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quinta-feira, abril 30, 2026

Será o Montenegro o Orbán cá do burgo? E o Andrézito é um brincalhão do caraças? E o MP não se interna voluntariamente Rilhafoles?
-- A palavra ao meu marido --

 

Talvez alguns tenham ficado surpreendidos com o apoio objetivo dado por Montenegro a uma repescagem de Putin. Para mim não é surpresa. O Montenegro faz parte da direita com pendor populista que em grande parte está ao lado do Putin e o quer ver regressar, com alguma pompa e circunstância, aos palcos internacionais. Depois do Trump fazer todos os possíveis para dar protagonismo ao Putin, eis senão quando vem o Montenegro, antes de haver concertação europeia nesse sentido, apoiar o Trump e antecipar-se à maioria dos nossos parceiros europeus, seguindo as pisadas do tipo responsável pela enormíssima e perigosíssima crise em que o mundo está mergulhado. Será que temos um novo Orbán na Europa? O PM português? Ainda não chegou aos extremos do húngaro mas segue os passos do Trump, revela-se defensor da re-inclusão de Putin nas plataformas decisórias, já aprovou com a extrema direita as leis da nacionalidade e da imigração, já revelou enorme falta de respeito pela verdade e pelas instituições e já atacou bastas vezes a comunicação social. De facto, isto é apenas a cereja em cima do bolo. Para além de seguirmos a política de bar aberto relativamente à utilização das Lajes pelos americanos, ainda temos o Montenegro a defender que o Putin volte a ser considerado na cena internacional.

Parece que o Andrézito definiu hoje a linha vermelha para aprovar o pacote laboral. Embora se possa admitir, atendendo à habitual coerência do rapaz, que a linha vermelha hoje definida amanhã muda de cor, dizer que só aprova o pacote se a idade da reforma descer é de mestre. Esta não lembrava ao mais pintado. O Montenegro até deve ter batido três vezes com a cabeça na parede para ver se alucinava de vez. Não há nada tão reconfortante como ter o Andrézito como parceiro, não é Luís?

Hoje o tribunal, por unanimidade, decidiu absolver o Rui Pinto considerando que o julgamento era inválido e inconstitucional e que o MP tinha violado as garantias de defesa do réu. Será possível que o MP ainda desça mais fundo? Os procuradores deviam ser internados em Rilhafoles e punidos por incompetência e desbaratamento do erário público. O PGR devia demitir-se, emigrar e ir pentear macacos para o meio da selva. Ou melhor ainda: fazia um trio com os dois acima referidos e iam contar osgas para a Conchichina. Isso é que era!

sexta-feira, março 20, 2026

‘Cenário apocalíptico’ - refere o Guardian*.
Para o compreender, ouçamos o que Joanna Coles e Michael Wolff têm a dizer sobre o que se passa dentro da cabeça de Trump e ouçamos também o que Jon Kent e Tucker Carlson, duas pessoas que muito o apoiaram (e conhecem tudo o que se passa) têm a dizer sobre o assunto

 

Aquilo a que se assiste no Médio Oriente é de loucos. O que poderia temer-se que acontecesse, está a acontecer: um doido varrido ao leme dos Estados Unidos. O meu marido desta vez não anda tão pessimista como eu, acredita que ele vai perceber que tudo lhe pode correr mal demais e, ao mesmo tempo, fartar-se, e um dia destes decidir que se vêm embora do Irão pois, segundo apregoará, já não haverá lá mais nada para fazer: Já ganhei, já obliterei tudo de vez, sou o maior - dirá. Eu não tenho essa perspectiva pois receio que ele esteja demasiado na mão do criminoso Netanyahu e não seja tão simples assim dar de frosques. Além disso, mesmo que recue, já causou danos tão extensos e tão irreversíveis que as consequências económicas, políticas e sociais se farão sentir de forma muito impactante nos próximos tempos.

Acresce que ele não é apenas maluco. É também cruel, destituído de arrependimentos. As coisas de que já foi acusado, os casos conhecidos em que já esteve envolvido (e os casos de que talvez ainda nem saibamos) e as vinganças que exerce sobre as pessoas que lhe fazem frente ou que o fazem sentir encurralado são de fazer temer o pior. É destituído de autoconsciência e de princípios. E está maluco.

Tenho lido e ouvido vários testemunhos e várias opiniões. Aliás, os dissidentes da sua base de apoio começam a aparecer e a falar, ou melhor, a pôr a boca no trombone, e, à medida que se vão sabendo mais episódios, mais é de se ficar preocupado. É certo que em Novembro há as intercalares e, com certeza perdê-las-á (a menos que consiga impedir as eleições) -- mas daqui até Novembro é muito tempo e, ao ritmo a que ele inventa novas parvoíces, pode dar cabo do mundo de vez.

Uma das opiniões que gosto de escutar, porque me parece que faz sentido e porque as vejo corroboradas por acontecimentos posteriores, é a de Michael Wolff, quer nos seus vídeos curtos no Instagram quer no podcast Inside Trump's Head, no The Daily Beast, com a Joanna Coles. Diz ele que todas as decisões são tomadas por Trump sem ouvir conselheiros. Ou melhor, ouvindo apenas o que lhe interessa ouvir. Portanto, para compreender o que está a passar-se, o melhor é perceber como funciona a cabeça (disfuncional) dele. E eu concordo. 

E reparemos: no meio de uma guerra como esta, ele continua feliz e bem disposto, brinca com aviõezinhos na Sala Oval, diz inconveniências que são mais do que de mau gosto, mas que diz como se fossem piadas, à Primeira-Ministra do Japão, e, no reality show que são as sessões contínuas na Casa Branca, diz que vai tomar conta de Cuba, e diverte-se a pronunciar a palavra Cu-Bá, e a seguir já andam a fazer saber que vão divulgar documentos secretos sobre extraterrestres... ou seja, continua a ser a festa do costume, uma produção permanente de conteúdos. O que sai daquela cabeça não é nada pensado, sopesado, consistentes, avaliado à minúcia. Não. Nada disso. É o que lhe dá na gana sem se preocupar em ser coerente. 

Por isso, não será má ideia tentar perceber como funciona aquela cabeça preenchida por poucos e fracos miolos. O caos, a confusão, as traições, a influência desmedida do genro, Jared Kushner, a descoordenação que chega a ser ridícula, o nível de anedota é demais, parece impossível.  Note-se que a Joanna Coles volta e meia desata a rir e ele também... e eu também. Não será caso para rir mas, na realidade, é difícil levar a sério. O pior são os mortos, é a destruição e as consequências da porcaria que ele anda a fazer.

Abaixo dos dois vídeos entre eles, há uma outra conversa que é de nos deixar muito apreensivos. Jon Kent, ex muito apoiante de Trump, responsável pela Unidade de Contraterrorismo demitiu-se sonoramente, batendo com a porta, publicando uma carta e dando uma entrevista a Carlson Tucker, outro ex-fiel e ex-alto propagandista de Trump. E as revelações queimam: não apenas não havia motivos para atacar o Irão (o que já é mais que óbvio para toda a gente), não apenas andam a matar alguns dos iranianos que poderiam servir de ponte para uma negociação, como há meses que os israelitas andam a pressionar para atacar o Irão (aliás, há muitos anos, mas agora reportando-nos apenas ao 2º mandato de Trump), tendo sido afastados todos os conselheiros e especialistas em segurança que avisavam para não o fazer... e ainda outros assuntos aparentemente não relacionados como o assassinato de Charlie Kirk, ficando no ar a suspeita de que houve mão israelita (ou mais que isso?) porque Kirk andava a mijar fora do penico israelita, e que, sabe-se lá porquê, a investigação foi bloqueada. Isto dito pelo responsável pelo Contraterrorismo. Muita coisa é ali dita. A entrevista é longa mas vale a pena ouvi-la. Creio que vai lançar estilhaços em muitas direcções.

Mas, primeiro, a dupla Michael Wolff e Joanna Coles (já sabem: caso não consigam acompanhar bem o que eles dizem, podem activar a legendagem automática)

Eu sei porque é que a presidência de Trump está condenada ao fracasso: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles precisamente quando a demissão repentina de um alto funcionário antiterrorista devido à guerra no Irão expõe fissuras dentro da própria coligação de Trump. Com figuras do movimento MAGA a virarem-se contra o conflito, mesmo enquanto Trump insiste que está a "obliterar" a capacidade militar do Irão, Wolff explica a lógica direta que orienta o pensamento de Trump: se os generais disseram que a obliteração era possível, então a missão deve estar a funcionar — mesmo com a ameaça de disparar os preços do petróleo, o regime iraniano aparentemente mais entrincheirado e o presidente preso no clássico dilema de uma guerra que não pode vencer nem sair facilmente. Analisam também a estranha insistência de Trump de que um antigo presidente dos EUA elogiou em privado a sua estratégia para o Irão, as disputas silenciosas pelo poder entre Marco Rubio e J.D. Vance, a crescente influência de Jared Kushner na política do Médio Oriente e porque é que a próxima fase da presidência de Trump pode parecer familiar: a procura de alguém — qualquer um — para culpar.



A verdadeira razão pela qual Trump perdeu a cabeça com um aliado importante: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles mergulham no caos crescente dentro do universo de Trump, à medida que a guerra com o Irão expõe uma verdadeira guerra civil entre os apoiantes de Trump. Tucker Carlson, Megyn Kelly e Nick Fuentes confrontam-se com Ben Shapiro, Laura Loomer e Mark Levin numa disputa renhida sobre Israel, o anti-semitismo e o futuro do movimento. Wolff revela informações chocantes dos bastidores sobre as correntes conspirativas que impulsionam a base de Trump, a crescente crença de que forças obscuras estão a dirigir a política externa dos EUA e como figuras como Jared Kushner estão a ser reinterpretadas em narrativas sombrias e perigosas. Enquanto Trump se atrapalha num conflito que nunca planeou, marginalizando os seus próprios aliados do "America First" e abraçando os falcões tradicionais, o episódio retrata um movimento a fragmentar-se em tempo real — onde a ideologia, o oportunismo e o ressentimento colidem, e onde a batalha pelo controlo do MAGA pode remodelar a política norte-americana de formas que poucos previram.

E agora, os dois ex-grandes apoiantes de Trump que agora estão em acelerada divergência, sobretudo revoltados com a total e dominante influência de Israel:

Joe Kent revela tudo na sua primeira entrevista desde que se demitiu do cargo de diretor de contraterrorismo de Trump -- com Tucker Carlson

Joe Kent é antigo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo e principal conselheiro do presidente para assuntos terroristas. Serviu durante 20 anos no Exército dos EUA, com 11 missões de combate a combater redes terroristas no 75º Regimento de Rangers, nas Forças Especiais do Exército e no Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA, tendo recebido seis Estrelas de Bronze. Joe é também marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro. A sua primeira mulher, a Suboficial Chefe da Marinha Shannon Kent, também serviu no Exército e foi morta em combate contra o Estado Islâmico na Síria em 2019.


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Esperemos que os tempos de paz e de esperança, como que por milagre, regressem ao mundo

segunda-feira, março 02, 2026

Um sistema intrinsecamente corrupto

 

Quando os aviões cruzam os céus para despejar bombas, quando os mísseis atravessam países, quando pessoas começam a reduzir-se à condição de corpos -- e quando as televisões nos encharcam as mentes com imagens e com explicações e mil comentários -- chego a esta hora e mais depressa me apetece falar dos meus meninos, todos os dias mais crescidos, do que de toda a instabilidade que grassa pelo mundo.

Tempos houve, e não foram longínquos, em que os países faziam as pazes, em que os muros caíam, em que as guerras, fossem guerras de bombas e botas no terreno ou guerras frias, pareciam coisa do passado. Infelizmente voltámos a esses tempos sombrios. E é um pavor.

Como chegámos até aqui?

Talvez a explicação esteja na ausência de saúde moral de parte dos regimes que, em vez de cultivarem a paz, parece que, no seu âmago, se atolam na lama.

Diz David Rothkopf que a assinatura de Trump e, na realidade, a assinatura destes tempos é a 'história' que se conta através dos ficheiros Epstein. 

E, embora já aqui tenha falado dele algumas vezes pois gosto imenso de ouvi-lo, recordo que David Rothkopf é uma pessoa particularmente bem informada, daquelas pessoas de quem se pode dizer que bebe do fino. O seu currículo é impressionante e a quantidade de pessoas que conhece e conheceu de perto, a rede de informações que facilmente cruza, e a forma simples, quase humilde, mas sempre perspicaz e sólida, tornam-no, a meus olhos, uma pessoa cujas opiniões interessam.

Aqui, no vídeo que abaixo partilho, está de novo à conversa com Joanna Coles que garante sempre conversas interessantes, leves qb e com um toque de boa disposição. A conversa decorreu no momento em que Clinton, com quem David Rothkopf trabalhou, estava a depor no Congresso. Por isso, a novidade do ataque ao Irão ainda não tinha ocorrido.

A conversa é longa mas tem interesse do princípio ao fim. 

Para quem duvida das ligações de Epstein à Rússia ou à Mossad, para quem duvida da longa mão de Putin na governação Trump, para quem ainda pensa que tudo gira à volta de sexo com menores de idade, para quem ainda não percebeu o esquema da troca de favores e da pirâmide da influência, para quem ainda não percebeu como o esquema de financiamento privado que existe nos Estados Unidos com políticos e universidades a terem que arranjar financiamento para as suas actividades leva, quase inevitavelmente, à venalidade -- aqui fala-se de tudo isso.

Porque é que Epstein é o crime que define Trump: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast

David Rothkopf junta-se a Joanna Coles para defender que o escândalo Epstein é a crise que define Donald Trump, ligando o poder global, a desigualdade de rendimentos, a corrupção e a impunidade. Rothkopf, colunista imperdível do The Daily Beast e fundador da DSR Network, explica como Epstein envolveu uma rede de elites como Bill Clinton, Príncipe André, Peter Mandelson e magnatas de Wall Street, ao mesmo tempo que levanta questões mais profundas sobre obstrução à justiça, desaparecimento de provas e envolvimentos dos serviços de informação. Discutem também como figuras-chave encobriram ativamente irregularidades para se protegerem a si e aos seus aliados, mostrando um mundo onde o privilégio protege o crime e a verdade completa pode nunca vir ao de cima.

00:00 - Porque é que os arquivos de Epstein podem remodelar a política americana
05h05 - Clinton, Trump e a política de desvio de atenções
10h00 - Mortes, silêncio e o medo em torno do círculo íntimo de Epstein
15h00 - A Rússia, as agências de informação e a armadilha de Epstein
20h05 - Kompromat, o poder e como as elites são comprometidas
25h00 - O príncipe André, as elites globais e a troca de acesso por influência
30h00 - O "escândalo característico" de Trump e a cultura da impunidade
35:05 - Comunicação social, desinformação e obstrução à justiça
40h00 - O que revela o caso Epstein sobre a corrupção nos Estados Unidos
45:05 - Porque é que este escândalo ainda importa e o que vem a seguir

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Desejo-vos uma boa semana 

sábado, fevereiro 28, 2026

Ucrânia

 

Criei o blog há um bom par de anos, sem plano nem propósito -- sobretudo, queria descobrir como se fazia. Mas, assim que o percebi, o lado estético e lúdico entusiasmou-me bastante e logo resolvi que o seu look haveria de ser mutante. Quase todos os meses lhe mudava a imagem de abertura e as cores. Privilegiava pinturas do meu agrado mas também fotografias alheias que considerava também arte, frequentemente com um certo toque provocatório. E divertia-me imenso a escolher cores, em volta ou por detrás, no tom da imagem ou, pelo contrário, altamente contrastantes. 

Mas, quando a Rússia criminosamente invadiu a Ucrânia e começou a matar e a destruir, imediatamente abdiquei desse meu prazer e resolvi arranjar uma imagem que simbolizasse a esperança e o futuro, assentes nas cores ucranianas. A coragem e a capacidade de resistência daquela gente, o heroísmo de todos, a começar por Zelensky, alguém por quem nutro enorme admiração, sempre me comoveu muito e, desde sempre, na humildade da minha irrelevância, coloquei-me do seu lado. E decidi que assim ficaria até que a Ucrânia pudesse voltar a viver em paz, em liberdade, em felicidade. 

Achei, e cada vez mais o acho, que estar ao lado de quem defende a sua terra, as suas fronteiras, a sua identidade, o seu querer, o seu futuro, era o mínimo. Sem adversativas, sempre me coloquei do lado da Ucrânia e do seu direito a defender-se e a fazer valer a sua vontade, e sempre me mostrei inequivocamente contra quem demonstra não respeitar o direito internacional, não respeita as fronteiras dos outros países, não respeita a vontade dos povos desses países, não mostra compaixão nem mostra arrependimento nem empatia nem coisa boa alguma.

Confesso que nunca pensei que tivesse que manter a criança com as cores da bandeira pintadas no rosto nem o fundo amarelo e azul por muito tempo. Uma guerra desta natureza, absurda como todas as guerras e tanto mais quanto assenta em vontades imperialistas que eu julgava mortas e enterradas, uma guerra tão aberrante, tão assassina, tão estúpida, julgava eu que não poderia durar muito. Imaginei que alguma solução os civilizados deste mundo haveriam de arranjar e que, se não isso, então, internamente, os próprios russos haveriam de impor a retirada das tropas russas do território ucraniano e imporiam a neutralização do regime putinista para que a própria Rússia pudesse aspirar a um futuro tranquilo, livre e democrático. 

Enganei-me. Já lá vão 4 anos. Putin continua a usar os seus como carne para canhão, e ouve-se falar em cerca de 600.000 mortos, impondo também pesadas perdas para a Ucrânia, fala-se em cerca de 300.000. Uma brutalidade. Vidas interrompidas para as quais não pode haver perdão. Um dia Putin será julgado como o grande criminoso que é.

Não sei qual será ou quando será o desfecho desta guerra mas sei que um dia acabará e acabará bem para a Ucrânia. Espero que seja em breve.

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NB: Fiz as imagens que ilustram este texto com recurso a Inteligência Artificial

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

O grande polvo russo

 

O tema está na ordem do dia e meio mundo tenta juntar as pontas. Mais do que um pedófilo, um traficante de crianças e um charmoso manipulador, Epstein era também um espião? Um agente da Mossad? Ou um agente ao serviço da Rússia? Ou de ambos? Ou também da CIA?

Ou era um agente especializado em Krompomat -- material comprometedor ou documentos incriminadores; expressão originária do russo (abreviação de komprometiruyushchy material), refere-se a informações, fotos ou documentos obtidos para chantagear, desacreditar ou manipular figuras públicas, políticos ou empresários -- que depois alguém, pessoas ou instituições, usariam quando conveniente?

Estarão agora os russos com meio mundo 'ocidental' na mão (políticos, empresários, investigadores -- americanos, europeus e mais uns quantos) bem como com planos de tudo e mais alguma coisa na mão?

Parece que sim. Uma extensão insólita, impensável.

E a verdade é que Alexander Dugin (ou Aleksandr Dugin), o estratega russo, o grande defensor da reconstrução imperial da sonhada Eurásia, já começou a querer recolher dividendos. E, claro, os burros do costume já começaram a divulgar as suas ideias. Já recebi um comentário, que obviamente não publiquei, remetendo para um artigo publicado no blog pró Rússia do costume com um artigo dessa criatura.

Aliás, há não muito tempo, Putin, ele mesmo, fez um comentário que na altura soou a ameaça mas que parecia algo encriptada. Agora percebe-se. E usou expressões que Alexander Dugin agora usa. Estava a avisar, portanto. Trump certamente compreendeu-o pois está a obedecer-lhe caninamente.

Parece que depois de financiarem Epstein e incentivarem a depravação dos ricos, poderosos e bem-pensantes 'ocidentais', depois de recolherem provas e de os terem na mão, os russos agora vêm saltar em cima e hipocritamente denunciar a podridão 'ocidental'.

Claro que existe essa podridão, claro que é uma podridão que enoja, que revolve as entranhas, claro que todos esses tarados, perversos e e nojentos merecem punição, uma punição severa, merecem repúdio absoluto, rejeição social incondicional -- mas são eles, eles e só eles, eles e os que os protegeram. Não é toda a sociedade ocidental. E a sociedade russa (e a israelita) têm tanta fruta podre como a ocidental. Não se pode julgar uma sociedade no seu todo pela fruta podre que há no cesto.

Portanto, caros Comentadores do costume não venham para aqui tentar divulgar a cartilha russa pois aqui não serão bem acolhidos. Já deveriam sabê-lo.

De resto, creio estarmos perante a maior e mais extraordinária operação de espionagem jamais urdida e jamais levada a cabo. Só falta mesmo vir a confirmar-se que Epstein está vivo.

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A título de exemplo:

Epstein estava 'efetivamente envolvido no crime organizado russo' | Christopher Steele

“Rastrearam as atividades e operações de Epstein até à década de 1970.”

O antigo chefe da divisão da Rússia do MI6, Christopher Steele, afirma que, na sua opinião, já na década de 1970, Epstein estava “efetivamente envolvido com o crime organizado russo”.

domingo, janeiro 04, 2026

Isto não está a começar bem...
E não sei se o que me incomoda mais é o crime de Trump se é a cobardia dos Europeus

 

Não simpatizo com Maduro, nada mesmo. Tenho sempre muita pena dos povos que não vivem em democracia, que não têm o privilégio de viver em plena liberdade, que não têm a sorte, que toda a gente deveria ter, de viver num país desenvolvido, humanista, inclusivo, moderno. Teria ficado muito mais animada se, em eleições livres, os venezuelanos escolhessem um verdadeiro democrata.

Contudo, nem de longe nem de perto, apoio ou percebo ou justifico a criminosa acção militar dos Estados Unidos de atacar alguns alvos e raptar Maduro e a mulher, indo buscá-los à cama e depois, algemando-o, vendando-o, transportando-o para os Estados Unidos, humilhando-o de forma vil, expondo-o ao mundo nessa condição de preso, vendado e humilhado.

Pelo contrário, revolta-me as entranhas saber que alguém pode fazer isto, que um país resolva promover uma acção destas para, de forma prepotente e desrespeitadora, pegar no presidente de um país e levá-lo à força para ser julgado num país estrangeiro.

Revolta-me o que, antes, Trump e o gang de anormais que o rodeia andaram a fazer, disparando mísseis contra barquinhos, matando as pessoas que lá iam. Não sei se transportavam droga se não. Mas, se suspeitavam que os barquinhos transportavam droga para os Estados Unidos, então que apreendessem os barcos e prendessem os seus tripulantes para que se averiguasse se era isso mesmo. Nunca, por nunca, que, sem mais, matassem as pessoas. Isso são crimes que a comunidade internacional deveria ter condenado veementemente.

Revolta-me a desfaçatez de Trump e da corja que o apoia que declaram às escâncaras que a partir de agora vão mandar na Venezuela. Revolta-me isso até mais não. Revolta-me que, sem se dar ao trabalho de disfarçar (por exemplo nem se deram ao trabalho de dizer que vão restaurar a democracia), confesse que vai explorar o petróleo venezuelano, que vai ficar com o que calhar à conta de uma qualquer compensação. É abjecto. Uma ladroagem à descarada.

Revolta-me, ou melhor, enoja-me, a descrição que Trump fez, dizendo que a operação parecia uma série de televisão e que foi uma acção espectacular, rápida e violenta, e reforçando a palavra violenta como se ser violento fosse uma boa coisa, e dizendo que não se via uma coisa assim desde a II Guerra Mundial, e incomoda-me que tenha feito acompanhar o vídeo do ataque de uma música, absurda e despropositada naquele contexto -- tudo ridículo, abastardado, sem noção. Revolta-me a palhaçada que é tudo o que Trump faz e diz. 

Mas revolta-me também muito, muito, muito, a reacção hipócrita e cobarde dos países europeus (do que ouvi, talvez com excepção para Espanha). 

Que cara, que voz, que coerência podem os europeus mostrar na defesa da Ucrânia contra o invasor Putin quando, perante Trump, se calam? E escrevo calam quando o que me apetece é dizer que abrem as pernas. Mas não digo. O que digo é que, perante um demente, um aldrabão compulsivo, um narcisista maligno, o que se tem visto aos europeus é fecharem os olhos, apaparicarem, passarem-lhe a mão pelo pelo. bajularem. Será uma atitude estratégica. Sei que sim. Mas sei também que a cobardia tem perna curta e, pior que isso, a cobardia é sinónimo de se pôr a jeito. 

Foi certamente com o engodo da Venezuela que Putin deu a volta a Trump com a Ucrânia, tal como é com a ganância e a sem-vergonhice, e, logo, com a conivência de Putin e Trump que Xi Jinping conta para um dia ficar com Taiwan. Parece que, de repente, constatamos que o fim da lei e da ordem é um facto, é o novo mundo, parece que este é o tempo dos chacais. E nós todos presas fáceis, insignificantes poeiras.

Raios os partam. 

Esquecem-se é de uma coisa, é que não há mal que sempre dure.

terça-feira, novembro 25, 2025

Quid pro quo

 

A Europa prepara-se para a guerra, dizem. Uns constroem abrigos, outros treinam as tropas, outros aparelham os cavalos, os tanques, outros apressam a ciência e a tecnologia para que os drones e demais veículos aoto-tripulados sejam mais rápidos, mais precisos, mais invisíveis e mais baratos.

Tento afastar essa ideia. Não consigo conceber que o que está a acontecer à Ucrânia possa alastrar a países da UE e que os nossos rapazes tenham que pegar em armas. Não consigo acreditar nessa possibilidade. Os meus meninos, tal como os meninos de todo o mundo, devem poder viver uma vida tranquila, feliz. Não devem, nunca, ter que pegar em armas para se defenderem ou para matarem. Nunca, nunca.

Ao mesmo tempo, as ameaças americanas sobem de tom em relação à Venezuela. Já se ouvem os tambores. Cada vez estão mais fortes e mais próximos. Maduro dança para chamar a paz mas os navios de guerra que rondam fazem com que o rufo não possa ser esquecido. 

“Quid pro quo. I tell you things, you tell me things,” é o que Hannibal Lecter diz à investigadora   Clarice Starling. Quid pro quo, pode ser o que Putin diz a Trump quando Trump lhe pede que não mexa uma palha para defender a Venezuela. Não mexo se também te fizeres de morto em relação à Ucrânia, provavelmente responde-lhe Putin.

Dois narcisistas, megalómanos, psicopatas à frente dos destinos do mundo.

E, no entanto, um deles está cada vez mais doido.

As televisões e as redes sociais mostram agora um Trump que, dizem, deixou de cobrir a pele com aquela base cor de laranja e se veste como Mandani. A base MAGA está perdida, sem saber o que pensar do inexplicável encantamento de Trump por Mandani. Os assessores de Trump na Casa Branca também estão sem norte, cada vez mais convictos que algo está mesmo errado com o presidente. Disserem que, naquele dia, foi como se Trump se tivesse esquecido que era Trump. 

Mas se o enamoramento por Mandani foi surreal, tudo o resto não o é menos. Tão depressa diz coisas incompreensíveis, palavras inexistentes, sons incongruentes, como se mostra irascível, sem filtro, inconveniente, como publica inúmeros vídeos ou imagens em que se mostra como o rei e os seus adversários como gente que se ajoelha a seus pés, ou ameaça de morte quem diz coisas óbvias como que os agentes da lei e ordem não são obrigados a cumprir ordens ilegais. Os seus dias são caóticos, e tentar prever os seus próximos passos é impossível.

Como pode uma pessoa assim ser levada a sério? Como pode o mundo fazer de conta que não percebe o que se passa com o demente que está à frente dos Estados Unidos?

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Podemos ver que Trump está em grave declínio: afirma psicólogo | Podcast do The Daily Beast

O convidado imperdível do The Daily Beast, Dr. John Gartner, junta-se a Joanna Coles para analisar o que os momentos-chave revelam sobre o declínio cognitivo de Donald Trump. Desde dificuldades em fazer continência no Túmulo do Soldado Desconhecido a ruídos estranhos num evento da McDonald’s, Gartner explica padrões de declínio psicomotor, discurso desconexo e comportamento desinibido. Discutem como o stress, os problemas de personalidade preexistentes e uma possível demência se interligam, oferecendo uma perspetiva psicológica rara sobre o comportamento bizarro do presidente. Este episódio revela o que realmente se passa dentro do cérebro de Trump.


Um dia feliz

sexta-feira, novembro 14, 2025

Com que então... mais um valentão com um micro-pénis...?

 

As redes sociais estão ao rubro a tentar confirmar se o Bubba de que tanto se fala é mesmo o nickname de Bill Clinton -- toda a gente de cabeça à roda a tentar decifrar o mail de Mark Epstein para o mano Jeffrey no qual questiona Jeffrey se já perguntou ao Steve Bannon se ele sabe se Putin tem alguma fotografia de Trump a encher balões (digamos assim) ao dito Bubba. 

E eu, perante isto e desconfiada de tudo o que é viral e já não conseguindo traçar uma fronteira clara entre o que é verdade e o que é inventado, fico sem saber o que pensar. Parece-me muito jogo, com o caraças. Por um lado teria graça, carradas de graça, seria de a gente se rebolar a rir. Mas, por outro, talvez fosse diabólico para além do que conseguimos encaixar, e mais ainda se, de facto, Putin tivesse fotografias disso. Muita coisa estaria explicada.

Mas teria também a sua piada se o galifão, o que se gaba de agarrar as mulheres pela pussy, o que acha que uma mulher que supostamente violou até gostou, até achou sexy, o que em tempos disse que miúdas sim, só não abaixo de 12, o que organizava concursos de beleza e ia aos bastidores ver as miúdas a vestirem-se e despirem-se, afinal tivesse sido apanhado com o Clinton, mimetizando as proezas de Monica Lewinski. Teria, não teria. E eu até devia deixar-me de coisas e escrever aqui uma fiada de lol lol lol e de ahahahah...

Seja como for vou admitir que é surreal de mais para ser verdade. Não pode ser, não é? Convenhamos: não dá para acreditar.

Mas pronto, esse nem é o ponto. O tema é marginal em relação a isso: de concreto, e porque uma sua conhecida parceira sexual o revelou, é que o galifão-mor tem um pénis mínimo, um micro-pénis, uma espécie de pequeno cogumelo cabeçudo. Esse seu micro-pénis tem sido parodiado em desenhos animados, em cartoons, em pinturas... e isso deixa-o furibundo.

Pois eis que parece que um outro valentão -- um a quem certamente Trump inveja a firmeza, a mão forte, a capacidade de organizar grandes manifestações, mormente militares, a arte de chefiar tropas com bravura e desencadear guerras à grande -- afinal também padecia do mal dos pénis minúsculos.

Abaixo já falei do rumor que corre desde os tempos da guerra, de que Hitler só tinha um testículo. Só que, agora, a análise ao DNA colhido numa mancha de sangue comprovadamente dele parece revelar que padecia de uma doença que se caracteriza por baixa testosterona e fraco desenvolvimento dos órgãos sexuais. A velha história de um dos testículos não ter descido ou não se ter desenvolvido parece, afinal, fundamentada. E a juntar a isso um micro-pénis... 

Ouvi também uma cientista dizer que naquela condição genética é também comum a bipolaridade ou a esquizofrenia. Se tudo isto for verdade, é caso para pensarmos que, na base de muita guerra e de muitos comportamentos belicistas, se calhar não há sobretudo estratégia mas frustração, maluquice, distúrbios mentais, sentimentos de inferioridade mal resolvidos. Nada de que a história não esteja carregadinha de exemplos.

Partilho um vídeo de duração não excessiva em que se fala de um documentário que vai ser divulgado em breve (nota: queixam-se de que coloco aqui demasiados vídeos em língua estrangeira mas recordo que basta ir às definições do vídeo e escolher que se quer ver com legendas e, no autotranslate, escolher a língua portuguesa)

Um novo documentário investiga o DNA de Hitler -- BBC News

Os investigadores extraíram o seu ADN de uma amostra de tecido com sangue de Hitler, encontrada no sofá onde se suicidou.

Os resultados serão revelados este fim de semana num documentário do Channel 4 intitulado "O ADN de Hitler: O Plano de um Ditador".


E queiram continuar a descer pois a canção sobre e única bola do Hitler e sobre a pequenez ou inexistência de outras tem piada

domingo, agosto 31, 2025

Activos destes & daqueles
-- A palavra ao meu marido --

 

O Marcelo, que corre o risco de ficar para a história como o hipócrita-desbocado -- já que seria  muito pouco sexy ficar com o extenso cognome de hipócrita-dissolvente-"marselfie"-o pior PR-desbocado -- disse, no meio de uma aula da universidade laranja, do alto da sua verve incontinente, que o Trump é um activo russo (por acaso até se enganou e primeiro chamou-lhe ativo soviético). 

Desta vez, concordo com o Marcelo. O Marcelo tem razão: pelas suas ações e omissões o Trump é, de facto, um activo russo. Não sei se não será mesmo um activo soviético porque, com a forma como actua, dá força ao objetivo do Putin de voltar às fronteiras do estado soviético. 

Tenho uma enorme repugnância em falar do Trump. É inqualificável o que ele está a fazer, tanto a nível interno como ao Mundo. Mas, neste caso, como em outros ao longo da história, o que é verdadeiramente insuportável e aterrador é que o Trump tenha sido eleito de forma democrática e continue a ser suportado pelos MAGA cuja acefalia demonstra até onde pode ir a manipulação, o populismo, o poder das redes sociais e a falta de educação. 

[Sofre da mesma acefalia dos MAGA quem recentemente comentou um post aqui do blog dizendo que o problema com o SNS, com os bombeiros, com isto e aquilo resulta do nosso apoio à guerra da Ucrânia. É absolutamente inconcebível que alguém possa pensar e escrever este tipo de coisas. Nada justifica este tipo de mentiras. A  manipulação dos factos e uma mentira muitas vezes repetida não alteram a realidade.]

Voltando aos activos, não me espantará nada se o Marcelo numa próxima universidade de Verão ou, quem sabe, numa tertúlia, disser que o Montenegro é um activo do Ventura, que a Mariana Leitão é um activo do Montenegro, que o Nuno Melo nem chega a activo, e que ele próprio é um hiperactivo. Vale uma aposta?

Nota: já aqui tinha referido o "êxito" que o governo tem tido no combate à inflação. Ontem soubemos que o valor da inflação subiu para 2,8% e que os produtos frescos aumentaram mais de 7%. Sendo conjuntural, como defendem os analistas inclinados para a direita, ou, sendo estrutural, o que é verdade é que esta enorme subida dos preços não é um activo para a bolsa dos portugueses.

sábado, agosto 09, 2025

Sobre a Guerra Rússia – Ucrânia"
-- A palavra ao meu filho --

 

Veio o segundo pedido, escrever sobre a Guerra Rússia – Ucrânia. 

Sendo este um texto pessoal, que expressa unicamente a minha opinião, há duas premissas de partida:

1) Culpo o governo e aparelho militar da Rússia, liderados pelo Putin, por terem iniciado uma Guerra que causou uma enorme destruição, muitas mortes civis e militares, e uma desestabilização do mundo. Provocar a morte nunca é desculpável e sobre o Putin recai essa culpa.

2) Este é um tema de enorme complexidade e, na minha opinião, a única verdade objetiva é a do ponto 1). Tudo o resto é o reflexo das últimas sete décadas de história mundial. Não sou historiador, não me preparei especialmente para este texto, não tenho uma equipa de pesquisa a trabalhar para mim, pelo que assumo desde já a superficialidade e subjetividade das minhas palavras.

Gostaria de neste texto de explorar três pontos que me parecem fundamentais para esta Questão.

1) Este conflito é um acontecimento isolado de um contexto recente?

2) Este conflito resulta da loucura imperialista do Putin?

3) A Ucrânia é inocente neste conflito?

Estabelecido o ponto de partida, vamos ao primeiro ponto. 

A sociedade foi-se interligando progressivamente ao longo dos últimos séculos, até se consolidarem dois grandes blocos geopolíticos: o Ocidental, orientado pelos princípios dos Direitos Humanos e pelo modelo capitalista, e o Oriental — ou de Leste — geralmente associado a regimes autocráticos e socialistas. Esta divisão é, naturalmente, uma simplificação excessiva, mas pode servir como ponto de partida para uma reflexão mais profunda.

A sua simplicidade é particularmente problemática porque, apresentada desta forma, estabelece logo dois lados — os "bons" versus os "maus". Por exemplo, a suposta virtude dos Direitos Humanos no Ocidente pode ser posta em causa quando se confronta com as contradições internas do liberalismo capitalista, que frequentemente sacrifica comunidades inteiras em nome da eficiência económica e da manutenção do sistema. 

A emergência e solidificação destes dois blocos resultou em alianças complexas e uma política permanente de tensão que teve altos e baixos, mas que se manteve latente, umas vezes mais global (auge da Guerra Fria) outras vezes mais episódicos e contidos (exemplo, Guerra da Síria).

Os Estados Unidos, enquanto potência dominante do bloco Ocidental, estabeleceram a doutrina de que a sua posição hegemónica exige acesso e controlo contínuo dos principais recursos estratégicos, essenciais para sustentar a sua economia e a dos seus aliados. O petróleo tornou-se o símbolo mais evidente dessa lógica, e muitos dos conflitos no Médio Oriente podem ser interpretados à luz desta necessidade geoeconómica.

A União Soviética — e posteriormente a Rússia — partilhou dessa mesma visão. A sua atuação em várias regiões, nomeadamente em África, revela uma ambição semelhante, marcada por uma voracidade estratégica sobre recursos e zonas de influência.

A tensão resultante desta pressão económica e politica sobre pontos críticos do planeta, associados ao antagonismo de ideais políticos, levou a um estado de permanente tensão militar com momentos de libertação de energia vulcânica naquilo que ficou conhecido por guerra por procuração por um lado, e por outro por operações secretas-militares altamente impactantes (caso do Chile por exemplo).

Este contexto global, marcado por disputas de poder, recursos e ideologias, parece-me ser um elemento fundamental para compreender o conflito na Ucrânia. Não se trata apenas de uma guerra territorial, mas de um episódio dentro de uma longa narrativa de confrontos sistémicos.

Os dois blocos antagonistas desenvolveram um arsenal nuclear de milhares de ogivas com capacidade de obliterar, muitas vezes, a população humana. Ainda esta semana ouvimos falar do paradigma Mão Morta, da Rússia, que assegura uma resposta imediata de aniquilação caso se dê o primeiro ataque.

Enquanto sociedade, vivemos em constante alerta perante ameaças como o aquecimento global, pandemias como a COVID-19, a proliferação de microplásticos, ou até a chegada da vespa asiática. No entanto, ignoramos com surpreendente leveza que, à distância de alguns códigos e botões, reside a possibilidade do nosso fim — não apenas o nosso, mas o dos nossos vizinhos, das futuras gerações, e de toda a espécie humana. Esta é, paradoxalmente, a maior ameaça à nossa sustentabilidade enquanto civilização: uma ameaça autoinfligida, nascida da nossa própria engenharia e ambição.

Parece ficção científica, mas a História mostra que já estivemos perigosamente perto dessa linha vermelha. O exemplo mais célebre é a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando a União Soviética tentou instalar ogivas nucleares na ilha caribenha, a meros 150 quilómetros da costa dos Estados Unidos. Esta ação foi uma resposta direta à instalação prévia de mísseis americanos na Turquia, junto à fronteira soviética. Ambos os lados acabaram por recuar, removendo os mísseis e afastando-se das fronteiras adversárias — uma decisão prudente que evitou o colapso global.

Ora esta psicose, este receio de aniquilação que foi, pelo que leio, algo muito palpável nos anos 60 no auge da guerra fria, hoje é praticamente inexistente, por habituação, mas também porque depois das ameaças ficou o conforto de entender que em geral impera a razão (diria que a destruição mutua garantida é equilibrada pelo mais básico instinto de sobrevivência, o código mais primário do nosso DNA). Parece-me até que esta psicose foi substituída pela ideia de que esta ameaça não é credível e as armas nucleares são peças de museu, como as réplicas do Sputnik.

Mas a verdade é que o equilíbrio nuclear continua a ser uma força poderosa que molda as relações entre estes países e, em geral, entre os dois blocos. Claro que perdeu protagonismo em face das relações económicas e comerciais, diplomacia, e todas as outras formas de soft power (que Trump agora tenta destruir).

É neste enquadramento que chego ao primeiro ponto da minha tese: a guerra na Ucrânia não é um acontecimento isolado, nem fruto exclusivo do contexto atual. Trata-se, antes, de mais um episódio de elevada tensão entre dois blocos que há décadas se confrontam. A Ucrânia tornou-se, neste caso, o palco onde se projetam forças que transcendem o território e o momento histórico específico – uma guerra por procuração.

O segundo ponto decorre diretamente do primeiro: não considero que esta guerra seja simplesmente um ato de loucura desvairada por parte de Vladimir Putin. Essa leitura, embora compreensível, ignora a complexidade do cenário geopolítico. O conflito parece ser, antes, o resultado de uma pressão externa crescente sobre uma fronteira sensível, que gerou uma escalada de tensão interna — especialmente dentro do aparelho militar russo. A decisão de invadir a Ucrânia, por mais condenável que seja, inscreve-se num padrão histórico de reação estratégica, ainda que profundamente destrutiva.

Nas palavras de Mário Soares (um insuspeito aliado dos EUA contra a influência que vinha de Leste) num artigo sobre a Nato na Visão: “A NATO, criada como organização defensiva, no início da guerra fria, está a tornar-se, por pressão dos neoconservadores americanos, uma ameaça à paz.” E acrescentava “E a NATO, cercando a Rússia e instalando na Polónia e na República Checa bases de misseis, começa a ser uma ameaça para a Rússia, que a pode tornar agressiva. Um perigo!”. E por fim “Cheney foi à Ucrânia, onde tentou também dividir os dirigentes políticos, (…) Tudo em nome da Nato.”

Não são por ser do Mário Soares que estas palavras se tornam em verdade absoluta. Mas é conhecimento histórico do final do século passado e início deste, que a Rússia abatida e humilhada, foi sendo sucessivamente pressionada pela EUA como forma de solidificar a sua hegemonia, o seu papel de única e indiscutível potência. Do ponto de vista económico e de influência política os EUA conquistaram de facto esta posição. Faltou o lado militar.

A Rússia de Putin sabe-se que adotou muito dos princípios da Doutrina Primakov, de multipolaridade como eixo central e da Rússia como a potência com enorme influência Euroasiática. O BRICS é um acrónimo que simboliza isso mesmo, um mundo multipolar onde o Ocidente não detém o monopólio da liderança.

Esta doutrina e esta postura é tao aceitável ou criticável quanto o são as estratégias idênticas dos EUA e da China. No caso da Rússia é quase um mandato de sobrevivência e preservação de um estatuto outrora inquestionável. Ao que parece, os russos têm uma nostalgia da Rússia imperial, de Rússia motherland. um símbolo de orgulho e de grandeza perdida.

Se aceitarmos esta leitura como credível, podemos então estabelecer a base para o segundo ponto da tese: a aproximação progressiva da NATO às fronteiras russas foi interpretada por Moscovo como uma ameaça existencial e uma humilhação estratégica. A resposta russa — militar e política — visa reafirmar o seu estatuto de potência que não se deixa intimidar, e que detém o maior arsenal nuclear do planeta.

O poder militar, e em particular o nuclear, tornou-se o último bastião do estatuto da Rússia como potência mundial. E essas mesmas armas estão no cerne da tensão entre a NATO e a Rússia no contexto ucraniano. A guerra, neste sentido, pode ser vista como uma fuga para a frente por parte de Putin — não um ato de loucura irracional, mas uma decisão deliberada e planeada, nascida da pressão interna e da perceção de cerco externo.

Este segundo ponto, sobre Putin, é uma tentativa de entender, não desculpar. Porque perante esta pressão haveria outras hipóteses, nomeadamente diplomáticas, de deterrence baseada em ameaças. 

Esta Guerra não é desculpável por nenhum dos parágrafos anteriores, apenas é mais entendível. 

Quanto ao terceiro ponto, a inocência ou não da Ucrânia, importa analisar a relação da Ucrânia com a Nato. 

Primeiro ponto, a Ucrânia pode juntar-se à Nato? 

Pode querer juntar-se à Nato! Mas a Nato não a pode aceitar!

Porquê? Porque o equilíbrio que se estabeleceu, voltando ao tema das armas nucleares, requer zonas de tampão, zonas neutras. A colocação de armas nucleares na proximidade das fronteiras resulta num risco acrescido para a Potência alvo. E a Ucrânia, com as suas planícies, é a auto-estrada para a invasão terrestre da Rússia, desestabilizando ainda mais o equilíbrio.

Por ser evidente esta necessidade de equilíbrio, diversos líderes ocidentais prometeram, em declarações públicas, que a Nato não se expandiria para a leste depois da queda do Muro de Berlim 

Mas não me parece que a responsabilidade de manter a Nato fora da Ucrânia recaia sobre a própria Ucrânia, e como tal não a culpo de lutar pelos seus interesses. Também não me parece que seja culpada por lutar pela sua independência e pela soberania da totalidade do seu território prolongando a Guerra. Creio que esse é o seu direito e quiçá dever.

Mas ponho em causa um desejo bélico incontrolado dos aliados ocidentais, que animados pelo lobby militar, continuam a enviar armas e fogem da solução diplomática. Curiosamente só Trump tentou realmente uma solução de paz, sem sucesso. E, enquanto cidadão do mundo, parece-me um mal menor a Ucrânia perder território a leste versus o prolongar e escalar um conflito com consequências globais e riscos de dimensão incalculável.

Portanto, procuro estabelecer três ideias:

1) A guerra na Ucrânia não é um acontecimento isolado no tempo. É mais um episódio de elevada tensão entre dois blocos que se enfrentam há décadas, num conflito que se inscreve na lógica de guerra por procuração, com repercussões globais em múltiplas dimensões — económicas, políticas e humanitárias.

2) Não considero que esta guerra seja fruto de uma loucura imperialista de Vladimir Putin. Trata-se, antes, de uma ação deliberada, orientada pela tentativa de recuperar o estatuto da Rússia como potência mundial. A invasão da Ucrânia é, nesse sentido, uma resposta estratégica — ainda que profundamente condenável — à pressão externa e à perceção de cerco por parte da NATO e dos seus aliados.

3) A Ucrânia e o seu povo são, indiscutivelmente, as grandes vítimas deste conflito. Não encontro razão nos argumentos utilizados para justificar a agressão. A tese do “nazismo” ucraniano não tem fundamento, e não há evidência sólida de perseguições sistemáticas contra cidadãos russófonos no leste do país. O tipo de guerra que Putin escolheu travar é moralmente indefensável, e a sua inclinação para a destruição evoca um passado sombrio que não deve ser revivido.

Em resumo, não podemos ignorar o papel que os EUA, a Nato e os aliados no geral, têm na provocação à Rússia, que, qual urso ferido, se tornou perigoso. Mas não sendo Urso e sendo um sistema de pessoas, haveria outro caminho para a Rússia – o caminho escolhido não tem desculpa. No entanto, aqui chegados, para sair desta situação não basta à Rússia recuar, também o bloco ocidental tem de fazer concessões que permitam restabelecer a integridade do equilíbrio e à Rússia evitar a total humilhação.

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Nota de minha lavra a propósito do texto acima, escrito pelo meu filho

Levou algum tempo, ainda por cima com alguns aniversários e casa cheia pelo meio do habitual muito trabalho, mas o meu filho lá conseguiu arranjar tempo para escrever o texto que eu lhe tinha pedido. Mais uma vez, enviou-me o que acabaram de ler desafiando-me e questionando se haveria lápis azul. 

Não, mais uma vez não há. Primeiro, porque não teria que haver, é a sua visão das coisas, e é livre de a ter. Segundo, porque concordo com o que ele aqui escreve. É certo que sou um pouco mais linha dura que ele pois, em abstracto, penso que não deveria ser preciso muito para fazer vergar Putin, obrigando-o a recuar. Bastaria, pela via negocial, conseguir que, por exemplo, a China deixasse de abastecer a Rússia. Mas, claro, entre a abstracção e a realidade vai um mundo de oportunidades perdidas: à China também não lhe interessa enfraquecer a Rússia, deixando que o bloco ocidental cante demasiado de galo. Também alimentei durante bastante tempo a esperança de que o assunto se resolvesse dentro das portas da própria Rússia -- mas também já se viu que Putin está bem blindado, inclusive a nível de opinião pública interna. Portanto, também a esse nível, não consigo ver qual a melhor solução (e, por melhor solução, leia-se a mais justa, a mais decente, a mais segura para o mundo, e, simultaneamente, a possível) e, portanto, também a esse nível não me arrisco a contestar o que ele escreveu, alvitrando alternativas.

Em suma, considero que o texto que o meu filho escreveu está excelente pelo que nada tenho a ressalvar.

Quando acabei de ler, fiz-lhe mais um pedido: que se pronuncie sobre a posição do PCP em relação a este assunto. Gostava de conhecer a sua abordagem pois sei que é sempre racional, que enquadra bem os assuntos. Mas aí não sei se serei bem sucedida já que me respondeu o seguinte: "Essa não escrevo, pois seria uma discussão mais de comunicação do que de conteúdo". E pronto... Mas irei tentando, prometo...

Por estes dias em que Putin e Trump, essas duas sumidades, andam a tanguear o mundo com as suas erráticas conversações sobre este conflito, por acaso gostaria que as Estátuas de Sal desta vida e seus fervorosos seguidores lessem o texto do meu filho  -- e dissessem de sua justiça.

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Desejo-vos um bom fim de semana

sexta-feira, março 07, 2025

Vladdy Daddy

 

The Lincoln Project is a leading pro-democracy organization in the United States — dedicated to the preservation, protection, and defense of democracy. Our fight against Trumpism is only beginning. We must combat these forces everywhere and at all times — our democracy depends on it. 

terça-feira, novembro 19, 2024

Tempos perigosos

 

O inferno está à nossa porta e, muito provavelmente, nenhum de nós, os que aqui estamos, pode fazer o que quer que seja para o evitar.

A Rússia intensifica os ataques à Urânia, uma verdadeira chuva de mísseis e drones a atravessar os céus, causando danos demasiados sérios, provavelmente querendo avançar para uma eventual negociação em posição de grande força. E Biden, provavelmente, na mesma lógica, avança com o ok ao uso, por parte da Ucrânia, a mísseis de longo alcance para atingir território russo. 

Ou sejam, aos 1000 dias desta guerra maldita (mas há alguma guerra que não seja maldita?) parece que nunca os tambores rufaram tão alto.

Como tendo a ser optimista, quero sempre acreditar que algum bom senso acabará por prevalecer. 

Mas quando de um lado está alguém que já provou à saciedade que quer o que quer e avançará para o conseguir por muitas mortes e destruição que a sua vontade implique e, do outro, estará um louco imprevisível sem um pingo de ponderação, receio que o meu optimismo seja infundado.

Este último apregoava que acabaria com esta guerra em três tempos (bastar-lhe-iam 24 horas e um telefonema) e está a ver-se o que está a conseguir.

Não quero ver o mundo de forma sombria mas tenho que reconhecer que os ventos que sopram daqueles lados não nos trazem boas perspectivas.

Mas não quero falar apenas dos perigos da guerra, tão maiores quando os destinos do mundo estão nas mãos de gente de narcisistas, psicopatas ou alucinados. Quero falar de novo nos tremendos riscos da Inteligência Artificial.

Não sou tremendista, pessimista, não sou histérica. Creio que sou racional e realista. Quando aqui falo deste tema, pretendo apenas alertar para que a regulação é indispensável e urgente. Tal como as alterações climáticas, também a inteligência artificial deveria estar no topo das prioridades políticas de todo o mundo civilizado.

Os recursos para se usar a Inteligência Artificial estão cada vez mais ao dispor de qualquer um, a custo zero ou perto disso, e os riscos que isso comporta são infinitos e, alguns, potencialmente destruidores.

Por vezes (muitas vezes) os benefícios do seu uso são extraordinários. Ainda há uns dias um amigo médico me dizia que usava cada vez mais o ChatGPT e que se espantava por ainda haver colegas que não tinham percebido a ferramenta preciosa que aquilo pode providenciar. A inteligência artificial, bem usada, ao serviço da Medicina, é preciosa.

Para os mais diferentes fins, é raro o dia em que não recorro ao ChatGPT. 

Mas o ChatGPT ainda se engana e quem o usa tem que ter os conhecimentos suficientes para perceber quando a resposta do ChatGPT é inquestionável ou quando deve ser verificada. 

Mas esta é apenas uma das imensas ferramentas, ao dispor de toda a gente, que recorrem à Inteligência Artificial. Hoje toda a gente já é utilizador dela mesmo sem dar por isso. Quem usa redes sociais está a ver o que o algoritmo seleccionou para si face aos seus gostos habituais. No Youtube ou mesmo Netflix, o que me é apresentado é aquilo que o algoritmo entende ser o meu gosto. E não sei se todos os utilizadores destas plataformas (ou Facebook ou Instagram) percebem isso.

Mas isto continua a ser uma gota de água pois a IA é usada para tudo e mais alguma coisa, incluindo para falsificar imagens, vozes, para gerar obras de arte, na prática para o que se quiser.

O que aqui mostro, no vídeo abaixo, é uma das muitas coisas que cada vez mais se faz e que foi bastante usada por contas falsas na campanha eleitoral americana. Trata-se do uso da voz de alguém para dizer coisas que outro alguém resolve divulgar, querendo fazer parecer que foi o legítimo dono da voz a dizê-lo. Por exemplo, sendo Sir David Attenborough uma voz absolutamente credível, usar a sua voz para o pôr a passar outras mensagens.

Quem ouve, ouve a voz dele, e tão perfeita está que ninguém desconfia que é uma voz gerada por Inteligência Artificial. E podem pô-lo a dizer coisas completamente diferentes do que ele, ele mesmo, diria.

Quando ouviu a sua voz, uma voz forjada pela AI mas absolutamente igual à sua, a dizer algo que ele próprio nunca tinha dito (no fim do vídeo), ficou perturbadíssimo. 

E é caso para isso pois as ferramentas para o fazer estão disponíveis para que qualquer um as use. Qualquer um de nós pode ser o veículo para passar ideias que nós próprios nunca divulgaríamos.

Virá o dia em que não saberemos quem é quem, quem disse o quê, o que é verdade e o que é mentira. Um mundo distópico, louco, aterrador.

E isto já está a acontecer. E não há regulação, legislação, para o evitar. E cada vez menos o haverá. Um dos grandes propósitos da dupla Trump & Musk é acabar com qualquer regulação, seja a este nível seja a nível ambiental ou a qualquer outro.

Os demónios estão a ficar à solta e não há guardas para os apanhar e voltar a meter dentro das jaulas ou das grutas ou seja lá onde for.

Sir David Attenborough says AI clone of his voice is 'disturbing' | BBC News

"I am profoundly disturbed to find these days my identity is being stolen by others and greatly object to them using is to say whatever they wish." 

That's how broadcaster and biologist Sir David Attenborough has reacted after the BBC played him clips of his voice being mimicked by Artificial Intelligence. 

Dr Jennifer Williams, a researcher of AI audio, explains the issues of voices of prominent figures such as Sir David being cloned.


quinta-feira, agosto 15, 2024

As surpresas desta vida.
Putin, Trump, Kamala Harris, Zelensky

 

Desde que criei o Um Jeito Manso até a Rússia cobarde e barbaramente invadir a Ucrânia, eu mudava periodicamente o aspecto do blog: alterava a imagem de abertura, mudava as cores. Várias vezes por ano, mudava tudo. 

Mas, quando a Ucrânia se viu atacada, invadida, destruída, resolvi vestir o blog com as cores da Ucrânia e colocar, na abertura, a imagem de uma criança, corajosamente confiante na reconquista da tranquilidade e da paz em solo ucraniano.

Claro que já mil vezes me apeteceu mudar. A novidade e a vontade de mudança está-me nos genes. Mas neste caso não mudo. Deixar de aqui ter as cores da Ucrânia seria aceitar que já não vale a pena continuar, seria assumir algum cansaço, uma certa desesperança. 

Não. Aqui continuarão até que a Ucrânia vença esta guerra, até que a Rússia retire as patas ensanguentadas do solo ucraniano. Mesmo abdicando do que, creio, era a imagem de marca do meu blog, manter-me-ei firme a mostrar o meu apoio à Ucrânia e a minha convicção de que a vitória será sua. Sua e do mundo civilizado.

Os segismundos, as estátuas salgadas e demais comunas ressabiados bem podem chamar-me lunática, bem podem vir para aqui destilar o seu fel contra a democracia e contra quem gosta da liberdade, e assegurar que a Rússia tem um poderio desmesurado e, que, quando quiser, pisará de vez a Ucrânia, que a mim tanto se me dá. A mim não me convencem. Sei que a (grande) coragem dos que resistem e a (pequena) coragem dos que os apoiam irão derrotar o ditador, o tirano, o psicopata Putin e os que o apoiam. Sei. Tenho a certeza.

Ao fim deste tempo todo, Putin ainda não conseguiu o que queria. Pelo contrário, têm sido desaires atrás desaires e agora é o que sabe: a humilhação de ter a Ucrânia a causar beliscaduras em solo russo.

Há muita gente que ainda não aprendeu que o primeiro milho é para os pardais e que o bem, por muito que custe e por muito que dure a atingir, acaba sempre por prevalecer.

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Numa outra geografia e numa outra escala mas havendo pontos de intersecção, Trump. O obtuso, populista, trambolho, troglodita Trump.

Quando se pensava que, com Biden a soçobrar, a patinar e a não querer desistir, Trump já lá estava... eis que, de repente, há uma reviravolta. O panorama seria terrível para todo o mundo se Trump voltasse a ser presidente dos Estados Unidos.  Trump está mais próximo de Putin, de Xi e de Kim do que mundo democrático e isso é um risco para o mundo.

Podem os Estados Unidos estar carregados de gente bronca -- bronca e burra e estúpida a ponto de apoiar Trump --, mas há muita gente inteligente, informada, culta, bem formada, amiga e defensora da democracia e da liberdade.

Por isso, tenho também para mim que Kamala vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos. 

E um dia vamos acordar com o Putin apeado e com a Ucrânia livre do pesadelo terrível por que está a passar.

Tenho esperança de ainda viver tempos de paz no mundo, tempos felizes, tempos de desenvolvimento.

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A propósito:

Jon Stewart on Why Trump Wants Biden Back So Badly He's Reusing His Old Attacks
| The Daily Show

Donald Trump thought he was cruising to victory against Joe Biden, but now he's facing a hard fight against Kamala Harris. Jon Stewart looks at Trump's half-hearted attempts to adjust to the new challenge and wonders if he's hatching a devious plan to help Biden take back the nomination, January 6th style


Peace and love

quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Coragem
- Dasha Navalnaya, a filha de seu pai, olha de frente os assassinos e os cobardes que, disfarçados de pombinhas da paz e enchendo a boca de adversativas, os desculpam

 

O vídeo que aqui partilho tem quatro meses mas mantém-se tristemente actual. Sem meias palavras, com a coragem intelectual física que o pai demonstrou até ao fim, a mesma que a mãe tem também demonstrado, a jovem Dasha, bela como os progenitores, é bem a menina de seus pais. O seu pai foi assassinado, depois de perseguido, envenenado, torturado, privado da liberdade. Mas Dasha não se calará.



Uma família corajosa, aqui em dias felizes

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Podem ser activadas as legendas em português

Lessons from My Father, Alexey Navalny | Dasha Navalnaya | TED

Dasha Navalnaya is the daughter of Alexey Navalny, the politician and leader of the Russian opposition to Vladimir Putin. Sharing the story of her father's poisoning, persecution and current imprisonment, she details what it was like growing up under the watchful eye of government surveillance as her father led a decade-long investigation into the corruption of Putin's regime — and shows why paying attention to what happens in Russia matters to everyone, everywhere.


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Um dia feliz

Saúde. Coragem. Paz.

terça-feira, fevereiro 20, 2024

Coragem

 

É preciso coragem para ser capaz de continuar a dar o peito às balas mesmo depois do seu amado ter sido assassinado. É preciso muito amor a um país para continuar a enfrentar os seus algozes.

Yulia Navalnaya: 'I will continue the work of Alexei Navalny'

Yulia Navalnaya has said in a video address that she will continue her husband's fight for a free Russia, and called on supporters to stand with her against Vladimir Putin. 

In the video posted on Navalny's YouTube channel, she said: 'We know exactly why Putin killed Alexei three days ago. We will tell you about it soon. We will definitely find out who exactly carried out this crime. We will name the names and show the faces.' 

sábado, fevereiro 17, 2024

Contra os assassinos em série a resposta deve ser levantar o lencinho branco da paz?
A palavra à mulher de Vladimir Kara-Murza

 

Agonia-me a conversa sonsa do PCP e de alguns alarves que, a coberto da palavra 'paz, se recusam a condenar veemente e incondicionalmente, sem adversativas, os actos de Putin.

Preocupa-me, e muito, que Trump, esse palhaço, esse energúmeno, possa ganhar as eleições nos Estados Unidos.

Angustia-me pensar que o apoio internacional à Ucrânia possa falhar e que Putin lá ponha as suas patas vitoriosas, levando a dele avante e aproximando-se ainda mais do mundo ocidental, democrático e livre em que vivo.

Não me espantei com a morte de Nalvany pois era uma morte anunciada. A sua coragem era uma afronta ao sanguinário e cobarde Putin. Mas comovi-me profundamente.

Quantos mais inocentes terão que morrer para que alguém consiga travar Putin?

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One who understands the tragedy better than most is the wife of Vladimir Kara-Murza, an opposition politician who was sentenced last April to 25 years in prison for treason and other charges that he has denied. Evgenia Kara-Murza has been a prominent voice for the freedom of her husband, who last month was transferred to a new Siberian penal colony and is currently being held in strict isolation. Kara-Murza joins the show to discuss the death of Navalny and the fears it stokes for the fate of other Russian political prisoners.

Originally aired on February 16, 2024


E sobre o Ventura, no debate com o Rui Tavares (e em todos os outros), o que há a dizer?
Só que for que é uma erva venenosa, pior que cobra cascavel, seu veneno é cruel.
Como um cão danado, é vil e mentirosa, é maldosa

 

E nada mais tenho a dizer 

Com gente desqualificada, sem princípios, sem vergonha, sem educação, sem civismo, sem um pingo de respeito pelos outros, só há uma coisa a fazer: guardar distância. Se cairmos no engodo e nos aproximarmos, quando dermos por ela, já ele nos passou uma rasteira e nos puxou para a pocilga em que gosta de chafurdar.


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Dada a clareza de exposição, permito-me transcrever o que o Leitor marsupilami abaixo escreveu em comentário:
Vai para aí uma grande confusão. Defender a escola pública e bater-se por que esta seja excelente não significa pensar que qualquer escola pública, em virtude de ser pública, é melhor do que qualquer privada; nem significa que seja obrigatório pôr os pimpolhos na pública da área de residência (que pode ser boa, mediana ou má, sem responsabilidade dos pais). Eu tenho o meu numa pública (da minha área de residência, no estrangeiro) porque é uma boa escola; se fosse má, punha-o numa boa privada. Não por ser privada, mas por ser boa. Eu faço o desenho:
1. Defendo a escola pública e quero que tenha as melhores condições para que, no médio prazo, TODAS as crianças possam ter acesso a uma instrução GRATUITA de QUALIDADE. E não apenas as que têm o bom código postal ou pais com a bolsa recheada.
2. A cada instante, cada mãe ou pai tem a obrigação de fazer tudo o que está ao seu alcance para proporcionar aos seus filhos a melhor instrução possível. Se a única opção aceitável na sua área de residência for privada, assim será. Não se educam crianças no médio ou longo prazo, quando a rede pública funcionar bem.
3. Mesmo que a rede pública fosse impecável, nem todas as escolas oferecem as mesmas opções curriculares. Nem que fosse apenas por esta razão, é legítimo escolher a escola que tem aquelas que mais convêm a cada um. Eu tenho a sorte de a escola pública ao lado ter secção internacional (que é paga), latim e outras opções. Nem todas têm.
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E sobre Putin? E sobre o seu último crime?

A mesma coisa: no mínimo, distância, desprezo, repúdio, repulsa.

Que vá o Raimundo e outras pombinhas lesas dialogar com o assassino, com o pérfido e horrendo assassino.

quinta-feira, outubro 19, 2023

Amigos contra as tempestades

 

Por aqui ainda não dou pela Aline. Mas parece que vem mesmo. A ver se não faz estragos, pelo menos, estragos de maior. 

Passa da meia-noite e meia e agora é que estou a pegar nisto. Não sei como me arranjo mas parece que, sejam quais forem as minhas circunstâncias, arranjo sempre maneira de andar sempre ocupada. 

Hoje foi na conversa com uma amiga de longa data. Impressiona-me muito como algumas amizades resistem ao tempo. É como se fossemos sempre as mesmas pessoas. A nossa história vai mudando, já vivemos muitas vidas, temos mais experiência, mas nós, nós mesmas, estamos aqui, capazes de falar horas a fio, compreendendo-nos, com vontade de conversar, de saber mais, de mostrar as nossas coisas.

Há algum tempo, quando estava na fase de me desligar do meu trabalho, eu a querer sair e a quererem que eu ficasse mais e mais, e eu, sobretudo por solidariedade e estima para com um colega que não estava bem de saúde, ia ficando e ficando, mas cheia, cheia, cheiinha de vontade de me pôr ao fresco, eu desejava dar uma volta completa na minha vida. 

E isso está a acontecer. Tenho a gestão do meu tempo, tenho a minha vida, posso estar na minha casa, que era uma coisa que eu desejava tanto, posso ler e escrever. Tenho escrito muito. Sei que tenho que passar por algumas provações até chegar onde quero. Mas passarei. Sou resistente. E resistente. E confiante. 

E o reencontro e reaproximação de amigos de quem a vida me tinha distanciado está a ser uma surpresa e uma alegria muito grandes.

...

Hoje pouca televisão vi. Entre uma e outra coisa, não me sobrou tempo. Está agora a televisão ligada mas estou a escrever ao mesmo tempo pelo que a atenção está um pouco desligada.

Sei que o mundo está muito perigoso, que o malvado e hipócrita Putin deve estar feliz por toda a atenção e esforços estarem concentrados na crise Israel/Hamas, sei que as ameaças terroristas saltaram de imediato para a Europa. E isso custa-me imenso. Uma vez, estávamos para ir a Paris mas havia atentados e ameaças de atentados e tivemos que adiar. Até há pouco tempo isso parecia-me longínquo. Paris sempre foi dada a greves a sério (uma vez fomos de comboio pois os aeroportos estavam em greve e o meu marido tinha reuniões de trabalho e eu tinha metido férias para aproveitar para ir laurear), dada a manifestações atribuladas. Mas os atentados ou as ameaças terroristas pareciam ter dado algumas tréguas. Agora, voltaram. E isso é um terror. A imprevisibilidade do local e da hora do ataque e a barbaridade que assumem é de estragar a tranquilidade a qualquer um. Dir-me-ão que é isso que sofrem os desgraçados da Palestina, de Israel, da Ucrânia e de todos os países assolados pela guerra, sempre na contingência de ser atacados, de perder a vida, de perder a casa e a família. É certo. Mas eu falo da minha realidade, a de viver numa realidade pacífica e temer, por mim e pelos meus, que aconteça alguma coisa que me parece impensável nos dias de hoje.

Enfim.

Não vos maço mais. Não vale a pena estar para aqui com ladainhas. 

Vou mudar. Não vem a propósito, pelo contrário, mas, nestas situações, apetece-me sempre, distrair a cabeça. Por isso, com vossa licença, que entre quem possa fazer-nos sorrir.

Chaplin and Keaton Violin and Piano Duet 


Desejo-vos um dia feliz, tranquilo

Saúde. Afecto. Paz.