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sexta-feira, abril 24, 2020

You taught me what love is



Há pessoas que fazem parte da minha vida mesmo sem eu nada saber delas. Alguns Bloggers, alguns Leitores, por exemplo. São para mim como se fossem gente de carne e osso. Imagino-as como pessoas de verdade. Tem graça, isso. Sei que não são mas, aqui confinada, à mercê do devir, entretenho a mente com pensamentos peregrinos, ideias sem substância. Estão por aí, seres sem tangibilidade, vagueando pelo mundo, se calhar fingindo de gente a ler num telemóvel ou num computador, fazendo de conta que arregalam os olhos a ler isto ou fingindo que sorriem. É ou não é? Bem vos vejo. Mas não me enganam.

E eu, que aqui estou convosco, gostava que acreditassem que também sou de carne e osso. Não interessa se sou um robot de escrita automática, se sou uma réplica clonada de uma qualquer figura mediática da era vitoriana, sesou um travesti com múltiplas personas inside, se sou uma pessoa de quem gosto bastante e com quem volta e meia sou confundida, apesar de ser do sexo oposto e de fazer dois de mim e mais não digo, se sou gata ronronando na noite, se loba azul deslizando por entre a misteriosa penumbra. Não interessa porque nada disso interessa para nada. Sou um fio que se liga a quem me lê, sou palavras que se escrevem sozinhas. Imaterial, sem carne, sem osso, sem sangue, só palavras que por aí andam pelas clouds, pelos éteres, palavras invisíveis, voando pelo meio dos pássaros, pelo meios de anjos inexistentes.

E nem sei porque estou a dizer isto porque escrever é coisa de responsabilidade, escreve-se fica escrito, quem escreve desnuda-se disse-me um dia um advogado amigo que me aconselhava a ter cuidado com o que escrevia. Por isso, imagine-se a minha absoluta nudez com tanto que para aqui escrevo.

E para quê? Que nudez tão escusada.

Passo é para uma canção bonita. Já sabem: ao fim do dia, quando a noite é mais minha, quando os seres normais recolhem ao ninho preparando-se para regressarem à vida diurna, eu, que ando ao contrário e gosto é de entrar acordada até ao fundo da noite, cirando por aí, pelos caminhos em que descubro isto e aquilo, coisas de nada, coisas de tudo.

Hoje foi isto, uma jovem enfermeira com uma voz doce e meiga e comovente. E eu, que aguento de tudo durante o dia, chego a esta hora e sinto-me como se fosse de carne e osso e até, volta e meia, sinto que uma ou outra lágrima teima em fingir que quer aparecer.

Saudades, talvez. 

Ou seja, tudo o que escrevo são coisas que não fazem sentido. Mas isto deve ser fruto dos tempos. Pouca televisão vejo, poucos jornais leio, até poucos blogs leio. E livros só ao fim de semana. Mas, tirando os livros, quase tudo o resto me parece meio alterado, meio desfasado do rumo das coisas, parece que o mundo vai para um lado e as pessoas para outro. Muita coisa tocada pela loucura, daquelas loucuras mansas, sem propósito. Cada vez mais me parece que os pássaros e os gatos e os animais invisíveis que sei que por aqui vagueiam é que andam a passo certo com a vida de verdade. O resto são vultos, quimeras, seres sem rosto, sem nome.

E isto para dizer que estive a ouvir esta canção e gostei da voz que a cantou e da pessoa que a compôs. Beth Porch.


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As imagens são de uma pessoa que diz: My name is Kerem, I'm a 19-year-old from Istanbul. I create  photo manipulations and transform my dreams into creative designs.

E agora vou ver se descubro outras coisas. Inté.

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