Mostrar mensagens com a etiqueta travesti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta travesti. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 12, 2018

Enquanto decorrem as votações... uma pequena surpresa


Porque os meus dias são sempre o que são, quando aqui cheguei à sala já o desfile das canções estava quase a acabar. Depois, pôr e não pôr a roupa a lavar e demais domésticos afazeres e mais um ou outro telefonema e isto, aquilo e o outro, e chego ao sofá, ligo a televisão e, por sorte, apanho o Salvador, primeiro com a canção nova e depois com o mano Caetano. Muito bom. E agora já se vota. Portugal fraquinho, fraquinho e à frente a Áustria -- que, por acaso, daquele resumo que passaram há bocado, me pareceu mesmo a melhor -- e a Catarina Furtado e a Daniela Ruah aos comandos.

Bem.

Já espreitei os onlines e parece que o que se passou de mais curioso no dia de hoje foi mesmo um engraçado que conseguiu furar a segurança e chegar ao palco enquanto cantava a representante do Reino Unido. Também mais uma coisa terrível em Paris mas disso acho que o melhor é a gente nem falar porque não há muito a dizer e porque quando menos se publicitar melhor.

E, tirando isso, para já mais nada de que me apeteça falar. Portanto, fui ver que presentinhos tinha o menino algoritmo do YouTube para me agradar. E, pimbas, desta vez resolveu fazer negaças à Eurovisão e mostrar-me uma cena do Britain Got Talent que está a dar. E logo uma coisa das boas. Uma surpresinha.

Um trio fantástico, Miss Tres, interpretando Sex Bomb. Ora vejam. E não se fiquem pela apresentação, ouçam-nas a cantar.


sábado, abril 14, 2018

Homens para todos os gostos.
Dentro do género, claro está.



Depois de um diazão recheado de temas e temões, cada um mais cabeludo que os outros e de, a fechar e até às tantas, um valente pepino -- em que o que o salvou foi que o fatiámos em cenas macacas, envolvendo grandes galhofas metendo gente a sair do armário e trocadilhos sobre procedimentos relativos a violações e consentimentos (de dados pessoais, whatelse?) -- chego a esta avançada hora sem vontade de escrever, pensar, ler, ou, sequer dormir.


E o que procuro, para lavar a mente, é qualquer coisa na base da agulheta. Ou seja, sem filosofia, biologia, astronomia ou poesia que o perturbe. Coisa mesmo de rajada para desimpedir os neurónios, para empurrar, na base do chega-para-lá sem dó nem contemplações, qualquer vestígio de regulamento, sentimento ou pensamento. O que eu já para aqui vi. Só visto porque nem contado. Cada maluqueira mais destravada que as restantes. Mas agora, para aqui partilhar convosco, noblesse oblige, escolhi coisa atilada: um show mostrando do melhor que há a nível de looks masculinos. Claro que a amostra revela um gosto algo limitado mas, enfim, quem sou eu para dar lições de gosto nestas matérias? 

Se no Governo-Sombra do Rio o que ali vejo é uma predominãncia de rapaziada demasiado datada, já para não dizer vintage, ou mesmo, quase pré-histórica, aqui, neste vídeo, o que vejo, para além das meninas, são rapazinhos muito verdinhos, muito pré-primária. Ora, exigente que sou, não posso prescindir de uma pitada de sabedoria, duas de ternura desassossegada, três de malandrice, quatro de patine e cabelinho a mostrar que quer esbranquear (ou que já lá chegou) -- coisa assim que revele que, algures no meio da cabeça, alguns neurónios marcam presença e neurónios dos bons, dos sabidões.

Mas, na volta, é esta minha tendência para ser biquenta (biquenta ou niquenta? - a sério, não me lembro). Se bem que se, no meio do vídeo, me aparecesse aqui, numa de dengosa e bailaroca atitude, o Ângelo Correia ou outro dos jovens ministros do mangas de alpaca que veio suceder ao não-saudoso láparo, também não ia gostar.

Portanto, vou calar-me e ver sem protestar. Apreciem e juntem-se à festa, ok? E beijocas e abrações e um belo fds para ocês.



.............................

domingo, abril 01, 2018

Divina


Devo confessar que sinto um certo gostinho pelo politicamente incorrecto. Não é coisa de adolescente retardada já que, por sorte, tenho gozado cada idade em seu tempo. Não fui uma adolescente rebelde mas estive longe de ser muito bem comportada. Politicamente sempre me situei à gauche e a minha natureza livre sempre me afastou de partidos, movimentos, clubes, religiões. Mas, justamente por ser intrinsecamente livre e por não sentir qualquer necessidade de fidelidades a padrões comportamentais, de aplausos ou de afagos ao ego, sinto-me, frequentemente, tentada a fazer coisas que não me trazem muitos votos.

Sentir-me bem não passa por me sentir popular. E, que me lembre, sou assim desde que me lembro de mim: volta e meia a fazer coisas que deixam os outros com vontade de me repreender ou, o que é ainda mais delicioso, com vontade de me corrigir, quiçá, até, de me educar. Assistir a isso diverte-me à grande. Mesmo aqui na blogosfera: se algum blogger ou leitor se amofina comigo e me dirige palavras menos cordatas, isso, para mim, é pura diversão (como se estivesse a dar-me o pretexto para eu fazer ainda pior). Se leio ralhetes, observações sardónicas ou coisa do género eu dou por mim a sorrir -- qualquer coisa como 'ok, baby, make my day...' -- quase pedindo que se esmere ainda mais para eu ter sérias razões para lhe aplicar o justo correctivo. 

Enfim. Não que isto seja virtude mas, creio, pecado também não será. É o que é.  Se a turba grita potato eu invariavelmente sinto-me tentada a dizer tomato. E daí também não vai mal ao mundo, acho eu.

E, portanto, perdoar-me-ão os meus queridos Leitores que, num dia como o de hoje, eu não me apresente vestida de roxo, paramentada a preceito, com cânticos de fazer tanger os sinos da torre e, em vez disso, aqui vos traga tudo menos o que devia ser.
Mas, enfim, alguém sabe dizer, com certezas absolutas, o que, a cada momento e em cada circunstância, se deve ou não deve fazer?
E, assim sendo, sem mais delongas, convido-vos a ver este vídeo com a talentosa Divine (nascida Harris Glenn Milstead, 1945 - 1988 ). A bem da diversidade, da inclusão, do humor e da irreverência, que entre a diva. 




E um belo dia de domingo para todos os meus Leitores.

Have fun.

.....................................

quarta-feira, novembro 15, 2017

Where the wild roses grow

-- O FIM --





E, então, Benedita deixou-se levar por aquela estranha intuição que parecia tomar conta dela, como se se visse como a lente de Filipe a iria ver. Sabia escolher o ângulo de luz, sabia elevar o queixo e deixar descair o ombro para que os seios tombassem de forma mais evidente, sabia encostar os lábios para que a inocência fosse mais sentida, sabia deixar esvair o olhar para que a tentação fosse mais subtil, sabia mostrar a curva do torso, a elevação da anca, a melancolia que pede protecção, o apenas adivinhado meio sorriso, o movimento casual do cabelo. 

A música tocava e Benedita nem a ouvia, entregue ao prazer de se deixar capturar. E toda ela se entregava. E se o sabia fazer. Sabia deixar que o corpo se esgueirasse, que a camisa se entreabrisse, que a saia se levantasse num assomo de pecado, que os olhos se toldassem e não por arrependimento, que o coração lançasse um silencioso grito, um apelo sem palavras, só a luz pousada na pele, só o olhar de Filipe pousado nela.


Ao movimentar-se sabia exactamente a forma como a câmara a captaria. Filipe mal se mexia. Se com algumas modelos tinha que circular em volta delas para descobrir a melhor perspectiva, com Benedita não era preciso. Ela transfigurava-se mal sentia a objectiva apontada na sua direcção. 

Era, então, um perigoso felino, uma leoa vagarosa, uma gata dengosa, um cavalo sem rédeas, um pássaro em pleno voo, uma boneca dócil e profana, uma deusa espiritual. Uma wild, wild, oh so wild, rose. Umas vezes, não mais que uma criança vaporosa ou talvez uma mulher com mil histórias; outras, uma alma vadia, uma selvagem tentação, uma perdição consentida.

Não falava. Apenas olhava. 


Ela própria vestia e despia roupas, descobria-se e logo se cobria com véus invisíveis. Sem hesitações ou pudor, o seu corpo aparecia ou encobria-se como se estivesse sozinha. Filipe, como sempre, ficava em êxtase olhando aquele corpo disponível mas inacessível, aquele corpo desejado e sempre negado. Um corpo como um instrumento usado com mestria. Um corpo sem alma, sem rédeas, livre, livre.


Meninha assistia, encantada mas com traços de tristeza no rosto. De todas as vezes que via Benedita a ser fotografada sentia aquele desgosto antigo que feria como uma lâmina já familiar. Gostava de ter um corpo assim. Não tanto o rosto mas o corpo. Gostava de ter uns seios que enchessem as mãos que os segurassem. Gostava de ter umas ancas que ondulassem para que, quando estivesse deitada, se elevassem como uma montanha suave.

Zezinho diz-lhe que é linda assim mesmo, com seu corpo quase liso, que não pense mexer nele. Mas Meninha não quer saber. Anda a juntar dinheiro. Faz maquilhagem, faz limpeza, passeia cão, toma conta de menino, canta em bar, faz o que aparecer. Já andou a informar-se, já foi a médicos. É muito caro mas um dia ela vai ser capaz de pagar para esculpirem seu corpo.

Então, enquanto Beny se perde em seus delíquios, rebolando e se mostrando, insinuando e escondendo, Meninha vai comparando para avaliar o que teria que fazer: enxertar aqui, retirar dali, preencher no cantinho, disfarçar ou acentuar na curvinha.

Nem ouviu quando Filipe lhe disse: 'Vá Meninha, agora tu.'.

Benedita reforçou: 'Acorda, Meninha. Vem. Deixa o Filipe fazer de ti uma diva'.

Meninha despertou. Sem nada dizer, limpou as lágrimas que tinham voltado.


Depois, 'Não. Não, Filipe. Esquece. Não sou lindeza que nem Beny. Continua deixando que Beny dê conta de teu juízo... Eu fico só vendo.' e tentou rir.

Mas Filipe não ligou: 'És linda, sim. Deves pôr a cabeça de muito homem à roda'.

Meninha confirmou: 'Muito homem me quer pegar, sim. Dou desejo nos homens e nem eu sei porquê, que me vejo no espelho e não vejo aquele abismo que puxa os homens. Mas puxa, sim.' E ficou calada. Até que logo depois: 'E muito homem já me pegou, sim. Deixei. Me pagava as conta. Me habituei a não ligar. Deste que deixei de meninar, já eu me entregava. Nem sei. Dez, doze anos. Nem sei. Um corpinho ainda por fazer. A fome faz isso, o abandono, a vontade de uma cama, de um bolo na pastelaria, de um sapato novo.'

Filipe, já aflito: 'Deixa, Meninha, não pensa nisso. Deixa. Não quer fotografar, não fotografo'.


E então Benedita, abraçando Meninha: 'Deixa isso para trás, não penses. Filipe tem razão. Deixa só que ele fotografe teu rosto para veres como és tão linda. E alegra-te, menininha. Não deixes que o passado te deixe triste. Já passou. Olha, sorri. Vai, Filipe, apanha este olhar tão bonito.'

Filipe fotografou. Mas o ambiente estava ensombrado. Meninha ajeitava a juba de Meninha e chamava: 'Vá, Filipe, agora, vá, olha o jeito doce dela'. Depois puxou-lhe a blusa para baixo, de um lado, deixou o ombro à mostra. 'Vá, Filipe, vê como é bonito o ombro dela'.

E, então, como que ganhando coragem, Meninha se pôs de pé. Limpou os lábios, com a costa da mão tirou a pintura dos olhos, quis que seu rosto ficasse nu. 'Vá, Filipe, fotografa.' E começou a despir. Benedita sentou-se, o coração descompassado. O pudor de Meninha não deixava nunca que o corpo se descobrisse. E agora...

'Vá, Filipe, vá disparando', desafiava Meninha, a voz rouca, como se em sofrimento. 'Olha bem, olha pr'a mim, vai, vê o corpo que tanto homem já pegou'.

Filipe obedeceu. Meninha puxando a sua roupa. 'Vá, Filipe, dispare. Apanhe uma wild rose como nunca viu'. O traje caindo devagar. Nem Filipe nem Benedita falavam. Mal respiravam.


Meninha já não falava. O rosto triste, triste. Estava revelando o seu corpo. O seu corpo de menino à vista. Seu segredo exposto. Seu silêncio desnudado.


Encobrindo sua vergonha, de frente, o seu corpo ainda em bruto, ainda por esculpir. Incapaz de uma palavra. Nem Meninha, nem Beny nem Filipe.

Depois, achou a última coragem que faltava e descobriu o que faltava mostrar.

Nenhum falava. Nem uma lágrima ousava correr. Apenas o silêncio ocupando o vazio que, de súbito, tinha ocupado todo o espaço.


.......................................................................

The end

.........................................................................


Meninha
(Filomeno de seu verdadeiro nome; aka Jaye Davidson fazendo de Dil)
interpreta The Crying Game



...........................................................

O episódio que acabaram de ler, o nono e último do folhetim 'Where the wild roses grow', vem na sequência de:
Oitavo episódio: Memórias com lágrimas
Sétimo episódio: Noite de histórias
Sexto episódio: Noite de juízo
Quinto episódio: A solidão das mulheres bonitas
Quarto episódio: Actos falhados, sentimentos desencontrados 
Terceiro episódio: Uma wild rose com red carnations nos seios 
Segundo episódio: Beny e Meninha numa tarde especialmente quente
Primeiro episódio: Wild Rose
..........................

sábado, junho 04, 2016

Ai, ai, ai... menina...! Então...?


Certo. É sexta-feira. E eu às sextas não me recomendo. Aliás, se quiser ser justa, não sei em que dia da semana é que me recomendo. Talvez um dia de quatro em quatro anos: ou seja, cá para mim sou bissexta. 
Acho que é a primeira vez na minha vida que escrevo esta palavra: bissexta. Até fui ao dicionáro confirmar, não fosse enganar-me e escrever que era bissexy. Não é que bissexy exista. Mas devia existir. Poderia querer dizer que uma pessoa é duas vezes sexy ou que é sexy para os dois lados, whatever it means.
Mas não, sou bissexta mesmo. Um dia por ano, mas só de quatro em quatro anos, escrevo aqui uma coisa atiladinha, uma coisa própria de uma avozinha ou de uma madame que anda de saltos altos e colar de pérolas.

Agora, por exemplo, estou em casa do meu filho que, não faz ele senão bem, foi laurear com a mulher e com a irmã. A princesinha, que acaba este ano a pré-primária e que daqui por uns meses já vai fazer seis anos, teve hoje a sua excursão de finalistas e ficou a dormir fora -- diz o mano que num acantonamento com beliche.

Portanto, estamos cá em casa só com ele (ja tem três anos, a caminho dos quatro). O que já me ri com o rapaz. Mas não posso contar porque o puto sai ao pai, não tem tento na língua. Não que tenha dito algum palavrão mas, enfim, private joke, não posso contar. Mas é o tipo de paródia que não é usual com uma avozinha. Agora acho que já assimilaram todos que sou avó deles. Antes não acreditavam e riam, como de uma anedota, quando eu insistia: sou vossa avó, a sério. Atiravam a cabeça para trás e riam: 'Não és nada!'.

Pronto. Vem isto a propósito de que, depois da cakewalk dance e de um tea for two ao som de tap dance, continuo sem vontade de me redimir. Aliás, se calhar isto nem é de mim, na volta isto é de ser sexta-feira. O que for.

Portanto, vamos lá, está na hora das meninas virem para o salão. Podem cantar uma cantiguinha ao vosso gosto. Um canto tirolês Yo De Lay Ee Ooo, por exemplo.

E vocês, Caros Leitores, prestem agora atenção: podem aprender com a menina Helga e surpreender os vossos amigos na próxima festa ou almoçarada.


O próximo número de dança não é aconselhável para maria-amélias, mariazinhas, virgens afobadas ou beatas ofendidas. Avisei.

Bora lá, Helga, filha, mostra lá o teu número de tirolesa.

___

A fotografia faz parte da série Rare Photos Of Victorians Proving They Weren’t As Serious As You Thought que pode ser vista no Bored Panda.
_____

Para quem esteja com palpitações, aconselho que desça até ao post seguinte para tomar um chá de tília
Nao garanto é que chegue pelas vias normais. 
Avisei.
...

Upsss... afinal já é sábado... agora já não sei qual há-de ser a desculpa...

....

sábado, abril 16, 2016

A fixação que o BE tem no sexo indefinido.
Depois de quererem mudar o sexo do cidadão no cartão, agora querem facilitar a mudança no próprio corpo.
Sobre a macacada do cartão já disse abaixo o que tinha a dizer mas, sobre isto de legislar para facilitar a mudança no corpo, não sei se é coisa para ser feita assim na ligeireza nem se é a coisa mais importante no país.
Se fosse à Catarina, pensava bem nesta deriva que ainda leva o Bloco uns anos para trás.


Bom. Agora que já tinha falado dos ataques de fúria que a Catarina Martins tem quando está com o TPM e daquela cena marada dos bloquistas quererem mudar o nome do Cartão de Cidadão, deixei-me estar na maior preguiça, a passear por alguns blogues, a ouvir a música deles. Boa música que descubro. Este mundo tem coisas surpreendentes, e esta das descobertas ao alcance da mão é uma delas. Depois resolvi partir para a rêverie, pôr-me para aqui a efabular, coisa entre o brejeiro e o bucólico. Estava já a ver mentalmente o filme e já me preparava para arranjar uma banda sonora e umas fotografias a preceito, estava lançada na prosa, sorrindo enquanto escrevia, em estado de fluxo, uma animação.

Mas eis senão quando ouço nas notícias que o Bloco agora quer legislar no sentido de facilitar a mudança de sexo. Parei, parei com tudo.

No meio da crise dos bancos, dos offshores, da crise em Angola e das nossas exportações para lá a caírem a pique e os emigrantes a regressarem, e de mil problemas e de mil coisas que afectam meio mundo, será que facilitar a mudança de sexo é coisa assim tão prioritária? Pergunto.

Ouvi: querem que seja possível a partir dos 16 anos e mesmo sem consentimento médico. Caraças. Uma coisa na base do levezinho. O jovem quer e toma, muda lá de sexo e não se fala mais nisso.

Um dos casos mais mediáticos dos últimos tempos
Bruce virou Caitlyn


Caraças, não é que o assunto, em si, não mereça atenção. Imagino que quem padeça do mal da indefinição ou do desajustamento do sexo sofra perdidamente mas, bolas, o que não falta é gente com problemas tão ou mais graves: os que estão acamados e sem dinheiro para pagar a cuidadores, os cuidadores que ficam quase escravos daqueles a quem cuidam, o drama dos deficientes em cidades, vilas ou aldeias sem condições de mobilidade, as pessoas que precisam de fisioterapia e não têm como pagar deslocações ou que não têm quem as acompanhe ou os prepare para irem sozinhos, as mães trabalhadoras (pior ainda se forem solteiras, divorciadas ou viúvas)  que não têm com quem deixar os filhos quando estão doentes, os desempregados sem subsídio de desemprego e sem perspectivas de arranjarem trabalho... sei lá, mil, mil problemas, mil, a carecerem de solução.

Porquê, então, esta fixação nestas questões do género? 

Uma história perturbante
Call me Caitlyn, diz o ex-atleta olímpico Bruce Jenner

Numa rápida pesquisa pela internet, vejo que a questão não deve ser vista de uma forma simplista como se estivéssemos perante uma causa fracturante, mas sim como uma patologia que carece de tratamento e cuidado acompanhamento psicológico. Veja-se, por exemplo, o vídeo abaixo para se perceber de que se está a falar, um caso em que dinheiro para lidar com o problema nunca terá faltado.


“Call Me Caitlyn” - Documentário




Não tenho conhecimentos sobre o assunto nem nunca pensei o suficiente nele para sentir vontade de me informar melhor.

O que sei, assim de repente, ao ouvir a Catarina desembestada a atacar o António Costa, ao mesmo tempo que a paródia do Cartão de Cidadão que elas querem que seja de Cartão de Cidadania por uma questão de género, imagine-se!, e logo a seguir, esta de legislar para facilitar a mudança de sexo -- o que penso é que há aqui uma questão de agendamento de temas que, a continuar neste comprimento de onda, ainda leva o Bloco para o ponto em que estava há uns anos atrás.

É que podem ser temas importantes mas tal a inoportunidade e a simultaneidade com que se lançam em assuntos deste género que a coisa tenderá, naturalmente, para a paródia. 

______

Acabemos com dança: meninas para o palco, please.

Ballet Trocadero - Pas de Quatre do Lago dos Cisnes



___

E queiram, por favor, descer para saberem como era eu quando estava com a TPM e, por isso, compreendendo bem o que se passou com a Catarina que ia saltando da bancada para despedaçado o António Costa à dentada. E, também, o Cartão de Cidadão, essa causa também tão razoável.


terça-feira, outubro 13, 2015

O espectáculo de travesti dos PàFs: agora querem governar com o Programa de Governo do PS. A Madame do Palácio de Belém deve estar de cabeça à nora e o pulso aos saltos com o espectáculo destas suas desavergonhadas meninas


Este é o quarto post da noite e quem não goste de cenas travecas e preferir estátuas de amor ou singelas anedotas pode já daqui fazer um flic flac encarpado e aterrar lá mais abaixo.






A vida política nacional está cada vez mais surpreendente. Depois de, nas vésperas das eleições, a sedutora Catarina Martins, com o seu sorriso faiscante, ter lançado um repto a António Costa, mostrando-se predisposta a apoiar um governo do PS desde que isto, aquilo e o outro, eis que, depois de ter sido rasteirado pela mesma Catarina e relegado para um modesto 4º lugar, nos aparece Jerónimo de Sousa reencarnado, mostrando-se agora como um homem do seu tempo, conciliador, adaptado às circunstâncias, disposto a apoiar (ou a integrar) um governo que se oponha à política demolidora dos PàFs,  O País paralisou, a malta toda de olhos arregalados e boca completamente aberta. 

Cavaco, que antes das eleições sabia muito bem o que fazer, quando soube os resultados, e depois de ter metido férias no dia da República, achou que já não tinha nem idade nem posição social para se meter em alhadas e, vai daí, chamou o Láparo e delegou nele a incumbência de o substituir: que fosse sondar o PS a ver se o conseguia meter no bolso. E que, quando tivesse feito o trabalhinho de casa, lhe fosse contar - até lá, desamparasse-lhe a loja que tinha que tratar duns assuntos com a sua Maria.

Eis, então, que Costa, perante tanto facto do outro mundo, parecendo acordar de uma longa letargia, nos aparece biónico, super-man, bem humorado, desafiador, um autêntico gladiador. Para o contraste ser mais giro, faz-se acompanhar por Mário Centeno, sempre com aquele seu ar de anjinho papudo, bonzinho, fofinho. 

E aí andam eles, os PêEsses, numa roda viva, a arranjar lenha para o Cavaco, o Láparo e o Vice-Irrevogável se sentirem cada vez mais chamuscados - agora que foram apanhados de calças na mão.

Nas televisões, os comentadores parecem umas donas de casa à beira de um ataque de nervos. Assustadiças, temendo o veneno dos mercados, histéricas com tudo isto - mas então querem lá ver que afinal vamos perder a tachada toda?, se esta maluqueira de um governo apoiado à esquerda vinga, que vai ser de nós?! - e vá de bolsarem o PREC, e o Vasco Gonçalves e a Alameda. Desmioladas, parecem ter mergulhado de cabeça no passado e lá terem ficado atascadas. Não dizem coisa com coisa, só medos e baralhações naquelas cabecinhas ocas.

Mas, se a cada dia que passa nos vão aparecendo suculentas surpresas, a melhor de todas foi esta. Transcrevo:

Coligação aproxima-se de 23 prioridades de Costa


“São todas relativas aos quatro pilares que António Costa definiu como prioritários”, garante fonte da coligação, que diz ao Expresso achar “difícil que o líder socialista não olhe para estas propostas com toda a atenção”. PSD e CDS dispostos a negociar medidas do programa do PS


A saber: fim da austeridade, proteção do Estado Social, investimento em ciência e inovação e uma nova política europeia.


Passos Coelho antes era assim:
Tudo abaixo! Mata! Esfola! seus piegas da treta, vamos lá é a ficar pobrezinhos!

Agora?
Ah, agora acaba com a sobretaxa, repõe salários, arranca os espinhos e apresenta-se apenas coberto de rosas.
São rosas, são rosas.... dirá ele ao Costa. 


____

Imagino-os, aos PàFs, cada um a dar ideias malucas aos outros, de cabeça perdida, dispostos a desdizerem tudo o que disseram e fizeram nos últimos quatro anos, numa de vale tudo, a prepararem-se para a próxima reunião com o Costa:


Olha lá, não será melhor fazer de conta que também somos comunas?, dirá o Vice.

Ah, Paulo, não sei, não será de mais? Deixa-me pensar... Sim, é capaz de fazer sentido. Mas, então, olha, eu faço de bloquista. Vou fazer de Catarina. Boa? - perguntará o Láparo

Não sei, és tão grande, Peter... Pede ao Marques Mendes para se vestir ele de Catarina, e que não se esqueça de pôr umas lentes de contacto. Olha! Já sei. Deixa-me fazer de Mortágua... acho que sou parecido com ela. - dirá o Portas

Mau. Mas então não tinhas aí aquele vestidinho de Marilyn? A Mortágua é mais de tipo rapazona. Olha, o Maçães, que é todo machão, é que poderia ir de Mortágua. Boa? - perguntaria o Láparo

Boa. São parecidos, sim senhor. Ele tem é que arranjar uma cabeleira comprida e tirar aqueles óculos que lhe dão ar de carneiro mal morto, que ela é toda vivaça. Mas, então... e eu afinal vou de quem? - o Vice já triste.

Olha, para não irmos todos de bloquistas e comunas, temperávamos a coisa com uma seguradinha: podias ir de Mariazinha de Belém, punhas-te loura, armavas a cabeleira e, com esse vestido aos folhos, até ficavas toda princesinha como ela - sugeriria, galhofeiro, o Láparo.

Ah, está bem. Mas olha lá, falando agora de coisas sérias: já copiaste o programa de Governo do PS para dizermos que é o nosso, que agora pensamos igualzinho, igualzinho a eles? - perguntaria o Vice

Olha lá, Paulo, já sabes que sou um calinas... Não me peças coisas que sabes que não são para mim. Aquilo tudo?! Nem pensar. Mas já copiei 23 medidas. Mas chega, foi um esforço sério. A gente aparecer a dizer que quer governar com o programa deles acho que é uma prova da nossa flexibilidade, não achas, Belenzinha? - remataria, chocarreiro, o Láparo.

Claro. Prova mais provada da nossa falta de coluna e de vergonha na cara não pode haver. Mas isso é uma virtude. E não tivemos tantos votos apesar de sermos como somos? Tudo legitimadinho. Mas, então, e tu, afinal, vais de quem à reunião com esse malvadão do Costa? - perguntaria o Vice.

Tenho que arranjar uma coisa que não me faça parecer uma galdéria.... Olha, espera, para mostrar que a nossa intenção é uma santa intenção, vou de Nossa Senhora. Boa? E, olha, já sei:  vou a tomar conta do nosso menino cavaquinho. A ver se o sacana do Costa o deixa descansar, que o meu menino, tadinho, só quer mesmo é estar s'sugadinho, meu rico menino, meu cagarricas mai lindo, e o fi-da-mãe do Costa só a amofiná-lo, esse ganda estapor...! - concluiria o Láparo.

Entretanto, o Vice pensaria com os sues tules: Este estúpido deste láparo nunca mais aprende a falar. S'sugadinho? Fi-da-mãe? Estapor? Ai, minha mãezinha... mas é que nem falar sabe, ó indigência...! Ai que nem sei se diga, nem sei se fale... Bem deixa-me mas é concentrar para a reunião. Vou parecer mais xuxa que eles todos juntos... me aguardem...



----

Abaixo a delegação dos PàFs (leia-se: as malucas do PSD+CDS) preparada para a reunião com o PS onde querem discutir as 23 medidas do programa do PS que agora lhes deu para perfilharem




____

O primeiro vídeo mostra Issabell Vallente a fazer de Helga no Burlesque travesti Show

O segundo mostra Village Queens - "BIG SPENDER" - Starlight Cabaret Drag Queen Show 2014 - Atlanta Gay Pride
___

As fantásticas imagens com Passos Coelho, Paulo Portas ou Cavaco Silva provêm, uma vez mais, do fantástico We Have Kaos in the Garden

___

Relembro: abaixo há uma estátua maravilhosa que se move e, depois, há dois posts com anedotas enviadas por leitores.

..