alma. A Manuela Moura Guedes desfê-la e até a percebo. Claro que a Marta, filha de Rita Ferro, já desistiu do programa e, a julgar pela amostra, fez bem.


Mas o vídeo viria a calhar, agora que ando nesta onda de disparates. Se aparecer, avisem-me, está bem?

[E a ver se amanhã já estou mais atilada para conseguir dedicar-me a temas mais eruditos não vão os meus Caros Leitores pensar que surtei e que sou um caso perdido]

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Relembro: não deixem de ir até ao post já a seguir, não se vão arrepender, verão. Para além de que lá tenho um anúncio de emprego que pode ser útil a algum dos meus Leitores.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.


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