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sexta-feira, março 22, 2019

Gosto deste homem, o que é que hei-de fazer?


Estamos a viver tempos incríveis. Tudo tão inesperadamente caótico, tão imprevisível e fora de controlo que, quando a coisa parece que vai num determinado rumo, alguém lança uma cartada e vira o jogo tornando os prognósticos ainda mais impossíveis.

A Ana, Lady of Vaz con Cellos, dizia que até é difícil não ter pena de Theresa May, a patareca-mor, e eu concordo. Tudo lhe corre mal, todo o mundo dá patadas, não especificamente nela mas muitas acabam por acertar-lhe -- e sempre tudo à vista do mundo, a malta a rebolar de riso com tanta falta de jeito. E o P. Rufino tem razão, aquilo é uma democracia, aquilo ali é um lugar de gente com muita história e pedigree. Mas mais parecem daqueles aristocratas já com os genes muito ensarilhados, sem noção da realidade, ainda a viverem num comprimento de onda que já acabou no século anterior. 

O tempo está em contagem decrescente, a guilhotina a baixar devagarinho e todos incapazes de saberem onde está a saída do labirinto em que se enfiaram.

A pobrezita ali anda a bater a todas as portas e toda a gente a bater-lhe com a porta no nariz. Uma das fotografias do dia é deliciosa: ela e o outro tão patarata como ela. Ela com um corte de cabelo que não correu bem. Ele naquela sua postura sempre tem-te-não-caias. Ela a olhar para ele com ar de galinha desconfiada. Ele com ar de peru velho recosido em vinha de alhos.


O que é que pode sair de bom de um tal par de jarras?

E, no meio desta cegada, desta gente descomandada, continua a sobressair o Speaker. Despudoradamente despenteado, com gravadas criativas, John Bercow dá lições de democracia, de bom comportamento, de graça, de fluência vocabular e gramatical e de etiqueta. Acresce que tem um pulso naquela maltosa que dá gosto. Veja-se este vídeo aqui abaixo para se perceber porque é que gosto deste fantástico mariola (e, calma, mariola no bem sentido).

Bercow defends Parliament after Brexit delay: 'None of you is a traitor'


John Bercow has defended MPs against Theresa May’s accusation that they are frustrating the will of the people over Brexit. Addressing the House of Commons, the Speaker stood up for the right of parliamentarians to vote according to their principles, after the prime minister suggested their failure to back her agreement was responsible for delaying the UK’s departure from the EU.


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Já agora, para quem precisa de relaxar, distender ou meditar:

Aula de Yoga versão Brexit pelo Mestre Sammy J


Sammy J helps us flex our foreign muscles with a brand new flow straight out of Europe. 
Biting, bite-sized comedy as Sammy J tackles the big issues of the day, wrestles them to the ground, then submits them to a variety of yoga poses, sporting analogies, and craft activities.


Até já

sexta-feira, julho 13, 2018

Coitado do Juncker... Bebedeira...? Não, que ideia. Estava era mesmo aflito da ciática...
O que lhe valeu foi a mão que o nosso Costa lhe deu...
Veja aqui o vídeo. Hilariante


Estive todo o dia fora e sem ouvir notícias ou ver televisão. Só agora, tarde e más horas, ligámos a televisão. Estava a dar um breve resumo do dia. 

E, a terminar, estava eu meio distraída, ouvi a notícia de que aquilo do Juncker é que ele estava com uma crise de ciática. Mas já não vi as imagens. Estranhei. Que notícia mais inusitada. Pensei cá para mim: sim, sim, chama-lhe ciática. Depois ocorreu-me uma dúvida clínica: mas querem lá ver que o vinho agora prende o músculo ciático? 

Fui à procura no YouTube e apareceu-me outra notícia inesperada:

Juncker poisoned by US president Donald Trump. 


Uuupsss... Mas depois vi que talvez não. Transcrevo a legenda:
BREAKING NEWS: EU on the brink of war with the USA after US president Donald Trump has poisoned EU leader Jean Claude Juncker. According the European Commission this means war with the animals. It is not clear what poison the Donald used but rumors  have it that Juncker was "red wine" waterboarded??? In other words he is piss drunk. 12-July 2018.
Bem esteve o nosso António Costa a dar-lhe a mão, a dar-lhe o braço, sorrindo e tentando que ele avançasse pelo seu pé. Vi-o e deu-me vontade de rir. Imagino-o a rir à gargalhada a contar a cena ao Marcelo.

Aqui ao meu lado, ouvi: 'Estava cá com uma tosga...'

E assim vamos: a Comissão Europeia nas mãos de uma pessoa que padece desta boa maneira de ciática.

quinta-feira, julho 02, 2015

Porque é que Obama, os chineses ou qualquer um que mande, quando quer falar com alguém da Europa, em vez de ligar ao Juncker liga à Merkel? Vendo o vídeo é fácil perceber porquê.


Já tem mais de um mês mas as coisas vão passando e a gente acaba por se esquecer.




Mas Leitor atento lembrou-me, e eu, revendo a cena macaca que abaixo mostrarei, percebi bem porque é que alguém com um mínimo de sobriedade e a querer falar de coisas sérias, não se arrisca a dar com um Juncker no lindo estado que veremos e vai direito a quem, no meio da bagunça geral, ao menos ainda manda alguma coisa (se bem, se mal, não é disso que falo, falo apenas em mandar): a bardajona-mor (que, de resto, também parece que anda a reboque do insuportável Schäuble), Madame Merkel.




Ou seja, vendo bem as coisas, apenas por decoro, o Obama não liga directamente ao outro, ao padrinho do ex-Gaspar, àquele perante as flexíveis colunas vertebrais dos burrocratas europeus se vergam, o dito Wolfgang).

E do destravado do Juncker ninguém se lembra quando o assunto é sério, claro.




E é assim que os destinos dos países europeus estão a ser conduzidos, entre humores etílicos, chalaças, contas de algibeira, birras, chantagens, influências subterrâneas.




O vídeo abaixo constará um dia como o exemplo acabado do que eram os governantes nestes tempos de desgoverno, de descontrolo e despudor em que campeia a caça aos gregos, a desinformação, o estrangulamento de um país (-- e, do lado dos gregos, um certo desnorte, talvez uma certa imaturidade ou amadorismo perante uma situação tão dramática).

Mas, seja como for, a situação europeia é um tal marasmo, uma tal ausência de visão, uma tal submissão aos grandes interesses financeiros, que é mesmo necessário um qualquer abanão para ver se alguma fractura se dá, uma fractura que leve ao emergir de uma nova forma de governar a bem dos povos e não dos mercados -- e tentemos ser tolerantes na tentativa de compreensão pelo que se está a passar na Grécia, já que seria esperar de mais que um abanão saísse certinho como um bem ensaiado pas de deux. Não é uma coreografia que se perceba bem, volta e meia mais parece uma trapalhice? Pois.

Mas vamos ver no que dá, vamos pensar no País, vamos apoiar o povo grego (e não confundir esse apoio com o apoio incondicional a todos os tropeções dos seus governantes, que isso, de facto, face à situação, não será tão fácil assim).



Jean Paul Juncker dá espectáculo em Riga




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A Merkel e o Obama tal como os vemos nas imagens que usei para juntar ao texto são obra da artista israelita Amit Shimoni que gosta de transformar os homens e as mulheres políticas em hipsters. Muito justamente deu à série o nome de Hipstory.


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E por aqui me fico porque, a sério, voltei a chegar a casa muito tarde e estou cheia de sono.  A ver se um dia destes tiro a barriga de misérias e ponho o sono em dia, chego cedinho a casa e me sento aqui descansada da vida.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz. 
Saúde, sorte e amor para todos.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Equipa de futebol faz sriptease na lavandaria. Contra as conversas doentiamente pornográficas de Paulo Portas, Marques Guedes, Maria Luís Albuquerque ou Carlos Costa que avancem os bons rapazes, saudáveis, que praticam desporto.


Depois do turismo e das reportagens fotográficas no Porto, Moledo, Monte Faro, Valença e Ponte de Lima, eis-me de volta ao duro mundo do trabalho (e sorte a minha que o tenho). Mas, enfim, há que atenuar o impacto para tornar o choque menos violento e cá estou de volta (e na forma do costume, isto é, derrapando em toda a linha).

Explico-me.

Tenho a caixa de correio cheia, cheia, e, como habitualmente, com artigos a sério e piadas, filmes, etc. Não tenho tido tempo para ver tudo, muito menos para responder. Mas hoje, de volta ao batente, aqui estou a despachar o expediente.


Um dos filmes que recebi dá pelo nome de I hate to go to the cleaner (Strip na lavandaria) e vinha em ficheiro. Só que ao abrir não deu em nada. Desiludida, fui ao youtube e escrevi aquilo a ver se o apanhava por esta via. Nada. Escrevi então strip tease laundry e aí já me apareceram algumas coisas.

Um dos vídeos prometia: equipa de futebol faz strip na lavandaria. Fui conferir. Nada de transcendente, nada que augure um Oscar mas, ainda assim, divulgo-o. Os rapazes têm ar saudável, vê-se que gostam de desporto e, portanto, tudo a favor.


NB: Às almas mais ajuizadas que possam pensar que o vídeo Laundry Mat Strip Tease: Dirty Soccer Players é quase pornográfico quero dizer que não: pornográficas são as cínicas afirmações de Paulo Portas a dizer que sempre esteve contra as medidas da troika; pornográficas são as afirmações Marques Guedes ao considerar infelizes as palavras de Juncker, Presidente da Comissão Europeia, que disse que a troika "pecou contra a dignidade" de portugueses, gregos e também irlandeses; pornográfico é o risinho servil de Maria Luís Albuquerque ao lado do dono Schäuble que elogiava os portugueses porque dão a patinha, rebolam e, todos saltitões, vão a correr buscar o pau; e, até, pornográficas são as afirmações de Carlos Costa remetendo agora a responsabilidade do que aconteceu com o papel comercial do GES vendido aos balcões do BES para a CMVM.


Ao pé de tanta conversa hardcore, de tanta falta de vergonha, que mal têm os corpinhos bem feitos destes rapazes? Ora.



O realizador do filme é Brad Hammer e entre os actores contam-se estes dotados artistas: Richie Nuzzolese, Detox Icunt, Jason Medina, Jessica and Hunter, Jose Parra e outros.

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E haja saúde!


quinta-feira, outubro 23, 2014

Durão Barroso disse adios, adieu, auf Wiedersehen, goodbye, adeus, e a malta, de pé, feliz, retribuíu: adeus, ó vai-te embora e não voltes a aparecer-nos pela pela frente! Juncker, esse, gritou-lhe aos ouvidos: Tanta austeridade ia rebentando com a Europa, ó cherne de uma figa! e, em alemão, gritou para a Merkel: “A consolidação orçamental, por si só, não traz crescimento”. E os Verdes, esses queridos, na despedida do cherne, fizeram-lhe um vídeo e tudo. 'Bref, Barroso, bon débarras' (que é como quem diz, 'Resumidamente, Barroso, boa viagem').


No post abaixo já vos dei conta da nova que a rádio alcatifa anda a divulgar: Relvas está de volta. Estará? Para onde? O que é que vai mudar na sociedade portuguesa com a vinda de tão ilustre doutor?

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, fala-se de um outro que sai sem deixar saudades.





Nunca percebi como foi possível que uma criatura como Durão Barroso tivesse ido para a frente da Comissão Europeia. Que provas tinha ele dado para que alguém tivesse tido tão peregrina ideia? A sério, não percebi. E, todo este tempo decorrido, continuo sem perceber.

Lideranças fracas são uma desgraça. Se a gangrena dá para avançar não é um peixe balofo que lhe vai fazer frente. 

A Europa esfarelou-se nas mãos deste zero à esquerda. Só fez porcaria. Maria vai com as outras, acobardado, capacho da Merkel, permitiu de tudo um pouco. Aquele ideal de Europa que os europeístas alimentam (crescimento, conhecimento, liberdade, democracia, etc) quase feneceu às mãos (que devem ser papudas, moles, suadas) deste mal encarado.


Sou uma optimista. Estou sempre pronta para embarcar junto de quem olha de frente e parece olhar no mesmo sentido que eu.

Juncker não é um perigoso comunista e eu, até ver, estou a gostar do que o ouço dizer.



Seja por isso, seja porque a fria realidade dos números — quer dizer, da economia — se está a impor, a verdade é que os dogmas até agora dominantes no pensamento e na acção da superstrutura política europeia parecem estar a ceder. Essa mudança ficou mais clara ontem, com o discurso de Juncker, mais preocupado com o crescimento e a resolução dos problemas sociais do que com a consolidação orçamental.  Draghi está cada vez mais acompanhado na sua determinação de contrariar as orientações de Berlim. Não vai ser fácil, como ainda a semana passada provou a chanceler alemã no Bundestag, quando, contra todas evidências, mostrou a mesma inflexibilidade de sempre quanto ao abrandamento das políticas de austeridade. 

Mas, aparentemente, o presidente da Comissão não se intimidou e, em jeito de resposta, mudou o discurso do francês para o alemão, para avisar: “A consolidação orçamental, por si só, não traz crescimento”. O tempo dirá se este discurso é para ficar.





Juncker voltou ainda a insistir na sua "bandeira", dizendo ser sua prioridade avançar com um plano europeu de investimento de 300 mil milhões de euros em três anos. "O nível de investimento na UE diminuiu em cerca de 500 mil milhões de euros, ou seja 20 %, após o seu último pico registado em 2007. Confrontamo-nos com um défice de investimento que devemos ultrapassar".

A Europa, acrescentou, "pode contribuir para que tal aconteça". "Como é do vosso conhecimento, pretendo apresentar um ambicioso conjunto de medidas de investimento no montante de 300 mil milhões de euros para relançar o emprego, o crescimento e a competitividade. Não posso anunciar desde já todos os elementos que este pacote integrará" mas, acrescentou,  "se nos derem o vosso apoio hoje, apresentaremos esse conjunto de medidas até ao Natal". "Não se trata de uma promessa, é uma afirmação", asseverou.




Podem chamar-me optimista, até mesmo teenager inconsciente, que eu, para já, não quero saber. O que agora sei é que, entre os Jingle Bells e outros sininhos cantarolantes, espero bem poder dizer pelo Natal: Temos homem! Temos Europa!


Entretanto, a delegação Europe Ecologie no Parlamento Europeu fez um pequeno vídeo para parodiar a triste figura que ia dando cabo do sonho europeu e que, finalmente, vai de asa, esperemos que para bem longe de nós. Resumidamente, Barroso, boa viagem!





Bref, Barroso, bon débarras por EurodeputesEE


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Os dois cartazes que ilustram o texto provêm do blogue We Have Kaos in the Garden

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Relembro: o Relvas vem já aí.

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sexta-feira, setembro 12, 2014

Na ausência do PS (entregue a uma imatura criatura), do PCP (a desmontar as barraquinhas e os palcos do summer festival enquanto não organiza outro evento), do BE (a curtir uma qualquer outra crise de identidade), a oposição a sério está entregue a Manuela Ferreira Leite. Grande mulher. Até a acho mais bonita. A sério.


No post abaixo já mostrei uma deliciosa prova de roupas em que um grupo de amigas prova modelitos, uma escolha difícil porque são todos bonitos, originais, muito diferentes uns dos outros. Mais uma das cenas da Porta dos Fundos, uma rapaziada que é muito cá de casa e que conhece bem o género humano.

Mas isso é a seguir. Aqui a cena é outra. 

Agora é chegada a vez de Manuela Ferreira Leite: directa, clara, lúcida na TVI perante um rendido Paulo Magalhães.





Manuela Ferreira Leite, no seu imperdível comentário semanal às 22:30 na TVI 24, não as perdoa. 


O meu marido só dizia: Mas não há um gajo da oposição que consiga dizer o que ela diz? Um único?!

Não. Existem no PSD ou no CDS mas nenhum com a clareza e acutilância de Manuela Ferreira Leite. Tirando isso, nada. 
Ainda ontem António Costa se queixou disso, ao criticar a frouxésima oposição de Seguro. O PS consumido nesta absurda campanha para a qual o Tozé fez a habilidade de remeter o Partido, não olha para fora. Seguro apenas tem olhos para ele próprio e apenas se foca em fugir da própria sombra. 
Do PC e BE nem vale a pena falar. Efectivamente fazem o jogo de Passos Coelho e Paulo Portas. Sempre o fizeram, em especial o PCP. Os meus amigos e familiares simpatizantes do PCP que me perdoem mas contra factos não há argumentos. Bem podem teorizar em volta de uma qualquer utopia porque, na prática, as suas atitudes beneficiam sempre o PSD e o CDS. Uma lástima.

Mas, enfim, não há outros mas há a Manuela e, verdade seja dita, chega bem para todos.

Zás, trás, pás, e vai na Maria Luís Albuquerque que ainda bem que se agora se quer juntar ao Grupo do Manifesto dos 70 para renegociar a dívida. 


Zás, pás trás, e vai no Passos Coelho que podia ter acedido à vontade de Juncker em ter na Comissão europeia o Silva Peneda a quem estava destinada a importantíssima pasta do Emprego e que, em vez disso, vá lá saber-se porquê, mandou o porta Moedas. (Esta do porta é de minha autoria, claro, que a Manuela mantém a classe enquanto distribuí as bofetadas)


E zás, trás, pás vai no troika-Moedas que, ó ironia..., vai agora gerir os dinheiros para a área mais lesada com os cortes do Governo do qual fez parte, a Investigação e Ciência.


Já antes disso, tinha apontado ao Seguro e zás, pás, trás, que ideia é essa de traição, deslealdade? E só faltou chamar palerma a quem tão infantilmente não conhece as mais elementares regras do jogo democrático.


Ó mulher arretada, que não as perdoa. Vai à esquerda e à direita, mantendo-se leal é à sua consciência e não a impreparados e conjunturais chefes da banda. Admiro esta mulher, juro que a admiro. Tantas vezes devo ter sido injusta com ela no passado. Ou então foi ela que também evoluíu, não sei. Ou fomos as tuas: o tempo passa e traz maior clarividência.

Acho que na próxima vez que esteja sentada ao lado dela no restaurante, me vou levantar e pedir que me autografe o guardanapo. 
Bem, estou a exagerar, não sou disso. Mas, se a apanhar a jeito, acho que vou ganhar coragem para lhe agradecer a frontalidade e a coragem como expõe o seu desagrado e desacordo face às políticas deste Coelho que nos desgoverna.

Quando a elogio ao pé dos meus reaccionaríssimos amigos e colegas, quase me fuzilam: E o que é que ela fez quando estava no governo? Ou, intimidadores, Ela devia era estar calada, não tem vergonha em estar a atacar o próprio partido. Rebato-os mas sem sucesso. Mas rebato-os porque tenho que afirmar a minha admiração pelas suas análises sempre tão lúcidas e isentas.

Enquanto Manuela Ferreira Leite falava - e o Paulo Magalhães a olhava com um sorriso compreensivelmente embevecido - e até ao fim, eu ouvia o meu marido a lastimar: Mas porque é que mais ninguém diz isto que é tão óbvio? Que raio anda a oposição a fazer que nunca diz nada disto?


De facto. Que frustração. A diferença que faz uma pessoa inteligente. 

Salve Manuela. Que a voz nunca lhe doa.


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Recordo: a Porta dos Fundos, desta vez numa cabine de provas femininas, é já aqui abaixo.