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sexta-feira, janeiro 17, 2025

Superar o legado de famílias disfuncionais

 Disclaimer:

Pergunta: Haverá famílias absolutamente funcionais?

Resposta: Duvido

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Abaixo partilho um vídeo que me parece um testemunho importante. 

Quantas vezes as pessoas arranjam neuras, pancadas, fobias, fixações, embirrações apenas porque veem as coisas segundo a sua própria perspectiva, ignorando a dos outros? E, quando entendemos melhor os outros, quantas vezes não mudamos o nosso ponto de vista, não percebemos que arranjámos problemas desnecessários, nos arreliámos por motivo nenhum?

E quantas vezes criticamos nos outros por não fazerem o que nós também não fazemos? Ou por fazerem o mesmo que nós também fazemos? Ou criticamos nos outros aquilo que os outros dizem também de nós?

Sugiro que vejam o que o António Raminhos aqui conta.

Como superei o legado da minha família disfuncional | António Raminhos | TEDxPorto

Para António Raminhos, todos temos um legado, uma cronografia que nos precede. Cresceu no seio de uma típica família disfuncional dos anos 80, com relações e narrativas peculiares, mas hoje olha para trás com um sorriso e não queria ter de contar outra história.

Na sua talk, partilhou alguns desses momentos, trazendo leveza e comicidade mas sem deixar de refletir sobre a importância vital dos nossos antepassados e como devemos reconhecer o papel fundamental que desempenham nas nossas vidas.

Na sua experiência com a sua família, o julgamento e falta de afeto que sentia criaram-lhe as condições para perturbações do foro mental, tal como ansiedade e perturbação obsessiva-compulsiva. Mas através do diálogo com os seus familiares, e em especial com o seu pai, conseguiu conhecer o passado destes, com as suas perspetivas e dificuldades, compreendendo que a forma como tinha sido educado foi o resultado do melhor que sabiam e puderam fazer. Reconhecer a história dos seus pais e avós foi assim uma forma de ultrapassar o legado que recebeu e de conceber um novo para a sua família.

 Da televisão à rádio, dos livros aos podcasts, das redes sociais aos grandes palcos em nome próprio, António Raminhos surpreende ano após ano reinventando-se.

(...)

terça-feira, novembro 01, 2022

O grande Raminhos e o seu TOC

 


Volto à saúde mental. Uma expressão que muito me agrada é aquela de que o cérebro é a última fronteira. Nada sabemos do que o habita. Ou melhor, saber até sabemos. Mas não conhecemos inteiramente o que há para além do que se sabe. Isso não sabemos. E isso é muito.

  • Somos o que a nossa mente é? 
  • E a mente é o que o cérebro processa? Ou é o que é, independentemente das faculdades dos neurónios e das sinapses?
  • E se há ligações no cérebro que, por doença ou acidente, não estão a funcionar bem? Deixamos de ser quem, na verdade, somos?
  • É a nossa maneira de ser, a nossa personalidade, que se altera ou, simplesmente, há algo que tem que ser tratado?

Por felicidade minha -- felicidade ou sorte, não sei -- até hoje ainda não sofri de depressão, não sofro de distúrbios obsessivos compulsivos e, se sinto ansiedade, parece-me legítima e controlável. 

Mas conheço quem já tenha sofrido ou sofra destas perturbações. E sei como sofrem... Um sofrimento terrível, muitas vezes dúvidas sobre se alguma vez vão conseguir ter uma vida normal ou ser capazes de experimentar a felicidade. Ouço as pessoas falar: acordar já com ansiedade mesmo não sabendo exactamente porquê, ter medos, por vezes medos abstractos, indefinidos, medos incapacitantes. 

Ou ter ataques de pânico, crises que se confundem com quase-morte. 

Há algum tempo alguém me contava que tinha tido mais um ataque e que, estando em casa sozinho, com medo de estar sem ter quem o acudisse e medo que fosse um problema de saúde 'a sério', ataque cardíaco, por exemplo, saiu e foi para o carro. Assim, se sucumbisse, talvez alguém o visse e socorresse.

De pessoas que têm assiduamente problemas deste tipo, medos, ansiedades, crises que parecem mesmo de saúde física -- e não de foro "mental" [como se o 'foro mental' não fosse também de ordem física...] -- pode dizer-se que essa é a sua maneira de ser, uma maneira de ser depressiva ou ansiosa, ou são pessoas que apenas estão doentes e a necessitar de tratamento?

Conheço uma pessoa que é obsessiva compulsiva e que, por exemplo, se está na dúvida sobre se desligou o computador, pede-nos a nós que vamos verificar senão ele já sabe que lá terá que voltar umas três vezes a fazer essa verificação. Já se conhece bem, já identificou o seu problema e já consegue lidar com ele, verbalizando as suas dificuldades. Mas não o consegue ultrapassar. Conta que, por exemplo, já se programa para sair mais cedo de casa do que seria necessário pois sabe que é mais que certo que volte várias vezes a casa para verificar se fechou a porta ou se desligou o gás ou a água. Conta que sabe que é absurdo mas que, se não o fizer, a meio do caminho dá meia volta e vai a casa fazer essa verificação.

E tive um colega que, quando havia reunião, nos pedia para fazer a acta, mesmo que tal não fosse necessário. Levava três cadernos e algumas canetas, cada uma de sua cor. E, consoante o que lhe parecia ser o tema dominante, escrevia em seu caderno, usando canetas de cores com sentidos por ele pré-definidos. Raramente participava na conversa tão concentrado estava no registo do que se passava. Antes de começar a escrever, era como um ritual: colocava à frente dele, muito alinhados, os três cadernos e as canetas. Nunca ninguém quis saber daqueles apontamentos. Dizia que tinha estantes cheias de cadernos. Contudo não o dizia com orgulho. Era quase como se fosse uma penitência à qual não conseguia fugir. Dizíamos-lhe que não era preciso, que deixasse para lá, que não se preocupasse em escrever a acta. Qual quê. Parecia que tinha que ser, que era uma compulsão. Claro que era alvo de gozação pelas costas e pela frente. Mas não conseguia parar. Uma vez pediu para sair da empresa, queria negociar a saída. Saiu, claro. Depois disso já publicou vários livros que acho que ninguém deve ler. Dizem-me que são livros chatos, intragáveis, ilógicos. Deve continuar a escrever, certamente de forma muito sistemática, mesmo que que não exista um propósito. 

Ainda existem muitos estigmas sobre as doenças mentais. Quem as sofre teme ser visto como maluco. Para os outros, alguém que se trata em psiquiatras ou psicólogos pode ainda ser visto como um fraco ou como um perturbado, inapto para funções mais exigentes. Ou confunde-se a doença com traços de personalidade. Muito desconhecimento, muito preconceito.

E falo isto sem conhecimentos, apenas pelo que ouço, pelo que leio. 

O que sei é que geralmente quem tem este tipo de problemas sofre muito mais do que sofresse de gastrite, de enxaquecas, de angina de peito ou de rinite alérgica. É que, nestes casos, a doença é reconhecida facilmente como doença e não há pudor ou receio em tratar. Já no caso de uma doença mental não apenas não é ainda frequentemente reconhecida como doença como, sendo-o, há algum receio de tratar-se, receio de adquirir habituação aos medicamentos, receio de ficar com as faculdades limitadas, receio de ficar conotado com uma personalidade fraca ou disfuncional.

Por isso, é importante partilhar testemunhos. Quem sofre não é o único a sofrer. Quem sofre deve poder saber que há tratamento, que há uma saída.

No outro dia já aqui partilhei a entrevista de João Vieira de Almeida sobre a depressão. Hoje partilho a entrevista ao Raminhos sobre o seu transtorno obsessivo compulsivo, a dúvida metódica transformada em paroxismo, em inferno. Uma vez mais, trata-se de uma entrevista da série Labirinto do Observador. Muito sincero, muito lúcido, muito explícito. 

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Raminhos: “‘Eh pá, não penses nisso’ é o pior que se pode dizer a alguém que lida com ansiedade"

Sentiu logo o estigma quando lhe falaram em medicação: "é porque sou maluco". António Raminhos fala sobre o seu transtorno obsessivo-compulsivo, que chegou a impedi-lo de sair de casa, no 'Labirinto — Conversas Sobre Saúde Mental'.


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Esculturas de Bruno Walpoth na companhia de Joyce DiDonato com Lascia ch'io pianga

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Um bom dia feriado
Saúde. Serenidade. Paz.

sexta-feira, novembro 25, 2016

O que é que deu naqueles atrasados mentais para não fazerem outra coisa senão inventarem casos e casinhos em volta da Caixa Geral de Depósitos e de António Domingues?
- pergunto.



O maior respeito pelos atrasados mentais. Nada a ver. Tão pessoas como os adiantados mentais e os normais mentais, eles. E que cada um diga o que pensa. Agora isto de andarem todos, à uma, a moerem a nossa paciência, a verem mosquitos em cada banda e a acharem estranhas as coisas mais banais é que é estranho.

É como tudo. Por exemplo, apareceu uma baleia no rio Hudson e também nada a ver: uma baleia é uma baleia, é uma baleia -- e que cada uma ande por onde muito bem queira. Isto de aparecer uma ali no meio de Nova Iorque é que causou estranheza.


Outra. A Fnac mandou 60.00 sms para os seus aderentes a convencê-los a aproveitarem as pechinchas da Black Friday. E nada de mais. Uma Black Friday é daquelas coisas para totós que qualquer marca comercial que se preze gosta de usar. Por isso, nada a ver. Agora aquilo de mandarem as pessoas para a Worten é que parece um bocado atípico. Causa estranheza. Só isso.


Ou o António Raminhos que tem um programa de entrevistas. Ele é divertido, inteligente e um talk shower é coisa nunca por cá antes vista. Chama-se a Banheira das Vaidades e tudo bem. O curioso é que ele e os convidados estão mesmo nus, a lavarem-se enquanto perlapeiam. Nada de mal, nada de mais. A gente apenas sente alguma estranheza. Só isso. Porque, de resto, a sério, estou por tudo. Open-Mind é o meu nome do meio.


Já agora, para quem quiser ver:

No Duche Com a Miss Olívia Ortiz -- o novo talk-show de António Raminhos



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E, portanto, voltando à cold cow, vendo bem, isto de andarem uns quantos atrasados mentais a tentarem pôr em causa a estabilidade da CGD, a verem se atiram areia para os olhos da populaça e a encherem a agenda das televisões com notícias-aborto e comentários a metro em volta dos alucinados casos que regurgitam ao longo do dia não tem nada de mais. Nada. Não se vai esperar que os atrasados mentais consigam produzir raciocínios de longo alcance. Causa é estranheza que aquele punhado que tem assento na AR agora não tenha outro assunto senão aquele. Dias a fio e aqueles pobres coitados sempre naquilo: a quererem saber se o António Domingues, antes de ir para a CGD, não prejudicou não sei o quê (como, se o tivesse feito, o lesado não fosse o BPI que, ao que consta, ainda não se queixou) ou se foi ter uma reunião a Bruxelas (como se alguma criatura responsável não se preparasse ou se informasse antes de deitar mãos àquela empreitada) ou se outra macada qualquer. 


Estranho. Só isso. Poderia pensar-se que aqueles neo-trolls não descansam enquanto não arranjarem sarilho dos grandes mas acho que não há grande perigo porque são demasiado intelectualmente limitados para isso. É certo que já detonaram uns 3 bancos (o BES, o Banif e o ninho de cagarras cujo nome comercial de má memória era BPN) mas mais do que isso duvido que consigam.

Ou seja, acho que não é caso para dramas. Mas cansa, lá isso cansa. E dá um bocado de pena.


Mas pronto: da minha parte, mais nada a dizer sobre o tema.

Agora o que me causa mesmo, mesmo, estranheza é que o nosso Santo Padroeiro, o super-ubíquo São Marcelo, que se preocupa tanto com os menos válidos, não arranje maneira de conseguir um local especial para alojar e manter ocupados aqueles pobres coitados. Uma CERDIPAF, Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Deputados Inadaptados e Pafianos. Por exemplo. Aqui fica a dica. A Sede pode ser ali para as bandas da AR mas com sucursal no Parlamento Europeu que há por lá um maluco armado em galinha descabelada que também precisa de quem tome conta dele, cacareja que só visto. 

Mais. Proponho que comecem já a ensaiar a festinha de natal. Àqueles putativos emproadinhos que vi na televisão a fazerem grandes declarações, a lançarem acusações, a pedirem demissões e a ver se armam maiores confusões eu quero é vê-los a dançarem para nós, todos bem treinadinhos, bonitinhos. Vá. E esqueçam lá isso da CGD, ok? 

Não precisa de ser aquela coreografia das galinhas que, doidas, picam, picam, picam para pôrem o ovo lá no buraquinho ou aquela de todos os patinhos que sabem bem nadar, cabeça para baixo, rabinho para o ar. Não. Muito déjà-vu, isso. Vamos lá a inovar. Ok? 

Podem começar usando a mesma coreografia que Jett Adore, Mr Gorgeous, Brewster, Ben Franklin, Tigger apresentaram no New York Boylesque Festival. 


Vou ficar à espera.



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Nas fotografias, o maluco vestido da mesma maneira que Rosenberg, o cão, é Topher Brophy. O outro binómio cinotécnico da segunda fotografia não sei por que nome dá. E não consta que qualquer deles queira armar fuzué mediático ou rebentar com a CGD pelo que não sei o que estão aqui a fazer.

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Desejo-vos, meus caros Leitores, uma Happy Friday com muitos sweet moments.

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