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domingo, outubro 13, 2019

Vita & Virginia



Fui ver o filme. Está agora restrito a uma sessão por dia, a uma hora que não estorva o afluxo a filmes mais mediáticos. A sala quase vazia. Não se ouviu um ruído nem cheirava a pipocas. Os muito poucos que ali estavam, estavam apenas para verem e ouvirem o filme. No escuro do cinema, a beleza das palavras e a serenidade das imagens bastava. 

Quando saímos, uma enchente ruidosa nos corredores, no átrio, nos acessos. Não sei o que está a atrair tamanha multidão. Talvez o Rambo, talvez o Joker, talvez, até, a Judy. Provavelmente nenhum dos que estavam para os outros filmes sabia que o filme se refere à paixão entre Vita e Virginia que são, respectivamente, Victoria Mary Sackville-West, Lady Nicolson, conhecida como Vita Sackville-West (1892 – 1962) e Adeline Virginia Woolf (1882 – 1941). E, se calhar, mesmo que o soubessem, ficariam na mesma.


E, no entanto, que vidas extraordinárias as delas e das respectivas famílias e do grupo em que se integravam.

Não frequento já as estrelas e as bolas com que os críticos de cinema pontuam os filmes mas tenho curiosidade: como terão classificado este filme? 



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Já agora, para os que não sabem, a obra Orlando de Virginia Woolf foi inspirada em Vita Sackville-West e dela se fez o filme cujo trailer abaixo partilho e que tem a participação de Tilda Swinton na figura misteriosa e andrógina de Orlando.



sexta-feira, junho 08, 2012

Retrato de um casamento (aberto), a história de Vita Sackville-West e Harold Nicolson: apenas um amuse-bouche para posts que escreverei mais tarde sobre os próprios e, também, sobre Tamara de Lempicka


Escrevi há pouco sobre as misérias nacionais, sobre a indigência que grassa no país - sendo que a maior das quais é a governativa - e sobre outros temas igualmente deprimentes. Por isso, quem estiver afim de ler sobre o que acho da redução de salários, flexibilização da legislação laboral, medidas de austeridade e outros ingredientes da receita relvo-passista (e não estiver para imagens ou bailaricos de natureza suspeita) pode passar directamente para o post seguinte.



Women at the Bath - Tamara de Lempicka



É a história de duas pessoas que se casaram por amor e cujo amor se intensificou a cada ano que passava, ainda que fossem infiéis um ao outro constantemente e por mútuo consentimento.

Ambos amaram pessoas do seu próprio sexo, mas não exclusivamente, e o seu casamento não só sobreviveu à infidelidade, à incompatibilidade sexual e a longas ausências, como se tornou mais forte e melhor em resultado disso. Conseguiram dar um ao outro liberdade total, sem perguntas ou censuras. O casamento teve êxito porque só na companhia um do outro encontravam uma felicidade permanente e completa, e, se for visto como um porto de abrigo, os outros casos de amor eram meros portos de escala. Era para esse porto de abrigo que ambos voltavam, era aí que ambos tinham a sua base.


[Nigel Nicolson, falando do casamento dos seus pais, Vita Sackville-West e Harold Nicolson, na introdução do livro 'Retrato de um Casamento' - tema a que voltarei oportunamente]



Vita (1892 - 1962) e Harold (1886 - 1968) na sua casa em Sissinghurst, Kent, em 1960


Lembrei-me de referir este trecho, por me lembrar que Vita foi uma das amigas de Tamara de Lempicka (1898-1980), pintora de que, se puder, vos falarei amanhã ou um outro destes dias e que, em termos de estilo de vida, teve alguns pontos de similitude com Vita Sackville-West.

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E, a propósito ou talvez não, convido-vos agora a ver mais um bailado pelo Grupo Corpo, Onqotô, este um pouco diferente dos outros que aqui tenho partilhado convosco. A coreografia é de Rodrigo Pederneiras sobre música de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik. Belíssimo.



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Bom, mas já sabem, no post seguinte, escrito há pouco, há conversa sobre a actualidade portuguesa e aí a coisa fia mais fino. Caso queiram testemunhar as fúrias que, de vez em quando, se apoderam de mim, desçam, portanto, um pouco mais.

Já agora e como de costume, gostaria muito que me visitassem também na minha outra casa, o Ginjal e Lisboa, a love affair. Hoje as minhas palavras voam levantadas por um ventinho que sopra de leste e que nasce da poesia de Daniel Filipe. A música é uma maravilha, vozes divinas ao serviço de Mozart em Cose Fan Tutte.

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E tenham, Caríssimos Leitores, uma bela sexta feira!