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segunda-feira, outubro 13, 2025

A malta da TVI está com os copos? A que propósito estão a acompanhar o carro do perdedor Ventura a caminho do Entroncamento?

 

Às vezes penso que há gente estúpida que parece que só lá ia ao estalo. Sou uma pacifista e está longe de mim ser apologista de andar à bofetada seja com quem for. Mas, sinceramente, há burrices tão grosseiras que não sei se vão lá pelo entendimento. 

O tipo perdeu à grande, um derrotado absoluto, o bluff que é o Chega exposto sem sombra de dúvida. E a malta da comunicação social, nomeadamente agora os da TVI, em vez de o tratarem com o desprezo que ele merece, vão a acompanhar o carro?

Não aguento.

segunda-feira, março 17, 2025

Alô, alô, TVI! Até quando vão continuar a ter o espaço do Paulo Portas, supostamente um comentador isento, e que, mais uma vez, se manifesta como um cheerleader da AD.
E os Senhores da ERC vão aceitar esta situação? Um adepto fervoroso de um partido e de uma coligação eleitoral pode apresentar-se ao domingo, em canal aberto e em horário nobre, como se fosse um comentador independente?

 

Quando fala de política internacional, Paulo Portas até não está mal. Mas Paulo Portas tem aquele seu lado habilidoso, aquele lado de quem gosta de jogar com as palavras -- ele saiu do Independente mas o Independente não saiu dele --, gosta de lançar farpas contra quem não gosta (agora é o PS e o seu líder tal como antes era o Cavaco e os seus ministros), gosta de usar a verve para baralhar, escamotear, deturpar. E, claro, agora a favor do PSD/AD.

Já sabemos que ex-irrevogável Paulo Portas é maleável nas suas convicções. Aquilo que pensa e diz não é exactamente aqui que pensa e diz.

Tudo bem. Cada um é como cada qual e quem gostar que o compre.

Só que, supostamente, a TVI está a comprar-lhe uma opinião isenta -- e não é isso que Paulo Portas está a entregar.

Por isso, daqui até às eleições o programa de Paulo Portas deveria ser suspenso.

E, se a TVI o não fizer, a ERC deveria recomendá-lo fortemente.

segunda-feira, março 10, 2025

Quando Paulo Portas fala em nome dos portugueses baseia-se em quê? Fez uma sondagem só para ele?
A que propósito enche a boca para dizer: 'Os portugueses não percebem' ou 'Os portugueses não querem'?
Ele, que nunca conseguiu nada enquanto líder partidário, sabe lá interpretar o sentir ou o pensar dos portugueses...

 

E depois, tendo engolido a cartilha da equipa de comunicação de Montenegro, o forever irrevogável Portas põe nas mãos do PS a decisão de não haver crise. E a entrevistadora, a simpática Andreia Vale, esquecendo-se de ser jornalista, não foi capaz de lhe dizer que está equivocado pois quem tem nas mãos essa decisão é o Montenegro que foi quem entregou uma Moção de Confiança, fadada à rejeição. Ele que a retire.

Só palhaçadas. 

Sinto falta de políticos sérios, cultos, eticamente irrepreensíveis, corajosos, com visão. 

Tirando alguns, poucos, que se encontram mais ou menos retirados, certamente fartos da cambada que por aí anda a trocar tintas, a vender banha da cobra e a poluir o espaço mediático, só se veem alguns decentes que parece que não conseguem falar suficientemente alto para se fazerem ouvir sobre o permanente ruído da marabunta.

Caraças.

Vou fazer zapping (vou em busca do 'Isto é gozar com quem trabalha'). Eu ainda consigo fazer algum esforço para ouvir o Portas e demais aves papagaias que por aí andam a papagaiar, mas o meu marido fica furioso, não está para ser aturar quem atenta contra a inteligência alheia.

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E transcrevo um comentário, pertinente, e que já aqui tinha sido deixado há dias:

Volto a uma pergunta anterior: porque razão o site da Assembleia da República deixou de publicar os registos de interesses?

É ir ao site, escolher o nome de um deputado. Vê-se quantas legislaturas fez, as comissões a que pertence, a biografia, e no cantinho direito está lá uma ligação para os registos de interesses. Se tiver feito várias legislaturas vemos em que sociedades tinha quotas ou lá o que eles entendem que deve ser publicado. Abre-se para esta legislatura e zero. Porquê?

Aqui fica a dica. Alguém sabe responder?

sexta-feira, novembro 22, 2024

Na CNN (e parte na TVI), o primeiro entre as 19 e as 20 e o segundo entre as 21 e as 22.
José Sócrates continua a ser um animal feroz. António José Seguro continua a ser um apertadinho

 

E é o que tenho a dizer. Enquanto o momento Sócrates é um fantástico momento televisivo, o momento Seguro é a seca de sempre.

Só espero que não passe pela cabeça de ninguém convencer o Seguro a ir a votos nas próximas presidenciais. Está certo que, depois do Marcelo, a malta quererá ter alguém minimamente ponderado mas, caraças, com o Seguro seria monotonia a mais. 

quarta-feira, junho 19, 2024

O Ministério Publico continua com o bullying
-- A palavra ao meu marido --

 

Desde há muito que digo -- e já várias vezes aqui o escrevi -- que quem causa mais problemas ao País, que gera uma enorme instabilidade e potencia o crescimento da extrema direita são o PR, o Ministério Público e os órgãos de comunicação social. Felizmente já ouço alguns comentadores a partilharem total ou parcialmente esta tese. 

Nos últimos tempos, mais uma vez, estamos perante uma situação absolutamente nojenta que resulta da disponibilização cirúrgica de informação sobre os processos aos órgãos de comunicação social que, sem qualquer pudor, noticiam o que interesses obscuros pretendem que se noticie nesta altura. 

Naturalmente que me refiro às buscas que foram efetuadas dois dias antes das eleições (azar não conseguiram os objetivos que pretendiam) e às notícias, que nada tendo a ver com António Costa, aparecem sempre anunciadas como se tivessem, envolvendo o seu nome, e isto quando se discutem os lugares da Europa. 

E que não venham alguns pretensos jornalistas e vários comentadores televisivos dizer que são apenas coincidências. Só quem não quer ver, e o pior cego é o que não quer ver, ou não tem dois dedos de testa é que pode acreditar que isto são acasos e coincidências. Não são. Acasos e coincidências são situações que ocorrem ocasionalmente e estas situações são uma prática corrente. 

A reportagem da TVI, que mostra a estante, a secretária, os envelopes ou o dinheiro encontrado na busca ao gabinete de Escária mete nojo e não acrescenta absolutamente nada. No dia a seguir vêm a CNN e o Expresso com mais "coincidências". Isto cheira pior que uma lixeira. Já basta de tanta impunidade. 

Já não é só a agenda política, muito evidente, e os exacerbados ódios de estimação do Ministério Público, nem o desavergonhado conluio com parte significativa da comunicação social: é também o atropelo dos mais elementares direitos dos cidadãos, é o desrespeito pelo mais elementar comportamento cívico, é um atentado ao direito de qualquer cidadão ao respeito e ao seu bom nome, é o abuso reiterado do poder para achincalhar as vítimas na praça pública.

Como é possível que estes tipos continuem, em total impunidade, a fazer o que querem sem terem que prestar contas ou justificar-se? Não são escrutinados? Não são chamados à razão? Não são punidos quando violam a lei?

Já basta! 

O Prof. Marcelo que, provavelmente assolado pelo complexo de culpa e para tentar ver-se livre do António Costa, tanto tem, aparentemente, pugnado para que ele tenha um lugar na Europa, não acha "maquiavélico" o que está a acontecer? 

E mais uma vez não diz nada sobre o que de facto é importante? 

Depois de tantas asneiras, Sr. Presidente, faça alguma coisa de que se possa orgulhar e que os portugueses aplaudam. Acabe com este regabofe. 

terça-feira, maio 07, 2024

Portas & Bugalho, Companhia Lda.
- A palavra ao meu marido -

 

A nova aquisição da AD enquadra-se que nem uma luva na forma como esta malta faz politica. O Bagulho afirma uma coisa exatamente com a mesma convicção com que diz o seu contrário (tal como fazem o Montenegro e o Nuno Melo), é malcriado e não respeita os interlocutores (tal como faz o Hugo Soares) e nunca se lhe viu uma opinião válida nem um pensamento estruturado sobre  a União Europeia (tal como acontece com a maioria dos atuais ministros sobre os assuntos relacionados com as pastas que tutelam). Parece que está próximo ou supera o Ventura nas redes sociais destinadas a quem não pensa nem quer pensar e até tem encontros casuais com o Marcelo talvez para o professor Marcelo lhe explicar detalhadamente qual é o número de quinas que existem na bandeira portuguesa. Ou será que este encontro está em linha com os encontros do Marcelo com  a Teresa Leal Coelho, com o Moedas e do putativo encontro com o Montenegro durante  as campanhas eleitorais? Julgam que somos parvos.

Dizem que, quando for grande, o Bagulho quer ser como o Portas que foi o primeiro populista que se impôs na politica portuguesa. O "Paulinho das feiras" continua a catequisar os telespectadores da TVI no seu "comentário" semanal. É mesmo preciso a estação de televisão ter uma grande lata e o próprio um descaramento sem limites para que se considere que as análises que são feitas pelo Portas são um comentário. Comentário é analisar de forma isenta a realidade. O que é feito nesta rubrica, com o beneplácito da apresentadora, é um ataque cerrado à esquerda  e uma defesa intransigente da direita utilizando argumentos enviesados, quando não embustes. O "Paulinho das feiras" pode defender quem quer. O que não tem sentido é que o faça num espaço teoricamente de comentário e a estação o apelide de comentador. O Paulo Portas tem uma agenda que segue na TVI e a estação de televisão dá-lhe o espaço necessário para a transmitir, escondendo-a dentro de uma rubrica que é supostamente de comentário. Qual a razão para as televisões chamarem comentadores como se fossem minimamente isentos a tantas e tantas personagens de direita que pululam nos vários canais e mais tarde ou mais cedo saem do armário e se percebe que militam ou apoiam partidos de direita ou de extrema direita? Não é certamente por acaso.

O Paulo Portas e o Bugalho não são confiáveis. Este tipo de fazer televisão também não é.

segunda-feira, março 04, 2024

Pergunta: o espaço que a TVI oferece ao Paulo Portas é para ele "analisar a atualidade internacional e os problemas com que nos defrontamos à escala global" ou para fazer uma descarada campanha a favor da AD e contra o PS?

 

Retiro do site da TVI para que se veja qual a finalidade deste espaço:


Ora aquilo a que estou a assistir não é nada disto. Estou a vê-lo a fazer uma descarada campanha a favor da AD e contra o PS. Descarada. Despudorada. 

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social não terá uma palavra a dizer?


segunda-feira, janeiro 29, 2024

Paulo Portas, um comentador cada vez menos isento, vai continuar a fazer campanha contra o PS e a favor da AD até às eleições?
- pergunta o meu marido

 

Ouvi hoje, como é mais ou menos habitual, o comentário do Paulo Portas na TVI. Quando o comentário é sobre a politica internacional e os acontecimentos se referem a países estrangeiros a análise é, em regra, inteligente e devidamente fundamentada. O problema é quando fala sobre temas nacionais. Neste caso a análise é enviesada e a fundamentação parcial. 

Já esperava que com o aproximar das eleições o antes chamado Paulinho das feiras e dos submarinos viesse defender os interesses da AD pela qual tanto pugnou mas julguei que mantivesse um certo decoro no seu comentário semanal. Mas não, hoje  a coisa extravasou para o indecente com  a conivência habitual da partenaire/jornalista que o acompanha na emissão. Não ouvi o comentário até ao fim mas o que ouvi bastou.

O Paulo Portas, que em tempos andou nas bocas do mundo pelos piores motivos, veio, qual virgem impoluta, falar do PRR e, para além disso, comparou a investigação ao António Costa com o processo da Madeira. Foi despudorado e mentiroso.

  • Relativamente ao PRR afirmar que as 10 organizações que receberam mais dinheiro do PRR são do Estado omitindo que, obviamente, o dinheiro recebido vai ser gasto e portanto vai contribuir para o crescimento da economia e o desenvolvimento de empresas privadas, nomeadamente as que vão executar os trabalhos, é capcioso e diz bem dos objetivos do Paulo Portas.  

  • A comparação que fez entre o processo da Madeira e a investigação ao António Costa não tem sustentação e tem como propósito enfiar no mesmo saco situações diametralmente opostas. A semelhança entre as notícias que foram passadas para os jornais relativamente às duas situações é zero. 

Depois, a forma como tentou justificar que não são necessárias eleições na Madeira é ultrajante para  a inteligência de um telespectador com dois dedos de testa. Dizer que o Marcelo não pode decidir até 24 de Março é pura manipulação. O Marcelo pode decidir e anunciar como sempre fez noutras situações o que vai fazer relativamente às eleições na Madeira. O que o Marcelo não pode fazer é formalizar já a decisão se esta for a dissolução. Haja decoro e não nos tome por parvos.

 A TVI vai continuar  a manter este tempo de antena da AD aos domingos até ás eleições? O Nuno Santos também deveria ter algum decoro! 

PS: No caso da Madeira também sou absolutamente contra todo espetáculo proporcionado pelo MP e a convocação antecipada dos jornalistas para o "evento". Basta!

segunda-feira, novembro 14, 2022

Sandra Felgueiras na TVI. E o Paulo Portas. E a Cristina Ferreira.
E o que faz ele ali, entre aquelas duas...?

 

Ao domingo, se calha estarmos em casa e disponíveis, gostamos de ouvir o Paulo Portas no seu Global. Independentemente da sua orientação política, tem-se revelado um comentador bastante abrangente e bastante claro. Consegue, de forma geral, fugir das tricas e das mesquinhices do dia a dia e isso, já de si, merece um louvor. Ele aponta à big picture e fá-lo de forma fluente e interessante. Os slides que acompanham o que diz são claros, visualmente apelativos, e sabem cingir-se aos pontos fundamentais. Depois há um tour d'horizon sobre a actualidade, sem fronteiras e, mais interessante, relacionando o que é de relacionar por forma a estabelecer elos de ligação e a transmitir diferentes perspectivas sobre o mesmo facto. Acresce que põe a inteligência ao serviço do que diz e quase consegue ser isento. As suas sugestões culturais também se têm mostrado interessantes.

Portanto, ao domingo, era o noticiário da TVI que costumávamos ver, à espera que Paulo Portas aparecesse para o seu espaço de comentário global.

Até que alguém resolveu lá pespegar a Sandra Felgueiras. Com aquele seu ar justicialista, sensacionalista, populista, antes poluía a RTP. Depois perdi-a de vista. Não sei por onde andou. Apenas sabia que em boa hora a RTP se tinha visto livre dela. Até que há pouco, não sei por que raio de carga de água, apareceu em prime time nos domingos da TVI. Um desastre.

Ora cá em casa somos ambos alérgicos ao estilo. Desgraças, caça às bruxas, presumíveis escândalos e barracadas de toda a espécie e feitio não é coisa que faça propriamente o nosso género. Fugimos a sete pés. Portanto, ao domingo à noite, o meu marido anda entre a RTP e a SIC e, de vez em quando assoma, de raspão, a ver se ainda é ela que está no ecrã. Uma maçada. Enquanto ela lá está, com aquele seu sorrisinho insuportável a dar-se ares de quem está ali para descobrir a pólvora e para dar cabo de uns quantos, nós não nos aguentamos mais do que os escassos segundos necessários para ver se já podemos ficar na TVI ou se temos que nos raspar a toda a brida.

Por isso, agora muitas vezes não apanhamos o Paulo Portas de início, isto quando não o perdemos de todo. 

Não sei se quem tomou a decisão de levar a Sandra Felgueiras para a TVI tem aferido as audiências mas, se ainda não o fez, talvez seja bom que o fizesse.

Contudo, não é só o desastre de Sandra Felgueiras a preceder o Paulo Portas: é também o despropósito de, frequentemente, não o deixarem levar a sua intervenção até ao fim, sacrificando com alguma frequência as recomendações culturais. E, vai-se a ver, e qual a pressa? Pois, nem mais: é a Cristina Ferreira, essa bimba histriónica que não faz uma que se aproveite, às voltas com o submundo que levou para o Big Brother

E o Paulo Portas ali no meio daquilo.

A TVI não vai por bom caminho, não vai, não. Pelo menos, é o que penso.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já esta segunda-feira

Saúde. Boa disposição. Paz.

quarta-feira, maio 19, 2021

Sobre a entrevista do Tony Carreira com o Goucha. Sobre o resto da televisão portuguesa.
E sobre as minhas rosinhas.

 


Desando de canal em canal e só consigo parar longe dos canais mais mediáticos. Hoje o que vi foi uma reportagem sobre trenós na Lapónia. Neve, cães, um senhor sorridente: bem bom. Não vi do princípio, não sei a que propósito vinha mas gostei.

Ontem, para meu espanto, passámos por uma entrevista do Goucha ao Tony Carreira. Não conseguimos ver. O meu marido, tal como Mestre Plúvio, também perguntou: 'Mas o que o leva a dar esta entrevista?  Não se percebe. Aceita dar uma entrevista para falar da filha que morreu?'. Não encontrei resposta. Achei que aquilo tinha tudo para ser indecoroso. Desandei. Passado um bocado, intrigada com a situação, disse: Deixa lá ver, se calhar não é o que estamos a pensar. Admiti que se calhar estava a ser preconceituosa: um pai que perde uma filha não tem vontade de dar entrevistas. Digo eu. E lá fui espreitar. Nem um minuto me aguentei. Qualquer coisa ali me pareceu uma perversa e macabra forma de exibicionismo.

Não tenho dúvidas que o entrevistado, como qualquer pai normal que perde um filho, deve estar devastado. Mas o que leva um pai devastado a dar uma entrevista na qual o entrevistador apela ao sentimento, à dor, à lágrima? Sujeitar-se àquilo porquê? Foi o Goucha mas podia ter sido a Cristina Ferreira. A obscenidade por ali não tem limites.

E já não sei se foi ontem ou hoje, nem sei a que horas foi, estava a fazer zapping, passei por um canal em que estava aquele que não sei se já foi inspector da judite ou o quê. Hernâni Carvalho. Sempre que passo por ele, está com ar incrédulo a perguntar o que leva um filho a matar o pai, a mulher a matar o marido, a namorada o namorado, a Segurança Social a não pagar a reforma, o tio a violar o sobrinho. Sempre indignado, sempre com ar de ingénuo surpreendido. Não sei a que horas ou em que canal. Aliás, acho que sei. Acho que na SIC mas não sei em que canal da SIC. Nunca consegui ver mais do que dois ou três minutos. Desencanta crimes, histórias tenebrosas, quanto mais escabrosas melhor, e por ali fica a foçar. Passo e fujo ou, outras vezes, ouço uns segundos a ver se tem melhoras. Não tem. Só lhe falta desenterrar mortos.

Está agora a faltar-me o nome para esta gente: aqueles bichos que comem animais mortos. Necrófagos, acho. Capaz de ser isso. Necrófagos.

As televisões portuguesas andam de desgraça em desgraça. Os que perderam tudo, os que  estão metidos em toda a espécie de trabalhos, os que padecem de doenças incuráveis, os que perderam uma perna, os que se auto-mutilam, os que passam e usam droga nas cadeias, os que ficaram perdidos nos labirintos da mente. Sei pelas apresentações ou de passar por lá. Não consigo deter-me em nada disto. Tenho saudades dos programas sobre jardins. Se apanho a Paula Moura Pinheiro também fico a ver. De resto vejo o House. Sou viciada nele. E na música da banda sonora. 

A programação das televisões portuguesas, pelo menos nos canais principais e pelo menos nos horários que costumo querer frequentar, é uma lástima.

Anos e anos a fio a destilar veneno, a visitar desgraças, a ouvir denúncias e queixumes, a dizer mal de todos e de tudo só pode causar uma deformação na personalidade colectiva do pessoal que assiste -- para além de abrir a porta aos populistas desta vida. Uma verdadeira lástima.

Tirando isso, posso dizer que a minha roseira descarada, depois de dar rosas escandalosas de tão cor-de-rosa, amarelas, cor-de-salmão e brancas, está agora transformada numa bem comportada roseira que dá cachos de rosinhas encarnadas. Das anteriores encarnações nem vestígios. Se não tivesse fotografado eu própria duvidaria. Chocante. A outra, a que sempre só deu rosinhas encarnadas, agora não apenas está cheia delas, rosinhas, encarnadas, como tem algumas que não são bem rosas muito menos encarnadas.

Não sei explicar isto. Aliás, começo a pensar que o que é inexplicável mas belo é melhor que assim permaneça. As coisas são mais belas se permanecerem inexplicáveis. 

E, de relevante, acho que hoje não fiz nada a não ser transplantar uma espécie de bonsai do vasinho em que estava para um vaso maior, um que o meu marido teimou em não trazer dizendo que não tinha nada a ver com os outros mas que eu insisti pois acreditei que ele só estava a dizer aquilo para não estar na fila para pagar. Acho que ficou bonito. A ver se amanhã fotografo para vos mostrar.

De resto foram reuniões pegadas, tantas, tão prolongadas e tantos telefonemas que acabei a ter que despachar as coisas aqui até às quinhentas. E não é que goste de reuniões longas...(bem tenho lido os comentários) mas não sou a única e há sempre quem tenha muito que dizer. Nem sou viciada em trabalho (embora possa parecer). Simplesmente parece que não consigo sacudir de cima de mim o que parece que teima em chover-me em cima. Uma coisa do meu destino, só pode ser.

Enfim. 


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Dance for me Wallis

Abel Korzeniowski


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Um dia feliz

segunda-feira, setembro 14, 2020

Em dia de regresso da Cristina Ferreira feita patroa, pergunto: acabou a Covid na TVI?
Tudo a falar boca a boca, sem máscara.
Belo exemplo estão a dar, sim senhores.


Ligámos a televisão e fomos parar ao novo estúdio da TVI. Cheira a Cristina Ferreira por todo o lado. Os jornalistas passeiam, gesticulam, tudo naquela azáfama tenta mimetizar o estilo histérico da vendilhona da Malveira. Estão à espera que chegue o grande momento: a entrevista à directora que é também patroa, a populista-mor, aquela que vira as costas a quem calhar quando lhe acenam com dinheiro. 

Mas o que mais chamou a minha atenção foi o José Alberto de Carvalho a apresentar o noticiário das oito a meias com o Pedro Mourinho, ao lado um do outro, perto um do outro, a falarem quase boca a boca. Na realidade, um atropelo, quase tiram as palavras da boca um do outro --e a respirarem o ar que cada um expele, gotículas incluídas.

Neste momento, filmam o estúdio e o que vejo é toda a gente sem máscara. Tudo a menos de um metro, num espaço confinado -- e tudo sem máscara. Se o corona ali entra vai ser uma razia maior do que no lar do Reguengos. Um péssimo exemplo o que estão a dar ao país.

Percebo agora que vai também começar um novo Big Brother com Teresa Guilherme. O ramalhete composto: são ambas histriónicas, agudas, agitadas, sorrisos em exponencial máximo, todas elas graçolas, bocas, tudo ao mesmo tempo, tudo a grande velocidade para que não dê tempo a pensar no absurdo exagero que para ali vai.

E agora está a começar a entrevista à dita CF, a tal que, dizendo-se uma ex-coitadinha a quem nem o gps apanha a sua morada e que aplica nas acções as suas poupanças, milhões, num lugar em que diz que ficará até ao fim dos seus dias, na verdade já deu mais do que provas de que se pela por dinheiro como macaca por banana, deixando na mão quem se fica atrás na jogada. A entrevista começa com um vídeo que é uma verdadeira vénia à madame. O culto de personalidade em estilo coreano-reality-show à moda da coitadinha de queluz.

Não vai acabar bem, a madame. Quem é assim, como ela é, inevitavelmente dará, um dia, um passo maior que a perna. Se calhar é o que está a acontecer  agora. Diz que fica até ao fim dos seus dias esquecendo-se que a aquilo ppode desvalorizar que algum, provavelmente ainda mais patego que ela, compre as acções a preço de uva mijona e a ponha a fazer entrevistas ao frio e à chuva à frente de um quartel de bombeiros ou se limite a oferecer-lhe dez réis de mel coado e um pontapé na bunda. Ah, a fama quando chega à cabeça dos deslumbrados fá-los esquecer quão efémero é tudo isto.

Mas pior, neste exacto momento, e foi isso que me levou a escrever isto, é a covid que deve circular à vontade ali nos estúdios da TVI -- é o que lhe correr mal a ela corre só a ela mas o que correr mal na TVI corre mal a muita gente. E o exemplo que dão pode, ainda por cima, fazer  correr mal a vida a muita gente.

Portanto, não gosto do que estou a ver. Estava à espera de ver o comentário do Paulo Portas, que parecendo que não, tinha o melhor comentário político das televisões portuguesas, mas nem sei se vai acontecer. Vou mudar de canal. Não gosto da televisão feita por gente como a Cristina Ferreira e a Teresa Guilherme nem gosto de ver, num estúdio de televisão, tanta proximidade descuidada em tempo de pandemia.

sábado, julho 18, 2020

Jorge Jesus, Cristina Ferreira, Ferreira Fernandes - começou a época das transferências e, ao mesmo tempo, a silly season





Jorge Jesus vai e vem, faz e desfaz, salta de clube em clube, é aplaudido e vaiado, sai em ombros ou ao estalo, passa de rival em rival, atravessando a segunda circular ou o atlântico, dancing for money e cagando para o resto. Pelo caminho vai abichando uns milhões. Não há cá amor à camisola, conversa mais fajuta, há é profissionalismo. E os $$$$$ a crescerem na conta bancária (nas muitas contas bancárias) e quem o achar traidor que pense duas vezes: quem trai traidor deve ser como o ladrão que rouba ao ladrão, mil anos de perdão. E nham-nham-nham, rebenta o balão. (O balão do pastilhão, bem entendido)


Cristina Ferreira, outra caga-milhões, salta da TVI para a SIC e na SIC é recebida em ombros, deitam-se no chão para ela saltar em cima, o pastor Rodrigo fecha o noticiário com 'o país, o mundo e o bolo da mãe da Cristina Ferreira' e as engraxadoras da Arrastadeira Vermelha lambem as botas e os próprios pés da Cristina, e a Cristina guincha e escaganifa-se com risinhos escaganifobéticos e toda a gente aplaude, e vai aos globos de ouro armada em nossa senhora de fátima e toda a gente ajoelha e agora, sem mais nem ontem, a dita Cristina, santinha no altar das vaidades, caga de alto para os devotos da SIC e baldeia-se outra vez para a TVI. Cristina e Jorge Jesus, grandes profissionais do espectáculo e da carteira recheada. Diz que vai agora para accionista. Quem a venerou, babando-se enquanto a venerava, que vai agora dizer? (Pergunta retórica esta minha). 

E, provando e reprovando que abriu a época das transferências, eis que me cai o queixo ao chão. Na mesma onda dos anteriores, dou com mais uma troca-sensação. Ferreira Fernandes, ex-Público bandeou-se para o Diário de Notícias onde chegou a Director. E se eu gosto de lê-lo, caraças. Pois bem, bandeou-se outra vez para o Público. Faz sentido? Eu diria que não. Mas a minha segunda consciência diz-me: 'Define sentido'. Não sei. Dou-me uma segunda oportunidade: 'Define faz sentido'. Mas também não sei definir pelo que, na volta, isso de 'fazer sentido' não existe. Portanto, trocas e baldrocas é o que está a dar e que se fornique essa coisa do sentido. E eu, que não gostaria nada de estar a servir o FF na mesma travessa em que apresento o JJ e a CF, face às insólitas circunstâncias, vejo-me forçada a fazê-lo. Ele há coisas.

Depois disto, só falta o Durão Barroso, esse perfeito-nulo, porteiro das Lajes, nos aparecer como grande educador da classe operária, liderando o MRPP,  ou o Ventura, esse pintarolas manhoso, aparecer no PSD de braço dado com o Passos Coelho, esse grande estadista que, apesar de só ter feito merda, agora por aí anda ao colo de tudo o que é burro neste país e, para cerejar o topo do bolo, nos aparecer o Carlos Costa, essa mítica figura que esteve cega, surda e muda enquanto o sistema financeiro ruía, como gestor de offshores. 

Não sei porquê mas parece que só me apetece exclamar: Eh Lecas.

Tirando isto... que mais?

Quarenta e tal graus por aqui, uma temperatura desumana. Deve ser isso. Estas temperaturas de assar pimentos ao sol estão a virar as casacas do avesso, estão a virar frangos às cegas, estão a fazer cambalhotear as mais gradas figuras desta grande nação.

Eu própria tenho que pensar bem. Qualquer dia destes, se a coisa é pegajosa como o corona, ainda pego a pandemia e ainda vos apareço a assinar posts aí num outro blog, num daqueles que vos deixaria de cara à banda: What?! Esta aqui?!?! Não... Não é possível...

 Ah pois não, violão.

E vai daqui um beijinho para vocêzes. Com máscara, claro, que eu, noblesse oblige, com isto do corona, não facilito.


Um bom sábado. 

(E bebei água com farturinha, está bem?)

terça-feira, fevereiro 18, 2020

Muito mal, Miguel Sousa Tavares, muito mal.
À sua conta e à da TVI, o André Ventura subiu mais uns pontos nas intenções de voto.



Ontem, por todos os canais onde se passava, lá estava o ataque à civilização e o Marega e os que não tinham apoiado o suficiente o Marega e mais o racismo!, racismo!, e a repugnância, e o fim da picada.

Parei as minhas leituras e fui ver de que se tratava: Marega, um jogador negro de aspecto possante, foi apupado e insultado e, muito compreensivelmente, fartou-se. E, mostrando que os tem no sítio, mandou os racistas irem dar banho ao cão e saíu do campo. 


Foi isto. A coisa conta-se, pois, em duas penadas -- e o repúdio, sendo veemente e convicto, em menos que isso. 

Pois hoje continua a não se falar noutra coisa. O tema devorou o coronavírus e a eutanásia. Um enxame de #somos.todos.marega e #abaixo.o.racismo.no.futebol invadiu os media. As televisões estão cheias de comentadores exaltados, todos na mesma, em roda: a mastigar, a regurgitar, a voltar a mastigar, a comerem o regurgitado uns dos outros -- em non stop.  Falam, falam e não acrescentam nada. Até porque não há mais nada a acrescentar. A argumentação perde eficácia quando repisada ad nauseam.

Depois, noutros fóruns, discute-se se somos ou não somos racistas. Diz-se de tudo. E tudo é verdade e mentira ao mesmo tempo pelo que vale dizer tudo e o seu contrário. Uma discussão fútil levada a cabo por gente que parece descerebrada. Parece que é preciso pôr um rótulo colectivo e, como não é fácil pôr o mesmo rótulo na cabeça de dez milhões de pessoas, não saem do mesmo sítio. Em algumas pessoas, parece haver necessidade de auto-punição como se, pelo facto de uns serem racistas, todos termos que ser. E, uma vez mais, com generalizações, lá se perde a eficácia e objectividade da argumentação.
Ainda hoje, um conhecido meu, ao falar numa outra situação que nada tem a ver com o futebol, dizia que tinham arranjado 'meia dúzia de pretos' para irem fazer um certo trabalho. Devo ter feito uma cara de espanto pois caíu nele e disse, a rir: 'Caraças, ainda aparece para aí um Marega a chamar-me racista'. 
Ora eu, do que lhe conheço, não consigo dizer que seja racista. É ultramontano e bota de elástico, é provinciano e, cá para mim, tem um parafuso a menos. Mas posso concluir que os portugueses, no seu conjunto, são racistas lá porque um zé-cueca se sai com uma parvoíce daquelas? Claro que não. Por cada um que se sai com tiradas parvas há outros tantos e muito mais que conseguem falar sem dizer parvoíces.
Agora uma coisa que eu acho ainda mais parva, mas mesmo completamente parva, é o Miguel Sousa Tavares, no noticiário da TVI, ter lá levado o André Ventura para o confrontar sobre este tema e sobre a sua reacção. 

Um bailarico. O André Ventura pôs o Miguel Sousa Tavares a rodopiar, a dançar de fininho.

O André Ventura não é parvo. Tem boa memória. É uma verdadeira picareta falante. E não tem escrúpulos. Como bom populista que é, mistura coisas acertadas, fáceis de perceber, coloca-se do lado do zé-povo -- os simples, os bons, os que dizem as verdades -- e contra os intelectuais e políticos que têm a mania que são inteligentes e que só querem mostrar a sua superioridade perante o dito zé-povo. E, logicamente, o que sai dali é um cocktail bom de beber, que escorrega que nem ginjas pela goela dos incautos, ingénuos, desiludidos da vida, rebeldes sem causa.

Portanto, se o Miguel Sousa Tavares pensou que ia enquadrar o André Ventura, esteve muito longe de o conseguir. O que levou foi uma abada. Perante um André Ventura desenvolto e aguerrido, sempre colado ao povo, o que se viu foi um Miguel a ouvir e calar, incapaz de conter a torrente verbal do grande demagogo que é o Ventura. 

Façam muito mais favores destes ao Chega, façam, e depois venham ganir baixinho e chuchar no dedo sem saberem o que fazer perante a ascensão do bicho. Continuem a dar-lhe palco e verão como, num ápice, ele papa o CDS, devora as pernas ao PSD e se torna charneira na Assembleia. 

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Ai Chega, Chega...

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[E queiram descer um pouco mais caso queiram saber de mais uma do 'alarmismo militante da TSF']

quarta-feira, janeiro 29, 2020

Miguel Sousa Tavares praxou o Chicão


Vi a entrevista na segunda à noite, aos bochechos, enquanto acordava e adormecia: na TVI, no noticiário, o Miguel Sousa Tavares praxava o jovem Chicão. Fazendo cara de mau, o Miguel fez uma entrada a pés juntos. O rapazito esgueirou-se, tentou ripostar, tentou a lisonja, mostrou a inocência dos inexperientes. Face a isso, o Miguel, certamente pensando que o jovem é mais novo que os seus filhos, apiedou-se, quase sorriu com as gracinhas do puto, refreou o killing instinct.

O rapazito, com um bonito olhito azul (aliás, com dois), lá se foi desculpando entrevista afora. Às tantas, não querendo mostrar muito mais o seu coração mole, o Miguel tentou armar-se em mau: 'As listas são só de homens. Não gosta de mulheres?'. Truque fácil: sabe que todos os adolescentes temem que questionem a sua sexualidade, ainda por cima em público. O Chicão vacilou mas foi coisa de um breve instante. Assumiu a culpa: trabalho feito à pressa, não tinha tido tempo. O aluno impreparado a espalhar-se na prova oral, o velho professor a passar rasteiras a toda a hora. E nem percebeu, coitado do rapaz, que não foi preciso muito. Para verdinhos, todo o salpico na estrada é casca de banana.

No fim, quando a entrevista acabou, poor boy, quase se sobressaltou, nem estava à espera, já tinha interiorizado que ia sair dali com as tripas de fora. Intimamente deve ter pensado: 'Uffff, sobrevivi...'. Aposto que, a seguir, ligou aos pais e à namorada a perguntar como o tinham achado, se achavam que tinha passado. 

in Flash
E, no rescaldo do grande momento, o que tenho a dizer é que o puto Chicão ainda não está pronto para o mundo dos crescidos. Fiquei também com a ideia que, em pequeno, deve ter calhado meter-se na Jota dos Betos e, por isso, formatou-se para ser de direita. Mas fiquei com a ideia que, no fundo, aquilo ali ainda está em formação e, bem trabalhadinho, guinava à esquerda que era uma pinta. Aliás, ficava bem era ao pé dos gatos do PCP.

Mas uma coisa é certa: talvez por ser bonito (ou melhor, enquanto é bonito), talvez por ter carisma (ou, pelo menos, a graça dos infantes), talvez por parecer que pode dar para vários lados (calma, ó Chicão, refiro-me aos lados políticos), a gente fica com vontade de ver para onde é que aquilo vai evoluir.

Só espero é que aquela que tem pinta de bruxa-má não dê cabo dele para continuarmos a vê-lo com o dentinho encavalitado todo sorridente. Tirando isso, é ver como se esquiva à corte que o láparo, esse inteligente, começou a fazer-lhe. E, por ora, mais nada.

terça-feira, maio 07, 2019

António Costa no Jornal das 8 da TVI com Miguel Sousa Tavares -- aquele toque de qualidade que faz toda a diferença: um grande político, um grande jornalista.
[Boa entrevista também ao artista-sindicalista Pedro Pardal Henriques]


Segundo Pedro Pinto e Miguel Sousa Tavares informaram, a TVI convidou também Assunção Cristas e Rui Rio --- mas ambos declinaram apesar da TVI lhes ter dito que enviaria entrevistadores onde eles estivessem.

Percebe-se. O melhor agora é fazerem-se de mortos, caladinhos, na moita. 

Mas na volta, com a fraca cabeça que mais uma vez demonstraram neste lindo servicinho, a Cristas e o Rio acham que, se Marcelo está em silêncio, então o melhor é seguirem-lhe o exemplo -- e não percebem que entre eles e Marcelo vai uma certa distância. 

Mas isto para dizer que, à entrevista, só compareceu António Costa. E, entre o Pedro Pinto e o Miguel Sousa Tavares, António Costa esteve outra vez seguro, convincente, confiável.

E a graça de todo este processo é ver-se tudo o que é comentador, incluindo os mais ferozes anti-PS, agora a louvarem o político de mão cheia que é António Costa. Todos, mesmo os que costumam triturar o PS e idolatrar a direita, agora enaltecem a inteligência, a segurança e rigor de António Costa. Estou até estupefacta com a vénia que lhe fazem. Dá ideia que viram a luz. 

Em contrapartida, todos dão tareia, mas tareia a sério, no Rio e seus seguidores e na Cristas e seus seguidores. Só lhes falta fazerem a mímica do vómito: chamam-lhes amadores, irresponsáveis, desajeitados, inconsequentes, fazem sorrisos de desprezo. 

Só posso concluir que estes comentadores são também pouco inteligentes pois foi preciso a Cristas e o Rui terem feito porcaria da grossa para perceberem o que, desde sempre, esteve à vista.

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Abro aqui um parêntesis para mostrar a cena da malta à volta da mesa, as esquerdas e direitas encostadas, a cozinharem em conjunto o lindo caldinho que eram para dar à boquinha do Nogueira mas que, afinal, serviram foi de bandeja ao Costa.

Sempre que algum dos líderes envolvidos na Última Ceia vierem com conversas da treta, alguém deverá mostrar-lhes esta fotografia: o bando dos quatro, PCP, BE, PSD e CDS, reunidos para verem como melhor darem um tiro nas contas públicas.

Os cozinheiros do absurdo
(que acabaram aos tiros nos próprios pés):

Do Eco:
 Da esquerda para a direita (sem conotações políticas) na foto (em cima) estão: Ilda Araújo Novo do CDS-PP; um funcionário parlamentar de gravata azul; Ana Rita Bessa também dos centristas; Ana Mesquita do PCP no centro da fotografia; Joana Mortágua do Bloco do Esquerda em pé; Margarida Mano do PSD ao lado da assessora do partido para a área da Educação Eugénia Gamboa (em pé); e, por fim, Pedro Alves, deputado do PSD.

E, para trazer aqui um apontamento de elegância, agora, o que poderia ser uma recriação da cena à volta da mesa -- mas em bom:

The Statement


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Retomo o Jornal das 8 na TVI


E Miguel Sousa Tavares, que esteve lindamente com António Costa, esteve também muito bem com o artista Pardal, o sindicalista-motorista que nunca foi motorista. E assim ficámos a ter a certeza de que aquela reivindicação assente na suposta miséria que ganham os motoristas, só uns euritos acima do salário mínimo, afinal  não é nada disso já que, em cima do ordenado base, há subsídios de tudo e mais alguma coisa e, se bem percebi, no mínimo ganham mil e muitos euros, podendo chegar aos quatro mil.

E ficámos também a saber, por uma simples conta, que aquela conversa de que todos os motoristas (bem, rectificava ele, todos não, a maioria, bem, a média, bem...) fazerem dezoito horas por dia era, afinal, também não é bem assim já que tudo se resume a alguns fazerem, de vez em quando, algumas horas extraordinárias, supostamente, as que se encontram cobertas pela lei e reguladas por equipamentos que têm nos camiões e que são fiscalizados.

Miguel Sousa Tavares, com distanciamento e calma, só com uma ou outa pergunta e desmentindo-o quando a mentira era mais descarada, conseguiu desmascarar a criatura. Um exemplo do que é fazer bom jornalismo

Uma palavra também para a sobriedade e simpatia de Pedro Pinto, um senhor. Estou em crer que este convívio, às segundas-feiras, com o Miguel Sousa Tavares no noticiário das oito vai fazê-lo crescer ainda mais do ponto de vista profissional.

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Ainda só mais um aspecto que nem tem a ver  com isto. Ouço por aí, aos comentadores e papagaios avençados, que a campanha do PS nas Europeias estava a correr mal. Ai é? Estava a correr mal? A sério? Onde? É que, tanto quanto julgo saber, as sondagens não dizem isso (nem é essa a minha percepção). 

Volto a dizer: quando as pessoas confundem a sua vontade com a realidade, geralmente estampam-se. Ou alguém de bom senso acha que a campanha do Nuno Melo e a do Rangel é que estão a correr bem? 

Vamos ver quem é que vai dar com os burrinhos na água. Estaremos cá para fazer o balanço no dia das eleições.

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Dando-me pretexto para me armar em La Palice dizendo que:
nem tudo o que parece é  
        e que

as pessoas evoluem
resolvi 'enfeitar' o texto com imagens que mostram trabalhos que podem não parecer mas são de Piet Mondrian

[E agora até me ocorreu que tenho mesmo que perder uns três ou quatro quilos para que a blusinha que comprei no Rijksmuseum, com aquele belo padrão de uma das suas pinturas mais conhecidas, volte a assentar-me como deve ser. Parecendo que não tenho este meu lado coquette...]


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Pode ser que ainda cá consiga voltar mas não garanto pois agora, sem falta, tenho que ir ali tratar de um assunto 


terça-feira, fevereiro 26, 2019

Poderia. Mas não.





Poderia falar de como é bom, em dia luminoso, o calorzinho pré primaveril na bela cidade. E como são lindas, tão suaves, as cores que andam no ar. E como dá vontade de embarcar nos grandes navios deslizando no rio.  Ou nos veleiros brancos e silenciosos. E como é bom que nos deixemos estar, embarcando neles apenas o nosso olhar.


Poderia falar de como, apesar da pressão turística, ainda há enormes prédios abandonados nas melhores avenidas. E como são tristes os prédios grandes abandonados. Poderiam transformar-se em residência de artistas, em casas para jovens, em residências universitárias, em residências assistidas para idosos de fracas e médias posses. Mas, se calhar, vão ser hotéis.

Ou poderia falar de como começam a aparecer, nas empresas, movimentos reivindicativos atípicos, orgânicos, com os quais as estruturas tradicionais não sabem bem como lidar. E do medo que causam. Sem rosto, sem contornos. Um medo difuso.


Poderia falar também da casa de Salazar que vi na TVI. Abandonada, as coisas do ditador, do atávico campónio que arrastou o país para o coitadismo, para o remediadismo, para as galinhas no quintal para mostrar como é bom ser poupadinho. Poderia falar de que de nada lhe serviram os pides a guardar a rua, a prender e torturar os outros. Poderia falar do relógio na parede, parado, para sempre parado, e dos livros a desfazerem-se. O ditador que caíu da cadeira e acabou sem saber que já não era nada. De nada lhe serviu tudo o que fez. Agora ninguém quer saber de lhe preservar a casa, as malditas memórias. Poderia dizer que ele deveria voltar por um instante para ver que ninguém lhe sente a falta e que todos lamentam os anos de desenvolvimento e abertura ao mundo que roubou ao país. Poderia dizer que os piores são sempre os apertadinhos, como apertadinho era o Salazar, bem governadinho pela zelosa D. Maria.

[Nota: Desagradável, contudo, a imitação da voz do ditador na leitura da carta e do poema; banaliza-o. E vultos nefastos não devem ser banalizados]


Ou poderia falar de Neto de Moura, mais um dos juízes que parece ter saído das cavernas. Poderia falar em como é perigoso estar a justiça nas mãos de parvos encartados. Poderia falar que é assustador pensar que há mulheres que são vítimas de estafermos destes. Ou poderia falar de como é assustador pensar que há mais juízes como este. Ou como estarão desprotegidas as mulheres que caiam nas malhas de justiceiros destes a quem, pelo que se vê, não há quem tenha poder para os mandar de volta para as cavernas.

Mas falta-me a verve na conta e medida requeridas. Vou antes pregar para outra freguesia ou, melhor, tirar a minha viola do saco e tocar música para algum incauto que por mim ainda  se deixe embalar.


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E tenho dito. Abaixo há vestidos para despir e há um momento de química aplicada.

terça-feira, outubro 02, 2018

Entrevista de António Costa na TVI com a Judite Sousa e o Sérgio Figueiredo.
Os comentários que se impõem.


Sobre a entrevista que acabei de ver, primeiro na TVI e depois na TVI 24, tenho algumas coisas a dizer:


1 - O António Costa continua com má dicção e com roupa que parece sempre uns números abaixo. Apesar de tudo, notei que tentou não deglutir mais do que uma sílaba de cada vez e notei que desta vez era apenas um número abaixo (na fotografia acima até parece bem). Modestos mas, apesar de tudo, alguns progressos.


2 - O Sérgio Figueiredo está bronzeado de uma maneira tal que fiquei na dúvida sobre qual dos dois ali era o verdadeiro chamuça* (e isto, claro, carinhosamente dito até porque me pelo (do verbo pelar) por chamuças, especialmente quando quentinhas; e, com isto, que ninguém pense que estou com vontade de dar uma trinca em qualquer dos dois cavalheiros; não estou, especialmente porque duvido que sejam estaladiços)

[* Usei a metáfora das chamuças para as virgens ofendidas não me acusarem de racista caso tivesse dito monhé -- que isto uma pessoa já nem sabe como falar para não ofender ninguém. Na volta, mais valia ter dito 'marron glacé' que a corzinha estava lá mas sem o picante que condimenta a conversa]


3 - A Judite estava com um penteado e uma maquilhagem que, de cada vez que se punha a rir para o Costa, aqueles sorrisinhos cheios de subentendidos, só me fazia lembrar uma pomba lesa. Cabeleira loura de tipo oxigenado com ondulação tombando sobre os ombros e sobre a testa, maquilhagem acentuada. Uma cena... 


4 - Digna de registo também a toilette da dita loura. Com sapato de baile, perna ao léu, toda ela parecia uma madame nem eu digo de quê. Ou isso ou uma cantora pimba já na fase vintage. Ou mulher de futebolista, igualmente vintage. Aquela ali não atina com o visual. Ora vai de Dartacão, ora de Carochinha, ora de Majorette, ora de Gótica. Não sei se aquilo é obra dela ou se o que ali vemos não passa, afinal, de uma instalação da mediática Joana Vasconcelos, quiçá numa de produzir a entrevistadora mais kitsch das televisões de todo mundo, conseguindo mesmo superar a carismática senhora do robe cor-de-rosa da Coreia do Norte.

5 - Tirando isso, retive a observação do Costa a propósito da magna questão do possível apoio a Marcelo, caso ele se recandide. Depois de se esquivar, dando uma resposta de circunstância sobre os hábitos do PS, a Judite tentou a sorte de perto, apelando ao bom entendimento entre ambos -- e vai o Costa, macaco de rabo pelado, saíu-se com uma muito boa: que não é por as pessoas se darem bem que forçosamente votam umas nas outras; que ele, por exemplo, não dá por adquirido que o Marcelo vá votar nele nas próximas eleições. 

6 - Para finalizar: ou foi distração minha ou não vi um único pavão a espreitar à janela. Será que os pavões não se pavoneiam à noite? Ou será que receou ficar ofuscado pelo brilho da outra ave, a dita pomba lesa?

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E é isto. Nada mais tenho a dizer até porque, para dizer a verdade, só vi um bocado da entrevista. Só espero é que, um dia, algum maluco me contrate para comentadeira televisiva. Quando os outros começassem a dizer coisas inteligentes, eu só me saía com observações deste calibre. Mas ditas com ar superior. Uma pose, por exemplo, à Raquel Varela, misto de bué inteligente e de castigadora. Ou isso ou um ar sofredor de quem vislumbra borrasca no horizonte, como a Helena Garrido. Ou seja, ar de comentadora a sério mas só a dizer parvoíces. Oh pá, adorava.

terça-feira, outubro 31, 2017

Ana Leal e o "cartel do fogo" na TVI.
[Nunca é bonito o espectáculo da necrofagia]


E quando anda o pessoal todo a curtir as altas epifanias, 
  • uns porque foram fazer uma manif e já acham que vão salvar o mundo e, de caminho, limpar a floresta e pôr o Siresp a funcionar que nem um brinquinho,
  • outros porque organizaram uma expedição para ir oferecer uma mobília de quarto, uma de sala, brinquedos e abraços porque abraços é coisa que faz muita falta neste processo,
  • o Presidente Marcelo a distribuir beijinhos e, of course, também abraços e a ameaçar que não vai deixar passar (não se sabe bem o quê), mais parecendo que está a instigar a malta à rebelião passiva (como o outro totó da Catalunha dizia antes de fugir para a Bélgica; ou era resistência passiva? -- olha, agora não me lembro; mas também não interessa) 
  • e até o nosso tão bem conhecido Hugalex a andar pelas terras ardidas, todo prosa, também a resolver o problema distribuindo abraços e palavras benzidas,
eis que nos entra casa adentro um grupo de pessoas a falar da máfia dos incêndios, do cartel do fogo, e kamoves e milhões e mais milhões para aqui e para ali. Uma conversa que, de tão impudica, quase soa a obscena. 

E uma pessoa fica de boca aberta: numa altura de seca extrema, de ventos diabólicos, de terras abandonadas, em que qualquer faísca seria fatal, pode mesmo acontecer que tenha havido uma máfia a atiçar os fogos e, em cima, uma cáfila a esfregar as mãos face aos milhões ganhos? Pode mesmo ter acontecido que os pirocumulonimbos que fazem parecer que o mundo está a acabar tenham tido, na sua génese, a torpe avidez de uma imperdoável súcia? Ou isto será um delírio da Ana Leal?


Ainda não consegui bem perceber de que falam, pois cada um diz coisas para o seu lado e todos negam qualquer coisa. Mas o que me parece é que este assunto é uma fogueira de interesses e ganâncias ateada por longa incompetência acumulada ao longo de anos e, na volta, regada à força de corrupção. Eu, se fosse à mana Vidal, ia rebobinar isto e ver as pontas que por aqui andam pois dá ideia que coisa há, não se sabe é se é exactamente o que estão para aqui a dizer, tanta a raiva de que parecem possuídos. Mas é mesmo capaz de ter mesmo caroço neste angu.

Passo a relatar:


Está um senhor que penso que se chama Ricardo Dias -- e que é o responsável da Everjets -- e que faz lembrar o Macron. Tem um ar normal mas, quando fala, fica com um ar temível. Trouxe fotografias para incriminar (penso que de má gestão) o rival que está em frente. Aviões reparados com paus e atilhos, mostra ele. O outro diz que não tem nada a ver com aquilo.



Quando ele fala do número das horas de voo, ao lado dele, uma Ana Leal de faca na liga e que, tal o fácies, mais parece que está com o diabo no corpo, confronta-o com o número de mortes, desafiando-o quanto à veracidade do que ele diz. Ele não se torce nem se amolga -- mais morto menos morto, mais horas menos horas, mais milhão menos milhão -- e prossegue o seu raciocínio. No entanto, depois diz que também é operacional e que não gosta de ver mortos (e eu penso: bolas, até já estou mais descansada... vai que ele tinha dito que entra em êxtase quando vê mortos...)

E continuam. Neste momento o dito Ricardo fala do negócio dos milhões e diz mesmo assim: 'negócio de milhões' e diz que não são apenas as empresas dos meios aéreos que são os bandidos desta história. E atira com mais uns milhões valentes para cima da mesa.

Agora falam dos projécteis que caíram do céu, aparentemente com explosivos, e o senhor diz que não é do interesse dele atear fogos pois não ganha mais por voar horas a mais.

Já antes, na reportagem, mostraram aquelas coisas estranhas que a GNR vai recolher para analisar.


E na parte que, antes, vi da reportagem o que ouvi é de loucos: aparentemente maus negócios uns atrás de outros e lá aparecem os sempiternos Kamov. Pedro Silveira, um senhor de uma empresa de helicópteros (Heliportugal), dizia que quem assim negoceia ou é incompetente ou corrupto mas que não queria alargar-se porque já está com dois processos às costas, um movido pelo ex-ministro Miguel Macedo e outro pelo Marques Mendes (Terei ouvido bem...? A que propósito o tangerina aparece neste filme...?). O senhor afirma que há muitos anos que diz que há mão criminosa nos fogos mas diz que para ele não é negócio voar. Melhor é não voar e receber. 

E eu, claro, concordo. Já o outro, o Ricardo, dizia o mesmo: receber e não voar é que é bom. Ou seja, receber o dinheiro e não ter que gastar dinheiro com combustível e outras cenas. Também eu preferia receber o ordenado e não ter que trabalhar. Quase coisa de La Palice.

E continuam a falar de milhões para aqui, milhões para acolá. Os senhores da Força Aérea, na reportagem, criticavam toda esta felga, dinheiros mal gastos, um regabofe, que com eles ia ser muito mais barato.

No estúdio, agora, os dois inimigos dos meios aéreos não concordam, e nisto parecem estar de acordo, e dizem que vai sair mais caro e que ninguém vai saber quanto é que custa. Quem os ouça dirá que aquilo lá nas Forças Armadas é o que se quiser e tudo na maior opacidade.

Tudo isto, visto aqui da minha tranquila sala, parece, pois, uma nebulosa de fumo.

E, no meio disto, a Ana Leal, toda destravada, a confrontar agora o Pedro Silveira que está a passar-se com ela, dizendo que ela tem que o deixar falar, e que o estudo dela também tem erros. Ela está capaz de o estraçalhar. Tem uma cara de má que impõe respeito e atira-lhe com desprezo, chispas, palavras e números à cara.

No meio deste braseiro, não consigo tomar partido. De resto, também não conheço a Bíblia; se conhecesse, talvez conseguisse desarrincar alguma tirada que servisse para aqui absolver o dito Pedro, o dito Ricardo ou a mesmo a dita Ana. Assim, limito-me a olhar, perplexa.


Agora que isto já está mais para o fim apareceu o senhor dos Bombeiros todo desnorteado com o Governo porque o Governo parece que anda a querer poupar tostões e agora ele ali ouve falar em milhões. Antes os outros tinham falado em mil milhões para os Bombeiros mas este senhor de que não fixei o nome diz que não é nada disso. Mas não fiquei a saber ao certo de que é que ele se queixa. Fiquei com a ideia que queria que o Costa lhe tivesse dado um abraço e dois beijinhos (e que, lá está, como diria o padroeiro-novo dos desacamisados, vulgo São Marcelo: foi mais uma oportunidade perdida para o Costa).

E agora acabou o debate e o que eu retive é que alguém devia investigar bem tudo isto porque no meio de tanto milhão, mesmo que não haja corrupção, há certamente muito dinheiro mal gasto e, pior, alguma má gestão de meios, aéreos ou outros.


Já agora a ver se o Senhor Presidente, o nosso Marcevito, veste nova camisola e ergue nova bandeira: contra a máfia do fogo marchar, marchar! E, se possível, em português (que há pouco, no carro, bem o ouvi todo franciú, a fazer biquinho para o Juncker).

Apreciaríamos.


sexta-feira, outubro 21, 2016

Sérgio Figueiredo entrevista António Costa (juntamente com José Alberto Carvalho)
e eu pergunto:
a quem é que a gente tem que se dirigir para pedir que nunca mais o deixem aparecer à nossa frente a fazer entrevistas,

arrogante, pesporrente, insuportável?
É que não há paciência para aturar espertinhos insolentes destes...!


Estou a ver a entrevista na TVI. António Costa tem uma paciência infinita para aturar a criaturinha. Responde, explica, ensina -- e sempre sorrridente para com um Sérgio Figueiredo convencidinho, antipático, mal humorado, com ar mal disposto.

Bem informado, uma conversa muito bem estruturada, uma visão clara -- assim António Costa nos aparece. E sorridente, bem humorado. Dá gosto um governante assim: disponível, com uma visão muito clara das suas opções e leal para com os seus parceiros de coligação.

E, no fim, os entrevistadores a quererem acabar a entrevista e António Costa, como se estivesse numa boa, na cavaqueira, a querer ficar à conversa. E guardou a 'boca' do diabo para o fim, uma biqueirada bem humorada no láparo.


Esta atitude por parte dos governantes -- de proximidade e afabilidade ao mesmo tempo que didáctica e tranquilizadora -- aproxima a política do povo. António Costa, uma vez mais, mostrou que é eximínio nisso. Assim é que é.

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Em contrapartida, aquele brilhantinoso Sérgio Figueiredo... Acha-se. Acha-se o maior, o mais esperto, o mais irreverentezinho.

Não se aguenta um homenzinho assim, todo cheio de si próprio, todo ele jactância, impertinente. Durante toda a entrevista, uma pessoa está incomodada, com vontade que ele se cale e deixe o José Alberto conduzir a entrevista. Tanta prosápia roça a má educação, credo. 

Por estas e por outras é que eu seria incapaz de andar nisto da política ou de exercer cargos que me obrigassem a ter que aturar criaturas assim. À terceira já me tinha saltado a tampa e não respondia por mim.

O drama para a TVI é que o dito Sérgio é director. Portanto, não sei se há lá quem o possa mandar enfiar o rabo entre as pernas e limitar-se a fazer jogos de paciências ou palavras cruzadas. Ou isso ou pô-lo em frente ao espelho a ver se ele se farta de si próprio.



Tudo menos aparecer-nos à frente. 


(NB: No DN já não o leio: Sérgio Figueiredo é um escorpião de cabeça vazia.)