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terça-feira, janeiro 06, 2026

Baby Trump

 

Trump não é só um psicopata, um narcisista maligno, um mentiroso compulsivo: ele é também um personagem surreal, um personagem cómico, um personagem exagerado que ninguém levaria a sério. Imagino que, num futuro não muito distante, se farão séries e filmes, talvez alguns trágicos mas, na maioria, cómicos, daqueles disparatadamente cómicos.

O pior é que antes que lhe dê um fanico ou que o retirem de cena não vai parar de fazer mal. A contabilidade do que ele já destruiu não deve ser fácil de fazer pois é tudo caótico, simultâneo, atropelado. Tem feito um mal generalizado a instituições e a pessoas. Tem ferido, esperemos que não de morte, a democracia. O rasto de arbitrariedades e de injustiças é imenso, irracional.

O que está agora a fazer com a Venezuela, tendo atacado as instalações em que Maduro e a mulher pernoitavam, arrancando-os da cama e raptando-os, e anunciando que agora são os Estados Unidos que mandam na Venezuela, é do domínio dos filmes de acção de série D, daqueles no gozo. E agora já estendeu a ameaça a Cuba, à Colômbia e ao México. 

E os cobardolas dos líderes europeus, que, exibindo a sua condição de castrados, vieram com conversinhas de virgens encardidas, todos sonsos e palermas, mostrando ter medo de enfrentar o fora de lei cor de laranja, hoje levaram pela cara com a reiterada ameaça em relação à Gronelândia. Ainda não perceberam que um bully só amocha se alguém lhe fizer frente. Um bully é um cobarde que aposta no medo dos outros. Se os outros o mandarem bugiar e lhe mostrarem que se estão nas tintas para as suas ameaças, o bully recua, arrepia caminho. 

Em contrapartida, enquanto os líderes europeus se mantiverem encolhidos, sorriso parvo, a deixarem que o bully os grab by the pussy, tê-lo-emos a gabar-se do mesmo que se gabou quando foi acusado de violar uma mulher: 'Ela gostou. E se ela gostou, não é crime.'. 

Entretanto, vejamos o bebé Trump a dizer as barbaridades que vamos ouvindo ao bully Trump.

Baby Trump: Raptei o Presidente e assumi o controlo da Venezuela

O Bebé Trump está de volta… e ele tem uma GRANDE novidade! 😳💥 Hoje, o Bebé Trump diz que roubou a presidência… isso mesmo… Maduro já foi! 👶🇻🇪 E agora o Bebê Trump está assumindo o controle da Venezuela como um chefe! 🍼💣

Assista ao Bebé Trump a fazer seu anúncio maluco, caótico e totalmente infantil 🍼🗣️💥 Será que ele vai governar o país melhor que os adultos? Quem sabe… mas vai ser hilariante 😂🤯


Que o mal não dure muito mais -- é o que eu desejo

segunda-feira, janeiro 05, 2026

E se aquilo de os Estados Unidos irem 'tomar conta' da Venezuela tiver sido mais uma maluquice do Trump... uma maluquice que lhe ocorreu no decurso da própria conferência de imprensa...?

 

Este domingo mostrou-se afável como há muito não via os dias. Nem vento nem chuva nem frio. Um solzinho algo tímido mas, ainda assim, bem agradável. Consegui andar a varrer as folhas, consegui andar cá fora sem ter que me desviar da chuva nem andar encasacada. Bem bom.

E fizemos umas boas caminhadas. Cruzámo-nos com mais pessoas do que é costume, em especial pais com crianças pequenas a andar ou a aprender a andar de bicicleta. O meu marido disse que devem ser bicicletas recebidas pelo Natal. Também várias pessoas a passearem os cães. Os campos verdes de dar gosto. Daqui por algum tempo o verde será erva alta mas, por enquanto, parece relva e musgo, um tapete fofo por onde apetece andar.

Felizmente comprámos, há semanas, um dispositivo para secar sapatos, umas coisas elétricas que se enfiam dentro dos sapatos. Por isso, quando chego a casa costumo descalçar-me, incluindo as meias, e pôr os sapatos a secar. Andar no meio da erva molhada dá nisto. Claro que poderia usar uns ténis impermeáveis mas prefiro andar com uns muito confortáveis, maleáveis (que são porosos). Comprei há tempos uma espécie de meias de uma espécie de latex que se calçam por cima dos sapatos. E funcionou lindamente, um ovo de colombo. Mas isto de andar no meio da erva e do mato não dá saúde a coisas assim. Sem querer, em especial de noite, piso pedras, paus. Portanto, aquela espécie de botinhas elásticas já não funciona, já estão furadas, já deixam entrar a água. Mas pronto, foram baratas e já cumpriram a sua missão.

Bem. Queria eu dizer que o dia foi tranquilo. 

Ao fim da tarde, como ando incomodada com a tumpalhada da Venezuela, pus-me a ouvir várias opiniões sobre o assunto. Toda a gente converge na ilegalidade, na inconstitucionalidade, na gravidade. Claro.

Mas agora ouvi a opinião de Michael Wolff, que o conhece bem e conhece bem a sua entourage e o staff da Casa Branca, e ri-me com ele e com Joanna Coles. A opinião de Michael Wolff, baseada na sua intuição e em informações recolhidas, é que aquilo de os Estados Unidos irem tomar conta da Venezuela foi uma que lhe saiu ali, no decurso da conferência de imprensa, fruto da sua mania das grandezas e da sua demência. Segundo Michael Wolff, aos poucos todos tentarão ir chutando para canto ou fingindo que estão a fazer alguma coisa nesse sentido mas, na prática, não fazendo nada -- não têm como, não têm pessoas para deslocar para lá com conhecimentos para tomar conta do que quer que seja na Venezuela, não têm autorização do congresso para se meterem em despesas, não têm nada planeado. Ou, igualmente provável, 'tomar conta da Venezuela' na cabeça de Trump não passe de conseguir, ele, a família e os amigos, sacarem de lá o mais que puderem, o mais rapidamente possível, e não o que se poderia interpretar, levando à letra o que ele disse.

Mas, digo eu, sabe-se lá. De um descarado, prepotente, narcisista, sem escrúpulos, ainda por cima demente, o que se pode esperar...? Esperar-se-ia, isso sim, que as instituições funcionassem, que a democracia e o mundo desenvolvido tivessem mecanismos de defesa. Têm mas são tão frágeis que um único maluco pode acabar com tudo em menos de nada. Na prática, a nossa condição é a de indefesos. E isto sou ainda eu a dizer.

Mas convido-vos a ver o vídeo abaixo. Como sempre, a conversa dos velhos amigos, Joanna Coles e Michael Wolff, é bastante interessante. E traz-nos o lado pessoal do que geralmente vemos analisado sob o ponto de vista político. 

E se, mais do que uma bem pensada jogada geo-estratégica, tudo isto deve é ser ser visto como um cocktail de motivações erráticas, mais irracionais do que racionais...? Veja-se: o medo do que aí vem com a revelação de mais ficheiros Epstein em que inevitavelmente virão provas comprometedoras para Trump, o medo do que será a reacção colectiva das pessoas quando virem que o que vão pagar do seguro de saúde vai ser o dobro do que era e, em alguns casos, o triplo; isto a par da pressão das petrolíferas, do real state e das big tech para irem para lá sacar petróleo, terras raras, lítios e etc e irem construir hotéis, casinos, arranha-céus; e mais as provocações de Maduro a dançar e a mostrar que não tem medo dele -- tudo isto deve ter atirado aquele narcisista megalómano e demente para a frente, no que foi secundado por um grupo de palermas. Claro que os militares, que ainda não têm a coragem de não acatar ordens ilegais, executaram as ordens. 

JD Vance, calculista, a preparar-se para se chegar à frente mal surja a oportunidade, e que é um isolacionista, Maga puro e duro, America first e os outros que se lixem, não apareceu na conferência de imprensa. Poderá invocar gripe ou coisa do género mas só os tolos engolirão a desculpa.

Enfim. Um mundo entregue a gente doida. Um perigo temperado pela mais absoluta imprevisibilidade.

No outro dia ouvi um terapeuta que trabalha em lares onde trata de idosos com demência a dizer que acha que Trump só deve ter mais um par de meses em que possa fazer de conta que está funcional pois rapidamente o seu estado se deteriorará a ponto de terem que o retirar de cena. Veremos. 

O vídeo abaixo só começa aos 3'28". Dá para colocar tradução automática.

Michael Wolff & Joanna Coles discutem o tema Trump & Venezuela

Michael Wolff e Joanna Coles discutem a declaração de Trump de que os Estados Unidos vão assumir o controle da Venezuela após a captura do líder autocrático Nicolás Maduro.

Numa conferência de imprensa tumultuada em Mar-a-Lago, Trump também revelou planos para se apoderar das reservas de petróleo do país e alertou que "não temos medo de enviar tropas terrestres" como parte da tomada de poder.


Desejo-vos uma boa semana

domingo, janeiro 04, 2026

Isto não está a começar bem...
E não sei se o que me incomoda mais é o crime de Trump se é a cobardia dos Europeus

 

Não simpatizo com Maduro, nada mesmo. Tenho sempre muita pena dos povos que não vivem em democracia, que não têm o privilégio de viver em plena liberdade, que não têm a sorte, que toda a gente deveria ter, de viver num país desenvolvido, humanista, inclusivo, moderno. Teria ficado muito mais animada se, em eleições livres, os venezuelanos escolhessem um verdadeiro democrata.

Contudo, nem de longe nem de perto, apoio ou percebo ou justifico a criminosa acção militar dos Estados Unidos de atacar alguns alvos e raptar Maduro e a mulher, indo buscá-los à cama e depois, algemando-o, vendando-o, transportando-o para os Estados Unidos, humilhando-o de forma vil, expondo-o ao mundo nessa condição de preso, vendado e humilhado.

Pelo contrário, revolta-me as entranhas saber que alguém pode fazer isto, que um país resolva promover uma acção destas para, de forma prepotente e desrespeitadora, pegar no presidente de um país e levá-lo à força para ser julgado num país estrangeiro.

Revolta-me o que, antes, Trump e o gang de anormais que o rodeia andaram a fazer, disparando mísseis contra barquinhos, matando as pessoas que lá iam. Não sei se transportavam droga se não. Mas, se suspeitavam que os barquinhos transportavam droga para os Estados Unidos, então que apreendessem os barcos e prendessem os seus tripulantes para que se averiguasse se era isso mesmo. Nunca, por nunca, que, sem mais, matassem as pessoas. Isso são crimes que a comunidade internacional deveria ter condenado veementemente.

Revolta-me a desfaçatez de Trump e da corja que o apoia que declaram às escâncaras que a partir de agora vão mandar na Venezuela. Revolta-me isso até mais não. Revolta-me que, sem se dar ao trabalho de disfarçar (por exemplo nem se deram ao trabalho de dizer que vão restaurar a democracia), confesse que vai explorar o petróleo venezuelano, que vai ficar com o que calhar à conta de uma qualquer compensação. É abjecto. Uma ladroagem à descarada.

Revolta-me, ou melhor, enoja-me, a descrição que Trump fez, dizendo que a operação parecia uma série de televisão e que foi uma acção espectacular, rápida e violenta, e reforçando a palavra violenta como se ser violento fosse uma boa coisa, e dizendo que não se via uma coisa assim desde a II Guerra Mundial, e incomoda-me que tenha feito acompanhar o vídeo do ataque de uma música, absurda e despropositada naquele contexto -- tudo ridículo, abastardado, sem noção. Revolta-me a palhaçada que é tudo o que Trump faz e diz. 

Mas revolta-me também muito, muito, muito, a reacção hipócrita e cobarde dos países europeus (do que ouvi, talvez com excepção para Espanha). 

Que cara, que voz, que coerência podem os europeus mostrar na defesa da Ucrânia contra o invasor Putin quando, perante Trump, se calam? E escrevo calam quando o que me apetece é dizer que abrem as pernas. Mas não digo. O que digo é que, perante um demente, um aldrabão compulsivo, um narcisista maligno, o que se tem visto aos europeus é fecharem os olhos, apaparicarem, passarem-lhe a mão pelo pelo. bajularem. Será uma atitude estratégica. Sei que sim. Mas sei também que a cobardia tem perna curta e, pior que isso, a cobardia é sinónimo de se pôr a jeito. 

Foi certamente com o engodo da Venezuela que Putin deu a volta a Trump com a Ucrânia, tal como é com a ganância e a sem-vergonhice, e, logo, com a conivência de Putin e Trump que Xi Jinping conta para um dia ficar com Taiwan. Parece que, de repente, constatamos que o fim da lei e da ordem é um facto, é o novo mundo, parece que este é o tempo dos chacais. E nós todos presas fáceis, insignificantes poeiras.

Raios os partam. 

Esquecem-se é de uma coisa, é que não há mal que sempre dure.

terça-feira, novembro 25, 2025

Quid pro quo

 

A Europa prepara-se para a guerra, dizem. Uns constroem abrigos, outros treinam as tropas, outros aparelham os cavalos, os tanques, outros apressam a ciência e a tecnologia para que os drones e demais veículos aoto-tripulados sejam mais rápidos, mais precisos, mais invisíveis e mais baratos.

Tento afastar essa ideia. Não consigo conceber que o que está a acontecer à Ucrânia possa alastrar a países da UE e que os nossos rapazes tenham que pegar em armas. Não consigo acreditar nessa possibilidade. Os meus meninos, tal como os meninos de todo o mundo, devem poder viver uma vida tranquila, feliz. Não devem, nunca, ter que pegar em armas para se defenderem ou para matarem. Nunca, nunca.

Ao mesmo tempo, as ameaças americanas sobem de tom em relação à Venezuela. Já se ouvem os tambores. Cada vez estão mais fortes e mais próximos. Maduro dança para chamar a paz mas os navios de guerra que rondam fazem com que o rufo não possa ser esquecido. 

“Quid pro quo. I tell you things, you tell me things,” é o que Hannibal Lecter diz à investigadora   Clarice Starling. Quid pro quo, pode ser o que Putin diz a Trump quando Trump lhe pede que não mexa uma palha para defender a Venezuela. Não mexo se também te fizeres de morto em relação à Ucrânia, provavelmente responde-lhe Putin.

Dois narcisistas, megalómanos, psicopatas à frente dos destinos do mundo.

E, no entanto, um deles está cada vez mais doido.

As televisões e as redes sociais mostram agora um Trump que, dizem, deixou de cobrir a pele com aquela base cor de laranja e se veste como Mandani. A base MAGA está perdida, sem saber o que pensar do inexplicável encantamento de Trump por Mandani. Os assessores de Trump na Casa Branca também estão sem norte, cada vez mais convictos que algo está mesmo errado com o presidente. Disserem que, naquele dia, foi como se Trump se tivesse esquecido que era Trump. 

Mas se o enamoramento por Mandani foi surreal, tudo o resto não o é menos. Tão depressa diz coisas incompreensíveis, palavras inexistentes, sons incongruentes, como se mostra irascível, sem filtro, inconveniente, como publica inúmeros vídeos ou imagens em que se mostra como o rei e os seus adversários como gente que se ajoelha a seus pés, ou ameaça de morte quem diz coisas óbvias como que os agentes da lei e ordem não são obrigados a cumprir ordens ilegais. Os seus dias são caóticos, e tentar prever os seus próximos passos é impossível.

Como pode uma pessoa assim ser levada a sério? Como pode o mundo fazer de conta que não percebe o que se passa com o demente que está à frente dos Estados Unidos?

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Podemos ver que Trump está em grave declínio: afirma psicólogo | Podcast do The Daily Beast

O convidado imperdível do The Daily Beast, Dr. John Gartner, junta-se a Joanna Coles para analisar o que os momentos-chave revelam sobre o declínio cognitivo de Donald Trump. Desde dificuldades em fazer continência no Túmulo do Soldado Desconhecido a ruídos estranhos num evento da McDonald’s, Gartner explica padrões de declínio psicomotor, discurso desconexo e comportamento desinibido. Discutem como o stress, os problemas de personalidade preexistentes e uma possível demência se interligam, oferecendo uma perspetiva psicológica rara sobre o comportamento bizarro do presidente. Este episódio revela o que realmente se passa dentro do cérebro de Trump.


Um dia feliz

sexta-feira, agosto 02, 2024

Considerações da UJM sobre o que se passa na Venezuela e na cabeça dos maduros do PCP

 

Estes dias têm sido bem animados e poucas notícias tenho visto. Há pouco pus-me a ver os Jogos Olímpicos, momentos exultantes, e, em vez de me pôr a exultar também, adormeci profundamente. Deve ter sido coisa de cinco minutos, não mais, pois logo de seguida o meu marido chamou-me para jantar. Ainda havia arroz de salmão de ontem ao almoço, era só aquecer e juntar salada de alface. 

Das notícias do dia há uma que me está a fazer espécie: a libertação de prisioneiros pela Rússia e pelos Estados Unidos. Parece que foi uma troca. Não sei a que se deve, a que propósito, porquê agora. Alguma coisa é. Se calhar, se me debruçar sobre os Guardians desta vida, facilmente me esclareceria -- mas isso fica para depois, agora ainda estou meio abananada de ter sido acordada à pressão.

Também li (mas só o título) que a temperatura no Antártico está 10º acima da média e palpita-me que isso não são boas notícias. Caraças para as alterações climáticas. Tenho medo.

E também vi a indignação do Partido Comunista Venezuelano ao saber que o PCP apoia a 'vitória' do Maduro. Situação extraordinária esta... O PCP português, sempre, sempre, ao lado dos tiranos e dos ditadores, agora até já actua em contramão em relação aos partidos congéneres desses países que, como se vê, se demarcam da actuação anti-democrática do regime vigente. Uma vergonha. O PCP continua a sua deriva a caminho da extinção. Ninguém os obriga a isso. São eles mesmos que estão determinados nisso. Situação bizarra.

Há dois dias tinha feito um daqueles meus vídeos mas, em vez de falar de abelhas ou da minha voz de Castelo Branco ou de Dona Lady Betty, falava do apoio do PCP ao que se passava na Venezuela. Ainda não sabia da barracada acima referida. Por isso, de certa maneira, o vídeo está um pouco desactualizado.

Mas, por hoje, é o que me apraz partilhar convosco. 

Ainda tenho que ir ali pôr creme hidratante no corpo porque, há bocado, tomei banho e não o pus pois com miúdos cá é tudo tão à pressa que não dá para frioleiras dessas. De manhã, quando fui ao supermercado, comprei um de azeitona e estou curiosa. Só espero que não me deixe a cheirar a azeite. 

In heaven não se fala só de abelhinhas e de coisinhas fofas, também se fala das cavaladas do Maduro e das maluquices do PCP


Dias felizes

sábado, junho 01, 2019

Porque falta a electricidade na Venezuela?


Temos por vezes a tentação de acharmos que temos a solução para todos os problemas. Nem paramos para pensar que a coisa pode ser muito mais complexa do que imaginamos ou que desconhecemos a maior parte das verdadeiras condicionantes. Ou isso, ou pior: sem qualquer veleidade, achamos que conseguimos traçar a fronteira entre o bem e o mal, como se o bem e o mal fossem campos contrários e bem identificáveis -- e, a partir daí, armarmo-nos em espectadores à espera que uns vençam os outros. Tontos que somos, todos, temos também, muitas vezes, a tentação de assumirmos como adquiridas algumas realidades, sem que nos ocorra que, um dia, do nada, o enredo pode virar-se do avesso e o nosso papel passar a ser o oposto do que foi até então.

O que se passa na Venezuela é um desses casos e eu, apesar de dada a tentações, neste caso não me sinto tentada a nada: não dou palpites, não sei nada, não percebo nada, não faço ideia como é que aqueles pobres infelizes podem sair daquilo.


Era um país rico, promissor, um chamariz para investidores e, afinal, quando caíu o grande líder dos pés de barro, ficou à vista o atraso de vida que ali grassava. O sucessor, um arremedo de sucedâneo do morto, é outro Trump -- só que com conversa bolivariana. O país arrasta-se na maior miséria, num ambiente de bradar aos céus e o Maduro continua na dele, a clamar pelos amanhãs que cantam, brandindo ameças contra o Trump, contra os bandidos de Portugal que o roubaram, contra muitos outros inimigos, todos sabotadores, contra-revolucionários. Sendo que algumas vezes tem razão, ao embrulhar tudo na mesma linguagem lunática, ao mostrar a deformação lógica que enforma todos os raciocínios e ao exibir os tiques ditatoriais, mesmo quando teria razão, perde-a por completo. 

No meio disto, em vez de aparecer uma verdadeira alternativa, apareceu um que, fisicamente, até parece uma espécie de Obama mas sem nada a ver, sem que se perceba ao que vem, com a agravante de andar a ser levado nas palminhas pelo próprio Trump, pelo Bolsonoro e por mais um ou outro que mais valia estarem calados, ou seja, por gente que não é flor que se cheire.

Por vezes, ao saber da pobreza, da fome, da falta de medicamentos, dos cortes de electricidade, dos hospitais sem condições, ou ouvir testemunhos impressionantes em que se percebe a paranóia, o sectarismo e a cegueira do Maduro e dos que o apoiam, ocorre-me uma daquelas soluções a la minute (que caem pela base ao mais leve escrutínio): porque é que as nações Unidas não intervêm e não arranjam um qualquer comité que governe o país até que a dignidade seja restituída aos cidadãos e que haja comprovadas condições para levar a cabo eleições livres?

Mas se, na verdade, não sei qual a solução, custa-me compreender que, na era em que as máquinas aprendem e em que já não há cão nem gato que não use coisas que recorram a inteligência artificial ou a computação na nuvem, em que sequenciar o ADN já é canja de galinha, ainda não exista a solução para impasses governativos destes, em que quem está no poder não dispõe das mais básicas competências (a todos os níveis) para governar um país e em que não aparece alternativa credível. Deveria haver um manual com as instruções para seguir em cada caso. Mas pelos vistos não há e pelos vistos não é fácil saber o que fazer... e, portanto, tirando muita informação cruzada e muita contra-informação, não acontece nada. E os pobres coitados que ainda não conseguiram fugir, vão sobrevivendo sabe-se lá como.

A reportagem abaixo, da BBC, pode fazer alguma impressão (a mim fez-me muita) mas acho que deve ser vista. Por cá, em especial os camaradas do PCP deveriam conseguir tirar as vendas e ver o que aqui se mostra, mas ver com olhos de ver.                                                                                                                                                                                       

The truth behind Venezuela's blackouts



domingo, fevereiro 03, 2019

E o que é um tomate roxo?
[E isto para não me alongar com a auditoria à CGD, com aquelas denúncias de cenas que se passam nas autarquias PCP, com a baderna que para ali vai na Venezuela, com a extraordinária Elizabeth Holmes, com a criminosa greve dos enfermeiros ou, mesmo, com as minhas andanças nocturnas in heaven, preferindo, com a vossa licença, deleitar-me com Jane Goodall]
-- E sim, um ponto verde no canto da sala é uma ervilha de castigo --




Claro que, na volta, eu devia era falar dos créditos e das imparidades da Cixa Geral de Depósitos. Mas, para falar disso, porque não falar tambem das do BPN, do BES, do Banif, do BCP, etc? Que disso, upa, upa, há por todo o lado e, de uma forma ou de outra, todos temos tido que lá meter dinheiro. E não que com isso esteja eu a querer branqear a coisa. Zero. Não. Mas há os créditos dados a ver se se salva uma fábrica, uma actividade que conjunturalmente está a passar um mau bocado e há os dados por vã ambição, ganância, mania das grandezas. Quem, ignorantemente, ponha tudo no mesmo saco vai por mau caminho. A avaliação técnica de um crédito tem mil e uma vertentes e não é num comentário apressado que se pode tecer opinião. 

Por isso, passo adiante.


Também podia falar da avalancha de notícias sobre os compadrios nas autarquias geridas pelo PCP. Não atiro pedras e não porque ache que o PCP não tem telhados de vidro mas porque prefiro ter a certeza da veracidade de tudo o que está a aparecer. É que há tal coincidência nas pedradas que a coisa parece orquestrada e eu de orquestrações prefiro as musicais. A ter havido abuso de confiança, uso e abuso de recursos autárquicos para fins partidários, dolo na gestão de dinheiros públicos ou infracção de regras claro que acharei mal e que defenderei que não estejam, como ninguém pode estar, acima da leia. Mas, até que para mim esteja claro o que se está a passar e se há fundamento nas denúncias, manter-me-ei expectante e de bico calado.

Sobre a Venezuela é diferente: não quero cá saber do nome que os próprios dão às coisas como se o nome fosse rótulo que garante imunitade. República bolivariana o escambau. Um atraso de vida é o que é. Há populistas, parvalhões e abusadores para todos os gostos e este Maduro é um deles. Que a Venezuela está entregue à bicharada é inegável e o PCP mostra que tem um cordel agarrado ao pé e às ideias quando não é capaz de se desdogmatizar para apreciar as coisas como elas são. Não faço ideia de qual é a do tal de Guaidó pelo que, às cegas e sem o conhecer, custa-me defendê-lo. Nem sei como ficará a Venezuela depois de correrem com aquele parvalhão, prepotente e atraso de vida que é o Maduro mas sei que alguma coisa tem que ser feita. Um país daqueles não pode estar naquela penúria, naquela regressão, naquela indigência a todos os níveis. Mas falta-me competência -- e disposição -- para me pôr para aqui agora a dissertar sobre tema tão sério.

E digo-vos uma coisa: não fora este meu mau hábito de apenas me dedicar ao blog quando a noite vai alta e a minha energia escasseia, aquilo de que eu falaria mesmo seria de Elizabeth Holmes, 35 anos, aquela a quem se augurou ser a próxima Steve Jobs, ex-CEO de uma brutalmente valiosa empresa. E se emprego o qualificativo brutalmente é porque tudo aquilo era uma fraude. Mais um caso em que o mundo ilustrou a célebre doença da cegueira injustificável. Uma história fantástica a que prestaremos atenção quando o filme que já está por aí a rebentar com Jennifer Lawrence aparecer. Agora que é apenas uma história real, não queremos saber. E, no entanto, apesar de não conhecer Elizabeth, juraria que consigo adivinhar como é que aqui se chegou. E adivinho não porque detenha dotes divinatórios mas porque já vi uma história assim. E é tudo tão inacreditável e a cegueira colectiva tão difícil de compreender que não me espanto ao ver como a fantástica e valiosa empresa Theranos se despenhou tão facilmente.


Mas não falo de Elizabeth, hoje não me apetece -- até para não fazer associações a coisas de que nem é bom falar.

E há a criminosa greve dita cirúrgica dos enfermeiros mas acho-a tão aviltante para quem trabalha na área da saúde que, só de pensar nisso, sinto vergonha alheia. Só espero que a justiça arranje maneira de pôr um ponto final na actuação degradante daquela gente que deveríamos respeitar mas que, com o que andam a fazer, só nos fazem sentir repulsa e medo de algum dia virmos a ser vítimas de gente tão perigosa. Passo adiante para não me sentir agoniada.

E, portanto, estando numa de passar ao largo de tudo o que é assunto, poderia limitar-me a contar como andámos até ser noite enfiados no meio das árvores a podá-las, a desramá-las, a dar fim a pés bastardos. Podia contar como os nossos olhos se vão habituando à visão nocturna, como, depois de pensarmos que não vamos conseguir ver nada e que o melhor é ir para casa, nos vai sabendo bem perceber que afinal nos orientamos, como o que sobra de luz  -- e que não sei se era algum vislumbre de luar, se uma réstea de luminosidade de alguma estrela longínqua ou de quê -- é suficiente para ali continuarmos a serrar, a cortar. Ou poderia, ainda, limitar-me a contar como o ar foi ficando cada vez mais frio, como há sons que esperam pela noite para aparecer. E o cheiro das árvores e da terra acentuado pela frialdade nocturna, como é bom.


Mas nem para isso me está a dar para falar. Enquanto escrevo, estou a ver e ouvir Jane Goodall, uma maravilhosa jovem de 84 anos que ama a natureza, que é indomável e que sorri enquanto fala.


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E, assim sendo, volto a perguntar: o que é um tomate roxo?

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[As imagens mostram a exposição Until de Nick Cave]

domingo, agosto 13, 2017

Who by fire


Mulher na Aldeia do Mato, Abrantes
by Rui M Pedrosa



Acordei com cheiro a fumo. Cheguei a casa dos meus pais e na rua um cheiro a fumo. Cheguei aqui, in heaven, e cheiro a fumo e uma névoa pardacenta no ar. De tarde, uma gigante onda de fumo crescia no céu, o cheiro sempre presente.

Muito calor, nenhuma humidade, um pasto perfeito para a besta. 

Vejo a televisão: fogo por todo o lado. O meu país em chamas. Mais de 4.000 bombeiros no terreno. Autoestradas fechadas.

Não é o calor e a falta de humidade que desencadeia os fogos, isso apenas ajuda a propagar. Isso e o vento. O rastilho tem mão humana: seja por incúria, distração, interesse económico, maldade ou loucura. Ouço as notícias: muito fogo posto. Muita gente detida, outros apenas interrogados. Um dos grandes incêndios, um que devorou serras e vales, e galgou estradas e rios e lambeu casas e cegou árvores aos milhares foi ateado por uma mulher de cinquenta anos. Chegou-se ao mato e com um isqueiro pegou-lhe fogo. Saíu de casa e deliberadamente provocou o incêndio que destruíu milhares de hectares de floresta e colocou em risco a vida de quem vivia naquelas aldeias e dos bombeiros que por lá andaram a consumir-se. Que razões terá a mulher? Que loucura ou desespero tomou conta dela?


Parece que o perfil típico dos incendiários se divide entre doentes com depressão ou alcoólicos. Por isso, não sei como se podem prevenir estas catástrofes quando os causadores são pessoas que não obedecem a comportamentos racionais.


Espanto-me com este fenómeno. Um país tão pequeno, gente aparentemente normal, pacífica, agora com o desemprego a diminuir, o poder de compra a melhorar, supostamente menos razões para se cair no desespero e, no entanto, isto que se vê. 

Parece não haver outro país na Europa onde tanto fogo seja ateado. Será que as televisões não deveriam mostrar tantas imagens de fogos e de gente aos gritos? Será que quem ateia fogos, por um motivo ou por outro, quer causar destruição e pânico idênticos aos que vê na televisão?
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Na Albânia também a braços com uma onda de calor
by Gent Shkullaku

Mas, enfim, de uma forma ou de outra, em maior ou menor escala, e fogo por incêndio ou por bombas ou rebeliões, parece que uma onda abrasiva está a invadir o mundo (e nem vou falar da anormalidade a que se assiste entre as aberrações que estão à frente dos Estados Unidos e da Coreia do Norte).

Bombardeamento aéreo em Damasco, Síria
by Ammar Suleiman

Nas ruas de Caracas, Venezuela
by Ronaldo Schemidt

Tomara que chova, que arrefeça, que tudo volte ao normal, que os ânimos serenem, que o bom senso e a saúde mental prevaleçam. Se isto dura muito mais tempo corremos sérios riscos de que o mundo se torne um lugar ainda mais perigoso.
E claro que isto que estou a dizer é uma banalidade mas, perante o que está a passar-se, não consigo formular ideias originais.
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Vi as fotografias que aqui usei no The Guardian e, para nos fazer companhia, lembrei-me da canção do Leonard Cohen embora a letra não tenha especialmente a ver.

And who by fire, who by water, 
Who in the sunshine, who in the night time, 
Who by high ordeal, who by common trial, 
Who in your merry merry month of may, 
Who by very slow decay, 
And who shall I say is calling? 
(...)
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E, a propósito ainda de fogo, lembrei-me de quando eu era pequena e, pelos santos populares, havia fogueiras nas ruas e da atracção pelo risco que aquilo me provocava, levando-me a saltar por cima, mesmo quando elas eram largas e estavam com fogo alto. Mas o dia foi algo cansativo (mas muito bom!) e eu estou aqui só a adormecer enquanto escrevo. Por isso, não sei se vou conseguir escrever sobre isso e chegar ao fim.

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Até já ou até amanhã

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sexta-feira, maio 26, 2017

O que fazer quando tudo arde?
- Talvez tocar violino --



Já o contei: nem sei onde morreu o meu bisavô, pai do meu avô paterno. Penso que na Venezuela, mas não estou certa. Pode ter sido na Argentina. A ver se não me esqueço de perguntar à minha mãe.

Ninguém na família quis saber dele. Perdeu casas, 'propriedades', cavalos e gado, dinheiro. Era um jogador, é a ideia que tenho do pouco que diziam. Desfez o morgadio e fugiu, deixando para trás, e no desamparo, mulher e três filhos. De uma 'casa' abastada passaram para uma situação complicada. Sobraram ainda alguns terrenos e a casa onde viviam. Mais tarde, o meu avô, já adolescente, espírito aventureiro, pôs-se a caminho, andou por Espanha e por França antes de, com vinte e poucos anos, conhecer uma rapariga sete mais jovem e com ela se casar. Quando sobre mim diziam que era muito nova para me casar, a minha avó uma dessas pessoas, o meu avô disse de forma a que ela o ouvisse, 'Não ligues. Com dezoito anos teve ela o teu pai'.

Mas, então, o meu bisavô era visto pela família como um cobarde. A minha mãe, tenho ideia que achava que não era isso, que era um aventureiro. Do meu pai nunca ouvi uma palavra sobre o avô. Do meu avô também nunca ouvi uma palavra sobre o pai.


Nunca mais ele quis saber da mulher e dos filhos, e eles pagaram-lhe da mesma moeda: caíu sobre ele um desinteresse total. Pelo menos em público era isso que manifestavam.

A minha mãe contou, creio que depois dos meus avós terem morrido, que achava que ele quis reaproximar-se ou regressar e que de cá teve apenas silêncio e desprezo. Tenho ideia que a minha mãe viu uma carta dele, escondida.

Talvez, por lá, por onde andou, tenha tido outra família, mais filhos, talvez por lá andem agora outros bisnetos. Não faço ideia. Nunca ninguém quis saber. Por vezes penso e nisso e faz-me impressão. Talvez devesse ter tentado esclarecer algumas coisas. Contudo, creio que já é tarde para isso. O meu avô está morto e o meu pai já vive num outro comprimento de onda. O meu tio, irmão do meu pai, está bem mas também nunca manifestou qualquer interesse no assunto. Também já o contei: ainda há um terreno no Algarve, um terreno bom, num sítio bom. Calhou, em partilhas, ao meu avô. Provavelmente já alguém lhe chamou um figo. Ninguém, da família, mexeu, até hoje, uma palha para o passar para o nosso nome (presumo que esteja ainda em nome desse desconhecido bisavô).

Mas não é por isso, até porque não estou certa do destino que, há talvez cem anos, esse desconhecido tomou -- mas a Venezuela para mim é um país longínquo, geografica e emocionalmente.

Politicamente também. Nem o Chávez me entusiasmava: tudo distante, tudo a milhas da minha lógica, dos meus afectos, dos meus gostos.

Este agora que por lá anda parece que não sabe (nem nunca soube) o que é ser presidente de um país. Nada contra os motoristas de autocarro, nem contra os motoristas que se fazem sindicalistas. Mas faz-me alguma espécie que daí se passe a ministro e, daí, a presidente de um país. Nicolás Maduro desagrada-me como presidente. Não sei se é populista, se excessivamente nacionalista, se é apenas impreparado para a função.

O que se passa agora na Venezuela é outra desgraça. Maduro mantém-se em funções com a rua descontrolada, com as lojas vazias, as fábricas paradas, a loucura à solta.


No entanto, eis que no meio da maior tensão e violência, entre gente que se apedreja, caminha um jovem tocando violino.

Se no post abaixo mostro como a palavra se elevou para aglutinar as emoções e as catapultar sob a forma de coragem contra o terror anónimo, aqui, agora, é a música.

Chama-se Wuilly Arteaga, tem 23 anos, gosta de se vestir com as cores do país e tem uma coragem que impressiona. Para ele, a música simboliza a paz e a coragem e, por isso, como que protegido por um invisível escudo, ele caminha pela rua, tocando violino.



Infelizmente, a sorte abandonou-o: esta quarta-feira, a polícia motorizada avançou sobre ele, magoou-o e partiu-lhe o violino. É em lágrimas que ele nos aparece, com o violino -- que ele diz ser a sua ferramente a favor da paz -- sem cordas.

Entretanto, já há um grupo a mobilizar-se para arranjar dinheiro para lhe comprarem outro violino.

O vídeo abaixo, publicado esta quinta-feira, mostra-o nas ruas, antes disso, tocando.

E eu vendo isto, volto a uma pergunta semelhante à que, no post abaixo, formulei: para que serve a música? Para que serve a arte?
Pode a arte ser uma arma mais poderosa do que as armas tradicionais?
Quem dela se mune para a luta não tem mais coragem do que os que se escondem atrás de escudos para agredir sem ser agredido?
Não sei responder com certezas absolutas mas admito que sim.

E admito também que a vida, tal como a vamos aceitand.o merece alguma reflexão. Por exemplo: quem são os verdadeiros novos heróis deste estúpido mundo?



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