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sábado, março 22, 2025

Eros... Eros...
[Algumas proezas da menina Vera Mulanver que, como é sabido, é danadinha para a brincadeira]

 

Hoje, de tarde, voltou a passar por aqui uma pontinha de vento que, em pouco tempo, virou tudo do avesso. Não sei como se chama a isto, se é um mini-tornado, se é uma fúria momentânea do vento. O que sei é que até uma mesa de madeira pesada desandou e iria por ali afora não se desse o caso de o meu marido ter posto uma rede a separar o terraço do relvado. 

Desde que o nosso cão mais fofo quase ia morrendo (com a língua inchada e escura) sob efeito de uma lagarta do pinheiro, agora, a partir de Fevereiro, o meu marido coloca uma rede nos acessos ao relvado. Supostamente, já terá terminado a altura das maganas descerem dos ninhos e virem enfiar-se na terra mas no INCF disseram-nos que, dado o mau tempo, admite-se que algumas se tenham atrasado. Por isso, por precaução, a rede ainda ali está. 

E uma cadeira que costuma estar ao pé do sofá comprido seguiu o mesmo caminho e ficou também ao fundo, encostada à mesa. E a mesinha pequena, metálica, idem.

E um dos cadeirões que trouxe de casa da minha mãe também voou e também ficou retido na rede, bem como as as almofadas. E uma almofada grande, rectangular, não sei como mas voou por cima da rede e foi aterrar ao pé de um pinheiro, na subida relvada. 

Depois de toda esta revoada, a ventania acalmou. 

O tempo anda assim, insolente, mais do que atrevido, descarado mesmo. E parece que esta noite a coisa vai outra vez acelerar. 

Gosto de chuva, em especial quando não é demais. Mas tenho medo do vento. É bicho sem dono, sem obediência, sem princípios.

Mas, enfim. É o que é. Fiz a 'reportagem' -- e como o Instagram é mais à base de imagens do que de palavras, coloquei-as lá, quer nas Stories quer no Feed. 

Ainda não ganhei bem a mão àquilo, ao Instagram, dá ideia que o que desperta mais a atenção são as 'lives', os vídeos -- muita gente a vestir-se, muita gente a maquilhar-se, muita gente a fazer ginástica, muita gente a desembrulhar coisas (unboxing, dizem). Mas a verdade é que me ponho a ver e de alguns até gosto, em especial vídeos de decoração, de pintura, de trabalhos manuais, de cortes de cabelo. É viciante. Mas, para eu fazer, ainda não percebi bem o que posso fazer que tenha algum jeito. Quando faço vídeos ficam uma porcaria...

Bem. Adiante. 

Hoje vou falar dos dois livros que têm tido 'mais saída', os de contos eróticos. 

Depois de ter visto as capas, os títulos e as sinopses dos livros 'eróticos' que estão à venda na Amazon, fiquei a achar que os meus, inocentes, são apenas umas gracinhas. Mas já estava, já estavam registados, com aquele número de registo atribuído, o ISBN, já não podia fazer nada. 

Quando o meu filho me informou que não ia ler nenhum dos meus livros ditos eróticos, a minha filha encolheu os ombros e disse que as minhas cenas eróticas são uma coisa assim mais ou menos, mais para o eroticozinho. Pois não sei. Quem se der ao trabalho de ler, ajuizará de si.

Os livros são uma selecção de contos que, ao longo dos tempos, em especial lá mais para trás, aqui fui escrevendo. Mas juntei alguns originais. 

  • Um deles, o da Festa de Beneficência, foi escrito há pouco tempo e inspirado numa festa real, tão bem frequentada quanto a descrevi, com particularidades como ali aparecem. E, se o conto for lido por alguém que lá esteve, poderá confirmá-lo.
  • A do Quarto Escuro foi inspirada por uma coisa que está muito em moda, mas mais para cenas de terror. Ao ouvir as descrições dos sustos que lá apanham, a minha mente -- que é como sabem, dada a desvios por maus caminhos --, ocorreu-me que poderia ser um belo presente de aniversário...

Vou transcrever apenas uns excertozinhos inocentes. Sendo este um blog de família, aqui não posso esticar-me. Por isso, aqui é apenas uma amostrazinha. De qualquer forma, não quero induzir ninguém em erro: que ninguém espere hard porn. Quando muito, soft porn.

Mostro também as capas dos dois livros.

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Uma festa de beneficência

A festa era de beneficência e nela participavam todos os que em Lisboa e arredores nadam em dinheiro mas não gostam de o alardear. Estavam lá também alguns aristocratas que, não tendo grandes rendimentos, têm ainda propriedades e jóias e, sobretudo, um prestígio antigo que dá uma certa patine a estes eventos. Tinham também sido convidados administradores de grandes empresas, daqueles que ganham bem e que, embora nas suas finanças pessoais sejam mais poupadinhos do que os verdadeiramente pobrezinhos, podem abrir os cordões à bolsa das tesourarias já que o dinheiro não é deles e é o tipo de despesas que pode trazer benefícios fiscais às empresas. 

Havia jantar com ementa apurada ou não estivessem algumas das senhoras da organização muito habituadas a seleccionar criteriosamente os caterings dos encontros familiares. E havia música, fado e quartetos de cordas, tudo generosidade dos respectivos intérpretes. E, claro, leilão.

(....)

Eu: ‘Muito bem. Então não quer ser um cavalheiro?’

Ele: ‘Ser um cavalheiro? Como?’

Eu: ‘Sendo. Venha comigo. Acompanhe-me. Não vai deixar uma senhora aventurar-se sozinha pelos misteriosos recantos de uma noite escura.’

Desci a escada de pedra. Ele veio atrás. Avancei pelo jardim. Quando senti a relva, descalcei-me. Com os sapatos pela mão, continuei a avançar. Ele ao meu lado. 

Um pássaro piou numa árvore.

Quase às escuras, avancei até ao lago, até ao banco debaixo do chorão. Ele, em silêncio, ao meu lado.

Quando chegámos, disse-lhe: ‘Então não quer pôr-se à vontade?’

Ele, sem saber o que fazer: ‘Faço o quê? Tiro os sapatos? As meias?’

Eu: ‘Olhe para mim. A luz é fraca, o luar pouco ilumina. Por isso olhe com atenção. Olhe para mim. Veja como eu faço.’

Então coloquei um pé em cima do banco e tirei uma meia. Uso meias com liga de renda com autocolante. Ele sorriu. Passou-me uma mão pela perna. 

Depois tirei a outra meia. 

Disse-lhe: ‘Sente-se. Olhe para mim. Preste atenção’.

Sentou-se. 

Com um pé fui conferir. Estava com atenção, sim.

 

(Continua...)
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O quarto escuro como presente de aniversário

Chega-se àquela fase da vida em que não há nada de material que verdadeiramente se deseje. Pelo contrário, um certo despojamento começa a ser apreciado. Talvez por isso, como presente de aniversário, naquele ano, pedi um quarto escuro. 

Se calhar sempre assim foi e eu é que desconhecia, mas tenho ideia de que, até não há muito, estas experiências não estavam à venda. Não sei. Seja como for, agora tudo se vende. Mesmo o que não faz parte do cardápio, se o cliente quer, logo os fazedores de experiências as customizam. 

E, portanto, quando me perguntaram o que é que eu desejava para festejar mais uma volta em redor do sol, foi isso que me ocorreu.

(...)

Enquanto a música tocava, eu ouvia passos, respirações. Não sabia quem mais estaria ali. Estava com os sentidos todos despertos, inquietos.
 
Então senti um sopro, como uma aragem. Parecia que uma janela se tinha aberto. De facto, logo senti como se fossem suaves afagos. Devia ser uma cortina de seda, adejando, roçando-se no meu corpo. Sem saber o que era esperado de mim, deixei-me ficar.

 Um corpo masculino encostou-se a mim, de frente, roçando-se também. Senti que outro corpo se encostava por trás. Novamente uns seios.

Depois rodaram à minha volta. Quando uns lábios afloraram os meus, não fui capaz de perceber se eram os dele ou os dela. Depois foi uma língua a entrar na minha boca. Poderia, com a mão, ter averiguado. Mas estava quase hipnotizada, obedecia submissamente.


(Continua...)

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Podem adquirir-se na Amazon (seja como e-book, seja como livro de capa normal). Junto o link para cada um:



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E quero dizer uma coisa. A Amazon apenas me informa qual o país origem das encomendas. Não sei quem encomenda. Portanto, a privacidade dos clientes e leitores está absolutamente garantida.

E quero aqui fazer uma ressalva. Tenho dito que os livros só estão à venda na Amazon mas, há pouco, ao googlar, apareceram-me à venda noutras plataformas. Fiquei intrigada. Depois é que me lembrei que, quando publico os livros, ponho um 'pisco' na opção de permitir que outras empresas de vendas de livros que tenham acordos com a Amazon os possam vender. 

Ou seja, alguns dos meus livros estão também à venda na Waterstones, BAM! Books-a-Million e creio que noutras. Mas funcionam com distribuidoras pois eu só tenho contrato com a Amazon. Para quem compra é indiferente, comprem onde comprarem, os livros são sempre impressos na Amazon.

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E é isto. 

Um bom sábado!

quarta-feira, dezembro 18, 2024

Uma loura de 35 anos e uma morena de 52 encontram-se.
Depois tiram as meias e brincam dentro de cálices de água (espero que quentinha):
qual a mais sexy?

 

Não vos digo nem vos conto. Ando aqui numa fona que me tem ocupado de sol a sol e para além disso (ou seja, o sol põe-se -- o que não é difícil pois anoitece a meio da tarde -- e continuo até às quinhentas). Forçosamente tem-me faltado tempo para o resto. Tinha resolvido que entre domingo à noite e amanhã à noite ia estar concentrada nisso. Na quinta-feira tenho um programa compacto e, por isso, o que tenho a fazer tem que ser até amanhã. Claro que a seguir às festas ainda é dia, há mais que tempo. Mas eu sou de despachar tudo o que meto na cabeça para depois me atirar ao que se segue.

Mas, afinal, amanhã também já não vou poder estar focada no meu assunto pois o meu filho já arranjou maneira de nos meter em trabalhos. Quando perguntou o que é que nós estávamos a pensar fazer para o almoço de Natal, falei-lhe no que estava a pensar como prato de peixe e como prato de carne. Para o peixe estou a pensar inventar uma coisa, que nunca fiz, que não faço ideia se já alguém fez alguma coisa assim, e para prato de carne algo mais banal. O meu filho disse que para o prato peixe lhe parecia bem mas, para carne, achava que deveríamos fazer uma coisa mais tradicional, a saber, um assado em forno de lenha. Quer eu quer o meu marido, ao pensarmos no produto final, ficámos tentados. Mas agora estamos apreensivos. Primeiro, já vi que a lenha boa para o efeito não pode ser pinheiro que é o que temos cá. Teremos que ir comprar azinho ou carvalho ou oliveira e só espero que não tenhamos que dar a volta ao bilhar grande para descobrir. Também temos que ir ao talho encomendar o que queremos pois não podemos correr o risco de chegar à véspera e o talho não ter. Mas o que nos preocupa é que, desde que para cá viemos, nunca usámos o forno de lenha. Mesmo no campo, onde temos um forno destes, há anos que não usamos. É uma trabalheira: horas para a lenha pegar e aquecer o forno, depois horas para a carne lá cozinhar. Ora quando temos que garantir que por volta da uma ou duas da tarde tem que estar tudo bem cozinhado, a que horas teremos que nos levantar para dar início à faena? Não vou levantar-me às seis da manhã... Teria que ser o meu marido. Mas é violento. O meu filho falou em deixarmos a carne a cozinhar durante a noite. Mas na véspera só cá devemos chegar lá para a uma e tal (ou seja, já no dia 25) e se nos vamos pôr a atear a lenha, teríamos que nos levantar lá para as quatro para colocar os tabuleiros com as carnes. Também não dá. Ou seja, não estou ainda a ver como vou desembrulhar esta.

Mas isto para dizer que amanhã não vou conseguir estar o dia inteiro a estudar e a testar e a tentar aquilo que agora meti na cabeça fazer. Por isso, mal acabe de escrever isto, vou-me atirar de novo.

Não tenho conseguido responder a comentários nem responder a mails pois estes dias estão curtos demais para a dimensão da minha ignorância e da minha inexperiência. Não levem a mal mas isto é mesmo uma enorme falta de tempo.

Por isso, também não vou comentar nada sobre actualidades ou desactualidades. Estou numa de 'me dá igual'. A minha cabeça está noutro lado e só tenho uma, não consigo que ela esteja ali e aqui e acoli ao mesmo tempo.

Por isso, deixo-vos com duas beldades. Uma é loura e oura é morena. Taylor Swift e Dita Von Teese. Da segunda já não falo aqui há algum tempo mas acho-a o máximo. É a rainha do burlesco, género que makes my days

Bejeweled (Behind the Scenes with Dita Von Teese)

E aqui o produto final:

Um dia feliz a todos!

terça-feira, setembro 17, 2024

Será que a nova Emmanuelle causará tanto escândalo quanto a primeira...?

 

Em tempos que já lá vão... deu que falar. Quando nos encontrávamos havia sempre alguém que perguntava se já tínhamos visto a Emmanuelle... 

Não que a coisa fosse verdadeiramente escandalosa mas, enfim, na altura era novidade. 

Só vi vários anos depois de já toda a gente ter visto e nunca achei que fosse a última batata a sair do pacote.


Mas, de qualquer maneira, a Sylvia Kristel tinha aquele arzinho entre o inocente e o levemente a poder tender para o depravado que apimentava as imagens e trazia alguma graça.

Do que agora vejo nesta nova versão, parece-me a modos que pãozinho sem sal. Mas, claro, posso estar enganada. Cada um que ajuize por si...

Emmanuelle

Emmanuelle procura um prazer perdido. Ela voa sozinha para Hong Kong para uma viagem profissional. Neste sensual mundo urbano, ela multiplica experiências e conhece Kei, um homem que continua a iludi-la. 

Com este filme, Audrey Diwan  oferece-nos uma adaptação livre do romance de Emmanuelle Arsan e lança um olhar feminino sobre a busca íntima da mulher cujo primeiro nome ainda evoca uma das personagens mais polêmicas do cinema atual.


Dias felizes

[Desejando muito sinceramente que acabem os incêndios o mais rapidamente possível, com o mínimo de danos, sobretudo humanos]

quinta-feira, janeiro 18, 2024

Parece que anda meio mundo intrigado, 'onde está o umbigo dele?', mas eu, sinceramente, acho que até se vê bem e, sobretudo, acho que mais vale olhar para o que se vê bem do que para o que mal se vê

 

Nunca tinha ouvido falar em tal pessoa. Afinal parece que, mais uma vez, é problema meu. Jeremy Allen White é, afinal, conhecido, afamado, premiado, parece que excelente e multifacetado actor. 

E eu, que vivo aqui como uma eremita social, afastada de redes socias, longe dos ecos da fama alheia, desconhecia a existência da figura.

32 anos, 1,70 m, casado, com dois filhos, divorciado, parece que vive agora com outra afamada figura do panorama artístico, Rosalia. 

Como sou a tal que torce o nariz aos maiores pitéus, olho para ele -- e olho pois nunca o vi actuar, não posso avaliar a arte -- e não o acho nada de especial. Não me parece muito bonito. A mim não me convencia ele.

E, no entanto, parece que é, para meio mundo, se calhar até para três quartos de mundo, um sex symbol. Tento aguçar a vista, olhar para ele sob essa lente. Pois nem assim. Não que seja feio, não que seja desagradável, capaz até de ter uma certa pinta, tem um ar um bocado desmanchado que me agrada. Mas falta ali qualquer coisa. Não sei. Há ali qualquer coisa que não está no sítio. 

E não é a tal questão do umbigo que parece que anda a intrigar toda a gente. Provavelmente a mãe fez-lhe a ele o mesmo que a minha me fez a mim: apertou-o bem, enfaixou-o, de modo a que o dito cicatrizasse 'bem fechadinho'. Não é pois a isso que me refiro, acho que é mais a ligação entre o nariz e a boca. Não sei. Ou as sobrancelhas, descaídas ou lá o que é, não sei. Ou, vendo com atenção, parece que há ali qualquer coisa que se destaca pela proeminência. Não sei. 

Mas o tema do umbigo não me interessa nem é por ser secundário. É mais porque, vendo bem, há coisas nele para que a gente pode olhar. Ora, havendo-as, porque perder tempo a olhar para o que mal se vê.

Não é?

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Jeremy Allen White in Calvin Klein Underwear | Spring 2024 Campaign

Directed by Mert Alas in downtown New York City



(Sobre aquela minha dúvida da proeminência, será o lábio de cima que é saído de mais?)

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E queiram, por favor, descer até ao mistério do olhinho azul do José Luís Peixoto

sábado, janeiro 21, 2023

As anjinhas da Victoria's Secret antecipam o Dia de S. Valentim
-- quem as viu e quem as vê...

 

Bem sei que a Jacinda Arden teve um gesto insólito e louvável e que merece todos os louvores. E também sei que felizmente a dessalinização em Portugal começa a ser encarada a sério, como um investimento essencial e crítico. E também sei que o Pedro Nunes Santos afinal deu o ok ao meio milhão da Alex Louboutin, outras das ex-tapianas de boca aberta, e que o deu, en passant por whatsapp, tão em passant que a coisa até já se lhe tinha varrido, isto apesar da badalação.

E tantas mais coisas.

Só que tenho que me rebalancear, aprender novos ritmos, costurar novos hábitos. E adquirir doses de paciência para conseguir decantar os excessos, filtrar, esperar que assente, não gastar prosa com o que acabará por se dissipar.

Por isso, lamento, estou outra vez numa lateral.







Estando a aproximar-se essa data extraordinária que tem tudo a ver com a nossa história e a nossa cultura, por via das dúvidas, não vá algum de vós esquecer-se de que é altura de pensar nos preparativos, aqui estão umas fotografias e um vídeo que contém sugestões interessantes. Para todas as idades, para todas as silhuetas. Basta gostar de brincadeira.

Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Bom apetite. Paz.

quinta-feira, dezembro 15, 2022

Perdoai-me, Pai, mas apetece-me pecar

 

No outro dia, quando fui ao chinês (leia-se: ao bazar chinês), ao pagar, o rapaz da caixa ofereceu-me um calendário. Achei graça. Nunca soube o que fazer com eles.

Dantes, nas empresas, a área de Comunicação ou de Marketing começava meses antes a tratar do calendário e das agendas para, pelo Natal, oferecer a trabalhadores, clientes, fornecedores. 

Muitas vezes havia sessões de debate interno para decidir qual deveria ser o tema, contratavam-se fotógrafos, havia provas -- todo um processo. Muitas vezes a tendência era ter tudo a ver com a actividade da empresa. Outras vezes optava-se pela surpresa: nada a ver, apenas belas imagens e belo material e depois, muito sóbrio, o logo da empresa. Outras vezes era temático (virado para a inovação ou virado para a defesa do ambiente -- por exemplo).

Sempre gostei de participar ou opinar sobre os temas ou sobre o produto final mas, verdade seja dita, nunca liguei nem a calendários nem a agendas. Mas a minha mãe gostava sempre de receber um de cada e sempre reservava a contar com ela. Cheguei a levar também para os meus avós.

Atrás da porta da cozinha dos meus pais havia sempre um calendário. E as agendas que ela usava eram sempre as que lhe levava.

Depois os calendários caíram em desuso e as agendas lentamente também foram decaindo.

Mas se não sou de calendários analógicos, a verdade é que gosto de ver, digitalmente falando, calendários que tenham aquele je ne sais quoi que faz a gente querer ver com atenção. Pode ser porque a narrativa tem que se lhe diga, pode ser porque o fotógrafo tem arte e transforma em beleza ou estranheza o que a objectiva capta ou pode ser porque o objecto captado é, em si, uma obra de arte.

Um calendário que não sei se tem um pouco de tudo isso é o Calendário Romano, também conhecido como o Calendário dos Padres Escaldantes. Pode acontecer que alguns padres apareçam repetidos de ano para ano e podem até alguns não ser padres e pode, até, não se perceber bem qual é a mensagem. Mas quem é que liga cá a miudezas?

O importante é que os devotos moços que ali abençoam cada mês estão devidamente cobertos, têm pudor e decência (o que é de bom tom na época natalícia), têm a pose contida de quem segura a Bíblia e isso inspira confiança quanto mais não seja porque transmite a ilusão de que gostam de ler, e, ainda por cima, têm um olhar puro e piedoso, o que é sempre inspirador (e se não for puro também não faz mal nenhum). E a gente, queira ou não queira, pensa logo que aqueles jovens padres (sejam eles de gema ou fake) deve pecar com uma grande pinta. E, se não pecam, dão a quem os olha uma certa vontade de pecar.

E, para que não se pense que estou sozinha na admiração pela objecto (refiro-me ao calendário), sugiro que leiam: ‘Forgive me, Father, for I am in the mood to sin’: how the ‘hot priest calendar’ became a publishing hit da autoria de Morwenna Ferrier.


Aliás, vendo o ar benevolente dos jovens padres, fico até a pensar que se, na paróquia aqui da zona, o padre for do mesmo gabarito que estes, estou capaz de ir repetir a catequese. Refreshment. Quem sabe se desta vez acho alguma graça à matéria. 

Ou os padres não dão a catequese? 

Se não derem, não faz mal: inscrevo-me num daqueles cursos de preparação pré-nupcial. Ou qualquer outra coisa. Ou convido-o para uma sessão fotográfica para fazer um calendário destes, versão lusa. Por exemplo, um Calendário Fatimiano com portuguese hot priests. Um recuerdo que nenhum turista religioso poderia dispensar.

Ámen.

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Um bom dia.

Paz. Alegria. Saúde.

quarta-feira, abril 20, 2022

A sensualidade delas

 

Devo dizer que na outra noite dormi muito mal. Acordei a meio da noite e só voltei a adormecer quando amanhecia. E logo a seguir tocou-me o telemóvel. A inclemência começou cedo. E o dia foi em contínuo, sempre a bombar. Só comecei a fazer o jantar depois das nove da noite. Acabámos de jantar por volta das dez e meia. 

Como é bom de ver, mal aqui me apanhei sentada, logo me deu o sono. Estava com o computador nas pernas, tentando informar-me sobre os sucedidos do dia. Ouvi o meu marido a avisar-me que o computador ainda ia parar ao chão. Mas não consegui mexer-me. Segundos depois, um barulho. Tinha mesmo ido parar ao chão. Apanhei-o, pousei-o na mesinha aqui ao meu lado e adormeci a sério.

Acordei agora, e passa da meia-noite, enquanto na SIC N o Nuno Rogeiro e o José Milhazes comentam os irreparáveis e imperdoáveis crimes de guerra na Ucrânia. Tudo demasiado tenebroso. O que ali se passa é acima de criminoso. 

Mas, a esta hora, sinto necessidade de desligar. Melhor: de deixar o oxigénio e a música entrarem na minha mente. Tenho sorte: sinto necessidade disso e posso satisfazê-la. Não vivo numa cave, num abrigo, sob escombros. Vivo com conforto e posso fazer o que me apetece. Não passam mísseis sobre mim, não tocam as sirenes, não ouço estrondos. 

Apetece-me música. Mas, em situações assim, gosto de fazer ondas. Música, sim, mas em versão hot. Ao passar os olhos pelos jornais, vi um artigo sobre as vestimentas de algumas pianistas clássicas. E fiquei com vontade de ir buscar essas mulheres que ousam e que transportam a sua exuberante carnalidade para as interpretações.

Khatia Buniatishvili, nascida em 1988, é talvez uma das mais conhecidas neste capítulo. Curvilínea e de carnadura generosa, é intensa, sorridente, extremamente sensual. Os seus vestidos são toda uma festa.

Yuja Wang, 35 anos, compete de perto com Khatia. É irreverente, jovial, desfila como uma gata e, por vezes, ao fazê-lo, tão curtas são as saias que a aparição das cuecas (se é que as usa) é daqueles milagres que todos esperam.

Alice Sara Ott, 33 anos, é de um outro género. Nela não é o decote ou a escassez dos vestidos que ajudam a deixar as audiências ao rubro. Nela são sobretudo as expressões. Há nela qualquer coisa de Teresa de Ávila. Parece estar em estado de êxtase e se não foi Nosso Senhor que passou por ali só pode ser que esteja à beira do orgasmo.

Claro que têm mais qualquer coisa em comum: o talento. E a alegria e o prazer de sentir a música a percorrer cada centímetro da sua pele.


Sobre Yuja, uma brincadeira


Mas, para que não se pense que não há em mim gota de recato, permitam, então, que partilhe a Élégie de Massenet. Aqui Alice Sara Ott está contida e não é a única a captar a atenção. As suas companheiras Camille Thomas e Fatma Said dividem com ela o palco e muito bem.


Saúde. Alegria. Paz.

terça-feira, outubro 19, 2021

Oito filmes razoavelmente eróticos

 



Segunda-feira nunca é um bom dia. É daqueles axiomas que é bom que ninguém ouse questionar. Segunda-feira é o início do que pode vir a ser uma sucessão de dias carregados de chatices. Numa segunda-feira as tréguas do fim de semana ainda estão longínquas. 

[Os Leitores reformados, ao lerem isto, esfregam as mãos de contentes: para eles todos os dias são fim de semana. Bem sei. São uns sortudos. Mas lá chegaremos, nós os pobres coitados que por aqui ainda andamos a trabucar.]

Enquanto não, tenta levar-se o melhor possível embora haja quem não se aguente sem moer a paciência aos outros. Para mim o pior é quando olho para a agenda e penso que tenho ali um buraquinho que virá mesmo a calhar para repousar a minha beleza e, acto contínuo, logo recebo uma chamada a pedir que arranje um bocadinho para uma reunião urgente. E uma pessoa tenta que não mas, às tantas, não tem como não e lá se vai o buraquinho à vida. 

[A língua portuguesa é traiçoeira, também sei]

Agora tenho aqui uma coisa a chamar por mim. Ainda antes de ir para a cama terei que ver e despachar esse assunto. Não me apetece nem um pouco pois estive a trabalhar até há pouco, estou mais do que saturada. Mas, quando o dever me chama, parece que não consigo entregar-me ao desfrute da escrita mesmo se de uma colecção de frioleiras postas em palavras se tratar.  Podia saltar por cima disto, do blog. Pois podia. Mas, enfim, ficar sem escrever também não consigo. Addicted to writing.

E, então, pensei escrever sobre uma coisa que li na Vogue francesa: as cenas mais eróticas do cinema. Fui conferir, curiosa. Como é costume nestas coisas, parece que quem escolhe os melhores livros, os melhores filmes, as melhores cenas faz de propósito para deixar os outros a sentirem-se ignorantes. Dos oito filmes, apenas conheço três. E das cenas que consegui ver, talvez por descontextualizadas, não achei grandes espingardas. Além disso, agora acontece uma coisa que me encanita solenemente: ao seleccionar um vídeo que contenha alguma ceninha mais encaloradita, o Youcoiso pede que comprove que sou adulta. Não estou para isso, era o que me faltava. Portanto, como não estou para fornecer comprovativos, marimbo-me para as ditas cenas. 

A beatice vai alastrando. Claro que há que acautelar que as coisas não sejam vistas por crianças. Mas, caneco, parece que preferia as salas de cinema em que a barragem era feita à porta. Agora aqui...? Não basta a publicidade em cima de tudo senão ainda isto...? Que seca, caraças.

Por isso, com tanto entrave e chachada, desisto das listas alheias. Acontece que, para listas próprias, tenho um problema do escambau: não as tenho anotadas, não as tenho de cabeça e, pior ainda, a cabeça não está formatada para fazê-las.

Posso aqui enunciar algumas cenas ou alguns filmes que tenho a certeza que amanhã me ocorrerão outros, provavelmente mil vezes melhores. E não estou certa de que o algoritmo que é mais lápis azul e beato que fedorentozinho de antanho me deixe abrir o vídeo para conferir. Vou tentar mas, acreditem, não garanto que seja muito para levar a sério. E são oito apenas porque não posso ficar aqui a noite toda a puxar pela cabeça ou a tentar encontrar vídeos que expliquem o critério. 

.  1  .

Lady Chatterly, na versão de Pascale Ferran, com Marina Hands e Jean-Louis Coulloc'h um filme belo demais. Mas, mais do que caliente, é belo, belo demais. As cenas mais eróticas apenas são disponibilizadas a quem provar que é adulto. Portanto, vai o trailer.


.  2  .

Dangerous Liaisons de Stephen Frears com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer, um filme sensual da cabeça aos pés, passando pela insolente língua de Malkovich (e isto já para não falar do olhar, da voz, das mãos, do andar dele, o descaradão e perverso do Visconde de Valmont)


.  3  .

The Horse Whisperer de Robert Redford com ele e com Meryl Streep, envolvente demais


.  4  .

Damage de Louis Malle com Juliete Binoche e Jeremy Irons. Tem a chatice de não acabar bem mas, antes de acabar, é bom até dizer chea, a começar e a acabar na voz do Jeremy Irons


.  5  .

The Unbearable Lightness of Being de Philip Kaufman com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin, um filme para sempre, com cenas inesquecíveis (a Lena Olin ficará para sempre na minha memória com aquele seu chapéu)


.  6  .

Closer de Mike Nichols com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen
[Larry : You like him coming in your face?; Anna : Yes!  Larry : What does it taste like?; Anna : It tastes like you but sweeter!]



.  7  .

La vie d'Adèle de Abdellatif Kechiche com Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos
O azul definitivamente a cor mais quente


. 8  . 

The French Lieutenant's Woman de Karel Reisz com Meryl Streep e Jeremy Irons. 
Intemporal, belo.


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Desejo-vos uma boa terça-feira
Saúde. Alegria. Boa sorte.

segunda-feira, outubro 11, 2021

O rabo da Madonna e a atrapalhação de Jimmy Fallon
[Os vídeos aqui estão para que possam formar a vossa própria opinião]

 



Devo dizer que gosto da Madonna. Lembro-me de o dizer ao princípio e de ouvir os entendidos a torcerem o nariz, como se eu estivesse a ceder ao facilitismo dos passos de dança, dos corpos de baile, dos espectáculos de luz. Diziam-me: pode ser muita coisa mas boa música não é. E diziam que cantava pouco, que aquilo era só fogo de vista. Não sei. Mesmo que Madonna fosse sobretudo uma performer, eu gostava das performances dela. Gosto do descaramento e da energia. Sempre houve nela vontade de virar a mesa, de partir a louça, de provocar.

Discos propriamente ditos sou capaz de ter só dois. Mas gostava dos espectáculos. Um fogo e uma irreverência que valem por muitos acordes afinados.

Mas das canções, tirando umas quatro ou cinco (assim de repente, acho que não me lembro de muitas mais), penso que são boas se a gente estiver a vê-la a dançar naqueles seus espectáculos mirabolantes.

E achava-a uma mulher interessante. Ainda é interessante mas modificou-se de uma maneira que é difícil prestar atenção ao que diz ou faz sem que a gente, mesmo sem querer, tente perceber se há algum ângulo em que a coisa pareça razoável. Confesso que acho que as plásticas não lhe têm feito bem à cara. Isto das plásticas é sempre uma questão. 

À medida que o tempo passa é impossível que não apareçam algumas rugas. Podem eliminar-se -- mas isso à custa de quê? De enchimentos que deixam as pessoas quase sem feições? Ou alguma flacidez. Combate-se a flacidez enchendo as maçãs do rosto? Se calhar sim. Mas não fica mais feio do que se tivesse rugas? Não fica um rosto insuflado, artificial?

Eu acho que sim mas, lá está, isto do gosto é muito discutível. Com todo o dinheiro que tem, ela pode pôr-se como quer e, no entanto, parece que é assim que se gosta de se ver.

E há ainda o cabelo. Longe vão os tempos em que o tingia por igual, ou toda de louro platinado, toda Marilyn, ou toda morena.  Agora não: o cabelo está comprido, amarelo, grandes raízes pretas. 

Bem sei que está na moda aparecer com as raízes por pintar. Mas só posso dizer que acho horrível, parece desmazelo. 

Comparando com a forma como se arranjava antes (por exemplo, aquando das fotos que se podem ver neste post que podem ter alguns apontamentos mais polémicos mas em que se via uma certa harmonia e cuidado estético), agora olho-a e nem sei o que me parece. Ou melhor, saber eu sei, não quero é dizer.

E depois está muito roliça. Claro que isso não tem nada de mais. As mulheres, em especial depois da menopausa, aumentam de volume. Parece que tudo aumenta: a largura das costas, o perímetro abdominal, o tamanho dos seios. Mesmo que se faça dieta e se fique bem, esse 'bem' já não é o 'bem' que era antes. Acho que, depois, a coisa regride. Lá para os setentas e muitos ou oitentas, a julgar pelo que vejo acontecer à minha mãe, volta-se a ficar com a dimensão (3d's falando) dos verdes anos.

Portanto, com sessenta e três anos, a Madonna está como estão muitas mulheres da idade dela: a transbordar dos soutiens, a transbordar dos vestidos. 

Só que eu, se me sinto a tender para a opulência, em especial em algumas partes do meu corpo, procuro alguma coisa que me vista com alguma discrição e um mínimo de elegância, tentando que nenhuma parte do meu corpo dispute a atenção às restantes partes. A Madonna não: sai-lhe tudo por fora e tudo ela exibe na maior insolência. Dir-se-ia que uma mulher quando chega àquela idade deveria adaptar o seu outfit às circunstâncias do seu corpo. Mas ela não, ela faz o contrário. Toda ela ao léu. E marimbando-se para a idade. Deitada em cima da secretária do pobre do Jimmy Fallon, depois a mostrar o rabo. Ou seduzindo-o à descarada, Madonna é aos 63 o que sempre foi: Madonna.

Já passou aquele patamar do decoro e das boas maneiras que se respeita até certa idade ou dentro de certos contextos, e, portanto, tal como tem os namorados que lhe apetecem, tal como tem as casas ou os cavalos que lhe apetecem, tal como tem as roupas e os cabelos lhe apetecem, assim pratica os actos ou tem as conversas que lhe apetecem, no tom mais provocador ou tentador que lhe apetece.


Nestas coisas há sempre aquela linha que não sei se é vermelha se é o quê: a que separa a saudável irreverência do mau gosto. É aquela linha em que quem sabe e gosta de provocar e por isso era admirado se torna, simplesmente, patético, uma caricatura do que foi, digno de comiseração. Tenho alguma esperança que a Madonna ainda não tenha saltado essa fronteira e que as pessoas, em geral, ainda olhem para ela como a mulher de fogo que quebra tabus e a que, nem a idade, coloca freios.

E depois, pensando bem, se é o que lhe apetece fazer, porque haveria de não o fazer? Só temos uma vida. Para quê desperdiçar um dia que seja a tentarmos ser quem não somos?


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Mas aqui estão os vídeos (recentes, quase a escaldar): de antologia

Madonna on Madame X and Getting Into Good Trouble  | 
 | The Tonight Show Starring Jimmy Fallon





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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

sábado, outubro 09, 2021

Fantasias de uma mulher casada

 



Sobre o dia de hoje muito haveria a dizer mas, hélas, noblesse oblige, não posso. Portanto, tendo estado fora do circuito e desconhecendo o que por aí vai, para ter tema de escrita fico limitada a contemplar o meu próprio umbigo.

Melhor: não o dito cujo [que, por sinal, é 'muito bem feitinho', o orgulho da minha mãe que se gaba de me ter trazido bem apertadinha durante um mês, até que não ficou vestígio de nada à vista, tudo recolhidinho] mas outro tipo de umbigo. Claro que nunca perguntei à minha mãe se o aperto não me terá causado cólicas porque o que lá vai, lá vai. Tentei que os umbigos dos meus filhos também ficassem perfeitinhos, e ficaram, mas nunca apertei muito, assumindo cá para mim que, se eles viessem a protestar, lhes diria que tinha sido para seu bem. Felizmente, saíram bem e, portanto, não tive que usar aquele argumento sobre o qual, de resto, não estaria muito convicta pois não sei bem o que é isso de ser para o bem de cada um. Na volta, um mês de cólicas vale bem o ter, para o resto da vida, um umbigo perfeitinho. Sei lá. 

Mas, portanto, o que tenho a dizer não tem nada a ver com umbigos propriamente ditos.

Tem a ver, isso sim, com as estatísticas do blog. Mais do que quantas visualizações ou a partir de que países me visitam, gosto de ver as coisas que alguns Leitores escreveram nos motores de busca que fez com que viessem direccionadas para cá. Hoje, uma das expressões foi esta: 'fantasias de uma mulher casada'. Fiquei admirada: porque é que a google -- ou seja o que for -- manda para aqui toda a gente que não sabe fantasiar sozinha?

Mas depois percebi que há uns tempos escrevi mesmo uma historinha sobre Dita, a mulher casada com umas explícitas fantasias sexuais. Reli-me e achei-me muito pãozinho sem sal. Nitidamente escrevi aquilo a despachar só para não me arreliar com as coisas da política doméstica.

Sexo com dois ou mais homens é daqueles clássicos que mimetiza um outro clássico: um homem a fantasiar ter duas ou mais mulheres de roda de si. 

Contudo, nisto como para tudo nesta vida, para que as coisas produzam o efeito desejado, é preciso ciência. Ciência, imaginação and a touch of je ne sais quoi. Apenas improviso é bom às vezes, por acaso. Mas, se dá para o torto, é para esquecer. 

A ménage, seja de duas para um ou de dois para uma é daquelas que, só por si, pode ser uma valente carga de trabalhos ou, ainda pior, um tédio. 

Ou vem numa decorrência -- uma coisa que vai evoluindo, que começa por não ser nada para, aos bocadinhos, começar a desenhar-se qualquer coisa, uma coisa envolvente em que não são dois homens a servir uma mulher mas, antes, três pessoas que se desejam e que passam das intenções aos actos, tacteando, ousando, arriscando -- ou não vale um caracol furado, só serve para deixar todos desconfortáveis. Digo eu, claro.

É como aquilo do swing. Ir para um clube para experimentar um elemento de um outro casal é também daquelas que, em meu entender, só funciona com gente pouco exigente. Pode ser que, em idades pouco sofisticadas em que tudo o que vem à rede é peixe, a coisa possa parecer que funciona. Mas é treta. Fancaria. Claro que haverá quem garanta que poderá funcionar e ser um booster na boa disposição dos envolvidos mas, tenho para mim que, se não for bem gerido, pode é virar um belo pesadelo. 

A ser, tem que ser na base do afecto entre todos, um afecto tão verdadeiro que resista ao experimentalismo, à desconfiança, às comparações. Também digo eu de que, claro.

Mas estou em crer que, se calhar, as fantasias de uma mulher casada são, na maioria, de uma outra natureza. 

Mas são coisas de natureza muito inconfessável, daquelas de que mais vale nem falar, que, se calhar, até é bom que não se materializem não vá dar-se o caso de se transformarem numa xaropada sem pingo de graça ou de sofisticação. 

É que, também tenho para mim, coisas destas, para terem graça, devem vir envolvidas num mínimo de sofisticação. Deve haver romance, rêverie, bons modos (para além de uma boa pegada), demorada preparação e boa e cuidada execução -- deixando vontade de repetir (para aperfeiçoar). 

Poderia aqui dar alguns exemplos mas receio que, por falta de talento (e de liberdade de expressão), ao transformar fantasias gostosas e privadas num conjunto de palavras normais, as calientes fantasias virem uma pornochanchada. E isso é que não, caraças.

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E estou a escrever isto e a pensar que os meus filhos lêem as macacadas que para aqui escrevo. Às tantas, a esta hora, estão preocupados. Daqui vai, para eles, o meu disclaimer: descansem que a mãezinha não é dada a aventuras, a ménages, a swings, a órgias, muito menos a coisas ainda mais ponteagudas ou cabeludas. Zero. A mãezinha o que tem é uma imaginação desbragada na ponta dos dedos. Ofereçam-lhe um título que a mãezinha logo escreve uma redação. E é isto que a mãezinha acabou de escrever: uma redação que saiu assim mas que poderia ter saído assado.

Nada a fazer, já sabem. A mãezinha é um caso perdido.

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PS: Claro que os meus filhos não me tratam por mãezinha. Haveria de ter graça...

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A primeira, a segunda, a terceira e a sexta fotografias são de Mario Testino que os sabe escolher a dedo. A segundo mostra os fotógrafos Mert Alas & Marcus Piggott, ao que parece com Miley Cyrus. A quinta mostra Jeanne Moreau no filme Jules et Jim. E a última, obviamente é de Robert Mapplethorpe

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Um belo sábado

Tudíssimo de bom

terça-feira, julho 27, 2021

Killing Kittens
O erotismo no feminino -- ou quando, na festa dos corpos, as mulheres é que dizem como é

 


Em tempos não muito remotos eu alimentava o secreto desejo de me dedicar a uma actividade profissional pouco confessável. É uma actividade legal apesar de ser socialmente pouco recomendável. 

O meu marido achava (e acha) bem e creio que me incentivará bastante nesse sentido.

Contudo, o tempo vai passando e tenho a sensação que vou perdendo o élan. Estou a ver que nem presidente da câmara nem esta outra coisa.

Tenho em mim um lado muito prático e, o mesmo tempo, talvez já por deformação profissional, muito virada para o bom negócio. Trabalhar para aquecer só aqui mas isto não é trabalhar, é distrair-me, é descansar a cabeça. Mesmo nos meus hobbies gosto de produzir. Tenho inúmeras carpetes feitas em legítimo ponto de arraiolos e réplicas de desenhos originais do séc. XVII e fi-las não apenas com o grande prazer que retiro de fazer trabalhos manuais mas também com a consciência de que estava a fazer coisas de valor. Também fiz durante anos camisolas de tricot ou mantas de crochet porque não encontrava a meu gosto por valor equivalente e sabia que não apenas estava a ter gosto em fazê-las como estava a fazer peças únicas e mais baratas do que arranjaria no mercado. Deixei de fazê-las quando as zaras desta vida (para as camisolas) e os gatos pretos (para as mantinhas) apareceram com oferta de qualidade a valor razoável, deixando as minhas peças de ser competitivas.

Por isso, para a minha actividade eventualmente por vir, tenho na minha cabeça que, antes de me entregar a ela, terei que avaliar se poderei ser bem sucedida e, também, se há quem me possa ajudar a progredir. Quando falo em ajudar, falo em termos profissionais. Não sei bem como mas admito que faria sentido ter um agente que seria remunerado em função do meu revenue

Trata-se, como deve dar para perceber, de uma actividade que me é estranha em absoluto. Nunca fiz nada, nem de perto nem de longe, nestes domínios. Mas, com a minha matriz profissional sempre a querer impor-me a atenção aos fundamentals, só avançarei depois de conhecer os caminhos a percorrer, depois de ter o know how mínimo necessário e depois de ter antecipado que o resultado será favorável. É aquilo de apenas investir depois de ter o business case sólido e bem estruturado. Ora tudo isso requer tempo e esforço, e, com o tempo a passar e eu ainda presa ao meu emprego tradicional, não sei se vou ter tempo e disponibilidade para isso.

Mas veremos. Não vale a pena antecipar.

Prezo o valor intrínseco das mulheres e acredito que não deveriam ter que disputar o seu lugar seja onde for. Não acredito na superioridade masculina (tal como não acredito na feminina) nem aceito que haja espaços que lhes estejam sonegados. 

Claro que, junto da elite intelectual, a igualdade de oportunidades ou de direitos das mulheres já não é tema. Mas a elite é isso mesmo: le beau monde. Fora desse escol, mesmo em meios cosmopolitas supostamente detentores de mentes abertas, acha-se que há um mundo natural dos homens e um mundo natural das mulheres. E, ao falar-se nisto, lá vem à baila a ideia de que o mundo natural das mulheres é primordialmente o mundo da família, da criação dos filhos, da casa. Enquanto isso, segundo essa visão, que é ainda a visão dominante, o mundo dos homens é o mundo do trabalho fora de casa, seja no trabalho, seja na política, seja no desporto ou no lazer em geral.

Salvo as elites intelectuais, em especial nas grandes cidades, o mundo do sexo ou do erotismo em geral é ainda um mundo predominantemente masculino, quer na produção e distribuição de produtos (sejam filmes, objectos ou locais de prazer) quer no que se refere ao seu consumo. 

Ora estou em crer que não há por que ser assim. As mulheres estão numericamente em maioria e são tão ou mais sensíveis ao erotismo e à ousadia do que os homens. Aliando a isso a de que são naturalmente mais disponíveis para o consumismo do que os homens, temos que há um imenso mercado por desbravar.

Ou seja, creio haver mercado para que as mulheres se afirmem assertivamente neste mercado, quer como produtoras quer como consumidoras. 

Por ser assunto que me interessa, fico especialmente agradada quando percebo que actividades que se situam nesses ambientes são lideradas por mulheres e que, imagine-se, estão a bombar. 

É o caso das Killing Kittens

The KK Group’s brands empower women from the bedroom to the boardroom. We create experiences—both online and offline—that inspire the next generation of independent women.

Killing Kittens was founded in 2005 by Emma Sayle in response to demand from young, independent single girls and couples who needed something more. The world’s most exclusive, decadent and hedonistic parties were created, fully focused on the pursuit of female pleasure. Girls remain at the forefront…in control, knowing what they want whilst also empowering adventurous couples the world over.

Since 2005, Killing Kittens has evolved and expanded beyond organising parties. An online community of over 100,000 women, gentlemen and couples has been formed – chatting, flirting and socialising all over the world.

Durante o confinamento, as Killing Kittens viraram-se para as festas virtuais mas, agora que (um bocado incompreensivelmente) a liberdade já foi decretada lá por terras de Sua Majestade, as festas esgotaram. Tal como aos tempos de guerra se sucedem tempos de farra, celebração com libertinagem à mistura, parece que o mesmo vai acontecer depois da era covid. Enquanto em casa muitos casais vêem a sua relação corroída e as separações disparam, os corpos parece estarem ansiosos por partir à aventura, à descoberta de novas sensações, de novos parceiros, de novas experiências.  

Festas de mulheres, nos quais os homens são os convidados das mulheres. Aposto que é o paraíso para eles. Estarem numa festa de mulheres desinibidas, serem voyeurs e jouets, creio ser o sonho de grande parte dos homens. E para elas, sentirem-se livres, poderosas, terem a primeira e a última palavra, poderem pôr e dispor dos homens, é também porem o pé naquilo que deve ser o paraíso.

Não sei se sou suficientemente ousada para participar numa festa destas mas gostaria muito de lá fazer uma reportagem: fotografar, fazer perguntas, mergulhar na devassidão e liberdade daquele ambiente.

Enquanto isso não acontece vou mas é ver se mantenho viva a chama da minha segunda vocação para ver se, daqui por algum tempo, me dedico de corpo e alma ao que, se calhar, é aquilo para que nasci.


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Carla Bruni interpreta, uma vez mais, a Femme Fatale.
Encontrei as fotografias que usei ao longo do texto na net relacionadas com as Killing Kittens.
Também encontrei estes dois vídeos.




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Desejo-vos um dia feliz
Enjoy.

quinta-feira, julho 22, 2021

Os mais libidinosos fatos de banho para homem



Tenho a dizer que os fatos de banho que aqui mostro são os mais fantásticos, elegantes e apetitosos fatos de banho de homem que já vi. Li na Vogue que são libidinosos -- e estou de acordo. A palavra é correcta. Libidinoso = Sensual; lascivo; caprichoso; dissoluto.

Vejo as sofisticadas tangas com olhos de ver, amplio para ver bem as costuras e a perfeição do corte -- e não lhes encontro defeito.

No entanto, posso estar a ser tendenciosa pois posso estar a pôr todos os atributos na peça de vestuário quando, para ser sincera, o que acredito mesmo é que dependerá muito de quem os vestirá. 

Por exemplo, no outro dia vi um homem vestido a rigor a tentar fazer kite surf. Mas, coitado, por mais que se esforçasse não conseguia sair da areia, dando divertidos saltinhos a ver se o vento lhe pegava e levava pelos ares. Mas nada, não descolava. Quando me aproximei, disse ao meu marido que estava tudo explicado. O meu marido não percebeu. Expliquei que, com aquele fácies, era óbvio que não ia a lado nenhum. Passando-lhe perto constatei que não era apenas a cara, era também o corpo que era para esquecer. Claro que enfiado dos pés à cabeça num fato de um reluzente neopren a coisa disfarçava. Agora imagine-se se aquele cromo se apresentava com um fato de banho como estes. Ou uma pessoa desatava a rir à gargalhada ou afastava-se cautelosamente não fosse o maluco desatar o atilho.

Também tenho que confessar outra coisa: se, por exemplo, o meu marido me aparecesse, em público, nestas figuras, acho que o embrulhava rapidamente numa toalha e mandava chamar os bombeiros para o levarem, atado, para o Júlio de Matos. Ou se fosse o meu filho. Credo, nem quero pensar. Acho que teria uma conversa com a minha nora para avaliarmos o que poderíamos fazer para ele ganhar juízo. E nunca mais ia ter à praia com eles enquanto ele não voltasse aos habituais calções de banho.

Já o disse: para mim os homens querem-se frugais, despojados, sem espalhafatos ou inovações estéticas. Clássicos ou desportivos mas sempre sóbrios, discretos. No caso do meu marido e do meu filho, ambos usam calções normais, um pouco acima do joelho, tecido, corte e cores 'normais'. Mesmo os meus netos usam calções de corte direito, compridinhos, do mais simples e discreto que há.

Mas isso são os meus 'homens'. 

Agora os homens das outras ou os que estão sem dono/a, os que não se importam de mostrar que estão no mercado, os que estão disponíveis para serem olhados, ah... ah esses, sim, podem ousar à vontade, podem ser extravagantes, em especial se seguirem a velha máxima de 'menos é mais'. 

Poderiam, até, ter apenas uma simples parra à frente e uma simples folhinha de limoeiro atrás. Ou vice-versa. Ou, melhor ainda, uma única folhinha de louro.

Os modelos que aqui apresento são obra de Ludovic de Saint Sernin, the designer who made poetic sensuality his brand's signatureLudovic de Saint Sernin se fait connaître en 2018 avec sa mode libidinale et son vestiaire "genderless" alliant chic et poésie. Son premier vestiaire, présenté en tant que finaliste du prix LVMH, a fait l'effet d'une bombe avec autant de modèles audacieux célébrant le corps masculin et ses attributs


E é o que, por ora, tenho a dizer. Quanto ao resto, pouca coisa do que para aí vai me assiste. Tudo muito do mesmo (e até as cheias diabólicas, o calor abrasador, os fogos imparáveis, as tempestades do outro mundo ameaçam tornar-se um infernal déjà-vu).

No domínio dos fait divers, li muito boa gente indignada pela divulgação do vídeo no qual o grande Paulo Rangel está a 'levar com ventos fortes'. Que isto, que aquilo, que aqueloutro. Uma infâmia, dizem. Pois a mim pouca coisa me ocorre dizer a não ser que ainda bem que ia vestido como ia e não com um fato de banho destes ou com uma destas toalhinhas tricotadas. E não é por nada a não ser que, lá está, acho que não tem cara nem corpo que aguentem tanta moda.


E um último apontamento: folgo em ver que estes modelos se apresentam com tudo o que é de lei. Detesto ver homens depilados. Estes, benza-os deus, estão como devem estar: felpudinhos de dar gosto.

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E até já