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domingo, junho 07, 2020

Lift every voice and sing




Pouco evoluímos. É certo que estamos mais digitais e que isso é bom mas, na verdade, em concreto, não sei quantificar o aumento de felicidade que isso tem trazido à nossa vida. Ao longo de anos venho repetindo (em contexto profissional, claro) que o que não se pode medir é como se não existisse. Portanto, se não consigo quantificar o aumento de felicidade que a digitalização tem trazido às nossas vidas, mais vale nem dizer que é bom. Quanto muito, digo que é capaz de ser bom. No entanto, também não dizer bem dizer para quê. Ainda hoje ouvi umas pessoas sinistras dizerem, creio que na SIC, ufanas, que monitorizam por onde andamos e que conseguem prever tudo e mais alguma coisa. Tudo anonimizado, dizem. Deixámos, pois, de ser pessoas para sermos ID's, objectos que podem ser traceados -- rastreados, I mean --, meros dados que sustentam e validam algoritmos. Tão bom. Mas, enfim, há nisto da digitalização coisas mais poéticas. Por exemplo, estou a escrever e vejo que, neste preciso instante estão noventa e sete pessoas a ler o que por aqui vou escrevendo, setenta e sete das quais de Portugal. Mas também quatro da África do Sul, três dos Estados Unidos, dois do Brasil. Etc. Se não fosse isto da digitalização, estaria a escrever à mão, num caderno, e ninguém faria ideia do que eu estaria a garatujar. Mas em que é que ler o que eu escrevo traz felicidade a quem me lê? Eu gosto de ver que me lêem mas a verdade é que não sei quem são, não os conheço, não sei o que pensam do que escrevo. Algumas pessoas dizem que gostam e fico contente mas, também, de vez em quando, recebo comentários desagradáveis, gente que goza comigo, que me diz coisas ofensivas ou maldosas. Geralmente não publico essas coisas más. Não gosto de ser maltratada. Tento ignorar. Penso que se não gostam de aqui vir, porque vêm? Mas isto para dizer que, a bem dizer, também não posso concretizar de forma racional em que é que eu escrever aqui, à vista de toda a gente, é bom. É certo que há outros aspectos a reter nisto na digitalização: tudo desmaterializado, tudo circulando em cabos ou pelo ar, tudo ligado a tudo. É capaz de ser bom. Não sei é se, materialmente, isso tem contribuído para a nossa felicidade.


Também se tem evoluído na ciência. Mas um vírus da treta, uma variante de um corona que já por cá anda há que séculos, foi o suficiente para paralisar o mundo, para dar um coice em todo o sistema, para deixar toda a gente de máscara na cara e a ter medo de cada vez que alguém tosse perto do nosso cerco sanitário privativo. E uns dias isto cura-se com isto, outros com aquilo, e o brufen agudiza, o brufen cura, máscara não, máscara sim. Ninguém sabe. Um merdinhas de nada trocou as voltas à ciência toda, por junto. Até The Lancet, essa sumidade, meteu água e disse e desdisse que a hidroxicloroquina era e não era a solução ou parte dela. Portanto, ora abóbora.

E isto das supremacias, da religião disto e daquilo, crendices, seitas, grupos grupelhos -- tudo coisas que, por já terem provado ser atrasos de vida, burrices, crimes, já deveriam estar mortas e enterradas há séculos. Mas não, tudo vivinho da silva.


Um país como os Estados Unidos estar como está, nas mãos de um bronco que, por mais porcaria que faça, ainda continua a merecer o agrado de grande parte da população é coisa capaz de desmoralizar o mais optimista. Que tanta gente ainda seja tão alarvemente racista, tão alarvemente ignorante, tão alarvemente boçal, tão alarvemente abaixo de cão é coisa que me deixa doente. 

Não estamos a caminhar no bom sentido. Começo a achar que a democracia abriu demasiado as portas aos não democratas, que a liberdade abriu demasiado as portas aos seus inimigos, que os civilizados abriram demasiado as portas às cavalgaduras.


Não estamos a evoluir. Pelo menos não no bom sentido. Digo eu.... E, pior, não sei se ainda vamos a tempo de arrepiar caminho. O mal está muito espalhado.

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Por exemplo: há quanto tempo foi isto aqui em baixo gravado? Ontem?

Ou há décadas?

O que evoluímos desde então?



Por isso:

Lift every voice ando sing



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Fotografias de Robert Mapplethorpe ao som do piano de Nina Simone.

Excerto de "Ounce of Faith" de Darrell Grand Moultrie dançado por Khalia Campbell do Alvin Ailey American Dance Theater
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E é ir deslizando por aí abaixo. 
E um bom domingo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

A tal da rede que era Sofia que era Cláudia e que morreu e por quem Nuno se apaixonou -- e que afinal ressuscitou porque era outra.
E a Clara do Mal. E o Bercow do Bxt.
E duas adivinhas para rematar.




O dia, como ontem avisei, foi mais repleto que um ovo. Mas não foi ovinho de codorniz ou ovito da franganita. Não senhor. Foi um big ovo. Ovo de avestruz. Talvez até de dinossauro. De dinossaura new age. E mais que ser big, foi intenso. O chamado ovo intenso.


No fim, alguém me veio perguntar como tinham corrido as coisas. Não quis dar conversa. Encolhi os ombros e disse que achava que sim. Disse-me ele: Está nas suas mãos.

Não lhe disse mas pensei que nunca tanto na minha vida como hoje tinha sentido que, de facto, está nas minhas mãos. Totalmente nas minhas mãos. Uma sensação um bocado estranha. Não posso contar com mais ninguém do que comigo nas decisões, nas orientações. No fim haverá decisão colegial mas sobre o caminho que eu, de minha lavra, tiver traçado. Mas sei lá eu qual o melhor caminho? Posso até saber qual o melhor caminho em geral, mas sei lá qual o melhor caminho para mim? Não sei pensar quando faço parte da equação. Só sei ir em frente, desbravando, fazendo o caminho, sem saber se tenho pernas e braços para a empreitada. 

Seja como for, a verdade é que acho que o carro foi posto em marcha e agora para a frente é que é caminho. 


Mas como parece que na minha vida nada é em pequena dose, ao mesmo tempo aparece-me mais um caminho, um segundo, num outro contexto, num outro lugar, e pedem-me que o desbrave. E dizem-me: damos-lhe os melhores para a ajudarem na caminhada. E eu sinto-me pequena face à dimensão do que me pedem por um lado e do que, por outro, eu quero fazer.

E talvez porque seja muita intensidade e muito ovo, uma verdadeira omeleta de cenas, a verdade é que hoje, pouco depois de aqui estar, adormeci.

Esta sexta-feira é outro dia especial mas por outras razões e vai começar cedo e, palpita-me, vai ser outro dia dos bem preenchidos. Aqui no meio das sonecas, vou tentando organizar a logística do dia mas porque, enquanto acordo e adormeço, tenho a Clara Ferreira Alves, catastrofista e superior, a falar alto demais -- o que perturba o meu fim do dia -- não estou a conseguir concluir se devo ir ao supermercado à abertura e depois vir a casa depositar os víveres ou se devo tentar vir mais cedo à tarde. E agora que escrevo isto reparo que o Eixo do Mal fez um step in e ocupou o espaço da Quadratura do Círculo que se desbaldou para a TVI e que vai ter o ubíquo Marcelo a abrilhantar a vernissage. Na próxima, para equilibrar, tê-lo-emos ao colo dos paineleiros do Mal.  Baralhar e dar de novo.

O vídeo que mostraram no fim do Eixo a ilustrar a cavalice dos juízes que julgam os casos de violação suspeitando da conduta das vítimas é que vi com atenção e foi bom. De resto, tenho para mim que não perdi grande coisa. Para ser bom, tinham que dar banho à Clara a ver se ela larga aquela peneirice aguda que a torna intragável. E isto ela, porque os outros não me assistem.


Antes de começar a escrever isto, e nos intervalos de cair morta de sono, tinha estado a ver mais uma exorbitante e extraordinária intervenção de Bercow, o meu Speaker preferido. Fala bem, ele. No meio do histrionismo e da graça, ele fala bem, frases inteligentes e boas de ouvir. Aqueles ingleses estão marados, perdidos da cabeça, autênticos bifes a andarem à volta do rabo. Aquele parlamento é um carnaval gerido por um Bercow que dá um baile de dar gosto.

Quando aqui me sentei, pus a box para trás para ver aquela maluqueira da Rede no final do noticiário das oito na SIC, aquela cena doida de uma varrida que se desmultiplicou em perfis falsos, enredando meio mundo em histórias inventadas. No fim, viu-se o vulto da criatura a falar com a Conceição Lino: quarenta e tal anos, divorciada, com filhos, professora do ensino básico. Era, então, a tal que se fazia de Sofia (e de irmã e mãe de Sofia e de amiga e de sei lá quem mais) -- Sofia essa que, afinal, era Cláudia que não sabia de nada do que se passava. A dita criatura gastava centenas de euros em telefonemas para simular que era várias, telefones distintos, fingindo vozes diferentes. Coisa assustadora. Gente doida dá com os outros em doidos. Nem sei o que pensar de uma coisa destas. O que move gente assim? O prazer de enganar os outros? São doentes a precisar de internamento?

Pelos vistos o juíz resolveu a coisa condenando-a a indemnizar os queixosos numas centenas de euros.


E agora vou dar três pontos no arraiolos antes de cair de vez para ver se consigo ir para a cama a pé.

E, na despedida, duas adivinhas que a minha menininha mais linda me contou no outro dia:
1. O que é que um pato diz a outro pato?
2. Como é que se faz uma omeleta de chocolate?
E, antes de ir, mais um cheirinho de Bercow, o actor principal da comédia que dá pelo nome de Brexit



[Respostas: 1 - Estamos empatados   2 - Com ovos da Páscoa]

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E, ufffff, thanks god it's friday.

Be happy.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Jardins e suspiros





Tanto trânsito, tantos acidentes. A grande e bela cidade tem isto de mau: muitos carros em circulação. E, quando vem a chuva, vêm os acidentes. Hoje passei por vários. Felizmente, não vi feridos. Num deles, dois carros amachucados e uma mota literalmente desfeita. Impressionante o estado em que estava a mota. Mas não havia ambulâncias, apenas pessoas com coletes, trocando informações. Por isso, porque olho e não vejo sofrimento, não me compadeço. E repare-se que digo que olho não porque me detenha a olhar, empatando ainda mais o trânsito, mas porque, dada a redução de vias, quem conduz não tem outro remédio senão ir a passo. E o que acontece é que uma pessoa, às tantas, só quer é poder chegar ao destino a tempo e horas e já fica é furiosa por não o conseguir, enredada naquele horrível pára-arranca. Quer-se lá saber se é só chapa ou se algo mais, quer-se é passar ao largo e seguir viagem. E digo isto com total franqueza, sabendo que pode parecer insensibilidade, porque a verdade é que tanto tempo perdido todos os dias já nos torna impacientes, indiferentes. E, no entanto, quem se vê metido nesses assados também não tem culpa, não o faz de propósito.


Naquela altura em que parecia que tinha uma nuvem negra a pairar em cima de mim, maçadas e pressões por todo o lado, na mesma semana bateram-me duas vezes por trás, escaqueirando-me o carro. Numa das vezes foi de tal forma que o meu carro saltou e foi espetar-se no da frente, ficando o carro também espatifado à frente e até de lado, tal a violência do impacto. A seguradora chegou a equacionar perda total. Em qualquer das vezes eu estava parada. Em qualquer dos casos, quem me bateu, fê-lo por distração. No primeiro caso, o rapaz viu abrir o verde para a fila do lado e pensou que era também para ele, avançando à confiança. Três dias depois, foi um homem de uns cinquenta e tal anos que, passado um bom bocado, quando conseguiu sair do carro, apenas me disse: há dias em que uma pessoa não devia sair de casa. Pediu-me muita desculpa, perguntou-me várias vezes se eu estava bem. Estava enervado, preocupado. Tinha os óculos partidos, a cara e a camisa cheias de sangue, parecia ter o nariz partido. Presumo que, com o impacto, tenha disparado o airbag e lhe tenha feito todo aquele estrago. Não consegui perceber como foi possível aquilo. Estávamos parados e, de repente, o carro veio bater-me com aquela inexplicável violência. O do carro da frente também estava espantado com o que tinha acontecido mas o causador não se explicou, apenas pediu muita desculpa, aparentemente também sem perceber o que lhe tinha acontecido. O que sei é que durante uma meia hora ali estivemos a atrapalhar o trânsito e a atrasar a vida a muitas dezenas de pessoas. Por acaso, agora estou a lembrar-me que nem me lembrei de vestir o colete. Aliás, estava muito vento e os papéis voavam todos. Uma chatice. Quando liguei ao meu marido e lhe disse: 'Bateram-me outra vez' ele fez um tom de voz preocupado, como se fosse o cúmulo da pouca sorte, como se ficasse receoso do que poderia vir a seguir. Como não sou fatalista, não me preocupei demais, fiquei foi arreliada por tanta maçada na mesma semana.


Depois de almoço fui a um sítio sem estacionamento próprio mas com um parque público subterrâneo ao pé. Pois estava completo. Tive que ficar à espera que um carro saísse para que a cancela levantasse. A seguir, tive que dar várias voltas, em vários pisos, até encontrar o lugar vago.

Imagino que quem me lê, tendo a sorte de viver numa terra pequena onde se pode ir a pé para o trabalho, onde, querendo usar o carro, há sempre onde estacioná-lo, nem consiga perceber o que é viver assim, gastando, em média, cerca de três horas por dia dentro do carro.

Há vantagens, claro que há. Há a possibilidade de ter acesso a muitas coisas boas, interessantes. Ainda hoje. Gostei muito. Não é todos os dias que se tem uma sorte destas.

Mas a verdade é que chego a casa, chego aqui ao meu sofá, e só tenho vontade de me evadir. Não consigo falar de temas românticos, não consigo ter vontade de falar de política, não consigo pensar em assuntos com alguma substância. Só me apetece ver vídeos tranquilos, jardins, bailados, ouvir sonetos, sei lá.


Passa da meia-noite, vou ainda fazer um bocadinho de tapete que só eu sei o que vai ser este dia e, se não desligo, se não esvazio a cabeça para acordar brand-new, não vou ter as asas soltas, os pés decididos a descobrir e a fazer caminho, os braços fortes para afastarem todo o mato que se me atravesse, todos os escolhos, a cabeça arejada, os olhos limpos para verem ao longe e pacientes para verem ao perto. Por isso, não levem a mal que me ponha aqui, sossegadinha da vida, a ouvir umas musiquinhas boas, umas boas pianadas, a olhar o verde da natureza, a descansar a alma. Vou buscar um soneto à toa sem querer saber do que diz, só para escutar a beleza das palavras, vou escolher um bailado solto, um jardim no meio da natureza. Fiquem comigo, está bem?.








Be happy. 
Be lucky.

domingo, novembro 04, 2018

Prazeres antigos e sempre como novos
-- isso, cores lindas e o cheirinho bom a lareira.
Talvez seja o outono que vem chegando. Tão bom.




Ora bem. É como andar de bicicleta: não se esquece, não se perde a mão. Já dei um bom avanço. Tão bom. Há quanto tempo... Como consegui estar tanto tempo?

Esta que aqui está é daquelas em que vou fazendo, sem desenho, como se pintasse. Os que têm desenhos complicados estão na cidade. Aqui, in heaven, sempre preferi coisa que eu possa fazer assim, tranquila e desatenta, para não ter que estar concentrada a seguir o guião. Para este, a minha ideia era fazer um tapete comprido, como uma passadeira, para pôr no corredor que vai dar à sala onde vemos televisão e em que mais tempo estamos. Queria que fosse claro, neutro, sem efeitos especiais, uma coisa apenas para dar conforto e para não distrair a atenção do principal que é a vista que se tem daquela sala.
Fui à cesta, peguei nele, peguei nas lãs, fui buscar o dedal e retomei onde o tinha deixado há uns anos -- e foi como se o tivesse deixado ontem. Que bom que é. Sempre gostei muito de trabalhos manuais.

Na cidade o único tapete que não foi feito por mim é o redondo (que está debaixo da mesa redonda). De resto, todos foram feitos por mim. São, quase todos, réplicas de tapetes genuínos, dos primórdios, século XVII, que estão em museus, quer cá, como o de Arte Antiga, quer em Paris (Arts Décoratifs) ou Londres (Albert and Victoria), por exemplo. Alguns são bastante grandes, carpetes que até a mim me custa acreditar que tenha sido eu a fazer. Mas fui. Olho para elas sempre com algum espanto. Um colega meu uma vez que as viu também se espantou: 'Mas como é possível? Quando vou ao seu gabinete nunca a vejo a fazer tapetes...'


Aqui, in heaven, as duas carpetes da sala de jantar foram compradas em Arraiolas, antes de eu me ter dedicado a este ofício. Mas as que estão nas salas de estar ou no meu quarto foram feitas por mim mas, neste caso, longe de desenhos originais ou de qualquer classicicismo. Apenas o ponto e o preceito são os genuínos, o resto é tudo inventado.

Na fotografia, vê-se não só a que estou a fazer como, embora apenas uma ínfima parte, a que está aqui aos meus pés, uma assim a la Rothko.

Fazer tapetes não é coisa sensaborona: para mim é uma coisa boa. Enquanto bordo, estou a pensar, a ouvir música, a ver televisão, o que for. Provavelmente é uma forma de meditação. Antes de fazer tapetes, fazia tricot. Camisolas com modelos e padrões altamente criativos, algumas com desenhos abstractos. Também fiz camisolas para o meu marido mas, aí, muito normais (e que, portanto, não me davam grande gozo a fazer). Para os miúdos nunca me deu para fazer porque a minha mãe e uma tia do meu marido encarregavam-se disso e, além do mais, eles não apreciavam ir para a escola vestidos com camisolas que achavam artísticas demais. Também já me dediquei ao crochet: panos de tabuleiro, toalhas de chá, uma toalha de mesa grande e uma colcha. 


Já em adolescente me ocupava de coisas assim: almofadas bordadas em bastidor e sei lá que mais.

E tudo isso me dá vontade de ter mais tempo para tudo, porque de tudo eu gosto e o tempo não me chega para esse infinito tudo.

Tenho aqui ao meu lado o Kundera, 'Os testamentos traídos', que vim a ler no carro e que bastante prazer me está a dar, mas agora à noite estou preguiçosa, não me apetece ler, apetece-me estar aqui, com as mãos em acção enquanto a cabeça voa. Na volta também escrevo, as mãos também voando sobre o teclado, para dar uso às mãos -- a escrita como uma forma de artesanato.

E tudo isto, arrumações, tapetes, escritas, fotografias e tudo o mais é terapia e terapia das boas porque a gente nem chega a precisar de tratamento porque ter a cabeça e as mãos ocupadas evita qualquer nó ou buraco negro na cabeça.


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As árvores que aqui se vêem, excepto na última fotografia, aqui mais abaixo, não são de cá. Foram feitas ao início da tarde, antes de virmos. Tínhamos estado a esfolar o rabo às arrumações e já era tarde. Almoçámos e demos um pequeno passeio.

Não sei porquê os áceres nunca vingaram aqui, in heaven. Fiz várias tentativas mas nenhuma resultou. Até um cedro japonês, daqueles que no outono fica ao rubro, não vingou. A terra tem destas coisas. Uma questão de química: se o santo da terra não cruza com o santo da árvore, a coisa não acontece. Digo eu.

Mas não há árvore mais linda para nos enternecer com as suas cores abstractas do que o ácer. Emociono-me a olhar para eles. São lindos no Outono.

Aqui, in heaven, tirando a vinha virgem, o que fica mais bonito é o abrunheiro. Fotografo-o encantada, contrastando os seus tons quentes com as folhas do plátano que também já começam a ficar douradas.


Bem. Agora, apesar de já passar da uma, vou fazer um pouco mais de Arraiolos. Ah, coisa mais boa. E vou pôr mais lenha na salamandra. Cheira bem. Não se se é azinheira. Cheirinho mais bom.

Um belo dia de domingo para vocês, meus Caros Leitores. Saúde e boa disposição para todos.

quarta-feira, setembro 12, 2018

Esta doce forma de existir





Estou de férias, a meio da terceira semana. Tanto tenho feito que parece que estou de férias há séculos e temo que, quando regressar, já não saiba conduzir ou trabalhar nem seja capaz de estar confinada a espaços onde as janelas não abrem e onde todo o santo dia respiro ar condicionado e atravesso situações que parecem querer distanciar-se de mim. 


Estes dias têm sido deliciosamente calmos, ociosos, banhados a luz dourada. Relembro as brincadeiras dos meus meninos, os seus abracinhos carinhosos, as suas palavras inocentes e felizes. Caminho por entre os pinheiros, os cedros, as aroeiras, o alecrim, o alfazema e as madressilvas, apanho figos e devoro-os, doces, carnudos, irresistíveis, deito-me ao sol, leio, durmo. Está calor. Ando, quase todo o dia, nua. 




Ao fim do dia levanta-se uma aragem abençoada, muito leve, muito levemente fresca, fazendo nas ramagens aquele som que parece o de uma suave ondulação marítima. Durante todo o dia o que se ouve são os pássaros, o zumbido de um insecto dançando sobre as flores, um avião que passa lá muito em cima, por vezes um sino ou um cão ao longe.


Muitas vezes, quando estou deitada lá fora, fecho os olhos e deixo-me estar assim, sem nada pensar, apenas sentindo a suavidade do ar sobre a pele, sentindo o perfume morno das árvores e da terra, ouvindo os sons quase inaudíveis que habitam o silêncio. Nessas alturas, a vida na cidade parece-me improvável, longínqua. A existência parece-me perfeita, eterna.


Sinto que podia viver sempre assim, nesta vida simples, sem sentir falta do bulício da cidade. Falo todos os dias com os meus filhos, sei que estão bem e que os meninos também, falo duas vezes por dia com a minha mãe, sei dela e do meu pai. Deles, sim, sentiria falta se não pudesse vê-los todas as semanas. Mas do resto não. Nem do trânsito, nem das lojas, nem do ruído das ruas, nem das intrigas, nem das espúrias ambições, nem das palavras com que os executivos enchem a boca, nem dos objectivos económicos, nem dos rácios, nem sei lá do quê. Nenhuma falta se não os tivesse tal como agora que estou longe não sinto quaisquer saudades.


Penso que gostaria de voltar a bordar, a fazer os meus grandes tapetes de arraiolos. Ou pintar. Telas enormes para sentir o prazer largo da liberdade. 

E ler. Estive lá fora a ler até às sete e tal da tarde, já o sol se punha sobre as serras, já os troncos das árvores começavam a ficar azulados. A ler. A ler memórias alheias, pensamentos que não são os meus, a ler. A ler. Tão bom ler assim, nua, ao entardecer, o ar a ficar mais fresco, mais leve. 

De vez em quando um pássaro levanta-se de uma árvore. Por vezes, outros a seguir fazem o mesmo. Fico a vê-los voar para longe. O meu pensamento por vezes acompanha-os. Mas a maior parte do tempo não. Fica aqui. In heaven.


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quarta-feira, janeiro 07, 2015

9 beijos por 9 casais. Uma mulher suspensa. Georg the Poet. Os pilares da criação.


No post abaixo já dirigi uma pergunta a Nicolau Santos e, se ele não quiser que eu o remeta ao index - tal como para lá já despachei os seus colegas Henrique Monteiro que diz-o-que-calha, o putativo primeiro-ministro de uma qualquer república-dos-marmanjos José Gomes Ferreira, o pseudo-não-sei-quê Henrique Raposo, o espertinho-de-serviço Martim Avillez Figueiredo e mais uma data deles que por lá andam - e me zangue de vez com o Expresso, é bom que se retrate: que raio de escolhas de bons ministros foi aquela que ele fez à laia de balanço do desgraçado 2014? Como pode ele achar que Paulo Macedo está a ser um bom ministro? Apenas porque não se espalha ao comprido quando fala e não é tão bronco ao exprimir-se como a maioria dos colegas é caso para o achar um bom ministro? Mesmo depois da miséria a que se tem vindo a assistir nos hospitais públicos, mantém a sua classificação? É que se mantiver então vou ali e já volto. Por exemplo, o Nicolau Santos, se estiver doente (noc noc noc, três vezes na madeira), arrisca ir enfiar-se num desses hospitais em que as pessoas ficam pelos corredores para cima de uma eternidade, em que os médicos só não se mostram como autênticos zombies porque disfarçam bem  e em que os doentes podem morrer sem sequer serem vistos por um médico? Duvido. 

Mas, enfim, isso é mais abaixo, no post a seguir a este. Aqui, agora, a conversa é outra.


Por razões que agora não vêm ao caso, não ando especialmente descontraída. A coisa não é propriamente comigo mas é quase como se fosse. Mas, enfim, esta terça feira uma prova foi superada e, no registo de um dia de cada vez, espero que amanhã a coisa esteja melhor que ontem e assim sucessivamente. Quando estiver tudo bem eu logo conto, que eu não gosto de falar de preocupações em cima do acontecimento, só depois delas passarem. Portanto, adiante que eu não gosto de carpir nem de capinar sentada.

E que comece o desfile!





Para começar, nada como partir para a beijoquice. Nove beijos, nove. Os artistas do momento foram desafiados a formar um par e a beijar-se e há beijos para todos os gostos, o selinho, a beijoca, o beijinho safado, o beijo a escaldar, o beijo hetero, o beijo homo. São só nove mas cobrem parte do espectro beijoqueiro. Julianne Moore, Benedict Cumberbatch, Kristen Stewart, Reese Witherspoon e mais uns quantos dão a boca ao manifesto. Uma selecção de qualidade produzida de propósito para o The New York Times. Uma graça até porque beijar ou ver beijar é sempre uma festa.


Great Performers: 9 Kisses | FULL VERSION | The New York Times




E agora o making of que também tem graça:

This year’s New York Times Magazine Great Performers issue paired 18 actors in nine films — each ending in a kiss. Here, we go behind the scenes with the director Elaine Constantine.



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E, depois dos lábios, que se libertem os corpos. Há bailados espectaculares que me emocionam de tão belos, de tão livres que são os corpos que se movimentam. 

Estes que hoje vos mostro são vídeos muito recentes e vejo que, até agora, poucas visitas tiveram - e eu não percebo como. Se fosse um cão a ver-se ao espelho, um palerma a estatelar-se ou um assistente de atirador de facas a levar com uma, acabando o número a sangrar, a coisa tornar-se-ia viral num ápice. Como é beleza em estado puro, as marabuntas passam ao lado. E, no entanto, ver vídeos destes é como assistir a uma missa.


Alvin Ailey: Suspended Women por Jacqulyn Buglisi


"Suspended Women" was choreographed in 2000 by Jacqulyn Buglisi, the celebrated former Martha Graham Dance Company dancer, prolific choreographer, and master teacher. Set to music by Maurice Ravel, with interpolations composed by Daniel Bernard Roumain, it has since been recognized as one of her signature works.
The mesmerizing ballet casts 13 ghost-like female dancers who, dressed in tattered period costumes, seem to express various states of frenzy and despair through off-balance and collapsing movements. Throughout the 18-minute piece, four male dancers intermittently enter and exit the stage, weaving through the women’s ever-shifting patterns.




E nisto, para quem faz, tal como no amor ou na escrita, o importante não é tanto onde se chega mas o caminho que se percorre até lá chegar - o processo, as hesitações, as tentativas, os desânimos, os recomeços, a vontade, as vitórias não individuais, o prazer da descoberta.

Aqui vos deixo, pois, parte do making of.

In this visit to the rehearsal room with Ms. Buglisi at the end of the rehearsal process, she discusses the ideas behind the piece and how she approached working with the Ailey dancers to prepare for this Company premiere.

Suspended Woman - behind the scenes




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E agora para uma coisa diferente, diferente - e o que eu gosto de coisas mesmo diferentes! - vejam, por favor o vídeo abaixo. Mas com mente aberta, se faz favor. E reparem na sonoridade, nas palavras, nos movimentos, nas cores, na diferença.

É rap? É rap, sim. Mas há em toda a interpretação e encenação uma estética de grande modernidade. É o inglês Georg Mpangathe, ou, como é conhecido, Georg the Poet, um jovem de 23 anos.

George the Poet, a spoken word performer and rapper who wants to use his voice as a force for change in society, has come fifth on the BBC Sound Of 2015 list, which showcases emerging artists for the coming 12 months.
George Mpanga is inspired by the injustice he saw growing up on the Stonebridge Park estate in north west London.
After studying politics, psychology and sociology at Cambridge University and running poetry workshops for children in London, he is now preparing to release his debut album on Island Records and publish his first poetry collection.

George The Poet - 1,2,1,2



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E, depois dos beijos, da dança e da palavras cantadas, este post não ficaria completo sem uma coisa do além.

E se é do além, ó caraças. De tirar o fôlego, de êxtase: o infinitamente grande que me deixa louca desde que, em pequena, quando tinha anginas e febrões descontrolados, entrava em delírio e sonhava acordada com espaços infinitos, com sítios povoados por milhões de milhões de coisas no meio das quais, ínfimo grão de pó, eu me perdia. Assustava-me no meio daquela imensidão, chorava, assustava os meus pais que não conseguiam baixar-me a febre para que eu os deixasse ter sossego.


Hubble Telescope Captures Spectacular New Views of 'Pillars of Creation'

With its sights set some 7,000 light-years into the darkness, the Hubble Space Telescope has captured an illuminating, yet ominous, new look at a cosmic classic. “The Pillars of Creation,” an awe-inspiring trio of gas columns coated by bright newborn stars, was first photographed by the telescope in 1995.


Now, NASA has released a new infrared look that reveals what may remain of its iconic dust columns following a supernova blast some 6,000 years ago.

Uma beleza assombrosa, verdadeiramente de cortar a respiração. 

Ajoelhemos perante os 'pilares da criação'.




Quanta beleza na vastidão do espaço que nos rodeia, anos e anos de luz de beleza antes interdita e agora aqui, junto a nós, intangível e distante mas disponível. Que maravilha, que deslumbramento.

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E com isto me fico que - porque sou afortunada e ainda tenho trabalho - daqui a nada tenho que estar a pé para mais um dia de labuta. Não vou reler porque já mal me aguento acordada pelo que vos peço que relevem as gralhas (ou, então, que me alertem, está bem?)

Permitam ainda que relembre que no post já a seguir lanço uma questão ao Nicolau Santos: por que raio de carga de água acha ele que Paulo Macedo é um bom ministro? Se ele conseguir provar-me e me disser qual a bitola virei eu aqui retratar-me. Caso contrário acho que temos o caldo entornado. 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira 
(e a mim e, em especial, a uma pessoa que me é muito próxima também). 
Saúde e sorte é o que desejo a todos porque sem elas tudo perde um bocado a graça.

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domingo, janeiro 04, 2015

Beleza, Moda e Decoração - alguns tópicos relativos às tendências para 2015. E marsala, a cor do ano. E a dança, sempre. E a alegria? A alegria é trendy? José Tolentino Mendonça parece achar que sim (ah, e também acha que alegria não é coisa de gente burrinha - ufffff...!)


No post abaixo já contei uma história relativa à necessidade que algumas mulheres sentem de gastar muito dinheiro consigo próprias e, para ilustrar, mostrei uma das mulheres a seguir em 2015, Sienna Miller, em duas fotografias, uma que a mostra glamourosa e outra em que aparece sem maquilhagem, dificilmente reconhecível.

Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, o Um Jeito Manso arma-se em blogue trendy e mostra algumas das tendências para 2015 a que acha piada. 


1. Na Beleza, em especial nos Cabelos


Cabelos comprimidos ou intermédios apanhados atrás de forma 'solta', ou fazendo uma trança e prendendo-a num carrapito ou simplesmente enrolar e prender com ganchos que podem ser de cores distintas e ficar à vista

Cabelos compridos apanhados de forma 'artesanal' prendendo ganchinhos de feitios distintos ou usando uma fita entrelaçada

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2. Na Moda



Irreverência, criatividade, estar-se nas tintas para os risinhos alheios - seja com um chapéu como não lembra ao careca (seja por ser grande, seja por ser de um feitio incomum), blusas com pormenores que são, só por si, todo um figurino, saias do além (ou por serem grandes ou por serem curtas ou de um feitio inesperado). Mas tudo com muito estilo. Apesar da aparente loucura, deve haver uma coerência intrínseca. E tudo deve ser adaptado à estatura, à formosura, à idade. Uma pessoa baixa e anafada não suportará nada disto mas, nesse caso, as peças podem ser igualmente irreverentes mas favorecer a figura. E uma pessoa de idade pode igualmente arrojar e ficar elegante. Bem, não precisa de arrojar tanto como a Paula Bobone (que ainda no outro dia a vi e parecia um desenho animado) - e também não estou a dizer que ela é 'de idade'.


Riscas coloridas - a usar sem medo, escolhendo um ou dois adereços a condizer na cor, seja nos óculos, ou nos sapatos, ou na carteira ou mesmo apenas no bâton
O resto dos adereços deve ser neutro para que o conjunto não fique a parecer uma tenda de circo

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3. Na Decoração



Pintar ou colar nas paredes palavras inspiradoras, citações, provocações.
Pode pintar-se directamente, podem comprar-se letras e colar - o que se quiser.
A usar sem medo mas com alguma contenção, sentido estético e alguma lógica



Encher as paredes dos recantos que se querem vivos com quadros, quadrinhos, espelhos, espelhinhos, fotografias, relógios, o que se quiser - e pode ser quase de alto a baixo. Uma vez mais deve ser usado com conta, peso e medida, ou seja, não é pejar as paredes de uma ponta a outra de toda a espécie de tralha. Pelo contrário, devem criar-se espaços distintos com identidade própria.
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4. Todos os anos é escolhida uma cor. 

A cor de 2015 é Marsala.



MARSALA, PANTONE 18-1438

Marsala enriches our mind, body and soul, exuding confidence and stability. Marsala is a subtly seductive shade, one that draws us in to its enbracing warmth.

This hearty, yet stylish tone is universally appealing and translates easily to fashion, beauty, industrial design, home furnishings and interiors.

[Leatrice Eiseman - Executive Director, Pantone Color Institute®]







Marsala na decoração e os bordeaux, lilazes, cinzas, azuis, violetas, alfazemas com que se combina muito bem


Marsala na natureza especialmente nos frutos do bosque e as várias cores com que se combina às mil maravilhas
(e repare-se nos tons de verniz das unhas)


Marsala na moda - a profundidade quente do vinho (tinto e encorpado)

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E, para quem pense que isto por aqui é só frou-frou, fantasia e espuma, aqui ficam dois digestivos que provam que nada disso: isto por aqui é mesmo o que calha.

5. Na Dança


Alvin Ailey American Dance Theater: Chroma pelo coreógrafo Wayne McGregor




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6. A Alegria


A tradição ocidental não deixa margens para dúvidas na ligação que faz entre sabedoria e pessimismo. Mais facilmente o taciturno passa por sábio do que o homem alegre. E um espírito torturado e reticente arranca maior adesão do que todos os que se esforçam por manter activa a alegria. 

Há, de facto, um erro comum que leva a considerar a jovialidade como característica espontânea de carácter, que nada deve à maturação. Contudo, o que realmente experimentamos é o avesso disso, já que o pessimismo é, não poucas vezes, a resposta mais fácil à pressão dos tempo. 

(...) A alegria não se reduz a uma forma de bem-estar ou a um conforto emocional, embora se possa traduzir também dessa maneira. A alegria é, fundamentalmente, uma expressão profunda do ser: em bondade, em verdade, em beleza. 


(...) A alegria, se quisermos, é uma grafia do espírito que nos abeira do milagre e que se traduz tanto pela quietude como pelo riso, tanto pelo silêncio como pelo canto, tanto pela presença a si mesmo como pelo entusiasmo partilhado.


[Palavras de José Tolentino Mendonça na crónica 'A ALEGRIA TAMBÉM SE APRENDE' que faz parte da sua rubrica semanal 'que coisa são as nuvens' na Revista do Expresso]




Petunias by Georgia O'Keeffe 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo!

E viva a alegria de viver, que a vida é efémera, frágil, e um milagre que nos é dado presenciar (e, mesmo nos momentos maus, há que tentar ver para além disso, agarrando-nos ao que é bom e nos pode trazer felicidade. Ajudamo-nos mais e ajudamos mais os outros se conseguirmos manter o optimismo e a alegria - e, podem crer, sei do que falo)

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