Todos os comentários que aqui recebo são importantes e todos agradeço.
Por exemplo, ontem fiquei muito contente por ter um comentário da JV que é sempre tão assertiva, tão cheia de uma vivacidade transbordante (e de certezas cujas arestas o tempo, esse grande escultor, se encarregará de amaciar), e cujas palavras transportam a confiança e determinação de quem avançará pela vida fora sempre pronta a agarrar cada oportunidade pelos cornos.
E gostei de ter a confirmação, por parte do P. Rufino, daquilo que intuía:
Mas, digo-lhe uma coisa (com algum conhecimento de causa): nas reuniões internacionais, quer a nível europeu, ou mais alargado, a questão da venda de armas, o seu controlo, a sua proibição, etc, não é discutida. Não faz parte da agenda de qualquer dessas discussões, nas tais reuniões. Discutem-se várias questões, de ordem política, de cooperação judiciária e policial, entre os diversos ministérios do Interior, etc. Mas nunca a questão de como evitar que os terroristas venham a ter acesso a armamento!
Mas é o comentário do Leitor J. que hoje aqui vou transcrever na íntegra pois considero que está estruturado de uma forma lúcida e objectiva e, também, porque aponta a luz para a situação subjacente aos meios em que estes movimentos proliferam. A visão em landscape é importante quando se pretende compreender o enquadramento de uma situação e, de certa forma, é um pouco isso que o J. nos traz. Ou seja, é como se contrariasse a tendência que temos de ver demasiado de perto, em visão macroscópica, reagindo em picos de emoção que se extinguem logo que deixamos de contemplar aquilo em que nos focamos sem distanciamento.
Tem razão o J: é bem verdade que a nossa insensibilidade e egoísmo nos levam a ignorar as desgraças e misérias que se passam longe de nós e apenas acordamos quando o terror chega perto do nosso quintal.
Mas, se concordarem, acompanhemos o texto com música.
Arvo Pärt - Te Deum
Todo um exército de fundamentalistas pronto a morrer como mártires, a abdicar da própria vida, como o EI, é uma situação muito mais difícíl de entender, do que limitar a análise ao individuo em particular, viciado em jogos de computador.
Sendo certo que até esse estará, muito provavelmente, morto até ao final do dia, impõe-se a questão: será que está mesmo disposto a morrer? E se está, será que é por ser viciado em jogos de playstation? Duvido.
Sendo certo que até esse estará, muito provavelmente, morto até ao final do dia, impõe-se a questão: será que está mesmo disposto a morrer? E se está, será que é por ser viciado em jogos de playstation? Duvido.
Avaliando o fenómeno global é muito mais certo pensar que este extremismo tem rédea solta em comunidades pobres e em que grassa o sentimento de frustração.
Como se sentirão os jovens de Gaza que perderam os irmãos em bombardeamentos esses sim racionais, na medida em que são ordenados por um Estado, e que resultam de uma razão colectiva e sancionada pela comunidade internacional?
Como se sentirão os jovens argelinos a viver em carência material num país onde o PIB per capita não vai além dos 5.000 dólares? Já para não falar da Síria onde são 2.000 dólares? Considerando que estes são países com vastas riquezas materiais, das quais beneficiam fundamentalmente outros, é natural pensar num sentimento global de frustração.
No Courrier do mês passado falava-se do início de uma terceira guerra mundial, já em curso, totalmente diferente das anteriores, mas ainda assim global.
Numa guerra há facções e há vítimas, como as de Paris.
Se não concordamos com isto, porque é que não pomos todos "je suis Gaza" cada vez que 12 crianças são mortas por bombas israelitas sob o pretexto "Mais vale chorar 1.000 mães palestinas do que uma israelita", conforme referiu um ministro de Israel?
_____________