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sexta-feira, maio 22, 2026

Colbert por Colbert
--- com dedicatória do Boss

 

Já aqui falei nisto. Aliás várias vezes. E, tal como eu, tanta gente. Chegou ao fim o que já era uma instituição. E, de certa forma, até me parece quase justo que ele possa sair ouvindo os louvores que geralmente ficam guardados até que a pessoa morra. 'Vai deixar um vazio', ou 'perda irreparável' é o que se sente -- e não porque tenha morrido -- pois está vivo e bem vivo -- mas porque puseram fim ao seu programa.

Não faço ideia do que irá ele fazer a seguir, se é que vai fazer alguma coisa. Pode apetecer-lhe, simplesmente, não fazer nada. 

Seja como for, o seu afastamento foi sentido junto de todas as pessoas decentes que acompanhavam o seu trabalho como mais do que uma injustiça: como uma tremenda burrice.

Mas é o que é. Vivemos tempos de burrice acelerada. Nos tempos que correm há duas coisas que avançam desenfreadamente: a Inteligência Artificial e a Estupidez.

Nestes últimos dias do seu programa, meio mundo tem passado por lá. Parece que tudo o que é gente capaz faz questão de lá ir dar-lhe um abraço. Mas não é um abraço de velório, é um abraço de estima, de reconhecimento. E há sempre humor. Humor e carinho.

Colbert tinha inventado o Questionário Colbert, através do qual, dizia ele, as pessoas se davam verdadeiramente a conhecer. Pois bem, desta vez, foram muitos os que compareceram para lhe fazer a ele essas reveladoras perguntas: 'Qual a sua sandwich preferida?', 'Maçãs ou laranjas?', 'Cães ou gatos?'. Etc. Desde a sua própria mulher até Robert de Niro. Uma diversão. É o que têm em comum as pessoas inteligentes: o sentido de humor e o não se levarem demasiado a sério.

E o que he desejo é vida longa e feliz e, se possível, que, profissionalmente, reapareça noutro lugar. Gosto muito de o ver e ouvir. 

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART ONE

Se não sabe qual é a sua sanduíche favorita, ou qual é o animal mais assustador, será que conhece mesmo o apresentador do "The Late Show", Stephen Colbert? Fica a conhecer melhor a nossa estrela premiada com um Emmy com a ajuda dos convidados especiais Billy Crystal, "Weird Al" Yankovic, Josh Brolin e Martha Stewart.


Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART TWO

Se não sabe qual é o seu filme de ação favorito, ou o que ele acha que acontece quando morremos, será que conhece mesmo Stephen Colbert, o apresentador de talk shows vencedor do Prémio Peabody? Conheça Stephen mais a fundo com a ajuda dos convidados especiais Mark Hamill, Jim Gaffigan, Jeff Daniels e Tiffany Haddish.

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART THREE

Se não sabe qual é o seu cheiro preferido, ou qual é a sua memória mais antiga, será que conhece mesmo Stephen Colbert? Conheça-o melhor com a ajuda dos convidados especiais Evie McGee Colbert, Amy Sedaris e Ben Stiller.

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART FOUR

Se não sabe se ele prefere gatos ou cães, ou em que número está a pensar, será que conhece mesmo o apresentador do "The Late Show", Stephen Colbert? Conheça Stephen mais a fundo com a ajuda dos convidados especiais Aubrey Plaza, James Taylor, Robert De Niro e John Dickerson.

E quem também não poderia faltar é Bruce Springsteen -- com as suas palavras, a sua coragem, o seu vozeirão e a sua extraordinária e emocionante presença em palco

"Streets of Minneapolis" - Bruce Springsteen (LIVE on The Late Show)

Bruce Springsteen, vencedor de 20 prémios GRAMMY, regressa ao The Late Show para interpretar "Streets of Minneapolis", uma canção que escreveu no meio da terrível violência orquestrada pelo governo contra a população do Minnesota.

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Provavelmente amanhã haverá mais pois o último dia, o de dia 21, é bem capaz de ser ainda mais memorável

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Desejo-vos uma feliz sexta-feira

sábado, maio 16, 2026

Ora aqui está o que se pode chamar 'partir a loiça toda'...

 

Tudo, um dia, chega ao fim. Tudo e todos, bem entendido. Mas, por vezes, não chega por razões naturais, mas porque se é empurrado. 

Se há figura incontornável na forma de conversar, de receber, de fazer humor, de saber escolher os convidados, de dizer o que tem que ser dito e fazê-lo sem meias palavras -- essa figura é Stephen Colbert.

O seu indisfarçável pó a Trump valeu-lhe um par de patins. Depois de estar no ar há anos e anos e de ser sempre um sucesso, recebeu guia de marcha. Durante o período que tem decorrido entre o aviso e a data em que vai dizer adeus, que é para a semana, Stephen Colbert tem aproveitado para pintar ainda mais a manta. Bem, não sei se é correcto dizer 'ainda mais' pois ele sempre foi assim, gozão, irónico, certeiro, implacável.

Desta vez, convida o já lendário David Letterman -- percursor, mestre --, e a forma que arranjaram para se divertirem a partir a louça é surpreendente. Vingança a sério... 😂😂😂😂 A CBS deve ficar a ranger os dentes com estas gracinhas...😁

Destruição desenfreada de propriedade da CBS - Letterman e Colbert atiram coisas do telhado do Ed Sullivan.

David Letterman convida Stephen Colbert para repetir um dos quadros mais queridos e gratificantes do "Late Show" de Letterman.


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E, portanto, como se vê, ainda não é hoje que chuto à baliza e partilho algumas das medidas que não tenho dúvida que fariam toda a diferença no pântano de águas paradas e pouco perfumadas que é a realidade da terceira idade em Portugal. Como previa, não tive tempo para me dedicar. Dia atarefado... 

E, para além do mais, parece que agora sou eu que estou a ficar engripada. O meu marido tem andado assim. Começou com dores de garganta, depois congestionado, corpo dorido, abatido, e agora tosse, tosse, tosse. Aliás, tenho ido sozinha ao ginásio pois ele não se tem sentido minimamente com pedalada para ginásticas. E eu, estranhamente, fresca como uma alface, a achar que o meu sistema imunitário estava a bombar. Pois bem, parece que nem por isso. Já estou a chupar uma pastilha para a garganta, já espirrei não sei quantas vezes, ardem-me os olhos, estou assim a modos que não sei quê. Pode ser que, com uma noite sono, isto me passe. Não me apetecia nada agora ser eu a ficar jururu.

Tirando isso, tá-se.

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Um bom sábado para todos
Saúde. Alegria. Paz.

quarta-feira, maio 13, 2026

Sally, a fofa. Claude, o incrível.

 

Há pessoas que talvez não seja espectaculares, que talvez não sejam beldades absolutas, que talvez não sejam bombásticas em nada -- e, no entanto, estão constantemente bem e conseguem ser sempre um amor. Gostamos sempre delas, enternecem-nos, temos vontade de as ver e ouvir, parecem transportar a leveza dentro delas. 

Para mim, Sally Field pertence a esse tipo de pessoas. 

Desde que a vejo a actuar que gosto dela. O seu registo não é exuberante, não leva os seus personagens aos píncaros da exaltação. Consegue ser contida e autêntica. Frequentemente, parece querer ser uma nossa amiga próxima. E estou para aqui a dissertar quando desde o início me apetece, simplesmente, dizer: é uma querida, uma fofa.

E mantém aquele seu ar de menina irrequieta, traquinas. Parece intemporal. E, no entanto, este ano fará 80 anos. Olha-se e não parece possível. Há pessoas assim, em que a infância parece permanentemente irradiar de dentro delas.

E depois tem outra coisa: é uma democrata e uma defensora da liberdade em todas as suas legítimas expressões. E di-lo com todas as letras.

Aqui com outro espírito brilhante: Stephen Colbert. Um prazer.

"Ri tanto que tiveram de refazer a maquilhagem" - Sally Field no set de "Uma Ama Quase Perfeita"

A vencedora de um Óscar, Sally Field, contou a Stephen Colbert que resistiu durante meses às tentativas de Robin Williams para a fazer rir no set de filmagens, mas um único som de pum emitido por Pierce Brosnan fê-la desabar completamente em gargalhadas.

Um dos melhores atores principais com quem já trabalhei - Sally Field em "Remarkably Bright Creatures"

A vencedora de um Emmy, Sally Field, percebe um pouco dos atores principais de Hollywood, e diz que o seu colega de oito patas em "Remarkably Bright Creatures" foi o ator mais presente com quem já trabalhou.

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Nota: ontem referi que talvez hoje conseguisse partilhar um estudo, realizado através do recurso ao Claude (by Anthropic, para quem ainda não conheça) que compila um conjunto de informações sobre a abordagem em Portugal ao tema da Terceira Idade, comparando-a com outros países considerados de referência. Contudo ainda não consegui terminar. A ver se é amanhã. 

E, a propósito, já agora, deixem que volte ao que já, há dias, abordei: ando espantada com as capacidades deste Claude. Melhor que o Gemini que, por sua vez, talvez seja melhor que o ChatGPT. Tenho andado a fazer um trabalho de monta (e de monda) -- e não tem a ver com a Saúde nem com a Terceira Idade nem com nada disso, são coisas cá minhas -- e tenho posto à prova as três ferramentas. E, de longe, mas muito de longe, o Claude bate as outras aos pontos. É verdadeiramente inacreditável. Muito sinceramente, e cada vez mais, não consigo antever, neste momento, qual a reviravolta que o nosso ensino e muitas das profissões vão sofrer quando houver um uso generalizado disto. No ponto em que já estamos, já não dá para impedir. Nem sei se dá para regular. É uma onda de proporções gigantes.

E eu não estou a usar agentes, a quem programe para executar tarefas. Sou eu o agente. Imagine-se o que é ter agentes programados para fazerem tudo o que a gente pede. Estivesse eu ainda a trabalhar e não pararia de ter ideias. E o problemático nisto é: onde é que se pára?

Os exemplos que agora vou dar nem chegam a ser exemplos, não mesmo, são um simples apontamentos, mas vou usá-los para ilustrar as capacidades da IA nas mais simples coisas.
  1. Hoje o comando do carro acusou carga baixa. Olhámos para aquilo, que geralmente anda no bolso e nunca é usado, sem sabermos como abrir. Simples. Fotografei, mostrei ao ChatGPT e foi só seguir os passos. Disse qual a pilha, qual a sequência, como remover a outra e substituir pela nova. Depois, como, depois de retirar a chave manual (de cuja existência nem eu já me lembrava), ficaram três pequenas ranhuras à vista, e não sabíamos em qual meter a chave de parafusos, fotografei-as -- e de imediato recebemos as instruções exactas. Em menos de dois minutos, todo o assunto estava resolvido.
  2. O segundo exemplo foi mais significativo. Trouxe de casa dos meus pais, quando tive que esvaziar a casa, uns envelopes com cartas antigas que mal consigo perceber. Aliás, nas quais sistematicamente me perdia, acabando sempre por desistir. Uma das mais impossíveis era uma do meu bisavô que, quando jovem marido e jovem pai de filhos, fugiu para a Argentina. Era dirigida à minha bisavó. A carta foi escrita em 1955 depois de lá viver, creio eu, há uns quarenta e tal anos. O papel está rígido e manchado, a tinta está esbatida. Mal se percebe. Aliás nem sei por onde é que aquela carta andou e como acabou por vir parar às minhas mãos. A minha bisavó vivia no Algarve e o normal é que a carta tivesse ido para sua casa. Como tinha filhas a viver perto dela, o mais provável é que, na morte da mãe, alguma delas tivesse querido ficar com a carta do pai. Mas, pelos vistos, quem ficou com ela foi o meu avô que, naquela altura, já não vivia por aquelas bandas. Isto para dizer que, nas bolandas em que andou, nem sei como é que, apesar de tudo, aquele papel resistiu. Mas, para acrescer à dificuldade, o meu bisavô escrevia num misto de português e espanhol, e, além disso, a letra é bonita e desenhada, mas a caligrafia, antiga, dificulta a leitura -- por vezes as pernas das letras cruzam-se com as hastes das letras da linha de baixo e o emaranhado ainda mais se complica. E aproveitou todo o espaço do papel, pelo que escreveu, deitado, em todas as margens, quase se misturando essas partes com a do texto inicial. Eu tento começar a perceber o que ali está e não passo da primeira linha. Pesco aqui e ali umas palavras mas não consigo, de maneira nenhuma, reconstituir as suas ideias. 
Então, lembrei-me de fotografar as páginas. As fotografias ficaram sumidíssimas e, mesmo puxando pelo contraste, mal se identifica o que lá está escrito. Ainda assim, carreguei-as para o ChatGPT, para o Gemini e para o Claude. O Chat patinou e pôs-se a tentar adivinhar. O Gemini arriscou-se a avançou com uma tentativa mas eram muitas as omissões e alguns os tiros ao lado. O Claude devolveu-me uma coisa com sentido e com umas questões: quis confirmar se o nome dele e da mulher eram os que tinha percebido e não eram exactamente, mas, tendo-lhe eu dito quais os nomes, a partir daí reconstituiu mais umas palavras, depois pediu para eu confirmar o nome dos filhos e se ele estava na Argentina e com essa informação descodificou um pouco mais. E, ao fim de mais uns passos, entregou-me uma carta em que, no fim, tem um glossário, e, de repente, tudo fez sentido. E fiquei a saber onde é que ele estava quando escreveu, o que fazia, aquilo por que tinha passado, o que estava a pedir à minha bisavó. Fiquei comovida, deveras comovida. Uma parte de uma história que eu desconhecia, parecia estar a renascer aqui à minha frente. Mesmo as letras deitadas nas margens, tudo isso o Claude conseguiu descodificar. E mais: reconstituiu o percurso provável e como se terá deslocado (do Algarve até Lisboa e de Lisboa até Buenos Aires e depois até mais abaixo) e ainda me sugeriu, caso eu quisesse saber mais, quais os endereços dos arquivos argentinos que me poderão fornecer mais informação. Uma coisa incrível. No espaço de minutos. E a forma como interagiu comigo e o que escreveu... parecia uma pessoa a perceber a peça sensível que ali estava. Dizem que o Claude ainda não tem consciência (embora haja já quem o questione), que tudo não passa de um algoritmo a funcionar sobre modelos matemáticos sabiamente concebidos. Mas a minha opinião é que a consciência também se adquire. E portanto... Preparemo-nos para o mundo novo que está a nascer à nossa vista.

E, por este segundo exemplo, insignificante exemplo, veja-se o que isto é para historiadores, para investigadores, para arquivistas... o espantoso avanço nos trabalhos que isto permite. 

Veja-se ainda outra coisa: estas ferramentas ensinam-se a elas próprias. E, neste momento, em todo o mundo, milhões de pessoas, com as suas interacções, estão a ensiná-las. A sua curva de aprendizagem é brutalmente acelerada, imparável. As consequências disto, boas ou más, ainda estão para ser compreendidas.

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Desejo-vos um belo dia

sábado, janeiro 24, 2026

Colbert. Stephen Colbert.

 

Ai, liberdade, liberdade... Os Estados Unidos eram o grande país da democracia e da liberdade, uma nação salvaguardada de delírios e derivas totalitaristas através daquele mecanismo dos checks and balances.

Eram. Passado.

Afinal o edifício era demasiado frágil. Em poucos meses, um louco encartado, um narcisista maligno a quem a demência arruinou os filtros e que agora se exibe ao mundo com todos os tiques de um ditador malcriado, estúpido, ignorante e pérfido, destruiu grande parte das salvaguardas.

Quem ousa chamar a atenção para o disparate em curso é intimidado, perseguido, processado, tentativamente aniquilado.

Mas tem tido pela frente nomes grandes da comunicação social que não se têm deixado intimidar.

Stephen Colbert é uma dessas figuras. Com uma graça, um sentido de humor e uma coragem notáveis, noite após noite (até ser afastado, o que acontecerá dentro de um par de meses, como já foi avisado) ele diverte-se à brava. E eu divirto-me com ele.

Repressão na Late Night TV: FCC avança contra Kimmel e Colbert por entrevistas a candidatos políticos

Stephen Colbert está novamente em fuga da polícia, uma vez que Brendan Carr, da FCC, anunciou uma iniciativa para reforçar regras que suprimiriam a visibilidade dos candidatos políticos nos talk shows das grandes estações.

quinta-feira, novembro 20, 2025

Votação sobre os arquivos de Epstein é uma grande derrota para Trump | "Cala-te Piggy" | Melhores Amigos Ditadores | Um McDonald's Voador
-- The Late Show with Stephen Colbert --


Está o mundo dependente dos desvarios de um maluco... 

Parece-me sempre um filme cómico tal a dimensão dos dislates, tal o desbocado abandalhamento demonstrado ao mais alto nível, tal o permanente despropósito.

Claro que é um maná para os programas de entretenimento. 

Tal como Colbert anunciou quando foi avisado da suspensão definitiva do seu programa creio que em Março do ano que vem, cometeram um erro: deixaram-no vivo. Portanto, completamente solto e descomprometido, Colbert ri de gosto com as proezas do palhaço cor de laranja.

Vejam porque, no meio disto tudo, temos que concluir que seria mesmo de gargalhada não fossem os insultos, as ameaças, a crueldade, a aleatoriedade, o permanente desrespeito, as decisões estúpidas e contraditórias, a descarada corrupção de Trump. O fulano está doido e ninguém o interna.

Epstein Files Vote Is A Huge Loss For Trump | "Quiet Piggy" | Dictator Besties | A Flying McDonald’s

Toda a conversa sobre Jeffrey Epstein parece estar a afetar o presidente Trump, que se comportou de forma repugnante com uma repórter a bordo do Air Force One. Talvez se tenha entusiasmado hoje ao receber o líder da Arábia Saudita na Casa Branca e proferir um discurso de uma hora numa convenção da McDonald’s.


sábado, novembro 01, 2025

Em noite de Halloween... que entre Hannibal Lecter... Fssss-fsss-fssssss...

 

Se há actor por quem nutro grande admiração, ele é Anthony Hopkins. Há mais, claro, mas é dele que quero aqui falar. Todos os filmes em que o vi me deixaram uma forte impressão. Parece que há qualquer coisa de muito íntimo entre ele e os personagens que desempenha.

Contudo, se há papel em que se transcendeu de forma absoluta e que para sempre lhe ficará associado é o de Hannibal Lecter, o criminoso em série, canibal, sem remorsos, sem consciência. 

A sua voz que modelava a ameaça velada e ciciada através do silêncio, a sua perspicácia cortante, tudo ali assustava. Estar perante alguém tão demoníaco deve ser aterrador e nós, no conforto da sala de silêncio, sentíamos o medo que aquele coração gelado e aquela mente perversa destilava.

Colbert apresenta uma entrevista que lhe fez, e é um prazer vê-los à conversa. 

Anthony Hopkins revela como a sua intuição, o seu conhecimento intrínseco dos meandros mais primitivos da mente (os mecanismos do medo, por exemplo) e algumas fontes de inspiração serviram para compor o personagem. E é um prazer assistir a isso.

Sir Anthony Hopkins, As Hannibal Lecter, Can Make Any Classic Movie Line Sound Terrifying

O vencedor de um Óscar, Sir Anthony Hopkins, revela que personagens de filmes influenciaram a sua interpretação de Hannibal Lecter em "O Silêncio dos Inocentes" e aceita o desafio de Stephen de ler algumas frases famosas do filme como o célebre assassino em série fictício.

Não vou aqui partilhar todos os vídeos dessa entrevista mas não posso deixar de aqui colocar o seguinte. O tema não é apenas o do 'grande segredo' mas essa parte, o da finitude, é muito interessante. Diz ele que já viveu muito, nunca esperou chegar até aqui, que está tudo bem, já não tem medo. E ninguém escapa. Por isso, quando o momento chegar, que chegue. Tema complexo para toda a gente mas é agradável ver alguém a falar disso a rir, sem drama.

"One Day I Will Learn The Big Secret" - Sir Anthony Hopkins Says He's Too Old To Fear Death

A entrevista de Stephen Colbert à lenda de Hollywood, Sir Anthony Hopkins, dividida em quatro partes, termina com uma conversa sobre ser o ator mais velho a ganhar um Óscar e porque é que, aos 88 anos, superou qualquer medo da morte. As suas memórias, "We Did OK, Kid", estão disponíveis.

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E estamos em Novembro. O tempo corre. Os dias estão mais pequenos. 
E as lojas já mostram os enfeites de Natal. 
Vita Brevis. Tempus fugit.

Dias felizes

quinta-feira, setembro 25, 2025

Uma lição sobre como fazer -- ou o que o Governador Gavin Newsom está a fazer para tentar recuperar a influência dos democratas e derrubar o populismo fascitóide de Trump
-- 3 vídeos rigorosamente a não perder --

 

Por delicadeza, deixamo-nos matar. Pelos nossos santos princípios, não descemos ao nível dos que os não têm. Por orgulho, recusamo-nos a lutar com as torpes armas daqueles para quem tudo serve. Somos assim. Democratas, democratas liberais, empáticos, intelectualmente honestos, sérios. Puros.

Em Portugal, nas últimas legislativas, o PS foi na enxurrada do populismo e passou para terceiro lugar, tendo um partido que não é nada senão um bando de oportunistas dos quais uns tantos são delinquentes, passado para segundo lugar. Todos os demais partidos à esquerda do PS tornaram-se marginais, irrelevantes. O Livre ainda tenta lutar mas ainda não conquistou a massa crítica que lhe permita sequer fazer ondas.

E, no entanto, está à vista de todos a porcaria que é o Chega. Porcaria. O rebotalho da sociedade. E, apesar disso, uma parte significativa dos eleitores votou neles. Sendo certo que objectivamente o Chega não tem nada para oferecer à grande maioria dos seus votantes (segundo um estudo de que ouvi recentemente falar, jovens dos 18 aos 24 e gente desqualificada e de baixos recursos) e, pelo contrário, é um risco para a democracia, qualquer partido com um mínimo de responsabilidade deverá ter como objectivo devolver à população a confiança em valores humanistas, democráticos, inclusivos, abertos ao desenvolvimento e à modernidade. 

O PSD também está numa encruzilhada. Sem a ancoragem ideológica e o historial cultural e de defesa da liberdade e da democracia que o PS, o PSD nasceu e cresceu como um partido de poder, atraindo chico-espertos de todas as proveniências, yuppies, gente ambiciosa (o que não é forçosamente mau, mas que, muitas vezes, ambiciona o sucesso rápido demais e, se possível, recorrendo a optimizações fiscais) e agora, encostado às boxes pelo Chega, anda aos esses, ao pé coxinho, às apalpadelas, parece que sem rumo.

Face a este panorama, o que me parece é que é tempo para que quem tenha convicções democráticas, quem preze a liberdade, o humanismo, o desenvolvimento e a modernidade se chegue à frente e lute com energia. Sem medo.

O que se passa nos Estados Unidos, com Trump e com os MAGA, deveria servir de exemplo para os riscos tremendos que todos corremos. Da democracia ao fascismo, com o apoio do voto popular, é um pequeno passo. Mas se isso é verdade, não é menos verdade que Gavin Newsom também poderá servir de exemplo para a forma criativa, vigorosa e corajosa como se pode lutar. Ele ouve os que estão do outro lado, ele aprende com os métodos dos adversários, ele desbrava caminho, ele enfrenta críticas, ele conhece os mecanismos mentais dos eleitores dos outros, ele percebe os seus anseios e os mecanismos do medo e da crença irracional -- e vai em frente. 

Nos vídeos abaixo, ele explica o que tem feito. Colbert dá-lhe palco e ele, de A a Z, explica o que tem feito. Muito vivamente sugiro que vejam os três. Talvez o último seja o mais emotivo, o mais perturbante,

Tomara que o sigam, tomara que seja bem sucedido, tomara que os Estados Unidos deixem de ser a vergonha que agora são. E tomara que os partidos democráticos dos outros partidos aprendam com ele. 

We Put A Mirror Up To The Absurdity Of Donald Trump - How Gov. Newsom Got Under The President’s Skin

California Governor Gavin Newsom comments on his use of social media to beat the president at his own game, and argues that Democrats as a whole need to go on the offensive now before it’s too late.


“I Fear We Will Not Have An Election In 2028 Unless We Wake Up” - Gov. Gavin Newsom

California Governor Gavin Newsom issues a stark warning about President Trump’s efforts to “rig” the 2026 midterm elections, and what it could mean for 2028

California Will Now Require ICE Agents To Show Their Faces - Gov. Gavin Newsom

California Governor Gavin Newsom explains the state’s new law that bans members of President Trump’s ICE force from concealing their identities while on duty.
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[E que belo pedaço de homem que ele é... não...?]

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Um dia feliz para todos

quarta-feira, julho 30, 2025

Beyoncé responde a Trump

 

Como um bicho atordoado, desatinado, descerebrado, sentindo-se acossado -- com revelações sobre o seu envolvimento no escândalo Epstein a rebentarem como pipocas, em todo o lado, a toda a hora --, Trump vira-se para onde calha e atira ao acaso. 

Ultimamente, para além dos disparates habituais e dos insultos e desconsiderações a adversários políticos ou a gente da televisão (Colbert, Kimmel ou Fallon, por exemplo), deu-lhe para lançar acusações sobre Beyoncé e sobre Oprah a propósito do apoio que publicamente deram a Kamala Harris aquando das eleições, pedindo a sua acusação. Imagine-se o nível a que o desvario já chegou.

Mas se alguns engolem em seco e tentam seguir em frente, outros há que, como foi o caso de Colbert, tiraram as luvas e agora é às escâncaras e sem meias palavras, ou como Beyoncé, que, no programa de Colbert,  é vista num vídeo, colagem de vários momentos dos seus clips, que é, todo ele, uma gargalhada na cara do camelo-mor.

Beyoncé responde ao Presidente Trump

Will President Trump succeed in his latest attempt to distract attention from the Jeffrey Epstein scandal?


Que a democracia consiga sobreviver -- nos EUA e em todos os lugares em que é ameaçada

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Dias felizes

domingo, julho 20, 2025

Colbert, Stephen Colbert

 

Poderia dizer que sou sua admiradora incondicional, assídua espectadora, mas que tem isso de especial? Como eu, tanta e tanta gente. A sua graça, a sua contundência, a sua inteligência, o seu sentido de humor e a forma divertida com que diz o que diz, tornam-no o melhor dos melhores. Como muito bem sabe quem o acompanha, Trump é uma permanente fonte de inspiração para Colbert. Imita-o, repete o que ele diz evidenciando o ridículo de tudo aquilo, desmonta as aldrabices, ridiculariza as fanfarronices, expõe os narcisismos, diverte-se e diverte-nos. 

Implacável, irreverente. E corajoso.

Muitas vezes eu pensava: enfim, do mal o menos, pelo menos pode falar à vontade, pode expôr a fraude que é Trump.

Até agora. Transcrevo:

CBS cancela “The Late Show” de Stephen Colbert em 2026 - Um programa líder de audiências, mas crítico do Presidente norte-americano, chega ao fim depois de dez anos no ar

Mas pode ser que o tiro lhes saia pela culatra: pode acontecer que Trump caia antes dele (aposto nesta hipótese) ou, se isso não se verificar, pode acontecer que a partir de 2026 Colbert esteja ainda mais livre, mais desencabrestado, mais acutilante (se é que isso é possível pois ele já é superlativo a todos os níveis) num qualquer outro lugar.

Trump está em acelerada trajectória descendente. À medida que o cerco aperta, vai-se tornando mais errático, mais destrambelhado (ie, destrumpelhado), mais alucinado. Também mais autoritário, mais vingativo, mais imprevisível. As aldrabices, completamente aleatórias, descabidas, desnecessárias, vão acabar por por enterrá-lo. E o tema Epstein ameaça submergi-lo.

Não faço ideia de quantas vezes aqui partilhei vídeos do Colbert, quer das entrevistas, quer do sempre fantástico monólogo inicial. Hoje transcrevo um, recentíssimo, que mostra bem do que é capaz (extraordinário no conteúdo, quer na forma).

Trump To MAGA: Don’t Talk About Jeffrey Epstein | Three Missing Minutes | The Unabomber’s Professor

President Trump lashed out at supporters who want him to release Jeffrey Epstein’s client list, Stephen digs deeper into the mystery surrounding Epstein’s death, and the president continues telling a weird lie about his uncle John Trump and Ted Kaczynski. 


Também transcrevo:
Stephen Colbert brings his signature satire and comedy to THE LATE SHOW with STEPHEN COLBERT, the #1 show in late night, where he talks with an eclectic mix of guests about what is new and relevant in the worlds of politics, entertainment, business, music, technology and more. Featuring bandleader Louis Cato and “THE LATE SHOW band,” the Peabody Award-winning and Emmy Award-nominated show is broadcast from the historic Ed Sullivan Theater. Stephen Colbert took over as host, executive producer and writer of THE LATE SHOW on Sept. 8, 2015.

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Claro que o anúncio do fim do programa caiu como uma bomba. Mais do que uma injustiça, parece ser o prenúncio de um futuro que ameaça ser sombrio.

Trump, Late Night Hosts React To Colbert Cancellation

 

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Com tudo isto, daqui até Maio esperam-se hilariantes e demolidores monólogos. Trump deve ir aos arames, deve espumar, deve ranger os dentes, deve arrancar as unhas, rebolar no chão.

Too Hot For Booze? | Trump’s Hand | Epstein Intrigue Continues | The Coca-Cola Distraction

A heat wave is baking most of the continental U.S., President Trump has a mysterious wound on his hand, and the MAGA world is not ready to forget about Jeffrey Epstein’s client list despite the president’s effort to distract them with a big announcement about Coca-Cola. 


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Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, junho 08, 2025

Vá, força, make my day -- desafia Musk, dirigindo-se a Trump

 

É com perplexidade, mas uma perplexidade existencial, que assisto ao expectável: a zanga entre Trump e Musk. E pode parecer um paradoxo (e é) mas o facto de eu (eu e creio que toda a gente) antever que aqueles dois não iriam conseguir aturar-se durante muito tempo não significa que imaginasse a violência, a intensidade e a exposição pública do desentendimento.

-  Ter um fulano que é um narcisista extremo, um mentiroso compulsivo, com um poder quase ilimitado, a ser contestado, publicamente desafiado, publicamente humilhado não pode ter boas consequências.

-  E ter o fulano mais rico do mundo, com um poder também brutal, um fulano assumidamente com a síndrome de Asperger e que condimenta o seu comportamento com um cocktail de drogas que conflituam entre si, a sentir-se atacado, prejudicado e ameaçado pelo outro também não pode ter boas consequências.

Pensar que o país mais poderoso do mundo está entregue a pessoas de tal forma perturbadas, mentalmente nada sãs, assusta. Tem que assustar.

Até um certo ponto, a estupidez, o disfuncionamento, a aberração, o permanente disparate conseguem prestar-se à paródia. É tudo tão ridículo e impensável que os criativos se sentem inspirados: há anedotas, memes, vídeos humorísticos, tudo em catadupa. É raro o dia em que os meus amigos não partilham piadas sobre esta dupla. Mas tudo deixa de ter graça quando a linha vermelha da decência é pisada. Aí, as ameaças explodem è vista desarmada deixando que todo o mundo perceba a fragilidade do mundo. Milhões de pessoas à mercê da vontade de doidos varridos. 

Havia casos delirantes como o Kim Jong-un, um caso com o seu quê de pândego. Depois ficou claro o delírio imperialista e psicopata de Putin. Já conhecíamos o narcisismo de Trump durante o seu primeiro mandato. Mas o delírio de que o seu narcisismo agora se reveste, o espírito revanchista, também imperialista, o desprezo absoluto pelos outros e pela verdade e o apoio a assassinos  são assustadores. Já não há um único maluco capaz de pôr o mundo em risco. Agora há vários.

Musk, sob o efeito de drogas, destravado, sem ter quem o segure, a desafiar Trump, sabendo-se o poder da sua rede social, o X, o imenso poder aeroespacial, a sua imensa fortuna, tudo deixa perceber como todos somos frágeis, indefesos, sem mecanismos para nos defendermos quando o país em que se vive está à mercê de pessoas assim e quando o mundo, todo ele, de uma maneira ou de outra, pode depender de decisões de qualquer dos malucos com um poder tão imenso como Trump ou Musk detêm.

Há uns anos eu acharia que tudo isto seria impossível. Não acreditava que Trump voltasse a ser eleito. Não acreditava que um qualquer Musk pudesse pagar eleições, e pagar a quem votasse como ele queria, nem acreditava que a um qualquer Musk fosse concedido um poder tão total e tão descontrolado como o que Trump lhe atribuiu. Da mesma maneira, não acreditava que a Rússia invadisse à bomba um país livre e independente e muito menos acreditava que ninguém conseguisse detê-lo. Nem acreditava que um fulano tão incredível como Netanyahu pudesse continuar à frente de Israel depois de tudo o que tem acontecido, uma insegurança vergonhosa em toda a região e um genocídio tão brutal que envergonha qualquer ser humano.

Julgava eu, até há não muito tempo, que o mundo caminhava para melhor, para ser um lugar de paz, de desenvolvimento e sabedoria, um lugar inclusivo e feliz. Afinal o que vejo é que parece que estamos a andar para trás, para o tempo das trevas.

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Partilho alguns vídeos que ilustram o momento absurdo que atravessamos.

Lawrence: Trump humiliated globally while Musk live-tweets Trump's Oval Office 'stupidity festival'

MSNBC’s Lawrence O’Donnell details how the escalating battle between Donald Trump and Elon Musk over the Republican budget bill now turning personal is the “world's two craziest and most dangerous rich people each trying to find the way to destroy the other.”


Musk-Trump Feud Goes Nuclear | DHS's 22-Year-Old Terrorism Chief


‘It never ends well for anybody’: Michael Cohen on Trump and Musk’s fallout

President Trump told NBC News Saturday his relationship with Elon Musk is over after the two had a public disagreement over Trump’s domestic agenda. Michael Cohen, who had his own falling out with Trump, says Trump is motivated only by self-interest. “It's the lean in by Trump, the whisper, and then that gaze into your eyes where you think that he's looking at you. No.” He continued, “What he's looking at is his own reflection in your pupils.”



Trump used Musk 'magnificently': Kara Swisher makes a prediction on friendship fallout

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Apesar de tudo, desejo-vos um feliz dia de domingo

quinta-feira, abril 17, 2025

Sobre a mais recente ingerência do Ministério Público numa campanha eleitoral não me apetece cansar a minha beleza.
O que é que move aquela malta: é um ódio rebarbado ao PS ou estão a soldo de alguma força que quer destruir a democracia? Ou é, simplesmente, gente perturbada?
Não sei e gostava que alguém bem informado nos explicasse esta grande pancada.
Entretanto, para não falar nisto, vou antes falar num outro maluco encartado.
Trump quer ficar mais uma carrada de anos mas, cá para mim, os americanos arranjarão maneira de se livrar dele mais dia menos dia

 

Ou os bilionários que lhe pagaram a campanha ou os tribunais que ainda funcionam ou os estudantes em peso ou a malta que deixe de conseguir pagar o básico ou os democratas que, vitaminados pelo jovem Bernie Sanders e pela carismática Alexandria Ocasio-Cortez, acordem para a vida e façam levantar a indignação ou todos juntos conseguirão afastar a besta que está à frente dos Estados Unidos.

Hoje, no ginásio, enquanto estava a fazer a passadeira, ia olhando para a televisão onde passava o estupor a dizer as maiores alarvidades -- e pensava que o mundo é mesmo um lugar deveras perigoso para que aconteça a irracionalidade de milhões de pessoas terem votado numa besta daquele calibre, apesar de tudo o que já se conhecia dele.

Mas, enfim, não consigo acreditar que a situação de caos que Trump criou se consiga manter por muito mais tempo. É que ainda por cima, irracional como um animal burro e desencabrestado, torna a ordem mundial completamente imprevisível. 

Entretanto, toda a gente que goze com ele é bem vinda, seja nos Estados Unidos seja no resto do mundo.

“Billionaires Are Actually Good” - Stephen Colbert feat. Alan Cumming

Stephen Colbert performs a special song for the richest people in the world, in the hopes of getting them out of our lives for good. Special thanks to Alan Cumming for hopping on the track!  

Fees, Fees, Fees, - A Randy Rainbow Song Parod


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Seja como for, recomendo a leitura de:

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

É que é tudo tão estúpido que até quase dá vontade de rir

 

Podemos ficar estupefactos, estarrecidos, perplexos com o monte de decisões parvas, absurdas, ridículas, ingratas, mesquinhas, maldosas, podemos pensar que não dá para acreditar, mas a verdade é que está tudo a acontecer, está mesmo.

O que vale é que, pelo menos, quem faz paródia não é atirado pela varanda ou envenenado.

Trump's Destructive Weekend | Canada Is Booing Us | Tariffs Will Cause "Pain" | Going Back To 1913

Buckle up as Stephen Colbert goes through the laundry list of disastrous moves made over the weekend by President Trump, which included slapping tariffs on Mexico and Canada and giving Elon Musk access to the Treasury Department's payments system. 



sexta-feira, janeiro 10, 2025

Diane Morgan: Philomena Cunk adoraria entrevistar Elon Musk.
E eu adoraria ver.
Mas, por enquanto, fico-me pela descrição do meu dia na capital

 

Hoje o nosso programa de festas levou-nos para os interiores da capital. 

Nado e criado em Lisboa e toda a vida aí tendo trabalhado e eu própria tendo ido viver para Lisboa com 17 anos e tendo igualmente trabalhado aqui até há pouquíssimo tempo, tendo ambos que circular, frequentar e estar por dentro dos circuitos da cidade durante toda uma vida, vemo-nos agora incomodados com o trânsito, com o estacionamento, com a barafunda dos dias úteis.

Ia eu a andar e diz-me o meu marido: 'Olha lá, não estás ao pé de casa, não podes andar no meio da rua ou atravessar sem ser nas passadeiras ou sem que o semáforo esteja aberto'. E, de facto, até parece que estava esquecida. Como se morasse na província, longe de carros e confusões, e nunca tivesse andado no meio de Lisboa, ali estava eu, completamente descuidada.

Mas isto de andarmos ali a pé foi quando tínhamos conseguido encontrar onde deixar o carro.

Tínhamos ido confiantes para o local onde tínhamos o nosso compromisso, sabendo que, se não encontrássemos lugar por lá, teríamos sempre o grande parque ali perto. Pois, pois. Lugar na rua nem vê-lo, tudo, tudo, tudo cheio. Dirigimo-nos ao parque. 'Completo'. Ficámos estupefactos. Como o parque é grande e tem várias entradas, pensámos que talvez numa outra ponta tivéssemos mais sorte, até porque, entretanto, poderia ter saído algum carro. Pois, pois. 'Completo'. E com isto já estávamos a ficar em cima da hora. Por milagre, enquanto andávamos naquela demanda, saiu um carro e lá estacionámos. Um preço exorbitante. Afinal aquela deve ser das zonas mais centrais e mais caras de Lisboa. 

Esse assunto resolvido, lá fomos.

Muito restaurante novo, muita loja, muito movimento. E digo isto agradada. Uma vez mais me senti turista num território que deveria ser-me relativamente familiar.

E sendo hora de almoço, íamo-nos cruzando com as pessoas saídas do seu trabalho, aceleradas, outras conversando entre amigos, aquele movimento pleno de ocupação de quem vive essa rotina diária. 

Gostei de ver e lembrei-me de como até há tão pouco tempo eu também andava sempre apressada, querendo rentabilizar todos os minutos. Agora senti-me uma mera observadora e tive vontade de estar com máquina fotográfica a captar o bulício cosmopolita, pois aquele é todo um mundo, com os seus padrões.

Depois do demorado e excelente almoço, passeámos por ali. Às tantas lembrei-me de ir dar uma espreitadela a um dos grandes centros comerciais que ali marca a geografia. Dirigi-me para a porta por onde costumava entrar. Não encontrei. Era a porta de um banco. Não percebi. Dirigi-me para a porta principal. Era a porta do mesmo banco. Tudo aquilo agora é o banco, o centro comercial evaporou-se. Se calhar isso já aconteceu há algum tempo mas ou tenho andado distraída ou só se vê aquilo que se quer ver. Não sei.

Assim como assim, depois de passearmos por ali, ao passar por uma Zara com letreiros de saldos, não resisti. E não resisti a uma camisa/casaco altamente colorida, uns brincos gigantes e altamente aparatosos e uma coisa que creio ser uma pulseira com uma flor gigante. Não preciso de nada disto, claro. Mas a moda é assim mesmo, a atração pelo inútil.

Só que é mais do que isso. Quando eu era miúda, gostava de usar roupas coloridas e adereços vistosos. Mas pouco havia disso, com excepção do que se arranjava nos Porfírios. Mas muitas vezes, diziam-me que eu ainda não tinha idade para usar coisas assim. Depois, já devia ter juízo para usar coisas assim. Depois, não eram coisas apropriadas para ir trabalhar assim. Depois já não tinha idade para coisas assim.

E agora atingi o estado de espírito em que me dá igual. Se gosto de uma coisa, seja altamente colorida, altamente vistosa, altamente exuberante, uso e quero cá saber se alguém acha ou diz o que quer que seja.

Depois fui ter com o meu marido. Vi-o de longe. Estava perto do carro a tentar descobrir-me, certamente receoso de que eu não conseguisse dar com o carro ou me tivesse 'perdido' e recaído ao consumismo.

E, por fim, mais para a tarde, apanhámos um trânsito absurdo e voltámos a lembrar-nos das muitas horas de vida que perdemos em infinitas filas (horas? dias! meses! anos de vida).

Com isto tudo, claro que agora não me apetece falar de temas concretos ou sérios. Aliás, estou com um sono tramado, até parece que fiz uma grande expedição.

Mas não quero ir-me sem partilhar convosco esta entrevista da extraordinária Diana Morgan (que diz que tem 99% de Philomena Cunk) a Stephen Colbert. Uma graça. 

Haja humor. Gente inteligente com vontade de rir (mesmo que sabendo conter-se) é uma lufada de ar fresco.

Diane Morgan: Philomena Cunk Would Love To Interview Elon Musk
The Late Show with Stephen Colbert

Diane Morgan, who plays the brilliant documentarian Philomena Cunk on her show, "Cunk on Life," says Elon Musk is at the top of her interview wishlist. "Cunk on Life" is streaming now on Netflix. 


quarta-feira, outubro 23, 2024

Escrever

 

Já aqui o confessei: nunca li nenhum livro de Stephen King. Basta serem best sellers para eu dar um salto atrás. Reconheço: tenho os meus preconceitos. Depois, o género terror ou fantástico envolvendo fenómenos paranormais também não me atrai e tenho ideia que os livros dele são assim. Se calhar, estou a ser influenciada pelas capas. Acho que nem nunca folheei algum, No entanto, algum mérito deve ter para se vender como vende e para ter várias obras adaptadas a cinema.

Quando aqui falei nisso, o Leitor Moraisalex comentou e deixou-me curiosa

Por isso, quando a Rosário Pedreira recomendou o livro Escrever, memórias de um ofício, achei que seria um bom livro para começar. 

E se já aqui referi que estava a lê-lo de forma corrida na parte autobiográfica, agora é mesmo com prazer que leio a parte da escrita (recomendações práticas, o seu exemplo, como transforma vivências reais em enredos, etc). 

Na componente biográfica tinha sido muito evidente a sua fantástica franqueza. Sem lamechice, sem moralismo, sem autopiedade, de forma muito linear e pragmática falou das dificuldades por que passou, falou do seu alcoolismo e da sua dependência de drogas e da forma como saiu de qualquer das provações. E agora na parte da escrita é puro gozo. E falo em gozo pois para ele escrever é um prazer, um divertimento, uma alegria. Não há dramatismo, não há angústia. Não há ortodoxia, não há arrogância. Há trabalho, persistência, humildade e há prazer.

A forma como fala da gramática seria muito bem acolhida pelos meus netos que se queixam do que lhes ensinam como se fosse matéria destituída de interesse. Aposto que aulas dadas por alguém que tenha uma abordagem como a dele, com exemplos comparativos, seria pura diversão da qual dificilmente se esqueceriam.

A par do que vai falando de gramática, do vocabulário e daquilo a que se poderá chamar a arte ou a inteligência criativa, Stephen King vai exemplificando com parágrafos ou pequenos excertos de escritores que todos conhecemos, desde os clássicos aos actuais, desde os consensuais ou mais marginais.

À medida que vou lendo vou assinalando as páginas em que há passagens que me parecem relevantes. Tinha até pensado transcrever algumas delas. Mas são muitas. Tenho preguiça... Se puderem comprem o livro pois vale bem a pena.

Por isso, vou antes partilhar dois vídeos em que dá para apreciar o seu estilo.

Stephen King Reveals His Top Five Stephen King Stories


What Ya' Readin'? with Stephen King


sábado, setembro 21, 2024

Em complemento do post abaixo, mais provas da tremenda estupidez e da mais absoluta falta de vergonha de populistas como Trump e seus seguidores, nos States, em Portugal e por todo o lado onde eles andam

Ou quando dois grandes comunicadores se juntam

 Anderson Cooper conversa com Stephen Colbert

"I Didn't Know That Porn Sites Had Comments Sections" - Anderson Cooper Reacts To Mark Robinson News


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Quando alguns parvalhões acham normal que, para chamarem a atenção para algumas cenas, se inventem histórias

 

Quase me apetece dizer que isto é o fim dos tempos ou que é bater no fundo ou que mais vale ir dar banho ao cão. Mas, vá lá, vamos manter a calma. Vamos esperar que isto se vá auto-regulando, que por cada anormal que apareça se descubra que as pessoas que não lhes ligam patavina ou que desmontam a sua vã retórica são muito mais. E vamos esperar também que a humanidade arranje maneira de se autoproteger. E que, no meio das maiores macacadas, apareça sempre quem descortine maneira de fazer humor.

J.D. Vance Admits He Lied To Get Media Attention

(Lassie will have her revenge)


quinta-feira, setembro 12, 2024

Sempre me pareceu que a maior arma contra os narcisistas, em especial os psicopatas, é o humor.
Gozar com eles, tirar-lhes o tapete, pô-los a ridículo, fazer com que exponham a sua prosápia, a sua bazófia, mostrar que são sacos de vento, que dentro deles apenas têm o próprio ego, um ego inflado, desmesurado.
E este Trump mostrou (uma vez mais) que, além disso, é parvo, um estupor, um trapaceiro, um bocas, um aldrabão, um desavergonhado.
Mas nada como gozar com eles, rir deles à cara podre, fazer com que toda a gente perceba que anormais assim não podem ser levados a sério

 

A ver. É um tema que, sob qualquer ponto de vista, tem a ver connosco.

Monólogo AO VIVO: Harris irrita Trump | Comer cães e gatos | O apoio de Taylor Swift a Kamala

Stephen Colbert delivers his LIVE monologue following the first debate between VP Kamala Harris and former president Donald Trump.


Jon Stewart aborda o debate de Harris e Trump e o que isso significa para a eleição 
 | The Daily Show

Jon Stewart goes live after the first presidential debate between Kamala Harris and Donald Trump. Filled with face-offs over abortion access, border control, and for some reason eating cats? Jon breaks down what this all means for the election


sábado, julho 27, 2024

The man is back!!!!!!
Colbert em grande forma.
Trump dá-lhe uma pica que dá gosto ver.

 

Os troca-tintas do Governo Montenegro parecem-me pueris, coisa de saloios que se acham espertos. Não se percebe ao que andam, sempre a quererem passar por autores das medidas do Governo anterior, sempre a fazerem ameaças ou chantagens ao PS não se percebe bem a que propósito, outras vezes a fazerem anúncios de cenas que a gente vai ver e são coisas para daí a um ou dois anos. Ainda não percebi se é um bando de totós ou se ainda não caíram na real. Também ainda não percebi se aquela é uma turminha mesmo de repetentes, de calinas e de broncos ou se são os maus que são tão maus que infectam toda a turma.

Mas, porque isto é tudo um bocado mau de mais, não consigo prestar-lhes muita atenção. 

Por isso, a nível de televisão, preferi ver a abertura dos Jogos Olímpicos e, tirando isso, nada. Depois, estive a ver coisas relacionadas com as eleições nos Estados Unidos. E se eu não perdia o Colbert durante a administração Trump, agora voltei a não perder as suas intervenções. Fantásticas.

Ele delira com as alarveirices de Trump e tropa fandanga associada. Fica inspirado. Diverte-se e diverte-nos. 

E, para ele, Kamala vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos. Eu também acredito nisso.

Harris: We Are Not Going Back | Why Did Trump Pick Vance? 
| Fox News Is Grasping At Plastic Straws

Vice President Kamala Harris is already landing effective blows against Trumpism on the campaign trail, Republicans are regretting Trump's choice of running mate, and the folks at Fox News are finding it hard to criticize Harris for her policies.

quarta-feira, novembro 09, 2022

With or without you

 

Bono já é sexagenário. O jovem que se pressentia algo frágil sob a capa de tough guy, com aquela voz capaz de percorrer todas as emoções no mesmo fio de voz, é agora um homem que transporta na forma como canta, no rosto e em todo o corpo as marcas da vida preenchida que tem vivido.

Não consigo escolher uma canção. Gosto de muitas. Gosto muito dele a interpretá-las. Não sei se é ele que dá corpo às canções, se são as canções que se afeiçoaram a ele.

Aqui, no vídeo abaixo, ele interpreta With or witout you mas antes diz palavras de Surrender: 40 Songs, One Story, o seu livro de memórias. Mas di-las de uma maneira que nos leva a percorrer com ele, com extrema delicadeza, os momentos de que fala. 

Ouço e ouço, encantada. Ouço e fico com vontade que ele continue a deslizar pela memória, a cantar, a enlevar-me.


E aqui está ele, e quase parece que foi ontem (é um lugar comum, bem sei, mas é o que me parece), jovem e certamente sem saber que 35 anos depois aquela canção seria quase um hino, quase uma sua segunda pele


E até já

quinta-feira, março 03, 2022

A extraordinária resistência civil ucraniana. Trincheiras erguidas por voluntários. Soldados russos abandonam os veículos a largam equipamentos e uniformes. Tanques russos ficam sem combustível. E, finalmente, o que diz Colbert de tudo isto.

Чрезвычайное русское гражданское сопротивление. Окопы, сооруженные добровольцами. Российские солдаты бросают машины и сбрасывают снаряжение и обмундирование. В российских танках закончилось топливо. И, наконец, что обо всем этом говорит Кольбер.

 

Pode ser que sim, que o mundo viva assente, em equilíbrio instável, em dois pilares de interesses contrários que se merecem: os que já antes disputavam entre si os destinos do mundo. 

Tínhamos a União Soviética e temos os Estados Unidos. Quebrou-se a União Soviética e a Rússia, qual cabeça de casal da herança, assumiu o papel que antes tinha a União Soviética. 

No meio existem peões, palcos de guerra, locais em que os senhores da guerra dão vazão ao armamento para que as fábricas continuem a trabalhar, dinheiros muitas vezes 'protegidos' em offshores, existem refugiados, estropiados, existem possíveis alvos (como nós).

Do lado dos Estados Unidos foram mudando os presidentes, foram-se cometendo erros, crimes (Iraque, por exemplo). Outras vezes o clima distendeu-se, os ímpetos belicistas esmoreceram, quase pareceu que os tempos da guerra fria tinham ficado para trás.

Do lado da Rússia, Putin foi conseguindo ficar no poder e foi-se percebendo a sua nostalgia pelo domínio sobre territórios agora independentes mas antes soviéticos. O agente do KGB mostrou desde sempre que se vê como o macho alfa que vai levantar o orgulho soviético.

Há interesses do petróleo, do gás natural, do armamento em ambos os lados. Há actos censuráveis de ambos os lados. Mas a nível da política interna, há na Rússia de Putin uma apetência ditatorial que não existe, pelo menos de forma tão cruel e explícita, nos Estados Unidos.

Nem quando as tropas americanas estiveram presentes noutros países o fizeram de forma tão brutal, tão cega e prepotente como a Rússia está a fazer -- invadindo a Ucrânia, destruindo tudo, abatendo civis e destruindo edifícios residenciais e hospitalares, não respeitando nada à sua passagem, mostrando estar para matar até à capitulação da Ucrânia enquanto país. A barbaridade do que está a acontecer é impensável e imperdoável.

Até pode acontecer que neste mundo belicista em que vivemos -- a humanidade dependente de que um maluco carregue num botão e nos mande a todos desta para melhor -- seja prudente ter países buffer, neutros, almofadas entre os blocos, amortecedores. Pode acontecer que, entre os perigos fatais em que incorremos, seja prudente a Ucrânia não pender para um lado nem para outro. Mas, para isso, para obrigar a Ucrânia a não se proteger como pretende (acolhendo-se nos braços da Nato), a Rússia deveria obrigar-se a não beliscar as fronteiras da Ucrânia. Se a Ucrânia se quer manter una e indivisa, a Rússia (como qualquer outro país do mundo) deve respeitá-lo.

Seja como for, não se resolvem diferendos avançando sobre um país da forma grotescamente criminosa como Putin o faz. 

O mundo civilizado está contra a Rússia e isso é um consolo. Mas, na realidade, um fraco consolo. 

Os riscos são brutais, não nos enganemos. A resistência ucraniana é heróica, é comovente. Mas o poderio militar russo, sobretudo o aéreo, é suficiente para arrasar a Ucrânia. 

Pode, na Rússia, haver divergências internas, podem os oligarcas estar em recuo face à invasão, podem as sanções estar a ferir onde mais dói, pode isso tudo fazer Putin pensar duas vezes. Mas há caminhos sem recuo. Putin entrou nesse caminho. O macho alfa não vai recuar (a menos que alguém consiga obrigá-lo a isso). 

E há situações que podem desencadear uma escalada mais global. Entrar em espaço aéreo sem estarem autorizados a isso pode fazer com que exista uma retaliação que gere outra retaliação e, às tantas, as linhas vermelhas da guerra global estão a ser pisadas e um conflito de consequências ainda mais dramáticas pode alastrar a toda a Europa ou a todo o mundo .

Portanto, posso comover-me com a valentia ucraniana -- e comovo-me de cada vez que vejo a bravura desta gente e o sofrimento de outros tantos -- mas sou realista: os riscos para todos nós (todos -- ou seja, não apenas para o povo ucraniano) são muito grandes. E refiro-me a riscos de toda a ordem. Desde logo os económicos e os financeiros (que esses já são certos e temo que possam vir a ser pesados) mas também riscos de segurança. 

Já é lugar comum dizer que o mundo vai outra vez mudar depois deste crime que a Rússia tem em curso. Mas talvez não seja por ser um lugar comum que devamos desvalorizar esta perspectiva. 

A bem de todos, será bom que se encontre rapidamente uma solução para que possamos voltar a tempos de paz, pelo menos de paz aparente. Acredito que os serviços secretos de todos os países andem numa efervescência e que as diplomacias tentem encontrar pontes para o diálogo, isto enquanto os mais belicistas se babam com o excesso de testosterona que lhes corre nas veias. Não estou muito optimista, é o que posso dizer. Tocam as sirenes sobre nós.

[Fotografias genericamente daqui]

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Para melhor compreender a história da Ucrânia e as raízes da sua resistência, ler o texto de Guilherme d'Oliveira Martins: A resistência de um Povo

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Felizmente temos vídeos disponíveis para irmos vendo o que se passa. Aqui os vou partilhando para que fiquem pro memoria, pelo menos para mim, para a minha memória.




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The Met Chorus singing the Ukrainian national anthem before the opening of Don Carlo

(a day after the Opera announced it’s cutting ties with Pro-Putin artists)


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Paz na Ucrânia