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domingo, junho 30, 2013

Compreender um texto é como compreender um cão - assim pensava Maria Gabriela Llansol, Goya, José Tolentino de Mendonça e... eu. Acrescento as perplexidades de Mattia Pascal pela mão de Pirandello que, por sua vez, vem pela mão de Pedro Mexia. 'Liberta de todos os laços, absolutamente senhora de mim, tendo perante mim um futuro que poderei moldar segundo os meus desejos', posso escrever sobre estas coisas [parafraseei Mattia Pascal mas acho que ele não se vai importar]


Gosto muito de ler José Tolentino de Mendonça. Conhecia-o da sua poesia e só agora que ele tem uma crónica semanal no Expresso, com o sugestivo nome que coisa são as nuvens, é que começo a conhecer a forma límpida como pensa.




A crónica deste sábado é muito bonita (são sempre muito bonitas). 


[Penitencio-me sempre que, ao querer exprimir o quanto gosto de um texto ou poema, só me ocorre dizer que é bonito. Parece-me fraquinho, poucachinho. Mas, por mais que me esforce, é isso que me ocorre.

Deveria ser capaz de usar palavras mais rebuscadas ou mais técnicas - e, agora que escrevo isto, ocorre-me a palavra oxímoro que acho uma palavra enviesada porque quase se pode confundir com oxímero, que não tem nada a ver, ou, quem diz isso, diz que talvez fosse interessante dissecar melhor a coisa, retalhá-la, etiquetá-la. Mas tudo isso me parece artificial, parece que é estragar tudo.


No outro dia, um colega meu contou-me que, estando a atravessar a China, deparou com campos e campos e campos cheios de chineses e chineses e chineses e andavam todos curvados a espetar flores de plástico na terra. Ficou admirado. Os chineses com quem ele ia explicaram, então, com o ar mais natural e emproado do mundo, que, como o mau tempo tinha devastado as colheitas, para a terra ficar mais bonita estavam a enchê-la de flores de plástico. Para os chineses isso era normal. 

Eu acho que olhar para um texto puro e belo e desatar a despejar palavreado por cima é a mesma coisa que espetar flores de plástico numa terra lavada pela natureza.

Mas, claro, admito que isto seja prova da minha rusticidade. Mas, rústica que sou, parece-me que dizer que uma coisa é bonita é uma boa coisa.]


Ler a bonita crónica do Padre José Tolentino de Mendonça confortou-me um pouco. Deu-lhe ele o título de O que é compreender.


Não vou transcrevê-la toda pois bom mesmo é lê-la toda, em papel, mas, para os que o não poderão fazê-lo, trago aqui um pouco:


(...) Talvez porque compreender seja outra coisa, peça de nós outro tempo, distinto daquele que estamos habituados a usar, nos exponha na nossa pobreza, encaminhe a nossa inteligência e o nosso coração por territórios porventura mais próximos do silêncio do que da palavra.

Penso muitas vezes naquela pintura de Goya que retrata um cão. Não sabemos exactamente o que é que o cão está ali a fazer: apenas vemos o seu focinho que sobressai, solitário, projectado num céu vazio. Dir-se-ia que ele fareja não já o mundo, mas a fronteira do mundo, à maneira de um detective metafísico.




Quando penso nesse cão de Goya acontece-me associá-lo a uma frase da escritora Maria Gabriela Llansol sobre o texto (que não há-de ser diferente do trabalho de compreensão do mundo e de nós próprios). A frase diz: 

                                             Compreender um texto é como compreender um cão...
                                             ou seja,
                                             é aceitar que não se fala,
                                             que não se compreende,
                                             excepto pela companhia

Armámo-nos de instrumentos sofisticados de análise, estratificamos, decompomos, observamos através de lentes que reputamos infalíveis, e esquecemo-nos desta verdade básica: a compreensão passa, necessariamente, por um avizinhamento, por uma descoberta mútua que só a reciprocidade vai tecendo e aclarando. 

A compreensão é um jogo jogado na consciência de que estamos perante o vivo, que se dá a ver na dobra, no intervalo, na interacção afectiva, na dedução incalculável daquilo que cada um traz escondido, sem nos deixarmos capturar pelas expectativas, sem impormos nada do que sabemos ou pretendemos saber.


Llansol tem razão: não compreendemos nada nem ninguém, excepto pela companhia.

(...)

O objectivo é poder alcançar aquela plena liberdade da definição que Montaigne propõe: 'Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: Porque era ele. Porque era eu'. 

companhia constrói-se, em seguida, na aceitação. Aceitar, aceitar - que exercício tão difícil. Aceitar a noite e o nada, o silêncio e a demora, aceitar a graça e a fraqueza, a diferenciação e o desapego. 

De tudo fazer caminho. 

Aceitar ver o todo apenas na parte, na visão incompleta, no gesto inacabado. 

A ansiedade de dominar é um equívoco.

(...)

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Dominar um texto? Dominar a compreensão de um texto? Dominar o conhecimento técnico da língua, de um estilo? ... Não. Não quero. Isso não me interessa. Dominar é menorizar o que se domina. Não se deve menorizar o que se respeita. Muito menos o que se ama.

Gostar de uma coisa (tal como gostar de uma pessoa) é deixá-la livre. Não tentar dominá-la, compreendê-la, possuí-la. É deixá-la ser. Apenas isso. É observá-la na nossa incompreensão. É gostar porque sim.


««»»




"Não sei como vim ao mundo, nem o que é o mundo, nem o que sou eu; vivo numa ignorância terrível de tudo; não sei o que é o meu corpo, os meus sentidos, o que é a minha alma, nem esta parte de mim que pensa aquilo que eu digo (...)". Isto escreveu Pascal. Blaise Pascal.

[E isto escreveu Pedro Mexia, também no Expresso, ao falar sobre "O falecido Mattia Pascal" de Luigi Pirandello. E vem mesmo a propósito do que José Tolentino Mendonça disse em que coisa são as nuvens.]


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As pinturas e a gravura são de Goya. Francisco José de Goya y Lucientes (Fuendetodos, 30 de março de 1746  — Bordéus, 15 ou 16 de abril de 1828) foi um pintor e gravador espanhol.

Na transcrição dos excertos da crónica de José Tolentino de Mendonça tomei a liberdade de acrescentar algumas consoantes. Palavras com letras a menos parecem-me palavras que saíram à rua sem cuecas. Pode ser que um dia me habitue mas, por enquanto, ainda não estou aí.

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E com isto me vou que já são horas. Tenham, meus Caros Leitores, um domingo muito bom. 
Que o excesso de calor seja compensado com belos banhos, frescas bebidas e outras coisas boas!

sexta-feira, janeiro 06, 2012

A Loja Maçónica Assembleia da República; o caso dos seios PIP; Mrs Burge, a Barbie Humana; Elin ex-Woods, que também precisava de se internar; e, finalmente, a opinião de George Soros sobre a alarmante situação na Europa.


Hoje estou com vontade de vos trazer as reflexões de gente que sabe, Soros, Solana, Stiglitz, mas antes tenho que puxar aqui à boca de cena dois ou três pequenos apontamentos.

1. Então é mesmo verdade que aquele edifício ali ao pé de S. Bento é uma Loja Maçónica?! Uma das bigs?! Resmas de maçons, resmas!

Ali todos sentadinhos a fazerem de conta que mal se conhecem ou que se dão mal uns com os outros e afinal são quase todos 'irmãos'...! Seus malandrecos...!

Assembleia da República - deve estar carregadinha de triângulos, compassos, ...

Pareceu-me ouvir há pouco na Quadratura do Círculo que se diz que cerca de 80% dos deputados são maçons...! Bolas, bolas, bolas! Tantos?!

Mas fiquei também a saber que uns pertencem a lojas decentes, de gente bem intencionada, defensores da moral e dos bons costumes e que há outras, formadas por dissidentes, em que pululam os esquemas, as negociatas, a distribuição de lugares, jogos de influência, autênticos 'gangs' - dizem os maçons verdadeiramente fraternos tal como, por exemplo, Vasco Lourenço.

Ao que parece, agora que a Loja Mozart caíu nas bocas do mundo, os maçons daquela mal afamada loja estão todos a querer sair de lá a correr, ninguém se quer comprometer em tão más companhias. Ao que dizem, só ficará lá o rebotalho, espiões, ongoings e pouco mais. Mas isto sou eu a papaguear, que eu não sou nem mata-hari, nem amiga de nenhum ex-sied.

Ridículo, tudo tão ridículo isto.

Mas sejam lojas decentes ou lojas indecentes, pergunta a minha ignorância (e já várias vezes aqui o perguntei) - se nada do que lá fazem é ilegal, ilegítimo ou caso de polícia, de que coisas é que eles afinal lá tratam que aquilo tenha que ser uma sociedade secreta? Que sentido faz uma coisa destas, cheia de rituais e outras coisas bizarras, nos tempos de hoje? Alguém me explica?


2. Passo ao outro tema que ocupa a comunicação social - e aqui tenho que me conter para me portar bem porque a coisa não é para rir.


[Como pratico uma actuação responsável e longe de mim correr o risco de magoar algum dos meus queridos leitores, antes de a colocar aqui reduzi a dimensão da fotografia da Susana da Casa dos Segredos (Susana esta que também colocou implantes nos glúteos e aumentou o volume dos lábios) não fosse algum dos seios saltar do computador e algum de vocês ainda levar com ele na cara. Credo!]

Apelo de novo à mesma unidade de medida - resmas - para dizer que resmas de mulheres, resmas, colocam implantes mamários. Umas porque existem razões médicas que o justifiquem, outras porque não gostam de ter seios pequenos, outras, parece que a maioria, em Portugal, porque querem ter seios iguais aos da Soraia Chaves e outras porque querem ter seios XXXXXL. Nada a dizer.

O que há a dizer é que os fabriquem com gel indistrial (marca PIP), implantes que para além de, por vezes, vedarem mal (e tenho que aqui trazer outra vez a Judite de Sousa que, quando o médico dizia que alguns implantes babavam, especialmente de noite, concluiu que as mulheres acordavam com os seios molhados, esquecendo-se que os implantes estão enfiados debaixo da pele, não se 'babam' para a barriga), podem provocar cancro. Ou seja, as mulheres podem ter que ser submetidas a nova cirurgia. Coitadas. Que susto devem estar a passar. Espera-se que os fabricantes (franceses) sejam penalizados.


3. Mas doida varrida mesmo é a inglesa Sarah Burge, conhecida por ‘barbie humana’ (porque já fez tantas cirurgias plásticas que parece uma boneca) - e que, em conjunto com o marido, dirige um clube de swing, coisa que, em boa verdade, nem vem aqui ao caso - que ofereceu, este natal, à filha de sete anos um vale de 7.000 libras para fazer uma lipoaspiração quando for mais velha.

Sarah e Poppy Burge
(Não mostro aqui uma fotografia de grande plano e decotada de Sarah
porque, por muito que reduzisse, não caberia aqui,
de tal forma avantajados são também os poitrines)

No aniversário da criança já lhe tinha oferecido um voucher de 6.000 libras para colocar implantes mamários depois dos 16 anos.

Custa a crer em tamanho disparate. Coisa de doidos.

 
4. Outra maluca é Elin Nodergren que, não gostando da casita novinha e maravilhosa, a mandou demolir para a fazer de novo. Contextualizando: a casita tinha mais de 2.700 metros quadrados, tinha custado 12 milhões de dólares, era nova e dizem que espectacular. Mas Elin não estava afim, não curtia.
 
Elin Nordergren - e agora que estou a olhar
parece-me ver um par de PIP's

Quem é Elin?, perguntam vocês. Pois bem, Elin é a ex de Tiger Woods o qual, para se divorciar dela, teve que desembolsar cerca de 100 milhões de dólares. Entretanto, a temperamental Elin já contratou nova equipa de arquitectos para um projecto brand new e dizem que também já arranjou novo namorado, filho de um multimilionário. Não brinca em serviço.
 
Está certo que o Tiger era mesmo uma tigreza no masculino mas deixem estar que, em termos de maluquice, ela não lhe deve ficar nada atrás.
 
 
Bom.
 
Como até já parece mal andar sempre a prometer e nada, e porque a situação financeira na Grécia é dramática e, se não se resolver, a Europa é sugada para um buraco negro situado lá no mais recôndito do menos infinito, aqui vos deixo finalmente um bocadinho da opinião de George Soros, publicada em 30 de Dezembro, que pode ser na íntegra aqui sob o título 'O ano da indecisão na Europa'. Peço-vos para lerem porque o texto está claro, fundamentado e realista. Se conhecerem alguém na Grande Loja Maçónica da Assembleia da República ou, em especial, se conhecerem alguém do Governo, também era boa ideia dar-lhes a ler. Pode ser que percebam onde nos estão a tentar meter.
 


Como é sabido, George Soros é “chairman” do Soros Fund Management e do Open Society Institute e estou a resumir de forma mais do que minimalista o seu curriculum.


"A alarmante situação económica na qual a maior parte do mundo rico mergulhou em 2011 não foi meramente resultado de forças económicas impessoais, tendo sido grandemente criada pelas políticas levadas a cabo, ou não levadas a cabo, por parte dos líderes mundiais. Com efeito, a extraordinária unanimidade que prevaleceu na primeira fase da crise financeira que teve início em 2008 e que culminou com o pacote de resgate no valor de um bilião de dólares acordado conjuntamente na reunião do G-20 em Londres, em Abril de 2009, há muito que se dissipou. Agora, as lutas burocráticas internas e os conceitos erróneos são galopantes.

As medidas introduzidas pelo BCE deram um forte contributo para aliviar os problemas de liquidez da banca, mas nada foi feito para reduzir os enormes prémios de risco sobre as obrigações soberanas. Uma vez que os prémios estão intimamente ligados às deficiências de capital dos bancos, não basta haver uma meia solução. Se a dívida soberana da restante Zona Euro não for sucessivamente controlada, um incumprimento da Grécia poderá levar ao desmoronamento do sistema financeiro mundial.

Mesmo excluindo um tal cenário de pesadelo em 2012, a cimeira lançou as sementes para futuros conflitos – em torno do aparecimento de uma Europa a duas velocidades e da falsa doutrina económica que orienta o pacto orçamental proposto para a Zona Euro. Essa doutrina, ao impor austeridade num período de aumento do desemprego, ameaça mergulhar a Zona Euro numa viciosa espiral de dívida deflacionista da qual será difícil de escapar."



A ver se amanhã arranjo maneira de também partilhar convosco a opinião de Solano, Stieglitz e outros pois vão todas no mesmo sentido e é tudo gente isenta, inteligente e descomprometida. Hoje não que o texto já vai longo e eu estou perdida de sono, está bem?
 
E é isto. Thanks God, it's friday!
 
 
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!? Que é lá isto, ó gente ?!

Bem, isto é o que me parece uma escrita em que às palavras faltam letras.

Por isso, enquanto não me sentir pré-histórica, vou continuar a escrever marimbando-me no Acordo Ortográfico. Não me levem a mal.