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sábado, julho 18, 2020

Jorge Jesus, Cristina Ferreira, Ferreira Fernandes - começou a época das transferências e, ao mesmo tempo, a silly season





Jorge Jesus vai e vem, faz e desfaz, salta de clube em clube, é aplaudido e vaiado, sai em ombros ou ao estalo, passa de rival em rival, atravessando a segunda circular ou o atlântico, dancing for money e cagando para o resto. Pelo caminho vai abichando uns milhões. Não há cá amor à camisola, conversa mais fajuta, há é profissionalismo. E os $$$$$ a crescerem na conta bancária (nas muitas contas bancárias) e quem o achar traidor que pense duas vezes: quem trai traidor deve ser como o ladrão que rouba ao ladrão, mil anos de perdão. E nham-nham-nham, rebenta o balão. (O balão do pastilhão, bem entendido)


Cristina Ferreira, outra caga-milhões, salta da TVI para a SIC e na SIC é recebida em ombros, deitam-se no chão para ela saltar em cima, o pastor Rodrigo fecha o noticiário com 'o país, o mundo e o bolo da mãe da Cristina Ferreira' e as engraxadoras da Arrastadeira Vermelha lambem as botas e os próprios pés da Cristina, e a Cristina guincha e escaganifa-se com risinhos escaganifobéticos e toda a gente aplaude, e vai aos globos de ouro armada em nossa senhora de fátima e toda a gente ajoelha e agora, sem mais nem ontem, a dita Cristina, santinha no altar das vaidades, caga de alto para os devotos da SIC e baldeia-se outra vez para a TVI. Cristina e Jorge Jesus, grandes profissionais do espectáculo e da carteira recheada. Diz que vai agora para accionista. Quem a venerou, babando-se enquanto a venerava, que vai agora dizer? (Pergunta retórica esta minha). 

E, provando e reprovando que abriu a época das transferências, eis que me cai o queixo ao chão. Na mesma onda dos anteriores, dou com mais uma troca-sensação. Ferreira Fernandes, ex-Público bandeou-se para o Diário de Notícias onde chegou a Director. E se eu gosto de lê-lo, caraças. Pois bem, bandeou-se outra vez para o Público. Faz sentido? Eu diria que não. Mas a minha segunda consciência diz-me: 'Define sentido'. Não sei. Dou-me uma segunda oportunidade: 'Define faz sentido'. Mas também não sei definir pelo que, na volta, isso de 'fazer sentido' não existe. Portanto, trocas e baldrocas é o que está a dar e que se fornique essa coisa do sentido. E eu, que não gostaria nada de estar a servir o FF na mesma travessa em que apresento o JJ e a CF, face às insólitas circunstâncias, vejo-me forçada a fazê-lo. Ele há coisas.

Depois disto, só falta o Durão Barroso, esse perfeito-nulo, porteiro das Lajes, nos aparecer como grande educador da classe operária, liderando o MRPP,  ou o Ventura, esse pintarolas manhoso, aparecer no PSD de braço dado com o Passos Coelho, esse grande estadista que, apesar de só ter feito merda, agora por aí anda ao colo de tudo o que é burro neste país e, para cerejar o topo do bolo, nos aparecer o Carlos Costa, essa mítica figura que esteve cega, surda e muda enquanto o sistema financeiro ruía, como gestor de offshores. 

Não sei porquê mas parece que só me apetece exclamar: Eh Lecas.

Tirando isto... que mais?

Quarenta e tal graus por aqui, uma temperatura desumana. Deve ser isso. Estas temperaturas de assar pimentos ao sol estão a virar as casacas do avesso, estão a virar frangos às cegas, estão a fazer cambalhotear as mais gradas figuras desta grande nação.

Eu própria tenho que pensar bem. Qualquer dia destes, se a coisa é pegajosa como o corona, ainda pego a pandemia e ainda vos apareço a assinar posts aí num outro blog, num daqueles que vos deixaria de cara à banda: What?! Esta aqui?!?! Não... Não é possível...

 Ah pois não, violão.

E vai daqui um beijinho para vocêzes. Com máscara, claro, que eu, noblesse oblige, com isto do corona, não facilito.


Um bom sábado. 

(E bebei água com farturinha, está bem?)

domingo, março 31, 2019

Uma grande, corajosa e sentida crónica de Ferreira Fernandes





Na altura disse-o e hoje volto a referi-lo. O futebol, tal como muitos outros espectáculos, vivem muito de patrocínios. Um patrocínio consiste geralmente em uma empresa contribuir financeiramente através de pagamento de utilização de espaços para publicidade ou através do financiamento de eventos em que usa a ocasião para se publicitar. Geralmente compra bilhetes para os espectáculos ou tem camarotes. Quando compra bilhetes, 'cadeiras' ou camarotes está a garantir receita de bilheteira. E depois, tendo esses bilhetes disponíveis, a empresa financiadora oferece-os a quem quer: a clientes, fornecedores, colaboradores, familiares de colaboradores, gente conhecida. 

E isto é o normal. As empresas para que tenho trabalhado costumam patrocinar eventos ou clubes. Por isso, poderia ususfruir. Como sou um bocado bicho de mato não costumo aproveitar mas já tenho usado ingressos que me estariam destinados para os meus filhos e amigos. E muitos colegas meus assistem regularmente a desafios de futebol ou espectáculos desta maneira.

Não há nisto corrupção, não há nada de mal.


Se os clubes de futebol, os concertos, os espectáculos de qualquer tipo não tiverem patrocínios dificilmente se aguentam. E, como se pode facilmente perceber, se os patrocinadores não arranjarem quem dê uso aos ingressos que adquirem ficará desagradável ver os lugares vazios.

E vem isto a propósito de um absurdo que há tempos aconteceu e que enlameou estupidamente três pessoas honestas.

Os jornalistas que estão carecas de saber disto, com a falta de escrúpulos que caracteriza tantos, passaram por cima disso pois querem é arranjar títulos e polémicas. E a 'malta', que vai atrás de todos os ossos que são atirados para a via pública, logo desatou a ladrar, a morder, a querer despedaçar. A 'malta' gosta de pisar quem vai ao chão, a 'malta' gosta de sangue, em especial do sangue daqueles que acha que são 'poderosos' -- como se trabalhar num governo fosse a mesma coisa que pertencer a um gang de ladrões.


E vem isto a propósito de uma das pessoas honestas que foram vítimas da sacanagem que com eles fizeram: João Vasconcelos, que morreu esta semana e sobre quem Ferreira Fernandes escreveu no DN a crónica que abaixo transcrevo quase na íntegra.



Eu escrevo, assim: "João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria, morreu." Primeiro, o nome do homem extraordinário, para que se saiba logo a extensão da perda; e, de seguida, nunca escondendo a palavrinha fundamental que deixei escrita na frase do meu anúncio: ex. É, temos de pensar na palavrinha.
Ex, pois. Quando o João Vasconcelos morreu aos 43 anos, nesta semana, era um ex há quase dois anos. Evidentemente, não para os seus, nem para os que profissionalmente continuavam a beneficiar da sua inteligência e rasgo. Mas uma crónica de jornal é dirigida para o público e, oficialmente para os portugueses, ele estava assim: ex. E quem perdia com isso eram os portugueses.
João Vasconcelos governou-nos, deixara de nos governar e dificilmente haveria um governo que voltasse a interpelar os portugueses sobre a tentação de o trazer para o natural lugar dele: querem voltar a tê-lo como ministro? 
Já perdemos a noção da diferença entre um escândalo e um escândalo fátuo. Em havendo canzoada, vergamo-nos. "Eh pá, ele teve aquele problema... - Mas qual problema?... - Sim, sim, eu sei, não foi bem problema, mas..."
Enfim, mas. Esse argumento definitivo a que se vergam as sociedades assustadas pelo coro com os escândalos verdadeiros, os assim-assim, os nem por isso... Então, ele já era um ex-político quando morreu. Infelizmente para nós todos, o que nos remete para a obrigação de pensar a causa e o efeito da tal palavrinha, ex.
João Vasconcelos tornou-se um ex-governante por causa de um bilhete de futebol para jogo do Campeonato Europeu de Futebol. Ele e mais dois secretários de Estado aceitaram um convite para um jogo e a viagem em voo fretado pela empresa patrocinadora da Federação Portuguesa de Futebol, a Galp. Fez-se um caso, os secretários de Estado ainda pagaram as despesas de que beneficiaram, mas abriu-se um inquérito, eles foram constituídos arguidos, demitiram-se. O Ministério Público abandonou o assunto e uma juíza quer prossegui-lo. Em todo o caso, para o que diz respeito à nossa perda, era isto quando ele morreu: João Vasconcelos, ex-governante.
Os jornais chamaram Galpgate ao caso, os jornalistas nem foram admoestados por falta de imaginação nos títulos (o que é um erro profissional?), os diretores dos jornalistas não foram incomodados por terem ido com os mesmos bilhetes grátis (a hipocrisia é um erro moral, e então?), e o segundo político mais famoso comentador político desta vez não comentou, pois fora visto nesse verão de 2016, indo e vindo a Paris, com os seus habituais cachecol e bilhete de borla... Mas o facto foi: João Vasconcelos saiu definitivamente da coisa pública, passou a ex.
(...)
Mas o que aqui me traz, mesmo, é sublinhar a defesa do nosso interesse. O nosso, o de todos - lembrar como a histeria do patrulhamento leva, por razões fúteis, a perdermos os melhores. A modernização da indústria portuguesa, a evolução industrial da digitalização, o regresso dos nossos jovens mais qualificados - e nem meto siglas para impressionar, Web Summit, Startup Portugal, Indústria 4.0, porque não quero impressionar, quero que sintam a perda - enfim, expulsámos da nossa empresa, Portugal, o político João Vasconcelos, por causa de um bilhete de futebol. Não se entende. Pensem no tamanho desperdício de João Vasconcelos não nos ter governado nos derradeiros dois anos da sua já de si curta vida.
Nos últimos meses, conheci-o pessoalmente. O interesse era todo meu e, confesso, cronista da espuma das coisas com que construí a minha carreira, ele atraiu-me pela dimensão do "não se entende" como o Portugal político (metam políticos nisso, mas sobretudo a canzoada popular, incluindo a manhosamente organizada) o desperdiçou. Acontece que nos últimos tempos, porque diretor de um jornal, isto é de uma indústria de tão dramático presente e ainda mais de futuro promissor, precisei dele. Sabem? Paguei-lhe dois almoços e, confirmou-se a frase feita, não foram grátis. Fiquei a dever-lhe uma fortuna: fiquei ambicioso quando já não me pensava virado para aí.
O João Vasconcelos falou-me do pequeno e ágil, do bem feito e do ousado. Do mundo que nos espera, quanto mais cedo soubermos melhor. Tinha a cara de boxeur como a imagem das luvas com que um dia posou. A última vez que o vi, passou montado na ironia: uma trotineta que anunciava à Galp que ela tem de se reinventar... E, numa destas manhãs, quando soube, no que pensei, mas logo, foi logo, em mim: perdi-o. Calculem agora o que Portugal perdeu.

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Se calhar não faz sentido, num texto destes, estar aqui a colocar cantorias, cerejeiras em flor ou bailados mas eu gosto de aqui ter cor, música, voos e não creio que isso desvalorize as palavras. Pelo contrário, a minha intenção é que respirem, que, quem as lê, possa fazer pausas, deixar que elas melhor irradiem.


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domingo, março 24, 2019

O humor britânico ao serviço do Brexit



Sempre apreciei imenso o divertido fair play britânico e sempre fui entusiasta admiradora das séries de humor que passavam na televisão. 


Agora só não sinto falta disso porque a realidade inglesa ultrapassa a ficção e, em consciência, apenas me coibo um bocado de dizer que tudo aquilo a que se assiste -- por parte da enfarilhada Theresa May que não atina nem por mais uma e pelo tatibitate Corbyn que não foi capaz de se decidir sobre o lado para o qual cair, não dançando nem saindo da pista -- é de gargalhada porque começo a pensar que, por incrível que se possa pensar, ainda há o risco de se atirarem mesmo para o precipício.


Toda esta peripécia do Brexit mostra bem como, impensadamente, na maior ligeireza, um povo pode tomar uma decisão parva e, com isso, se pode não apenas ridicularizar perante o mundo como, sobretudo, pôr o reino em sério risco de grave e descontrolada convulsão social e económica -- e, mais: sem que a Rainha se mexa.


Se a monarquia é isto, então vou ali e já venho. Perante o carnaval macaco com que o poder britânico brinda o mundo, da realeza nem um pio.

Continuam a aguardar a chegada de mais um bebé real,  certamente tremendo que o desbocado pai ou a pérfida irmã de Meghan saiam de novo à cena, e continuam com as suas visitinhas, a Rainha com as suas toilettes coloridas e os seus adoráveis chapelinhos, Kate sempre elegante e sorridente, os príncipes sempre simpáticos como a sua simpática e eterna mãe e o eterno-putativo rei Carlos com a sua bem amada Camilla de férias, ambos sempre naquela boa onda, fotografados em fato de banho, numa praia nas Caraíbas.

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Hoje, quando passei os olhos pelo DN, tive esperança que, por ser sábado, a crónica do grande Ferreira Fernandes estivesse aberta. E fui lendo:

Conhecem a última anedota do Brexit?


Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

No Brexit rir não é o melhor remédio. É o único remédio. Ah, como seria lindo ver o John Cleese, de chapéu de coco, casaco e colete escuros, calças cinzentas - enfim, um funcionário british como já não os há - e com aquele andar de quem trabalha no Ministério dos Passos Esquisitos! Bastaria um dos brilhantes e bizarros Monty Python andar atrás de Theresa May, nas tristes e bizarras andanças dela nos últimos três anos, para se confirmar que o programa inteiro da política inglesa são passos esquisitos. (...)

[E a partir daqui só com assinatura que não tenho. ]

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E, portanto, à falta da crónica completa do FF e à falta dos Monty Python ou do Little Britain, tenho que me contentar com imagens da mega manif deste sábado em Londres:

Put it to the people














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You shall not pass, Brexit




E ti-jaei

sexta-feira, setembro 16, 2016

A vida sexual de personagens públicas pela mão do arquitecto Saraiva? O novo livro sensação apresentado por Passos Coelho?
Não. Nem pensar. mexericos não é comigo. Eu é mais bolos.
Impostos.
Um imposto novo...?
Que bom.
Um imposto novo ou uma sobretaxa ou uma alteração de critérios todos o anos é mesmo do melhor que há para a economia tirar o pé da lama...
Só acho mal uma coisa: que não se faça uma sondagem para se escolher sobre que o haveria de incidir o novo imposto.
Ou melhor ainda: porque é que não se cria um imposto sobre.... aquilo....?


Se abaixo me deixei levar por temas mais pessoais, ou mesmo, privados, aqui, agora, falo do tema do momento.

E, a quem pense que o tema do momento é o escaldante livro do arquitecto Saraiva desvendando a vida sexual de pessoas que entrevistou ao longo de anos ou fofocas que ouviu a uns e outros tais como inclinações sexuais de políticos, paixões proibidas e outras cenas de pura alcoviteirice -- livro esse que será apresentado por uma pessoa que nutre grande admiração pelo arquitecto Saraiva, a saber Pedro Passos Coelho (who else?) -- pois saiba que nem tanto. 


Acredito que alguns dos que aparecem na capa (Marcelo, Balsemão, Paulo Portas, Santana Lopes, Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Durão Barroso, Cavaco Silva, etc, etc) a esta hora estejam algo incomodados -- e não é caso para menos a julgar pelo que diz o autor:


"Um livro deste tipo só tem sentido se o autor se dispuser a contar tudo o que ouviu dos seus interlocutores e relatar tudo a que assistiu e que julgue ter interesse público." "Assim, como o leitor reparou, há no texto revelações duras e outras que roçam a violação da privacidade. Mas, insisto, é o preço a pagar por uma iniciativa como esta. Só guardei para mim aqueles segredos cujo interesse público, em meu entender, não mereceria os danos que a sua divulgação poderia causar."

Diz do assunto, no DN em crónica justamente apelidada de José António Saraiva espreita e baba-se, o Mestre Ferreira Fernandes:

Canalhices de políticos lembradas, passemos então, sem sair do género, ao magnífico "Eu...", o JAS e as coisas picantes que ele sabe sobre os nossos políticos. Olha, o irmão que já morreu, a contar ao "Eu" a sexualidade do irmão; olha, o escritor que já morreu, a contar ao "Eu" as brejeirices dum ministro; olha, um ministro que já morreu e que, moribundo, invocou ao "Eu" a sua doença para sacar umas massas... Na capa do livro desenha-se um buraco de fechadura, erro gráfico: o JAS espreitou menos do que cavou em campas.
Sinistro. É um lindo serviço o do pequeno arquitecto, sim senhor. É certo que para os pequenos seres que rasteiram pela vida pública tarde ou cedo chega a hora de se vingarem dos que os olharem de cima, e nesta rentrée já vão dois, mas essa cena da lavagem de roupa suja em público foi coisa que nunca me atraíu.

Face a estes exemplos, só me assalta uma dúvida: um dia que o Saloio de Mação seja afastado das suas funções, irá  também escrever um livro de memórias, relatando os segredos cabeludos que vem acumulando há anos, fruto do seu exercício solitário de escutar a vida alheia?

(É só mesmo uma dúvida).

Mas como não era destas coscuvilhices que vinha falar mas de um outro tema que incendeia as mentes brilhantes da nossa iluminada classe política, passo, então, adiante.

Ou seja, se não se importam, salto por cima do arquitecto e vou pegar o novo imposto de caras. Bem, de caras não que ainda não conheço a raça do bicho. Não sei sobre que casas, a partir de que valor, com que regras, não sei se é apenas para 'apanhar' quem não paga IRS (como diz a Mariana Morágua) ou o quê.
O que sei é que a saga de todos os anos andar a ver de que forma se há-de ir sacar mais dinheiro aos contribuintes, apesar de não ser nova, não é uma boa coisa. 
Pode até ser que este novo imposto de que se fala vá taxar quem tem casas no valor de milhões e não paga um tusto ao fisco. Pode ser muita coisa. Mas que parece uma praga que se abateu sobre os portugueses lá isso parece: volta e meia lá anda toda a gente a discutir as excentricidades e criatividades de quem parece possuído pela doença dos impostos. Dada a exaustão fiscal a que há muito se chegou, tenho muitas dúvidas que mais impostos sobre seja o que for não seja pior emenda do que o soneto. 

Mas guardo uma opinião mais reflectida para quando se souber mais de perto as intenções dos cobradores de impostos e, para uma ocasião futura, aqui deixo mais uma sessão de coaching. Desta feita, como criar um novo imposto.

E porque não um imposto sobre... aquilo...?


-- A sabedoria dos Monty Python ao serviço do Ministério das Finanças --


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No post abaixo fala-se de crenças, fé, religião, deus, física, matemática, natureza, etc. 
Caso queiram descer, serão bem recebidos.

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quarta-feira, novembro 04, 2015

Havia de ter graça que, depois disto tudo, o PCP e o BE resolvessem armar-se, outra vez, em partidos de faz de conta e o grupelho dos PàFientos e dos Calvões continuasse por aí a escaqueirar o País. Olhem: pior que isso, só mesmo uma sopa de clítoris. Ui...


Bem. Depois de. ensonada, ter escrito dois postezecos levezinhos, um autobiográfico e outro com a sessão fotográfica de um brincalhão pseudo-nataleiro, estava para ir pregar para outra freguesia quando, ao espreitar os jornais online, dou com umas notícias que fizeram faísca entre elas.


Mas, com vossa licença, vamos com a Rosinha e com uma música alusiva aos tempos de crise que atravessamos


Avancemos, então, para as notícias. Transcrevo:



Sem acordo à esquerda PS recusa moção de rejeição


Carlos César reitera que os socialistas não pretendem contribuir para a queda do Governo, caso não haja uma “alternativa responsável e estável” com o BE e o PCP. (...)


O presidente do Grupo Parlamentar insistiu neste ponto: "Não votaremos nem apresentaremos nenhuma moção de rejeição se não tivermos em simultâneo a garantia que temos uma alternativa acordada e consolidada com os restantes partidos políticos".


....

Pensei: manobra de diversão para consumo dos papagaios-avençados ou para entreter os jornalistas. Mas eis que leio o Mestre Ferreira Fernandes e percebo que a palermice pode mesmo andar no ar.
Quero crer que não, que as esquerdas não iam prestar-se ao papelão de parecerem irresponsáveis e parvinhas. Mas nunca fiando (que uma coisa já eu aprendi: nunca devemos subestimar a estupidez humana). 
Transcrevo:

Vão os semideputados deputar, enfim?


Temos tido, há muito, um grupo de deputados semiaproveitados. Não que alguém os obrigue. Eles próprios, comunistas e bloquistas, é que se trancaram na semirresponsabilidade. Aquele parlamento, para eles, não era bem o deles. Isto é, eles entravam lá como os outros deputados mas tinham um trauma de infância política: não tinham subido a escadaria de São Bento como quem toma o Palácio de Inverno. Na verdade, a quase totalidade dos semideputados (não digo todos porque pode sempre haver um tolinho) sabia que aquilo de 1917 já está fora do prazo há muito. Mas como também era o trauma que lhes dava alguma graça, deixavam-se estar... Então, o grupo de 20 ou 35 semideputados semideputava e mantinha reféns o quase milhão de portugueses que inocentemente pensava tê-los a deputar a tempo inteiro. 

Aconteceu, porém e entretanto, uma revolução a sério: porque os semideputados não queriam ser parte duma alternativa, o outro lado pôde desgovernar a toda a brida nos últimos anos. Com o 4 de outubro passado, e a direita outra vez à frente, embora sem maioria, a situação arriscava--se a repetir. O facto deu um sobressalto aos semideputados e pareceu que eles iam ser deputados. Vão? Se fossem materialistas como dizem, sim. O que tem de ser tem muita força. O problema é que com tanto ano a fazer de semi, fica-se menor. É capaz de haver quem de política só faça continhas: nas próximas eleições fica à frente o PC ou o Bloco?
....

E depois de ter lido que a camarilha pafiana já bateu no fundo -- com os ministros precários e pafiosos, em desespero de causa, completamente à nora, para conseguirem alivanhar uma espécie de programa de desgoverno, a serem instados pelas chefias a inspirarem-se no programa do PS -- fico a pensar que havia de ter graça, mas graça mesmo a sério, que Portugal acordasse um dia destes e percebesse que os comunistas e bloquistas tinham tido uma crise infantil de auto-afirmação e que esta coisa da relação entre o PS e as forças de esquerda não tinha passado afinal de um coitus interruptus. Havia mesmo de ter graça.

Bem. 
....

E, por falar em graça, depois disto só mesmo esta: desde 1981, o clítoris é uma das estrelas da gastronomia local.


Até me encolhi quando li isto. Credo! Onde?!?! Foge!!!!

Li melhor: 


Perdido na tradução: Tradutor da Google anuncia festival do clítoris



(A Feira do Grelo) É um festival para promover o papel dos grelos na culinária tradicional da Galiza mas durante algumas semanas foi o festival do clítoris. "O clítoris é um dos pratos principais da cozinha galega", podia ler-se na página do concelho de As Pontes, graças a uma confusão do tradutor automático do Google.


A página, escrita em galego, tinha uma versão em castelhano traduzida automaticamente pelo Google. 

A confusão surgiu, segundo a porta-voz do concelho, por causa do significado da palavra em calão português. O tradutor terá confundido o galego com o português e preferido a acepção em calão à botânica.



Uffff.... Antes erro de tradução do que ser mesmo verdade. Nunca mais comia cozido galego! Nem cozido nem sopa nenhuma! Nem petisco! Aliás, nem nunca mais punha os pés na Galiza.

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Pronto. E, agora que já juntei a política à gastronomia, temperando o post com o picante da Rosinha (e isto para evitar trocadilhos vulgares como o do 'grelo da Rosinha'), é que vou mesmo pregar para outra freguesia.

Permitam que relembre: caso queiram saber dos meus hábitos (secretos) desçam até ao post já a seguir.
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sábado, outubro 24, 2015

Está na hora de ir para casa, Sr. Cavaco Silva. Não desestabilize mais o País, não afronte mais a democracia portuguesa que custou tanto a conquistar, não inquiete os seus queridos 'mercados'. Go home, Mr. Aníbal, go home.
[E O processo de apagamento em curso - do brilhante FF- e um cartoon da Cristina]






Parafraseando um Leitor, regressei à superfície. Não ouvi o Cavaco (nem tenciono ouvir, que não sou masoquista) nem tão pouco li o que a pacóvia personagem disse. 

O que sei é do que me contaram e das reacções que li agora nos jornais online ou na blogosfera. Ouvi também, há pouco, parte do discurso do Ferro Rodrigues, na qualidade de Presidente da Assembleia da República. Foi eleito por uma maioria de votos, como sempre acontece quando há votações: por maioria. Felizmente temos uma esquerda que, finalmente, resolveu agir com inteligência, superando o que a desune e unindo-se em torno do que a une. Não sei se esta demonstração prática terá sido suficiente para demonstrar aquilo que, na teoria, os PàFs e o seu padrinho Cavaco não quiseram perceber.


Ouvi também apontamentos das reacções, em fóruns distintos, de António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Contudo, todas as manifestações de irritação ou perplexidade face à decisão de Cavaco me parecem algo exageradas.

Confesso: como escrevi no outro dia (para ser publicado ontem à noite), não me espanta a reacção ressabiada e anti-democrática de Cavaco. Sempre assim foi, ele. Tem uma visão distorcida do que é o exercício político (por exemplo, estando há décadas a exercer nefasta acção política continua a achar que não faz parte da classe política portuguesa), não percebe bem como funciona a democracia e parece ter uma visão enviesada da Constituição. Como disse: sempre assim foi - e a verdade é que vai de mal a pior.

Por caridade para com o senhor, seria bom que o pudéssemos pôr em casa para o pouparmos ao nosso desprezo. Contudo, acho que o povo não tem esse poder - o que é uma pena.
A esperança agora está em que algum dos filhos ou netos o convença a que, para não acabar o cargo sob vaias e assobios e visto pelo povo como o pior presidente desta nossa República (para a qual ele mostrou estar a marimbar-se mas nós não), deverá renunciar ao mandato o quanto antes.

Entretanto, Passos Coelho andará a esta hora a ver se consegue alinhavar meia dúzia de patacoadas para fazer de conta de programa de governo (o que, nem isso, deve ser fácil dado que começa a destapar-se o que andou a esconder - nomeadamente a barraca que acabo de ouvir noticiar: a dedução da sobretaxa de IRS afinal não vai ser os 35% que ele e a Pinókia apregoaram durante a campanha eleitoral já que houve uma quebra súbita na colecta fiscal, imagine-se: de um mês para o outro! inesperadamente! por magia!). Deve também andar a ver se consegue arregimentar uma dúzia de figurantes para nos aparecerem como ministros na ópera bufa da tomada de posse. 

Cavaco Silva, com a sua inabilidade e estreiteza de vistas, lançou o país numa situação caricata (em que vai ver o seu pífio poder esboroar-se, sendo criticado abertamente por todo o lado, por toda a gente), numa situação instável, numa situação de nadar em seco - quando, pelo contrário, devíamos era estar a relançar a economia. Mas, ao mesmo tempo, tão zarolhas são as suas atitudes que, querendo atirar a matar na esquerda, o que conseguiu foi dar um tiro na coligação PSD e CDS e, de caminho, ficar com os próprios pés completamente esburacados.


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Ora bem. Não vi nem ouvi a comunicação do Cavaco excomungando os perigosos comunistas e bloquistas da influência política portuguesa mas caíu-me do céu aos trambolhões um vídeo que, consta, lhe serviu de inspiração.

A Sta Padroeira que, parecendo que não, ainda continua a ter alguns devotos


Discurso de Salazar, esse grande estadista, sobre o comunimo



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As imagens que usei para ilustrar o texto provêm, como tantas vezes acontece, do fantástico e inesgotável We Have Kaos in the Garden

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E, uma vez mais (sempre), Ferreira Fernandes assina uma crónica brilhante no DN: 

O processo de apagamento em curso


Cavaco Silva deve ser ouvido pela sua linguagem gestual. 
Quando apontou, esticou o dedo, enfim, indigitou Passos Coelho, entendemos. 
O pior é quando ele fala


(...) Dando-se conta de que talvez não, Cavaco voltou ao boletim. Desta vez, com a parte azul, a mais abrasiva, duma borracha, Cavaco continuou a sua sanha contra aquelas duas linhas malditas. Olhou-nos, outra vez: "E, agora, já perceberam?!" Achando-nos estúpidos, ele insistiu na explicação: com um X-ato, cortou as duas linhas. E com a convicção de que uma imagem vale mais do que cinco pareceres de constitucionalistas mostrou-nos os dois finos buracos em retângulo: os comunistas e os bloquistas tinham sido abolidos da democracia portuguesa. Eu estava num café quando ouvi o senhor Presidente da República. Olhei à volta e foi terrível. Percebi que as pessoas agora nem por gestos entendiam Aníbal Cavaco Silva. Aquilo era um olhar alucinado e poucos viram isso.
Saí do café a matutar na velha e desiludida ideia de que as pessoas só entendem quando lhes batem à própria porta. O abuso cometido, por enquanto, é só um problema "deles", os do PCE e do BE, só 996 872 portugueses, só 18,44% dos votantes, a quem acenaram com um direito que depois rasuraram, mas só a eles. Ninguém, para lá dos comunistas e dos bloquistas, pensou: e se amanhã outro alucinado também me quiser apagar?
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Esquerda com moção única de rejeição ao governo


(Cartoon de Cristina, no DN)
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E estava com vontade de escrever mais qualquer coisa para não acabar o dia com visco salazarento na ponta dos dedos, mas a verdade é que consigo. Estou mesmo perdida de sono. Colocar aqui por baixo algumas palavras ou músicas de jeito seria injusto, iria untá-las de ranço. Por outro lado, para fazer um post novo, estou sem ideias e sem energia. Por isso, com vossa licença, irei retirar-me.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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quinta-feira, outubro 22, 2015

Caro Ferreira Fernandes, também não foi para isto que votei no PS!
[E, de brinde, o desasado cisne que não sabe afastar-se de cena antes do triste final]


Eu votei no PS e, digo já, não foi para isto que votei.


Respondendo ao repto de Mestre Ferreira Fernandes no DN -- que, por estar farto de andar a ouvir tudo o que é bicho careta a dizer porque é que as pessoas votaram no PS, e que não foi para isto que votaram, etc, etc, resolveu esclarecer a razão do seu voto e desafiou os outros votantes a fazerem-no também -- aqui estou para dizer porque é que eu votei no PS. E faço-o no mesmo registo que ele o fez.



Votei no PS porque tenho esperança que o António Costa arranje aulas de dicção e espero que, como primeiro-ministro, alguém o obrigue mesmo a isso. 

Votei no PS porque acho que ele tem um gosto muito bizarro para se vestir -- tenho-lhe visto com cada modelito que é de bradar aos céus -- e tenho esperança que, como primeiro-ministro, alguém o mantenha na linha (tal como, vá lá!, agora tem andado). 

Votei no PS porque acho que António Costa tem um sentido de humor estimulante e espero vê-lo na Assembleia da República a dar baile aos Láparos e Portas desta vida, devidamente arrumados na oposição. 

Votei no PS porque gosto da Maria Antónia Palla e acho que é agradável termos um primeiro-ministro com um mãe tão íntegra, tão especial. 

Votei no PS porque tenho esperança que ele, ao formar governo, forme uma equipa de que a gente desta vez não se envergonhe porque de pafianas vergonhas já todos tivemos a nossa valente dose (e estou a falar muito a sério: espero que o PS arranje gente primeira água, gente letrada, bem formada, honesta -- e que não se esqueça de convidar a Catarina Martins e/ou a Mariana Mortágua porque qualquer delas seria uma mais-valia na equipa). 

Votei no PS porque tenho esperança que, com António Costa em primeiro-ministro, o Ricardo Costa, para evitar situações embaraçosas, saia da direcção do Expresso e que um outro que o substitua faça uma limpeza geral naqueles moços e moças de fretes que por lá andam.

E votei no PS para ver se arranjam uns rapazes jeitosos e ajuizados para apagar a má impressão que os Maçães desta vida causaram lá fora. E um ou uma ministra das Finanças que não vá pôr-se de gatas aos pés do Schäuble. E alguém que não tenha o tino de um Miró de óculos para um Ministério da Cultura. E um para a Educação e para o Conhecimento que não odeie o tema. E alguém no pleno poder das suas capacidades para a Justiça, para a Administração Interna ou para os Negócios Estrangeiros. Idem, claro está, para os restantes ministérios.

E votei ainda por mais uma ou outra razão mas são cá coisas minhas - e não passei procuração a ninguém para as divulgar ou falar em meu nome. 

Portanto, Senhores PàFs e pró-PàFs, se fazem favor, deixem de andar a inventar que votei no PS para que Passos Coelho possa desgovernar o meu País em paz. Não foi!

E, tal como Ferreira Fernandes, também eu digo: não é a mim que me cabe formar governo mas, se fosse, nem imaginam vocês a gracinha que também ia ser. Capaz até de contratar o Lombinha dos Briefings para quando tivesse que contribuir com alguma figurinha cómica para participar, em nome do governo, no Natal dos Hospitais.
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E agora, para quem não tenha ido ou não queira ir ao DN ler as razões do excelentíssimo Ferreira Fernandes ao votar PS, aqui estão elas, transcritas na íntegra (um prazer a leitura das crónicas do grande FF).



Não foi para isto que votei no PS!

Como há dúvidas, vou dizer porque votei. Votei no PS, eu, para que todas as casas com construção embargada que me estragam a paisagem sejam deitadas abaixo, já. Esse meu querer lembro-me de ter sussurrado ao voto quando o deitei (só não escrevi para o não inutilizar) - vai para três semanas, e o PS sobre o assunto, nada. Votei no PS por causa do sorriso irónico do líder, são os únicos sorrisos de que gosto nos políticos, mas desde o dia 4 não me parece ser esse o critério de aliança de Costa (a Catarina é simpática, o Jerónimo é veemente, mas nada disso vale um sorriso irónico, acho). Votei no PS para que ele fosse buscar o Luis Fernando Verissimo ao Brasil para dar aulas, nos três canais, duas horas por dia, prime time, sobre como se escrevem diálogos - acho o diálogo fundamental e ninguém pôs isso no programa eleitoral (o PS também não, mas eu não me ia abster, soprei no voto e foi também por isso que votei). Votei no PS porque gosto das ruas alegradas, o Costa pintou a Rua Nova do Carvalho de cor-de-rosa e eu gostava de ver a Estrada de Benfica a cheirar a pitanga. Basicamente foi isto. Os outros 5 408 804 eleitores que digam porque votaram. Eu foi por isto. E não admito que os comentadores digam que votei ou não votei por outras razões senão as expostas. Quanto a formar governo, fui ver à Constituição, não sou eu. Se fosse, vocês iam ter surpresas do caraças.


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Para terminar com dança, deixo-vos com o vídeo onde se pode ver o patético fim do triste cisne que parece não saber perceber que o seu fim está chegado

[Dedicado aos que, perplexos e ressabiados, protagonizam, neste momento, o fim de uma era largando penas e peninhas por onde passam]

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E hoje fico-me por aqui que estes meus dias são longos, de cedo amanhecer e tarde pernoitar.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz.

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quinta-feira, setembro 10, 2015

Quem ganhou o debate televisivo: António Costa ou Passos Coelho? Em minha opinião, António Costa esteve bem, marcou pontos, ganhou nas calmas; Passos Coelho mostrou como é limitada a sua inteligência e mostrou o seu habitual mau feitio e mau perder (porque perdeu o debate). E Sócrates mostrou que um governante com carisma fica inscrito na memória de toda a gente. E estes debates assim não acrescentam grande coisa: os candidatos não conseguem aprofundar coisa nenhuma e têm que se cingir ao que os jornalistas acham que cativa os telespectadores e não o que eles próprios acham que deviam dizer às pessoas. Olhem, por exemplo, a minha mãe foi deitar-se a meio, diz que não estava a ouvir nada de novo.




Perguntei à minha mãe: mas então porque é que não viu o debate todo? Disse que se fartou, que há anos que anda a ouvir as aldrabices do Passos Coelho, que já não tem paciência para ouvir mais desculpas, mentiras, passa-culpas, que a conversa dele era mais do mesmo e que o que queria era ouvir com mais pormenor o que o António Costa tinha para dizer e -- mas que os jornalistas não dão tempo para ninguém se explicar como deve ser. Portanto que foi para a cama ler.

A seguir ligou-me o meu filho. Disse que o debate tinha sido uma pobreza. Que as diferenças de inteligência e de preparação entre o Costa e o Passos são óbvias (a favor do Costa, claro) mas que estava à espera de conseguir conhecer com algum detalhe as propostas do Costa para a Saúde ou para a Educação e que pouco ou nada falaram disso - responsabilidade do modelo do debate, disse-lhe eu..




A minha filha diz que já não há pachorra, que estes debates são uma seca e que já lhe tinha bastado o dia difícil que tinha tido.

O meu marido apreciou incomparavelmente mais o Costa - aliás, abominou o Passos Coelho (melhor: antes tinha dito que não sabia se ia conseguir ver o debate porque já não consegue 'ouvir aquele gajo') - mas lamentou que não tivessem colocado questões sobre a Educação ou Investigação ou outros assuntos.

Concordo com todos. E tenho também pena que não tivesse havido nenhuma questão que tivesse permitido que falassem das privatizações e das vendas de empresas ao desbarato bem como do ataque soez aos direitos dos trabalhadores -- pois teria sido bom que os telespectadores percebessem bem a ideologia de pacotilha que orientou os dislates levados a cabo nos últimos 4 anos e percebessem que, a ter Passos Coelho no governo por mais uma legislatura, iria ser mais do mesmo até que não sobrasse pedra sobre pedra.

Este modelo de debates, em que os entrevistados têm que se cingir ao que os entrevistadores lhes colocam e, ainda assim, têm 1 ou 2 minutos para cada resposta, não permite aos eleitores conhecer bem as intenções dos candidatos. O que seria necessário seria que se conseguisse conhecer com mais pormenor as propostas de cada um, quando em confronto com as do adversário político - e isso, obviamente, não passa por estes debates toca-e-foge, altamente mediatizados, em que se admite que o tempo de concentração dos espectadores é curto pelo que é dizer meia dúzia de sound bites e partir para outra. Um erro, este modelo.

Tirando isso, e cingindo-me agora aos dois principais intervenientes, António Costa conseguiu mostrar que tem sangue quente - e sangue frio, quando necessário - levou gráficos e números, falou de coisas concretas e enunciou propostas que mostra serem fundamentadas. Esteve francamente bem: enérgico, firme, bem temperado (ie, com segurança, bom humor, boa atitude, boa educação).



António Costa evidenciando como o Láparo, Gaspar e adjacências resolveram ir muito para além da troika


Passos Coelho foi o que se sabe: jogo branco, uma língua de trapos, diz uma coisa hoje e, com igual convicção, o oposto no dia seguinte.


António Costa mostrando que nenhum governo antes
destruíu tanta riqueza como Passos Coelho

Em síntese, neste debate televisivo de difusão alargada à RTP, SIC e TVI, António Costa:


  • esteve bem ao apontar o dedo ao aventureirismo e aos riscos das propostas dos PàFs para a Segurança Social, 
  • esteve bem ao apontar o dedo à postura do Governo perante o que se passou com o BES em que deixou ruir um banco, lesando muita gente, depois de ter garantido aos portugueses que o banco era saudável, 
  • esteve bem ao demonstrar como o governo carregou na dose de austeridade, indo muito para além da troika, 
    by Luís Vargas
  • esteve bem ao denunciar as mentiras permanentes de Passos Coelho, 
  • esteve bem em evidenciar a ausência de contas no programa eleitoral dos PàFs
  • esteve bem quando referiu que há casos em que não é preciso gastar mais dinheiro para se melhorarem as condições de vida das pessoas - dando como exemplo o do Centro de Cuidados Continuados de Melgaço, pronto desde 2012 e sem ser utilizado;
  • esteve bem ao apontar o absurdo que é o País estar a preparar bons enfermeiros... para os enviar para o Reino Unido;
by Luis Vargas
  • esteve bem ao recordar a palhaçada que é aquele programa do Vem, apresentado pelo Lombinha-dos-Briefings (esta do Lombinha dos briefings é minha, não do Costa, claro; e a palhaçada também), que é suposto atrair 20 emigrantes, uma macacada sem igual (esta da macacada também é minha), 
  • esteve bem ao lembrar que Passos Coelho é muito esquecido (e, para bom entendedor, meia palavra basta - nem teve que lhe atirar com o esquecimento de pagar a Segurança Social...)
  • esteve bem ao gozar com a fixação de Passos Coelho em Sócrates, convidando-o a visitar Sócrates e a debater com ele.


As sondagens vão começar a ser favoráveis ao PS e é bom que António Costa e o partido não percam este élan.

Passos Coelho todo arreganhado,
todo enxofrado, com um mau perder insuportável,
com uns maus fígados verdadeiramente desagradáveis


Por outro lado, com aquela boca em forma de esgar, ar contrafeito --- quando sorri é um sorriso postiço -- aqueles olhos sem vida que parecem pertencer a um peixe morto, Passos Coelho mostrou uma vez mais que, apesar de ter uma voz bem colocada que o favorece, é uma criatura desagradável que não cria empatia com ninguém nem ninguém com ele. Perdeu em toda a linha.


Tal como referi no post abaixo, para além das vacuidades e deturpações do costume, parece ter-se esquecido que o ajuste de contas com Sócrates já teve lugar em 2101 e que agora é ele, Láparo, como Primeiro-Ministro dos últimos 4 anos -- em que só fez porcaria e da grossa -- que está em avaliação. Mas não. A sua fraca cabecinha não chega para tanto. A sua conversa centrou-se em Sócrates, Sócrates, Sócrates. De resto, mostrou que não percebeu nada de nada da crise internacional e das consequências para Portugal e que se prepara para, se ganhar, fazer mais do mesmo: empobrecer os portugueses, dar cabo da economia e das finanças públicas, agoirar o futuro de todas as gerações (e, digo eu, porque isso ele não teve a franqueza de dizer, passar o país a patacos e colar-se ultrajantemente aos pés da Merkel, mas só no que a Merkel tem de pior).

Quanto a mim, Costa só esteve menos bem numa coisa: quando lhe perguntaram se ia agradecer pessoalmente ao Sócrates, mostrou desconforto e quis fugir à resposta. Não percebo. Se não quer ir, poderia ter dito que a agenda eleitoral, preenchida como está, lhe torna um bocado difícil manter uma agenda pessoal; mas também podia ter dito que, quando a agenda eleitoral lho permitisse, seria com todo o gosto que iria dar um abraço ao amigo. Acho que lhe teria ficado melhor. 
Mas, enfim, foi um aspecto que acho menos bom, no meio de muitos em que acho que esteve bem, ágil no raciocínio, claro na argumentação, credível, confiável. 
Relevo, portanto, essa sua questão mal resolvida. Um dia destes, tenho a certeza, arranjará maneira de corrigir a sua atitude.

Penso que, com este debate, Passos Coelho iniciou o caminho descendente que o levará de vez para fora das nossas vidas - porque não apenas não terá lugar num próximo Governo como, certamente, será pontapeado para fora do PSD por aqueles meninos que só apoiam os que os podem aproximar do pote e lhes permitam farejar poder e d$nh€$ro.


Passos Coelho e a sua cara de mau perder
Olha: Adeus, ó vai-te embora.
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Uma palavra para os entrevistadores: não é que tenham estado mal. Não estiveram. Aliás, nem bem, nem mal.




A questão é que esta forma de debates é um apelo à superficialidade e isso não me agrada.
Não contribui especialmente para o nosso cabal esclarecimento. 
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E, para já, é isto que me ocorre dizer.

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Porque maravilhosa, permito-me agora transcrever aqui, na íntegra, a crónica do fabuloso Ferreira Fernandes, no DN:

Passos puxou pelo fantasma e saiu-lhe Costa



Ontem aconteceu uma derrota para o jornalismo. E não tem que ver com os três que a RTP, a SIC e a TVI enviaram. Tem que ver com uma intromissão indevida. Mas que raio estavam lá a fazer os jornalistas? Aqueles ou outros? Portugal precisa de ser governado e ontem havia dois homens que tentavam convencer os portugueses de que podem ser o próximo primeiro-ministro. E acontece que esses dois eram, são, os únicos que o podem ser. E acontece, ainda, que ontem foi o único dia que os dois tinham para se combater - dando a cara e as ideias. Alguém a intrometer-se estaria sempre a mais. Os portugueses só precisavam de que as televisões lhes dessem câmaras, luzes e microfones para que o duelo lhes chegasse a casa. A haver alguém a mais só seria necessário quem soubesse como funciona um relógio, para repartir o tempo a meio. Mais nada. Ontem, porém, meteram no estúdio três jornalistas que cumpriram a mesma função intrusiva e desnecessária dos pés de microfone que, nos corredores, pedem a opinião daqueles que, um minuto antes, estiveram no estúdio a dizer o que queriam. Com um agravante: os três de ontem, porque importunavam, não deixaram que se visse, como completamente devia ter sido visto, a coça que Passos Coelho levou. Primeiro, de si próprio, porque medíocre. Segundo, de si próprio, porque sonso (inventando um adversário que não o que tinha à frente). E, terceiro, de si próprio, porque manifestamente inferior a António Costa.

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E, já agora, mais um vídeo do grande Luís Vargas sobre os brilhantes feitos, desfeitos e tentativas em boa hora desfeitas (pelo Tribunal Constitucional) dos malfadados PàFientos

Episode II - Attack of the Clones #PortugalPodeMais





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Para verem o que escrevi durante o debate, é fazerem o favor de descer até ao post já aqui a seguir.

E permitam que vos faça uma recomendação: há comentários fundamentados, detalhados e oportunos  nos posts a seguir. Não os percam porque, estou certa, vão gostar de os ler.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.
Haja esperança.

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