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segunda-feira, setembro 09, 2019

Avante Camarada?




Recebi por mail uma fotografia -- a que encabeça este post. Sem qualquer texto ou legenda na fotografia, o mail tem apenas como título 'contribuição para o blog'.

É como receber um título e a gente que se desengome a parir uma redacção. Ou, quando frequentei um curso de uma certa língua que agora não vem ao caso, e a professora nos dava uma fotografia e a gente que escrevesse em não sei quantos caracteres o que ali via.  

Portanto, bem mandada como sou, aqui estou a divulgar a fotografia e a tentar compor um texto que a acompanhe. Não sei qual a intenção de quem ma enviou. Talvez mostrar que os apoiantes que ainda sobram no PCP são uns bacanos, malta mais ou menos nova e descontraída e que alguns são até bizarros, quiçá até alternativos (como o senhor da mochila amarela, casaco camuflado, banquinho desdobrável e um chapelinho de sol nas cores do arco-íris).

Vejo que, ao fundo, o Camarada Jerónimo discursa. Ouvi-o, ao fim do dia, quando vínhamos no carro. Naquele seu tom declamado, numa entoação tão característica e afastada dos hábitos urbanos de um eleitorado que já pouco sabe das lutas anti-fascistas, disse o de sempre, lançou suspeições sobre as intenções dos socialistas, apelou ao voto. Não traz nada de novo, cada vez trará menos.
Já ninguém acredita em amanhãs que cantam -- e os velhos ideais comunistas ruíram, deixando a nu que a defesa dos interesses do 'proletariado', sempre que existiu, foi feita à custa de repressão, à custa do condicionamento dos mais elementares direitos à liberdade, nomeadamente ao de expressão. 
Já ninguém, nos dias de hoje, aceitaria tal coisa nem os crimes cometidos em nome do 'povo' hoje poderiam ser escamoteados como foram antes. São tempos que pertencem ao passado.
Acresce que os trabalhadores, hoje, em especial os jovens que entram no mercado de trabalho, já estão longe das reivindicações das estruturas sindicais do PCP.  E, em geral, já ninguém, entre os que não viveram lutas antigas, tem paciência para conversas sobre velhos ódios, rivalidades do passado. Por isso, a sua base de apoio vai minguando à medida que os velhos militantes são desaparecendo. Está exígua essa base, daqui a nada é metade da do BE, esse partido errático que, apesar de algumas posições válidas e de algumas análises correctas, se estatela frequentemente, aliando-se a amigos impróprios, denunciando o seu forte pendor populista.

No entanto, apesar da fraca base de apoio comunista (já abaixo dos 7%), há que contar com a sua voz e há que reconhecer que Jerónimo de Sousa é um homem digno, um respeitável parceiro, alguém com quem se pode contar. E é um líder.

De resto, obviamente que o PCP está também tocado pelo compadrio entre correligionários. Não é um partido imune a 'cunhas', a 'jeitos'. Não são puros (e agora até me apetecia fazer um trocadilho com os charutos cubanos mas seria muito básico) e a sua implantação autárquica tem propiciado a distribuição de 'empenhos' entre amigos. E, portanto, também por isso, essa também não é bandeira que possam erguer.

Talvez por tudo isto, olha-se para a audiência de Jerónimo e, tirando, os funcionários das bandeirinhas, lá à frente, o que ali se vê é a escassez de gente, a escassez de entusiasmo. 

Juntam-se anualmente na Festa, há aquela mística do companheirismo, a graça de montarem e desmontarem as barraquinhas, de se encontrarem, de estarem uns com os outros naquele ambiente informal, tudo tu cá, tu lá, camarada para aqui, camarada para acolá. Misto de acampamento, de excursão, de trabalho de grupo, de despedida de solteiro, de encontro de reformados ou de ex-alunos, o ambiente deve ser pouco mais do que essa nostalgia, sentimento sempre tão bom para deixar morninho o coração -- mas pouco mais que isso. Ora, do que conheço, aquilo não colhe junto de quem não faz parte do grupo. Mantém, junto dos afiliados e simpatizantes, a ilusão de que o clima é de Festa! quando, na verdade, tende, desde há anos, para um irreversível fim de festa.

E digo isto com alguma pena. A esquerda faz falta.

Há muita gente que facilmente aderiria a uma formação política se ela desse resposta a questões que hoje partidos mais tradicionais deixam de fora. Estamos numa altura de clivagem tecnológica que acarretará uma clivagem social e não há quem se debruce sobre isso. Há a questão climática, séria, e o que se vê é os partidos à babugem da moda do tema e não a agarrá-lo pelos colarinhos. Há a percepção clara de que a globalização tem tanto de bom quanto de perigoso e há uma inquietação sobre como marcar uma posição que não seja idílica, tonta. Há a questão demográfica com elevados riscos associados e não há orientações sérias, estudadas, racionais, de como inverter a tendência que, a manter-se, terá sérias implicações de toda a ordem. E há outros hábitos como o de viajar, o do uso intensivo das redes sociais com os riscos que acarretam, etc, etc, e não há quem estude esses fenómenos e proponha regulação a sério, legislação virada para o futuro.

E não é o PCP, partido tão agrilhoado a causas do passado, algumas das quais completamente ficcionadas, não é o BE, partido tão vocacionado para surfar causas ou ir atrás da espuma dos dias, não é o PAN, partido talvez bem intencionado mas um partido de franjas, algumas perfilhando alguns conceitos questionáveis. O PS ainda será quem mais consistentemente tenta agarrar alguns desses temas mas o PS é um partido que sustenta quem tem que garantir a governação, quem tem que manter os serviços a funcionar, quem tem que assegurar que as pontas estão todas agarradas para que as contas estejam certas e o país a cumpir compromissos dentro e fora de portas. Deveria ser um outro partido, que não o PS, um partido mais livre de compromissos, um partido de reflexão e estudo, de disrupção, a puxar pela carroça da mudança. E o normal seria que fosse um partido de esquerda a fazer este tipo de agitação e separação de águas. E não há nenhum. Uma pena. E não é só pena: é preocupação, é caso para fazer tocar algumas campainhas.

O PCP, apesar dos homens jovens e bonitos que lá tem e de alguma gente competente, em especial na gestão autárquica, é um partido que não soube reinventar-se. Muito tem durado ele, é verdade, quando em comparação com o que tem acontecido noutros países europeus mas a grande diferença é que, enquanto os outros se afundaram a pique, este vai mais devagarinho.

E, portanto, sobre a fotografia, que agradeço, é isto o que tenho a dizer. E quem tiver coisa diferente a contrapor que faça o favor de se chegar à frente. Agradecida,

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E, estando a começar uma nova semana, desejo que seja boa, bela, bem disposta, frutuosa e que venha com saúde e alegria. A começar já por esta segunda-feira, bem entendido.

sábado, setembro 08, 2018

Avante?




Já o contei. Uns colegas diziam que a Festa do Avante era engraçada e tanto o referi em casa que, uma vez, resolvemos ir ver. Eram os miúdos ainda pequenos e era a Festa na Ajuda. Estava um calor desgraçado e só me lembro do pó e dos miúdos todos transpirados. Odiaram, não havia lá nada que lhes interessasse, o meu marido também cheio de calor e já arreliado com a rebelião das crianças e também sem perceber qual a graça daquilo -- e eu própria não via lá nada que valesse a pena. Mas, já que ali estávamos, para quê aquele clima de crise? Bolas. Ainda comprei uma ou outra peça de artesanato mas também nada de especial. Até que, quando já estavam mal dispostos de vez -- que só eu é que os arrastava para secas daquelas -- foi a minha vez de ficar francamente entediada com aquilo. E entediada não será a expressão. Conto de novo: era hora de almoçarmos e só víamos barraquinhas que serviam na base da comida em prato de plástico e nós que arranjássemos onde nos sentarmos. Ninguém se deixava seduzir por nenhum pitéu, o que um tolerava o outro detestava e não conseguíamos reunir consenso. Mas o pior é que, onde eu me dirigisse a saber o que serviam, toda a gente, toda a gente -- repito -- me tratava por tu e por camarada. E eu tenho esta coisa, vem de criança, trato por você quem não conheço. E ali era tudo camarada, tu cá, tu lá... e eu ficava sem saber como responder. Se tratasse por você, ficaria desconfortável para quem me tinha tratado por tu... e eu tratar por tu alguém que nunca tinha visto na vida e que, do nada, me tratava por camarada... nem pensar.  Desconfortável. Nem me lembro se ainda petiscámos alguma coisa ou se desandámos.

E remédio santo. Nunca mais.


Até que os miúdos cresceram e, já adolescente, o meu filho arranjou amigos na JCP e começou a frequentar a Festa. Nunca lá vai a comícios e, do que percebo, nem a concertos. Nunca lhe perguntei mas, do que lhe percebo, nem será essa a sua tendência política. Mas isso eu não quero saber, cada um com a sua ideia. Mas gosta de ir ao Avante, gosta de estar com amigos do tempo da adolescência, de petiscar e de estar por lá. Ainda não há muito foram todos acampar. Um bando de jovens casais cheios de filharada. Alguns ainda se mantêm no PCP (pelo menos uma acho que sim), outros não faço ideia, presumo que não mas nem isso vem ao caso. Do que percebo, há ali um certo espírito de amizade fraternal e intemporal que se mantém. E eu acho isso uma coisa extraordinária e louvável.

E todos os anos vai, ele e a mulher (que alinha pelo mesmo diapasão).


Aqui há uns anos, uns cinco ou seis, nem sei, convenceu-me a ir lá ver, um dia de manhã, com pouca barafunda, falou-me em exposições, em cultura, um espaço heterogénio. Fomos, open minded. Fotografei muito. Motivos não faltam. Muita gente nova. E outra com idade, muita gente vinda de longe. Um ambiente curioso, quase de excursionistas. Mas, decididamente, não é a minha praia. E se politicamente não posso rever-me no espírito, na atitude e nos valores do PCP, a verdade é que também não encontro naquela Feira (ou Festa, como é designada) nada que me possa interessar. Aquele clima meio de missão com que todos os anos para lá vão montar aquilo para depois desmontarem, para ali andarem durante três dias na conversa uns com os outros, genericamente dizendo mal do mundo e achando-se os melhores à superfície da terra, é qualquer coisa que a mim me parece descabelada. Gosto que as coisas tenham uma certa racionalidade e nada ali me parece racional. Mas podia ser belo. Mas também não é belo. Podia ser um ambiente de pura evasão, de um lirismo estético que me fosse apelativo. Mas também não. Gente meio alternativa mas um alternativo de gosto duvidoso. E muita gente ainda com a boina do Che, foice e martelo, coisas de um passado que não volta e que não sei se alguma vez foi bom. Aliás, sei que não foi.
Sempre uma coisa na base do whisful thinking, um sonho nunca concretizado de amanhãs que haveriam de cantar e que nunca cantaram. Portanto, há para ali um misto de saudosismo, de alienação, de revolta contra incertos -- ou seja, muita inconsequência.

Mas claro que há gostos para tudo e ainda bem que assim é.

O que sei é que cá tenho os meus três pimentinhas mais lindos a dormir. Estivemos todos juntos durante o dia mas de tarde os pais lá foram à sua festa. Amanhã vêm buscá-los de manhã e levam-nos até lá, para almoçarem com os amigos. Para os miúdos é uma festa: dizem que desenham, que brincam com outros meninos. Depois vamos lá buscá-los à tarde e seguimos para casa dos meus pais e, de novo, dormirão cá em casa. O meu filho esteve a tentar aliciar-me a ir no domingo, diz que poderei desforrar-me a fotografar porque motivos de interesse é o que não falta. Sei que sim. Mas não. Não me convence. Já lá estive, já vi. 

É que eu poderia achar que é o idealismo que une aquelas pessoas. Mas tirando os jovens que vão para estarem uns com os outros, na conversa, na boa, curtindo a amizade, o que me parece é que, em geral, há uma espécie de ressabiamento enraizado na alma, um desencanto por saberem que o que defendem -- e que, em parte, é válido -- dispensaria aquela conversa já completamente desusada, deslocada, desfocada.


O mundo está longe de ser perfeito: há desigualdades gritantes e, pior, desigualdade de oportunidades, há muita exploração, há motivos mais do que suficientes para se lutar por um mundo melhor. Mas os problemas são de uma natureza bem mais profunda do que eles referem, as causas têm outros contornos, as motivações da actual sociedade são outras, as memórias de grande parte da população activa são outras. O futuro tem que ser melhor, tem mesmo, e eu não sei dizer quais os caminhos para lá se chegar -- mas uma coisa eu sei, são outros, não são os que o PCP preconizam.


segunda-feira, setembro 05, 2011

Festa do Avante: uma animada festa temática, uma feira popular, um festival de verão. Fui lá fazer a reportagem.


Perguntaram-me se este domingo queria aproveitar bilhetes para a Festa do Avante. A primeira reacção foi que não.

Há muitos anos deu-me a curiosidade, ouvi falar em artesanato, fomos, os miúdos atrás. Ainda era em Lisboa, talvez na Ajuda, não me lembro bem.

Estava um calor horrível, muita poeira. Os miúdos tinham sede. Beberam. Depois tinham fome. Fomos para comer e havia filas e todos já arreliados comigo, 'o que é que estamos aqui a fazer?', e depois em todo o lado toda a gente nos tratava por tu e por camarada e eu sem saber como dar seguimento à conversa, eu que não sou dada a estas familiaridades. Lembro-me que lá acabámos por comer uma comida de sabores intensos nuns pratos de plástico, no meio de animados 'camaradas'. E eu, para justificar a incursão, trouxe uma garrafa coberta por cortiça. Quando, cá em casa, são feitas limpezas profundas e saem à cena objectos estranhos que não vêem a luz do dia senão nestas ocasiões, lá aparece a garrafa. Nessas alturas coloca-se sempre a questão, 'mas o que é que isto ainda cá está a fazer?'. Mas custa-me deitar fora, ao fim destes anos todos ainda não se ter partido, ainda não ter desaparecido, é um verdadeiro símbolo da resistência.

Resumindo: nunca mais lá pusémos os pés.

Mas, agora, para me convencerem, usaram um argumento certeiro, aliás, O argumento: 'que bela reportagem fotográfica podias lá fazer...'. Bingo.

Lá fomos, eu de máquina a postos.

Tinham-nos dito que não havia como não dar com aquilo, tudo sinalizado.

Qual quê?! Lá andámos às voltas, a perguntar aqui e ali. Sinalizado depois de lá se estar, como é costume nesta terra.

Mas enfim, lá démos com a Festa do Avante. Ao chegar a um cruzamento, um montão de miúdos negros, alguns de bicicletas. Logo um nos pergunta: 'É para o Avante?'. Que sim. 'Então, venham atrás.'. Lá fomos, atrás do nosso guia.

De bicicleta, ágil, levou-nos para um terreno baldio atras de uns prédios, terra batida, uma árvore. Quando estacionámos, naquela poeira e no meio de um montão de carros, ouvi vozes, barulho de talheres.


Um grupo de rapazitos acampados, pequenas tendas, mochilas, ali mesmo - foi o primeiro contacto com o espírito da coisa. Um misto de festival, festa popular, feira de província.

Lá fomos, então. Imensa gente, música, muita cor, muita animação.


Barracas, barraquinhas, artesanato, Alentejo, Viana do Castelo, ..., Cuba, Timor. Aventais bordados, estatuetas africanas. Uma grande feira, uma festa do povo. Muitos jovens, muitos velhos, muita gente de todas as idades, muita gente com ar de quem vem do campo, de quem vem de longe, muitos homens e rapazes de tronco nu, muitos de boné, homens e mulheres de boné, muitos de bóina com uma estrela, muitas mulheres com saias compridas, ar hippie, muitos com ar revolucionário, outros apenas a beber cervejas, cabelos com rastas, muitas mulheres com ombros à vista com grandes tatuagens, muitas crianças, muitas bandeiras.


Os sítios onde se comia, longas bancadas cobertas, a deitar por fora, tudo a comer nos pratos de plástico do costume. E, por todo o lado, o cheiro a tasquinhas de petiscos, cheiro a feira gastronómica, uma mistura de cheiros, carne à portuguesa, feijoada, febras, enchidos, pizza.


O calor não parecia incomodar aquelas pessoas. Todos se cumprimentavam, tudo no maior espírito de feira, de festa, conversando mesmo debaixo daquela soalheira.


Muita gente estendia-se na relva, uns dormiam, outros simplesmente descansavam ou faziam horas para o discurso, muitas famílias faziam picnic à sombra.


E depois há os espaços mais culturais, uma feira do livro, uma feira do disco e uma bienal de artes, esta com pouca gente.


Tirando o irrelevante facto de os quadros estarem quase todos tortos, vi lá obras de qualidade, o espaço era fresco e bem organizado. Gostei de ali estar.

Mas, ali, quem faz a festa são mesmo as pessoas. E, se em grande parte dos casos, os apetrechos revolucionários como as boinas, parecem uma coisa deslocada no tempo e no espaço, outros casos há em que, dada a graça dos utentes, funciona até como um interessante complemento de moda como era o caso do belo moreno deste este grupo.


Não almoçámos lá nem ficámos para os concertos nem para o momento apoteótico que é o discurso do Jerónimo de Sousa (que, vi na televisão, esteve muito bem, uma presença forte, um discursos fluente naquele seu enfatizado tom de voz - contudo, como sempre, mais do mesmo; pode o mundo virar-se do avesso, podem os muros ruir, podem os modelos falir, que a conversa é e será sempre a mesma).

A impressão que me ficou é que é um recinto em que se realiza uma animada festa temática, que tem como motivo os quentes anos revolucionários de décadas atrás.

Toda a gente se produz de acordo com esse dress code, e há um ar de nostalgia, de fraternidade na luta, de saudosos dos movimentos hippies libertários, dos cordões de solidariedade, Timor Lorosae, Cuba livre, sempre, sempre ao lado do povo, cantares chilenos, mantas incas, peruanos, alentejo em luta, a terra a quem a trabalha, o povo unido jamais será vencido. Camaradas. Cerveja, ganza, amizade, noites ao relento. Camaradas. Che. Bandeiras ao alto, bandeiras ao ombro. Avante, camaradas, avante.


E dou por mim a pensar: mas estas pessoas, tantos jovens, estão felizes como se, ao estarem aqui, estivessem a protagonizar alguma coisa de marcante e, no entanto, enquanto aqui andam de tshirt de Che Guevara e de bandeira às costas, ou em tronco nu, radiantes, lá fora o país desanda e afunda-se nas mãos de pessoas sem qualquer competência.

E dou por mim a pensar: mas estas pessoas que aqui estão, convencidas que são revolucionárias e 'contra as políticas de direita', na prática, ao votarem contra o PEC 4, foram as que puseram esta gente no governo.

Não sei se entre os dirigentes do PCP reina a inocência, se o cinismo, se o oportunismo, se o simples instinto de sobrevivência. Não sei, palavra que não sei. Mas, nos simpatizantes que ali vi, aparentemente reina sobretudo a gosto pela pândega ou a alienação da realidade ou a inocência.

Mas não sei, há coisas que tenho dificuldade em compreender.

domingo, janeiro 02, 2011

Tempus Fugit - por isso, façamos la Fête

As primeiras medidas de contenção vão começar a sentir-se em 2011. Em 2010 falou-se muito de crise mas, com excepção das pessoas que tiveram o infortúnio de cair no desemprego, pouca austeridade se sentiu em 2010.

Contudo, 2010 foi um ano de susto, de decepção, e de prenúncio do que aí vem. Andamos desconfiados, descrentes, preocupados.

Por isso, há razão, sim, para quem se despede festivamente de 2010: não se querem cá mais desilusões, demonstrações de como o futuro de todos está tão dependente de quem não sabe cuidar dele, não gostamos de quem nos acorda do sonho que era a vida fácil, não gostamos de mensageiros assim e por isso ficamos aliviados por 2010  ter chegado ao fim.

Mas não é só 2010 que chega ao fim. É mais um ano que passa.

É o tempo a passar; e como passa depressa.

Por isso, saibamos vivê-lo mesmo na adversidade.

Não o deixemos fugir.

2010 quase a ir-se embora. Tempus fugit.

Le roi est mort, vive le roi.

Num ano que se antevê difícil, com menos poder de compra, com o dinheiro a escassear (os bancos estão a querer reaver o dinheiro emprestado às empresas, estão a aumentar o seu custo, e não é fácil arranjar novos empréstimos), com as empresas a vacilar, com o Estado na penúria, há que repensar a nossa forma de viver e de pensar.

Sejamos lúcidos, sejamos exigentes, sejamos criativos, sejamos optimistas e sejamos lutadores.

(Fogo de artifício sobre o Tejo, unindo Almada e Lisboa)

Milhares de pessoas em festa aplaudiram e festejaram o fim de 2010 e o início de 2011


Podia ter colocado um video do Baile Popular ou dos Xutos mas foi La Fête de Rodrigo Leão que aqui me apeteceu colocar - Séche tes larmes, Viens chanter l'amour, Prends la vie, Fais la fête.

Vivamos a vida, vivamos 2011, e, apesar de tudo, saibamos fazer a festa.



La Fête de Rodrigo Leão com a voz de Ana Vieira


Viens, fais la fête
Viens dancer toujour 
Célébrer l'amour

Séche tes larmes
Regarde autour de toi
Souris a n'importe quois

Il faut toucher les choses
Bois ton vin
Sens tes roses

Suis les mots, du poète
Prends la vie
Fais la fête

Viens, vis la valse
Vis l'éclat des jours
Viens chanter l'amour

Ouvre tes portes
Reçois la vie chez toi
Gonfle ton coeur de joie

Il faut toucher les choses
Bois ton vin
Sens tes roses

Suis les mots, du poète
Prends la vie
Fais la fête

(Letra de La Fête de Rodrigo Leão, segundo transcrição da net)


De novo, a todos, feliz 2011.