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terça-feira, janeiro 20, 2026

O Deus em que acredito

 

Em boa hora, em comentário abaixo que muito agradeço, uma mão generosa deixou-me o link para o vídeo que aqui partilho. Adorei. Revejo-me em cada palavra dita.

Transcrevo o texto que acompanha o vídeo, e, a seguir, porque cada palavra tem um significado que muito prezo, transcrevo a fala integral de Deus.

O Deus de Espinoza

Sempre que perguntavam a Einstein se ele acreditava em Deus, o grande físico respondia: "sim, no Deus de Espinoza".

Saiba o que diz o Deus do filósofo Baruch de Espinoza, pela voz de Javier Jiménez Lopez, um reconhecido músico barranquilero e grande intelectual. 

Baruch Spinoza, ou Espinoza ou Espinosa, nasceu no ano de 1632, em Amsterdan, foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. De família judia portuguesa (daí a confusão de formas na escrita do sobrenome),  o grande filósofo holandes faleceu em 1677, em Haia.


Fala de Deus:
Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há
algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem
me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em
ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de
alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho,
nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu
seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti.

quinta-feira, março 14, 2024

Tempo para os deixar poisar


Há coisas que a gente pode ser levada a pensar que são objectivas, inequívocas. Mas não. Do mais subjectivas e flexíveis que há. 

Para começar, a saúde. Perante a mesma situação, cada médico diz a sua coisa. Uma pessoa pode ficar sem saber para que lado se há-de virar. Sobre os meus joelhos já ouvi de tudo. Já fiz artroscopia porque, segundo o ortopedista, era imprescindível, e já ouvi vários médicos dizerem que tinha sido uma estupidez, que não havia qualquer critério para isso. Sobre a conclusão que se retirou da observação lá dentro, as conclusões foram igualmente díspares, contraditórias. E as recomendações para a prevenção de crises são igualmente para todos os gostos. Parece mentira mas é verdade.

Outra coisa que é que tal e qual é a legislação. Dir-se-ia que deveria ser fraseologia destinada a regular a existência, sem desvio, sem equívocos. Mas não. Por cada frase é preciso ouvir um monte de juristas e cada um fará a sua interpretação. 

Perante a questão do dia, se o que vale é a coligação ou se é cada partido que a compõe, já ouvi de tudo. E confesso que não sei quem tem razão pois os constitucionalistas opinam como tendo conhecimento de causa, mesmo para defenderem posições contrárias e eu, pobre de mim, sou leiga na matéria.

Também há aquilo de ainda faltarem os votos dos emigrantes que, face à escassa diferença existente, poderem vir a alterar os resultados, em especial se o que valer for a contagem dos partidos e não a da coligação.

Contudo, entre as opiniões de uns e outros, Marcelo já começou com as audições. Não faço ideia se faz bem se faz mal. Diria que, uma vez mais, está a falar antes de pensar. Mas isso sou eu.

Mas que está aqui um caldinho, está. Marcelo, na ânsia de correr com o PS, fez de tudo para o concretizar. Sempre embrulhou as suas intenções na desculpa da estabilidade. Mas sempre foi ele o principal agente de instabilidade e, como se isso não fosse suficiente, este seu lindo serviço da dissolução da Assembleia da República conduziu ao que se vê, um resultado que é do mais assimétrico e instável que há. 

Tal como tenho aqui dito, face ao ponto a que chegámos, se entramos todos em histeria -- cada um a espingardar para seu lado -- não vamos a lado nenhum.

O PCP, como sempre sem perceber nada do que se passa à sua volta, já nos presenteou com uma rejeição precoce. Ainda a coisa não começou e já eles estão a (não direi a ejacular mas a...) disparar. 

É que, em termos concretos, ainda ninguém sabe a composição do Governo e, muito menos, o seu programa. Mas isso não é coisa que incomode o bom do Raimundo que, por via das dúvidas, já anunciou que vai avançar com uma moção de rejeição. Por causa das tosses, diz ele (ou se não é por causa das tosses é por causa de outra coisa qualquer).

A Mortágua, bem longe da imagem de sombria cruella, parecendo querer que a gente se esqueça dela armada em vingadora e dominatrix, aparece-nos agora toda sorrisos e vestuário colorido, patética, a bandear-se, armada em chefe das cheerleaders da esquerda. É vê-la por aí a lançar desafios aos que ela acha que podem, com ela à frente, animar os saudosos da geringonça. Caso para dizer que já o carapau tem tosse. Não percebe que, o mais que faz, é estatelar-se ainda mais perante o eleitorado que, em tempos, lhes deu algum crédito. 

O PS parece que lhe disse que sim mas espero que tenha sido só por uma questão de boa educação e, sobretudo, por inexperiência. É que não sei se o PNS já aprendeu a mandar banho ao cão por outras palavras ou se ainda tem que comer muito pão com broa. Mas o Raimundo, um fofo, tão naïf, parece que a levou a sério e disse que sim. Sim... mas calma aí. Sim mas só se a Mortágua não estiver a pensar passar-lhe a perna, dilui-lo. Essa é que era boa, diz o Raimundo a fazer biquinho de valentão. Ora. Aprendam com ele.

Atilado, como tem sido seu apanágio, o Livre. Valha-nos isso.

Do outro lado, a IL já saltou fora do que poderia ser uma aliança alargada, AD+IL. Palpita-lhes que a coisa pode não ir longe e não querem ficar conotados.

E o Ventura, por seu lado, desdobra-se em entrevistas em que, perante a opinião pública, se mostra como o santo pronto a sacrificar tudo para o deixarem sentar-se à mesa dos grandes. Diz que, se for preciso, cede em tudo. Na prática, pretende encostar a AD à parede: ou a AD aceita negociar com eles ou chumbam-lhes os Orçamentos. Mas, claro, tudo a bem da estabilidade.

Felizmente o PS tem estado sereno, a ver no que isto vai dar. Só espero que aproveitem o compasso de espera para reflectir, para se reorientarem. 

Portanto, resumindo e repetindo-me. Moral da história: é deixá-los poisar. Isso é que é inteligente. 

Entretanto, partilho um vídeo que me parece interessante.

It doesn’t matter if you fail. It matters *how* you fail. 
| Amy Edmondson for Big Think +


Desejo-vos um dia bom

Saúde. Inteligência. Paz.

segunda-feira, julho 31, 2023

Onde não se fala do divórcio entre a Catarina Furtado e o João Reis
(isso fica o Expresso, esse jornal de referência)
mas sobre o que há depois da vida, segundo Einstein

 

Estamos decididamente na silly season e, por isso, deslizo pelas notícias sem conseguir fixar-me em nenhuma. É verdade que as circunstâncias também não propiciam grande paciência para com futilidades ou coisas muito déjà vu. Um dos meninos tinha feito anos já vai para uma semana e, porque, nestas alturas, se acumulam aniversários com férias dos pais, ainda não tinha conseguido festejar com a família. Por isso, foi hoje e cá o tivemos a apagar as velas num belo bolo do Sporting.

Por isso, depois de ver as cabriolices que fazem em catadupa e que me deixam sempre apreensiva e com receio que se magoem pois um faz e os outros todos querem reproduzir, incluindo o mais novo, depois dos festejos e depois de uma bela tarde em família, obviamente não me dá para coisecas que não interessam nem ao menino jesus (no pun intended).

Mas, se não tenho pachorra para sillyzices, também tenho claro que temas mais complexos não são adequados a estas alturas em que o calor aperta e a saturação se instala.

Contudo, vi agora uns vídeos que me parecem deveras interessantes. Escolhi um deles para aqui partilhar pois, parecendo que não, se calhar até tem alguma oportunidade. 

Aquilo que, segundo os crentes, é uma perspectiva animadora, a de que, quando se morre, se vai para um paraíso que é só leite e mel (isto se as portas se lhe abrirem, claro), a mim sempre me pareceu uma fantasia desprovida de sentido. Haver algures, nos confins do céu, um branco open space, cheio de finados que sorriem a todo o tempo numa de peace and love, parece-me delirante e, sobretudo, desprovido de qualquer razoabilidade lógica e científica. Claro que ficam na nossa memória, embalados pelo nosso afecto. Mas, do ponto de vista, físico, material, a conversa é outra.

Numa de que as partículas elementares de que somos feitos podem desagregar-se quando lhes faltar a energia que as mantém agregadas e, uma vez soltas, agregar-se de uma qualquer outra maneira, consigo conceber que, de certa forma, algo dos que morreram continua a pairar por aí. 

Agora nunca me tinha lembrado que se pode olhar para este complexo e perturbante tema numa perspectiva de espaço-tempo. É que, segundo essa perspectiva, o tema adquire uma dimensão que, de certa forma, traz atemporalidade àquilo a que chamamos vida. E isso é extraordinário.

Apesar da física das partículas elementares ser fascinante para mim, a verdade é que o seu entendimento não me é linear, fácil. Deixo-me levar, neste domínio, confesso, mais pela intuição e pela poética do que pela matemática. 

Por isso, não consigo pronunciar-me sobre o que aqui se diz, não consigo dizer se está certo ou se é provável. Consigo, apenas, dizer que me parece muito interessante.

Sabine Hossenfelder é uma física teórica e uma comunicadora. Fala sem rodriguinhos, sem deambulações por territórios metafísicos. 

The “afterlife” according to Einstein’s special relativity | Sabine Hossenfelder

Sabine Hossenfelder investiga as grandes questões da vida através das lentes da física, particularmente a teoria da relatividade especial de Einstein. Ela destaca a relatividade da simultaneidade, que afirma que a noção de "agora" é subjetiva e dependente do observador. Isso leva ao conceito de universo de blocos, onde passado, presente e futuro existem simultaneamente, tornando o passado tão real quanto o presente.

Hossenfelder também enfatiza que as leis fundamentais da natureza preservam a informação em vez de destruí-la. Embora as informações sobre uma pessoa falecida se dispersem, elas permanecem parte integrante do universo. Essa ideia de existência atemporal, derivada do estudo da física fundamental, oferece percepções espirituais profundas que podem ser difíceis de internalizar na nossa vida quotidiana. Como resultado, Hossenfelder encoraja as pessoas a confiar no método científico e aceitar as profundas implicações dessas descobertas, que podem remodelar a nossa compreensão da vida e da existência.

Como físico, Hossenfelder confia no conhecimento adquirido por meio do método científico e reconhece o desafio de integrar essas percepções profundas nas nossas experiências diárias. Ao contemplar esses conceitos profundos, podemos potencialmente expandir a nossa compreensão da realidade e nosso lugar dentro dela.


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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Serenidade. Paz.

quinta-feira, outubro 13, 2022

O terror e o desespero que Nina Khrushcheva observa agora no seu país

 

Conheço uma pessoa que tem algumas particularidades e esclareço, desde já, que estou a falar de uma pessoa real. 

Volta e meia, quando quer dizer alguma coisa que, segundo ele, requer mais coragem, dissocia-se de si próprio e começa a falar na terceira pessoa. Por exemplo, diz assim: 'É pa dizer a verdade? É que, se é, atão o Nuno vai dizer a verdade'. E, a seguir, diz uma mão cheia de coisas óbvias. E o ridículo é que as diz com ar de quem está a revelar os planos para deitar abaixo as Torres Gémeas. Depois remata com sorrisinho satisfeito: 'Se calhar, não gostaram de ouvir. Mas, já sabem, o Nuno é assim, se é para falar, o Nuno diz tudo o que tem a dizer.'. E percebemos que, lá no entendimento dele, marcou uma data de pontos. 

No outro dia, depois de mais um chorrilho de banalidades, saiu-se com esta: 'Se calhar não tavam à espera que o Nuno viesse aqui atirar uma bomba pa cima da mesa, mas, desculpem lá, tinha que ser'. Quem o ouve fica sem perceber se o tipo é parvo ou se come alguma porcaria às colheres. É que, para além da atitude quase apatetada, revela sistematicamente que não percebe nada do que se passa. Atira com aquelas grandes verdades com ar de quem atirou uma granada e a gente fica sem saber o que dizer. Não vamos dizer que vá dar banho ao cão. É que nem valeria a pena dizer isso pois não perceberia, iria concluir que não tínhamos aguentado com a força do petardo. Vê-se como um paladino da verdade quando não passa de um asno retardado.

A semana passada contaram-me que, depois de mais uma daquelas suas intervenções tontas em petit comité, veio cá para fora gabar-se que tinha avançado com a artilharia toda e que 'Paciência, se calhar ouviram o que não queriam ouvir... mas teve que ser. Se não gostarem, não comam, mas depois não venham dizer que o Nuno não avisou'. Ouvi isto e nem fui capaz de dizer nada pois a única coisa que me ocorria dizer era imprópria para consumo. Suspirei e fui piedosa. Limitei-me a dizer: 'Ah... foi? Ele fez isso tudo...? Olhe... pois não dei por nada...'

Mas isto para dizer que, perante a chacina que a Rússia tem vindo a levar a cabo na invasão da Ucrânia, perante a malvadez que Putin tem demonstrado, perante o banho de sangue e perante a destruição de pessoas e bens que tem provocado, perante os brutais atentados ao direito internacional e perante a total desumanidade que assassinamente ostenta, ainda por aí há uns quantos Nunos (e Nunas) que não apenas mostram que o seu lado é o dos criminosos como não percebem nada, nada, nada... e, como se não bastasse, gostam de se armar em espertos. Julgam que tiram cartas da manga ou da cartola e exibem-nas com aquele ar ufano que os mentecaptos exibem quando lhes dão palco. Vê-los provoca aquilo que vulgarmente se designa por vergonha alheia. 

A guerra, esta guerra, há-de acabar, Putin há-de ir para o esgoto da História, a Ucrânia há-de levantar-se das cinzas... e estas araras continuarão acantonadas em torno dos ditadores deste mundo -- com o PCP autisticamente ensarilhado ali pelo meio --, caladinhas que nem ratas a propósito do tirano assassino e, pelo contrário, a dizerem mal dos Estados Unidos, a gozarem com a Ursula von der Leyen e a desfiarem brilhantes teorias da conspiração que não lembram ao careca.

A entrevista a Nina Khrushcheva é muito interessante e reveladora e, por isso, permito-me recomendá-la. 

Quer a mentalidade de Putin, um KGB de quinta categoria que se rodeou de outros KGBs e que, inculta, psicopata e narcisicamente, gere um país da dimensão da Rússia, quer o sentimento da maioria dos russos perante o que está a passar-se são abordados de uma forma contida e informada pela professora Nina Khrushcheva.

Hear what professor who just visited Russia noticed

Professor Nina Khrushcheva discusses Russian President Vladimir Putin's mindset and her observations during her recent visit to Russia


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Um dia bom
Saúde. Paz.

segunda-feira, agosto 29, 2022

Breve crónica de um dia in heaven com receita de ossobuco dentro.

E citações inteligentes de Einstein, só porque sim

 


Os esquilos estão certamente habituados ao silêncio, ao canto dos pássaros, ao sino que toca ao longe. 

Agora, quando aqui estamos, como não estamos só os dois, há muito ruído, os meninos falam muito alto, há sempre alguém à procura de alguém, alguém a chamar alguém. 

De manhã, varremos no lado da casa perto da fonte e da pedra grande. Vários carrinhos de mão cheios de folhas secas, de bolotas, de caruma, de pinhas roídas. Toda a gente a trabalhar. O meu marido lá por baixo desbastando árvores e nós todos, cá em cima, varrendo. Em alguns sítios já só lá vai de ancinho, que a caruma ganhou altura e se mistura com terra.

De esquilos nem sinal. Devem estar abrigados, intrigados, no alto dos cedros ou dos pinheiros, esperando que chegue a noite para virem cá a baixo tentar perceber o que se passa. Mas devem andar na zona mais baixa do terreno, que foi onde o meu marido viu o último. Já devem ter percebido que aqui em cima há arraial todo o santo dia.

O dia esteve muito bom, não excessivamente quente. À tarde a luz está dourada. Tenho tirado poucas fotografias pois, quando estivemos no Algarve, levava quer o cão quer a máquina para a praia. Colocava a máquina dentro do cesto. Mas foi naqueles dias de calores excessivos. O urso felpudo, encalorado, coitado, escavava freneticamente até encontrar areia molhada para nela se deitar. Nesse exercício de escavação, atirava areia pelos ares a uma velocidade e distância consideráveis. Muita dessa areia entrou para a cesta, mais concretamente para cima da máquina fotográfica. Resultado: o zoom não funciona, deve ter grãos de areia no mecanismo. Ora tirar fotografias sem usar a objectiva é coisa contranatura, não dá.

Os figos ressentiram-se com os calores excessivos. Não cresceram. Estão muito pequenos embora doces. As folhas estão a cair como se estivéssemos no fim do verão. Há vários cachos de uvas que também sofrem do mesmo mal. Os bagos pequenos, já quase secos. Não chove.

Para o jantar de ontem fiz douradas assadas e uma salada de choco com tinta. Acompanhou-se com batatas roxas cozidas com casca e, no final, temperadas com azeite, alho picado e coentros. Para o almoço de hoje, voltei a fazer uma salada de verão. Para o jantar fiz ossobuco.

Fiz assim o ossobuco:

De manhã, no tacho (um dos maiores que tenho), coloquei azeite, vinho tinto, cebolas cortadas grosseiramente, dentes de alho, folhas de louro, um pouco de alecrim e um pouco de sal. Tapei para a carne ficar a marinar. Eram várias rodelas assaz grandes de osso com carne em volta. Perto das quatro da tarde, juntei salsa, coentros, 2 alhos franceses, mais cebola, e liguei o lume. Depois de levantar fervura, baixei. Ficou até às sete e tal a cozinhar em lume fraquíssimo. Depois desliguei o lume e ficou a repousar.

Perto da hora de jantar, escorri o líquido do molho, juntei uma pinga de água para ficar a ser o dobro da quantidade de água. Juntei duas cenouras aos bocadinhos, salsa. Deixei que fervesse um bocado para amaciar a cenoura. Juntei uma maçã aos cubinhos (para cortar a gordura do molho) e juntei o arroz. Depois de ferver, baixei o lume e deixei a cozinhar até o arroz absorver todo o caldo.

Entretanto, tirei as rodelas de carne para fora do tacho, tirei o pauzinho do alecrim e as folhas de louro e, com a varinha, triturei as cebolas, a salsa e os coentros, os alhos franceses. Ficou um molho espesso. Juntei um pouco de vinagre balsâmico e mexi bem. Voltei a colocar a carne no tacho, agora mergulhada no molho espesso.

Acompanhou a carne quer o arroz, quer salada de alface a canónigos quer metades de pera em calda.


Só mais um pormenor: não são apenas os esquilos que estranham o barulho. Penso que o urso felpudo também se ressente um pouco do movimento que agora há cá em casa. Habitualmente, na maior parte do tempo, estava apenas com os donos que estão a trabalhar, por vezes não presentes. E, se estão, não correm, não brincam o tempo todo, e deixam-no gozar a sua vidinha como muito bem lhe apetece. Agora, por estes dias, há sempre qualquer coisa a acontecer aqui em casa e ele anda de um para outro, brinca com um, brinca com outro, feliz, feliz da vida. Ou, então, é o permanente desafio de guardar a casa: sai a correr de cada vez que algum som lhe chega do lado da estrada. Hoje de tarde, por exemplo, o som de uns cavalos deixou-o ao rubro. Correu, correu, ladrou, um frenesim. Pois não sei se por tudo isso, agora à noite, certamente cansado, foi deitar-se atrás do sofá, quase entalado entre as costas do mesmo e a parede. O meu marido há bocado passou por aqui, muito intrigado que não o via em lado nenhum. Pudera. Ali ninguém o incomoda de certeza absoluta. Encontrou ali um refúgio, provavelmente a ver se tem sossego. Fofo.

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E agora cheguei ao Youtube e tinha um vídeo com citações interessantes do Einstein. Não vêm a propósito mas isso não me parece grave até porque raciocínios inteligentes vêm sempre a propósito. O Einstein é aqui sempre muito bem vindo, às horas que lhe apetecer aparecer. 

Quotes Of Albert Einstein _ An Intelligent Person Avoids 3 Things

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Fotografias feitas aqui, in heaven

Gautier Capuçon interpreta o O oboé de Gabriel do filme  "A Missão" (Ennio Morricone)


NB: A tecla do H continua renitente em colaborar. Por isso, se derem por falta da letra já sabem do que é: mais uma greve de verão.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Serenidade. Paz.

sábado, setembro 23, 2017

O cavaleiro da luz








Em 1895, quando abandonava a infância, Albert Einstein teve uma visão que lhe abriu portas desconhecidas: sonhou, ou imaginou que cavalgava pelos céus montado num raio de luz.

Alguns anos depois, estas portas conduziram-no à teoria da relatividade e a outras iluminações.




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O texto é de Eduardo Galeano em 'O caçador de histórias'

Béatrice, 1897 e The Birth of Venus, 1912 — Odilon Redon
The Cosmos -- Hee Choung Yi

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sexta-feira, setembro 16, 2016

Deus é matemático?
E, já agora, Einstein acreditava em Deus?
E eu, acredito em quê?


Acredito na harmonia. Acredito na gentileza. Acredito na serenidade. Acredito na beleza. Acredito na generosidade. 
Acredito que nem todos as vêem ou sentem. Tal como uma pessoa com fé num Deus encontra provas da Sua existência, outros (ainda que apenas mentalmente) ajoelham perante a improbabilidade da conjugação de tantas coisas incríveis que a natureza lhes mostra.
E é assim que acredito na eternidade que se percebe no olhar de quem nos olha nos olhos ou no infinito que se adivinha perante a convergência inexplicável entre pessoas que antes não se conheciam e que, contra todas as probabilidades, se vêem uma em frente da outra como se não mais quisessem separar-se. Acredito na força que não se vê e que move montanhas e mares e vontades.

Acredito no que não conheço, no que não percebo, acredito na intangibilidade da coerência invisível que gera e mantém a vida em todas as suas formas. Acredito na multidimensional vastidão dos universos e nos múltiplos e diversos seres que os habitam.

Acredito na simplicidade. Acredito na singeleza intrínseca das partes que compõem os sistemas complexos. Acredito na terra, na água, nas pedras, nas árvores, na chuva e no vento, no voo dos pássaros, na doçura dos frutos, no olhar meigo dos cães, no distante azul do céu, no morno abraço que se pressente em quem nos quer bem, nas mãos do homens que constroem cidades, acredito na música poderosa do mar ou na suave da aragem ou na inocente da folhagem ou na inventada pelos homens. Acredito na melodia tangencial da poesia.

Acredito no inviolabilidade dos grandes segredos, na magia dos momentos únicos, na longevidade dos afectos, na efemeridade do prestígios, na veracidade dos prodígios, no mistério das palavras, na elegância dos corpos, na imensidão da mente, no poder absoluto do amor.









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O físico Michio Kaku divaga (se me é permitido usar este verbo neste caso) sobre se Deus (a existir) será um matemático e produz uma afirmação surpreendente: "The mind of God we believe is cosmic music, the music of strings resonating through 11 dimensional hyperspace. That is the mind of God." 

Thomas Levenson responde às questões de Cynthia McFadden da NBC News sobre se Einstein acreditava em Deus.

Finalemente, Leda e o Ciesne aqui numa coreografia de Kim Brandstrup e interpretada pelos bailarinos Zenaida Yanowsky e Tommy Franzen de The Royal Ballet . A poesia de Yeats é lida por Fiona Shaw.

As fotografias foram feitas in heaven, onde o outono se anuncia em toda a sua doçura.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito feliz.

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segunda-feira, junho 13, 2016

Onde é que se encontrará esse raro lugar, pálido Ramon?



Einstein disse: ‘Temos de aprender a distinguir entre o que é verdadeiro e o que é real’


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Acreditar numa coisa ao mesmo tempo que se sabe que não pode ser provada (por enquanto) é a essência da física. Homens como Einstein, Dirac, Poincaré, etc, exaltaram a beleza dos conceitos, colocando a verdade, de maneira bizarra, num nível de importância inferior.

Há tantos desses exemplos que eu próprio me fiz eco da arrogância dos meus mestres teóricos, que estavam, na verdade, a afirmar que Deus (também conhecido como o Mestre, Der Alte), ao moldar o universo, pode ter cometido alguns erros favorecendo uma verdade conveniente em detrimento de uma matemática maravilhosamente bela. Até agora, este deselegante falta de confiança no Criador tem-se sempre mostrado precipitada. 


[Excerto de um texto de Leon Lederman, director emeritus do Fermi National Accelerator Laboratory que recebeu o Prémio Nobel da Física em 1988 - em 'Grandes ideias que não podem ser provadas' já aqui ontem referido].


Mas, então, qual é o meu tema verdadeiro? Estamos a falar de autenticidade? O meu único objectivo foi sempre, desde o início, dar forma à tensão sem forma que paira na escuridão dentro do meu crânio, como a imagem que perdura depois de um relâmpago. Que importância tinha quais eram os fragmentos dos destroços gerais que eu escolhia para tema? Guitarra, pátio e mar azul-cerúleo com veleiro, ou a peixaria da Maggie Mallon… que importância tinha? Mas, de alguma maneira, tinha; de alguma maneira, ali estava sempre o velho dilema, isto é, a tirania das coisas, do real inevitável. Mas, no fim de contas, que sabia eu sobre coisas reais, quando elas surgiam e me confrontavam? Era precisamente a realidade que não me interessava nem um pouco. Volto a perguntar se foi isso que na verdade me bloqueou; o facto de o mundo que decidi pintar não ser o meu. É uma pergunta simples e a resposta parece óbvia. Mas há uma falha. Dizer que o Sul não era meu sugere que havia outro lugar que era e, digam-me, onde é que se encontrará esse raro lugar, pálido Ramon*?


[Excerto de 'A Guitarra azul' de John Banville]


*Pálido Ramon' é uma referência ao poema "The Idea of Order at Key West" de Wallace Stevens (que aqui abaixo é lido por Tom O'Bedlam)


Oh! Blessed rage for order, pale Ramon,

The maker's rage to order words of the sea,

Words of the fragrant portals, dimly-starred,

And of ourselves and of our origins,

In ghostlier demarcations, keener sounds.

....
Fotografias feitas hoje em casa
....

E, caso ainda o não tenham feito, aceitem o convite e desçam até ao 'O amor verdadeiro e o electrão'.

...

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Eis que se abre um pouco mais a grande porta do infinito:
"Ladies and gentlemen, we have detected gravitational waves. We did it!"






No outro dia escreviMas sei que há uma flor navegando pelos ares, que há água e estranhas formas de vida noutros planetas, que há milhões de sóis, milhões de céus, milhões de sonhos perdidos em órbitas desencontradas, palavras flutuando sobre as ondas que as marés siderais levam e trazem, medusas aladas, anjos, luas, pedrinhas, memórias, braços que procuram abraços, sons estelares, infinitos nadas; e lugares escuros, sem tempo, onde passado, presente e futuro se misturam. 



Não escrevi por escrever: escrevi porque é assim que vejo o vasto espaço que nós habitamos -- nós seres ínfimos, insignificantes, pouco inteligentes, uns entre muitos outros seres dispersos pela inimaginável vastidão. Vejo o vasto espaço como um imenso mar feito de partículas infinitamente pequenas que, em situação normal, isto é quando não existem brutais explosões, deslizam suavemente como vastas marés, um ondular suave que transporta memórias (restos de impactos, restos, restos não sei de quê, talvez pós de pedrinhas, invisíveis areias vindas de longínquas luas, poeiras do que antes foram pessoas, agora talvez anjos), um espaço atravessado por sons provenientes do movimento dos astros, dos astros que morreram, dos que são sugados para o interior de si próprios, dos que se expandem mais do que exponencialmente. Vejo isto na minha cabeça. Vejo a partir do que leio. Vejo talvez a partir de sonhos vindos não sei de onde. Estava a escrever aquilo e, como disse no fim do texto, era como se não fosse eu a escrever -- de tal maneira que não consegui dar título ao que escrevi.


Falar da Física tem este misterioso efeito sobre mim, falo sem saber do que falo, falo como se os rastos de luz que aquilo que não se vê deixa na atmosfera guiassem as minhas mãos. Sinto-me cega, tacteando o invisível, querendo descobrir o desconhecido, o intangível, o imaterial, percorrendo caminhos que não vejo, que nunca vi e que me levam não sei onde. Cega, inocente como uma criança, inventando histórias impossíveis, dou por mim a acreditar que por vezes em mim coexistem aquilo que fui, que fui nesta minha vida, com aquilo que fui num qualquer outro corpo (seja de mulher, seja de cavalo ou gaivota), e também com aquilo que sou agora e com aquilo que serei. Uma fusão intraduzível em palavras. E também sinto, por vezes, que estou perto daqueles a quem posso tocar com as mãos mas também perto dos que, estando longe, estão aqui, agora, ao meu lado, porque me lêem, porque me querem bem, porque, como dizia a Rita num comentário a um texto mais abaixo 'somos todos mais parecidos do que nos julgamos', tão parecidos que nos tocamos, nos interseccionamos e que, parte de mim, está agora convosco tal como agora que escrevo tenho aqui comigo alguns de vós. Sei que escrito assim pode parecer uma coisa de doidos mas é o que eu sinto como verdadeiro, sem que consiga explicar o que quer que seja a propósito disto -- melhor: sem que queira explicar.


A verdade é que, se eu deixar de me impor barreiras e deixar que o meu pensamento flua, ponho-me a dizer coisas sem um nexo identificável. E, como disse, não tento sequer pôr ordem nas minhas palavras não vá perder-se o fio de ariadne que me conduz através do infinito labirinto. Eu que gosto tanto de brincar a transformar o mundo em modelos e que me delicio com os milagres da simulação que se aproxima tão tangencialmente da inteligência artificial, em momentos assim, seria incapaz de verter o meu despensamento em expressões algébricas. Pelo contrário, toda eu me movo na mais pura abstração e se tivesse que descrever por onde ando, falaria de espaços que são abertos, sem formas identificáveis, uma imensidão sem princípio nem fim, percorrida por algo que não é silêncio nem som, por um movimento que não se sente, sem sombras nem luz, onde o tempo não existe e onde tudo é tudo. E penso que gostaria de ser capaz de me exprimir sem recorrer a estas palavras que estão puídas de tanto uso pois queria falar de realidades primevas, espaços e tempos em que a razão dispensava a expressão, em que a emoção existia envolta em silenciosos e apenas pressentidos frémitos.


Querer equacionar, neste contexto, como foi que tudo começou parece-me pensamento fútil. Não começou. O imenso infinito onde muitos mil sóis, muitas mil luas, muitos mil seres navegam em elegantes movimentos ou desaparecem recuando ao âmago da sua origem ou se expandem em louca exuberância é um contínuo sem princípio nem fim. Se não há começo não há, pois, quem o tenha começado. Mas, se não há um deus fundador, há, sim, muitos mil deuses. É a feliz aleatoriedade que por vezes é mãe da harmonia e da felicidade, é a beleza das descobertas ocasionais, é a suavidade das convergências improváveis, é a infinita mão que nos protege, feita da memória de todas as boas mãos que alguma vez existiram, é o bailado milagroso que se dança dentro nossa cabeça e do qual nasce a nossa capacidade de olhar, de ouvir, de sentir, de amar, de escrever poesia, de escrever palavras sem dono, injustificáveis como números primos.


Nesta quinta-feira, à hora de almoço, olhei o telemóvel, espreitei as notícias. E só não caí de joelhos porque me segurei. Tinha sido anunciada a descoberta das ondas gravitacionais. Pensei logo nas minhas ondas das marés siderais. Fechei os olhos, arrepiada. Finalmente. Depois abri os olhos, procurei mais informação. Só me apetecia ir para o campo, para o meio das árvores, ou para  a beira do mar, deitar-me, encostar os ouvidos à superfície do planeta, tentar ouvir os seus segredos, adivinhar o mistério que ele esconde. Mas depois pensei que o segredo não está no interior da terra. E depois pensei que não há segredo. E depois pensei que o que há é beleza, a magia da infinita beleza, a mágica beleza do infinito.


Onda gravitacional é a onda que transmite energia por meio de deformações no tecido do espaço-tempo, ou seja, perturbando o campo gravitacional. A teoria geral da relatividade prediz que massas aceleradas podem causar este fenómeno, que se propaga com a velocidade da luz.(...) Em 2016, pesquisadores do projeto LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) observaram "distorções no espaço e no tempo" causadas por um par de objetos com massas enormes interagindo entre si. Acerca da descoberta, David Reitze, diretor do projeto, em uma entrevista coletiva em Washington, disse: "Nós detectamos ondas gravitacionais. Nós conseguimos".



O avanço científico está a ser recebido com uma das descobertas do século. A equipa internacional que fez a descoberta diz que esta primeira deteção das ondas gravitacionais significa a entrada numa nova era na astronomia.

O físico teórico alemão Albert Einstein (1879-1955) defendeu, na Teoria da Relatividade Geral, que o celebrizou, que os objetos que se movem no Universo produzem ondulações no espaço-tempo e que estas se propagam pelo espaço. Previu, assim, a existência das ondas gravitacionais e demonstrá-la de forma direta era o último desafio em aberto da Relatividade.



E leio, sobretudo, a contagiante alegria de Carlos Fiolhais: HABEMUS ONDAS GRAVITACIONAIS! 

Como disse um dos cientistas envolvidos, até agora só tínhamos olhos para o espaço, Agora temos também "ouvidos". E o espaço não é um sítio de pasmaceira, é um cenário de acontecimentos violentos, que nos fornece feéricos espectáculos de luz e cor.
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Vídeos sobre as Ondas Gravitacionais




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No meio de guerras com armas de toda a espécie, incluindo as financeiras, eis que mais uma porta maravilhosa se abriu. E, portanto, se, por um lado, vivemos tempos sombrios, por outro, atravessamos uma época de luz.
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Lá em cima, Renée Fleming interpretou a Canção à Lua de Dvorak

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E, depois disto, caso sejam dados a gostos estranhos como mergulhar na lama, mais propriamente no imenso lamaçal em que está transformada a comunicação social portuguesa completamente infestada pelos PàFs e pró-PàFs, queiram, então, por favor, deslizar até ao post já a seguir onde falo da forma implacável como Manuela Ferreira Leite lhes baixou os fundilhos e lhes aplicou umas valentes nalgadas. E aplaudi, claro está.


terça-feira, agosto 26, 2014

O défice subiu outra vez? A dívida não pára de subir? A economia portuguesa continua intrinsecamente débil? Vai haver novo orçamento rectificativo? Fala-se em nova subida de impostos?... Qual o espanto? Relembro uma citação atribuída a Einstein: insanidade é fazer a mesma coisa, uma e outra vez, e ficar à espera de obter resultados diferentes.


A sério: poupem-me. Estou de férias. 

Peace and love ou, complementarmente, coisas divertidas ou inteligentes - é tudo o que eu tolero. Fora disso, é como se fosse picada por melgas, faz-me brotoeja.






Estando hoje na cidade, já tirei a barriga de misérias do cabo. Conversas com Vida, no ETV, com José Gil. A entrevistadora, Tânia Madeira, ainda não tem tarimba, cinge-se ao guião, faz perguntas ao filósofo que encerram toda uma vida com a mesma ligeireza com que perguntaria se ele prefere água com ou sem gás. Mas, enfim, vê-se que é esforçada: faz-se, é uma questão de tempo. Agora prazer mesmo é ver o ar saudável e menineiro de José Gil. E ver a forma aberta como fala de tudo. Gente inteligente é outra coisa. Dizer que ele abomina o que este governo de atoleimados anda a fazer ao País ou que tem esperança no que António Costa pode fazer pelo PS e pelos portugueses seria reduzir a sua interessante conversa a assuntos mais imediatos. Quem tiver oportunidade de ver a entrevista, não dará o tempo por mal gasto. José Gil vai mostrando, ao longo da conversa, como a vida é feita de camadas, umas leves, superficiais, outras mais irrigadas, outras profundas, sensíveis. Um prazer.




Fim de dia na esplanada Nova Vaga, sobre o mar, numa tarde fresca e boa.
As crianças a brincarem na areia e nós ali a curtirmos a beleza destas praias limpas e imensas
O meu lanche/jantar:
Bebida: Somersby on the rocks; comida: sandes de salmão fumado em pão integral com ovo e alface



Ora, depois de um dia tão bom como o que tive, e depois de ouvir falar uma pessoa com um pensamento tão cristalino, com que disposição posso eu falar dos resultados conhecidos relativos aos primeiros 7 meses do ano? O défice orçamental subiu para 5,8 mil milhões de euros e eu limito-me a encolher os ombros.

Depois de andarem mais de 3 anos sem perceberem as causas da crise, sem perceberem boi do impacto na economia das medidas estúpidas que tomavam, sem perceberem que para se levarem a cabo mudanças em sistemas complexos como a segurança social ou o sistema de pensões não basta dar umas marteladas numas folhas de cálculo feitas às três pancadas, têm mesmo que se efectuar estudos igualmente complexos, sem perceberem que, de cada vez que cortam um euro em alguns pontos nevrálgicos, o que estão é a secar a economia - que outra coisa se poderia esperar das acções de Passos Coelho e Companhia? Fazem os mesmos disparates uma e outra e outra vez  e os resultados são sempre os mesmos - claro.

A dívida pública (que foi a pedra de toque de todo este embuste) está cada vez mais alta e não se vê jeito de descer. Da dívida privada nem se fala (e essa, sim, ó meu Deus, é ainda pior, é mesmo de meter medo ao susto). Do lado da demografia (que devia ser uma das 3 prioridades absolutas de qualquer governo decente), os resultados são os piores e não se vê que, com as medidas que esta cambada leva a cabo, possa tão cedo inverter.

Como pirómanos inconscientes vão incendiando e devastando por onde passam. E, se for preciso, ainda dizem, com cara de pau, que tinha que ser, que o mato é que estava grande e se tiveram que lhe deitar fogo, incendiando a aldeia à volta, não foi porque gostassem, foi mesmo porque TINA.

Perante esta desgraça, um país que se afunda na maior tranquilidade, a oposição está a banhos.

  • O PCP anda envolvido no seu grande projecto de vida, a Festa do Avante. Tirando isso, e tirando influenciar a CGTP a fazer umas grevezecas ou umas manifs inócuas, do PCP não vem mais nada. Muita conversa, muito engajamento, muita motivação mas, marcham, marcham, e não saem do mesmo sítio.
  • Do BE até me dói falar. Coitados. É boa gente - mas coitados. Não atinam. Falam bem mas são daqueles que chocam, chocam, mas dali nunca nasce nenhum pinto.
  • O PS é a pouca vergonha que se sabe. O Seguro acha que foi ungido (e foi, em Congresso) e, mesmo perante o resultado das eleições e das sondagens, ainda acha que o lugar é dele e que dali ninguém o tira. Está a arrastar o PS pelas ruas da amargura e a deixar o caminho livre para os indigentes do governo. Tomara que leve uma tareia daqui por um mês. Se não levar, acho que vou fazer um buraco no chão e enfiar lá a cabeça para não assistir a um PS nas mãos de uma criatura que revelou um lado ainda mais medíocre do que se suspeitava.

Por isso, com o caminho livre para continuarem a fazer porcaria, porque haveriam os resultados obtidos por um governo do piorio de ser diferentes?




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No meio disto o que me intriga é o seguinte: esta passividade bovina dos portugueses é burrice ou é inteligência? Se eu pensar nos portugueses como numa raça de animais, o que revela a forma como se acomodam a toda a espécie de imposições, ditaduras, sacrifícios à toa, ultrajes, indignidades? 

Não sei mas até admito que haja nisto como que uma contenção de esforços, uma forma zen de suportar a vergonha, a violência e a dor. Não sei.

Mas também vos digo, a minha cabeça em férias ainda gosta menos de dar voltas ao bilhar grande do que em tempo de trabalho. Por isso, quanto a isto, estamos falados.


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A música lá em cima era Walk on the wild side. Lou Reed

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terça-feira, julho 05, 2011

Em que idade devem as crianças começar a falar? Einstein responde.

Não me apetece acabar o dia em clima de crise e, por isso, para os pais e avós que andam inquietos porque os seus bebés tardam em falar, deixem-me que lhes transcreva uma história que li no livro de Eduardo Punset, 'Viagem ao Amor' de que aqui  e aqui já falei.


'Uma historieta , seguramente apócrifa, relativa à criança Albert Einstein que, aos 3 anos e meio, continuava sem falar. Um dia, de repente, ao pequeno-almoço, soltou sem vacilar a seguinte frase:

- O leite está a ferver.

-Mas tu não falavas! Porque é que ainda não tinhas dito nada até agora? – exclamaram os pais sem conseguirem sair do seu assombro.

- Porque antes tudo estava em ordem e controlado – foi a resposta do pequeno Einstein'

 
Nem mais.


(Mas se vos apetece ler sobre o que se anda a passar por aí, sigam, por favor, para o piso abaixo.)