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quinta-feira, janeiro 09, 2020

Hímen
[E não venham dizer que eu ontem não avisei que o João Habitualmente devia ser do caraças]


Aqui chegadas, a este antro de perdição, as almas sensíveis devem fazer uma de quatro: 
1 - Fechar os olhos
2 - Saltar para o post seguinte
3 - Fechar o computador
4 - Não fazer nenhuma das anteriores mas, a seguir, ir a correr rezar cem avé-marias
Agora que o aviso está feito, acrescento apenas que, não encontrando eu o livro que procurava, me dirigi à livreira: 'Por favor: tem o livro do João Habitualmente?' ao que ela, disfarçando que tinha ficado intrigada, indagou: 'Mas como é que se chama o autor?'. E eu 'João Habitualmente' e ela, achando que não estava a ouvir bem: 'Habitualmente?! É o nome dele?'. Não consegui ser assertiva: 'Acho que sim'. É que não faço ideia se é nome mesmo, se é nom de plume

Já cá o tenho. E é o que eu antevi quando o ouvi e vi na RTP. Um ganda maluco. Portanto: gosto.

E que não se pense que é tudo assim, como o hímen. Não é. Mas este caíu-me no goto. Salvo seja, claro. Melhor: caíu-me tudo no goto -- os poemas, o livro em si, o desgrenhado e desavergonhado autor.

Mas, então, vamos lá. Com vossa licença. 

A acompanhar o hímen (in 'Um dia tudo isto será meu'), uma fotografia de Robert Mapplethorp, a primeira, e outra de Man Ray, a segunda. E, para rematar, porque nada como umas notas de música para abrilhantar uma festa, Michelle Pfeiffer, a fabulosa.

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À laia de bolinha encarnada no canto superior direito : 👿



E a altivez agressiva desta pila
que rejubila e sobe para o céu?
Enrijece está tão hirta direi tesa?
e aponta para o hímen esse véu

E se a sua insistência altiva
te não cativa, Teresa

É como se esta vontade de me vir
não radicasse na zona genital
mas numa grande vontade de rir
ao olhar esse cu monumental


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E, a todos, desejo um santo dia.

domingo, dezembro 31, 2017

Nas despedidas de 2017, os meus votos de que acabe bem e que dê lugar a um ano melhor.
A todos os meus votos de boas saídas e melhores entradas.
Um bom 2018 a todos!




Já estou vestida a preceito para o reveillon. Se há momento no ano em que faço questão de me aperaltar é para receber o Ano Novo. Escolhi um vestidinho preto, sem mangas, decote redondo, justo e um pouco por cima do joelho, com uma barra de veludo ao alto. Pus um colar de pedras brancas e transparentes, várias pedras sobrepostas e entrelaçadas. Acho que dá brilho e um certo toque de glamour. Tenho meias pretas e sapatos de veludo pretos. Brincos discretos: um brilhantezinho, para atrair a luz.


Penso que o jantar vai ser bom. Jantar tardio à luz das velas, um bom vinho. Tem que ser. À meia-noite formularei os meus votos pessoais que, naturalmente, incluem todos os que me são queridos. A seguir, tentarei telefonar àqueles que estão a festejar noutras paragens. 


No dia 1, como habitualmente, voltarei a ter a casa cheia e hoje de tarde já adiantei alguns dos ingredientes para que, quando os comensais cheguem, tudo esteja pronto a comer. Sugeriram brunch e brunch será mas brunch bem aviado.


Este meu último dia do ano tem sido bastante bom e incluíu uma tarde passada in heaven. Ontem tinha andado rente ao mar. Portanto, despeço-me de 2017 com a memória bem fresca da maresia e dos perfumes do campo. Na medida do possível é isso que hoje partilho convosco. Não há sons nem cheiros nem o friozinho húmido nem o calorzinho quando raia o sol. Mas quem dá o que tem, a mais não é obrigad, cero...?


Finalmente temos alguma chuvinha e tudo está verde e viçoso, a terra macia e húmida, cheirando a fertilidade, os pássaros num concerto feito de alegria.

E estou em paz, a consciência limpa, tranquila. Mais um ano que vira a página para se ir acolher ao passado, mais um ano a começar e eu só espero que, para todos, seja um ano feliz, que chegue em paz e permaneça em harmonia.


E muita saúde e muita sorte a todos. E que a beleza e o amor vos envolvam.
Ia dizer 'afecto' mas arrepiei caminho não fosse parecer que estou a colar-me ao Marcelo-Pinga-Afecto. Não senhor. Gosto muito de afecto, abraços e beijinhos mas com conta, peso e medida. Não me agrada lá muito a incontinência afectuosa. Mas enfim, cada um é como é. E as melhoras a ele, ao nosso Presidente. E que o ano novo lhe traga algum comedimento que a gente já não aguenta tanta imoderação verbal e afectuosa.
Um abraço a todos! 




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Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
(...)

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.


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E que venha 2018 que cá estamos para o receber.

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2017 em 2 minutos
[Uma seleção de The Guardian com o toque de Cee-Roo]


Como já o disse no outro dia, eu não ouso. Balanços não são comigo. E, se nem a nível doméstico, muito menos a nível internacional. O mundo é um lugar grande demais para eu, ínfima e ignorante criatura, poder ter uma ideia sobre o que nele se passa, e um ano é tempo demais para eu poder abarcar todo o seu conteúdo. E se é verdade isso, não é menos verdade o contrário: que o mundo, aquele que conhecemos, é menos que uma quase invisível partícula de poeira vogando no infinito espaço que nos cerca e que um ano é nada na infinita linha de tempo. 

Por tudo isso, não me dou a importância de ousar contemplar o espaço e o tempo e fazer um best of.

Sei, isso sim, que algumas coisas me marcaram e sei também que o que a mim mais me marcou foram coisas cá muito minhas, algumas invisíveis. Ou, se factos públicos, então, muitas vezes senti-os ou interpretei-os de uma maneira geralmente não coincidente com a vox populi. Gostava talvez de dizer que ainda não foi em 2017 que aconteceram algumas coisas que gostava que tivessem acontecido ou que, por vezes, alguns momentos foram, para mim, muito complicados, muito difíceis de suportar. Mas, é verdade, podia ter sido pior e, em muitos outros momentos, foi bom, muito bom. 

Mas, em síntese, acho que somos uns serezinhos que não se enxergam, que se portam como uns bichos caretas, irracionais e que parecem não perceber o quão perecíveis são, equilibrando-se em cima de um pequeno planeta que, de forma geral, parece que tentam destruir ou, se não de forma explícita, pelo menos não o estimando como me pareceria justo.

Portanto, face à minha confessa incompetência, passo a palavra a quem sabe: The Guardian.

2017 reloaded: key moments from the last 12 months



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quarta-feira, dezembro 27, 2017

Por quem sois, claro que isto não é um balanço de 2017




Começo a ver balanços um pouco por todo o lado, está na altura deles. Não que me façam falta ou que me entretenham o desfastio. Mas tenho pena de não ser capaz de fazê-los. Se fosse, se calhar também não os fazia mas, enfim, não fazer era uma coisa voluntária. Assim não, assim é olhar para balanços alheios e pensar: para eu conseguir produzir um teria que fazer uma monda danada, como quando quero oferecer fotografias e tenho que passar em revista as milhares que fiz ao longo do ano. Penso: se calhar a coisa inteligente era, de cada vez que faço uma fotografia engraçada ou que acho algum evento marcante, fazer-lhe logo a devida assinaladela para, no fim do ano, as tarefas estarem praticamente aviadas. 

Acreditem. Os melhores filmes do ano, os melhores livros do ano, as frases mais inteligentes do ano, os actos mais fantásticos, as músicas mais maravilhosas -- assim de repente não me lembro de nada. Ou, então, começo a desbobinar aquilo de que me lembro e sei lá eu se foram os melhores.

Mas, lá está, que interesse tem estar a desenterrar os mortos para os glorificar?
Ok, estupidez, sei que sim. Um livro lido não é um livro morto. Idem para o resto. Foi uma metáfora não apenas sinistra mas também estúpida. Mas é que não quero já saber do que fiz, a única coisa que me interessa é o que vou fazer.

Listas. To do lists. Também nunca fiz. Não gosto de me programar. Gosto de me sentir livre para fazer o que me apetecer.

Lista de boas intenções. Nunca fiz. Não tenho boas intenções, só más.

Acho extraordinário quando aconselham as pessoas a fazerem uma lista de projectos ou de ideias a perseguir no ano que se segue. Eu nem pó. Nunca na vida fiz tal coisa. Sei lá o que é que devo fazer. Em vez disso posso entreter-me a ler horóscopos ou a deitar cartas de tarot. Claro que mal acabo, já me esqueci. Tem uma graça momentânea mas altamente perecível. Por exemplo, fui agora ver à Vogue o que me aguarda em 2018. Como sempre, espera-me: trabalho, desafios, a minha criatividade posta à prova. Coisas assim. Sempre isto. A nível de amor também um ano em grande, paixão transbordante e quem sabe se até um bebé. Pelos vistos, até a menopausa me vai passar. E eu tão descansada que ando que já nem me lembro dessa coisa dos anti-concepcionais. Bolas, bolas, bolas. 

Bem. Adiante. 


Isto para dizer que acho muito bem. Um diz que vai ler a Agustina, outro voa sobre o ano que voou, outra diz que vai ser assim e assado e até a Estrela Serrano distribui medalhas. Gosto de ver. Gente com a cabeça no sítio. Tomara eu.

Eu, que tenho a minha sempre na lua, o mais que consigo dizer é que o Marcelo é incontornável. Até de carrocel já o vi hoje na televisão. Ia de boné e quase podia parecer outro mas juro que era ele. De vez em quando diz uma ou outra com sentido. Mas parece que já quase esgotou o reportório de coisas assisadas. A maior parte das vezes já só o ouço a dizer irrelevâncias, a anunciar cuidados para daqui por um ano, a sugerir remoques contra incertos ou a querer que se façam casas sem projecto, se calhar na candonga, clandestinas, e sem orçamentos, sem nada, tudo na base do sempre a abrir. E quando vê que as casas até já foram efectivaente construídas -- e como deve ser, algumas boas como nunca foram antes e tudo certinho, direitinho -- aparece a dizer que isso não chega, tem que se fazer mais. E o engraçado é que ele diz isto sabendo que o Governo está mesmo a estudar a forma de repovoar o interior, de aí dinamizar a economia. Mas o Marcelo parte do princípio que as pessoas não sabem que o Governo está a trabalhar nisso e aposta em que, quando as coisas aparecerem feitas, a malta pense que foi graças a ele e às bocas que andou a espalhar aos microfones e perante as câmaras. Cansa-me este Marcelo. Não é tanto já me enjoar aquilo de ele andar sempre a escarafunchar no luto alheio e a dar beijinhos a tudo o que mexe, é mesmo a sua necessidade compulsiva de dizer coisas. Não interessa que coisas. Coisas. Sempre a dizer coisas. Sempre na televisão a dizer coisas, sempre metido em cenas a dizer coisas. Um cansaço.


É que eu, assim que me lembre, a quem devemos mesmo tirar o chapéu é a António Costa. Pisando terreno quase sempre minado, com uma oposição desmiolada e desavergonhada, com uma comunicação social acéfala e com uma agenda muito própria em que vale tudo, com uns amigos de geringonça que acham que, para não perderem o pé, devem andar sempre com ralhetes, ameaças e greves pela trela, e com um presidente ciumento e obsessivo-compulsivo relativamente à fama, Costa tem conseguido ultrapassar a barreira de fogo alimentada pelo coro de carpideiras que está sempre à espreita, escudada pela ideologia do neo-afecto, tem resistido ao facilitismo e tem conseguido ir equilibrando as contas, restabelecendo a confiança e restituindo a dignidade aos portugueses. Com a sua forte alavancagem pessoal até conseguiu que Centeno fosse a presidente do Eurogrupo e vamos ver se, uma a uma, as pedras do caminhos europeu não começam a apontar num outro sentido que não o da dispautérica austeridade. Nem tudo tem sido perfeito e alguns maus momentos para sempre pesarão na memória colectiva de 2017 mas António Costa fez o melhor que conseguiu e o que se vê é que não foi pouco.

Tirando isso. Não me apetece falar de um outro incontornável, um outro narcisista. Só que, a nível cultural, esse outro não chega aos calcanhares deste nosso. Nem tem de base uma matriz democrática nem lhe dá para andar a bater perna vinte horas por dia a distribuir afecto e a fazer-se à selfie. Este a que agora me refiro é estúpido, bronco, básico e perigoso. Trump. A anedota do século. 


Nem me apetece falar de algumas outras palhaçadas. Maus passos que a populaça, quando estimulada emocionalmente, volta e meia dá. Por algum motivo (e empresas como a Cambridge Analytica lidam bem com esses 'motivos'), uns resolvem atirar-se para fora da Europa e vão atrás do verbo insuflado de chicos espertos que, à primeira dificuldade, metem o rabo entre as pernas e arrepiam caminho, outros resolvem separar-se do país ao qual sempre pertenceram. Derivas independentistas que a razão desconhece e que, tarde ou cedo, darão com os burrinhos na água.

Também não vou falar dos que partiram -- e não foram poucos. Nos enterros há aquela velha máxima que toda a gente diz, encolhendo os ombros: é a lei da vida. Não sei se é, se não é. É o que é e nada se pode contra isso. Uns vão cedo demais, uns sofrem demais ao partirem, outros deixam um estranho vazio que se sabe que nunca será preenchido. 

Mas há também os que chegam, leves como o futuro inteiro que têm pela frente e a quem desejamos toda a sorte e felicidade do mundo. Transportam em si o tempo por viver e a esperança de melhores dias.


A nível artístico muitos foram os que me proporcionaram bons momentos mas há dois em que estou agora a pensar -- e, lá está, se eu fosse de elaborar raciocínios ponderados, talvez pudesse, em consciência, afirmar a pés juntos que são estes e nenhuns outros; assim, são apenas os que, neste instante, me estão a ocorrer. E são eles:
  • o Salvador Sobral. Menino talentoso, invulgar. O coração que o acompanhou enquanto levou a canção da mana Luísa aos quatro cantos do mundo já não é o que agora lhe bate no peito. E eu desejo, mas desejo muito, que saia desta, que o transplante vingue, que todos os seus órgãos reajam bem e que, cedo, cedo, volte a estar bem, que recupere totalmente e que, um dia destes, já aí o tenhamos de volta, cantando e encantando, irreverente e alegre -- por muitos e bons anos;
  • e Alma Deutscher, essa menina prodigiosa que compõe, improvisa, interpreta. Sonatas, concertos, óperas. Canto. Uma coisa inacreditável. 
Devia agora puxar pela cabeça para tentar falar também de pacifistas, ambientalistas, fotógrafos, bailarinos, escritores, políticos. Devia. Mas não vou fazê-lo. Ia falhar muito. 

Também não vou falar das grandes dores, das grandes vergonhas, de todas as traições feitas ao género humano ou cometidas contra seres vivos, em geral. Iria também falhar em toda a linha. Por cada pequena conquista, várias pesadas derrotas. E se para ilustrar este não-texto escolhi ao acaso algumas imagens que, por algum inconsciente motivo, me agradam, para terminar escolho duas que, por motivos totalmente conscientes, ilustram a barbárie que vive dentro de nós.



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Mas, não obstante a bestialidade cujas demonstrações nos ferem o coração, o mundo é ainda um lugar maravilhoso, múltiplo nas suas magias e encantos.
É bom viver.
Convenhamos: 2017 não foi um ano mau de todo. 



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2017 está, pois, quase a acabar.
E que acabe em beleza que cá estaremos para as despedidas e para receber, com esperança, 2018

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domingo, janeiro 01, 2017

2017


E já está... Já cá estamos.

Chegámos juntos a 2017. 



Uma noite linda, uma temperatura quase amena, um fogo de artifício a florescer dos dois lados do rio, barcos a apitarem, e as doze passas e os brindes, os beijos, abraços e os votos a quem se ama. Para mim foi assim.

Outros estarão em hotéis ou em concertos de rua, em casinos ou clubes, em festas particulares. Outros em casa como se fosse uma noite igual a tantas outras.  Outros em hospitais, em cenários de guerra. Outros na maior solidão, sem razões para festejar. Outros a trabalharem. Outros a...

Seja como for, 2016 trouxe-nos até aqui.

Se parte do mundo está a ferro e fogo e se grande parte dos países está entregue a doidos varridos, malucos, megalómanos, corruptos, burocratas ou nódoas, a verdade é que em Portugal se dão passos que, por estranho que isso possa parecer aos olhos dos que não conseguem para lá das pálas que trazem agarradas aos olhos e aos neurónios, vão num caminho que não assusta as pessoas nem não rejeita os seus melhores, e parece apontar no sentido de um futuro mais auspicioso. Voltaram a nascer mais crianças e isso é um indicador poderoso do restabelecimento da confiança e, sobretudo, deve ser para nós um motivo de festa. Um país definha se a demografia se afundar -- e era isso que estava a acontecer até há algum tempo atrás. 


Para o Ano Novo, não consigo fazer previsões nem vou pôr-me com grandes dissertações pois o momento não o pede nem eu estou com cabeça para isso. Mas quero crer que aos poucos iremos percebendo que há coisas que devem ser repensadas no modelo de sociedade que temos vindo a construir. 

Seja como for, e profundidades à parte, que tenhamos saúde, que os que amamos se conservem perto de nós, que nos sintamos motivados a enfrentar cada dia que começa, que nos sintamos realizados com o que vamos fazendo dia após dia, que consigamos satisfazer os nossos desejos e concretizar o que nos faz felizes. E que consigamos preservar a capacidade de sonhar. E que acreditemos em rosas eternas a exalar um perfume azul na noite mais escura e em tigres que não vemos mas cujo latejar quente intuimos na nossa pele sempre que sentimos um suave roçar de unhas no nosso coração. E que sintamos o sangue a correr mais veloz sempre que adivinhemos uma palavra mais quente no olhar de quem nos deseja e a pele arrepiada sempre que as nossas mãos sintam o apelo de uma carícia treslida no silêncio de quem nos escuta ao longe.


E uma vez mais saúde -- que sem saúde tudo se torna tão mais difícil -- e saúde também para os que nos são próximos porque ver padecer quem amamos é um sofrimento. E trabalho, e trabalho de qualidade, para quem estiver em idade disso. E inspiração para quem viva dela. E capacidade de criar laços. E capacidade de perdoar. E capacidade de pedir perdão. E força. Força para lutar contra ventos e marés. E muita sorte e muito afecto nas nossas vidas.


E que a beleza não nos passe despercebida e que o sentido de elegância nunca nos abandone. Nem o sentido de decência e de honradez.


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FELIZ    2017

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Lá em cima, a Maria João Pires interpreta o Concerto No. 3 para piano de Beethoven

As fotografias do fogo-de-artifício foram feitas à meia-noite, debaixo de um festivo ribombar e em que o cheiro a pólvora, felizmente, era sinónimo de paz e de comemoração.

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[NB: Se calhar não se vai conseguir ler bem com tanto fogo-de-artíficio por trás das palavras. Eu amanhã logo arranjo um fundo mais normal mas hoje apetece-me estar no meio desta animação. Está bem?]