How Tech Is Breaking the Rules of Biology | Posthuman with Emily Chang
From birth to death, tech is stretching the boundaries of biology. In this episode of Posthuman, we explore the discoveries that could transform reproduction, healthcare and how we die.
Technology that once seemed like science fiction is rapidly becoming reality, transforming the very essence of our existence. In this four-part series, Emily Chang unravels the future of being human in an age of unprecedented innovation.
quinta-feira, dezembro 05, 2024
Está a chegar o tempo dos pós-humanos?
domingo, outubro 17, 2021
Isto é uma mama
Quando estive grávida as roupas eram largas, as então chamadas 'roupas à mamã'. Por minha conta e risco ousei uma coisa na época infrequente: uma adaptação das calças normais, abrindo-as do lado e unindo as partes com um elástico largo que ia sendo ajustado. E depois usava uma espécie de camisas quase normais mas em largo, umas camisas com motivos florais. Mas, na maioria, os vestidos eram daqueles que desciam largos a partir do peito. Para a praia também havia os fatos de banho à mamã. Desses nunca tive nenhum. Pedi à minha mãe que prendesse uma espécie de cortina na parte da frente do soutien do biquini, em tecido parecido com o do biquini. Na altura, era impensável usar o biquini normal com o barrrigão à vista.
À luz do olhar de hoje tudo isto é absurdo. Que pudor haveria em mostrar um ventre dilatado, com uma criança dentro?
Hoje exibem-se orgulhosas barrigas e ainda bem que assim é.
Tenho ideia que foi com a fotografia da Vanity Fair de uma Demi Moore gravidíssima que Annie Leibovitz ajudou a acabar de vez com o estúpido tabu.
Agora é com naturalidade e, diria eu, ternura que se olha o belo corpo de uma mulher grávida. Vejam-se estas duas que encontrei aqui: Féminin pluriel : la mode célèbre toutes les silhouettes:
Na altura, eu usava soutiens de amamentação, uns soutiens em que a parte da frente se prendia por um colchete, descendo quando era a hora. Usava camisas que pudesse desabotoar, depois abria a parte da frente de cada lado do soutien e, com a criança a mamar, punha uma fralda (que, na altura, eram de pano branco) que descia do ombro e cobria a criança. Desta forma encobria a mama. Até aqui tudo bem. O pior era quando o meu filho se engasgava e era preciso pô-la rapidamente ao alto, soprando-lhe e tentando que se desengasgasse. A manobra tinha que ser tão rápida que não dava tempo a encobrir a mama. Pior ainda: eu sempre tive mais leite que uma vaca leiteira. Como ele mamava com sofreguidão, ainda mais estimulava a produção do leite. Então, quando interrompia por estar engasgado, a mama continuava a esguichar. Mas esguichava com força, muitas vezes molhando-o todo, deitando-lhe leite para os olhos o que o fazia chorar com toda a força.
Hoje, felizmente, tudo isto é uma coisa mais natural. Uma mãe que amamenta não tem que se esconder ou ficar num stress com medo de expor o seio nu.
Para além da questão da amamentação, já fiz muito topless embora, confesso, sempre me sentisse mais à vontade em praias pouco frequentadas. Acho que há qualquer coisa de íntimo na exposição dos seios pelo que nunca achei muita graça à banalização de andar de mamas ao léu no meio de multidões. Mas a verdade é que não era pelo topless que procurava praias pouco populadas, era mesmo porque, para mim, estar na praia tem que ser um contacto muito livre com a natureza e isso não é compaginável com estar numa toalha e com pessoas desconhecidas a cercarem-me, toalha com toalha, a ouvir-lhes as conversas, a respirar o seu cheiro. Isso para mim é a antíteses do que é bom na praia.
Vem isto a propósito do que li no Madame le Figaro. Parece que uma fotografia de uma marca francesa de artigos para mães e filhos foi censurada pelo Instagram por, justamente, aparecer uma mama com uma gota de leite (a primeira fotografia deste post).
Des tétons et des femmes allaitantes affichés dans Paris pour contrer une censure d'Instagram
Tajinebanane - Manifesto
Num movimento de protesto, em várias ruas de Paris apareceram cartazes com essa fotografia juntamente com mães a amamentar.
E eu que sou a favor da amamentação, a favor do corpo da mulher, a favor do direito a fazer com ele o que se quiser, que abomino os enredos que envolvem os conceitos de pecado e de culpa associados ao corpo da mulher, daqui deste meu insignificante poiso, junto a minha voz a todas as mulheres que, em qualquer parte do mundo, lutam pela dignidade do seu corpo e pela liberdade de o afirmarem.
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O José Afonso está aqui a cantar o 'Menino d'Oiro' pois foi certamente a canção de ninar que mais entoei para os meus filhos.
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Desejo-vos um belo dia de domingo
domingo, janeiro 10, 2021
Beatriz Gosta, embaraçada, despe-se para se fazer fotografar em toda a sua nudez
Gosto muito desta mulher. É genuinamente divertida. Os vídeos da série Beatriz Gosta, embaraçada, onde vai mostrando a evolução do seu corpo, onde vai contando como está a reagir à gravidez, são épicos. As coisas que ela diz... Desta vez está numa sessão fotográfica onde mostra a barriga, os seios, onde mimetiza sessões de celebridades. O que ela ri...
domingo, outubro 25, 2020
Beatriz Gosta, grávida, conta como foi e quem é o pai da criança
Gosto imenso de Marta Bateira, aka Beatriz Gosta. Penso que gostaria imenso dela ao vivo, como pessoa, não apenas como personagem ou como comediante. Gosto. Simpatizo. É daquelas pessoas que acho inteligente, rápida no gatilho, boa pessoa, querida e, claro, com um fantástico sentido de humor.
Já várias vezes aqui esteve e espero que muitas mais venha a estar. Esta é uma casa em que será sempre bem acolhida. Quando no outro dia soube que estava grávida senti logo ternura por ela. Vai ser uma mãe fantástica, amorosa. Desejo-lhe as maiores felicidades.
Os vídeos abaixo mostram-na a contar como lá chegou e como se desforrou do confinamento.
terça-feira, janeiro 28, 2020
Um sonho que me fez acordar a rir
A minha profissional é tão longa que daria para dividi-la por disnastias. Um dia que escreva as minhas memórias falarei de muita gente conhecida e direi de minha justiça: qual a dinastia mais simpática, qual a mais competente, e qual o maior escroque ever and ever, quais os mais inteligentes, quais os mais burros, quais os provavelmente mais permeáveis, etc. Mas estabelecerei também uma divisão em períodos divertidos, épicos, gloriosos, decadentes, sem graça.
Mas isso é coisa para depois, para quando for livre. Agora tenho que estar caladinha como um rato. E só espero que, no au revoir, não me façam assinar nenhum NDA -- senão bye bye mémoires.
Ou seja, a arranjar pretextos para parar de trabalhar mas sem me tramar com um corte dos valentes na pensão. E cheia de vontade de rir com aquela minha conversa e com a reacção dele.
Volto aqui apenas para dizer que não tenho feito outra coisa senão adormecer. Tinha dois posts para fazer, um sobre o Chicão a ser entrevistado pelo Miguel Sousa Tavares, outro sobre o Rui Pinto o todo-poderoso hacker. Mas não consigo mesmo.
quarta-feira, setembro 06, 2017
Linha de moda para grávidas de 12 anos
The One em duo.
domingo, abril 02, 2017
Perguntas e respostas relativas à gravidez
Resposta: Não, 35 filhos são suficientes.
R: Com alguma sorte, há-de pôr-se a mexer quando acabar os estudos.
R: O nascimento.
R: Afinal qual é a sua pergunta?
R: Sim, da mesma forma que um tornado pode ser designado por uma corrente de ar.
R: Sim. A gravidez.
R: Quando as crianças estiverem na escola.
Isto que acima vos mostrei em tradução mais ou menos livre, encontrava-se no cartaz exposto numa clínica de Obstetrícia e que alguém resolveu divulgar.
O milagre do nascimento
terça-feira, novembro 15, 2016
Dar à luz
Qualquer homem se ache superior a outra pessoa, por mais argumentos que elenque -- que sabe as declinações de cor e salteado, que fala cinquenta línguas, que sabe dizer de cor a Odisseia, a Ilíada, os Lusíadas, o D. Quixote de la Mancha, o Ulisses de Joyce ou, até, sei lá, o Código da Vinci, que sabe toda a teoria da física, da química, da matemática e que é pro em nanotecnologia e filosofia aplicada, que sabe montar móveis do Ikea sem instruções, que consegue fazer a maratona ao pé-coxinho, que sabe tocar ao violino e sem partitura todos os nocturnos de Chopin ou que faz voluntariado 24 horas por dia, sete dias por semana -- nunca, mas nunca, vai estar perto de chegar aos calcanhares de uma mulher.
Sensações únicas e inesquecíveis.
A vida longe do apoio familiar, as dificuldades em viver e trabalhar em lugares de muito trânsito, a aflição para conseguir chegar a horas aos colégios com o trânsito congestionado e não ter a quem pedir ajuda. Éramos só os dois, a trabalhar longe um do outro, com trabalhos exigentes, a querermos que eles sentissem que estavamos sempre próximos e a querermos conciliar tudo -- não foi fácil. Mais que dois filhos parecia-nos ingerível. Tivesse eu tido os meus pais perto de mim e teria ido à meia dúzia. É que não é apenas a felicidade de os ter: para mim é também aquela sensação muito animal de sentir no corpo o milagre da reprodução.Vem isto a propósito de um vídeo fantástico que estive a ver e que aqui partilho convosco: desde a explosão orgásmica até que umas sementes caudaludas e destravadas vêm por aqui adentro, a querer atingir o santo graal e, mal o vêem, forçam a entrada com a cabeça e, depois, o milagre, o milagre de as células se irem juntando, harmoniosamente, e os órgãos se irem formando, e, depois, já todos formadinhos, já com as feições a definirem-se, já a sentirem vontade de descobrir o mundo, o milagre da vinda ao mundo. Uma pessoazinha pronta para vingar em meio tão adverso. Nós.
- Lá em cima Josefa de Castilla Portugal y van Asbrock de Garcini, grávida, é pintada por Goya
- Pregnant Therese é uma pintura de Helene Knoop
- Judy Collins interpreta Amazing Grace que não tem a ver com o tema mas cuja sonoridade e cujo título me agradam para aqui estar
domingo, setembro 13, 2015
Joana Amaral Dias na Vidas: a nudez, a gravidez, a política. "É menina! Oxalá seja mulher com liberdade". É isto uma mensagem eficaz em tempos de campanha eleitoral. Nestas alturas vale tudo?
[A propósito, recordo as duas vezes em que estive grávida]
E termino com uma sugestão ao Carlos Abreu Amorim
[A propósito, recordo as duas vezes em que estive grávida]
E termino com uma sugestão ao Carlos Abreu Amorim
Nasceu enorme, não sei se se sentia apertado apesar do tamanho do barrigão. Ao fim de pouco tempo de nascer, tive que o tirar do berço porque dava voltas, punha a perna em cima, quase virava o berço.
Também era sôfrego a mamar, engasgava-se e quase sufocava, dormia mal, não parava sossegado, ia dando comigo em maluca pois não me deixava dormir mais que uma ou duas horas de seguida. E, como mamava daquela maneira, depois vomitava, tinha que mudar a roupa da cama. Ou seja, era cá fora aquilo que se adivinhava que seria quando estava dentro da barriga.
Quando os meus filhos nasciam, tinha leite que não acabava; e eles, alimentados só com leite, sem suplementos, aumentavam a olhos vistos, saudáveis, cheios de vitalidade, felizes.
E se a fotografia anterior na capa da Revista Cristina já me parecia uma coisa sem jeito, a capa agora da revista Vidas do Correio da Manhã - em que aparece espalhafatosamente chocarreira - ainda mais vulgar me parece, quase chocante.
| Joana Amara Dias, candidata do AGIR |
Só falta, um dia destes, o Carlos Abreu Amorim, desesperado, numa de ver se salva a sua pafiosa coligação, nos aparecer também assim:
| O actor Johnny Vegas aqui fotografado por Karl J Kaul, |
quinta-feira, janeiro 16, 2014
Teresa Caeiro está grávida? A que é que a Clara Ferreira Alves foi operada? A Clara Ferreira Alves é casada? A Manuela Moura Guedes tem a casa à venda? O Passos Coelho não tem vergonha na cara? A namorada do Hollande está grávida?
(Uma coisa é certa: muitas vezes soube que havia coisa através das palavras que usam para aqui chegar. As pessoas ouvem rumores, tentam confirmá-los no google - e, depois, ao fim de algum tempo, chega a confirmação).
A Teresa Caeiro está grávida?
A Clara Ferreira Alves foi operada? E é casada?
A Manuela Moura Guedes tem a casa à venda?
O Passos Coelho não tem vergonha na cara?
Não conheço pessoalmente nenhum deles mas, do que me é dado ver, a esta acho que posso responder sem correr o risco de me enganar: acho que, quer um, quer outro, não têm qualquer vergonha na cara.
Nenhuma.
A namorada do Hollande está grávida?
Esta pergunta apareceu várias vezes ontem. Não sabia (e não sei) mas, de facto, fui pesquisar e parece que a imprensa diz que sim, que Julie Gayet está grávida de 4 meses.
A ser verdade, o Hollande é mesmo uma fera, um touro, um ser apaixonado, um sedutor, um garanhão, qualquer coisa (porque qualquer coisa é, não me venham com coisas; não parece, nem se percebe o que seja mas, enfim, algum trunfo secreto ele tem).
Agora uma coisa vos digo: gostei da segurança dele na conferência de imprensa, sem expor a sua vida e sem se armar em santo, sem moralismos escusados. Não há dúvida que a França é o reino do amor, parece que ninguém consegue fugir a um belo e picante romance. Pois que sejam todos muito felizes é o que eu lhes desejo.
domingo, agosto 11, 2013
Um parto muito triste. Podia até, talvez, ser 'O da Joana' mas, infelizmente aquele de que vos vou falar não foi ficção, foi bem real.
Aqui, agora, a conversa é outra e, lamento, mas o tema também não é dos mais animados. Ocorreu-me ao ler o artigo e a crítica literária ao livro 'O da Joana' da autoria de Valério Romão.
À tarde veio o meu médico para me observar. Resolveu que eu tinha que se fazer um exame com uma sonda que filmava, para ver se o meu bebé estava bem. Os batimentos já tinham revelado que sim, mas ele queria saber se o líquido estava com oxigénio suficiente, se as imagens revelavam que o bebé estava bem posicionado e com movimentos normais. Voltou mais tarde com esse equipamento. Lembro-me que ele quis que eu visse as imagens no écran mas, no estado em que eu estava, não consegui perceber nada do que via.
Quando se tem a sorte de tudo correr bem, facilmente esquecemos a infelicidade traumatizante das mulheres a quem acontece uma desgraça como a que acabei de relatar. Podia ser esta, talvez, a mulher de que Valério Romão fala no seu livro e sobre quem José Mário Silva, no suplemento Actual do Expresso desta semana, diz tratarem-se de coisas própria do escuro.
sábado, janeiro 05, 2013
Assunção Cristas está grávida do quarto filho, ou seja, vai nascer o 1º bebé do Governo Passos, Relvas e Gaspar; Paulo Portas deve ser o padrinho (tema de fim de semana nº 2)
Assunção Cristas, grávida do quarto filho |
Judite de Sousa diz que Assunção Cristas já vai para o 4º filho |
sexta-feira, maio 27, 2011
Pedro Passos Coelho e o aborto - ou quando a estupidez ultrapassa os limites da razoabilidade
Conheço uma mulher que hoje é professora do ensino secundário que, enquanto fazia a licenciatura à noite, trabalhava de dia como secretária. Vivia, na altura, em casa de uma irmã ligeiramente mais velha.
Era muito trabalhadora, muito prestável e, pela própria formação académica, destacava-se das colegas.
Toda a gente gostava muito dela.
A seguir fez exames que confirmaram o diagnóstico e teve que começar a fazer tratamento preventivo.
Havendo probabilidades que o tratamento tivesse afectado o feto, a viver em casa da irmã, a estudar, a gravidez foi, pois, uma notícia indesejada.
Lembro-me bem dela nesse dia ao fim da tarde. Branca, olheirenta, cheia de frio, a tremer de frio ou de angústia, infeliz, lágrimas a quererem romper-lhe dos olhos. Contou como foi, o andar ao cimo de umas escadas, a marquesa num quarto inóspito, a parteira muito insensível, a sensação de que aquilo não devia estar a ser feito naquelas condições, e depois o pagamento, o vazio. Lembro-me de mim, muito novinha, muito cheia de pena, sem saber como consolá-la.
Não há maior benção para uma mulher do que ter um filho. Qualquer mulher, quando está grávida, o que mais deseja(ria) é ter o filho e que venha bem. Nenhuma mulher vai decidir abortar apenas porque a lei o permite. Se resolver interromper a gravidez é porque motivos imensos, incontornáveis, assim o obrigam. E decido-lo-á com infinita tristeza.
| Da série dedicada ao Aborto: Paula Rego |
Pode acontecer que em meios depauperados, de pobreza absoluta, ou em meios de droga ou de extrema carência, as mulheres percam a noção dos valores da vida e não lhes custe abortar. Mas são casos em que a intervenção deve ser no sentido de ajudar essas mulheres e não de as proibir do que quer que seja.
Agora, em condições mais ou menos normais, nenhuma mulher interrompe a gravidez por desporto. Se o decide fazer, é certamente por desespero, por infortúnio.
Levá-la a fazê-lo clandestinamente, à margem da lei, sem condições médicas, é um crime. Levar uma mulher traumatizada, infeliz, vazia, a enfrentar a justiça por ter feito um aborto clandestino, sentando-se no banco dos réus, é um crime.
| Mulher de paula Rego |
| Demi Moore grávida fotografada por Annie Leibovtz |
E é justamente pelo que eu sinto, pelo que eu sei, pelo que conheço, que afirmo aqui com toda a minha convicção que só alguém muito estúpido, mas mesmo muito estúpido, é que pode, numa campanha eleitoral, numa altura em que o país atravessa uma crise financeira e económica tão grave, vir levianamente relançar o tema da IGV, falar em voltar a fazer um referendo, como se isto pudesse ser tratado como um tema banal, como mais uma arma de arremesso na campanha.
Mas ainda pior: a minha impressão é que isto foi coisa do momento, resultou da pergunta que lhe fizeram, não de convicção interior dele (se é que ele tem alguma verdadeira convicção). A ideia com que fiquei é que, sendo uma cabeça de vento, uma maria vai com as outras, foi o que lhe veio à cabeça quando lhe fizeram a pergunta numa entoação que o levou a inflectir nesta direcção.
O que dizem os médicos é que o número de IGV's é inferior ao previsto, vai decrescendo de ano para ano e é inferior à média praticada em países congéneres. Claro que há casos, em número não significativo, em que ainda não se conseguiu educar as mulheres para a necessidade da contracepção: são casos marginais, associados a vidas in the border line. Mas estes casos não resultam da lei, resultam da desestruturação da vida destas muheres. Fá-lo-iam em qualquer circunstância. Há ainda um esforço de educação e sensibilização a fazer nesta área mas é um work in progress. Como em tudo na vida, há sempre aspectos a melhorar.
Por isso, acho imperdoável e miserável que, num momento em que Portugal enfrente uma crise política, social, económica e financeira grave, Passos Coelho tenha falado com ligeireza eleitoralista de um tema tão íntimo, tão sério. Seja qual o motivo que o levou a lançar para a rua, numa altura destas, o tema do aborto, revolta-me. É demais. É estupidez a mais.