Rondo as livrarias. Ainda hoje: espreitei en passant, ou seja, passei ao largo. Bem comportada, mostrando indiferença, sem querer saber das novidades. A gente consegue disfarçar e, quando quer mesmo, disfarça tão bem que chega a parecer indiferença a indiferença que a gente não tem. Parafraseio para tentar dar um ar da minha graça. Ia dizer desgraça mas seria seria um exagero. Não se pode chamar de desgraça a uma opção racional. Mas a verdade é que não é fácil. Inquieto-me por não poder saber se algum dos meus escritores de eleição terá escrito um livro que me deitaria por terra e que eu aqui esteja, como se nada se tivesse passado, na maior ignorância.
Não sei dizer melhor: sinto-me como se tivesse entrado num convento, tivesse virado as costas aos prazeres do mundo, a caminho de ficar esquecida de tudo. Mas ainda hesitante. Que pode haver de melhor que justifique uma pessoa fugir das alegrias do mundo? Êxtases divinos? Não, não sou dessas.
Não sei dizer melhor: sinto-me como se tivesse entrado num convento, tivesse virado as costas aos prazeres do mundo, a caminho de ficar esquecida de tudo. Mas ainda hesitante. Que pode haver de melhor que justifique uma pessoa fugir das alegrias do mundo? Êxtases divinos? Não, não sou dessas.
Mas persisto. Fecho os olhos, não quero saber, cansei-me de pecar. Tanto, tanto livro é pecado. Tanta, tanta palavra é perdição. Estou rodeado por eles. A toda a volta os há: objectos de desejo, tesouros, promessas de conhecimento infinito. Mas chega. Os que aqui estão chegam-me. Não preciso de mais.
Afasta de mim, esse cálice. No more livros. Os que tenho chegam-me e sobram-me. Enough is enough.
Afasta de mim, esse cálice. No more livros. Os que tenho chegam-me e sobram-me. Enough is enough.
Ora bem. Chega de converseio que eu a fazer de santinha nem a mim me convenço. Nasci para pecar e não me arrependo.
Bora mas é fazer o teste a ver se há por aí mais viciados como eu, gente agarradinha, daquela que chuta para a veia: palavras a circular no sangue, a oxigenarem a mente, e perfumar o coração.
Assinale as frases em que se revê para no fim fazer a contabilidadezinha:
Bora mas é fazer o teste a ver se há por aí mais viciados como eu, gente agarradinha, daquela que chuta para a veia: palavras a circular no sangue, a oxigenarem a mente, e perfumar o coração.
Assinale as frases em que se revê para no fim fazer a contabilidadezinha:
2 — Deliciar-se com o cheiro de um livro novo.
3 — Mergulhar incansavelmente num livro e depois ficar arrasado porque a leitura acabou.
4 — Apaixonar-se por um personagem.
5 — Entrar numa livraria prometendo que só vai dar uma “olhadinha”, mas sair com um saco cheia de livros novos.
6 — Torcer para as visitas se irem embora rapidamente para poder voltar a ler.
7 — Insistir para os amigos lerem aquele livro que você adora.
8 — Acordar com dor nas costas depois de adormecer sentado, durante a leitura.
9 — Encontrar posições impensáveis para ler com mais conforto.
10 — Fazer contorcionismos para tentar descobrir o título do livro que um desconhecido está a ler num local público.
11 — Desenvolver a habilidade de ler em qualquer lugar.
12 — Ter a certeza de que a sua estante de livros é o que há de mais valioso em casa.
13 — Prometer não comprar livros novos até terminar a leitura de todos os que tem, mas não cumprir (nunca).
14 — Julgar um livro pela capa.
15 — Amar e cuidar dos livros como se fossem bichinhos de estimação.
16 — Insistir para alguém ler um livro só para ter com quem conversar sobre ele.
17 — Imaginar diferentes maneiras de matar uma pessoa quando ela interrompe a sua leitura por nada.
18 — Ler o mesmo livro após anos e ter a impressão de que é um livro completamente diferente.
19 — Prometer ler “só mais um capítulo” e atravessar a noite mergulhado na leitura.
20 — Ter insónia ao descobrir que um livro que você estava a amar tem um fim terrível.
21 — Comprar livros para presentear alguém, mas acabar por ficar com eles.
22 — Começar um livro novo quando ainda está na metade da leitura do anterior.
23 — Sofrer quando alguém pede um de seus livros emprestado.
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Resultados
Se se identifica com todas as frases ou, vá, com mais de vinte, digo-lhe: é agarradinho, viciado mesmo, coisa na base da maluqueira, caso perdido. Coloque-se uma rédea curta porque V. não é de fiar. Qualquer dia tem que pôr pilhas de livros debaixo da cama, no frigorífico, a servir de mesa e de cadeiras.
Se se identifica com mais de doze e menos de vinte, então saiba que está a caminhar para lá, que é um verdadeiro wannabe, se lhe dão corda ainda acaba pior que o Marcelo que tinha lido tudo, que tinha todos os livros á superfície da terra, que doava livros, que faz feiras de livros
Se o seu score é abaixo dos doze então ok, esqueça os books, não é a sua praia, na boa. E, olhe, fique-se por blogs como o meu, onde não se aprende nada, que aqui é que se tá bem. Tá do verbo tar, claro.
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As frases e a ideia do post, com alguma adaptação vêm da Revista Bula, de um artigo de Jéssica Chiareli
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E agora não deixe de descer até aos Casados à Primeira Vista para ver se consegue perceber porque é que um Conde que leva com um ferro de engomar nas costas não salta logo para cumprir com a faena para a qual a sua doce e paciente mulher está a aliciá-lo.
(Paciente é como quem diz, que aquela ali pode ter graça mas paciência e compreensão para com a dormência de parte do corpo do Conde está quieto. Estou a ver que, não tarda, está a despejar-lhe caixas de Viagra em pó no sumo de laranja, que o Conde, sem saber como, ainda fica a fazer a prancha da próxima vez que levar com um ferro de engomar nos costados).
Mas desça até ao post seguinte que aqui neste é mais livros.