No post abaixo já falei de Murphy, essa fantástica criatura de Beckett que estou a adorar conhecer e, mais abaixo ainda, mostrei Lagos, o lugar branco banhado de azul que Sophia tanto cantou.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou ser breve para não cansar a vossa beleza.
Não vou falar muito da candidatura de Sampaio da Nóvoa porque não tive ocasião de ver na televisão o seu lançamento nem me apeteceu pôr-me a ler notícias mas, de raspão, vi que Soares e Sampaio lá estiveram e repito que, apesar de não conhecer bem a personalidade do agora candidato, não vejo que haja razões para temer que não seja eleito.
Entre ele e Guterres, estou em crer que os portugueses preferirão Nóvoa. Guterres está demasiado conotado com a imagem de deserção em momento complicado, preferindo cargos internacionais de prestígio. Os portugueses, se bem leio o sentimento geral, mais depressa aderirão a alguém que venha de fora dos meios partidários, que apareça com um bom propósito, ideias claras, uma visão de progresso e de humanismo, do que a alguém que veja na Presidência da República o fim da sua carreira política ou uma situação de recurso.
Recear que Nóvoa perca para Marcelo Rebelo de Sousa parece-me também um temor sem razão: Marcelo é, na política, um perdedor.
Perdeu na Câmara de Lisboa, meteu-se em sarilhos no curto espaço em que esteve à frente do PSD e, que me lembre, não teve qualquer outro cargo político relevante a nível de liderança. Tem audiências na TVI, é certo, mas não sei se não está demasiado conotado com a imagem de um fala-barato, intriguista, tacticista, e que anda há que séculos a ver se vai a presidente de qualquer coisa sem o conseguir, daqueles que não dança nem sai da pista ou que mastiga, mastiga e não engole - uma coisa nessa base.
O único dos que se perfilam que me parece poder ter hipótese é Rui Rio. É muito pão, pão, queijo, queijo, e penso que facilmente estabelecerá empatia com a uma população carente de ter alguém na política em quem se possa acreditar.
António Costa, para Primeiro-Ministro tem uma imagem credível (e, agora que resolveu dedicar-se mais a sério, tem andado bem, inspirando confiança e com aquele toque de boa disposição confiante que é a sua imagem de marca) pelo que, não tarda, estará em S. Bento e facilmente Rui Rio poderá surgir, aos olhos dos eleitores, como um bom contraponto em Belém.
Sampaio da Nóvoa, para bater Rui Rio (se ele acabar por se chegar à frente), terá que ser mais do que um idealista, um homem puro e bom. Acredito que possa mostrar ser um homem equilibrado, estável, com os pés na terra e uma cabeça capaz de ver ao longe. Se o conseguir, diria que tem boas hipóteses.
De resto, presidenciais à parte - que isso ainda vem longe -, no curto prazo só espero que o PS consiga impor uma imagem de maturidade política, rigor e modernidade. Para já, já, o que se pede é que saiba enquadrar essa criatura que dá pelo nome de Marco António Costa e que é do piorzinho que o PSD tem.
Não me parece que faça grande sentido dar importância a uma figurinha daquelas mas, enfim, se já foi dito que a carta-provocação vai ter resposta pois que o tenha mas que, se aproveite, para dizer ao PSD, mas dizer alto e bom som, que se enxergue. Depois do que fizeram ao País deviam era esconder-se aí debaixo de uma moita qualquer para a gente nem dar por eles - em vez de andarem com bravatas infantis. O Eduardo Pitta é que perguntou bem: mas esta gente injecta-se ou quê?
Passos e Portas - essa dupla humorística que, se não andasse ao mesmo tempo a destruir o País, nos divertiria à brava, tal a desfaçatez do que dizem, tal o ridículo de que se cobrem, tal a cara de pau com que se apresentam - andam num nervosismo. Primeiro foi o documento com as medidas propostas para a Próxima Década para Portugal, agora o lançamento da candidatura de Nóvoa: e aí vão os dois, quais caniches a quem atiram ossos, ora para um lado, ora para outro. Ora querem auditar um documento elaborado por economistas, béu béu, ora querem já apoiar uma candidatura presidencial, béu béu, béu béu.
E a graça que tem quando põem um microfone à frente do Passos: a gramática não é o seu forte, isso é sabido, mas não é só uma questão de arrumação e conjugação das palavras, é mesmo o raciocínio que se ensarilha de duas em duas palavras.
Há bocado, na leitura do Murphy de Beckett, li uma coisa que se aplica como uma luva a este triste Láparo que nos calhou na rifa. Passo a transcrever:
Conceber uma opinião e exprimi-la era submeter o seu talento a rude prova. Quando é que aprenderia a não se enfiar nos labirintos de uma opinião sem fazer a mínima ideia de como iria de lá sair?
Ou seja, ó senhores do PS, ponham o homem nervoso, avancem com iniciativas, deixem-no atarantado - e o resto ele faz sozinho, basta que lhe apareça um microfone à frente. Um fartote, uma barrigada de riso, o país a rir à gargalhada das argoladas que ele se encarregará de debitar da boca para fora de cada vez que resolver emitir opinião.
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As imagens, como bem se vê, provêm do blogue We Have Kaos in the Garden.
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E permitam que relembre: mais Murphy (e o Beckett a dizer Beckett) e, a seguir, Lagos, linda e azul, é já a seguir, é só rumar a sul (aqui no blogue, claro).
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira, com bom humor de preferência
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